REVISTA HORIZONTES & PARALELOS

Nº 03 -  Novembro de 2007
 
Formatação e Arte: Iara Melo

Editor: Jorge Humberto
 
 
 

 



Olá, a meus amigos, do Portal CEN, trago-lhes a minha revista, “Horizontes & Paralelos”, nº 3, espero que desfrutem dela e que a possam apreciar, pois foi feita com muito carinho para todos vós.
Cumprimentos
Jorge Humberto




 

 

TEMPO PARA AMAR?
Adélia Mateus
 
Ah! o tempo para amar é infindo
não exige idade certa nem beleza
pode levar dias, meses e anos...
mas ficará nas asas do desejo.
 
Quando surge o amor maduro
ele sabe o que a vida lhe ensinou...
Chega recheado de verdades
entregando-se crente a essa chama.
 
O coração saltita de alegria
num desejar fervente de amor...
Sonhos feitos da mais pura magia
que trás o reviver da nova vida.
 
O amor maduro chega amante,
como uma brasa que queima...
 fazendo descontrolar o coração
ditando o ato do desejo final!
 
Não é possível vencer esse desejo,
que finda na magia dois corpos nus...
 
RJ - Setembro/2007




 

ECO DO ABSURDO
 
Permiti-me o desejo justo.
Ao coração o doce lampejo,
A alma o cerne do assunto.
Contido naquele teu beijo.
 
Que me mostrou o absurdo.
De todo prazer contido,
Escondido no eco oriundo.
De um espírito aturdido.
 
Fugido da vã monotonia.
Porque sã é a sensação,
Que transpira toda alegria.
 
Quando exaurir a fobia,
No calor de toda emoção.
Faz-me sorrir da elegia.
 
Gerson F. Filho

 


 

VOZ DA VIDA
 
Joaquim Marques
 
 
 A madrugada vai esvaecendo, paulatinamente;
os primeiros raios de sol aparecem, e o dia alvorece
 iluminando a terra, os mares, os vales e os montes...
  Ouve-se o canto do galo, o murmúrio das águas nas fontes!
O bulício urbano da cidade que acorda é incessante...
 
Rostos crispados se cruzam denotando canseiras
infindas, que terão que enfrentar em mais um dia de luta,
para angariar através da  labuta, o sustento essencial...
Que, inúmeras vezes, de uma maneira intrínseca,
nem dá para alimentar sua familia de maneira formal.
 
É a voz da vida! Que ecoa em todos os recantos!
Nas cidades, nas vilas, nas aldeias e até nos campos,
Voz que sai da boca de qualquer pessoa como  prantos
os quais, denunciam inúmeras vezes seus segredos,
 seus encantos, desencantos e também seus medos...
 
Em tudo que nos rodeia a voz da vida está presente!
Voz da Natureza! Voz da criação; dos pássaros seu canto!
Até nas rugas de um ancião, no olhar de uma criança,
ela se desvanece... Ela nasce, cheia de esperança!
A vida sem voz, jamais será vida... Mas apenas pranto!
 
 
Portugal
Outubro -2007
(actualização)



 

Nosce Te Ipsum
Conhece a ti mesmo
Sandra Ravanini
 
 
Vai, folha de mim; voa em convulsão incriada,
doída e branca, goteja para a rosa
toda a seiva retida na anfractuosa
cava chorada nas vãs madrugadas.
 
Duvidar da água límpida que escorre
em minha face avelhantada em fresa,
escoando mel de orvalho em doce reza,
caiando o aguilhão que perdoa a fé que morre.
 
Hesitar tal qual o ímpio pensamento
sangrando o mesmo espinho de descrença
ao estupor do meu perdão noutra ofensa
sem bênçãos, sem mãos ou arrependimento.
 
Vai, retrato ímpio à face que ora dosa
o extrato das seqüelas alquebradas,
acinzentando o fim da madrugada,
extraindo-te, ó perdão, daquela rosa!
 
