REVISTA HORIZONTES &
PARALELOS
Nº 04 - Dezembro de 2007
Formatação e Arte: Iara Melo
Editor: Jorge Humberto

Olá, meu caros e dilectos amigos e
leitores, do Portal CEN, apresento-vos a
minha revista número 4, do mês de
Dezembro, de seu nome “Horizontes &
Paralelos”, que tenho o grato prazer de
aqui neste espaço, como vocês todos,
participar, por convite de meu amigo
Carlos Leite Ribeiro e sempre com
excelentes formatações, da minha também
querida amiga Iara Melo. Espero que
apreciem os poemas que seleccionei para
este número, assim como a entrevista que
fiz a essa excelsa poeta, amiga, Andréa
Motta. Façam bom proveito.
Abraços sinceros
Jorge Humberto

Preciso gritar!
rivkahcohen
Quando a gente fala,
não fala só por falar!
Existe um motivo
Existe por trás algum grito
Existe uma súplica no ar...
As idéias
não surgem do nada
Estão lá dentro,
mal acomodadas,
numa agonia danada
e precisam ser direcionadas
para algum lugar
antes de ferir,
de machucar...
Se eu fosse vendedora
gritaria:
Quem quer ilusão?
Vendo uma, duas,
um milhão!
Fosse eu escritora,
contaria uma bela história
de amor e paixão
que ficasse na memória...
Chego a visualizar
o livro nas prateleiras.
Não sei vender!
Sou apenas uma guerreira
com um coração
cansado de sofrer...
Só me resta
GRITAR!

Rendição
Marise Ribeiro
Todos dormem...
Tento escrever... não
consigo...
Há silêncio dentro de mim...
As rimas somem...
As palavras dão um basta...
A solidão me devasta...
O ambiente é frio,
indiferente,
nem me inspira...
O coração impotente
suspira...
A alma, sempre obediente,
nada sente.
Engano a insônia com um
remédio,
mas ela não se rende...
A noite conclama o tédio
e a angústia se acende...
Vencida pela desilusão,
quase desisto...
Então acontece um
imprevisto:
a inspiração transcende às
palavras
e a poesia torna-me sua
escrava.
02/09/05
Cenário de Sentimentos

Homenagem aos
poetas e fadistas
Se a cidade de
Coimbra fosse minha
Mandava construir um Museu
do Fado
Edificava, ornava de ouro
uma capelinha
Onde o poeta e o fadista
seria beatificado
Fazia um apelo aos Senhores
governantes
Que erguessem bem no cimo
das colinas
Padrões aos poetas e
fadistas estudantes
Que cantaram o País das
Cinco Quinas.
Mandava decretar mais um dia
feriado
Dedicado a todos os poetas e
fadistas
Ficaria para sempre e bem
gravado
Que são eles os melhores
articulistas
Jorge Vicente – Fribourg

Terra azul verdejante
Maria Nogueira Martinelli
(Sapeka)
Terra azul, onde o verde te
fez resplandecente.
Terra transparente, que já
foi o pulsar cristalino,
em límpida luz escoada de
águas verdejantes.
Utópico é o céu , onde piso
teu chão alcalino.
Que será de ti com essa
parca herança?
O teu grito é o eco que
ressoa assustado,
no ar abafado a transpirar
desesperança,
no arfar fatigado do teu
pulmão judiado.
Escassez de líquido escoando
nas tuas veias
pelo infortúnio de ter
como herdeiros ignóbeis
que destrói teu corpo em
arquitetônicas teias
transformando a paz em
indefesos sonhos indóceis
Sapeka
08/11/2007

