¨Canto Encanto Prosa e Verso¨

    
Nº02 Outubro de 2007
 
Editora: Regina Romeiro

 

 

 

 

Formatação e Arte: Iara Melo

 

 

 

 

 

Poesia


Regina Romeiro


 
A poesia acontece em minha vida
Sem que eu saiba
De onde vem ou como chega
Impregna-se na minha alma
Consola-me, desmorona-me
Percorre caminhos desconhecidos,
Mas também faz com que
Eu me recolha nos silêncios e quando a olho
É meu espelho
 

 

 

 

 

 

Prezados leitores, cá estamos nós dando seguimento ao nosso intento de fazer desse recanto do Portal CEN um canto de encanto. Para o mês de outubro fomos colher textos encantadores de autoria de professores, trata-se de uma pequena homenagem, pois estamos no mês em que é comemorado o "dia do professor" tanto no Brasil quanto em Portugal.
Lembramos ainda que no mês de outubro no Brasil  é também comemorado especificamente no dia 12,  o dia da criança, data que coincide com o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, fomos desta forma colher também encantadores textos relativos aos temas. 
Teremos na primeira seção entrevista com um  poeta e prosador a convite da editora da revista e publicação de uma crônica  do mesmo.
A segunda seção será dedicada à publicação de uma encantadora  prosa poética de autoria de convidada da editora. 
A terceira seção será dedicada à publicação de poemas de autores convidados da editora .
A quarta seção constará de uma crônica de autoria de convidada da editora, também professora.
 
Para envio de prosas poéticas, poemas e demais assuntos relacionados a Canto Encanto prosa e verso – CEN – solicitamos a gentileza do uso exclusivo do e-mail
romeiroregina@uol.com.br


 
 

 

 

 

 

 Primeira seção


 


 

Raimundo Antonio Souza Lopes
 


 
Para ser o entrevistado  da Revista Canto Encanto prosa e verso CEN – outubro - convidamos o professor Raimundo Antonio Souza Lopes que é  carinhosamente chamado pelos amigos de Raí; os leitores certamente ficarão encantados em conhecê-lo e aprenderão, assim como a Editora, a admirar a pessoa de Raí, como professor e como escritor que é.
O texto escolhido pela editora para a publicação na Canto Encanto de autoria de Raí bem nos demonstra a qualidade profissional brilhante como professor e como cronista.
 
CEN Raí, por gentileza, pode nos contar onde nasceu e em que cidade vive atualmente?
Raí: Nasci numa localidade chamada Acauã,  município de Ipanguaçu (na época), hoje município de Itajá, aqui no Rio Grande do Norte. Porém, fui registrado como tendo nascido na cidade de Mossoró/RN, registro feito por um tio legítimo que me adotou e me fez filho. Hoje eu vivo e desenvolvo minhas atividades na mesma cidade ao qual fui registrado.
 
CEN Gostaríamos que nos falasse um pouco da cidade que vive para que possamos conhecer um pouco desse pedaço do Brasil que o acolhe e que você bem sabe representar. 
Raí:  A história de Mossoró está recheada de momentos importantes, dos quais podemos destacar: Abolição dos Escravos em 1883 (05 anos antes da Lei Áurea), O Motim das Mulheres em 1875, O Primeiro Voto Feminino (de Celina Guimarães em 1928), A resistência ao Bando de Lampião em 1927. Considerada a maior produtora de sal do Brasil, é também a maior produtora de petróleo em terra do Brasil, hoje tem uma população de 214.000 habitantes (censo de 2000) e sua economia é baseada no ouro negro (petróleo), no ouro branco (sal) e na fruticultura irrigada (um dos filões de exportação) e o melão é o seu carro chefe (o maior produtor do mundo). Na área do turismo, se destaca pelas suas águas termais e a praia de Tibau, considerada uma das mais bonitas do mundo. Na cultura, cinco grandes eventos movimentam a cidade, são eles: Cidade Junina, Festa do Bode, Terra da Liberdade e Festa de Santa Luzia. A festa de Santa Luzia, é o principal evento religioso, comemorado no dia 13 de dezembro e atrai para Mossoró, romeiros de todos os cantos do Brasil, que vem para pedir bênçãos e pagar suas promessas, duplicando a população da mesma. 
 
