Ano II - Dezembro - 2009

Editores: Carlos Leite Ribeiro e

Iara Melo

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 
 
 
 
Natal de Esperança

Águida Hettwer


Badalam os sinos na catedral, anunciando já é Natal,
Sonhos contidos no olhar da criança, traduzem pra nós esperança,
De um mundo mais humano para todos,
Pão na mesa do trabalhador, condições a saúde, dignidade e respeito.

Natal de esperança, unidade de povos,
Conclamando em uma só voz,
Paz e amor nos corações,
Renascer da esperança.

Festa da celebração nasceu o varão ungido,
Prometido Messias!
Aliança perfeita entre Deus Pai e o homem.

Tempo de renovação, de transmitir amor aos corações,
De perdoar uma ofensa e rever conceitos.
E sermos portadores da paz entre os homens, mediante a fé em Cristo.
Sejamos bálsamo perfumado entre aqueles que amamos.

Que a chama do amor perdure e em voz alta a paz conclame.
Natal de esperança entre os homens.

www.aguidahettwer.recantodasletras.com.br
 



 
Alice Tomé

NATAL… sempre Natal …
Tenho Saudades do meu pinhal…

NATAL…

Terra minha
Tenho saudades
Aqui é só aragem
Luarenta
Que tormenta...
Aqui não há NATAL!
...
Até a floresta secou
Em protesto
De quem «abalou»…
E nos anos que já lá vão
Nesta terra de então
Tudo parece SOLIDÃO
...
Menina na estrada
À lagartixa perguntara
Que fazes tão apressada?
Tão desalmada!
Viajo…Hoje é NATAL
Saudades tenho desse AR sem igual!
...
Amiga… eu vou contigo
Também quero NATAL
Quero cantar à floresta
Tenho saudades do meu pinhal!
Meus avós o plantaram…
Nesse NATAL … sempre NATAL


© Poema de Alice Tomé, Lisboa, dedicado ao grande Artista pintor João Gomes,
Portimão, Portugal.
Para todos um Bom Natal e um  Ano de 2010 muito Próspero e Feliz .
 
 


 

 

GRITO DE NATAL

Amália LOPES

Nas ondas do calor duma lareira
De NATAL
Saem sons dum violino, e palavras
de

PAZ
SOL
AMOR
SAÚDE
JUSTIÇA
TOLERÂNCIA
SOLIDARIEDADE
A um canto da sala mais  quentinha
num sofá macio e com pétalas
Perfumadas
Está
ELE
O NOSSO DEUS
A descansar dos caminhos de
MISÉRIA
INJUSTIÇA
INTOLERÂNCIA
Mas, é NATAL, tocam sinos,  tempo de ofertas e perdão
Tempo de louvor
E
Sorrisos  de  CRIANÇAS...

Natal de 2009
 
 
 
 
 
O NATAL RELEMBRA O AMOR

Antonio Cícero da Silva


O natal é símbolo do mais puro amor
que por Deus foi enviado para a terra,
por dar ao homem, o devido valor...
Jesus Cristo, com sua verdadeira dedicação,
veio ao mundo com simplicidade...
e o verdadeiro amor a todos, ele ensinou,
mas muitos dos homens, não lhe
deram o devido valor...
o menino Jesus nasceu e viveu
entre os homens e mulheres,
e ensinou-lhes o caminho da salvação,
mas bem poucos lhe deram a devida atenção.
Ele ensinou o sábio e verdadeiro amor,
pregou aos homens o evangelho do reino,
porém na cruz foi pregado, crucificado,
mas não abnegou o amor a todos nós...
 
 
 
 
 
ANJOS DO SENHOR

Aparecido Donizetti Hernandez


Os anjos do Senhor formam legiões,
Legiões que combatem o mau.
Anjos que instruíram os profetas para escreverem as Sagradas Escrituras,
Anjos que conduziram o povo Hebreu da escravidão da África egípcia
Ao retorno à Terra Prometida.
Anjos do Senhor em legiões conduziram Moisés e seu povo,
Anjos do Senhor que dividiram as Doze tribos de Judá e Israel,
Para a Glorificação do Reino do Senhor!
Anjos do Senhor que impediram a construção da Torre de Babel,
Criando múltiplos idiomas, o Homem está a serviço do Senhor!
Anjos, Arcanjos e Querubins formam as legiões do Senhor,
Em seu Nome orientação que instruem os Homens.
Anjos do Senhor que trouxeram boas novas a Maria e convenceram José,
Que Emmanuel estava por vir do ventre de Maria,
Concebido pelo Espírito Santo e chamar-se-ia Jesus, o Cristo!
Anjos do Senhor que conduziram Maria e José ao exílio,
E na manjedoura embalaram os primeiros suspiros do Salvador.
Mudaram os destinos da Humanidade, trazendo Deus feito Homem,
Para pregar o carinho, o amor, a compreensão e a tolerância entre os homens.
Anjos do Senhor que inspiram os poetas e a sensibilidade humana,
Anjos do Senhor em legiões protejam nós de nós mesmos...


