Sintra
 

Recebeu Foral de D. Afonso Henriques a 9 de Janeiro de 1154
 
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
 

Em 9 de Janeiro de 1154 D. Afonso Henriques - primeiro rei de Portugal - outorga Carta de Foral à Vila de Sintra com as respectivas regalias. A Carta de Foral estabelece o Concelho de Sintra, cujo termo passa a abranger um vasto território, pouco mais tarde dividido em quatro grandes freguesias: São Pedro de Canaferrim, com sede paroquial junto ao Castelo; São Martinho, com sede paroquial no centro da Vila; e Santa Maria e São Miguel, ambas com sede paroquial no Arrabalde.
Sintra é uma das mais belas terras de Portugal
 
 
 

IARA MELO PELAS RUAS DE SINTRA


Sintra – (Concelho do Distrito de Lisboa)

A Serra de Sintra fica situada no distrito de Lisboa, e tem de comprimento 10Km e de largura 7 Km, com altura máxima de 529 metros do nível do mar. Grande maciço granítico de formas irregulares. Num dos seus píncaros fica situada o Castelo dos Mouros e noutro o Palácio da Pena. Cá em baixo na cidade, fica situado o Paço Real de Sintra, composto de construções mouriscas, da Idade Média e do Renascimento e também do período Manuelino. Conquistada aos Mouros em 1147, por D. Afonso Henriques. Na Serra foram encontrados vestígios das ocupações romanas e árabes. Os Romanos quando chegaram a Sintra, chamaram-na de "Mons Lunae", ou seja Montes da Lua, porque nessa época a serra era completamente desprovida de vegetação.
Na Serra de Sintra, existe exuberante combinação de verdes (600 tons diferentes, que é único no mundo), de maravilhosos jardins, alamedas, florestas, lagos, nevoeiros, penhascos e precipícios, que coexistem com edifícios de várias épocas e estilos arquitectónicos, desde os serenos palácios e mosteiros setecentistas e oitocentistas, às mansões de características neo - árabes e neo - manuelinas. Em linguagem figurada, Portugal tem sido muitas vezes descrito como uma ilha, tradicionalmente ligado ao mar - Índia, África, Ásia e Américas - mas o seu isolamento é mais cultural do que geográfico. Na longa história das Descobertas Marítimas, nenhuma outra terra foi tão celebrada, em verso e em prosa, como Sintra, principalmente a sua Serra, testemunho do passado marítimo português: as idas e vindas, a visão de navios de guerra, a descoberta do Comércio. Gil Vicente descreveu Sintra em "O Triunfo do Inferno", como uma grande senhora, sonhadora, romântica, amorosa e desinibida. Mas também outros poetas e escritores portugueses e estrangeiros, a foram descobrindo ao longo do tempo. Marinheiros perdidos no mar ou regressados a casa - figuras de "Os Lusíadas" do grande Camões, e da "História Trágico - Marítima" - falam com saudade do lar e da vista da Cruz Alta, o ponto mais alto da Serra de Sintra. Lord Byron descreve-a longamente em cartas à sua mãe, escritas de Gibraltar em 1809, chamando-lhe "labiríntico jardim paradisíaco, onde os românticos se tornam mais românticos, os amorosos mais amorosos e os namorados mais enamorados. Este jardins seriam dignos de figurarem no Eden...". Nas tardes de Verão, quando o nevoeiro nasce do Atlântico, o Sol paira como um disco alaranjado, sobre a terra sem vento. A intensidade da luz da cor dá profundidade aos montes alcantilados que se erguem do Atlântico ao encontro da Serra de Sintra.


