Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Revista Novos Tempos

Fevereiro - 2013

Terceiro Bloco

 

  Hiroko Hatada Nishiyama

  Humberto Rodrigues Neto

  Ina Melo

  Isabel C S Vargas

  Isabel Pakes

  Ivan Vagner Marcon

  Ione Rubra Rosa

  Ivone Boechat

  João P. C. Furtado

  Jacó Filho

 

 

 

Hiroko Hatada Nishiyama
São Paulo, Brasil

A miragem - (do caderno de uma menina)

 

 

Na sala de jantar de minha casa, tem um retrato pintado de um anjinho. Um dia, o quadro foi colocado do lado de fora, no quintal, no chão. E tinha uma poça de água limpa e cristalina refletindo o céu azul, sem nuvens, como só acontece na primavera.


E como mágica a água refletia também o quadro. E como magia o anjinho também estava refletido naquela água que parecia abençoada, com a santificada figura.


Fiquei assustada, porque o quadro iria ficar molhado.


Mas era só o reflexo!


Quando, à noite fui dormir, eu rezei muito, mas muito mesmo e perguntei a Deus se os anjos existem!


Ele me respondeu: Não é uma miragem, se quiser vê-los de verdade é só abrir a janela à meia noite.


Fiz exatamente isso e vi, juro que vi, não um, mas muitos anjinhos fazendo tchauzinho e sorrindo para mim.

 

 

A rua


A rua que procuro
Fica no centro da cidade.
Tem lojas barulhentas
Com cheiro de coisa velha
Como o baú
Que esconde segredos mil.
É uma rua bem curtinha
Tem até uma curvinha
Ao invés dos ângulos de esquina
Pra ninguém ficar dançando:
"quem sai, quem fica!"
Pra no fim dar a trombada:
"- Me desculpa, foi sem querer."
"- Não há de quê!"
Mas a rua que procuro
É esta mesma!
É também este encontrão
Que sonhei na vida:
Dois olhos sorridentes, me fitando,
E já dizendo:
Eu te amo...

 

Hiroko Hatada Nishiyama

 

 

 

Humberto Rodrigues Neto
São Paulo - BR


É CARNAVAL!

Depois de se esfalfar o ano inteiro
o povo espera o mês de fevereiro
para as mágoas lavar no carnaval...
E é nessa transitória fantasia
que ele busca a ilusória anestesia
à dor sem cura de viver tão mal!

Em casa, na TV, na arquibancada,
extasia-se ao vibrar da batucada
e ao gingar das cabrochas na avenida!
Todo o desfile das escolas segue,
e de alma livre, já não se acha entregue
á corrosiva agrura desta vida!

Envolta em tais momescas terapias,
toda a platéia adere a tais folias
gingando aos pares, ou sem par nenhum!
E a bateria mescla os sons num só:
telecoteco do borogodó...
balacobaco do ziriguidum!

Mas chega a quarta-feira, e em tons ranzinzas
do carnaval só restam plúmbeas cinzas
que a madrugada vai levando embora...
Só então a plebe vê, em falaz catarse,
que a farra foi o irônico disfarce
da máscara que a vida jogou fora!

Humberto Rodrigues Neto


 

 

 

 

Ina Melo

Recife - PE


Sonhos de Carnaval

 


Abri os olhos e tentei reencontrar o sonho. Recusei em acordar. Apesar do aconchego das cobertas, o frio lá fora é intenso. O silêncio povoava o quarto. Todos pareciam mortos, até Alpho o amigo fiel, que dormia enroscado aos pés da cama. A cabeça está confusa e de pálpebras cerradas, retomo o sonho. Recuso a congelar o tempo e viver num casulo. Gosto da vida, por isso volto àquela cidade tropical, cheia de luz e calor.


É carnaval, eu não sou eu, e sim um homem com mil caras. Cada dia ponho uma máscara diferente. Resolvi deixar de lado as formalidades e junto com aquela gente simples, caí na folia. Antes, era um mero observador dos bailes nos camarotes, onde o povo só tinha acesso através de olhares distantes. Não quero ser palco, e sim platéia. Agora tenho muitos anos vividos, envelhecimento é transformação, recomeço. O importante é que estou vivo, por isso voltei ao meu paraíso particular.