18 de dezembro de 2009. 
23h31

 

 

 

 
Noite de Natal

Benedita Azevedo
 

Natal é sempre assim, desperta os corações.
Todo mundo é feliz, nesta noite de paz.
Um mundo de energia a transbordar se faz
de esperança, alegria, amor e tradições.

Não há rico nem pobre, a noite sempre trás,
a glória pra Jesus em muitas orações.
Por todo este universo, o povo em louvações,
e a força da esperança ao povo satisfaz.

Olhando com atenção e todo seu carinho,
esta noite de festa, e guarde só um pouquinho,
deste seu grande amor, aos irmãos mais carentes.

E assim Jesus assiste aos irmãos com desvelo.
Dando a todos o amor sua paz e o zelo,
nestas bênçãos de um pai a filhos diferentes.

Praia do Anil, Magé-RJ
 
 

 

 

[A fé]
Dalton Luiz Gandin

A fé qual um tecelão
tece a morada de Deus
co'as fibras do coração.

 

 
 
 
NATAL DE MINHA INFÂNCIA

Eduardo de Almeida Farias


AH! Como é bom recordar,
O Natal de minha infância;
O presépio ao Menino Jesus
Lá na igreja matriz,
A manjedoura de palhinhas
Fofinhas,
Doiradas, 
A vaquinha e o jumento,
E os pastores de faces afogueadas.

Maria a Virgem Mãe, e José
A tudo prestavam atenção
Em êxtase profundo,
E meditavam no mistério
Daquele menino
Assim nascido, pobrezinho,
E, no entanto, Senhor do mundo.

E o povo simples cantava feliz
Canções singelas,
Tão belas,
Lá na velha igreja Matriz.

Naquele tempo, ninguém falava
Em Papai Noel ou Pai Natal,
E todos festejavam
O personagem principal.

A família após a missa do galo,
Alegre festejava a consoada:
Com bilharacos, rabanadas,
Castanhas quentinhas, assadas
no borralho,
E bom vinho na “picheira”,
Ao redor do lume na lareira;

E lá fora da porta, a geada,
Campos e montes pintava;
Tudo era um imenso estendal;
Lençol sem fim, branco, virginal, 
Onde as estrelas vinham brincar
Para alegrar o Deus Menino,
Tão belo e pequenino. . .
    
(do meu livro - Silêncios que Gritam)

 

 
 
NATAL  ETÍOPE 

Getulino do Espírito Santo Maciel

 
Quando penso em Natal hoje
Eu me lembro imediatamente da Etiópia
E dos filhos escuros da Etiópia.
De olhos fundos
De estômagos definitivamente preguiçosos
De costelas aparecendo
De carnes estioladas
Desidratadas
Quase carnes secas.
E penso principalmente nos olhos
Que na sua fundura
Brilham um brilho de Natal que se foi
E que não chegará mais, talvez.
E vou para Belém
Fitar os mesmos olhos
De quem já nasceu pobre
E marcado para morrer.
 
Dos olhos a gente vai entrando
Devagarzinho
Dentro da gente mesmo
E encontramos nosso corpo
E nossa inteligência
Cheios de olhos para ver tudo.
Para ver principalmente
Um mundo que constantemente
Nasce numa manjedoura
De poucas esperanças
De expectativas sombrias
De muita gente que passa simplesmente
E nem sabe por que passa constantemente
 
O Natal de todos os anos
É para a gente parar
Olhar com todos os olhos
E descobrir um homem novo
Que talvez esteja em nós mesmos
Ou ao lado de nós.
 
Um Cristo Menino
Que abre estradas
Mostra caminhos...
Um Menino de olhos etíopes.
 
 
 
 
 
 
Glosando Cidinha Frigeri
Gislaine Canales
NATAL NO CORAÇÃO
 
MOTE:
 
A alegria é o Cristo ativo,
no Natal do coração.
Sem presente eu sei que vivo,
só não vivo sem o irmão.
 
A alegria é o Cristo ativo,
que sentimos em nossa alma,
não há nem comparativo,
só Ele é que nos dá calma!
 
Devemos acreditar
no Natal do coração.
Devemos, também, amar
com toda  a nossa emoção!
 
O amor é o meu lenitivo,
sem ele, não sei viver...
Sem presente eu sei que vivo,
sem amor, posso morrer!
 
