Ano II - Novembro - 2009

Editores: Carlos Leite Ribeiro e

Iara Melo

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

 

 


 
 
A FORÇA DO PERDÃO

Ana Maria Nascimento
 


           Em outubro de 1945, quando um golpe militar derrubava o presidente Getúlio Vargas e o país enfrentava enormes transformações, uma família  recebia as bênçãos celestiais com a chegada de uma pequena de olhos azuis e pele rosada.


          O motivo de tanta alegria devia-se ao longo período de expectativa, pois durante cinco anos o Sr. Zacarias e a Sra. Consuelo esperaram esse momento para preencher a lacuna existente em suas vidas.
          Em homenagem a avó materna, a pequena recebeu o nome de Juscelina e naquele ambiente onde reinava fluxos de paz, ela cresceu fisicamente transformando-se numa linda jovem.


        Chegou a época de escolher alguém para continuar a lei da vida e o eleito por seu coração foi Pedro, um rapaz de ascendência religiosa e aguerrido comportamento, que agradou bastante aos seus genitores. Assim logo após um pequeno período de cortejo os enamorados uniram-se pelos laços matrimoniais.


          Um ano depois já nascia Zacarias Neto, o primogênito do novo casal, recebido pelos avós como mais um presente do Criador. A seguir quatro lindas meninas aperfeiçoaram aquele panorama de júbilo.    
         Quando esses atingiram a idade adulta, cada um abraçou um destino profissional, mas não deixaram de se reunir nos finais de semana para,  juntos viverem os momentos de lazer necessários a todo ser humano.


         Como o limite fundamental da origem do cristianismo refere-se ao nascimento de Jesus Cristo, o Natal constitui um momento de confraternização entre as famílias, a deles tinha como palco à casa dos avós, local onde trocavam presentes, principalmente manifestações de amizade recíproca.


        Porém em todo o lugar existem pessoas voltadas a destruição o bem estar alheio, uma dessas feriu mortalmente o único filho do casal, que veio a falecer antes de chegar ao hospital.


       O desespero da família abalou unanimemente a comunidade local, todos clamaram por justiça. O assassino foi preso em flagrante e sua mulher juntamente com três filhos foram deixados, sem nenhuma condição financeira, para manter as necessidades básicas.


       A mãe do rapaz assassinado, embora sendo a que mais sofria, ao tomar conhecimento do episódio, teve um comportamento diferenciado dos demais, venceu a fronteira do ódio e mergulhou na integralidade do anseio de ajudar ao próximo, dessa forma acudiu financeiramente a família do delituoso. Este ato tocou-lhe o coração mais que qualquer um outro corretivo. Assim ele foi mudando sua conduta, até se converter num mensageiro da palavra de Deus.


        Ao terminar a pena, ninguém mais do que ele conhecia o sentido da palavra clemência e o poder exercido por ela na transformação dos seres.


        Ela nunca o recebeu em casa, mas, provou ter um coração imune às depredações humanas e sua grandeza de espírito certamente serviu para assentar um tijolo de esperança na construção de um mundo melhor.


        Sua atitude embora ignorada por muitos, serviu de exemplo para as criaturas que guardam rancor de injustificáveis desentendimentos. 

 

 

 

 

Voltar pode não ser o melhor...

Lígia Antunes leivas

 


Abriu a porta... tudo como deixara ao sair. Intacto.
O café no bule. A xícara sobre o prato auxiliar.
O guardanapo dobrado. Fatias de pão cobertas com glacê.
   
Sentou. Com a colherinha pegou um pouco de açúcar. Mexeu a mistura. Tomou alguns goles. Parou.
Descalçou as botas. Tirou o casaco. Passou as mãos pelo rosto como se assim retirasse o cansaço.
Olhou em volta.
Defronte, imagens mentais, lembranças... apenas.
O lugar seguiria vazio... a outra cadeira, a outra xícara... ...
Nada seria tocado, usado, mudado.
    
A gargalhada ecoou até a guarita na esquina.
    
Em silêncio tumular recolheram o corpo...
perfurado pela solidão. 


 

 

 

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Maria Luiza Bonini
 
 

Aquele sentimento aumentava, incontrolável, desde que Alice conheceu José.

Havia se apaixonado, outróra, ou assim pensava, sem poder jamais externar seus sentimentos.

Tratava-se de uma Alice que sonhava com o país das maravilhas ...

Naquele amor, só encontrou dor e sofrimento, não havia nada que se assemelhasse aos seus sonhos.
 
Menina nova, achava que aquele homem poderia mudar e vir algum dia  a seus anseios, realizar.Tudo o que esperava, tornava-se agonia. O  sofrimento em que vivia, se perpetuava, a cada dia.

A vida incumbiu-se de separá-la do grande engano cometido. Seguiram cada um o seu caminho e Alice, mesmo decepcionada, ainda sonhava.