Neste sonho de carnaval, procuro entre as mulheres a que mais tocou meu coração e que hoje, provavelmente, deve estar marcada pelas névoas do tempo. Lembro quando a conheci no apogeu dos trinta anos. Pele morena, cabelos encaracolados, olhos negros e boca de rubi.


Procuro na multidão a mulher dos meus sonhos. O carnaval era sua paixão, no reinado de momo se transformava: cigana misteriosa, odalisca, colombina e tantos outros disfarces que ajudam a enganar a vida.


Estou no meio da rua, sou um palhaço solitário, com mil mulheres à volta. Os olhos cansados de hoje buscam a amada de ontem. Alguém se aproxima. Apontado para mim, um tridente dourado, vejo uma bela diaba, vestida de vermelho, usando meia máscara, rindo e mostrando os dentes, pequeninos como pérolas. Mulher e diabo que comparação! Quem temeria o inferno em tão bela companhia?


Saímos dançando, não consigo tocá-la, ela vai me levando. Estou rejuvenescido. Sou leve como pluma. Chuvas de confetes e serpentinas caem sobre nossas cabeças. Ela me entrega um tubo com um líquido perfumado, derrama um pouco no coração e manda que eu cheire. Abraço-a e me embriago dela e do perfume. Uma alquimia perigosa, pele, líquido, suor e desejo. Continuamos a dançar. Nos beijamos e parece que estamos sós na multidão.


Reacende-se o meu furor sexual. A mulher desconhecida se mexe e balança os quadris tentadora e lascívia, um convite ao pecado. Não resisto. Passo as mãos ávidas pelo seu corpo, beijo sua boca, mordo-lhe com fúria os lábios rubros de paixão. A música triste fala de amores passados e perdidos, lágrima e risos. Acompanho a dama de vermelho, não sei pra onde me leva.


Não bebi, mas estou embriagado. De que, pergunto? Não sei, talvez da mulher diaba, cheirando a pecado, remexendo-se, convidando-me ao amor. Saímos da rua e segurando minhas mãos ela me leva para uma casa. Entramos. Ninguém. Só a música continua animada falando de saudades, de risos e alegrias com mil palhaços no salão.


Eu, um triste pierrô, ela uma diaba fremente. Ao som das marchas românticas vai se despindo, dançando e descobrindo o corpo dourado. Nua, apenas de máscaras e tridente nas mãos, me convida a mergulhar no seu inferno. Jogo a fantasia e quando vou abraça-la acordo do sonho de carnaval. Procuro a mulher, estou explodindo de desejo. Perdido na cama, não encontro ninguém. Por isso quero retomar o sonho e fazer amor com a bela diaba.

Ina Melo.

 

 

 

 

Isabel C S Vargas
Pelotas-RS-Brasil

 

Quero gritar


Das entranhas mais profundas,
Já brotaram largos sorrisos,
Dolorosas lágrimas,
Gritos de alegria,
Também de dor e inconformidade.
Questionamentos dilacerantes
Em busca de respostas
Ainda hoje, incompreensíveis.
O tempo abafou meus gritos.
Meus questionamentos não mais importam
Qualquer resposta será vã.
A aceitação se instalou.
A dor se encolheu
Para caber em meu coração
E nele morar serenamente
Enquanto o tempo corre inexorável.
Hoje quero gritar
Pela dor das partidas inesperadas
E, também para saudar
As novas vidas com que Deus me contemplou.

Isabel C S Vargas


 

 

 

Isabel Pakes
Cerquilho/SP-BR


Conjecturas...
 

 

Ontem ela esteve em minha casa, uma senhorinha idosa que muito vagamente se lembra das vivências por quais passou. Chegou toda alegrinha, muito sorridente, afagou o meu rosto e sentou-se no sofá, e ali ficou, como sempre faz, com os seus trejeitos próprios da idade avançada e senil, ouvindo as conversas à sua volta, porém, sem se inteirar dos assuntos, sem entender nada, mas rindo muito quando ríamos, mesmo sem saber a razão, enquanto acarinhava Sophia (minha cachorrinha) e falava com ela como se fosse outra criança. Digo outra, porque essa é a impressão que essa senhorinha me passa, de uma criança, apesar dos seus aspectos físicos muito envelhecidos, como se a própria vida tivesse se subtraído, em grande parte, de sua memória. Como se a VIDA, nela, apenas resguardasse o seu tempo de inocência. Como se tudo o mais fosse tão somente experiências terrenas necessárias, boas e não boas, que na prova dos noves fora, resultassem à sua VIDA, apenas o estritamente necessário para o seu desenvolvimento espiritual na rota evolucional. Conjecturas minhas, elucubrações... Nada de mais.