Amar nosso semelhante
é a maior inspiração.
Eu sei viver meu instante,
só não vivo sem o irmão.
 
 
 
 
Num presente de natal

Heralda Víctor

 
Vem chegando o natal em guirlandas e pacotes
A cidade enfeitada correria na calçada
Muita pressa em comprar.
 
A igreja se ilumina, o coral canta louvores
Mas ali numa esquina perambula uma criança
Sem um lar, sem leite e pão.
 
É faminta, ignorante e divide esta desgraça
Com quem vive pela praça maltrapilha a esmolar...
 
É natal de muito amor! Uma estrela vai brilhar!
Vai nascer o Deus Menino! Vai chegar o Salvador!
Mas como pode celebrar quem não tem onde morar?
Quem já nasce com o destino de nas ruas habitar...
 
Por que tal desigualdade assim na mesma cidade?
Para uns tanta riqueza para outros falta o pão...
 
Para haver fraternidade pudesse cada um de nós
Nesta noite especial receber do Deus Menino
Numa cesta de natal em pacote de presente
Um coração de verdade...
 
 
 
 
 
"DESTINOS" (Quadras de Natal)

Hermoclydes S. Franco


Para onde foi GASPAR,
depois de adorar JESUS?
- Lindas histórias contar
sobre um Rei, feito de luz!...

E MELCHIOR, seu companheiro,
por que veredas trilhou?
- Ele se fez mensageiro
da nova luz que brilhou!...

E o mago e bom BALTAZAR,
seu destino, quem o diz?
- Herodes sempre a evitar,
retornou ao seu país!...

Tres caminhos diferentes,
de tres reis, um só destino:
- Receberam por presentes
as bençãos do DEUS-MENINO!...

E o DEUS-MENINO cresceu
e se fez nosso Pastor...
Na cruz, a sofrer, morreu:
- Fez-se nosso SALVADOR!...
 
 
 
 
 
 
O NATAL DE HOJE...

Iraí Verdan


“O melhor da festa é esperar por ela ...” . Este é um provérbio popular que me aproprio neste momento para ilustrar como foi a chegada do Natal de 2008.
Diante da televisão reflito sobre as últimas horas do meu Natal... O relógio acusa 23:35 do dia 25 de dezembro. Isto quer dizer que daqui a vinte e cinco minutos o Natal se despede de nós. Faço então um balanço de todas as tristezas e alegrias surgidas nesta data tão importante para toda a humanidade.

  Assisto ao final do show do Rei Roberto Carlos! Depois da abertura com “Emoções” e de nos emocionar com uma música após a outra, ele canta “Mulher Pequena”, música que cai na medida certa para os  meus 1,50 m de altura. Compenetrada assisto o Rei cantar ...

  Tantos sonhos construídos para a noite passada – Noite de Natal. Os preparativos da Ceia, os presentes, as roupas, a decoração da casa. Tudo tão bem idealizado! Mas que acabou não acontecendo, a começar pela casa, que estava arrumada simplesmente, como no dia-a-dia. Não coloquei nenhum motivo de Natal espalhado pelos móveis, como de costume. Achei-os velhos, ultrapassados, empoeirados. Só animei em comprar os presentes na véspera. Olhava para as lojas cheias e não conseguia entrar nelas...O material da Ceia...Fazer Ceia só para mim? Os meus filhos já haviam combinados com os sogros e amigos, e me convidaram para ir também. Fui então até ao Restaurante
para comprar um galeto ( frango assado). De repente, surge uma briga entre um bêbado e os ocupantes de uma mesa. O bêbado folgado foi terrivelmente espancado pelos três. Tratei de sair de lá correndo com medo da confusão.

  O desejo de rever amigos sempre aflora em meu coração, especialmente os que não tenho visto recentemente. Senti falta deles, da mesa posta com os pratos que não pude fazer, e faze-los para quem? Não assisti a nenhuma Cantata na minha Igreja. Não visitei os vizinhos de casa em casa na nossa rua, como fazíamos no tempo passado e tão distante...Não tinha o peru assado sobre a mesa, bem bonita, entre o abacaxi fatiado, as castanhas, nozes e avelãs. Meu toca discos estava silencioso, sem as canções Natalinas, Jingle Bell, Jesus Alegria dos Homens, É Meia Noite, Tudo é Paz, etc... Percebi que em cada detalhe que faltara naquela noite, que meu Natal estava minguando. Que tantos costumes e conceitos ficaram para traz.