"Algum dia poderei amar e ser amada, (silenciosamente pensava )..."

Passaram-se anos ...muitos anos ...Alice  tornou-se uma linda senhora.

A sua beleza era refletida pelos bons sentimentos que nutria e pela sua constante alegria.

Seus filhos, já criados, tornaram-se pessoas íntegras, das quais, Alice muito se orgulhava.

Sua ânsia de amar, na maturidade, transformou-se em poesia.

Dizia coisas lindas, em tudo o que via.

Seu amor , a todos e, em tudo, refletia.

Sua vida, então, passou a ser uma constante alegria.

Surpreendentemente, para Alice, certo dia, percebeu que em toda aquela alegria, havia um amor ... Aquele pelo qual esperou por toda a vida.

A magia  do amor, voltou a habitar as fantasias de Alice.

Sonhava dormindo e acordada, com aquele que tomou sua vida e,  a ele, em silêncio, dedicava todos os seus pensamentos ... toda a sua romântica poesia.

O tempo ia passando e, aquele amor, vencendo todas as barreiras que a vida  impunha.

Estavam muito distantes, um do outro, quando certo dia, Alice se depara com o que tanto esperou ...  Chega a mensagem de seu amor, que então dizia:-

"Dir-te-ei que te amo, algum dia. Espere por mim . Chegarei a tempo de dançarmos uma valsa."

A alegria de Alice foi tanta que, com a carta na mão, se pôs a girar em torno da árvore que a sombreava e a tudo assistia.

Rodopiou como se valsasse ...de olhos fechados ... como se o amor estivesse ali presente, a seu lado, como o perfume suave, a  exalar,  que ela sentia.

A emoção  levou-a  a desfalecer ...e, assim, ficou ...

A música dos pássaros, solene, tocava em tom de despedida.

Alice morreu feliz, na certeza de que havia encontrado o verdadeiro amor...

E, foi assim, que, dos sonhos lindos de Alice, surgiram as maravilhas do mundo que ela criou em sua fantasia e que só para ela existia.

Ao encontrarem Alice, eternamente adormecida com um leve sorriso nos lábios, abraçava uma linda flor, que acabara de ser colhida.

A mensagem era uma flor e a história de Alice, só mais uma  linda poesia.

São Paulo/Brasil
www.marialuizabonini.com.br
 
 
 

 

O CIRCO DOS PERSONAGENS
 
Joaquim Moncks

 
(Embora a razão seja comum a todos, cada um procede como se tivesse um pensamento próprio.
 
 O caminho que sobe e o caminho que desce são um único e mesmo.)
 
Citações do grego no poema “Burt Norton”, por T. S. Eliot, in QUATRO QUARTETOS, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967, p. 17. Trad. de Ivan Junqueira.
 
Depois de três dias do primeiro momento de criação, continuo a limpeza do texto, procurando escoimar as impurezas gramaticais e lingüísticas. Também é necessário impessoalizá-lo ao máximo. Deste modo, a presença do autor e a de seus alter egos se torna cada vez mais rarefeita.
 
A voz textual não é mais a do autor e, sim, o exercício de sua própria palavra enquanto texto, novo personagem. Ele vai ser mais visível quanto mais perceptível a ausência do primeiro autor, o 'eu'. Agora, ao ser lido, ele já é o 'nós'. Este é o desafio, na criação literária.
 
Fernando Pessoa e os seus heterônimos que me perdoem: há, em seus discursos, uma presença imensa do 'eu e das diatribes dele próprio e seus fantasmas...’. Talvez por esta razão Pessoa tenha criado os tais heterônimos, enumerando e identificando as diversas “psiques” que ele possuía dentro de si.
 
Este é o seu maior mérito no campo psíquico e parapsicológico: o mestre da Língua lusa abriu-se ao mundo em suas vertentes pessoais. É a criatura humana variegada, mergulhada em seus conflitos. Talvez a tradução factível, prática, do “Eu sou eu e minhas circunstâncias...”, como quer Ortega y Gasset. 
 
É essencial esta providência: a menor interferência possível (de seu autor) no discurso da criatura que fala na lavratura, no discurso.
 
Com este proceder, aumentam as chances de que o leitor se aposse do texto, decida 'ficar com ele' por amor à sua proposta, ainda mais no caso de poesia ou em prosa poética. É nestas que o intimismo é mais incidente, e, pateticamente, maior a sua abrangência na alma humana.
 
Seguramente, em cada ser humano não há unicidade, e muito mais no escritor, cujo universo é multifacial. 
 
