Nasceu a 18 de Junho de 1861
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro
"Começavam de animar-se os longes das
paisagem, e a retina acusava já as diferenças
mais salientes dos campos e das herdades,
pedaços esbranquiçados de restolhos, tons pardos
de olivais, terras plantadas de vinhedos e
pinheirais cerrados galgando desfiladeiros e
investindo com o céu no alto dos montados".
Trindade Coelho
De seu nome completo José Francisco
Trindade Coelho, nasceu em Mogadouro, em 18 de
Junho de 1861. Aí fez os primeiros estudos,
nomeadamente na área de Latim, com o apoio de
dois padres. Daqui seguiu para o Porto, onde
fez em colégio, os estudos secundários. A
terceira etapa era Coimbra, onde concluiu o
curso de Direito. Embora os pais fossem ricos
(a Mãe morreu ainda ele era jovem) a verdade é
que ele chumbou no 1.' ano do curso de Coimbra e
o Pai cortou-lhe a mesada, pelo que Trindade
Coelho teve que arranjar forma de ultrapassar as
dificuldades. Começou a dar explicações e a
escrever em jornais. Entretanto casou e
apareceu um filho, facto que mais complicou a
sua vida, enquanto estudante. Chegou a ter um
esgotamento. E ele próprio escreveria do
ambiente Coimbrão: "aquela vida em que estive
metido e que nunca se deu comigo nem eu com ela,
mas em que nunca me dei razão porque lha
atribuía a ela e a mim uma inferioridade que
mais pesava por ser sincera". Nesse período
escrevia nos jornais com o pseudónimo de
Belistírio. Também fundou, nessa época, duas
publicações: Porta Férrea e Panorama
Contemporâneo. Após a conclusão do curso
permaneceu em Coimbra, como advogado. Mas a
clientela era pouca e ele enveredou pela
carreira administrativa. Ingressa na
magistratura e é colocado como Delegado do
Procurador Régio, na comarca de Sabugal.
Sabe-se que para obter esse lugar, foi precisa a
«cunha» de Camilo Castelo Branco, que admirava,
literariamente Trindade Coelho. Sabe-se que
valeu a pena porque foi Trindade Coelho um
magistrado de elevadíssima craveira moral. Foi
depois transferido para a comarca de
Portalegre. Aí fundou dois jornais: Gazeta de
Portalegre e Comércio de Portalegre. Entretanto
granjeara fama e os políticos da época quiseram
fazer dele um deputado. Como não podia
candidatar-se pelo círculo onde trabalhava, foi
transferido para Ovar. A última etapa
profissional foi Lisboa, onde não teve tarefa
fácil por causa do Ultimato Inglês, durante o
qual ele teve que fiscalizar a imprensa da
capital. Desgostado com as críticas que lhe
faziam transferiu-se para Sintra, em 1895.
Chegou a ir a África (Cabo Verde) defender 33
presos políticos. Ao fim de 3 meses regressou
vitorioso, porque conseguiu libertar os presos,
prendendo os acusadores. Continuou a escrever
nos jornais: Portugal, Novidades, Repórter e
fundou a Revista Nova, onde publicou os Folhetos
para o Povo. Era um homem inconformado. Nem a
fama de magistrado, nem o prestígio de escritor,
nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de
Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em
que avançava no tempo mais se desgostava com a
vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio
em 9.6.1908. Deixou uma obra variada e profunda,
distribuída por quatro vertentes. Jornalismo,
carácter jurídico, intervenção cívica e
literária. Além dos órgãos que criou, já
citados, colaborou, com os pseudónimos de
Belisário e José Coelho, em: O Progressista, o
Imparcial, Tirocínio, Beira e Douro. Jornal da
Manhã e Ditírio Ilustrado. Algumas obras:
Manual Político do Cidadão Português, o ABC do
Povo, o Livro de Leitura. A série Folhetos para
o Povo, onde se incluem, entre outros: Parábola
dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio
contra a Usura, Laos à Cidade de Bragança, e
Cartilha do Povo, A Minha candidatura por
Mogadouro. Como obras literárias deixou: Os
Meus Amores (1891) e já inúmeras reedições e In
Illo Tempore (livro de memórias de
Coimbra-1902). Em 1961 comemorou-se o primeiro
centenário do seu nascimento. E nessa altura
publicou-se um volume: O Senhor Sete, onde se
reuniram os seus disperses. Há também a sua
Autobiografia, por ele escrita, em 1902, -
dirigida à sua tradutora alemã Louise Ey. Esta
autobiografia, quase sempre aparece na parte
final da edição de Os meus amores.
Natural de Mogadouro, a sua obra reflecte a
infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente
tradicionalista que ele fielmente retracta,
embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo
natural, a simplicidade e candura de alguns dos
seus personagens, fazem de Trindade Coelho um
dos mestres do conto rústico português. Fiel a
um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa
actividade pedagógica, na senda de João de Deus,
tentando elucidar democraticamente o cidadão
português.