Origem do nome:
Segundo a opinião do Dr. José Leite de Vasconcelos: "... além dos dados colhidos pelo Dr. Gomes de Brito, também mencionarei que Damião de Góis, o grande escritor clássico da "Crónica de D. Manuel", diz e repete Sintra e Cintra.
Mas a questão não está resolvida simplesmente pela morfologia histórica da língua: está resolvida pela fonética. Como se sabe, a pronúncia de hoje não é exactamente igual à pronúncia dos séculos X1V, XV e XV1, sobretudo ao valor do "S" inicial, do "S" intervocálico, do grupo "CH", etc. O "S" inicial tinha o valor que ainda hoje tem na Beira e na Espanha, e que se não confunde com o do "C" e de "I"; isto é, se os quinhentistas e os seiscentistas pronunciarem como nós a sílaba "SIN", não escreveriam Sintra, mas sim Cintra. Escrevendo como escreviam, SINTRA, vê-se que davam ao "S" inicial o valor do "S" inicial beirão e castelhano, de acordo com o latim medieval Sintra e Sintria, que não se lia como nós lemos. Também o Dr. Fernando Venâncio da Fonseca, opina: "... de baixa latinidade Sintria, sempre com um "S" até ao século XVll ...". Xavier Fernandes, pensava que a mudança de "S" para "C", talvez se deva à conexão com CYNTHIA, epíteto greco-romano da deusa da Lua, tanto mais que Sintra fica perto do antigo promontório da Lua, e aos Romanos terem chamado à Serra de "MONS LUNAE".
O facto de os Árabes terem transcrito XINTRA, que revela o som palatal do "S" em português arcaico (hoje apenas dialectalmente), igualmente é comprovativo da grafia "S".
Algumas figuras históricas ligadas a Sintra:

D. Fernando ll
Muito do que ainda podemos admirar hoje em Sintra, se deve a este rei, que foi casado com D. Maria 11. D. Fernando foi Duque de Saxónia Coburgo Gotha, e foi rei de Portugal pelo seu casamento com a rainha D. Maria ll, em 1836. Foi regente do Reino durante dois anos, em seguida à morte da soberana e enquanto seu filho, D. Pedro, (mais tarde D. Pedro V) não atingiu a maioridade. Grande amador e protector das Artes, deve-se-lhe a transformação do antigo convento dos Frades Jerónimos, no hoje Palácio da Pena, assim como a restauração do Castelo dos Mouros e grande parte da arborização da Serra de Sintra, assim como aos seus jardins e lagos. Teve um grande amor na sua vida sentimental: a Condessa de D’ella, nobre alemã que conheceu após a morte da sua primeira mulher e antes de se casar com D. Maria ll. A Condessa D’ella, viveu num palácio perto do da Pena, e os seus encontros amorosos, davam-se no chamado Lago Grande, perto da Fonte dos Passarinhos, que tantas tradições tem.

D. Maria ll
Em 1835, casou com o príncipe Augusto de Leuchtenberg, que faleceu dois meses depois. No ano seguinte, desposou o príncipe D. Fernando de Saxónia Coburgo Goth, de quem teve onze filhos, custando o nascimento do último, a sua vida. O reinado de D. Maria ll, foi um período de incessantes lutas civis. Os partidos políticos não compreendiam os verdadeiros princípios liberais e guerreavam-se com cega violência. As revoltas militares, que se seguiam quase sem interrupção, mantinham o país em permanente guerra civil. Dotada de altas virtudes e de vontade enérgica, D. Maria ll, suscitou ódios políticos, mas foi sempre venerada como esposa e mãe de família, pelos seus mais ardentes adversários.

SINTRA é uma povoação já muito antiga, cujas origens se perderam em nebulosas lendas, encontrando-se ligada a um passado cultural a que escritores e artistas, sobretudo durante o século XlX, deram realce. Supõe-se que durante a ocupação árabe foi povoação importante, embora poucos vestígios restem dessa época. Recebeu foral em 1154, dado por D. Afonso Henriques. D. Dinis e os monarcas que lhe sucederam fizeram de Sintra o centro de veraneio da corte. Aqui nasceu e morreu D. Afonso V, foi aclamado rei D. João ll, deu a sua última audiência D. Sebastião e esteve cativo D. Afonso Vl.
Às belezas de Sintra, se referiram nas suas obras poetas nacionais e estrangeiros, como Camões, Garrett, Eça de Queirós, Lord Byron, William Beckford, etc.

Monumentos: 
Castelo dos Mouros
Ergue-se sobre picos rochosos, coroando a Serra, e remonta aos séculos Vlll ou lX.  Foi reedificado pelos Mouros, e ocupado em 1147 por D. Afonso Henriques. O seu aspecto actual advém-lhe das obras levadas a efeito no tempo de D. Fernando II, pois o Castelo ficou praticamente destruído pelo terramoto de 1755. 