30/09/2007
 
                                   A James Joyce
“O que queria era encontrar no mundo real
a imagem sem substância que a sua alma
tão constantemente baralhava”
James Joyce – O retrato do artista quando jovem

 


 

EXEMPLO DE UMA CRIANÇA
        ( Ao Dia da Criança )   
 

A poça d'água refletiu meu rosto,
Naquela tarde, após a chuva ida,
E eu, naquela imagem refletida,
Quedei-me pasmo ao ver tanto desgosto.

"Por que ?"- Pensei - " Morreu o meu sorriso,
Por que deixei eu de entoar canções,
Por que sumiram as minhas ilusões,
Se hoje tenho mais do que preciso?"

E assim a meditar, fui caminhando,
E, de repente, numa casa olhando,
Um menino avistei, rindo a correr.

E compreendi, então, porque sofria:
É que a criança que em mim vivia,
Eu expulsara sem nem perceber.

Sá de Freitas

 



 

MINHA INFÂNCIA
Sueli do Espírito Santo
 

Que saudades do tempo de criança
uma infância repleta de emoções
emoções que ainda estão na lembrança
guardadas como doces recordações

De um mundo todo alegre e florido
onde haviam castelos encantados
com tudo assim mágico e colorido
nos sentíamos felizes e fascinados

Pois que todas as fadas e feiticeiras
comandavam as nossas brincadeiras
com seus surpreendentes segredos

desvendados em alegres folguedos
que levavam-nos a doces instantes
agora, no passado já tão distantes

 

 

O FILHO QUE NUNCA TIVE 
 
 
Nasceste e logo te puseste a chorar,
Teu cabelo pretinho lembrava a noite,
E os olhos tinham um certo oscilar,
Como as candeias ao vento num açoite.
 
Que pequenino tu eras, meu menino,
Na incubadora te puseram ali,
E, eu, sentindo-me o homem mais sozinho,
Fiquei toda a noite ao pé de ti.
 
Os dias passando regressaste ao lar
E eu contente não me contive,
Para finalmente poder-te acariciar.
 
Montei um berço que não existe,
Porque o meu filho já não vive,
É imaginação minha que ainda persiste.
 
Jorge Humberto
28/07/07
 

 

 

O VELHO ANCIÃO
 
 
 
Corpo cansado, ombros caídos,
A semente da vida é-lhe vetada…
Roupa desleixada, punhos puídos,
Pouca vontade para a retirada.
 
Cabelo descuidado, barba por fazer;
Unhas crescem sem o cuidado
De quem antes retirava prazer,
Do quanto de si era almejado.
 
Voz rouca, rugas desconfortáveis,
Passo incerto, trémulo e dolente,
Nas manhãs pouco confortáveis.
 
E assim é a vida do velho ancião,
Três passos atrás dois à frente,
Eis aqui a morte por antecipação.
 
Jorge Humberto
15/05/07
 

 

Jorge Humberto - A Internet, como fio condutor, de uma nova mentalidade, através da poesia? O que pensa a Sonia, quanto às possibilidades de ser essa, uma opção viável, para o despertar de consciências, tantas vezes subvertidas, pelo uso indevido, dos meios de comunicação social?
 
Sónia R - Sem dúvida a Internet é um potente veículo de comunicação que atinge indistintamente a todos os níveis e segmentos sociais. A poesia, levando sua mensagem com forte carga de emoção e sensibilidade, certamente estará desempenhando um papel conscientizador à medida que consegue "tocar" quem a absorve.
Mas isso tromba com um problema que sempre deve ser alertado. A Internet facultou a revelação de grandes escritores, maravilhosos talentos, mas também abriu as portas a uma gama considerável de pseudo-poetas.
É até bonito vermos as pessoas fazerem uso dessa liberdade de expressão, mas isso pode resvalar num problema, que ao meu ver, pode ser muito prejudicial a quem, infelizmente, não possui nenhum senso crítico. Há pessoas que absorvem tudo o que a Internet oferece. Muitos deixam de consultar um médico e buscam diagnósticos e curas através de sites que dão informações nem sempre precisas. Outros deixam de consultar bons livros, abdicam da prática salutar da leitura e recorrem às informações prontas e mastigadas, as quais deglutem sem o mínimo critério. E tantos outros exemplos, em meio aos quais a poesia também se insere. O próprio poeta deve ter consciência da grande responsabilidade que recai sobre seus ombros. Não deve se deixar entregar às inspirações fáceis que banalizam com tanta rudeza o seu verbo. Ele dispõe de ferramentas que não pode dispensar, como a leitura constante, a contemplação e até mesmo uma práxis resultante da sua própria vivência. O lirismo, embora imprescindível, às vezes pode ser enganoso. E não se basta.
 