De seu nome completo José
Francisco Trindade Coelho, nasceu em Mogadouro,
em 18.6.1861. Aí fez os primeiros estudos,
nomeadamente na área de Latim, com o apoio de
dois padres. Daqui seguiu para o Porto, onde
fez em colégio, os estudos secundários. A
terceira etapa era Coimbra, onde concluiu o
curso de Direito. Embora os pais fossem ricos
(a Mãe morreu ainda ele era jovem) a verdade é
que ele chumbou no 1.' ano do curso de Coimbra e
o Pai cortou-lhe a mesada, pelo que Trindade
Coelho teve que arranjar forma de ultrapassar as
dificuldades. Começou a dar explicações e a
escrever em jornais. Entretanto casou e
apareceu um filho, facto que mais complicou a
sua vida, enquanto estudante. Chegou a ter um
esgotamento. E ele próprio escreveria do
ambiente Coimbrão: "aquela vida em que estive
metido e que nunca se deu comigo nem eu com ela,
mas em que nunca me dei razão porque lha
atribuía a ela e a mim uma inferioridade que
mais pesava por ser sincera". Nesse período
escrevia nos jornais com o pseudónimo de
Belistírio. Também fundou, nessa época, duas
publicações: Porta Férrea e Panorama
Contemporâneo. Após a conclusão do curso
permaneceu em Coimbra, como advogado. Mas a
clientela era pouca e ele enveredou pela
carreira administrativa. Ingressa na
magistratura e é colocado como Delegado do
Procurador Régio, na comarca de Sabugal.
Sabe-se que para obter esse lugar, foi precisa a
«cunha» de Camilo Castelo Branco, que admirava,
literariamente Trindade Coelho. Sabe-se que
valeu a pena porque foi Trindade Coelho um
magistrado de elevadíssima craveira moral. Foi
depois transferido para a comarca de
Portalegre. Aí fundou dois jornais: Gazeta de
Portalegre e Comércio de Portalegre. Entretanto
granjeara fama e os políticos da época quiseram
fazer dele um deputado. Como não podia
candidatar-se pelo círculo onde trabalhava, foi
transferido para Ovar. A última etapa
profissional foi Lisboa, onde não teve tarefa
fácil por causa do Ultimato Inglês, durante o
qual ele teve que fiscalizar a imprensa da
capital. Desgostado com as críticas que lhe
faziam transferiu-se para Sintra, em 1895.
Chegou a ir a África (Cabo Verde) defender 33
presos políticos. Ao fim de 3 meses regressou
vitorioso, porque conseguiu libertar os presos,
prendendo os acusadores. Continuou a escrever
nos jornais: Portugal, Novidades, Repórter e
fundou a Revista Nova, onde publicou os Folhetos
para o Povo. Era um homem inconformado. Nem a
fama de magistrado, nem o prestígio de escritor,
nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de
Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em
que avançava no tempo mais se desgostava com a
vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio
em 9.6.1908. Deixou uma obra variada e profunda,
distribuída por quatro vertentes. Jornalismo,
carácter jurídico, intervenção cívica e
literária. Além dos órgãos que criou, já
citados, colaborou, com os pseudónimos de
Belisário e José Coelho, em: O Progressista, o
Imparcial, Tirocínio, Beira e Douro. Jornal da
Manhã e Ditírio Ilustrado. Algumas obras:
Manual Político do Cidadão Português, o ABC do
Povo, o Livro de Leitura. A série Folhetos para
o Povo, onde se incluem, entre outros: Parábola
dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio
contra a Usura, Laos à Cidade de Bragança, e
Cartilha do Povo, A Minha candidatura por
Mogadouro. Como obras literárias deixou: Os
Meus Amores (1891) e já inúmeras reedições e In
Illo Tempore (livro de memórias de
Coimbra-1902). Em 1961 comemorou-se o primeiro
centenário do seu nascimento.
Sua obra literária:
"Os Meus Amores", de 1891; "In Illo Tempore",
1902; "Autobiografia e Cartas", 1910; Manual
Político do Cidadão Português" e "Dezoito Anos
em África", 1998; "Cartilha do Povo"; "ABC do
Povo", etc. Deixou igualmente inúmeras obras
técnicas de Direito.
"Os Meus Amores"
(pequeno excerto do texto)
Parábola dos sete vimes
" Era uma vez um pai que tinha sete
filhos. Quando estava para morrer, chamou-os
todos sete e disse-lhes assim:
- Filhos, já sei que não posso durar
muito; mas antes de morrer, quero que cada um de
vós me vá buscar um vime seco, e mo traga aqui.
- Eu também? - perguntou o mais
pequeno, que tinha só 4 anos. O mais velho tinha
25, e era um rapaz muito reforçado e o mais
valente da freguesia.
- Tu também - respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete filhos; e daí a pouco
tornaram a voltar, trazendo cada um seu vime
seco.
O pai pegou no vime que trouxe o filho
mais velho e entregou-o ao mais novinho,
dizendo:
- Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime, e não lhe
custou nada a partir.
Depois o pai entregou ao mesmo filho
mais novo, e disse-lhe:
- Agora parte também esse.
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um,
todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e
não lhe custou nada parti-los todos. Partido o
último, o pai disse outra vez aos filhos:
- Agora ide por outro vime e
trazei-mo.
Os filhos tornaram a sair, e daí a
pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um
com seu vime.
- Agora dai-mos cá - disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe,
atando-os com um vincelho. E voltando-se para o
filho mais velho, disse-lhe assim:
- Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha,
mas não foi capaz de partir o feixe.
- Não podes? - perguntou ele ao filho.
- Não, meu pai, não posso.
- E algum de vós é capaz de o partir?
Experimentai.
- Não foi nenhum capaz de o partir?,
nem dois juntos, nem três nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
- Meus filhos, o mais pequenino de vós
partiu sem lhe custar nada os vimes, enquanto os
partiu um por um; e o mais velho de vós não pôde
parti-los todos juntos: nem vós, todos juntos,
fostes capazes de partir o feixe. Pois bem,
lembrai-vos disto e do que vos vou dizer:
enquanto vós todos estiverdes unidos, como
irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos
fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis,
ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis
vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu - e os
filhos foram muito felizes, porque viveram
sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns
aos outros; e como não houve forças que os
desunissem, também nunca houve forças que os
vencessem".
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande – Portugal