PAÇO REAL DE SINTRA (ou PALÁCIO NACONAL DE SINTRA)
Este Palácio distingue-se pela variedade das suas edificações, dispostas à volta de pequenos e silenciosos pátios, de ressonância andaluzes, e em planos diferentes, conforme s sua implantação no terreno e ainda pelos estilos artísticos que ilustra, é um exemplar único na sua arquitectura civil portuguesa. Este monumento, rival do Alcácer de Sevilha, provém de um primitivo paço gótico da época de Dinis, desenvolvido no tempo de D. João 1, que aqui decidiu, em 1415, a expedição a Ceuta e, em 1429, recebeu a embaixada do duque de Borgonha, da qual fazia parte o pintor Jan van Eyck. D. Afonso V promoveu obras no velho edifício, onde viria a morrer em 1481, sendo logo a seguir aí aclamado D. João 11, no Terreiro do Jogo da Pela. Este rei estanciou mais do que uma vez em Sintra, havendo nomeado vários mestres para as obras do Paço. A grande e documentada actividade de renovação teve lugar no reinado de D. Manuel 1, entre 1505 e 1520, ao ser acrescentada a ala oriental, obra típica da arte manuelina, com as suas janelas geminadas e de pujantes elementos decorativos gótico-naturalista, a que se seguiram as arcadas das belas galerias abertas em dois andares, e ao ser erguida, a poente, o imponente cúbito da Sala dos Brasões, com o telhado piramidal e um largo e original friso alveolado sob a cornija, cujo lavor é do mais típico mudegarismo.
Este palácio tem o maior repositório de azulejos antigos existentes no País, sendo alguns deles peças únicas, como os que, engrafitados a negro, emolduram a porta gótica da Sala das Sereias, ou da Galé, todos notáveis pela sua policromia e integração decorativa; os da Salas dos Cisnes e das Pegas, onde brilha o raro azul-de fez, e os da chamada Sala dos Árabes, com os seus vistosos lambris de azulejos sevilhanos verdes, azuis e brancos, e outros no friso do alisar, de fabrico nacional, também manuelinos, com flores-de-lis e maçarocas em relevo. Nesta sala, primitivo pavilhão central, conforme o desenho quinhentista de Duarte de Armas, que também documenta a existência das monumentais chaminés da cozinha gótica, o chão é revestido de ladrilhos e pequenos embutidos, admirando-se ao centro uma fonte - taça de mármore, rematada por um repuxo, exótica composição metálica com tritões e cavalos. O mesmo valioso tipo de pavimento de ladrilhos, encontra-se também na Sala de D. Afonso V1 e na capela gótica, a qual é enriquecida pelo original tecto de lacarias mudéjares, de dois tramos, o mais antigo com as armas reais, provavelmente de D. Afonso V, e o posterior já estilo manuelino. Esplêndido conjunto esta da capela, sem par no País, que a torna só por si um verdadeiro tesouro artístico, um monumento dentro de um monumento, onde ainda se encontram vestígios da primitiva pintura gótica, representando uma pomba, o que permitiu o restauro da decoração mural. O recheio do Palácio é constituído por mobiliário antigo, tapeçarias, pinturas e, junto da tribuna da capela, uma escultura de Santa Ana e a Virgem, da Escola Alemã. Algumas Salas que se encontram neste Palácio:

SALA DO CATIVEIRO  Onde D. Afonso V1 esteve cativo, depois de ter sido destronado por sua mulher (D. Maria Francisca) e por seu irmão D. Pedro (ver peça à parte).

SALA DOS BRASÕES O tecto desta sala, de cúpula apainelada de espectacular efeito, exibe, pintadas as armas reais e dos seus infantes, bem como, nas ordens inferiores, as da nobreza da época manuelina. É sumptuosa a decoração das molduras dos caixotões e dos motivos vegetalistas que rodeiam as armas reais. Elegantes corças preenchem alguns dos caixotões, A ornamentação da magnificente Sala dos Brasões foi completada com o forro das paredes por azulejos barrocos figurando caçadas.

