Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Revista Novos Tempos

Terceiro Bloco

 

  Gerci Oliveira Godoy

  Glória Marreiros

  Helena de Melo

  Heralda Víctor

  Hiroko Hatada Nishiyama

  Humberto Rodrigues Neto

  Ione Rubra Rosa

  Isabel C S Vargas

  Isabel Pakes

  Ivone Boechat

 

 

Gerci Oliveira Godoy
Porto Alegre/ RS

 

História inacabada

 

 

Nazinha tinha, desde menina, uma grande paixão pelas palavras. Hoje queria escrever, desenrolar o fio da memória.

 

Quando criança, no colo do pai, ouvia causos. Hoje ela é uma lenda, carcomida pelo tempo, mas o coração galopa no peito. Bem longa é a historia de sua família, de sua vida. Quem sabe ainda irá publicar seus escritos, pensa Nazinha. Tanta coisa interessante poderia contar, coisas alegres, coisas tristes, porém há momentos em que o frágil corpo fraqueja, as dores aumentam, mas logo depois, como a Fênix, ela parece ressurgir das cinzas. Sempre com a resignação própria dos velhos, e aquele amor pelos livros e pela escrita. Amor antigo, intenso, e carregado de sentimento.

 

Nazinha já está cansada de falar com as flores, as abóboras, as couves...Com o marido não ha mais diálogo. Debaixo daquela laje fria ele não lhe escuta. Por isto deixara de ir ao cemitério.

 

Ele, o marido, gosta muito de flores e às vezes quando ela está regando o jardim, aparece para ajudá-la, e assim Nazinha revive as coisas boas que passaram juntos e sorriam e dançam entre as margaridas!

 

Os filhos são bons mas estão sempre muito ocupados. Os netos, quando pequenos eram seu encanto. Tem uma foto junto com eles, na praia de Cidreira. Até saiu no jornal a bonita foto da velhinha com as crianças. Estava escrito na reportagem que ela enfrentara o vento frio para brincar com os netos. Talvez ninguém mais lembre, pensa Nazinha.

 

E as lembranças vão pingando devagar no papel amarelado que encontra na caixa dos guardados. Ah! Os guardados! Relíquias com as quais ela muitas vezes se distrai. As bonecas de papel de quando era menina e fazia de conta que era modista, recortando e pintando vestidinhos, as cartas do namorado, as lembrancinhas de casamento, santinhos, pétalas de flores e tantas pequenas coisas que ela conserva com carinho e com aquele saudosismo gostoso e sem sofrimento.

 

Numa noite, ouve um barulho estranho que vem do pátio. Espia com um pouco de receio. É um homem e parece ser ladrão. Ela vai logo dizendo: - Moço, eu não tenho nada, já roubaram meu radio de pilha, minha lanterna... O homem fala: - fica quieta! Em seguida chama-a de vovó e pede algo para comer. Ela lhe alcança pão e uma fruta e pensa que ele é bonzinho, só está com fome, então quer puxar um assunto mas o homem vai embora. Sente pena, e pensa que podiam ter conversado, ela tinha tantas coisas para contar.

 

Volta para suas escrevinhações, como costuma dizer.

 

De manhãzinha sai de casa, vai ao banco e depois as compras, e já na fila do ônibus vê um moço e fica encantada. Ele é tão bonito, parecido com alguém que conhecera em um baile, a muito tempo quando era moça. O moço bonito é o motorista, que solícito, pega seus pacotes ajudando-a e colocando-lhe os pertences no colo. Para Nazinha foi amor à primeira vista. O rapaz é jovem, Nazinha, curvada pelas dobras tantas dos anos, o rosto miúdo e enrugado, mas seu coração pulsa, os olhos brilham e sua alma está novinha. Ela sorri pensando que faz muito, muito tempo que não sente aquela emoção, aquela força.


No dia seguinte, um sábado ensolarado põe seu melhor vestido, penteia muito bem os cabelos embranquecidos e sai, quer rever o moço. Lá está ele, e que sorriso lindo! Então Nazinha fecha bem a boca, não quer que o rapaz veja que ela tem dentadura postiça. O moço vem logo ajuda-la a subir no ônibus.