CEN Pode nos contar em poucas palavras as funções e profissões que exerceu em sua vida antes de se tornar professor? 
Raí: Um pouco de tudo: Fui cabo do exército, jogador de futebol (não era um dos melhores, confesso), caminhoneiro, coordenador de esportes amadores (Esporte Clube Sírio/ SP), chefe de departamento pessoal de uma construtora, Bancário e, finalmente, Professor desde 1993. 
 
CEN Gostaríamos de saber sua formação  e atuação profissional atual e as que estão sendo elaboradas.
Raí: Minha formação acadêmica é em Matemática e História. Curso atualmente o quarto período de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo e sou pós-graduado em psicopedagogia e mídias na educação. Exerço a profissão de professor na rede estadual de ensino e tenho como meta, um doutorado na área de história antiga.
 
CEN Pode nos revelar algo sobre seu pensar a respeito da inclusão social no Brasil assim como sua participação na melhoria do ensino no país? 
Raí: Vejo com muita preocupação o rumo que o ensino no Brasil está tomando, pois os estudos para sua melhoria são tomados de cima para baixo e contemplam experiências feitas em grandes centros, em detrimento de uma realidade assustadora do ensino praticado nas cidades de pequeno portes e encravadas nas regiões norte e nordeste, onde a falta de recursos (humanos e físicos) são declaradamente as causas de um bom aproveitamento por parte dos alunos. Por outro lado, a própria questão social, onde prolifera a desigualdade traz uma outra nuance na realidade, pois tenho visto escolas onde o acesso as novas tecnologias ainda não se fizeram - nem para o aluno, nem para o corpo docente da instituição - causando um enorme prejuízo para o atendimento escolar. Em contrapartida, já vemos a questão da inclusão social sendo praticada amplamente, com professores sendo capacitados e os portadores de necessidades especiais interagindo harmoniosamente no meio da comunidade escolar. Isso é ótimo. Eu, particularmente, desenvolvo trabalhos na área cultural, criando grupos de danças folclóricas no bairro onde está localizada a escola que trabalho e percebo nos jovens a vontade de se inserirem no meio social e se sentirem iguais; desenvolvo um trabalho com toda comunidade escolar na prevenção às drogas e temos tido resultados positivos nessa caminhada;  coordenei até esse ano a escola do campo aqui na minha região, assim como o projeto Despertar (em parceria com o SEBRAE, para alunos do ensino médio da rede estadual), todos voltados para capacitar o jovem, torná-los cidadãos conscientes, empreendedores, dinâmicos e, principalmente, zelar pela sua comunidade.
 
CEN Como define seu estilo na escrita?
Raí: Realmente não sei lhe dizer. Escrevo por paixão. Sem me preocupar com e o que. Mas, se estilo é saber o que vem na mente, devo dizer que é espontâneo, sem métodos. Simplesmente chego em casa, me sento e aquela frase, aquela interrogação, aquele ditado, aquele fato pitoresco vem a mente e eu escrevo. Não uso estratégias teóricas nunca.
 
CEN Raí, como você divulga seus textos?   
Raí: Até 2005 eu não havia divulgado nada, nem tampouco guardado o que já tinha escrito. Alguns deixei por São Paulo, outros perdi-os em mudanças, enfim, o que tenho do passado são revistas em que fui colaborador (São Paulo) e que peguei exemplares e guardo comigo. Em 2005, por incentivo de um amigo, passei a escrever para um jornal da cidade (o terceiro mais lido do Estado), aos domingos, em seu caderno de cultura. Nele eu escrevo minhas crônicas. Todas as sextas feiras minhas crônicas são lidas em uma rádio FM aqui da cidade (FM Universitária) e, para surpresa minha, recebi essa semana um e-mail onde uma radialista da cidade de Presidente Prudente me dizia que lia, em seu programa, minhas crônicas. E, finalmente, esse ano eu resolvi divulgá-las na Internet, que, por providência, foram lidas por vocês e aqui estou eu.
 