Acabo de descobrir que tenho de retirar tudo aquilo que se localiza no plano da realidade, o existente de fato, e que situa o texto em algum local, puxando-o para o real, como é o caso de “À frente dos olhos, em Osório, no meu Rio Grande de Deus...”, no texto O VENTO DAS ESCOLHAS, publicado no Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/731688  
 
É, apenas, o cochicho da observação dos atos e fatos que se encontram à volta do autor, à frente de seus olhos, em sua circunstancialidade, no momento criativo.
 
O discurso textual em exame é todo no plano abstrato (qualquer homem consigo mesmo) e esta vinculação à realidade, aos seus atos e fatos, se torna dispensável.
 
Vale num primeiro momento como alegoria, com os pés na realidade, mas são asas – mesmo que as de Ícaro – que se desprendem frente ao sol dos sadios dias da “transpiração”, ao se efetivar o segundo momento do processo de criação do texto, tão ou mais importante que o do primeiro momento, em que o emocional produz a “inspiração”. 
 
No segundo transe textual prepondera o mundo da intelecção, mas nunca o da razão pura.
 
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/734038
 
 

 

 


QUANDO UM DIA FOMOS ETERNOS

Eduardo de Almeida Farias

 

Houve já um dia em que cada um de nós foi eterno, ou assim se sentiu. Se já não lembram é porque a memória precisa de ser lubrificada, urgentemente, antes que as engrenagens se quebrem: pelo atrito da mágoa, pelo azedume do humor, pelo nevoeiro da indiferença, pelo frio da solidão, pelos fantasmas da noite, e a descrença no amanhã, que independentemente dos nossos humores haverá de nascer, mais belo e sorridente.

Quando nós éramos imortais os homens ainda não tinham inventado a palavra caos, havia só o cais. E, assim lá íamos nós qual rio de águas cristalinas, sem temores, sem o receio da foz, que por certo haveria de ser motivo de alegria a mais, porque outras águas se juntariam às nossas águas, por onde continuaríamos a singrar, e um rio era já um mar.  

No tempo em que nós não éramos deuses, mas apenas seres humanos e joviais, o mundo era outro, feito do tamanho apropriado, ajustado aos nossos ideais, não menos, nem mais, por isso, não éramos deuses, mas éramos imortais.

Naquele tempo sim, o mundo era outro, ah isso eu tenho a certeza! No mundo dos homens que, não são imortais, tais justezas são sinais, no mínimo de mentes pequenas, incongruentes, de crianças... nada mais. O homem para ser homem, tem que ser aguerrido, mostrar que tem poder, que é macho mas no pega pra capar, quem serve de bucha de canhão na guerra é o pobre soldado, covardemente engatilhado, por esses bufões, valentões de araque.

Aquele era e, será, assim se pense, o tempo quando se é criança e ainda adolescente; quando a vida é tão, digamos apetecida, recheada de coisas tais que, nem por sombra ou réstia de pensamento, seremos pobres mortais.

Quem há que não lembre do primeiro amor, ou dos primeiros amores? Quem não fez seus poemas apaixonados à sua amada, escreveu cartas de amor, ainda que tais arrebatamentos de aguda paixão, em sua maioria nunca tenham chegado a seu destino... Ah! sim nós éramos eternos. Quem comandava a vida era o sonho, e nossos sonhos eram puros como as rosas, e tinham dimensões outras que não a dos adultos, mortais.    

O homem só começa a morrer quando perde a capacidade de sonhar e de amar, por isso é de lamentar que, tantas pessoas ainda sendo jovens, carreguem dentro de si tanta acrimônia, a desmotivação para a vida, e, tantas vezes afundando-se na droga que  escraviza, que o leva à derrocada, antes mesmo das escaramuças com que a vida vez por  outra nos costuma brindar.

Por outro lado é maravilhoso, é belo ver pessoas que, apesar da idade cronológica avantajada, não perderam a jovialidade, o brilho do olhar, a ternura, a doçura com que brindam aos que os rodeiam. Esses redescobriram o tesouro que guardavam dentro de si desde sua infância, fazendo-se partícipes dum paraíso que não se perdeu, e que haverá de continuar muito para lá do tempo... 

 
 
 
 
 
 
 
Cassetas do Planeta
 
Helena Armond
 

Considerando que alguns programas televisivos são terrorismo/exibicionismo há de se entender do estado de espírito vazio do "homem moderno normal".

Acredito quase impossível evitar que as gerações que se sucedem numa rapidez voraz venham a ser de indivíduos com valores de moral íntegra.

Tenho ... diria  certa repugnância pelas chamadas piadas, estes ridículos convites ao riso fácil feitas com  perversidade sempre ampliando vamos dizer... o "lado"... aleijado... doente e ou situações miseravelmente humanas dos fracos.

A desmoralização de certas figuras públicas que furtam ou roubam em prejuízo de cada cidadão nem é preciso cadeia ou outro castigo além da penalização: os escândalos em aberto e ao capricho da imprensa jornais e publicações congêneres que atingem seus filhos seus Pais e familiares.

