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A data da
sua morte é feriado nacional
no Brasil, desde 1890 e, em
1965, foi declarado patrono
cívico do Brasil.
Conhecido
pelo "Patriota Brasileiro",
nasceu em Minas Gerais em
1748. Era Alferes no
Regimento de Dragões, e
tinha um carácter ardente e
patriota. Entrou na
Conjuração Mineira, e quando
esta foi descoberta, fugiu
para o Rio de Janeiro, onde
foi preso e condenado à
morte com outros conjurados.
Aos outros, a pena foi
comutada em degredo,
enquanto o infeliz
Tiradentes foi enforcado, em
21 de Abril de 1792, no meio
de escandalosos festejos.
Órfão aos 11 anos, de
inteligência aguda, foi
educado pelo padrinho, que
era cirurgião. Espírito
curioso, inventivo e
prático, arriscou-se em
variadas empresas, em que
não teve êxito. Indo para o
Rio de Janeiro, exerceu as
actividades de enfermeiro e
de dentista, que lhe valeu a
alcunha histórica como ficou
conhecido: Tiradentes.
Sempre que podia,
aproveitava todas as
ocasiões para pregar as suas
ideias de liberdade, tanto
no Rio de Janeiro e depois
em Minas Gerais, onde
chefiou os conjurados que
lutavam por separar o Brasil
de Portugal. Descoberta a
conspiração, foi preso,
assumindo toda a
responsabilidade, sendo por
isso executado.
Joaquim José da Silva
Xavier, o Tiradentes -
Origem: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
Nascido num sítio no
distrito de Pombal
(localidade brasileira e não
a portuguesa), próxima ao
arraial de Santa Rita do Rio
Abaixo, à época território
disputado entre as vilas de
São João del-Rei e São José
do Rio das Mortes, nas Minas
Gerais, da Silva Xavier era
filho do português Domingos
da Silva Santos,
proprietário rural, e da
brasileira Maria Antónia da
Encarnação Xavier, tendo
sido o quarto dos sete
irmãos. Em 1755, após o
falecimento da mãe, segue
junto a seu pai e irmãos
para a sede da Vila de São
José; dois anos depois, já
com onze anos, morre seu
pai. Com a morte prematura
dos pais, logo sua família
perde as propriedades por
dívidas. Não fez estudos
regulares e ficou sob a
tutela de um padrinho, que
era cirurgião. Trabalhou
como mascate e minerador,
tornou-se sócio de uma
botica de assistência à
pobreza na ponte do Rosário,
em Vila Rica, e se dedicou
também às práticas
farmacêuticas e ao exercício
da profissão de dentista, o
que lhe valeu a alcunha
Tiradentes, um tanto
depreciativa. Não teve êxito
em suas experiências no
comércio.
Com os conhecimentos que
adquirira no trabalho de
mineração, tornou-se técnico
em reconhecimento de
terrenos e na exploração dos
seus recursos. Começou a
trabalhar para o governo no
reconhecimento e
levantamento do sertão
brasileiro. Em 1780,
alistou-se na tropa da
capitania de Minas Gerais;
em 1781, foi nomeado
comandante do destacamento
dos Dragões da patrulha do
Caminho Novo, estrada que
servia como rota de
escoamento da produção
mineradora da província ao
Rio de Janeiro. Foi a partir
desse período que Tiradentes
começou a se aproximar de
grupos que criticavam a
exploração do Brasil pela
metrópole, o que ficava
evidente quando se
confrontava o volume de
riquezas tomadas pelos
portugueses e a pobreza em
que o povo permanecia.
Insatisfeito por não
conseguir promoção na
carreira militar, tendo
alcançando apenas o posto de
alferes, o posto inicial do
oficialato à época, e por
ter perdido a função de
comandante da patrulha do
Caminho Novo, pediu licença
da cavalaria em 1787.
