Recanto da Prosa & do Verso
 
Nº 04 Outubro /2007
 
Editor: Portal CEN - "Cá Estamos Nós"
 
Edição, Formatação e Arte: Iara Melo
 
 
PARTICIPANTES:
 
Sandra Ravanini
Jorge Humberto
Sueli do Espírito Santo
 Célia Lamounier
Cel (Cecília Carvalho)
Marineusa Santana
Benedita Azevedo
Silvino Potêncio
Pinhal Dias
Leda Terezinha
 
 
 
 
 
 
 
Pode digitar ou colar seu trabalho literário, em prosa ou verso
no endereço:
 
 
 
 
 
De: Sandra Ravanini Para: Portal CEN

ÓPIO RETICENTE

SANDRA RAVANINI


A janela abre a marca da solidão que me acompanha
e não há mistérios nem dragões guerreando nos luares,
nem mais infância remendando belos sonhos nos teares,
restando somente o bronze da fuligem que me banha.

Aberta à neblina entorpecida, este ópio reticente
vai banhando a lembrança duma doutrina sem espera,
profetizando amanhãs igual ao ontem se ora revela
a estátua empoeirada rindo à ceguidade que me vence.

E na vidraça reflete um sol vermelhecendo a lanha,
escarnecendo do tear infante enquanto a agulha insulta
a costura da imagem no espelho retalhado em culpa,
desfilando para a janela a derrota que me ganha.

A janela fecha o trecho e a sina desfiada emaranha
descortinando a vida em farrapos chorando no varal,
a desbotada gota escoando o que restou do festival
e da fantasia destruída na lembrança que me arranha.

17/09/2007

19H55

Ás: 30/09/2007 18:25:12
 
 

 

De: Jorge Humberto Para: Portal CEN

QUE AS PENAS FIQUEM COMIGO!


Meu amor, já não suporto mais, ver-te
Sofrer, como só tu tens sofrido!
E encontrar a palavra certa, para dizer-te,
Que essas dores têm algum sentido.

Que as tuas penas calassem em mim,
E tua face apresentasse a robustez da saúde!
Então, sem sofrimento, eu seria feliz, assim,
Sofrendo tuas dores amiúde.

Deixa que eu sofra por ti, toda essa condolência,
Que sejam minhas as mágoas,
Que eu sofrerei por ti, a tua frágil vivência!

Ai, amor, quem dera, fosses em mim, tua dor,
E que todo este silêncio sofrido fossem as águas,
Que livres corressem, em todo o seu esplendor!

Jorge Humberto
28/09/07

Ás: 28/09/2007 12:12:13
 

 
 
 
 
De: Sueli do Espírito Santo Para: Portal CEN

CARÍCIA DAS FLORES



Na noite, encantanda pela lua
em leitos de pétalas de jasmim
no aconchego do nosso jardim
serás meu e eu serei tua

E na madrugada, sem pudores
assim movidos pela paixão
com os corpos rolando pelo chão
no ar os mais doces odores

Sussurando palavras de amor
amando-nos com toda ternura
sentindo um clima de doçura
acariciando-nos com uma flor
Ás: 22/09/2007 14:20:23
 
 

 

 
De: Jorge Humberto Para: Portal CEN

RUANDA NUNCA MAIS


Corpos mutilados, à força da catana;
Membros decepados e cotos cuidados
À pressa, que já lá vem o sacana,
De arma na mão e olhos enviesados;

Mais a milícia e toda a sua propaganda,
Arrastando velhos, destrambelhados;
Mulheres violadas, de seu nome, Ruanda,
Com os filhos ao colo – degolados;

Corpos enforcados, entornados no chão;
Assassínio em massa, na cidadela;
Crianças chorando por um pouco de pão;

Poder-se-ia chamar, Kafur, a esta aldeia,
Tal o protagonismo que tomou conta dela,
Mas foge de mim toda e qualquer ideia.


Jorge Humberto
21/09/07
Ás: 22/09/2007 12:16:50
 
 
 
 
 
De: Célia Lamounier de Araújo Para: CEN

P E N S A M E N T O
Célia Lamounier de Araújo


A caneta na mão que já espera
uma frase num raio surgir
é o início que a mente quisera
de uma idéia feliz produzir.