Dilema
No princípio era
airosa,
Colorida mariposa,
Essência dum poema.
Depois fora namorada,
Mais terrena, mais ousada,
Complicado teorema.
Agora está diferente,
Mais distante, mais ausente,
Insolúvel problema.
Minha alma já não aguenta
Esta chata ciumenta
Que complica o meu sistema.
E o que faço agora?
Ela fica, ou vais embora?
Esse é o meu grande dilema!
Cândido,15/11/2007
A caça
Watfa
Das pontas dos teus
dedos, som que ecoa
Vibra em tons as fibras do
meu coração
Em cio, rugindo qual brava,
rasteira leoa,
Vasculho a caça no tremer da
vibração.
Sugando o ar que perfuma o
ambiente,
feromônio que de ti
desprende suave,
arrasto-me sobre o piano,
modo silente;
que teu gosto melífluo em
mim crave!
Guerreira incansável à
espreita de ti
Tenho alagados meus olhos de
amor
O suor de minhas mãos, o que
senti,
gotas úmidas do que sinto: o
torpor...
Ao lado, juntos, somos
gritos de prazer
Os rugidos, soando rubros
pelos ares,
São melodias quentes de
bem-querer
Alagando nosso templo,
nossos altares...

O site “CEN” dá inicio a
uma série de entrevistas a
poetas das mais diversas
personalidades. Poetas que fazem
da Internet um mundo melhor,
passando a sua experiência para
o seu (nosso) dia a dia, na rua,
no trabalho, nas escolas,
levando a sabedoria da poesia
para esses sítios, aglomerando
as pessoas à volta de uma
realidade que pode ser bem
diferente do mundo apressado em
que vivemos, com os seus
conflitos e catástrofes,
mostrando assim novas propostas
e caminhos.
Para o efeito começamos por
entrevistar a poetisa Andréa
Motta, de Curitiba, como mostram
as palavras a seguir. Agradeço a
disponibilidade da autora e
espero que tenham uma boa
leitura, homenageando assim a
poetisa.
Jorge Humberto - Achas que a
expectativa da poesia, num mundo
cada vez mais egoísta, de
acreditar no homem, de elevar
sua criatividade, as suas
esperanças num espaço de
igualdade para todos, é
infundada?
Andréa Motta – Não. Acredito na
literatura, em qualquer de seus
gêneros, como instrumento capaz
de indicar caminhos à igualdade
social, mesmo que esta minha
forma de pensar possa ser
tachada de ingênua.
J.H. - O que é para ti a poesia?
E o que é o poeta, enquanto
criador dessa mesma poesia?
A.M. - Pra mim, poesia é manobra
sectária da expressão, é
desígnio. Neste contexto, Poeta
é o marceneiro quando este
entalha a madeira, ou seja, é
aquele que transforma um naco
de madeira em metáforas com as
quais expressa as suas emoções.
J.H. - Como te vês a ti,
enquanto mulher culta e
preocupada com o que lhe rodeia,
no papel de poetisa?
A.M. – Vejo-me como cidadã,
capaz de utilizar a poesia como
instrumento de denúncia.
J.H. - A tua poesia passa por
uma perfeição na escrita,
enquanto obra máxima, achas que
os poetas livres, que não seguem
regras estipuladas, de fazer
poesia, estão a desvirtuar a
palavra?
A.M. - Acho que você está
enganado neste aspecto, minha
poesia não chega nem perto
daquilo que se pode denominar de
perfeição (sequer acredito que
exista a poesia perfeita!);
tenho cuidados, é claro, com a
gramática, mas não sigo regras
literárias, meus versos são
livres. Como vê, negar os versos
livres seria negar a minha
própria palavra.
J.H. - O que achas deste
proliferar de poetas na NET?
A.M. – A Rede Internacional é
excelente instrumento de
comunicação e divulgação, no
entanto, da mesma forma que