SALA DOS CISNES  No interior do Palácio admiram-se artísticos tectos, nomeadamente o da espaçosa e clara Sala dos Cisnes, de masseira, de inspiração mudéjar, decorado com pinturas de cisnes dentro de caixotões octogonais de molduras douradas.

SALA DAS PEGAS Além da figuração destas aves, ostenta, pintado o mote "Por Bem", de D. João 1. Ornamentam estas salas preciosas azulejos mouriscos. O seu recheio é constituído por móveis antigos, como
os contadores hispano-árabes da Sala das Pegas, por algumas pinturas e tapeçarias de valor. Apesar de modificadas em épocas sucessivas, conservam o antigo esplendor.

Afonso Vl
Muito criança ainda, foi atacado por uma grave doença, que o deixou fraco para sempre, tanto de corpo como de espírito. Quando faleceu seu pai, tinha apenas treze anos e até à sua maioridade exerceu a regência sua mãe, a rainha D. Luísa de Gusmão. Já durante este período se manifestaram as taras físicas e morais do príncipe, que só escolhia a convivência de aventureiros devassos e de indivíduos da mais baixa condição, entregando-se com eles a correrias pelas ruas de Lisboa, armando escândalos e desordens, de que não raro saía maltratado. Quando D. Afonso completou dezoito anos, como a rainha hesitasse em lhe confiar o governo do Reino, o príncipe, a instigações do conde de Castelo Melhor, retirou a regência a sua mãe e assumiu o poder, tomando para seu ministro o conde de Castelo Melhor, que se revelou um estadista eminente. Em 1666, casou o soberano com Maria Francisca Isabel de Sabóia, Duquesa de Nemours. Foi uma união desastrosa. A rainha logo de apaixonou por seu cunhado, D. Pedro e não tardou a desprezar e a detestar o homem a quem se ligara. Estabeleceu-se entre ela e o conde de Castelo Melhor, uma forte rivalidade política, de que resultaram complicadas intrigas na Corte, principalmente pelo romance que ela mantinha com o cunhado. O infante D. Pedro, tomou então partido da sua cunhada rainha, criando-se entre eles uma relação amorosa bem visível aos olhos de todos. D. Pedro, que também detestava o conde de Castelo Melhor, manobrou por forma a tirar ao seu irmão e seu rei, o único homem que o podia amparar no trono. Privado do conde, D. Afonso estava perdido ... A rainha, pretextando que o casamento não se consumara, escreveu uma carta que ainda hoje é considerada de muito erótica, ao parlamento, e retirou-se para um convento. Seguiu-se um processo de divórcio, que é uma das mais vergonhosas páginas da nossa história. Os acontecimentos precipitaram-se e, D. Afonso foi dominado pelo infante, não lhe opondo qualquer resistência. As Cortes convocadas em 1668, depuseram o rei, entregando a regência a seu irmão. De Roma veio a anulação do casamento e a dispensa para que os dois cunhados pudessem casar, o que ainda fizeram nesse mesmo ano. D. Afonso foi então exilado para a Ilha Terceira (Açores) e encarcerado no castelo de S. João Baptista. Quatro anos depois, em seguida a uma conspiração em seu favor e que se malogrou, foi D. Afonso transferido para o Paço Real de Sintra, onde faleceu subitamente (e misteriosamente) em 1683.

D. Maria Francisca Isabel de Sabóia
Duquesa de Nemours e d`Aumal, nasceu em Paris em 1646. Segunda filha dos duques de Nemours. Casou em 1666 com D. Pedro V1 e logo se ingeriu na política portuguesa, manifestando-se logo hostil ao conde de Castelo Melhor, que já tinha por adversário o infante D. Pedro, seu irmão. Entre a rainha e seu cunhado, estabeleceram-se relações amorosas, que fizeram escândalo na Corte. Conseguiram os dois amantes obrigar o conde de Castelo Melhor a demitir-se e logo tramaram tirar a coroa a D. Afonso V1. A rainha retirou-se para o Convento de Madre de Deus, pretextando que o marido nem sequer o casamento conseguira consumar. D. Pedro apoderou-se da regência e em seguida a um processo vergonhoso de que resultou a anulação do casamento com D. Afonso V1, desposou a sua cunhada em 1668. Deste segundo enlace, teve D. Maria Francisca uma filha, a princesa D. Isabel, que faleceu com 23 anos. Nota: D. Pedro 11 casou em segundas núpcias com D. Maria Sofia de Neuburgo e desta união nasceu D. João V.
 