 

 

 

De passagem...

Passou por mim.
Espargiu-me essências de versos,
germinados num coração sonhador.
Lírica inspiração de um sentir sem limites,
que compreende, na alma em êxtase,
desde o âmago das sementes
aos píncaros das montanhas,
e além, as profundezas etéreas.

Passou por mim.

Seduziu-me...
Provocou-me sensações...
Tantas! Diversas. Ternas...
Frescores matinais,
fragrâncias florais,
beijos de colibris,
aragens veranis,
doçura de mel...

Expôs-me, à alma,
imagens aprazíveis, lindas!
Campos de flores, trigais,
cascatas, bosques, mares,
lampejos de estrelas,
chuva de meteoros,
lumes de pirilampos,
fulgores de auroras,
revoada de pássaros,
nuvens de borboletas...

Levou-me a vôos e mergulhos
por entre esperanças e amores,
canções, risos, burburinhos e cores,
farfalhadas, suspiros, sussurros...
Por entre as lidas do dia
e a voluptuosidade da noite.

Sons da vida!
Arpejos da natureza,
cósmicos pulsares...

Passou por mim,
viandante no sonho teu.

Cativou-me...
Possuiu-me...
Inundou-me!
E seguiu...

Escreve, poeta! Escreve!
Escreve a tua poesia
sonhada!

 

Isabel Pakes

 

 

 

 

 

Ivan Vagner Marcon
Cerquilho/São Paulo - Brasil.


COCOON

Quero muito
Muito mais do que sou...
Tomar emprestado outros eus...
Roubar histórias alheias... As tuas, quem sabe?
Encontrar-me num outro... E através de outros olhos
Enganar-me com uma felicidade diferente...
Certamente graúda
(apenas por não ser a minha).

Recompor-me
Tornar real o que sempre me foi medo.
Habitar meus vazios
Tudo novo...
Brincar de Deus...
Reinventar-me.

(Não mais fingir não sentir a dor que sinto e essa saudade a eclodir por dentro...)
Completar o que me falta
E expor o que sobra.
Em minha (des)ordem...
Dar liberdade para aqueles abraços vazios
E um alvará para os beijos que nunca enviei...

Eu
Que de mim,
Sempre fui um estranho
Obrigando lagartas a tornarem-se borboletas...

Ivan Vagner Marcon...

 

 

 

 

Ione Rubra Rosa
Brasil


MUITO ALÉM DAS CINZENTAS NUVENS...


Muito além das cinzentas nuvens...
Há um mundo colorido a nossa espera!
Flores perfumadas lembram a primavera,
Pássaros executam uma linda sinfonia,
O céu sorri,
O amor espalha suas sementes
E os corações são plenos de ESPERANÇA.
Muito além das cinzentas nuvens...
Existe um mundo encantado e perfeito,
Um mundo onde lágrimas e dores não existem.
Um mundo...
Onde todos são FELIZES!

Ione Rubra Rosa

 

 

 

 

 

Ivone Boechat
Niterói

 

Mais um


Na organização social adotada pela grandiosa maioria das nações do mundo inteiro, quando o poderoso opressor tem o comando de tudo, ter títulos, diplomas, pós, doutorado e ainda ter competência, desempenho, saúde, disposição e vontade significa absolutamente que o oprimido é apenas MAIS UM.


MAIS UM chega com seu currículo, ganha a concorrência do emprego, estufa o peito de tanto elogio, toma posse e fica. Imagina-se importante, desdobra-se em horas extras, procura agradar em tudo e agrada mesmo. É campeão de honestidade, só que não enxerga que é e será sempre MAIS UM.


MAIS UM passa a vida inteira trabalhando como se estivesse conquistado amizade, consideração e simpatia do opressor e, justamente, na hora em que sente o frágil corpo dando os primeiros sinais de cansaço e não consegue mais corresponder ao desafio desumano que lhe impõem, ousa questionar atenção, mas descobre finalmente que é apenas MAIS UM.


Começa a dura batalha entre o ego ferido de sonhador retumbante com a dura realidade, porque aí vêm as chantagens:


- Não, você não pode nos deixar, você é importantíssimo para nós, jamais poderemos perdê-lo.