tenho lido e acompanhado o
trabalho de pessoas
talentosíssimas, verdadeiros
poetas, tenho lido muita
porcaria, muito desabafo sob o
rótulo de Poesia. Cabe ao leitor
separar o joio do trigo, caro
amigo.
J.H. - Como mulher viajada, como
vês o povo no contacto com o
poeta e seu trabalho, há uma
envolvente entre os dois, de
modo a acreditar numa liberdade
de expressão, tanta vez negada
às pessoas?
A.M. – Certamente há
reciprocidade, Jorge. Há pouco
tempo tive uma maravilhosa
experiência neste sentido:
participei, pela primeira vez,
do Congresso Brasileiro de
Poesia, realizado anualmente na
cidade de Bento Gonçalves – Rio
Grande do Sul. Lá, pude sentir
em cada olhar e em cada gesto
uma energia difícil, pelo menos
para mim, de traduzir em
palavras. Respirava-se cultura,
amizade, onde, cada um a seu
modo, deixava jorrar toda a sua
sensibilidade, como se esta
fosse sua própria pele.
Emocionei-me a cada abraço
apertado que recebi das
crianças, nas atividades
realizadas nas escolas. E meus
olhos marearam ao assistir
crianças de 04 a 10 anos de
idade declamarem poesia feito
gente grande, num trabalho
maravilhoso realizado pela
direção e professores da Escola
Municipal Fenavinho. Enfim, todo
o evento foi fantástico, da
poesia ao teatro, passando pela
fotografia, artes plásticas e
música. Como vê, o Povo
participa e aprecia; basta, para
tanto, ter oportunidade.
J.H. - O poeta e sua obra, não é
muito levado a sério pelas
chamadas “mídias” (televisão,
jornais etc…), por onde deve
passar o papel destas
industrias, ditas de informação
geral, e com grande abrangência
junto às pessoas de menos
cultura?
A.M. – Na verdade acredito que a
população menos privilegiada
somente terá acesso efetivo à
literatura, arte, enfim, à
cultura, quando os governos se
dispuserem a dar educação ao
povo. Um povo com acesso a
escolas, a bibliotecas, livros,
etc... será um povo culto.
Enquanto isto não acontecer, o
Poeta, tal qual qualquer outro
cidadão, deve ir fazendo a sua
parte, levando seu trabalho à
população através dos
instrumentos que possuir.
Jornais, televisão etc, são
formadores de opinião, mas não
educam e, repito, para mim o
importante é a educação.
J.H. - Acreditas em quê?
A.M. – Em N coisas, depende do
aspecto que queria saber.
Acredito que os Homens são
capazes de fazer a Paz
(ingenuidade talvez..sonho quem
sabe!! Mas acredito piamente
nisto). Acredito na capacidade
dos Homens de amar e sonhar.
Acredito em Deus como uma força
cósmica infinita.
J.H. - Qual o papel da família,
na vida da poetisa?
A.M. – A família é alicerce.
J.H. - Homem e poeta são
separáveis?
A.M. - Mais uma vez depende do
aspecto pelo qual se observe o
cristal. A princípio os dois são
substantivos, mas se o objetivo
da pergunta é qualificar o
homem, o poeta é adjetivo.
Portanto, são objetos distintos.
J.H. - Qual a tua visão no Mundo
actual?
A.M. – Diversos aspectos podem
ser analisados nesta pergunta: à
primeira vista, eu diria que o
mundo é uma grande aldeia à
beira do colapso total, em
função de guerras infames, do
fanatismo religioso, terrorismo,
economias em decadência, da
destruição de ecossistemas...
mas, ainda acredito na
capacidade dos Homens de viver
em Paz.
J.H. - Como te vês, enquanto
pessoa?
A.M. - Vejo-me exatamente como
me descrevi num texto intitulado
“Natureza Íntima”, o qual peço
licença para transcrever:

