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Recanto da Prosa & do Verso
Nº 03 Setembro /2007
Editor: Portal CEN - "Cá
Estamos Nós"
Edição, Formatação e Arte: Iara Melo
PARTICIPANTES:
Iara Melo
Dermeval Pereira Neves
Sandra Ravanini
Leda Terezinha
Nita Ferreira
Adelia
Mateus da Silva
Jorge Humberto
Lairton Trovão de Andrade
Pode digitar ou colar seu
trabalho literário, em prosa ou
verso
no endereço:
De: Iara Melo Para: "O MEU
JARDIM"
Saudades do Meu Jardim…
Iara Melo
Sinto o peito
Arfando, doendo, maltratando,
Instigando…
Angústia desvairada adentra
Peito afora
Sem piedade, sem dó de mim.
Saudade é o teu nome
Das terras distantes,
Berço dos meus encantos
Da relva que amacia-me
Âmago.
Saudades do cheiro da terra,
Do mar morno,
Das cachoeiras caudalosas
Das noites cintilantes,
das madrugadas afora...
Do verão sempiterno,
Do agreste dos meus dias.
Lembranças desordenadas
Invadem, contaminam,
Contagiam.
Olhos padecem
Escorrem-lhe lágrimas
Sem freios,
Desmesuradas.
Sinto o acabar das forças
Agonizando pensamentos.
Reflito agonizada
Em sofrimento
O que fazer distante
Do afago materno,
Do manso falar paterno,
Das margaridas floridas
Do meu jardim?
No jardim vazio
De minha alma
Esperança reacende,
renasce,
Confiança de um dia
Rever-te, voltar-te
Sorrir-te
Saudade, peço-te:
Devolve-me ao meu jardim.
Iara Melo
Ás: 13/09/2007 12:19:43

De: Dermeval Pereira Neves Para: PORTAL CEN
O QUE É UMA VIDA...
Dermeval Pereira Neves
A manhã estava fria e o céu ainda escuro, quando aquele menino iniciou sua
jornada.
Tudo a sua volta lhe era estranho e desconhecido. Aquelas árvores enormes,
grandes, imensas, que se erguiam para o alto, o mais alto, buscando o além,
faziam-no sentir-se fraco, pequenino e muito, muito só!...
O menino olhou para a extensão que se abria ante seus olhos e o caminho
escabroso. Foi então que sentiu medo e pela primeira vez, chorou!... Neste
instante, mãos carinhosas e suaves tomaram-no ao colo e enxugaram suas
lágrimas medrosas. Mãos fortes e amorosas que seguraram firmemente sua
frágil mãozinha e ajudaram-no a dar os primeiros passos na senda da vida...
Foi então que ele sentiu que não estava sozinho mas, que a seu lado, todo o
tempo seus dois amigos o estiveram observando para auxiliá-lo no momento
preciso. Seus dois companheiros, passo a passo, o acompanharam sorridentes
na jornada, abrindo-lhe os olhos para a beleza da vida...
Com eles, nesse dia, bem cedo ainda, seus joelhos dobraram-se, reverentes,
pela primeira vez, para conversar intimamente com aquele que rege o mundo da
vida. Foi nesses primeiros minutos em que, auxiliado pelos seus colegas, ele
aprendeu a doçura e a grandeza do amor! Havia tantas coisas para amar!
Tantos que ansiavam por amor! Tantos que desejavam ardentemente ver o seu
sorriso amoroso! Tantos... Tantas...
Os caminhos que se estendiam eram vários, mas seus amigos ajudaram-no a
escolher aquele que era o melhor. Quando por vezes ele tentava se desviar,
seus dois amados protetores o reconduziam de volta.
E, neste caminho, ele conheceu outros, muitos outros companheiros de
jornada. E vagarosamente o menino aprendeu a querer-lhes bem, a
estender-lhes as mãos após as caídas, a correr-lhes ao encontro quando
chamado insistentemente, enquanto que seus companheiros de sempre o seguiam,
sorrindo, porque ele já aprendera a amar e a servir.
Houve momentos em que, esquecidos de tudo, os três perdiam-se numa gostosa
brincadeira, onde só o grande Amor reinava. Havia também instantes em que os
caminhos tornavam-se difíceis, terríveis, com o sol causticante
queimando-lhes o corpo.