Pode-se imaginar  a dor o horror destas exposições em família.

Que sejam devolvidos dinares e imóveis que de direito ao estado... sempre pela madrugada, quando os gatos ficam pardos...

Quanto aos planetários de plantão, o grotesco ao vivo e em cores, repito, o gosto é sim discutível.
 
 
 
 
 
 


O ESCRITOR
juçara medeiros lasmar

 
O escritor escreve sobre sentimentos, sobre o que lhe vem na alma. Amores se transformam em doces poemas. Paixão em poemas intensos com pitadas de luxúria. Tristezas... Quantos sonetos saíram das tristezas e saudades de um tempo perdido ou de um amor esquecido.

Tragédias dão belos contos. Mas também o escritor escreve ficção, aquilo que poderia ter acontecido, aquilo que ele sonhou. Já pensaram se o escritor precisasse viver tudo que escreve? A imaginação é um solo fértil que germina sementes apenas plantadas. A árvore cresce e dá flores e frutos num único parágrafo. O escritor pode se esconder nas tramas de suas idéias, pode viver seus personagens. Ter todos os amantes, matar todos os inimigos, torturar bem devagar aquele que tanto o incomoda...

O escritor pode tudo, pode até fingir que é Deus, só não pode fugir de si mesmo.

Belo Horizonte - MG - Brasil
 
 
 
 
 

 

 
FANTASIANDO  A  SAUDADE 
Francinete Azevedo 
 

 
Ontem ele veio ao meu encontro.

Lancei-me em seus braços, bebi sua alma, apossei-me dele completamente. Nossos corações pulsaram numa só cadência e selamos o beijo estimulante do desejo, entregando-nos à paixão avassaladora dos amantes.

Naquele ébrio momento, sufoquei a angústia e expulsei a saudade. Então pude vislumbrar pela janela aberta do meu quarto, a cirandarem pelo espaço, o amor e a felicidade.

Seduzida por esta visão extasiante, invoquei a esperança. Mas, tocou-me a razão. Levantei-me da cama. Era apenas, mais um sonho.

E de posse de mim mesma, desabafei o pranto.
 
 
 
 
 

 
Despertar
António Castel-Branco


Quando as nuvens se afastam do semblante
teu olhar ilumina a escuridão
vencendo esse fantasma: solidão!
e a vida transformando nesse instante.

Nos lábios um sorriso estonteante
reflectindo o fervor do coração
aquece, na ausência de paixão,
como gota de orvalho cintilante.

Desperta, deste modo, esse ser
para um tempo de amor e harmonia
caminhando, na luz, se assim quiser

Buscando a plenitude na baía
da emoção, da saudade e do prazer
vivendo passo a passo, dia a dia.

Sintra, 21/11/2009

 

 

 

 

Feliz Advento!

Amilton M. Monteiro


Bem mais que de repente a vida se transforma...
parece que ficamos todos mais felizes.
O proceder tacanho muda sua norma...
e a própria Natureza altera seus matizes.
 
As aves cantam mais! E há até bela reforma
em todos os jardins perto dos quais tu pises!
A caridade aumenta!  E ninguém se conforma
ver pobres... e os socorrem embaixo das marquises!
 
- O que anda acontecendo? Me pergunta alguém
que nunca ouviu dizer que existe vida além...
e jamais lhe mostraram a Verdadeira Luz.
 
Então, eu lhe repondo cheio de confiança:
o  mundo se prepara, amigo! É uma Criança
que vem pra nos salvar... e seu nome é Jesus!

 

 

 


TEU OLHAR
Benedita Azevedo

Teu olhar deixa-me afoita:
Essa ternura,
quando queres ser gentil
e a chispa de raiva
quando te surpreendo na aventura.
 
Eu conheço todas as modalidades:
Quando queres me agradar
e me convidas para sair,
para caminhar, ou apenas
para ver um pássaro  voar.
 
O olhar de angústia,
quando sentes dor,
ou aquele olhar dominado
pelo compadre, manipulador.
Se o gato come o teu pássaro,
esse olhar de piedade,
 pela criatura indefesa
que tu mesmo aprisionaste,
como  tua propriedade.
 
O olhar de dúvida,
quando não sabes
como resolver  um problema
e busca-me  inseguro.
O olhar de decepção quando
não consegues o que queres,
e busca apoio no meu olhar.
 
O olhar maroto e disfarçado,
no gingado de uma mulata
mesmo estando a meu lado.
A marca registrada do teu olhar
É que perscruta tudo
E nada deixas passar. 

Praia do Anil, Magé - RJ

 

 

 
ADEUS A MIM
Théo Drummond


Adeus à minha casa tão querida
que à sua paz há anos me entreguei.
Adeus à verde grama, à flor nascida
em profusão na terra em que as plantei.