Imediatamente, providências são tomadas para que se melhorem as refeições servidas na empresa, mais ar refrigerado, poltrona macia e giratória, banheiros esplendorosos, vale transporte.


- Afinal de contas, um bom empregado dá lucro nos negócios, vamos investir no seu conforto. Assim ele passará anos e anos metido aqui dentro e nem vai lembrar de mais nada.


MAIS UM fica feliz, porque pensa que estão descobrindo seus valores e nem vê que a máquina morrível de seu corpo foi aquecida para produzir mais. O salário continua o mesmo, a cobrança é cada vez maior, entre sorrisos e abraços, no corredor. Comprometido com tantas gentilezas, afunda-se com a terrível carga, esgota-se.


O tempo passa e as riquezas amontoam-se. É poderio, onipotência, exploração e quem é pobre fica mais pobre. Nas reuniões esporádicas da diretoria, acumulam-se reclamações, reclamam de tudo e como ninguém é de ferro, partem os principais para a Europa, vão descansar do stress.


MAIS UM parte para o cemitério. Foi realmente descansar e nunca mais saber que, de agora em diante, ele é contado somente como MENOS UM.

 

MEU CANTO

Eu faço versos
para espantar meus sustos,
dores, angústias e tristezas vãs,
vou caminhando
pra esquecer o tempo.
e, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Sou como lírios
que iluminam vales,
sou como águias
à procura do infinito,
busco no vento
a força contra os muros,
e, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Chuva miúda,
dor pequena,
tarde calma,
luz maior,
partir sem medo,
sem fazer segredo,
voltar, sorrindo,
se puder voltar.
E, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Revendo amigos,
conhecendo mundos,
atravessando abismos,
pra poder contar,
vou com as flores,
enfeitando estradas
pra poder na volta te encontrar.

E, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Ivone Boechat



 

 

 

João P. C. Furtado
Praia - República de Cabo Verde (África)

 

CARNAVAL? CARNAVAL

C Como ninguém vai acreditar
A Paz irei neste carnaval proclamar
R Rodarei o mundo a cantar e a sambar
N Nada me fará nesta hora calar
A Ainda que de louco o mundo me chamar
V Vou por fim me fazer ouvir
A Assim poder me dirimir?
L Livre das amaras e de todos bem alto sorrir!

 

C Com as vestes do bobo da festa
A A rua sairei e farei de profeta
R Rogarei para um mundo alerta
N No amor-perfeito e caridade certa
A As guerras estúpidas que sejam esquecidas
V Valores enormes nelas colocadas
A Atrevido direi para que na saúde sejam gastas?
L Livres das bombas e minas, o CARNAVAL será a FESTA!


 

 

Jacó Filho
São Paulo - SP

 

 

Consciência

 


O AURÉLIO, assim a define: CONSCIÊNCIA - substantivo feminino, atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se define por uma oposição básica; é o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo, (e depois em relação aos chamados, estados interiores, subjetivos) aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração; Conhecimento do próprio atributo, faculdade de estabelecer julgamento morais de atos realizados, conhecimento imediato de sua própria atividade psíquica.


Conhecimento, noção, idéia. Cuidado com o que se executa um trabalho, se cumpre um dever, senso de honradez, responsabilidade, retidão, probidade. E continua explicando que esses atributos, quando vividos por uma comunidade é chamada de consciência coletiva, e vem dai os termos: em sã consciência, pensando bem, para desencargo de consciência...


Estes termos representam que do ponto de vista e julgamento da comunidade, o ato do indivíduo está dentro do senso de honradez, retidão, etc.


Mas a definição do Aurélio, como não poderia deixar de ser, é muito restrita, concisa, e por isso, vamos olhar a consciência de um ponto de observação mais elevado, de um lugar onde possamos sentir sua abrangência em seus quatro níveis:


Sono sem sonho;
Sono com sonho;
Consciência desperta;
Consciência cósmica.


Olhe para aquele indivíduo que adora uma birita, lambuza-se num churrasco, só pensa em sexo, só ler placa de estacionamento e para não obedecer, a música é de um gosto restrito, poesia é coisa para pessoas de vocação sexual duvidosa, trabalha unicamente para sobreviver e se não tiver opção; olha para o próximo e vê apenas mais um trouxa para aproveitar-se ou um esperto para defender-se; seu gesto mais solidário é não perturbar quando não quer ser perturbado; a chuva é obrigação de Deus; sua casa é obrigação do Governo; o resultado negativo do seu trabalho é azar, e quando alguém se sai bem na vida, foi sorte; sua vida não tem nenhum tipo de planejamento, é capaz de sair de casa um minuto antes de uma tempestade e não perceber que ela está vindo; o termo socialismo para ele significa que pode usufruir o que é dos outros, mas não permite que ninguém use o que acha que lhe pertence.