 

Ela volta para casa sentindo um calor diferente no peito. Senta-se perto do fogão à lenha e escreve. Escreve até não mais poder. As costas latejam, os dedos endurecem, mas hoje Nazinha tem novidades, coisas alegres para contar. Já muito tarde, exausta mas contente ela vai dormir. Sonha, e no sonho vê muita gente. Os pais, o marido, os filhos, os netos e no meio deles, ela própria, que assiste tudo e não consegue falar. Que estranho, pensa, me sinto bem mas estão todos tão sérios, tão tristes. Porque será?

 

No outro dia sai, compra coisas gostosas, o dinheiro é pouco, no entanto, pão, queijo e vinho não podem faltar. Quem sabe encontra coragem e convida o moço? Poderiam fazer uma refeição juntos.

 

Nazinha nunca mostrara para ninguém seu escritos, porém para o moço bonito ela haveria de mostrar. Hoje vai perguntar o nome dele e revelar-lhe o seu.

 

Espera o ônibus e, de repente, aquela visão: - Ah, Deus, quem será aquela mulher? Ele beija-lhe a boca: - Então o sem vergonha é casado? Que tristeza! Nazinha não quer ver nem pensar mais nada.


Sai andando. Não tão depressa como desejaria. O corpo está pesado e as pernas trôpegas mal conseguem carrega-la até sua casa. Abre o pequeno portão do pátio, entra pela porta dos fundos, senta-se e tenta escrever. Mas o que? Dizer do gelo no peito, dos olhos secos, das lágrimas perdidas, do desencanto, daquela dor nas costas, da saudade, do abandono? Não! Nem mais uma palavra.

 

Escurece.

 

No fogão, nenhuma chama.

 

Recostada na cadeira, Nazinha, estática, por algum tempo ainda fita o vazio.

 

Com seu vestido de chita, ela parece uma boneca de pano, antiga e desbotada.

 

No silêncio, nenhum movimento.

 

Os fantasmas estão dormindo.

 

Até os grilos silenciaram.

 

Uma folha, jaz em branco, o vinho derramado, exala o odor da solidão.

 

Nazinha, lenda inacabada, com os olhos semicerrados parece espiar as cinzas de sua ilusão.

Gerci Oliveira Godoy

 

 

 

Nome: Glória Marreiros
Cidade: Portimão


Tratamento do Adágio Popular: Mais vale morte que má sorte.

Título: AFINAL, TEVE MUITA SORTE!
 

Passava os dias a dizer:


- Que pouca sorte a minha. Isto não é vida. É bem melhor morrer.


Na verdade, ele já tivera uma boa vida. Fora Director numa firma bem conceituada. O ordenado era razoável. Ia duas vezes por ano de férias com os filhos e a mulher, sem contar com outros passeios. Mudava de carro sempre que lhe apetecia. E deu, sem dificuldade, cursos superiores aos filhos. Era verdade que trabalhava muito e tinha muitas responsabilidades, mas compensava.


A sorte mudou. Virou-se contra ele. A firma faliu. De um momento para o outro ficou no desemprego. Era um homem novo para estar sem trabalho, mas, por outro lado, achavam-no velho para um novo emprego. E a reforma ainda estava longe?


Ele continuava a dizer:


- Que pouca sorte a minha. Isto não é vida. É bem melhor morrer.


Não era homem para estar parado. Arranjou um trabalho, mas muito diferente do que tivera. Trabalhava durante a noite, a vigiar um parque de diversões. Mas continuava a dizer:


- Que pouca sorte a minha. Isto não é vida. É bem melhor morrer.


A tragédia aconteceu, naquela noite. Foi assaltado, amarrado, amordaçado e maltratado até quase à morte. Esteve em agonia durante cinco horas, até ser encontrado.


Na cama do hospital, imobilizado, com duas fracturas na coluna, já depois de ter sido submetido a duas complicadas cirurgias, olhava para a fotografia do neto, com um sorriso que lhe chegava de orelha a orelha e dizia:


- Que grande sorte que tive, que grande sorte que tive! Faltou pouco para ter morrido.