Adeus mangueiras, festa colorida
das manhãs de que nunca esquecerei.
Adeus cachoeira gélida e escondida
que me banhava em noites que acordei.

Adeus às coisas todas que eu amava.
Aos latidos dos cães quando chegava,
adeus ao cheiro forte do jasmim.

Adeus aos beija-flores, às cigarras,
romperam-se, afinal, tantas amarras,
adeus tempo feliz, adeus a mim!

Rio de Janeiro, 23/10/2008

 
 
 

 
 
 

Pessoas são músicas
Heralda Víctor

 

Elas vibram com tamanha intensidade
Que entram na vida da gente e deixam sinais
Como a sonoridade do vento ao cair da tarde
Como o cantar dos pássaros ao amanhecer.
Com toda a magia de ser música
Traduzem melodia num olhar...
Pessoas são compostas para serem interpretadas
Ouvidas com sentimento e sensibilidade
Tocando a vida com a mesma intensidade
Do instante em que foram geradas.
Certas pessoas têm tanta musicalidade
Que não precisam dominar a batuta
Com maestria para orquestrar em harmonia.
 Elas sabem passear entre as claves musicalizando a vida...
 Num agradável tom vão para LÁ
Dão muito de SI
Têm bastante DÓ
Mas não ficam no RÉ
Compõe com o MI
Ensaiam num FÁ
Voltam com DÓ
Tornando o SOL
Um sustenido iluminado!
Pessoas, tal qual a boa música,
Não precisam necessariamente
Estar nas paradas de sucesso
Para sincronizar a emoção.
Com acordes em sintonia
Instrumentalizam tudo
Tocando corações com poesia,
Numa melodia de sonhos, entoando
Canções que deixam saudades...
 
Heralda Víctor, [In Nos degraus do Silêncio, p-44]
 
 
 
 
 
 
 
Mistérios Naturais
Tania Montandon
 

Singela é a manhã que me chega devagar
A luz crescente penetrando pelas brechas
Atinge-me o olhar num sonolento divagar
Semeia miúdas esperanças em cada aresta

Um dia novo e um velho sonhar
Encontro bizarro que caracteriza o mosaico vital
As peças nunca se encaixam e nem sabem se assemelhar
Porém coexistem no tempo e no espaço natural

Vida - grande enigma da natureza
Dispersa energia e incrível beleza
Quem um dia decifrá-lo poderia?

Some ao infinito o alcance da resposta
Pois sua busca é dolorosa e indisposta
Esse saber conhecido, que bem faria?



 

 
CADEIAS
Carmo Vasconcelos

 
Há cadeias ocultas que mais prendem
Do que correntes de aço em sua dureza,
Finos liames, grampos que não fendem
Nossa alma... Tal dos elos a leveza.
 
São subtis laços sem nós prepotentes,
Atados suaves sem linhas amargas,
Embrulhos de amor e paz oferentes,  
Soltos enlaces sem pesadas cargas.
 
Que sejam as amarras cordas de oiro,
Filigrana co’a força do marfim,
Consútil de um amor até ao fim...
 
E que o seu peso não seja o desdoiro,
Que leve um ser amado à insanidade,
Na angústia pela luz da liberdade!

Lisboa/Portugal
14/Abril/2009
 
 
 
 
 
 
Amor Gramatical
J. R. Cônsoli

 
Do teu amor fui objeto direto,
o verbo ter de tuas exigências,
quis ser preposição pra ser correto,
só consegui ser mesmo reticências.
 
Continuei co’ amor mais que perfeito,
pensando chegar salvo ao infinitivo,
sem me afastar um ponto, e desse jeito,
aprender como agir no imperativo.
 
Depois das reticências fui sinal,
passei por  trema, fui exclamação...
até bater-me a interrogação.
 
Meu verbo ser então ficou oculto,
o zeugma fez com que virasse um vulto,
e a história se acabou... ponto final!
 
 
 
 
 
 
 
Tua ausência
Lígia Antunes Leivas
 

Tua falta se agrega neste agora
e o vazio em mim vem de tua ausência
(... nenhum sentimento é abstrato!)

Entre o possível e o intocável
em silêncio vivo o sonho
(... tu inteiro dentro dele!...)
Tu... tuas faces...
distrações-sorrisos
alegorias dos dias
reflexões-cenho cerrado
(... elas falam...)
Todas dizem sobre ti, sobre nós...
e a bússola perde o rumo
na espiral de meu pensamento louco

Refeita da lágrima
ela volta ao Norte
(é lá que estás!...
e podes crer: meu sonho não é pouco!)

De concreto? ...tua ausência
marcada nas palavras pálidas
deste poema
(oscilante em seu próprio prumo)

... eterno dilema ...