Este indivíduo é como os que se enquadram no que chamamos de nível de consciência um, ou seja, sono sem sonho.


Agora procure entre seus amigos uma pessoa que não recrimina a bebida alcoólica, mas só toma um drink ocasionalmente, alimenta-se para viver e não vive para comer, tem o sexo como uma função fisiológica necessária e prazerosa, mas não faz disso uma odisséia e respeita o ponto de vista do próximo que partilha com ele essa intimidade, vê no trabalho uma oportunidade de produzir bens e valores, além de fazer boas amizades e contribuir para a sociedade onde habita, olha para o próximo e vê um ser humano que precisa ser compreendido e poderá ser um grande amigo, a chuva é uma dádiva de Deus e sua casa é um abrigo que tem de providenciar para o resguardo de sua segurança e de sua família, gosta da música e a ouve como uma boa distração, seja para escutar e dançar ou apenas para ouvir, respeita e admira a natureza, planeja parcialmente sua vida e já escuta a previsão do tempo antes de sair de casa, gosta de uma boa leitura e conversa com Deus, segundo lhe ensina o pastor, ou padre etc.


Este indivíduo está vivendo o segundo nível de consciência, ou seja, o sono com sonhos.


Vamos olhar agora para um indivíduo que observa analisa e respeita cada um dos aspectos relatados acima, sente de forma especial cada detalhe, lê a natureza quando quer saber com antecedência o dia a hora e o lugar onde choverá, sente o semelhante como um irmão, entende suas carências e lê sua mente para detectar como poderá lhe ajudar sem o submetê-lo a qualquer tipo de constrangimento, escreve belas poesias ou um outro gênero literário, desde que possa transmitir para outros a sua visão do Universo, ouve a música da natureza e reconhece quando alguém com esse dom consegue captar a mensagem angelical e escrevê-la em notas musicais, ou simplesmente o faz, conversa diretamente com Deus segundo seu vocabulário e com a intimidade de um bom filho e sabe que sua força reside no amor com que realiza seu trabalho e gerência sua vida etc.


Este indivíduo vive o que chamamos de consciência desperta.


Agora vamos procurar cuidadosamente, um indivíduo aparentemente estranho, que respeita cada semelhante como sendo a reprodução exata de Deus, não apenas ama a natureza, mas sente-se como parte íntima dela, conhece as emoções dos homens, dos animais, das plantas e sabe como cada parte do eco-sistema se completam, como se harmoniza o lado material e o lado espiritual e qual a relação entre os dois, conhece o comportamento dos elétrons sobre os átomos e os resultados de suas combinações, não apenas sabe quando e onde vai chover, mas conhece os mecanismos que catalisam uma precipitação pluviométrica e seria capaz de provocá-la se quisesse, tem o domínio dos elementos da natureza e nem por isso abusa desse poder, sabe qual a reação provocada no clima do Japão, quando uma borboleta bate suas asas no Brasil, é capaz de sintetizar do nada, uma flor, enxerga no Universo um indivíduo e no indivíduo um Universo, e não só ama o próximo, ele ama o amor etc.


Este indivíduo vive o que chamamos de consciência cósmica.


(Texto extraído do livro Sociedade Virtual de Jacó Filho)

 

 

 

OBRA DE EROS

 

Certamente me cobre com teus encantos,
Alternando sem pressa o passo e quadril...
Desenhada por Eros e despertando febril,
Desejo sem pudores, que cai feito manto...

Ofertas ao espelho a imagem tão perfeita,
Que abala sentimentos de almas reclusas...
Inquietando as mãos de encontro a blusa,
Imaginando os seios, e tua cama desfeita...

Os sonhos repetidos moldando teu corpo,
Sedimentam o sentir que ora me governa,
E não sou o único, que em paixão hiberna...

És de Deus um anjo, que em divino sopro,
Põe-te entre os homens a cada primavera,
E seus espíritos enamorados, Tu dilaceras...

 

Jacó Filho
 

 

 

 

 

 

 

 

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