 

 


AS TUAS MÃOS
Glória Marreiros


Vi as tuas mãos envolvidas
no silêncio da espera.
Pegavam noutras mãos mais
frágeis e mais sensíveis.
E nesse contacto tão suave,
vi a minha saudade transformada
na promessa
da tua juventude.
As tuas mãos recebiam
as minhas, como herança.
E sobre a ponte dos nossos dedos
emaranhados como cadeias de hera,
vi a estrada onde se acelera
a carruagem do meu passado,
agora, depositado
no futuro das tuas mãos
de primavera.

 

 

 

Nome: Helena de Melo

Portuguesa, radicada em França

 

Envelhecer Não é Perder é Ganhar

 

Amar uma Planta pequena sentir-se Enraizado, ficar preso a um Jardim de perfumes variados, onde se Planta o Jasmim, a Rosa e o Cravo.

Envelhecer é um caminho Estreito que o tempo Alargou, deixando passar o Respeito, por nós conquistado, em Lágrimas e Risos o ser Alimentado.

Envelhecer é o estado mais próximo da Perfeição para quem soube tirar da Vida a verdadeira Lição.

Ter tido Coragem para viver o tanto que a Vida nos dá e devolvê-lo em Coragem Sabedoria e Paz.

Envelhecer é Amar a Família o Cão e o Gato, e ainda ter lugar para um belo retrato que colocamos na parede, com orgulho e afeição, para lembrar que o tempo por ali passou, e levou a formosura mas deixou a dobrar a Beleza do Coração.

Envelhecer deixa marcas, sulcos no olhar, a que chamamos Rugas um mapa a decifrar, todo cheio de Tesouros que vamos Partilhar porque Envelhecer não é Perder é Ganhar.

Envelhecer é como as cordas de um Violão que já conhecem a canção, uma letra e um refrão tantas vezes troteado, que já o cantamos de cor e salteado.

Esta bela melodia, por nos entoada, pode ser um Samba ou um Fado, sendo que a vida Aplaude de sorriso rasgado, pois melodia assim só quem viveu Apaixonado, e acima de tudo aprendeu o Recado.

 

As Cores do Amor

 

Tuas Cores são o que mais emana de ti,

do Azul ao Rosa uma paleta sem fim.

Essas cores meu Amor

alimentam o meu ser é com elas que visto e me dispo de mim.

A minha nudez começa por te revelar

que em minhas cores te podes recriar, numa fusão de verde,

amarelo, e lilás nossos corpos farão uma

mandala de desejos que só nos podemos encarnar,

pois cada cor é um pedaço de mim e nelas

encontrarás o doce amargo da Paixão e também

a paz que trago no Coração.

Ao tocares a minha pele

feita de cores em explosão, poderás fazer o quadro deste

sentimento que grita para se mostrar e

guardei só para ti, num instante no tempo que

quero perpetuar até ao infinito se me poderes levar.

Texto de Helena Melo

 

 

Nome: Heralda Víctor
Cidade: Florianópolis


Em nome da paz

Que o processo de transformação
Para um mundo melhor
Comece a partir da minha casa.
Que o amor ao próximo
Inicie dentro do meu coração.
Que no seio da minha família
Entre as pessoas do meu convívio
Aconteça a prática do perdão.
A partir da minha casa
Seja combatida a injustiça
Plantada a semente da verdade
Cultivada a fé.
Que o meu lar seja acolhedor
Um lugar de aconchego e carinho
Um ambiente sereno e harmonioso
Um recanto de amor.
Que em minha casa haja
Boa vontade, confiança,
Fraternidade e união.
Que em meus pensamentos
Impere a honestidade e a esperança.
Que a minha porta seja uma entrada segura.
Minha janela um olhar de bondade.
Minha mente um fomento de alegria.
Meu agir um instrumento de paz
Superando as adversidades sem amargura.

Heralda Víctor

 

 

 

Nome: Hiroko Hatada Nishiyama
Cidade: São Paulo, Brasil


Novos tempos


Neste momento
A sós com meus pensamentos
Sinto a invasão
Do ranço inexorável
A atormentar minha mente:
Solto um gemido,
Nestes agito nos novos tempos
Uso e abuso (e não recurso)
Do iPod, iPad,
iPhone , iBrain.
E nesse contexto
Dos novos tempos
Silenciosamente protesto:
Nestes 10 mandamentos
Fundamentais para
A sobrevivência mental.