MOSAICO
Luiz Poeta ( sbacem-rj ) - Luiz Gilberto de Barros

 
Tu me inventas no vazio do teu peito,
Com o teu jeito de sonhar com os pés no chão;
Quando acordas, tu nem mais sabes direito
De que lado fica o teu coração.
 
Tu me ajeitas no teu quadro sem moldura,
Com ternura, tentas reconstituir
Os momentos de amor, mas a loucura
Só te faz, estranhamente... desistir.
 
Num mosaico de emoções, tu me produzes,
Tuas luzes reprojetam meu desenho,
Na miragem do que vês, tu te seduzes,
Tu me tens  e eu... simplesmente... não te tenho.
 
Quando, então, percebes que não me criaste,
E me vês sumir  no ar que se evapora,
O anseio vão do amor que cativaste
Fica em ti... e a imagem... vai embora.
 
Estilhaças teu mosaico colorido
Sem sentido... e cada peça arremessada,
Surreal é como um pássaro ferido
Esquecido na poeira de uma estrada.
 
Tua lágrima escorre e a maquiagem
Se dissolve em tua face abandonada
Nos espelhos que só mostram tua imagem
Que te fita mas que não te diz... mais nada.

 

 

 

 
 
O BEM MAIS HUMANO
Joaquim Moncks

 
Temos tesouros nas mãos.
Entesourados na fé, no maramar
dos corpos ausentes.
 
Cuidado pra não cortar o coração.
Talvez tesouras e bisturis
pra fechar a boca ridente de alegrias!
 
Porque aos amigos o riso é largo.
Algo como quem se lambuza de mel
na alegria do reencontro.
 
Coração antigo: digital pousada
com fôlego de gato!
 
Deus sempre está vivo
no coração da saudade!
 
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2005/2009.
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/181740

 

 

 

 

 
PEQUENA ORAÇÃO PELA PAZ
Hermoclydes S. Franco

 

Paz na Terra aos homens bons
glória ao bom Deus nas alturas...
Soem, do amor, lindos sons,
no cantar das criaturas!

Paz na Terra e no Universo,
No oriente e no ocidente...
Paz em prosa, paz em verso,
Paz à luz do Onipotente!

Paz também, para as estrelas...
Que a inspiração do Senhor
nos permita sempre vê-las
como símbolos do amor!...

Paz na Terra aos homens justos
e até aos torturadores.
Aqueles - filhos augustos...
Estes - pobres sofredores...

... que a voz da própria consciência
já lhes grita, em estribilho:
- "O morto, por coincidência,
poderia ser seu filho!...

Paz e sol sobre as aldeias
de humildes trabalhadores...
Sem matança de baleias,
Paz, também, aos pescadores...

Paz aos pássaros nos ninhos
e às árvores da floresta...
Ao viandante nos caminhos
e às cachoeiras em festa...

Paz e amor em toda a Terra
- nas preces que o povo faz -
que, em vez de "bombas de guerra"
tenhamos "pombas da paz"...

Por São Francisco de Assis,
Senhor, concedei-nos paz!
E, em nosso lindo país,
a tortura - nunca mais!...



O poema foi elaborado no período dos chamados anos de chumbo, da ditadura no Brasil.
 

 


 
 
 
LÁGRIMAS
Raymundo de Salles Brasil

 
Como se fossem pérolas, saíam 
Lágrimas doloridas dos seus olhos
E pelas faces negras escorriam
Como se fossem rios lavando escolhos.
 
Trêmulos os seus lábios refletiam
A intensa dor contida em seus refolhos
Olhando as esperanças que se iam
Como se joio – requeimado aos molhos.
 
Todos os seus desejos e quimeras
Como se fossem lixo, eram jogados
Às garras dos abutres e das feras
 
E aqueles olhos tristes e humilhados,
Passadas tantas décadas e eras,
Ainda hoje os vejo marejados.
 
 

 
 
 
 
Soneto
(ou quase...)
Ridamar Batista

 
Todo poeta tem alma doente
de mal crônico tamanha dor
cruel e latente, indescritível
incompreendida dos comuns mortais
 
Que dor é esta que invade o peito
coração destemperado de cada poeta
inquieto e solitário em cada canto
clamando sempre pelos mesmos ais!
 
Assim sou eu, você sei lá quem mais
crianças, jovens, velhos, todos nós
neste triste mister de criar versos.
 
Sentindo a dor que ninguém explica
os loucos, embruxados, semi-vivos
neste sofrer profundo submersos...
 
 
 

 
 
Folhas de Outono
Priscila de Loureiro Coelho


Estação curiosa a do outono
Onde o tempo parece sossegar
Como se a natureza, tivesse sono
E fosse calmamente descansar

A beleza explode silenciosa
No clima suave e ameno
Nas claras manhãs esplendorosas
Que evaporam o que resta do sereno

Há um som peculiar nesta estação
Como delicada sinfonia
Tanta beleza arrebata o coração
Que me leva a escrever essa poesia

Outono...tempo de folhas caindo
A natureza troca sua roupagem
E eu me maravilho assistindo
Meu amor fazer parte da paisagem!
 
