Recanto da Prosa & do Verso
 
Nº 10 - Outubro / 2008
 
Edição e Arte Final: Iara Melo
 
 

 

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Quem é esse que surge no mistério,
Que tem olhos diferentes,
Que transforma  tristeza em alegria,
Dor, em prazer,
Lágrima, em riso,
Ódio, em benevolência,
Guerra , em paz?!

Quem é esse
Que dá cores  aos sentimentos,
Que incendeia paixões,
Que traz realidade aos sonhos,
Que concede eternidade ao amor?!

Por ventura,
É um mágico, um dramaturgo, um santo?
– Não, não!
O mágico é ilusionista,
O dramaturgo é do "faz de conta",
O santo  está mais no céu que na terra...

Quem é esse, então,
Que, sem ser Deus, opera milagres,
Que traz o perdão,
Que promove a paz,
Que diz: "Você é meu irmão,
Aqui é o paraíso, mas nosso céu é Deus"?!

Ah, esse é, ao mesmo tempo,
Mágico, dramaturgo, santo,
Porque é simplesmente... simplesmente o poeta...

Ah, o poeta!...
Apesar de pequenino, é maior que a Terra!
– Estrela viva que ilumina corações
E que, mesmo depois de morto,
Sua luz iluminará o mundo
Com a seiva do amor que  traz felicidade aos puros
E humanidade aos corações selvagens...
Esse é o poeta...
Ah, o poeta!..

(10.09.08)

        


 
 
 
TEMPO

MARIA LUCIA VICTOR
 

 
Tempo!
Bendito tempo
que as dores sempre acalma,
que aquieta as más lembranças,
que preserva a criança
que levo escondida em minh’alma.
 
Tempo!
Maldito tempo
que marca meu rosto com garras,
que passa sobre  meus sonhos,
que rasga a mágica tênue
da vida que se esvai nas floradas
 
Tempo,
pudesse te dominar.
sem medo, sem pejo de nada,
um tango iria dançar
e enfeitar de alegria
os minutos que em mim se abrindo
nunca iriam passar.
 
Ah, tempo,
pudesse te segurar
bem firme por entre os dedos,
fixaria poentes
em cores de obra-prima,
teceria belos casulos
de luar e de neblina
para meus segredos guardar.
          
E os bem-te-vís, os ouviria cantar
sem pressa, parada no cais,
lembrando quem bem-me-viu
que levastes em tuas asas
para o mundo do nunca mais.
 
Tempo,
Não tires assim meu alento,
preciso já construir
as pontes dos bons intentos,
romper distâncias, calar o pranto
enquanto busco o amor,
que tu de maldade escondeu
nas trevas do desencontro.
 
Tempo,
fique mais, quero rever o mar.
de longe e de perto amar.
desfolhar muitos azuis,
resplandecer em auroras
esquecida que nas horas
 estás ligeiro a passar.
 
Por fim, como anjo vadio
planando sem eira nem beira
sobre abismos de saudade,
hei de mostrar-te a verdade:
não podes comigo, tempo,
sou filha da eternidade.
 
 
 

 

 

 
 

 

 

ETERNIZANDO O EFÉMERO


Carmo Vasconcelos
 
 
Num poema se encastoam as palavras
Palavras indeléveis de momentos
Momentos de incrustados sentimentos
Sentimentos cavados como as lavras
 
Num poema se plasmam terra e flor
Flor que perpetua a natureza
Natureza onde perene é a beleza
Beleza alçada por um Deus criador
 
Num poema se congela gesta e riso
Riso duma comédia transitória
Transitória gesta duma História
História dum tempo certo e preciso
 
Num poema se condensa a lágrima
Lágrima onde se petrifica a dor
Dor, quiçá, cruel tatuagem d’amor
Amor que não raro com a dor esgrima
 
Num poema grava-se o pranto a cinzel
  Cinzel  que desbasta atritos de alma
Alma que de eivados negros se acalma
Se acalma na paz branca do papel
 
Num poema se verte a magia secreta
Secreta poção que emoções poetisa
Poetisa o efémero e eterniza
Eterniza vida e nome do Poeta


 
***


  Lisboa/Portugal
17/Setembro/2008
http://carmovasconcelos.spaces.live.com
 

 

 

 

 

 

 

 

 
PEDIDO
 
Gislaine Canales
 


Peço aos irmãos, aos filhos e aos amigos,
que no dia em que a morte me levar,
não ponham o meu corpo nos abrigos
cimentados, tão frios e sem ar!
 