CEN Agora, sem mais perguntas mas sim  a liberdade de manifestação para que nos conte de seus sentimentos diante da vida, essa questão nos faz conhecer um pouco da alma de Raimundo Antonio Souza Lopes 
Raí: Costumo dizer que sou como uma alma que vive no paraíso: leve e solta com o objetivo de proporcionar o bem estar, praticar o amor e escrever sobre o encanto da vida. Tento passar e, principalmente, dar carinho, afeto e ternura aos meus, sem me descuidar de praticar a simplicidade e a humildade, essenciais na construção de um mundo melhor. Preensões pessoais? Aprimorar-me na arte de repassar conhecimentos.
 
CEN Gostaríamos que você deixasse uma mensagem para os leitores da Canto Encanto prosa e verso CEN
Raí: Li o número um (Setembro) da Revista e aplaudi a iniciativa de vocês em divulgarem os novos escritores e torná-los conhecidos. É um prazer participar dessa segunda edição e agradecer pela oportunidade, na pessoa de Regina Romeiro, e dizer aos leitores da Canto e Encanto que escrevam o que suas mentes férteis e criativas produzem. Obrigado.
 
A editora ressalta que a crônica O Aluno é fruto de experiência vivida pelo professor.  
 
O Aluno
Raimundo Antonio - Cronista

 
Tinha o ar desafiador e gostava de demonstrar isso todas às vezes que podia. Raras vezes permanecia na sala depois que eu entrava. Se ficava, tinha sempre uma frase irônica, provocativa, insolente. Perturbava mais do que devia e era permitido. Mostrava indiferença nas explicações e isso de uma forma rebelde, agressiva. Discutia com os colegas na minha presença e usava de todas as maneiras para fazer com que eu o chamasse a atenção. Se me encontrava pelos corredores da escola, sorria ironicamente, depois estufava o peito com ar de superioridade.
Era sempre assim. A despeito de tudo, eu não o incomodava, não o repreendia, nem tampouco pedia para ele ser punido. Não. Havia algo naquele jovem que me intrigava, que fazia com que eu dedicasse tempo para refletir sobre sua conduta. Ao invés de puni-lo, retirando-o de sala; ao invés de solicitar uma punição por parte da direção (o que seria até justo), fiz o contrário: passei a observá-lo, tentando entender tanta raiva, tanta rebeldia.
Descobri, por exemplo, que nos intervalos, ele gostava de ficar em um canto da quadra, sozinho, pensativo e olhar distante. No refeitório era sempre muito disciplinado, e sempre que terminava de “merendar”, fazia questão de colocar a cadeira no devido lugar e sair juntando os pratos deixados “esquecidos” por seus colegas.
Fui anotando cada descoberta, tentando traçar um perfil para aquele adolescente de 15 anos, que era indisciplinado por um lado e completamente surpreendente, por outro. Tomei uma decisão: ia tentar me aproximar para conversar e, se pudesse e fosse necessário, ajudá-lo. Daria conselhos, orientações e um pouco de amizade, se ele quisesse.
Tinha experiência nesse sentido, apesar de já ter perdido vários alunos para o “mundo”. Alguns, com atitudes parecidas como as dele. Outros, já chegavam “infeccionados” pelas maravilhas da rua, dos seus donos. Só uma coisa era igual: a realidade social de todos eles. Fiz várias tentativas, todas em vão. Era sempre assim: eu chegava, tentando puxar conversa, o silêncio como resposta e, depois, o mesmo ar irônico, o peito estufado, a saída do local. Ia perdendo a esperança, ia perdendo mais um aluno.
Porém, a ocasião para a aproximação, finalmente aconteceu. Tem um ditado que diz: “não há um mal que não traga um bem”. Parecido. Numa tarde, ao chegar à sala de aula, ele quando me viu, levantou-se para sair. Eu, por um acaso do destino, fui chamado à sala dos professores, e voltei.
Ele, com sua rebeldia, sua superioridade de adolescente dono do mundo, ao sair, bateu com força a porta da sala, esquecendo sua mão nela. Grito foi o primeiro som que ouvi. Depois a correria dos outros alunos para ver a cena, o sangue e o choro. Corri, afastando-os, procurando evitar que mais uma cena absurda fizesse parte da rotina deles.
Ele olhou-me, pedinte. Amparei-o. Disse-lhe palavra para acalmá-lo. Levei-o a emergência de um hospital, onde foi feita uma pequena cirurgia para restaurar dedos e artérias da mão. Providenciei a medicação, repassei-lhe os cuidados que deveria ter e tomar. Levei-o em casa. Era simples, cheia de irmãos menores. Apenas a mãe. Na saída, ele levantou os olhos, agradeceu-me quase sereno, apesar da lágrima que escorreu pelo seu rosto. Hoje sempre nos encontramos na Universidade. Não perdi um aluno, ganhei um amigo e o país, um futuro advogado. Sua raiva de adolescente? Bem, eu era parecido com o pai que os abandonara...