Apesar de todo este sentimento de “fracasso” ou de “perda”, sozinha em meu apartamento, me arrumei e saí para visitar meus parentes, para desejar-lhes um Feliz Natal para cada um. Beijei a testa quentinha da minha mãe, acamada em seu leito há mais de cinco anos. Depois visitei minhas filhas e ceiei com minha nora que está separada de meu filho. Comí arroz à “ la grega”, farofa e chester. Depois comi umas rabanadas, com bastante receio da glicose se alterar muito. Em seguida fui para casa para descansar minhas varizes.

Concluí que o prêmio de resgate do meu Natal, o ponto alto, foi assistir ao Show do Rei Roberto Carlos pela Tevê, o mito brasileiro que sabiamente só se apresenta nesta época. Que começa dizendo em palavras as canções “Emoções” sentidas, os amigos que ganhou e resgatou no passado, da sua juventude.

A todo instante pensava ouvir o Erasmo cantar  “Essa garota é papo firme” ou a Wanderléia “Esta é uma prova de fogo “. Mas no lugar deles outros se apresentaram como Caetano e a dupla Zezé de Camargo e Luciano.
“Hoje estou tão em paz comigo”.  “Não parece que tenho sentido tanto” . Assim me sinto... Ao final “Jesus Cristo, Jesus Cristo eu estou aqui ”, canta emocionado o rei.

Às vinte e quatro horas encerra o meu Feliz Natal, sem ver a queridíssima Wanderléia e o Erasmo, com as suas juventudes e seus carismas. Sem a mesa posta com a Ceia, sem as rabanadas, sem as castanhas, as nozes e as avelãs.No canto da mesa o panetone, que não tive vontade de comer, mas agradecida por ter conservado em mim, os meus caros sentimentos tão antigos, poder olhar à minha volta e ver tantos tristes e desalentados de todo bem estar e aceitar o “Natal de Hoje e seus novos conceitos”.

Magé, RJ, Brasil ,17 de dezembro de 2009.
 
 
 
 
 
Feliz Natal!
Ivone Boechat

 

Tocam os sinos da solidariedade,
os acordes da esperança
começaram a vibrar!
O aroma da promessa de Deus
está exalando no caminho
dos homens de boa vontade,
o amor pediu licença
pra chegar.
 
Estende sua mão,
alcance os aflitos,
veja quantos sofrem
com súplicas no olhar,
dobra os joelhos,
tempo de fé,
não esqueça de se levantar
para atender os gritos.

 

 

 
NATAL

Irani  Genaro


Naquela primeira noite de Natal, apareceram luzes nos céus!
Lá longe, no "novo mundo"
também eram vistas no céu, luzes brilhantes, na noite que não escureceu!

Natal é tempo de luzes, época de canto e músicas natalinas
No Natal, somos adultos, somos jovens e nos tornamos outra vez
meninos e meninas!
Mas o Natal é também uma ocasião atarefada __ um tempo de pressa!
Foi um tempo de pressa para aqueles dois pastores no campo.
Tendo visto a glória nos céus, foram depressa ver o Bebê,
Que encanto!
" Natal é tempo de amor"

Ao ver as luzes natalinas
Ao cantar as músicas de Natal
e ao sentir a pressa da ocasião;
Que o amor possa refletir-se em cada coração!

Para que cada um possa se achegar e dar
de si mesmos a todos que necessitam um pouco desse amor infinito,
que naquela noite recebemos do mestre maior
JESUS CRISTO
FELIZ NATAL. 
 

 
 
 
 
Luzes do Natal

J.R.Cônsoli

 
Uma chuva de estrelas pequeninas,
Cruzam o espaço... É Noite de Natal!
Anjos seguram a lua, que ilumina
A Terra inteira de maneira igual.
 
Todos são filhos sob a mesma luz,
Em cada casa uma mesa é posta,
E dos mistérios que a vida produz
Nasce no coração uma resposta.
 
É paz na Terra, paz para os iguais,
Paz para os ricos, os pobres, os animais...
Chegou, enfim, a grande redenção.
 
Os seres de mãos dadas, em união,
Sobem ao céu, sob o clarão da luz
E aos bens do universo fazem jus.
 