Na solidão eterna dos jazigos
é  lugar onde não quero ficar!              
Silêncio e solidão serão castigos
e minha alma quer livre navegar!
 
Por isso eu peço aos que me querem bem,
levem meu corpo, longe, até o mar,
onde haja céu e água e mais ninguém!
 
Nesse lugar azul, só de beleza,
joguem ao mar, o que de mim restar,
quero ser parte dessa natureza!
 
 www.gislainecanales.com

 

 

 

 

 

 

 


Notas Celestiais
Jussára C Godinho
 


Quando minh’alma se aquieta
E tudo desanima
Como um grito de alerta
Chega, inunda e ilumina

Como uma porta entreaberta
Entra aquela música divina
E me reporta
E como asas me transporta

Abre meu coração de menina
Chego ao céu, sinto uma estrela
Que me ensina, me anima

Oh! Música Divina, alento da alma
Luz, ar, alimento
Traz tanta paz e me acalma...

 


 

***

 


Amizade


Jussára C Godinho




Nem o tempo, nem os contratempos
Destemperam
Uma amizade verdadeira...

Nem a distância, nem a discordância
Distam
Uma amizade verdadeira

Nem a surpresa, nem a insensatez
Separam
Uma amizade verdadeira

Nem a fadiga, nem a falência
Afastam
Uma amizade verdadeira

Nem a morte, nem a má-sorte
Enterram
Uma amizade verdadeira

A verdadeira amizade
Espera, revela
Recupera, supera...

É bela e singela!

 

 

 

 

 

 

 

 

M U L H E R
Autora: Selene Antunes



Mulher, depois da rosa és a mais formosa
Sexo frágil que bobagem
Nunca esqueça mulher seu nome é coragem
E por suportar tantas dores na vida
É que fostes escolhida para a missão mais sublime
Povoar este mundo sem fim.
Muitas vezes és desprezada
Outras vezes colocada de lado
Tratada com inferioridade
Como se seu valor fosse nada.
No entanto basta observar
Elas tem mudado o mundo
Lutando por igualdade
Fazendo dupla jornada
Trabalham dentro de casa
E fora de casa também
Somando com seus parceiros
As despesas que convém.
Mulher coragem...
Que batalha todo dia
Seja médica ou lavadeira
Jornalista ou faxineira.
Porém a diferença que existe
Entre todas as mulheres
É a luta pela vida
É o dia-a-dia sofrido
Que muitas precisam enfrentar
Sem salário e sem hora pra parar
E como se não bastasse
Tem mulher que apanha e cala
Tem mulher coragem que fala
Precisamos mostrar ao mundo
Que a mulher tem seu valor
Queremos sim, competir com igualdade
Tomar o lugar dos homens;
Que bobagem
Só queremos com o trabalho
Ajudar nosso País
A buscar melhores condições
E enfim acabar com a discriminação
E com os homens queremos...
Harmonia, paz e muito amor no coração

 

 

 

 

 

 

 

HERANÇA
Remisson Aniceto
 

E eu morro a cada dia
quando cada coisa morre.
Outrora Deus me socorria;
agora já não socorre...

Vai um pássaro, coitadinho,
de hirtas e opacas asas.
Vai com ele um bocadinho
da minha alegria tão rasa.

Vão-se o amigo, o cão, o gato, o boi,
tudo vai nesta infalível jornada.
Só fica a angústia do que foi
na minha memória cansada.

Até um jovem filho se vai
sem mesmo saber para onde,
na vã liberdade que atrai
e mil armadilhas esconde.

Nenhuma alegria perdura
e todo gozo é passageiro.
Só de tristeza há fartura
todo dia, o ano inteiro...

Quando eu me for [e será breve!]
levarei comigo esta carga.
Não quero que alguém herde
tanta lembrança amarga.