Morou por volta de um ano na
cidade carioca, período em
que idealizou projectos de
vulto, como a canalização
dos rios Andaraí e Maracanã
para a melhoria do
abastecimento de água do Rio
de Janeiro; porém, não
obteve não conseguiu
aprovação para a execução
das obras. Esse desprezo fez
com que aumentasse seu
desejo de liberdade para a
colónia. De volta a Minas
Gerais, começou a pregar em
Vila Rica e arredores, a
favor da independência das
Minas Gerais. Organizou um
movimento aliado a
integrantes do clero e da
elite mineira, como Cláudio
Manuel da Costa, antigo
secretário de governo, Tomás
António Gonzaga (*),
ex-ouvidor da comarca, e
Inácio José de Alvarenga
Peixoto, minerador. O
movimento ganhou reforço
ideológico com a
independência das colónias
estadunidenses e a formação
dos Estados Unidos da
América. Ressalta-se que à
época, oito de cada dez
alunos brasileiros em
Coimbra eram mineiros, o que
permitiu à elite regional
acesso aos ideais liberais
que circulavam na Europa.
O movimento
Além das influências
externas, factores regionais
e económicos contribuíram
também para a articulação da
conspiração nas Minas
Gerais. Com a constante
queda na receita provincial,
devido ao declínio da
actividade mineiradora, a
administração de Martinho de
Melo e Castro instituiu
medidas que garantissem o
quinto, imposto que obrigava
os moradores das Minas
Gerais a pagar, anualmente,
cem arrobas de ouro,
destinadas à Real Fazenda. A
partir da nomeação de Luís
da Cunha Meneses como
governador da província, em
1782, ocorreu a
marginalização de parte da
elite local em detrimento de
seu grupo de amigos. O
sentimento de revolta
atingiu o máximo com a
decretação da derrama, uma
medida administrativa que
permitia a cobrança forçada
de impostos atrasados, mesmo
que preciso fosse confiscar
todo o dinheiro e bens do
devedor, a ser executada
pelo novo governador das
Minas Gerais, Luís Antônio
Furtado de Mendonça, 6.º
visconde de Barbacena
(futuro conde de Barbacena),
o que atingiu especialmente
as elites mineiras. Isso se
fez necessário para se
saldar a dívida mineira
acumulada, desde 1762, do
quinto, que à altura somava
538 arrobas de ouro em
impostos atrasados.
O movimento se iniciaria na
noite da insurreição: os
líderes da inconfidência
sairiam às ruas de Vila Rica
dando vivas à República, com
o que ganhariam a imediata
adesão da população. Porém,
antes que a conspiração se
transformasse em revolução,
foi delatada aos portugueses
por Joaquim Silvério dos
Reis, coronel, Basílio de
Brito Malheiro do Lago,
tenente-coronel, e por
Inácio Correia de Pamplona,
açoriano, em troca do perdão
de suas dívidas com a
Fazenda Real. Assim, o
visconde de Barbacena
suspendeu a derrama e
ordenou a prisão dos
conjurados em 1789. Avisado,
Tiradentes escondeu-se na
casa de um amigo no Rio de
Janeiro, mas foi descoberto
por Joaquim Silvério dos
Reis, que o acompanhara em
sua fuga a mando de
Barbacena. Anos depois, por
sua delação e outros
serviços prestados à Coroa,
dos Reis receberia o título
de Fidalgo.
Entre os inconfidentes,
destacaram-se os padres
Carlos Correia de Toledo e
Melo, José da Silva e
Oliveira Rolim e Manuel
Rodrigues da Costa; o
tenente-coronel Francisco de
Paula Freire de Andrade,
comandante dos Dragões, os
coronéis Domingos de Abreu e
Joaquim Silvério dos Reis
(um dos delatores do
movimento); os poetas
Cláudio Manuel da Costa,
Inácio José de Alvarenga
Peixoto e Tomás António
Gonzaga (*) , ex-ouvidor.
Os principais planos dos
inconfidentes eram de
estabelecer um governo
republicano independente de
Portugal, criar manufacturas
no país que surgiria, uma
universidade em São João
del-Rei e fazer desta a
capital. Seu primeiro
presidente seria, durante
três anos, Tomás António
Gonzaga, após o qual haveria
eleições. Nessa república
não haveria exército – em
vez disso, toda a população
deveria usar armas, e formar
uma milícia quando
necessária. Há que se
ressaltar que os
inconfidentes visavam apenas
a autonomia da província das
Minas Gerais, e em seus
planos não estava prevista a
libertação dos escravos
africanos, apenas daqueles
nascidos no Brasil.