1  Amar a comunicação
Oral, escrita e do coração.


2  Não pronunciar o nome de
Steve Jobs, Bill Gates, Philip Low
Em vão!
Respeito é sempre bom!


3  Dedicar algumas horas
Diariamente para viver, dormir,
Para no sonho fugir!


4  Honrar os servidores
Mensageiros de
Luz, Paz, Amor,
Mensageiros da
Poder do Pensamento
O Universo responde
Seja em palavras
Ou em energias vibratórias.


5  Não ignorar as mensagens:
Olhe para dentro de si,
Não as deixe por aí!


6  Não altere os pps, ppt, pptx, html.
Respeito é muito bom!


7  O cósmico é fonte de todo bem!
Nos novos tempos,
O bem surge no iPhone,
iPad, no iPod, no tablete.


8 Alerta sempre, sem hoax e afins


9 Nos novos tempos
Impera a tecnologia no dia a dia.
Mas a vida é composta de
Gratidão, amor, oração!
Caridade, virtude, compaixão!


10 Meditação e reflexão!
As chaves para os Novos Tempos!
 

Hiroko Hatada Nishiyama


 

 

Humberto Rodrigues Neto
São Paulo - SP

 

ESPÍRITO SANTO E SANTÍSSIMA TRINDADE


Nos textos dos Evangelhos primitivos não existe a expressão Espírito Santo, tendo sido introduzida por tradutores franceses dos livros canônicos, já que era necessário criar algo que viesse dar força à implantação do incrível dogma da Santíssima Trindade, o qual iria conferir, ao Deus uno e indivisível, o caráter absurdo de um deus trino.


Mateus, ao relatar o batismo de Jesus, diz, claramente: O Espírito de Deus (e não o Espírito Santo) desceu sobre Ele na forma de uma pomba.
Na versão grega dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos, segundo nos diz Leon Denis, a palavra Espírito está por diversas vezes isolada, sem quaisquer acréscimos. São Jerônimo, ao elaborar a Vulgata, ou seja, a tradução da Bíblia para o Latim, acrescenta-lhe santo, talvez para diferenciar um espírito bom de um outro menos perfeito, o que foi o bastante para os tradutores franceses deturparem o termo para Espírito Santo. A citação de Denis está fundamentada nos escritos de Bellemare.


Portanto, somente depois da Vulgata é que a palavra espírito passou a ser completada com o vocábulo santo, junção esta que lhe deu um sentido obscuro e concorreu para desnaturar-lhe o sentido original e primitivo.


Tanto é assim que, no texto grego, em Lucas, 11:9-13, lê-se, claramente:

Aquele que pede, recebe; o que procura, acha; ao que bate, abrir-se-lhe-á. Portanto, se ainda que sendo maus sabeis dar boas coisas a vossos filhos, com maior razão vosso Pai enviará do Céu um Bom Espírito àqueles que lhe pedirem.


No entanto, as traduções francesas trocam o Espírito Bom, original, por Espírito Santo, num clamoroso contrassenso, pois na própria Vulgata consta, em Latim, Spiritum Bonum (= espírito bom) e não Spiritum Sanctum ( = espírito santo).


Se tomarmos a Vulgata, leremos em Atos, 21:4, o seguinte: E disseram a Paulo, sob a influência do Espírito, que não subisse para Jerusalém. No entanto, traduções francesas dão, a esse trecho o seguinte enunciado:  ...sob a influência do Espírito Santo..., o que não é a mesma coisa, pois desvirtua totalmente o significado do termo.


Veja-se, também, que Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, 12:1-11, ao orientar os médiuns sobre os dons de uns para a palavra, de outros para a cura, de outros, ainda, para línguas estranhas, não se refere, nenhuma vez sequer, a Espírito Santo, mas apenas e unicamente a Espírito.


Ainda em Atos, 2:1-13, ao reportar-se à manifestação do Dia de Pentecostes, Jesus se referiu à descida do Consolador, do Espírito de Verdade, ou do Paráclito, e nunca, ao Espírito Santo. Ora, se a figura do Espírito Santo tivesse, mesmo, a proeminência que a Igreja indevidamente lhe atribui, ela não teria, jamais, passado desapercebida à aguda percepção do Mestre.