J H - Sendo a Internet um meio de comunicação por excelência, que abrange os 4 cantos do Mundo, onde religião e politica, das mais variadas culturas, se interligam e agem, acha, ainda assim, que faz sentido falar-se, hoje em dia, de «elites»?
 
S R - Num mundo como este em que vivemos, onde as desigualdades culturais, sociais, econômicas, políticas e até mesmo geográficas são tão gritantes, o não elitismo seria mera utopia. Acredito sim, que a Internet favoreça uma certa dissimulação dessas desigualdades, mas não as elimina.
 
J H - Como descreveria, a sua poesia? Noto que há uma certa predominância, não para o «romantismo melado», mas para o uso cuidado e levemente prosado, da sua escrita, ainda que falando em coisas sérias: é assim?
 
S R - É sim, Jorge. Minha poesia é predominantemente romântica, mas cuido muito para que não caia no líquido pegajoso do melado. Há muitas formas de se empregar as palavras, com uso e abuso das metáforas, as "ene" maneiras de nos expressarmos até com muito lirismo, sem a necessidade de doses vultuosas de açúcar (risos). Além do que, nosso vocabulário é riquíssimo, não é? Por que não explorá-lo?
 
J H - Lembra-se do que guardou, dentro de si, após tomar consciência, de que o que escrevia, possivelmente sairia, muito para lá da esfera pessoal? Ou pelo contrário, acha que o poeta deva ser obtuso e alheado do resto do mundo?
 
S R - Bem, eu entendo que uma pessoa "alheada do resto do mundo" jamais seria poeta, pois é exatamente a interação, a coesão do poeta com o mundo que o cerca, o ingrediente essencial do seu trabalho.
O poeta olha para a lua e enxerga o luar. Olha para a flor e percebe que a perfeição da beleza está na presença do espinho. Ou, com outras palavras, além de se integrar, o verdadeiro poeta consegue ver "além" do aparente.
Infelizmente, no Brasil não há a mínima demonstração de interesse em se prestigiar talentos. Publicar um livro é algo de sonho, que muitas vezes acalentamos e nem sempre realizamos. Esbarramos sempre em dificuldades totalmente impeditivas. Daí o fato de nossos trabalhos terem permanecido tanto tempo dentro de gavetas. É graças à Internet que hoje podemos divulgá-lo. E isso, sem dúvida, é muito gratificante.
 
J H - Tem livros editados?
 
S R - Infelizmente ainda não.
 
J H - «Asas em Voo»...? é...?
 
S R - Representa toda uma nova fase poética na qual alço meus "vôos" de forma mais ousada e ao mesmo tempo mais cuidadosa e segura. Acredito que seja o caminhar em direção a um maior amadurecimento poético. São poemas selecionados com especial carinho pois retratam todo este momento que repousa em transformações estruturais da minha poesia.
 
J H - "Mas há enigmas/enquanto sou brisa/... /ou quando me entrego/.../ e um pote de ecos/entorna sem fleuma/às vezes rajada/às vezes tufão".
- Parece-me propensa a ideia, de que, o poeta, é um ser duplo, balançando entre o desejo irrepreensível e o assentimento, não há aqui uma dualidade de critérios, que fica da cumplicidade, existente entre o poeta e o que escreve, por ele?
 
S R - Adoro essa palavra: cumplicidade. Ela se encaixa de modo perfeito em tudo o que é profundo e belo. Mas sobre esta questão, Jorge, não vejo duplicidade entre o poeta e seus sentimentos. Ambos são uma coisa só, única. O poeta exprime suas emoções, seus desejos, seus sonhos, sua alma, enfim, através da poesia. E é claro que, enquanto ser humano, ele não é linear nem se submete a modelos de conduta. Podemos ser brisa suave, rajada ou tufão sem sermos duais. São as partes que completam o todo. E esse conjunto, uma vez reunido, é exatamente a somatória que determina a nossa individualidade, ímpar e exclusiva.
 