Palácio Nacional da Pena

 

IARA MELO E SOBRINHOS EM FRENTE AO PALÁCIO

(RODRIGO MELO BARROS E CATARINA MELO BARROS)

 

Em plena Serra de Sintra, formando com a Natureza um conjunto espectacular, ergue-se o Palácio da Pena.
Construído no século XlX sobre as ruínas de um antigo convento, este núcleo de arquitectura civil revela uma concepção romântica, pelas características estilísticas e cuidado de integração no ambiente, com bom sentido de cenografia paisagística. O primitivo Mosteiro de Frades Jerónimos fora mandado construir por D. Manuel 1, em 1511. No século XV111 estava semi arruinado, devido ao terramoto de 1755. Em 1838, D. Fernando 11, soberano profundamente culto e sensível às correntes estéticas do romantismo, adquiriu as ruínas, envolvidas por uma ambiência poética tão ao gosto da época, com a finalidade de as transformar em residência de Verão, obrigando-se, simultaneamente, a manter a traça primitiva. Este príncipe, grande conhecedor das artes, interessado no património nacional, fomentou igualmente os restauros do Mosteiro da Batalha, do Convento de Cristo em Tomar, e da Torre de Belém, tendo concedido bolsas a alguns artistas e organizado criteriosamente a sua colecção. Pretendendo, de início, restaurar o velho mosteiro, adaptando-o, apenas no essencial, a residência de veraneio, foi dissuadido da intenção pelo artista a quem entregara a chefia das obras, um engenheiro militar alemão - barão Von Eschweg - secundado nesta tarefa pelo arquitecto português, Possidónio da Silva. Nos meados do século XlX predominava uma tendência eclética, cuja inspiração se alimentava de criações de vários períodos históricos-artísticos, desde a Antiguidade até à Idade Média. Nesta perspectiva, Eschweg propusera a organização de um ambiente neogótico, que o monarca recusou, preferindo uma articulação com as tradições artísticas locais e com determinadas soluções regionais preferidas nos séculos XV e XVl. Por esse motivo, empreendeu o barão uma viagem pela Europa, percorrendo a Inglaterra, a Alemanha (Berlim), França, Espanha (Córdova, Sevilha, Granada), pelo Norte de África (Argélia).
É neste contexto que o Palácio surge como pioneiro das concepções arquitecturais românticas em Portugal. A sua planta é de forma irregular, condicionada pelo núcleo anterior e pela topografia que resulta uma íntima ligação entre a paisagem e o edifício. A primeira grande campanha de obras decorreu até 1849. A edificação originária foi integrada, conservando a antiga capela e retábulo renascença, notável trabalho de alabastro e mármore negro com cenas da vida de Nossa Senhora e da Paixão de Cristo, atribuídas a Nicolau Chantenenne. Os outros sectores sofreram nítida influência do gosto manuelino do Palácio Nacional. O aspecto exterior do edifício apresenta um equilíbrio marcado, verificando-se um ritmo harmonioso na articulação dos espaços, massas e volumes, criando entre si núcleos dinamizadores do conjunto arquitectónico. A construção, com as suas torres, o minarete, o remate das muralhas e os contrafortes, elementos estruturais provenientes de gramáticas arquitectónicas do passado, revela extraordinária riqueza quanto à diversidade e um carácter verdadeiramente assimilador, condicionado por um critério romântico, com preferência pelo mudéjar, nomeadamente em elementos decorativos. Alguns núcleos do palácio definem opções estéticas em revivalismos evidentes. A fachada sul apresenta duas torres oitavadas, envolvidas de azulejos e encimadas por uma cúpula. Destaca-se ainda uma construção rectangular na qual sobressai a varanda, apoiada em colunas torças. A fachada norte está organizada em corpos sólidos e equilibrados. O Pórtico de Trião, pelas suas características monumentais e decorativas, assim como a janela manuelina, aberta numa parede de azulejos, imitando a original do Convento de Cristo, em Tomar, talvez concebida por Diogo de Castilho, são elementos que bem reflectem o interesse revivalista. No interior, a decoração tem vistas panorâmicas ímpares em Portugal.