15-12-2009
 
 
 
 
 
UM NATAL DIFERENTE
 
Jandyra Adami
 

Naquela tarde de Natal, Lavínia resolveu ir visitar um ASILO, onde idosos, esquecidos pela família, viviam, ou seja, esperavam o tempo passar. São tantas pessoas que sofrem o abandono dos familiares!!!
São colocados em asilos , como se não valessem nada, como se a vida, vivida na riqueza ou na pobreza, não tivesse significado algum.
Lavínia foi caminhando pelos corredores frios do prédio e logo chegou ao pátio, onde dezenas de velhinhos a olhavam, procurando em seu olhar, um pouco de ternura e de amor. Ela ia acenando a um e outro, quando seus olhos fixaram numa senhora, que com olhar tristonho, observava a vida, que passava no movimento das nuvens, no bater das asas dos pássaros, no
vento que derrubava folhas de árvores em sua cabeça grisalha.
Lavínia aproximou-se dela. Tinha um porte elegante, deixando transparecer em suas roupas rotas, um "quê" de elegância, de altivez...
- Como é seu nome, senhora?
- Meu nome é Jacyra, minha jovem. Por que pergunta?
- Porque sua figura me chamou a atenção. Tem algo de belo que ficou em seu rosto, embora envelhecido pelo tempo...
- E pela tristeza, minha filha.
- Tristeza ? Por que ?
- Eu fui uma jovem feliz, muito cortejada. Moça de sociedade, como diziam...
- E como veio parar aqui, neste lugar tão diferente de seus costumes?
- Tive uma vida de luta e com sacrifício consegui independência financeira e social. Casei... fui feliz. Perdi meu pai... minha mãe...Os irmãos nunca ligaram para mim...
- E a senhora, nunca teve filhos?
- Sim. Tive um. Razão de minha vida. Viveu conosco até encontrar a mulher amada e casar-se. Foi uma festa linda e luxuosa. Meu marido e eu fizemos tudo para que ele fosse feliz. E a vida continuou...
- E, onde está seu marido ?-
- Era meu companheiro de todas as horas...Coitado...Partiu, sentindo o abandono do filho.
- Mas, como seu filho os abandonou?
- Na verdade, ele se afastou de nós no dia em que começou a namorar a tal moça que escolheu para casar. Ficava mais com ela do que conosco.
Como dizia Ghiaroni: "...e de repente, uma mulher bonita, surgindo o rouba e a velha mãe aflita, ainda se volta para abençoá-los..."
- E ele é feliz?
- Não sei. Depois que meu marido partiu e fiquei sozinha, vim parar aqui.
- Curtir a solidão mesmo tendo parentes em várias cidades. Não conheço meus netos, não recebo visitas. Quando você se aproximou de mim,
senti o coração pulsar de alegria.
- Você é uma moça muito boa. Bonita e caridosa.
Não sabe o valor de sua visita para uma velha abandonada...
- Que isso minha amiga!!! Virei sempre visitá-la. Prometo. Vou trazer fotos de papai, mamãe e meu irmão.
- Como é o nome de seu pai ?
- Meu pai é Alberto, minha mãe Eugênia e meu irmão Ruddi. São nomes de família, creio.
- Lindos nomes, minha querida. Um desses, era o nome do meu marido.
- Por que chora, senhora? Os nomes trouxeram recordações boas ou más?
- Claro que boas. Saber dos nomes de seus familiares deixa a gente mais próxima uma da outra. Posso falar neles como se fossem meus conhecidos: seus pais, seu irmão, você.
- Ainda bem. Não queria que minha visita a magoasse!!!
- Você nem imagina como estou feliz, Lavínia. Bonito nome, sabia?
- Bem, agora vou embora. Tenho que fazer mil coisas. Confesso que adorei conhecer a senhora e voltarei sempre. Sinto que nossos corações batem igualmente juntos, de felicidade.
Lavínia beijou a mulher e saiu, com a certeza de ter feito uma boa ação.
E Jacyra, deixando as lágrimas rolarem pelo seu rosto, balbuciou baixinho:
- Vai com Deus, minha neta...
 
 
 

 
QUASE NATAL SÉCULO XXI
 
Joaquim Moncks
 

O poema nasce matutino,
com sono, tirando remela dos olhos.
Penteia cabelos, escova dentes.
Há um ázimo pão no céu da boca.
O espelho denuncia a aurora glacial
das incompreensões.
 
O sal do choro
crivou a lágrima amanhecida
de explicações e lamúrias.
Amores fartos, ágeis de memórias,
nunca são lúcidos à hora da posse.
 
Jesus Cristinho amado,
deixai que cantemos desamores.
O coração está pleno como dantes
e a órbita do mundo soluça
jingle bells como um terçol.
 
Bom-dia, Dona Paciência,
locupletem-se os pendores!
É inventário dos amantes.
 