© Remisson Aniceto
São Paulo, SP, Brasil

 

 

 http://remissonaniceto.bligoo.com

 

 

 

 

 

 

 

amilton maciel monteiro
 

Depois que eu perdi meu grande amor,
Tenho um sofrer nostálgico e diário,
Que até o dormir já se tornou calvário...
Pois recontar carneiro... é um horror!

Detesto ter que usar lactucário!
E assim, estou em busca de um doutor
Que dê bom jeito em meu amargor...
Nem que eu lhe pague rico honorário!

Mas tenho é que voltar ao meu sossego...
À paz que meu amor levou de mim...
Preciso muito de seu aconchego!

Meu coração cansou de padecer,
E assim, vai logo encontrar seu fim...
Com tanta falta de seu bem-querer!

 

 

 

 

A VIDA E AS OLIMPÍADAS!
Ricardo De Benedictis

Aos atletas de todas as Olimpíadas que, no dia-a-dia, superam dores, adiam prazeres, por apostarem na beleza da vida!

Águas que inundam nossos olhos na Olimpíada
Lágrimas que brotam na emoção da vitória...
Refletem o sentimento da ilusão perdida
Ou a realização do sonho e da glória!

A decepção pela arbitragem fraudada,
A comoção do esforço e o tempo dispendido
Anos de trabalho e uma meta frustrada
Gosto da derrota e da tristeza incontida!...

Fracassos e glórias se vestem de emoções
Que encantam ou ferem a alma e apertam os corações
Que brotam como chuva, dos vermelhos olhos!...

Assim é a vida, uma competição atroz
Que nos faz delirar, que cala a nossa voz
Ou nos faz navegar e naufragar em abrolhos!

 

 

 

Soninha Porto


verde bordado
em minha janela
galhos são laços
que aprisionam o pássaro
ele canta num pé só
pra mim....

provocação aceita
canto e danço
feito flor no jardim

www.soninhaporto.com
 

 

 

 

De: S.S. Potêncio,

No interior do Rio Grande do Norte, estado Brasileiro onde moramos já há quase três décadas, existe uma cidade cujo nome é um desafio aos visitantes, "Passa e Fica" ... no mínimo é uma contradição do ponto de vista gramatical, pois que a ação do sujeito  contraria o predicado da oração... ou passa ou fica!
Neste devaneio que a língua de todos nós nos propõe indeterminadamente, quando nos detemos naquilo que se escreve, e na análise do que será o  sentido obtido do outro lado pelos leitores, muitas vezes nos deparamos com situações no mínimo intrigantes... qual a sua origem, qual o meio que gerou tais fins?...
- Sabemos de longa data que a ciência politica, disciplina inventada pelo homem desde o momento em que ele teve que negociar com a Eva, por qual dos lados se devia morder a maçã, sem ofender ao Pai da humanidade, que a mentalidade politica é um excelente berço para a prática do ridículo.
Neste campo se pratica a lei da mentira, sem causa ou efeito, que lhe aguce a soberba mais do que aquela naturalmente vinda das origens do seu usuário!...
Assim, e depois de um rápido treinamento, a ideia lhe sobe ao tirocinado "status-quo" de figura proeminente dentro da classe que o rodeia - o tal sujeito, que está na crista da onda, como soe dizer-se; lá no alto do poleiro!...ele sente-se todo emproado, todo envaidecido até mesmo quando a ofensa é directa, intencional, objectiva e definitivamente acintosa. 

Isto nos traz à lembrança uma velha crónica já aqui publicada, em parte, alguns anos atrás e que,... se emoldurada no ságuão de entrada do portal da emigração, ali ficaria mais ou menos assim:

 As pequenas mentalidades se interessam pelo extraordinário!; as grandes mentalidades, pelo corriqueiro. (Elbert Hubbard) .... eu, pessoalmente, me interesso por mim mesmo!  -  (direitos de autor reservados, mas nem tanto!!!)  Silvino Potêncio - Ex-Combatente de Angola 