 
 

 

 
Segunda seção
 

 
Para a seção reservada a prosa poética fomos buscar com carinho os acordes de Sentidos de Sônia Maria Grillo (Baby).
Baby escreve poeticamente como quem desnuda a alma, diz que suas letras são simples e ditadas unicamente pelo coração, fala-nos que não se considera poetisa, mas sim, alguém que transporta para o papel aquilo que a vida mostra e faz sentir.
Nossa convidada é pura sensibilidade e nos confessa ¨ que carrega a experiência de ter vivido plenamente, sem medo de ser feliz¨... continuando diz ainda ¨Pertenço ao mundo da poesia! Sou cidadã do planeta Gaia! ¨
 
Sentidos
Sônia Maria Grillo (Baby®)

 
Aos acordes da sinfonia do vento, em ritmo suave de brisa ao entardecer, eis que de repente meu tresloucado coração, descompassadamente acelerou suas batidas, como se uma orquestra em altos tons, desse um concerto dentro do meu eu.
Seria apenas uma sensação?
Ou uma visão dos sonhos de liberdade, de anseios tão acalentados, refletidos por tanto tempo no espelho da minha imaginação?
Meus olhos se voltaram para o infinito, tentando visualizar a tênue linha que separa a realidade do sonho... Realidade muitas vezes cruel, mas, necessária ao aprimoramento dos sentidos, que por inúmeros instantes nos parecem quase palpáveis.
E ao nos enveredarmos por esses labirintos de emoções, temos a nítida impressão de que nossas mãos quase tocam a esperança do vir a ser, desnudando as cores da paixão que se transformam quase como magia, em aromas sutis e indeléveis, permitindo que se sinta a docilidade do mel, ao experimentarmos com a sofreguidão de um sedento, o sabor do amor e da paz. 
 
 
 
 
 
 
 
Terceira seção

Sou criança...

Neli Neto
 
 
Sou criança
quando sonho
quando escolho
quando brinco
quando apronto
quando rio
quando corro
quando choro
quando me encolho no canto
com medo do bicho papão.
Sou criança
pela mente
pela alma
pela calma
pelo amor
pela modéstia
pela amplitude de agir
num destemor sem pudor
sem vergonha de existir.
Sou criança
porque creio
numa eterna inocência
porque vivo intensamente
sem pensar em coerência
porque ainda enxergo meus sonhos
além do limite real.
Sou criança mesmo adulta
pois minh´alma ainda sorri
transbordando mil esperanças
alegrias destemidas
sem se importar com nada.
Nem ligo para idade que avança
trazendo-me cabelos brancos.
Ainda faço peripécias
como toda e qualquer criança.
Momentos bem pueris
deliciosa ousadia
que lateja viva, gritante
vibrando bem fundo, em mim.

Neli Neto
01.05.05
01h17min Rio de Janeiro
 

 
Selecionamos para esta seção o encanto da poesia de Neli Neto que faz despertar a criança que habita em cada um de nós.
 