Natureza Íntima
Andréa Motta
Sou pedra plantada.
Quando pedra,
sou dura,
implacável com as palavras.
Sou água a correr.
Quando água,
sou como um riacho sereno
a deslizar em silêncio.
Sou vulcão em constante
erupção.
Quando vulcão, sou
imaginação.
Trago na pele, no rosto e,
na alma a cor da paixão.
Sou cigana livre de
preconceitos.
Sou nômade, vivo as margens
dos rios
minh' alma tem asas brancas
e vermelhas,
p'ros vôos desta vida
incerta.
Tenho os olhos tristes e a
voz embargada,
em simultâneo a alegria
d'uma criança.
No peito trago contudo, a
inabalável certeza
de amar-te eternamente.
(julho/03)
* A título de
esclarecimento, no último
verso, refiro-me à Vida.
DADOS BIOGRÁFICOS:
DADOS PESSOAIS
Nome : Andréa Motta
Natural de : São Paulo
Data Nasc.: 25/05/1957
Residência: Curitiba –
Paraná
PUBLICAÇÕES E PREMIAÇÕES
Fonte de meus Silêncios mais
Profundos – Livro Digital
Natureza Íntima – Livro
Digital
Águas do Inconsciente –
Livro Digital
Antologia Internacional
Terra Latina – Projeto
Cultural Abrali, Ed.2005
uniVERSOS, Antologia
Poética - Escritores e
Poetas – Ed.2005
Prêmio Pessoa – 1º Lugar
– 3º Concurso de Poesia
Livre Site Novos Autores –
2004.
Prêmio Academia - Menção
Honrosa – 3 º Concurso de
Poesia – Novos Autores -
2004.
2º Lugar Concurso de Poesia
do Grupo Poetizando – Yahoo
Groups – 2005
Sócia Efetiva do Centro de
Letras do Paraná
Membro do Portal CEN.
Membro do Portal Cultural
Abrali
Publicações em sites de
Poesias:
- Site Pessoal – Jardim de
Poesia
(http://geocities.yahoo.com.br/jardimdepoesia/index.htm)
- Blogs Pessoais: Jardim
de Poesia, alojados
respectivamente em:
http://jardimdepoesia.blog.uol.com.br
http://jardimdepoesia.blogs.sapo.pt/
- Site Escritores & Poetas
- Site Luna & Amigos
- Paola Poesias
- Poetas em Foco
- Portal Abrali
- Portal Archote
- Portal CEN
FORMAÇÃO ACADÊMICA
Pós Graduação em Direito do
Trabalho – Universidade
Federal do Paraná - 1998
Pós Graduação em Direito –
Universidade Federal de
Santa Catarina – 1981 a
1983
Graduação em Direito –
Universidade Federal do
Paraná – 1980
Percepção abrumada
Andréa Motta
Não era desabafo
aquela tristeza estranha
Não era adeus ou regresso,
talvez fosse mera sanha
É sempre assim.
Sem levantar suspeita
o verbo oculta a lágrima
que derradeira se deita
e silencia a palavra
O verso chega manso
mas o papel
permanece intacto.

A MINHA POESIA
Quero, aqui, dizer, que
vivi, antes demais,
O sonho a que me propus, em
tempos idos,
Não foram fáceis os caminhos
tidos,
Mas alcancei o que não supus
jamais.
A poesia ainda é uma
criança, que dorme
Dolente em meus braços, suas
carícias
Foram de encontro a todas as
sevícias,
Que o corpo indolente e
informe
Apresenta em cada
circunstância de nossa
Vida, um sinal de alerta que
devemos ter,
Para que o nosso sonho
seguir possa.
Hoje, ainda não totalmente
realizado,
Dou-me por satisfeito com o
que já vi nascer,
Deste aparo, que é o meu
sonho idealizado.
Jorge Humberto
03/04/07

ALMAS RUDES
Bem sei das gentes sua
estranheza,
Que bem me julgam, no mal
julgar,
Não me conhecem por sua
certeza,
Qual a minha em saber-lhes
do duvidar.
Por entre as névoas do
preconceito,
O omisso é pretenso e rude
espírito,
Não lhe dêem senão vosso
peito,
Não calem mais que certo o
grito.
Mas quem sabe desta mi alma,
Que o coração lhe achega a
preceito,
De tão simples, a julgar
direito,
Inda se esvai, com tamanha
calma,
Por entre a estreiteza do
que passa,
No seu caminho de regresso a
casa.
Jorge Humberto
(14/05/2004)

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