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2005/2009.
http://recantodasletras.uol.com.br/natal/1349556
 
 
 


 

O Natal de Minha Infância

Juçara Medeiros Lasmar

  
 Na casa de meus pais não tinha ceia  no Natal.  Á noite era rezado o terço encerrando a novena dedicada ao Menino Jesus, que trazia bênçãos para o lar e alegria para as crianças em forma de presentes. Após a reza era servido leite fervido com canela e açúcar, uma delícia, bolos, biscoitos, rosquinhas, tarecos e várias outras guloseimas. Antes de dormir colocávamos o sapato na mesa grande da sala de jantar à espera dos presentes que o Menino Jesus traria. Sonhávamos com eles, os presentes. Ao acordar, a primeira coisa que fazíamos era olhar o sapato, pegar o presente e correr para encontrar alguém e pedir as festas. A gente dizia “Quero as Festas”, e a pessoa para quem a gente falou tinha de nos dar alguma coisa, um presente, um doce, qualquer coisa.. Então com muita alegria abríamos o embrulho e íamos brincar felizes, mostrando para as outras crianças o que havíamos ganhado. Mal tomávamos o café da manhã e já corríamos porta afora afogueados, doidos por brincadeiras. Até que Mamãe chamava para o almoço. Almoço de Natal, uma delícia.  Frango especial, aquele que só a mãe da gente sabe fazer, um gostinho nunca mais sentido... tutu, lingüiça defumada, chego a sentir o cheiro dela fritando... macarronada daquelas que não existem mais, macarrão grosso, molho de tomates verdadeiros e vermelhos, cebolas, queijo curado ralado na hora... arroz com suã... nossa... E as sobremesas?  Figo em calda, doce de leite, doce de mamão ralado e de talha, ameixa de queijo, para quem não conhece são aquelas bolinhas feitas com queijo, gemas e açúcar, com um cravo espetado; pudim de queijo, tudo isso servido com queijo fresco... Sem falar nas frutas que tinha no quintal... após o almoço brincadeiras de novo. Era apenas um presente para cada criança, presente simples mas a felicidade que proporcionava era insubstituível.  Era um momento mágico encontrar o presente no sapato... Natal é magia... Menino Jesus  esperança.

Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
 
 

 
 
DEUS TE ABENÇOE RICAMENTE NESTE NATAL

Luiz Poeta

Luiz Gilberto de Barros - especialmente para os meus amados irmãos do Portal CEN,
para que Deus lhes dê um verdadeiro Natal abençoando ricamente suas vidas.

Neste Dia de Natal, eu quero tanto,
Que a família que tu tens esteja unida
E que Deus coloque um riso no teu pranto
E preencha com amor a tua vida.

Neste Dia de Natal, que Deus esteja,
Mais que nunca, dentro do teu coração
E que tudo que o teu sonho mais deseja
Seja o teu amor em forma de oração.

Neste Dia de Natal, que Deus te doe
O presente que mais queres e abençoe
Tua vida linda... abundantemente...

E a Deus, humildemente eu agradeço
Porque tenho, muito mais do que mereço,
Tua vida abençoada.. de presente.
 
 
 
 
 
 
Mais um Natal
Marisa Cajado


Mais um ano; e Ele prossegue caminhando.
Esperando que seu rebanho amado,
Possa um dia prosseguir cantando.
A sinfonia do amor sonhado.

Uma certeza não o abandonará
No seu peito, esperança palpita.
É o seu redil que ainda se agita.
Mas suas ovelhas.... nenhuma perderá.

Pensemos nele, é seu aniversário.
Festa maior em nosso calendário
E o seu presente todos já sabemos,

Há dois milênios deixou registrado.
Mas o mundo não se tem lembrado.
Ele só pediu... que nos amemos.

 

 

 

 
ESTRELA  DE  BELÉM
Malude Maciel
 

A “Estrela” do Natal está brilhando,
Piscando, piscando, nos chamando,
Como é linda a Sua luz!
E o povo de Deus orando,
Clamando por paz, amor, pelas bênçãos de Jesus!
 
Vozes em coro, cantando,
Ao Rei dos reis exaltando,
Com alegria e também choro comovente
Sabendo que o Deus menino
Mesmo sendo o Altíssimo
Veio conviver com a gente


Reconhecendo a grandeza
Daquele que aqui nasceu
Embora sendo da realeza
Rebaixou-se à pobreza
E com os homens conviveu
 
Morrendo por amor naquela cruz
Salvou o homem do mal
Jesus quer nascer nos corações
Nessa noite de Natal!
 
Almejemos mil venturas
Nesse Natal e Novo Ano
Confiando no Senhor,
Deus amável, misericordioso e SOBERANO.

 

 
 
 
 
NOITES FELIZES
Maria de Lourdes Camelo

 
Ela me chama, lá de dentro, e eu entro, emocionada. Piso de leve o assoalho branco, sem olhar para os cômodos, conforme aprendi. Chego à sala de jantar transformada em presépio. O mesmo ar adocicado e o tilintar dos sininhos prometem beleza. Da cozinha, um cheiro sedutor de doces. Ela me espera, sorridente, adivinhando felicidade.
 