Julgamento e sentença:
Negando a princípio sua
participação, Tiradentes foi
o único a, posteriormente,
assumir toda a
responsabilidade pela
Inconfidência, inocentando
seus companheiros. Presos,
todos os inconfidentes
aguardaram durante três anos
pela finalização do
processo. Alguns foram
condenados à morte e outros
ao degredo; algumas horas
depois, por carta de
clemência de D. Maria I,
todas as sentenças foram
alteradas para degredo, à
excepção apenas para
Tiradentes, que permaneceu
com a pena capital. Em parte
por ter sido o único a
assumir a responsabilidade,
em parte, provavelmente, por
ser o inconfidente de
posição social mais baixa,
haja vista que todos os
outros ou eram mais ricos,
ou detinham patente militar
superior. Por esse mesmo
motivo é que se cogita que
Tiradentes seria um dos
poucos inconfidentes que não
eram maçons.
E assim, numa manhã de
sábado, 21 de Abril de 1792,
Tiradentes percorreu em
procissão as ruas do centro
da cidade do Rio de Janeiro,
no trajecto entre a cadeia
pública e onde fora armado o
patíbulo. O governo geral
tratou de transformar aquela
numa demonstração de força
da coroa portuguesa, fazendo
verdadeira encenação. A
leitura da sentença
estendeu-se por dezoito
horas, após a qual houve
discursos de aclamação à
rainha, e o cortejo munido
de verdadeira fanfarra e
composta por toda a tropa
local. Bóris Fausto aponta
essa como uma das possíveis
causas para a preservação da
memória de Tiradentes,
argumentando que todo esse
espectáculo despertou a ira
da população que presenciou
o evento.
Executado e esquartejado,
com seu sangue se lavrou a
certidão de que estava
cumprida a sentença, tendo
sido declarada infame sua
memória. Sua cabeça foi
erguida em um poste em Vila
Rica, os demais restos
mortais foram distribuídos
ao longo do Caminho Novo:
Cebolas, Varginha do
Lourenço, Barbacena e
Queluz, antiga Carijós,
lugares onde fizera seus
discursos revolucionários.
Arrasaram a casa em que
morava, jogando sal ao
terreno para que nada lá
germinasse, e declararam
infames os seus
descendentes. Sua cabeça foi
rapidamente cooptada e nunca
se descobriu seu paradeiro.
Legado: Tiradentes
permaneceu, após a
Independência do Brasil, uma
personalidade histórica
relativamente obscura, dado
o fato de que, durante o
Império, os dois monarcas,
D. Pedro I e D. Pedro II,
pertenciam à casa de
Bragança, sendo,
respectivamente, neto e
bisneto de D. Maria I, quem
havia emitido a sentença de
morte de Tiradentes. Foi a
República – ou, mais
precisamente, os ideólogos
positivistas que presidiram
sua fundação – que buscaram
na figura de Tiradentes uma
personificação da identidade
republicana do Brasil,
mistificando a sua
biografia. Daí a sua
iconografia tradicional, de
barba e camisolão, à beira
do cadafalso, vagamente
assemelhada a Jesus Cristo
e, obviamente, desprovida de
verosimilhança. Como
militar, o máximo que
Tiradentes poder-se-ia
permitir era um discreto
bigode. Na prisão, onde
passou os últimos três anos
de sua vida, os detentos
eram obrigados a raspar
barba e cabelo a fim de
evitar piolhos. Também, o
nome do movimento,
"Inconfidência Mineira", e
de seus participantes, os
"inconfidentes", foi cunhado
posteriormente, denotando o
carácter negativo da
sublevação – inconfidente é
aquele que trai a confiança.
Tiradentes nunca se casou,
mas teve dois filhos: João,
com a mulata Eugenia
Joaquina da Silva, e
Joaquina, com a ruiva
Antónia Maria do Espírito
Santo, que vivia em Vila
Rica. Actualmente, foi
concedida à sua tetraneta
Lúcia de Oliveira Menezes,
por meio da lei federal
9255/96, uma pensão especial
do INSS no valor de R$
200,00, o que causou
polémica sobre a natureza
jurídica deste subsídio, mas
solucionado pelo STF no
agravo de instrumento
623.655.