O menino sentia-se fraquejar, o sorriso desaparecia e o cansaço e a dor eram
imensos. Suas perninhas frágeis sofriam com a jornada, mas as mãos amigas
sempre estavam presentes para o impulsionamento de seguir para frente,
encorajando-o para o além...
As horas passavam céleres, horas aproveitadas no contemplamento das belezas
do mundo, instantes de tranquilidade, de paz, de alegria, de aprendizado, de
amor, de serviço... Horas de uma vida... únicas... aproveitadas ou perdidas
para sempre...
Mas, eis que o dia se finda, o sol outrora brilhante e radioso esconde-se,
fazendo baixar a calma e serena noite. Os três alcançaram a maior colina, a
mais alta...
Chega a hora da separação. Lentamente o menino desce, sozinho, o caminho
íngreme do outro lado... Seus olhinhos inquietos buscam o ideal, o amanhã...
Para trás seus dois velhos companheiros permanecem mudos, seguindo-o com o
olhar cheio de amor...
E enquanto seus olhares o acompanham, eles pensam no que aprenderam juntos,
e sabem que para a frente, além, muito além do que seus olhos podem
alcançar, estão vidas a sua espera, vidas frágeis e como a dele, no começo,
vidas tristes e desoladas, que não tiveram amigos tão leais como os seus
para as guiarem, vidas inúteis que não compreenderam ainda o seu valor e a
sua importância, vidas cansadas que necessitam de ajuda e que anseiam por
amor e carinho, vidas ainda expiradoras que o encorajarão através do
caminho...
Eles sabem que nem todos os dias serão serenos e alegres, mas estão certos
que além, do outro lado da noite escura e tempestuosa haverá luz a sua
espera, luz brilhante que emana da vida do passado.
Dermeval Pereira Neves
Texto escrito na cidade de Rio Claro-SP em 27 de maio de 1971
Ás: 13/09/2007 12:14:45

De: Sandra Ravanini Para: PORTAL
CEN
Hipocrisia
Sandra
Ravanini
* Dedicado ao Coronel
Ubiratan Guimarães (Carandirú/1992),
e às vítimas do atentado covarde deflagrado contra os
POLICIAIS, MILITARES E CIVIS, MUNICIPAIS E
CORPO DE BOMBEIROS, E AOS CIDADÃOS, COMO EU.
BASTA! ''Lex Talionis''
Agora que o medo alforria a
inglória nos covis,
na bandeira em luto aonde se desforram as sentenças,
da pena que eu não senti, enquanto em punho os fuzis
cantavam o hino sepulcro clamando as desavenças.
A fumaça negra de acordo com a crua sujidade
de vida, e das flores de domingo em campo minado
explodindo suma gênese missioneira de maldade.
Covardes! Morte e motim em mim, nada aos desgraçados.
Assassinos é o que são! Valei-me a Pena de Talião;
aglomerando as mentiras e semeando atrocidades,
enquanto os políticos assistiam o enterro da nação.
Eu cesso a oração! Rezo o código de Hamurabi.
Eis a escória condecorada nesse clã de negligentes,
se aos humanos dão o direito à vida no fio do corte,
sorve a navalha cruel escoando o sangue dos inocentes.
Protesto! O indulto que lhe devo é a pena de morte.
Sandra Ravanini
Ás: 13/09/2007 11:19:41

De: Leda
Terezinha Para: Portal CEN
Noite
Madrugada fria,
noite de solidão,
vozes veladas
tocam meu coração.
É meu amor
a compor uma poesia
de amor e carinho
dizendo: bom dia!
Ás: 11/09/2007 20:44:27
De: Nita
Ferreira Para: Portal Cen
Palavras esquecidas
No espaço
vagueiam sílabas
tanta palavra esquecida
largadas foram em voo
quando eram rima e poema
e agora de asa ferida
quero abraçar cada uma
juntá-las numa canção
mas frágeis
e moribundas
quase perderam a vida
e acenam-me que não
Nita Ferreira
Ás: 11/09/2007 11:1:22

De: Adelia
Mateus da Silva Para: Portal Cen
ENAMORADA POR VOCÊ
Adelia Mateus
Ah! este coração enamorado
que espera por você em cada dia
sente sua ausência em desejo
para dar sentido ao meu viver.