Mamãe diz sempre: "não vá todos os dias, você pode incomodá-la". Mas pede o impossível. Meu olhar tímido percorre, curioso, os prados tremulantes, as gotinhas de orvalho, as vilas coloridas, o rebanho que pasta, tranquilo, a cadência dos monjolos, os patinhos na imensa lagoa e, os Três Reis, presenteadores. No centro a Manjedoura. Ele está lá.  Delicado e meigo me aguarda. Beijo seus pés, fechando os olhos. Maria e  José velam.  Intimamente, canto “Noite Feliz”. A grande árvore, à direita, enche meus olhos de brilho. É muito para minha pequena alma.
 
"Tome um doce", ela diz, estendendo-me um pratinho. Discretamente, acaricio os sinos, as bolas coloridas e os laços de cetim. Ainda percorro a longa estrada branca que conduz ao Redentor, recém-nascido.
 
Mamãe me busca todas as noites e, como eu, também contempla, extasiada.
 
Dona Eponina não podia imaginar que, cinquenta anos depois, eu voltaria para visitá-la. Espere, parece que ouço novamente uma voz, lá de dentro, "entre, pode entrar, venha ver".
 
Volto à minha solidão e tento fazer desta noite vazia uma noite feliz.

 

 

 
Triste Natal
Maria Granzoto

O ribombar do sino
Lembrando que é Natal!
Faz-me pensar no destino
Neste mundo desigual!
O comerciante, néscio,
Astulto,
Faz da celebração
Puro comércio
Sem indulto!
Seu coração está fechado
Para o pobre irmão
Sem teto, sem pão
que carrega a sua cruz
Tal qual
O fez Jesus!
Lanço aqui o meu grito
Embalde, correndo no infinito,
Natal não é presente...
É presépio, Nascimento...
É gente!

 

 


 

FELIZ NATAL TODOS OS DIAS
Mário Feijó

 
Eu quero um mundo
Onde a paz exista
Durante o ano inteiro
 
Onde as pessoas se amem
Fraternalmente todos os dias
Onde não exista fome, violência,
Drogas, crianças abandonadas,
Velhos depositados em asilos
Que só recebem visitas uma vez por ano...
 
Eu quero um mundo em paz
Todos os dias de nossas vidas
E luto para que seja assim todos os dias
Mas não depende só de mim...
 
Eu não quero amor só no natal
Nem que as pessoas se solidarizem
Somente neste dia...
 
Eu um natal todos os dias
E se juntos pensarmos assim
Eu acredito que o mundo será melhor
Basta continuarmos esta corrente de paz e amor...
 
Desejo um bom natal a todos
Todos os dias – por um mundo melhor...
 
08.12.09

 

 

 

 

NATAL

Pilar Casagrande


Na pobre choupana coberta de palha,
A vela de cera uma luz irradia.
E sob esse teto a doçura se espalha...
É mês de dezembro: o Natal se anuncia.
 
Na rica mansão coroada de luz,
Fulgura o presépio, que a crença reanima
E sob esse teto, que tanto reluz,
Existe alegria: o Natal se aproxima.
 
Um sino repica, lá longe, na vila,
A doce mensagem de Paz e Harmonia.
A vida terrena se torna tranqüila
E a face da gente sorri de alegria.
 
Nas ricas vitrines de ricos presentes,
Os pobres tristonhos, de pobre ilusão,
Devoram sedentos, com ânsia, contentes,
Aquela beleza tão longe da mão.

 


 

 


 "NATAL PROMETIDO"

Pinhal Dias


Desejam sim! Um Natal Feliz
Sua lenda assim condiz!
Primaveras são passadas
Entre vales e montanhas
É toque de varinha mágica?
As histórias são equilibradas!
São vividas! Bem lembradas!

Presenteado Natal!
Com Natal prometido!
Natal de grande nascimento!
Musgando o seu presépio
Soando novas trombetas
É sinal de avivamento!
Os rios vão correndo
Em direcção ao mar!
A sintonia está perfeita!
Nasce o Sol, vem consolar
Novo Mundo! Novo Reino!
Temos Cristo a reinar!

Estarei sempre ao lado
Daqueles que sofrem!
Inocentes, por serem moldados
Ao sistema...
Um sistema profanado
Tem de ser desmantelado
Nascimento é seu Natal
Cristo por nós nasceu
Com amor assim venceu!

Natal de ontem! Natal de hoje!
Natal de amanhã!
Natal em cada um de nós!...


 

 

 
O AMOR MAIOR
 
Raymundo de Salles Brasil
 

O amor de Deus por nós os pecadores,
Foi de tal forma grande e surpreendente,
Que eu não entendo porque tanta gente
Ainda não lhe presta todos os louvores.
 