Neli Neto, natural da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, é  formada em Administração de Empresas, aposentada pelo Banco do Brasil S/A, exerce atualmente trabalhos na área de Informática especificamente como webdesigner.
Neli não se considera poeta, mas nos confessa garimpeira de sonhos, procurando sempre expressar suas fantasias e sentimentos, através de palavras soltas ou frases compostas que são libertas de sua alma em formato de poesia.
Revela-nos poeticamente que: ¨é nesta hora que esqueço a timidez e falo por todas as formas, clamando por um espaço sagrado com os meus sonhos bem nítidos e palpáveis como se fossem flores nascendo, no amanhecer de um dia brilhante, com lindos raios de sol¨.
 
Neli Neto participa de vários grupos na internet e tem diversos trabalhos publicados na rede tanto como poeta como webdesigner.
 
Publicou poemas nas Antologias:
- Tertúlia na Era de Aquário - Editora Espaço do Autor;
- Tertúlia na Primavera - Editora Espaço do Autor;
 

 


12 de Outubro

Dia de Nossa Senhora Aparecida

Daniel
 
Ó, Dulcíssima e Piedosa
Nossa Senhora Aparecida!
Em Nome do Nosso Amado Deus
E do Amado Nosso Senhor Jesus Cristo,
Vosso filho, nós Vos pedimos:
Velai sempre pelo nosso Brasil,
Pela nossa gente,
E por todos que escolheram
a nossa Pátria para viver.
Perdoai os nossos erros.
Inspirai o nosso povo e os nossos governantes a escolherem os caminhos da Luz,
do Amor ao próximo
e da Justiça.
Guiai-nos na senda do progresso até que sejamos um exemplo vivo de evolução,
irmanados com todos os povos do Mundo.
Nós Vos amamos.
Bendita seja a Vossa Misericórdia,
agora e sempre, Amada Mãe Divina.
 
 
Sergio Apollinário, carioca, professor, espiritualista universalista, pintor.
Nick: Daniel, nome do anjo do dia que nasceu, 08 de maio..

 
 
 
 

O meu amar

Regina Romeiro
 
Cada pessoa tem um jeito
De dormir, de cantar de comer
De amar
O meu amar
É simplesmente me doar
O meu amar de isso é feito
Não a doação de anulação
Não, isso nunca
Mas a de prioridade das escolhas
Fazendo com alegria para quem amo
Carinhos de verdade
Revertidos em atos
Capazes de fortalecer a chama
Coisa de quem ama
De tal maneira que não permanece
Apenas enquanto inspiração
Mas sim
Amor que permanece enquanto em mim
Houver respiração

 
 

 
 
ALERTA
Sônia Maria Grillo
(Baby®)

 
Mesmo que soem
as trombetas
anunciando o fim do mundo
mesmo que tudo se transforme
em labaredas
destruindo até o amor mais profundo
ainda assim no meio dos escombros
se encontrará, meio que apagada
para total assombro
a poesia,
mesmo em folha rota e amassada
mas ainda com sua luz e magia
pois tudo poderá passar
mas a palavra do poeta
sobreviverá
como um alerta
aos ímpios que praticam
iniqüidade
barbárie e maldade
e se esquecem da verdadeira
dimensão da fraternidade
e igualdade,
pois só a poesia é capaz
através de seu clamor afinal,
disseminar a paz
sobrevivendo até mesmo
ao juízo final!
 