Quinta da Penha Verde
D .João de Castro, ao regressar vitorioso do cerco de Diu, requereu a D. João lll, como penhor dos seus serviços, "um rochedo com seis árvores". Tratava-se do monte das Alvíssaras, na Quinta da Penha Verde, fundada pelo ilustre vice-rei da Índia, que a ela dedicava "grande afeição". De entre várias capelas espalhadas pela Quinta, merece especial referência a de Nossa Senhora do Monte, do mais puro renascença. A ermida, de planta circular, foi mandada construir por D. João de Castro, em 1542. No interior admiram-se, adoçadas à parede, elegantes colunas com capitéis esculpidos. A cobertura é feita por uma abóbada semiesférica, rematada por uma cabeça de querubim. Corre a parede da nave um cilhar de azulejo do tipo tapete do século XVll. No altar - mor, ordenado de azulejos da mesma época, está colocado um retábulo de mármore branco e negro.

CASA DOS RIBAFRIAS
Belo exemplar da arquitectura civil renascença, foi mandada construir no século XVl, por Gaspar Gonçalves, alcaide-mor de Sintra. No século XVlll foi propriedade do Marquês de Pombal, que mandou proceder ao seu restauro, conferindo então à fachada o cunho que ainda hoje apresenta. Num dos capitéis figuram a data de 1534 e o nome do mestre da obra, o arquitecto Pêro Pexão. Dá acesso ao andar nobre uma escadaria precedida de um átrio abobadado. No piso superior subsiste uma janela de balcão com balaústres, formando uma galeria em "L", de cunho renascença, e que abriga uma fonte.
 
PALÁCIO DE SETEAIS
Magnífico exemplar de mansão nobre do século XVlll, foi mandado edificar por Gildemeeter, cônsul da Holanda.
Aqui, o célebre viajante inglês William Beckford assistiu sumptuosas festas, quando o palácio era já propriedade do Marquês de Marialva. Neste palácio estiveram também D. Maria l e, em 1802 o príncipe regente D. João e D. Carlota Joaquina, cujas esfinges encontram-se à estrada do palácio. Os dois corpos laterais, encimados por platibandas em estilo neoclássico, foram ligadas por um arca triunfal, em comemoração desta visita.

CAPUCHOS (Convento de Santa Cruz dos Capuchos)
Este Convento fica situado num maravilhoso cenário da Natureza, difícil de descrever, mas que teria decerto lugar nos jardins do Éden. Foi mandado construir em 1560, por D. Álvaro de Castro em seguimento de um voto de seu pai, o grande vice-rei da Índia, D. João de Castro. Diz a tradição que ali viveu um frade de nome Honório, que, durante mais de trinta anos só se alimentou de ervas. A extrema pobreza destes frades era tal que criou nas gentes de Sintra um sentimento de piedade, e assim muitas pessoas iam até ao terreiro de entrada do Convento levar-lhes alimentos.  Os frades viviam em celas muito pequenas, forradas a cortiça, assim como seus pobres leitos. No refeitório encontra-se uma enorme laje de pedra que servia de mesa.

OUTROS MONUMENTOS:
Igreja de S. Pedro
Capela de S. Lázaro
Capela Nossa Senhora da Piedade
Fonte dos Passarinhos
Palácio da Condessa
Cruz Alta

Sintra
http://www.geocities.com/TheTropics
A origem de Sintra confunde-se com a da própria Nação portuguesa. A serra e a planície foram habitadas desde antiquíssimos  tempos, como atestam os dólmens e  as necrópoles existentes e os preciosos instrumentos pré-históricos guardados no Museu Municipal.
 Dos  romanos,  restam  numerosas  lápides  e  urnas  funerárias,  que  se  conservam,  junto  do mausoléu  circular,  no Museu  Arqueológico de Odrinhas.  Os romanos  chamavam a serra  de Sintra de "Mons Lunae" (Montanhas da Lua).
 