Pensamento, o que é pensamento?
É um raio a nascer e a sumir
Mas o homem, se perde o momento,
perde tudo e nem sabe sorrir.

Vida nossa, tão grande surpresa,
de mistérios é feito o porvir
e o alimento que chega na mesa
vez por outra, não pode engolir.

É que a vida nem sempre é de rosa
tem espinhos também, prevenir
nunca é cedo na hora gostosa
pois virá breve hora – a de partir.

Pensamento, o que é pensamento?
Se é alma da mente a lhe colorir,
e sem ele?... A vida da gente
bruscamente vai se diluir.

Ás: 19/09/2007 17:59:28
 

 
 
 
De: Jorge Humberto Para: Portal CEN

SEM TEU AMOR


Quando não estás fica em mim tal solidão,
Que não tem nome que se lhe diga,
É como uma chaga aberta no meu coração,
Ou como a vertigem dolente de uma f´rida.

Tento colmatar tua ausência com a poesia,
Mas as palavras tornam-se incoerentes,
E eu anseio de coração que venha o dia,
Para juntos vivermos os nossos repentes,

Entregues à paixão dúctil e desenfreada,
Que só dois corações apaixonados
Podem vivenciar, na noite mais calada.

Onde estás tu, meu amor, que não te vejo?
Porque ruas e ruelas nos desencontramos,
Que, pensar em ti, é tudo o que prevejo?

Jorge Humberto
16/09/07

Ás: 16/09/2007 19:22:45

 
 
 
 

De: Cel (Cecília Carvalho) Para:

Labirintos da minha alma
by Cel

Estado mórbido da alma
não retruca, sequer fala, parece demente,
me deixa com cara de boba,
cegueira tola de quem não quer ver,
mudez insana que cala um grito
retido no peito ...
Vida sem vida, morta viva
sequer se importa,
passam os dias, passa o tempo, relento ...
Lá fora, um outro mundo,
eu não me importo, não quero ver,
cá eu me tranco, fecho meu pranto
nada a ver ...
Se sinto frio, eu me encolho, recolho,
me abraço entre meus braços e me aqueço do medo
que bate em minha porta vazia
sem ecos, espaço, nada ...
É tarde, basto-me,
preciso ir ...

*** Labirintos da Alma ***
Cel (Cecília Carvalho)

Ás: 16/09/2007 16:8:29


 
 
 
 

De: Marineusa Santana Para: Portal CEN


Exaltação da Santa Cruz


A cruz que era castigo
E uma grande maldição
Tornou-se sinal de amor
Par todo e qualquer cristão


Ela é hoje o símbolo
Da entrega por amor
Do Deus que se fez homem
E é nosso salvador


À triste morte de cruz
Jesus foi condenado
Apesar de ser a luz
Foi morto injustiçado

Mesmo crucificado
Soube aos carrascos amar
Intercedeu junto ao Pai
A todos quis perdoar

Do alto do madeiro
Onde estava pregado
Jesus pagou o resgate
Por o homem ter pecado

De livre e espontânea vontade
Deu a vida por amor
Reabriu a porta do céu
Quando se fez Salvador

Louvemos a Santa Cruz
Sinal da remissão
Tenhamos por ela amor
Do fundo do coração.

Ás: 14/09/2007 20:57:54
 
 
 
 
 

De: Jorge Humberto Para: Portal CEN

SÓ SEI QUE ALGUMA COISA SEI


Há, em mim, toda uma postura,
Desconcertante,
Que, durante,
A minha investida,
Revela em mim toda a altura,
Com que me fiz homem aqui,
De principio, meio e fim.

Para alguns sou indiferente,
Pois que não vou em conversas,
Ditas e relidas às avessas…
Minha poesia fala por mim,
E, se sou diferente,
É só o meu génio a manifestar-se,
Como devido comportar-se.

Inveja de muitos, neste mundo,
Do mais vale parecer-se,
Do que ser-se,
Sigo meu caminho sem algoz,
Neste panfleto infecundo,
Onde o que vale é a soberba
E um bom partido de esquerda.

Contrário a todas as religiões,
Acredito, sim, no homem,
Que muitos consomem,
Como coisa sua…
Ah, que resistam os corações,
E que eles saibam lutar,
Sem armas com que matar!

Afinal não sou só mais um,
Que a tudo diz que sim,
Para parecer melhor, enfim,
Quando não se quer mexer,
No estabelecido jejum
Que nos querem impor,
Sem qualquer pundonor.