 
 
 
 
 

METAMORFOSE

Yeda Araujo Pereira
 

Deixei de ser lânguida lagarta
a deslizar nos galhos dos hibiscos.
 
Por um tempo...
Sou agora borboleta!
 
Sou alma livre
para voar... voar... voar
rumo ao infinito!
 
Descanso em cada flor pelos caminhos...
 
Retomo meu destino
a cada vez que abro asas coloridas...
 
Sigo o brilho do sol...
Passeio pelos jardins da vida...
Falo aos passarinhos, bem baixinho...
Ninguém me pode ouvir!
 
Encanto poetas sensitivos!
 
Poso para telas verdadeiras
expostas pela natureza...  por aí!
 
Sei que sou de efêmera existência
mas enquanto possa voar...
serei feliz!

 



 

 

Se eu soubesse...
Regina Bertoccelli
 

Se eu soubesse, não perderia o momento,
nem deixaria que a tarde se perdesse
nas cores do ocaso...

Banharia meus sonhos nas águas
cristalinas que refletiram a beleza
de seus olhos...

Deixaria que o rio levasse
em sua correnteza toda a amargura
que invadiu seu coração...

Se eu soubesse onde encontrá-lo,
faria de tudo pra reviver o amor
que ainda há em mim

Ah, se eu soubesse...

 

 

 
Um Tango Para Dois
Simone Borba Pinheiro

 

Você e eu, ninguém mais!
O salão parece vazio.
Corações acelerados,
ditam o ritmo da música,
envolvente, sensual, possessiva!
Olhos nos olhos, magnetizados!
Pés ágeis, deslizam autoritários.
Braços que se abraçam,
pernas que se enlaçam,
na magia do momento.
E, entre um tango e outro,
juras mudas, secretas,
de olhares que desnudam
e prometem o mundo.
Sequência de passos,
olhares e abraços
que congela o tempo
em fração de segundos e
se rende a sedução da dança,
enquanto a orquestra toca,

23 / 01 / 06
www.familiaborbapinheiro.com

 

 

 

 
A mulher da minha vida
Francis Raposo Ferreira


Só há uma mulher
Que me faz chorar,
E é só a essa mulher
Que eu quero amar.

É a mulher de cabelo negro
Que me parte o coração,
Por ela, não o nego,
Eu perco, até, a razão.

Essa mulher é a minha vida,
Nada mais me faz viver,
Não suportaria a sua partida.

Eu amo essa mulher,
Ela é todo o meu ser,
A mulher que meu coração quer.

 

 

 

 
TRIETO

Canção do Mar Azul!
Nídia Vargas Potsch



Águas claras, cristalinas, sedução, tormento,
 Envolvam-me nesta imensidão de prazer
Enquanto procuro a mágoa esquecer ...

Que surja do nada, novo alento,
Para que possa, em algum momento,
As dores do amor perdido, arrefecer ...

Mar, sensação de paz e tranquilidade.

Canção contínua, vai e vem de saudades ...


@Mensageir@
Rio, 10/11/2009

 





Canção do Mar Azul!
Roze Alves


Deixo que me leves ao porto que quiseres
Tens a experiência de saber o melhor cais
Não me deixes, se achares que naufragarei

Ouça a canção que de minhas entranhas sai
Canto para ti, meu curioso mestre indomável
Lanço-me em rotas, mas só chego se deixares

Embarcações, baús de sentimentos alheios.

Paraísos, nem em todos há calmaria ...

Amanhecer-M
RJ: 10/11/2009

 



Canção do Mar Azul!
Itana Goulart



Tão calmo seria o teu mar
Se nele ainda pudesse navegar
sem medo de naufragar...

Levantaste a âncora do amor,
Deixando o sentimento sem rumo...
Nas tormentas a deriva. fora de prumo...

Mar calmo, vida navegável...

Amores perdidos são ventanias...


RJ,14/11/2009.
PerfumedeMulher™

 


 

 

 

OUTRAS VIDAS
Gena Maria

 
Hipnotizada me vi em outras vidas
Em todas elas, estavas ao meu lado...
Como filho, irmão, pai ou amigo
Mas, a mais importante delas
Foi a que eras meu marido!
 
Éramos muito felizes e realizados
Em todos os sentidos, nos completávamos
Que lindo amor era o nosso, perfeito...
E como nada é perfeito na vida, te perdi
De uma maneira trágica, triste, pois
Fiquei viva para sofrer esta perda
 
Sem forças para continuar, também parti...
Por ironia, ou, sei lá o quê, não te encontrei
E procurei por ti em todo o paraíso...
Com imensa tristeza descobri que já havia
Partido para viver mais uma vida aqui...
 