Vem meu amor!
traz a ternura da desejada felicidade
para unir nossos sonhos e desejos
gritantes neste amor feito paixão.
Sonho esperando a ternura da sua voz
que me brinda o amor, e leva a solidão
num encontro de lábios sorrindo...
para sermos namorados toda a vida.
Ás: 05/09/2007 17:33:40
De: Nita
Ferreira Para: Portal CEN
Olha os meus dedos
Olha os meus dedos
caídos
na ponta das minhas mãos
como débeis flores
já murchas
de um jardim abandonado
secando ao sol de Verão
e ao sincelo bravio
que pende agreste e frio
gélido
sobre meu coração
Olha os meus dedos
tão tristes
desligados, esquecidos
da palma da minha mão
deles já não brota
a luz
esfusiante da alvorada
e até a poesia
anda de mim arredia
qual triste moira encantada
Nita Ferreira
Ás: 04/09/2007 12:27:27

De: Jorge
Humberto Para: Portal CEN
Cântico Triunfal
I
Nada é mais injusto que a consciência humana. Ter-se ciência é,
muita das vezes, quando não sempre, o passo entre o sucesso ou a
tragédia. Temos junto de nós o conforto de quem nos ama, ele nos
conduz a nós próprios, porém teimamos em não vê-lo, e
persistimos, num egoísmo tão sóbrio quanto parcial, em sermos
sós, espécie em declínio, a necessitar de protecção. Dai-me só
um momento de fraqueza, um espasmo de solstício, e deixai-me
assim, nas sobras de mim, no âmago das cousas.
II
Raros não são os momentos em que, perdido nos meus pensamentos,
dou por mim esquecido, e já pertenço ao que fui buscar
lembrança, como quem se vê duplamente por fora e não reconhece o
que está a ver.
III
O homem é tanto maior quanto maior é o seu desamor às coisas, e
é por isso que o amor total é a perda deste em desfavor do
homem. (Plácidas palavras não renunciam a verdade dos factos,
são conseqüência de um passado algo distante, de acordo com um
presente marcadamente ausente.)
IV
“Amar perdidamente está para a loucura, como a loucura está para
o suicídio”
V
Conforta-me o pensamento de nunca precisar pensar em nada, para
além de um simples Instante, em que pensar é nada mais do que
isso.
VI
Hoje, acordei eufórico, não porque estivesse eufórico, ou algo
parecido, ou por semelhante coisa exterior a mim, mas porque não
o sabia dizer e sentia-o como que à flor da pele,
superficialmente como que num ranger de dentes e porque, abrindo
a janela de meu quarto, não reparei na flor, que agora guardo
pousada dentro dos meus olhos, rubros de um cansaço Inútil,
quase morno, quase febril, de a tudo se darem sem obrigação
nenhuma.
VII
Mas se falasse de amor diria que amo, e isso sem qualquer
equivoco ou retrocesso de espécie alguma, não se ama a ninguém
sem esperar desse alguém o melhor que há em nós, se a isso se
chama amor, então eu amo, como o melhor que há em mim, e está
tudo dito.
VIII
Vi nas águas paradas de um rio o meu reflexo, mas não eram meus
os olhos que das águas olhavam pra mim, como numa imagem
sonâmbula de si mesma, eram doutro que não estava ali, e
esqueceu de levar o pensamento atrás de si.
“Águas deste mar a que me conduzo sem razão, meu ser é perdido e
tão pequenino, quem lá fosse achar-lhe sentido – ó mar! –,
pequenino seria e seria assim...”
IX
Que todo o homem é profano, que todo o homem é omisso, que não
cuida quem cuida, cuidar-se bem (a si como ao outro), vazios de
alma que são de hoje e de sempre, alimento de uma sociedade
desequilibrada emocionalmente, quem dera inda assim o tempo das
luzes, aonde descobrir era o segredo que ia nas asas do vento e
o próprio vento todas essas coisas em segredo.