Actualmente, onde se
encontrava sua prisão foi
erguido o Palácio
Tiradentes; onde foi
enforcado ora se encontra a
Praça Tiradentes e onde sua
cabeça foi exposta fundou-se
outra Praça Tiradentes. Em
Ouro Preto, na antiga
cadeia, hoje há o Museu da
Inconfidência. Tiradentes é
considerado actualmente
Patrono Cívico do Brasil,
sendo a data de sua morte,
21 de Abril, feriado
nacional. Seu nome consta no
Livro de Aço do Panteão da
Pátria e da Liberdade, sendo
considerado Herói Nacional.
(*) Tomás António Gonzaga,
nasceu na cidade do Porto em
1744, formou-se em Direito
na Universidade de Coimbra,
após que foi nomeado ouvidor
e procurador dos defuntos e
ausentes na comarca de Vila
Rica (Ouro Preto) (Casa de
Gonzaga), capital de então
de Minas Gerais (Brasil).
Mais tarde foi promovido a
desembargador da Relação da
Bahia, onde solicita licença
real para desposar D. Maria
Joaquina Doroteia de Seixas
(a famosa inspiradora do seu
livro "Marília de Dirceu-
1792). Mas, enquanto
esperava a licença, foi
denunciado como um dos
cabecilhas da revolta que
ficou conhecida pela
"Inconfidência Mineira",
sendo preso e deportado para
Moçambique onde veio a
matrimoniar-se com a filha
de um rico comerciante de
escravos; e chegou a entrar
neste negócio … Veio a
morrer em 1810, já então
louco. Tomás António Gonzaga,
poeta arcádico de formação
horaciana e anacreôntica,
manifesta, no entanto, um
sentido da dor e da
complexidade da existência
que fazem dele um
pré-romântico, ao mesmo
tempo que a sua poesia, de
expressão desataviada e
simples, tendo um boleio
estilístico muito peculiar,
assinala a transição do
Classicismo para o
Romantismo. E se, nas liras
da Marília de Dirceu,
Gonzaga se nos revela o
poeta do amor e da ternura,
nas Cartas Chilenas,
violenta sátira contra a
administração colonial do
Brasil (cuja autoria lhe é
atribuída), além de nos
oferecer outra faceta do seu
talento, apresenta-se-nos
como um homem perfeitamente
identificado com o ambiente
mineiro que rejeita o
despotismos esclarecido em
nome de um liberalismo
moderado e até de um certo
libertarismo. Dirceu foi o
seu nome arcádico.
Tu não verás,
Marília, cem cativos
tirarem o cascalho
e a rica terra,
ou dos cercos dos
rios caudalosos,
ou da minada
serra;
não verás separar
ao hábil negro
do pesado esmeril
a grossa areia,
e já brilharem os
granetes de ouro
no fundo da
bateira;
não verás derrubar
os virgens matos,
queimar as
capoeiras ainda novas,
servir de adubo à
terra a fértil cinza,
lançar os grãos
nas covas;
não verás enrolar
negros pacotes
das secas folhas
do cheiroso fumo,
nem espremer entre
as dentadas rodas
da doce cana o
sumo:
Verás em cima da
espaçosa mesa
altos volumes de
enredados feitos;
ver-me-ás folhear
os grandes livros
e decidir os
pleitos.
Enquanto resolver
os meus consultos,
tu me farás
gostosa companhia,
lendo os fastos da
sábia, mestra História
e os cantos da
poesia.
Lerás em alta voz,
a imagem bela;
eu, vendo que lhe
dás o justo apreço,
gostoso tornarei a
ler de novo
o cansado
processo.
Se encontrares
louvada uma beleza,
Marília, não lhe
invejes a ventura,
que tens quem leve
à mais remota idade
a tua formosura.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro –
Marinha Grande – Portugal
Música de Fundo:
Exaltação à Tiradentes
Composição: Estanislau Silva, Mano Décio da Viola e
Penteado
Intérprete: Elis Regina
EXALTAÇÃO À TIRADENTES
Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a vinte e um de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado pela nossa liberdade
Este grande herói
Para sempre há de ser lembrado