Outubro/2007
Rio de Janeiro-RJ
 
 
 
 
 
Quarta seção

 
Fomos buscar para essa seção uma crônica de autoria de uma educadora (mestre) das letras, os leitores certamente ficarão encantados com a professora Regina Reis:

 
O Poder da palavra escrita

Regina Reis

 
                 Ela estava começando a se conectar com o mundo. Descobrira o computador, os chats, as conversas de grupo. Estava encantada! E foi descobrindo, aprendendo, apanhando... Por que relutara tanto em aceitar as novas tecnologias? Quanto tempo havia perdido!
                 Mas toda moeda tem dois lados, e ela conheceu o outro  rapidinho quando se maravilhou com... palavras. Uma em especial foi a causadora de um arrebatamento que nunca havia vivido: AGORA, assim mesmo, só com maiúsculas, denotando determinação, coragem, decisão...
                  E ela se entregou de corpo e alma àquela excitação diferente, aliás, não é sempre que um ser humano se apaixona por... palavras. Fernando Pessoa foi uma das poucas pessoas que tiveram este privilégio. E agora, ela. Era a glória. A nossa  língua portuguesa é maravilhosa e quando bem escrita chega até a provocar sentimentos escondidos, esquecidos que há tempos não afloravam mais. Por conta de felizes colocações como infinitivos precedidos de preposição no momento certo, parágrafos curtos, objetivos, perfeitas coesões textuais, etc,etc,etc,ela sorriu, cantou, se encantou , poetou...e amou...
                    Mas existia um imenso oceano separando dois mundos, e o que nunca aconteceu  acabou virando passado. Tudo muito rápido. De repente, as estrelas voltaram aos seus lugares na galáxia, a lua não mais tocou o mar, e a dor agigantou-se dentro daquele coração fragilizado.
                    Agora, amenizada a dor, quando as lágrimas secaram, ela que já não canta mais, não ri mais, não compõe mais, caminha pela praia, e de quando em vez, pára, olhar fixo na imensidão do mar, como se procurasse alguma coisa, quem sabe  localizar além da linha do horizonte , um  velho mundo, onde a modernidade chegou  enevoando um passado glorioso.Os grandes feitos daquela época não acabavam com os sentimentos , com as emoções...
                      Hoje é diferente.Uma onda de frieza, indiferença, toma conta deste velho continente.Ninguém se importa mais com nada, nem com ninguém. Sant’Exupéry já não é modelo para ninguém.Com um simples clique, todo e qualquer sentimento, sonhos e emoções são deletados sem  a menor preocupação.
                       É o outro lado da moeda, ou seja, da internet...                           
 

       Regina Reis nasceu em Carmo de Minas, um cantinho perto de São Lourenço, no estado de Minas Gerais, Brasil, foi criada em Aparecida do Norte e atualmente vive no Litoral Norte, os dois últimos no estado de São Paulo, Brasil.
      Formada em Letras (Português/Inglês) e Comunicação (Jornalismo) pela Universidade de Taubaté, Regina trabalhou durante muito tempo como jornalista e locutora-apresentadora na Rádio Aparecida de Aparecida-Sp. É professora de Língua Portuguesa da Rede Estadual de Ensino, atualmente designada para a Diretoria Regional – Caraguatatuba (litoral norte) , onde exerce a função de Assistente Técnico-Pedagógico e Assessoria de Comunicação.
      Escreve desde criança, pois sempre gostou de ler e produzir seus textos.Porém só a partir do ano de 2006, resolveu compartilhar suas emoções com aqueles que têm almas sensíveis como ela, participando de várias antologias e coletâneas virtuais de prosa e poesia. Neste ano, participou da antologia: “Escritores Brasileiros e Autores de Países de Língua Portuguesa”- RB. Editora- 5ª.Edição (2007). Regina Reis tem páginas na internet e participa do Grupo Luna e Amigos, onde vai desenvolvendo um estilo todo seu, ao lado de grandes autores nacionais e estrangeiros.
 

 

 

 
Mensagem da editora
 
Nossa mensagem aos leitores para o mês de outubro 
é a de que o Mestre maior dê a  sabedoria necessária
 a cada um de nós.
 

Recomeçar

 
Deixando para trás asperezas da vida
Lava o Universo, desnuda-o
Aí sim siga o caminhar
Novas estações vibrarão
Serão portos, pontos, sinais
Com a inteireza do recomeçar
Regina Romeiro
romeiroregina@uol.com.br
 
 

 
 
 

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Formatação, Criação e Arte: Iara Melo

Mid: Sol de Primavera * Beto Guedes/Ronaldo Bastos

 

 

 

 

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