A corruptela Espírito Santo para designar Espírito, foi, portanto, propositadamente adotada para atender aos interesses da Igreja, então empenhada no estabelecimento de uma figura de impacto, que infundisse respeito e temor aos fiéis, e que lhe possibilitasse, numa etapa seguinte, formular o dogma de um Deus trino, representado pelas três pessoas da Santíssima Trindade, resolução que foi aprovada durante o Concílio de Nicéia, levado a efeito no ano de 325 e sacramentada como verdade teológica em 381, durante o Concílio de Constantinopla, numa flagrante contradição com os próprios ensinamentos católicos, que atribuem ao Criador as virtudes inderrogáveis de uma entidade una e indivisível.


Ora, se o Cristo tivesse aceito a Trindade como uma verdade fundamental, Ele seria o primeiro a reconhecer-se como Deus e como coparticipe, portanto, desse inusitado triunvirato, atitude que não se vê descrita em nenhum dos Evangelistas, seja em Bíblias católicas, calvinistas ou luteranas, nas quais o Cristo sempre afirma, perentoriamente, a sua inteira dependência do Pai.


Sobre a manipulação de textos sagrados, aliás, é importante lembrar que Maomé, o grande líder do Islamismo, acusava severamente os cristãos de terem adulterado os escritos originais dos livros santos, de modo particular no referente ao dogma esdrúxulo da Santíssima Trindade, conforme cita o Dr. F. X. Funk em sua excelente obra História Eclesiástica.


Como se vê, os teólogos de então, não obstante seus dotes de erudição, não conseguiram manter-se imunes ao fascínio que a crença em deuses múltiplos sempre exerceu sobre o homem, como vemos no culto dos antigos egípcios a Amon, Ra, Osíris, Hórus, Anúbis, etc.; na adoração dos gregos primitivos a Zeus, Cronos, Apolo, Atena, Eros, Prometeu e outros; na idolatria dos romanos a Júpiter e sua esposa Juno, a Vulcano, Minerva, Netuno, Ceres, e vai por aí afora.


Sobre Prometeu, um dos deuses gregos, rezam antiquíssimas tradições que teria ele feito o primeiro homem moldando-o do limbo da terra. Será que...? (Cala-te, boca!).


No referente, ainda, ao dogma da Santíssima Trindade, parece-nos que os seus criadores cometeram uma injustiça contra Maria, mãe carnal de Jesus, pois, uma vez que ela é considerada como mãe de Deus, conforme afirma a oração da Ave Maria, teria, também, que participar, já não dizemos do deus trino, mas de um deus quádruplo, porquanto é enaltecida como a origem deles todos.

 

Não teria sido sem razão que D. Pedro II, uma das maiores cabeças pensantes que este país já produziu, resolveu estudar, pacientemente, muitas línguas primitivas, como o sânscrito, o aramaico e o hebreu, além do grego e do egípcio antigos, mesmo porque possuía bíblias originais em algumas dessas línguas e não iria permitir que o seu raciocínio privilegiado viesse a ser manipulado por tradutores menos competentes ou pouco sérios.


Todos as absurdas deformações introduzidas nos textos sacros como produtos de interpretações errôneas, sejam involuntárias, sejam propositais, é que devem ser difundidas junto aos devotos de outras crenças cristãs, pois não obstante demonstrarem, tais irmãos, muito bons conhecimentos bíblicos, é fora de dúvida que lhes foi vedado, durante os cursos doutrinários, não só o acesso aos verdadeiros enunciados das fontes originais, como também aos tipos de violação nada edificantes sobre eles perpetrados, tudo no afã de garantir a não dispersão do aprisco.

 

Ora, predispor mentes ingênuas e despreparadas à crença em dogmas abstrusos, como o do Espírito Santo e da Santíssima Trindade, não nos parece um procedimento louvável por parte de doutrinas que se dizem preocupadas com a evolução do homem para melhor.

 

Perdoem-nos os leitores, mas isto não é religião. É mitologia.