Jorge Humberto
13/09/07

Ás: 14/09/2007 14:44:57

 
 


 
 

De: Benedita Azevedo Para: Recanto da Prosa e verso

Teu retrato

Em frente ao teu retrato jovem, belo,
chegado há pouco tempo nesta terra,
cheio de sonhos bons, encontra a guerra
pela sobrevivência, e busca um elo.

O sorriso confiante nela encerra,
uma esperança no porvir, no anelo
inquietante buscavas sem libelo,
o apoio certo, então sobes a serra.

Desiludido já não ris, na foto
da carteira social, anos depois.
Sério, parece preocupado e noto,

que não foi tão feliz a decisão
de deixares a amada terra, pois,
choravas de saudade à volição.

Praia do Anil, 25 / 08 / 2007
Benedita Azevedo


Ás: 14/09/2007 11:7:12
 


 

 
De: Silvino Potêncio Para: Todos

Amigos!... Leitores, Escritores, Doutores, Instrutores, Prosadores, Poema
dores de parto da literatura lusófona não cafona...
Na minha tentativa anterior de pregar aqui no portal a minha prosa de hoje
eu me esqueci do prego e do martelo.
Preguei o meu poema com cuspo e depois que secou o raio do papelucho caiu e
voou para longe!!!!
Aí pensei em reescrever um resumo do "E Tudo O vento Lubou" mas esqueci o
roteiro!,... o tal do "script".
Aatão lá vai!

>>> quando eu era piquinino,
Na aldeia onde eu nasci.
Deram-me o nome Silvino que eu usei... até que cresci!

>>> Agora que já sou grande,
Porém um ilustre desconhecido,
Eu queria ter um nome pelo muito que eu já vivi!

>>> Escrevo versos e prosas,
Em busca de uma quimera.
A forma do renascer lá na frente!... em outra era!

>>> Quadras soltas ao vento,
À chuva e ao temporal.
As deixo enrustecer neste amor a Portugal.

Ás: 14/09/2007 8:30:46

 
 

 

De: Pinhal Dias Para: Portal Cen


Um fogo diferente, mas ardente


Este Pinhal é fogo
...um fogo diferente, mas ardente.

Porém...este Pinhal lamenta o que está sentindo
Vendo os pinheiros que foram ardidos,
As suas pinhas ficaram carbonizadas
Os pinhões...cremados...já sem vida,
Entristecendo a sua história...sem lenda.
Assim foi predito e assinado p'lo Rei
...um destacado por sua oferenda
Elegendo a sua Rainha
Com um fogo diferente, mas ardente
Em seu novo Pinhal
Ele será o oposto do fogo posto
...esse fogo que arde e consome,
Restando as cinzas do fingimento
...por falta de amor.
Deixando por lei ao seu ditado…

Este Pinhal é fogo
...um fogo diferente, mas ardente
...ardente no seu Amor!


Pinhal Dias - Amora - Portugal

Ás: 13/09/2007 22:43:43
 


 

 
De: Leda Terezinha Para: Portal CEN
 

Sonho
Amor meu, vem comigo,
viver, amar e sonhar,
no barco da fantasia
vamos os dois navegar.

Chegando à praia do amor,
a gente deve parar
e no calor dos abraços
a felicidade encontrar.

Peçamos carona ao vento
para às estrelas chegar
e neste mundo de sonhos
jure jamais me deixar.

Vaguemos pelo infinito
ouvindo a sinfonia
de anjos à luz do crepúsculo
cantando a Ave Maria.
 

Leda Terezinha
Pinhalão, 13 de setembro de 2007

Ás: 13/09/2007 19:39:54
 


 
 

De: Leda Terezinha Para: CEN

Eu e Você
No sol me espelho,
na lua me vejo,
e uma estrela que brlha
transmite desejo.

A flor que exala
na noite o odor...
Perfume de flores,
suspiros de amor.

Sou lua atrevida
e estrela fogosa,
sou néctar de flores,
perfume de rosa.

Tu és qual orvalho
regando esta flor.
Tu és o meu sol,
minha fonte de amor.
 

Pinhalão, 13 de setembro de 2007.

Ás: 13/09/2007 19:17:17
 
 


 
 
 

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