"Passa e Fica",  é uma cidadezinha do interior do estado do Rio Grande do Norte - Brasil que, como todas as que conheço pelo mundo afora,  tem os seus poderes constituídos com base nas leis vigentes e onde as pessoas vivem em harmonia entre si, porém cada um por si e Deus por todos!
 - No início dos anos "Oi"!...tenta, me ligar mais tarde!,  (passe a publicidade grátis do sistema "oi" de telecomunicação) este escriba trabalhava em regime americano do toma lá dá cá!
- Cada 12 horas de trabalho eram iguais a 12 horas de folga. Cada 14 dias de sacrifício eram iguais a outros 14 dias de lazer e divagação!... Para completar a dança dos números, o local de trabalho tinha a sigla de PA 14,  local este que actualmente é muito visitado pelos tubarões lá no fundo do mar da Austrália , onde se afundou esse nosso local de trabalho anos depois.

Aquele era um bom tempo na medida em que, como diria o Capt. Pintado, (saravá, meu Tenente Alegria! seu antecessor... e também p'ró seu rapaz que deve andar lá pela terra dele,... dele é  DILI em Timor Leste) nos almoços mensais de cada última sexta-feira o jargão ali cunhado era sempre o mesmo; conhaque é conhaque e... serviço, é serviço!... mas, voltemos a  Passa e Fica onde realmente foi modestamente... porém maquiavelicamente e outros adjectivos terminados em "mente" engendrada, a crónica original a qual tempos mais tarde deu origem, a esta  de hoje e  por coincidência do que passou e do que ficou nesta  "mente", de emigrante recém-nascido dos erros da politica pós abrilina!...
Quando, ao chegarmos na entrada desta cidade,  eu escutei da boca do "Marito"; - (lembram-se dele nas barrocas do Miramar em Luanda???...) 
- Ó pá aqui no Brasil é tudo muito bom... Tudo passa e tudo fica!
- Como é que isso é possível?;
... Tudo passa porque a vida é inexoravelmente escrava do tempo que se esvai entre a luz da próxima galáxia, ainda que imaginária,... e o buraco negro do passado que nos atrai por força da gravidade eterna!, às nossas origens... sem nenhum tipo de imaginação ou ficção "xuxial" temporal.
- Já imaginaram vivermos sem gravidade?; gravidade dos factos, gravidade da situação, gravidade do parto natural porque a parteira foi ao banheiro!... enfim até para nascermos, a nossa mãe passa pela "grave,...idade" que é o tempo da gravação, vulgo gestação materna.
- A qualidade do CD depende sempre da gravidade da gravadora, entendes???,... pá!?... 
... Tudo fica porque para onde quer que vamos, não adianta levar nada. O que buscamos na vida,  fica lá, caso contrário se o tivéssemos aqui não iríamos procurá-lo lá!
... No dia anterior saíramos em direcção à cidade do Recife para ver onde realmente começou uma viagem por 24 países cujo objectivo principal foi voltar a Portugal sem utilizar avião, e muito menos qualquer embarcação!...
 ( para os incrédulos; vidé livro do Ti Humberto Pateira - que Deus o tem, "uma aventura em 24 países, ou ... a Volta do Brasil a Portugal por Terra!").
- Nós emigrantes somos assim; primeiro queremos ser pródigos, despreendidamente altruistas ao exagero, e depois bons filhos da terra, e por último voltarmos todos à Pátria Amada de forma diferente.
- Deveria ser o inverso!... mas,.... Deus tem lá destas coisas!...
- Afinal, para voltarmos e "botarmos" lá os pés da mesma forma que os tínhamos, quando de lá saímos...  não passaríamos da <cepa torta>... e por isso repetimos  o éco da voz do povo que ora passa e nunca fica...
--- Razão tem o Presidente do PortugalClub ao dizer que o Rei vai Nú!... quando se refere a tudo o que se publica neste mundo árido da emigração onde a lusofonia trilha caminhos nunca dantes navegados!...
-  Pudera,  ele deve ter visitado Passa e Fica muitas vezes. A minha grande  mente só dá  para escrever umas simples crónicas de memória... e nunca, nunca  mente!!!
 PORTUGAL É ETERNO! ....Até breve, e nunca se diga adeus para sempre!


Silvino Potêncio/Natal-Brasil 
http://osgambuzinos.blog.com

 

 
 
 

 

 

 

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