Bibliografia: Cristianismo e Espiritismo, de Leon Denis.
História Eclesiástica, do Dr. F. X. Funk.
Enciclopédia Barsa.
Casos Controvertidos do Evangelho, de Paulo Alves Godoy.

Humberto Rodrigues Neto

 

 

 

Ione Rubra Rosa

Brasil


A ESPERA DE UM BEIJO...


Ele não era o Brad Pitt, mas tinha lá o seu charme. Verdinho, lustroso, fofinho... Pronto para ser amado, mas coitadinho sempre ficava num canto jogado.


Piscava daqui, piscava dali, mas nada de ser notado. Seus olhos pretos saltadinhos buscavam encontrar uma dama corajosa, que lhe beijasse os lábios para que, quem sabe como nos contos de fadas, em um belo príncipe ele se transformasse.


Os dias passavam e nada do milagre acontecer, já desiludido e desanimado, resolveu novos caminhos percorrer. Saiu pulando apressado e num shopping famoso decidiu se esconder. Cansado da caminhada, fez uma pausa para se alimentar e beber. Vencido pelo cansaço acabou cochilando sem perceber.


Durante o cochilo, uma moça apareceu e encantada por ele não resistiu e bem de mansinho, para não acordá-lo, em sua cabeça fez um carinho e nos seus lábios depositou um selinho. O charmoso sapinho estremeceu e algo dentro dele também remexeu. Um estranho tremor todo o seu corpo percorreu e em seu lugar um belo mestiço apareceu.


Um misto de índio e cigano, beleza exótica, muito mais lindo que o Brad... A jovem moça ele foi agradecer e ao olhar para ela o amor conheceu... Amor sincero que como linda flor nasceu e desse dia em diante só frutificou e cresceu.


Ione Rubra Rosa - 04/01/13

 

 

 

Nome: Isabel C S Vargas
Cidade: Pelotas - RS - Brasil
 

Solo para a vida eterna

 

Descobri que preciso de luzes para ofuscar meu olhos e me impedir de ver as estrelas, a lua e a beleza da noite. Ao vê-los, lembro-me de ti.

 

Lembro sempre, mas nestes momentos a tua ausência é contundente.

 

Quantas vezes olhamos a lua do fundo de nossa casa, a vimos refletida na água admiramos a beleza das noites de luar a emoldurar a lagoa tão próxima de nós.

 

Lua, estrelas, céu, estrelas-cadentes, reunião familiar, noites festivas, foguetes estourando para saudar anos que eram novos, hoje envelhecidos pela dor e pela tristeza de não te ter junto, aqui em teu porto seguro, teu lugar de aconchego onde desejavas sempre ficar.
Natureza, praia, calor, amigos ao redor, festa.

 

Viver era uma festa. Contigo ao lado tudo era alegria e comemoração mesmo que cantasses desafinado ou que teu rock não soasse bem em meus ouvidos.

 

Tua presença era afinada, especial, um momento único como um solo de clarinete (que eu achava maravilhoso quando tocavas) ou um solo de sax- que gostavas tanto.

 

Quanto eu queria que voltasses a tocar...

 

Talvez hoje toques em uma orquestra celestial.


Sinto falta das tuas chegadas, do teu barulho, dos teus gritos de gol, das tuas proposições que nós rejeitávamos- tocar bateria.


Sinto falta de teus lindos olhos, das tuas brincadeiras, de acordar de manhã e te ver à mesa do café lendo o jornal, de tua mão macia e forte a Márcia e a Nina que o digam.

 

Quando brincavas eu dizia que não tinhas noção de tua força. Não só física, mas interior.


É toda essa energia que nos faz falta, nos entristece pela lacuna que ficou.


Tua presença era um solo irretocável da criação divina que hoje está gravada com muito amor em nossos corações.

 

 

 

MEU UNIVERSO

Como duvidar da existência de Deus
Se Ele nos dá a
Natureza exuberante
O Sol esplendoroso
O mar que lava a alma
O céu sem limites
As estrelas que brilham
Como duvidar,
Se Ele me deu a ti
Filho querido
Cujo amor
Proporcionava alegrias
Aconchego e paz infinita
E dava à minha vida
O brilho das estrelas,
O calor reconfortante do sol
E a sensação de profunda unidade
E comunhão com o universo.