Castelo dos Mouros

 

CARLOS LEITE RIBEIRO NO CASTELO DOS MOUROS

(Tinha 17 anos e era Guia da Serra de Sintra, conhecendo todos
os caminhos pedestres dos seus montes (morros)


Dos tempos hispano-árabes, o monumento mais antigo é o Castelo dos  Mouros, construído na serra, a 450 metros de altitude, entre os séculos VII e IX. O castelo foi tomado aos mouros em 1147, pelo primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Mas é na  vila, a  207 metros  de altitude, que se encontra o  monumento mais  característico, o Palácio Nacional da Vila.
 Na  serra, mais  alto  que o  castelo  dos mouros, ergue-se o   Palácio da Pena, edificado  entre 1840 e 1850 pelo rei. Fernando II, no estilo pseudomedieval.
De entre os  outros palácios  há que salientar o de  Seteais (séc. XVIII), onde atualmente está instalado um  luxuoso hotel, e  o do Ramalhão (séc. XIV,  reconstruído no séc. XVIII), e a da Regaleira (neomanuelino do séc. XIX),  as da  Penha - Verde, da  Piedade e do Vinagre,  nos arredores de Colares. 


Palácio de Seteais 
Ao  longo  dos  séculos, Sintra  foi enaltecida  por famosos   escritores, entre  os quais é  justo destacar  Lord Byron, o primeiro e  genial  turista, cujos  versos  entusiásticos  atraíram a este "glorious eden" numerosos gravadores e pintores que depois espalharam os encantos de Sintra pelo mundo.
Entre Sintra  e Lisboa, deve  ainda   ser  visitado o belíssimo Palácio de Queluz  (séc. XVIII), construído no estilo de Versalhes: antiga residência real, cuja velha cozinha foi transformada em restaurante de luxo. 
 

Quinta da Regaleira (Sintra)
 
 

IARA MELO, NO INTERIOR DA QUINTA DA REGALEIRA

 


A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira é escassa para os tempos anteriores à sua compra por Carvalho Monteiro. Sabe-se que, em 1697, José Leite era o proprietário de uma vasta propriedade nos arredores da vila de Sintra, que hoje integra a Quinta.
Francisco Alberto Guimarães de Castro comprou a propriedade (conhecida como Quinta da Torre ou do Castro em 1715), em hasta pública, canalizou a água da serra a fim de alimentar uma fonte ai existente.
Em 1830, na posse de Manuel Bernardo, a Quinta em toma a designação que actualmente possui. Em 1840, a Quinta da Regaleira é adquirida pela filha de uma negociante do Porto, Allen, que mais tarde foi agraciada com o título de Baronesa da Regaleira. Data deste período a construção de uma casa de campo que é visível em algumas representações iconográficas de finais do século XIX.
A história da Regaleira actual principia em 1892, ano em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro por 25 contos de réis. A maior parte da construção actual da quinta estava terminada em 1910.
A quinta foi vendida a Waldemar D'Orey em 1942 , que, sem ter desvirtuado o que tinha sido concebido, procedeu a pequenas obras de modo a acolher a sua grande família e profundas obras de restauro, já que a casa não era cuidada á muito. Em 1987 a Quinta da Regaleira é adquirida pela empresa japonesa Aoki Corporation, e deixa de servir como habitação sendo entregue ao cuidado de caseiros e permanece fechada ao público.
Em 1997, a Câmara Municipal de Sintra adquire este valioso património, iniciando pouco depois um exaustivo trabalho de recuperação do património edificado e dos jardins. Actualmente a Quinta da Regaleira está aberta ao público e é anfitriã de diversas actividades culturais.

 
 
 
 
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
 
Foto topo da página: Palácio da Pena em Sintra
 
Demais fotos:  Carlos Leite Ribeiro, no Castelo dos Mouros em Sintra;
 
Iara Melo e sobrinhos , diversos locais em Sintra
 
Mid: Abril Portugal
 
Formatação e Arte Final: Iara Melo
 
 
 
 
 
 
 
 

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