E vemos, entretanto, é bem freqüente,
Bajularem-se homens transgressores,
Travestidos de santos salvadores,
Que vivem enganando impunemente.
 
Deus nos amou primeiro e deu a prova,
Deu-nos Jesus, seu filho, a boa nova
Há dois mil e nove anos, por sinal,
 
Cuja mão generosa nos estende,
Mas muito pouca gente ainda entende
A grandeza de amor que é o Natal.
 
 
 
 
 
Natal

Ridamar Batista

 
Badalam os sinos do templo
E de minh alma
Ouço as campanas em festa
A cidade reluz colorida
Em lâmpadas maravilhosas
Os castelos são fantasia
Que nos levam a sonhar amores
E a vida fica bonita
Toda enfeitada de fita
Colorida de mil flores
Nos finais primaveris.
É natal e tudo é festa
Badalam os sinos em mim
Querendo levar sorrisos
Em cada casa onde haja
Uma criança a sonhar
O sonho de doce espera
O sapatinho na janela
E um presente encontrar
Ah! Se eu pudesse estaria
Cumprindo essa missão
De enfeitar sonhos e ninhos
Alegrando o coração
Que bate em apressado
Olhando pro céu anilado
Querendo fazer magia.
Badalam sinos em mim
Nesta noite de natal!
Dai-me oh! céus este poder.

 

 
 
 
Feliz Natal?
rivkahcohen


Ei, tu que hoje estás tão feliz,
por que nos outros dias te era tão difícil?

Por que hoje tu dizes que amas e nos outros
dias as mesmas palabras pesavam em tua boca
a ponto de só balbuciares?

Durante tantos dias não tiveste medo de perderes
quem te ama, não tiveste receio de ficares sem amigos,
de ofenderes teus vizinhos..

Durante tantos dias somaste só as coisas
ruins e hoje, parece-me que só hoje ou talvez,
por esses dias, tens visto o que tem de bom na vida!

Durante tantos dias parecia que viverias
para sempre e hoje tu te voltas para dentro
e estás mais compenetrado, mais sério, mais sábio.

O que te falta não tem o buraco que tanto
apregoavas, mas um furinho à toa fácil
de conviveres, "levares"..

A grama da tua casa começou a verdejar
no momento que deixaste de olhar a do teu vizinho.

Falando no teu vizinho, claro que não achou normal,
mas sabe que comentou com alegria o  teu abraço
e teu desejo de Feliz Natal?

Só precisava ser assim todos os dias,
não se atendo a momento, época e espaço!

 



 
SINOS DE NATAL

Salomão Alves de Moura Brasil

 
Badala o sino festivo
Bate o coração também!...
O sino evoca a saudade
Que do coração nos vêm!...
 
Saudade dos tempos idos
Que talvez não voltem mais!..
Escuta, amor, o que dizem,
Os sinos das catedrais...
 
Os sinos cantam da vida
A primavera, os amores,
As alegrias, os prantos,
Muitas vezes choram dores.
 
São testemunhas constantes
Dos momentos mais queridos,
São convidados também,
São arautos destemidos.
 
Mas falam sempre a linguagem
Que nos fala o coração;
Escuta o que diz o sino
Do alto do torreão...


Fala, sino, a toda gente,
No Natal da cristandade!
Coração, guarda em silêncio,
Teus soluços de saudade
 
Dedicação de Salomão Alves de Moura Brasil a Rose Mary Santana Matos
 
 
 
 
 
Neste Natal

TecaMiranda

 
Neste Natal quero a morte
do ego fechado e prepotente
libertando a consciência
de pensar em si somente.
 
Neste Natal quero a sorte
do destino a todos traçado
trazendo a felicidade
do sonho acalentado.
 
Neste Natal quero a morte
da arrogância e rejeição
lançando a semente
de uma transformação.
 
Neste Natal quero a sorte
da vida em prosperidade
unificando os seres
pela palavra bondade.
 
 
 
 
 
AUSENTE
Tito Olívio

 
Por onde andava o poeta
Nessa noite do profeta,
Que não foi ter a Belém,
Seguindo a luz do cometa,
Que guiou outros também
Junto a Jesus, pai e mãe?
 
Naquela noite famosa,
Com o ar cheirando a rosa,
Foi o rebanho e o pastor,
Por uma fé poderosa,
Para rezar com fervor
Ao Menino, o Salvador.
 
De branco, estava o padeiro,
Também se via o pedreiro
Mais os reis do Oriente,
Que tinham vindo primeiro.
Estava ali toda a gente,
Só o poeta era ausente.
 
 

 

 

 

 

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