X
Carros! Máquinas! Barcos! Comboios, de alta velocidade! Ah, quem
dera, tudo isso, nas veias! Rasgando-me, uma e outra vez!
Cuspindo-me longe, de encontro os muros! No focinho da palavra!
Como quem grita desesperadamente! E ter todas as mães sem ter
filhos e todas as mulheres que são viúvas escutando o meu grito,
de olhos fechados.
Calculadoras! Computadores! Altas engrenagens! Fornos e
geradores! Cabos, de alta Tensão! Televisão! Foto-montagem!
Ultravioletas! Passarelas de néon! E o mais que haja! E o mais
que haja! Quero tudo isso na carne! Violando-me os sentidos,
perversamente acordados.
Hip-la-ô!!! Hip-la-ô!!!... ser eu todas essas mulheres que são
mães, que não têm seus filhos por perto, e todas essas mulheres
que são viúvas, de olhos fechados.
XI
Sou uma espécie de vagabundo compulsivo, mas com coração ou, se
quiserem, consciência, o que é um óbice para quem quer mudar o
mundo. Como sou egoísta o bastante para não precisar de ninguém,
para querer nada, e nas sobras do ego o romantismo é um
eufemismo, com que me divido, entre um e o outro, nos raros dias
em que a paz é sustento de mim e se prazenteia na consumação do
delírio inicial.
XII
Trago uma criança pela mão. Ela é pura, de olhos limpos. Sua
pureza incomoda e frustra o comodismo. Mas a criança que trago
junto a mim é pura e não entende a linguagem dos homens. Por
isso segue sorrindo e cantando e os homens não a entendem e ela
sorri. A criança que trago pela mão gosta de se divertir e de
não pensar em nada. E sorri e canta e ama e brinca com os gatos
e ouve música clássica e lê e escreve, escreve muito, diz ela
que talvez assim a percebam melhor porque sorri quando não a
entendem. A criança que trago junto a mim é pura e vê com os
olhos do coração.
XIII
Vagamente absorto, vagam por mim vagarosamente águas plácidas de
meu ser, que, de absoluto, vagueia, qual irreal conceito do
outro, que fizesse de mim um ser duplo, uma e outra vez
incessantemente.
XIV
O menino, que dorme à noite sozinho, pede a deus pelos seus
amigos. Mas ele não sabe rezar, o pobrezinho, e ali fica, joelho
no chão, olhar posto no travesseiro, uma com a outra, as mãos.
Que reza eu não sei, mas isso que importa, se tudo o que ele
diz, di-lo baixinho e a ninguém incomoda. Dorme, menino, dorme
em paz, e que o teu jardim seja sempre o mais florido, e, o que
lá puseres, o eterno amanhecer. Dorme menino, não regresses ao
corpo e descansa em paz.
XV
Tu que passas por aqui e trazes a sabedoria contigo, se vais e
passas e levas a sabedoria contigo, não passas nem levas nem
trazes sabedoria nenhuma.
XVI
Quão frágil o pensamento, quão previsível o seu estudo, só a
Natureza tem filosofia.
XVII
O homem é um animal de hábitos que, não sabendo gerir os seus
impulsos, viu-se na iminência de se auto-destruir, como forma
única e viável para a sua sobrevivência.
Ah, quanta metafísica, há nisto tudo, e nenhuma metafísica!
XVIII
Já repararam na beleza de quando uma palavra é livre, sem pedir
meças nem perdões?
Assim é a minha poesia: letra sem freio, que vai de encontro aos
muros da desgraça, que não cala nem fantasia mais do que é
possível à fantasia, desdenhando de todos os críticos bastardos,
que não sabem o que é um poema, parido do mais alto do poeta.
Ah, preferia rasgar todos eles, rasgar todos os meus poemas, a
escutar um único crítico, negro corvo de uma nova inquisição,
masturbador passivo, que mais não faz do que repetir-se uma e
outra vez, na clausura da sua deformidade intelectual. Hurra!
Hurra! O poema, Zzzzzzzzz-t! Zzzzzzzzz-t-t-t! E é pau! Pedra!