Isabel C S Vargas

 

 

 

 

Nome: Isabel Pakes
Cidade: Cerquilho/SP - Brasil

 

Observem as crisálidas

Acentuam-se os sinais!
Já se ouvem os primeiros acordes da era vindoura.
Mais um pouco e soarão as trombetas!
Que os ouvidos se deem a ouvir.
Que tombem todos os marcos!
Não existem fronteiras entre o céu e a terra.
Não existem barreiras entre o homem e o seu Senhor,
O que há são temores - penumbras
que se diluem à proximidade da Luz.

E calem-se as bocas nefastas!
Há muito seus ecos desalentam-se
por muito se repetir e apenas se repetir.
São idos os seus tempos. A Luz se intensifica!
A Luz! Não o incandescer efêmero das chamas.
A Luz! A que vem do despertar da Vida
que a alma aquece e diviniza
e a todo mal acanha e apascenta.
Que sejam despertos os homens!

Observem as crisálidas:
antes limitadas larvas e, de repente,
despertam aladas, em cores, tão lindas,
que o prazer do voo é maior que o susto
frente à imensidão do espaço
que se lhes abre por inteiro!
Antes, grotescas comiam folhas,
beijarão as flores depois!
Quem lhes voltava a face, as contemplará.
Que os olhos se deem a ver.
Que sejam despertos os homens!

Isabel Pakes

 

 

 

 

Nome: Ivone Boechat
Cidade: Niterói - RJ


 

Amigo

 

Geralmente, chama-se alguém de amigo, porque é bondoso, paciente, compreensivo, nunca irritável, sempre pronto para doar tudo de si, além de outros predicados que indicam o ser extraterrestre capaz de manter relações duradouras, sem nunca provocar nenhum tipo de constrangimento, por menor que seja. Segundo o mais exigente perfil traçado, o homem, cheio de limitações, não seria capaz de preencher tantos requisitos. Amigo, nessa visão, é alguém perfeito!


O que seria um amigo? Uma pessoa comum, com direito de errar, podendo discutir pontos de vista, mesmo discordando do outro. Uma pessoa que pode ter preferências, alguém para compartilhar dores e alegrias ou viver simplesmente a própria vida, dando ao próximo o passaporte de sua intimidade, se concluir que deve.


Pessoas mal orientadas acham que amigo é um banco aberto, funcionando vinte e quatro horas para atender e resolver todos os assuntos, inclusive financeiros. Por esta e outras razões há traumas e desequilíbrios ocupando psicólogos, professores, padres, pastores e psiquiatras, devido a decepções causadas por pessoas mal educadas e... desestruturadas.


O amigo é companheiro, mas fala o que pensa, não aponta somente qualidades, conhece e aceita os próprios defeitos e os dos outros. Na interação do dia a dia, trabalha pelo crescimento mútuo, alternando elogios e advertências. O amigo compreende, sem muitas explicações, o silêncio e o barulho do outro!


Se a educação estivesse ao alcance de todos, amigo seria pessoa sujeita a erros, muito comum no grupo, porque todos seriam capazes de respeitar e ser respeitado. Não haveria medo de falar-se abertamente sobre qualquer assunto e nem haveria necessidade de se inventar o segredo como recurso contra o linguarudo.


Amigo mais chegado que o irmão a que Salomão se refere é aquele mais íntimo, com maior afinidade, aquele amado que se esforça por conciliar, moderar e compreender, mesmo quando tudo parece incompreensível. Este amigo é aquele que não precisa de explicações quando desaparece nem de justificações, porque chegou primeiro.

 

O QUE É MAIS BELO?

Você quer saber
o que é mais belo?
O amanhecer da vida,
ser criança
ou a maturidade do adulto,
pôr-do-sol?

Durante o dia, brilho,
calor da luta, correr...
à tarde, o sol se pondo,
sem cruzar os braços,
reduzindo o brilho,
para a vida reacender!

O que é mais belo,
o que dá mais prazer?
o esplendor da madrugada
ou a esperança,
sol da maturidade,
reacendendo em cada idade,
a alegria de viver?

Ivone Boechat

 

 

 

 

 

 

 

 

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