J H - Onde começa um, e acaba o outro?
 
S R - Não vejo estes limites. O poeta e seus versos são uma única coisa. O poeta é o que escreve e vice-versa. Ele não narra a história sem que antes a viva. E é apenas "sendo" que ele pode até "inventar" mas é daí que resulta a mitificação da sua linguagem própria. Resumindo, o poeta não está apenas inserido num determinado contexto, ele é o próprio contexto.
 
J H - Sonia, pode-se descortinar, nos seus poemas, uma feminilidade, se por vezes casta, outras há em que a autora assume, em definitivo, o papel de mulher, que ama e deseja o seu corpo, acha que, também aqui, há uma propensão, para minimizar o papel da mulher, enquanto poetisa? Há uma poesia feminina e uma outra masculina?
 
S R - A poesia é completamente assexuada, mas o poeta não. Como ambos se fundem e se interligam numa produção poética, fica evidente que o fator ideológico terá um significativo peso no conteúdo abordado. E isso, inclusive, é o que determina a subjetividade numa expressão poética.
Note-se que um poema, escrito de forma puramente objetiva seria como um mármore inerte e frio, completamente despojado de emoção.
No que concerne à feminilidade, vejo da mesma forma. Não é ela constituída também por um misto de sensualidade e sublimação? É assim que vejo. A poeta e a mulher são uma mesma coisa. E a poesia, obviamente, também faz parte desta mesma coisa.
A partir disto, não vejo porque o papel feminino seria minimizado. Não seria o contrário?
 
J H - Tenho, da amiga, uma concepção de ideologia, ser humano de forte carácter e cumplice, de seu amigo... ainda valerá o ideal, o lutar por ele, contra muros e moinhos de vento?
 
S R - Obrigada, meu amigo. Há vezes em que o cansaço nos abate, a vida tenta nos vergar. Mas temos que vencer estes muros, ir contra a grimpa e lutarmos sempre pelos nossos ideais. Quando deixamos de sonhar, quando apenas conseguimos vislumbrar um profundo nada à nossa frente, estamos fatalmente derrotados.
 
J H - Já sabe para quando, um próximo livro? Em prosa, talvez.
 
S R - Este é o meu grande sonho. Tenho muitos planos e idéias que vou tecendo e alimentando enquanto não o realizo. Mas chego lá.
 
J H - O que gostaria de deixar, como pensamento, aos seus leitores?
 
S R - Antes de tudo, devo dizer que sou imensamente grata a quem me lê. E se algum dos meus versos, num dado momento,tocar um coração, despertar uma emoção, promover uma identificação, dou-me por realizada. Minha meta maior terá sido atingida.
 
J H - Quem tem, não diz que tem...???
 
S R - Quem tem não precisa dizer. Aliás, não deve. 
 
Jorge Humberto, grande poeta, maravilhoso ser humano... ao final desse bate-papo tão gostoso, deixo para ti o meu mais carinhoso abraço e a minha imensa gratidão pelo privilégio ímpar de desfrutar desta amizade que me é tão cara. Obrigada, meu amigo!
Minha gratidão e carinho especiais ao CEN, que tão lindamente nos cede espaço e prestígio.

 

MOLDURA


Guarda como tesouro este momento
Retém deste amanhecer o arrebol
-cor vívida, sem o gris do lamento -
Que devolveu brilho à luz do sol.

Grava este instante na eternidade
Tatua em teu corpo as minhas pegadas!
Foram passos que embrenhei pela saudade
Buscando nos sons, tua voz relembrada.

Deixa agora, esquecidos descaminhos
Eu aqui assim, cativa de teus carinhos
Enquanto lá fora a noite é fato.

E se um dia, de nós dois a memória
For imagem pálida desta história
minha alma, espelho, te fará retrato.


Sonia R.


soniarmcarrato@terra.com.br
http://geocities.yahoo.com.br/escritoresepoetas
http://www.recantodasletras.com.br/autores/soniar


 

 

 

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