Gaze! Lilás! Talvez! Às vezes! Cisma! Delírio! Fome! Que te
consome! Hurra! Hurra! Hip-la-ô! Água! Gavinha! Colibri! Asa!
Pássaro! Avião! Astronauta! Argonauta! Pirata! Caravela! Vento!
A barlavento! Ah, quanta poesia, cabe em tudo isso, sem precisar
de rima nem verso! Eh-lá-ó! Eh-lá-ó!... E assim sigo esta minha
estrada, ora criança, amando e sendo amado, ora homem, amando e
sendo odiado, mas vertical e sem arrependimentos.
XIX
Fecham-se as portas, atrás de mim, desço o corredor, do mais
amplo de meu ser. Aqui me encontro com o que, sem pensar, penso
que há em mim. E quando a alma se agiganta nada perece, tudo se
transforma: E eu já só sou aquele que todos querem e o que todos
invejam.
XX
Não me conheço mais do que saber-me sentido, e, por isso, sou o
perfeito desatino, com que me confundo e recomeço.
XXI
Alma sobreposta a outra alma, não faz uma alma maior, a cada
alma a alma que couber. Mas mi alma é muitas e não quer saber de
nomes, só que é alma e que tem muitas almas dentro de si. Por
isso é que eu nunca sei se vou ou se fico, quanto alinho há em
mim, quando é nas sombras que deposito o ser-me assim. Mas e a
vida que não espera, a semente quando tarda? Ah, quanto de mim,
há em ti, tu, que me lês?!...
XXII
Hip-la-ô! Hip-la-ô! O poema! O fonema? O teorema? Uma flor de
açucena! Hip-hip!! Hurra!!!... Hip-hip!! Hurra!!!...
Chiiiiiiiiiiii! Pffffffff-tu-tu-tu-tu...!!! Próximo apeadeiro,
Tabaqueira, é favor de recolher a sua cabeça para dentro, o
comboio parte dentro de... agora mesmo... PiUiiiiiiiiii....
Pouca-Terra! Pouca-Terra! Adeus! Adeus! A deus! O que é dos
homens?
Jorge Humberto
18/04/05
Ás: 02/09/2007 20:10:40

De: Nita Ferreira Para: Portal CEN
Aço
Já vi das palavras o gume de aço
Querendo abrir brechas em muralhas
Pobre intento, desgarrado, escasso
Fazer guerras p'ra grangear medalhas
Já vi tinta escorrida de ausências
E indigna postura em maré cheia
O despeito a cobiçar excelências
No brilho fluorescente da ideia
Que o esboço cresceu, fez-se saber
O brilho ténue fez-se certeza e querer
Resistindo às pragas arremessadas
A coragem, força e amor profundo
Sobrevoam roeres, veneno imundo
Fazem-se força em novas escaladas
Nita Ferreira
Ás: 02/09/2007 19:29:36
De: Jorge Humberto Para: Portal CEN
O HOMEM DAS MIL CARAS
Olhar lânguido, passo comprometido,
Mãos vazias de si, ostentando rude
E sisuda silhueta, vai o homem tido
Como suporte, deste néscio talude.
O sol não lhe delineia a sombra fraca,
Passageiro de muitas estradas e pó,
Incólume devaneio, a si se maltrata,
Vagueando por este mundo sempre só.
Ah, mas se o amor viesse, sem ruído,
Acenando-lhe ao longe um sorriso,
Quem sabe ele não fosse tão contido.
E perdoando-se a si mesmo o alheio,
Todo o sofrimento então indeciso,
Teria agora onde levantar seu esteio.
Jorge Humberto
02/09/07
Ás: 02/09/2007 19:14:49
De: Adelia Mateus Para: Portal CEN
Cíúme
Adelia Mateus
Por que ter ciúme quando se ama,
se o amor é vida,
é emoção...
Ciúme é sentimento inútil,
que não leva a lugar algum,
não torna ninguém fiel a você...
Ame a você primeiro...
Porque...
Amar é ter felicidade,
é dividir prazeres...
É sentir o pulsar dos corações...
É ter confiança, sem aprisionar...
Tranquemos a porta do ciúme...
Porque...
A vida é bela...
E viva para amar e ser amado.