Voltei depois de muito esperar...
Para reencontrar-te novamente e, em vão!
Depois de muito procurar, te vi...
Num belo dia por acaso...
 
Foi mágico este encontro...
Olhamo-nos e sentimos que os tempos
Não mudaram nada entre nós...
Amei-te novamente, em cada olhar,
Em cada palavra, em cada beijo e abraço...
O nosso eterno amor voltou a nos unir
Para nunca mais nos separar!
 
Hoje estamos juntos, como dois namorados...
Buscamo-nos em todas as vidas que vivemos...
E sei que continuaremos sempre apaixonados
Um grande amor não se perde...
Sempre haverá um novo recomeço
 
Marília – 18/11/09
10:50 Horas
 
 
 
 
 
 
EU NÃO SOU FELIZ SEM TI
Mário Rogério Feijó


O meu corpo abatido
Tem horas que te rejeita
E noutras te quer amar...
 
Sinto a tua falta
E quando estou junto a ti
Vejo estrelas
E flores que se abrem...
 
A minh’alma foi-se embora
Abandonou meu corpo
Mas muito cedo percebeu
Que não seria feliz sem ti... e voltou!
 
Mas do que me adianta ter alma
Ver-te todos os dias
Não poder te abraçar
E não ser por ti amado?

 


 
IDENTIDADE 
Hideraldo Montenegro


Que povo eu sou
que senta comigo no sofá
e que assiste a TV embasbacado?
 
Que povo eu sou
se não sou um
mas muitos nós?
 
Que povo eu sou
que vai à missa
e pede perdão e pede clemência
e salvação pelos erros
que cometem conosco comigo?
 
Que povo eu sou
incompleto e perdido?
Que povo eu sou
que vivo olhando
para o meu próprio umbigo
e não me encontro em mim
mesmo nos outros eus?
 
Que povo eu sou
se não sou eu?
 

 

 

 

A paixão e o poeta
Cibele  C. Teixeira


Quando a paixão se aproxima,
a voz do poeta cala.
Paixão real não dá rima,
só o sentimento fala.

A paixão não deixa espaço
pra coisa alguma, além dela.
Somos atados num laço
feito por nós, pra ela.

Por isso, meu caro amigo,
não duvide do que digo,
em mim, pode acreditar...

Quando há paixão presente,
a gente somente sente,
não se põe a poetar.
 
 

 

 
 CRIANÇA   É CRIANÇA
 Selene Antunes

 

Criança  é criança em qualquer lugar
E  tem direitos garantidos na CONSTITUIÇÃO
Precisamos  cuidar  orientar e respeitar
Sem  preconceitos  e  sem discriminação.

Afinal pra que DEUS nos deu  um coração
Não é para odiar e sim somente para amar
Se quisermos  seguir JESUS       
Devemos  a  tua palavra praticar.

CRIANÇAS DE DEUS E DE TODOS NÓS
Não deixem nunca nem dê confiança  jamais
 Para que qualquer pessoa corte os teus sonhos
E que tire tua liberdade  e  tuas esperanças.

Crianças sejam espertas e  sábias
Aprendam  a  respeitar o próximo com amor
E  a  vida neste mundo cão será mais suave
Só assim conquistarão  espaços e terão  valor.
 
 
 
 
 
 
 
Amor em Beijos
Roze Alves


Olhos fechados a saborear
São beijos que estou a te dar
Beijos simples, pequenos
Mas que aprendi a doar

Eles ainda são meninos
Por isso, puros, inocentes
Não são nada libertinos
Beijo-te num ato consciente

Ah! Beijo-te a qualquer hora
Na alegria ou na tristeza
Da noite até a aurora
Beijos amenos com certeza

Envio-te porque gostam,
Vão no vento, na pomba ou na luz.
Não estou pagando aposta
É que beijá-lo, me seduz ...

São beijos com sinceridade
Já que em versos posso falar
São dados com reciprocidade
Pois estou a te amar.

Amanhecer-M
RJ: 2009
 
 

 
 
 
Natal, Dia Especial!
Jussára C Godinho - Ju Virginiana
 
 
Neste Dia de Natal

Anunciemos um mundo sem mal
Repleto de esperanças
A todas as crianças

Neste Dia de Natal
Dia tão especial
Anunciemos a união
A todos, sem distinção

Neste Dia de Natal
Dia tão especial
Anunciemos a alegria
Nascendo em cada dia

Neste Dia de Natal
Dia tão especial
Anunciemos Paz e Felicidade
Num mundo sem maldade!
 
 
 
 
 

 

 

Arte topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

Resolução do Ecrã 1024 * 768

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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