Março /2007
Ás: 02/09/2007 12:36:4

De: Jorge Humberto Para: Portal CEN
À CLASSE OPERÁRIA
Nesta vida de sacrifícios e de muita luta,
Foi que o homem perdeu todo o seu sentido…
De que lhe vale pois a velha e digna labuta,
Se anda neste mundo como que perdido?
Tudo agora é mecanizado e infecundo,
Já não cabe aqui o robusto trabalhador…
E é por isso que mui mal vai este mundo,
À custa do pouco escrupuloso opressor.
Escritórios como olhos vazios de bustos,
Proliferam por todo o lado – e seus patrões,
Mais preocupados com os elevados custos,
Do que com os desgraçados corações,
Das gentes que trabalharam uma vida inteira,
Para ter o futuro assegurado na sua velhice.
Mas o que vai à frente, tomando dianteira,
É toda esta nova e poderosíssima canalhice.
Ah, que eu morra aqui por ti, ó desventurado,
Pois só isso fará sentido de agora em diante!
Trabalha e luta, conforme o bem estipulado –
A todos o régio direito de trabalhar doravante.
Jorge Humberto
31/08/07
Ás: 31/08/2007 19:36:31

De: Lairton Trovão de Andrade Para: Amigos do CEN
PÁTRIA DESPEDAÇADA
Não ouço o rufar dos tambores, Brasil !
Já não brilha mais o "Sete de Setembro"!
Crianças não marcham sob o céu de anil,
Só restam saudades daquele bom tempo.
Adeus bandeirinhas - adeus bandeirolas!
Calaram-se bumbos - calou-se o mancebo;
Não há mais repiques - morreram escolas!
Adeus, alegria - adeus, pau-de-sebo!
Nenhuma palavra de sério civismo,
Não se considera a Terra, onde nascemos,
Tudo é muito triste! Faliu o patriotismo!
E, por essa Pátria, não mais morreremos.
Pelo que não se ama, jamais alguém morre,
A falta de amor traz a destruição;
A Pátria agoniza e ninguém a socorre,
Grande onda, agora, é mesmo a corrupção.
Ás: 31/08/2007 11:33:13
De: Nita Ferreira Para: Portal Cen
Agosto
Vai sereno caindo o mês de Agosto
Outro Agosto em tantos já vividos
E eu sentindo a magia do sol posto
Reavivar-me sentires adormecidos
Vai caindo Agosto e eu escrevo
Doces lágrimas, saudades que bebo
Num silêncio profundo, devagar
Não vá o calor de Agosto acordar
Vai caindo em mim sem fazer alarde
O teu gosto naquele Agosto já tarde
Quando sol já rumava ao horizonte
E as tuas mãos em mim a passear
Eram carícia fresca a encantar
Frescura assim, só bebida da fonte
Nita Ferreira
Ás: 31/08/2007 10:35:12
De: Nita Ferreira Para: Portal Cen
Noite
Já vai descendo a noite nas palavras
Nelas vertendo as sombras derradeiras
E os sonhos pelas penedias bravas
Desmantelam as rimas feiticeiras
Já um silêncio sepulcral perpassa
O coração das palavras e as cala
Como ao canto da ave que esvoaça
No vento enganador que não a embala
Mas a noite, ninfa perene e bela
Sob o seu véu que é sempre uma janela
Que se abre ao futuro amanhecer
Implora à lua, sensata companheira
Já grisalha e tão sábia conselheira
Não deixe as palavras... emudecer
Nita Ferreira
Ás: 31/08/2007 10:25:19
De: Adelia Mateus Para: PORTAL CEN
LEMBRANÇAS DE UM PASSADO...
Adelia Mateus
Com o passar do tempo
Das experiências vividas...
As palavras soam naturalmente
Como simples recordações!
Tempo em que o olhar as estrelas
Tinha o brilho dos teus olhos!
Um amor eterno, vibrante...
Que foi construído em ninho de amor...
Ficaram as vagas lembranças,
Tristes recordações do que não foi realizado...
Divagando em pensamentos...
O que deixou escapar!
Hoje envolta num desejo imenso...
De voltar a olhar as estrelas...
Para encontrar o verdadeiro brilho...
De um passado que nunca existiu!

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