Na poesia estou eu
enlaçada em fragmentos,
que junto a cada
poema terminado.
Ela me é companheira,
me é espelho,
reluz em meus olhos,
brilho imortal de sabedoria.
Amo a poesia,
Amo a vida e tudo que a compõe de
belo.
As coisas tristes e más tento-as
"consertá-las",
com palavras de carinho, com amor e
sobretudo EMPREGANDO O PERDÃO.
O Amor é a "arma" Divina maior, para
combater
atrocidades, desassossegos...
Acalenta
almas cansadas e frias.
Uso-o incansavelmente,
Tendo a certeza
de que me tem sido
salutar.
Creio em Deus, Amo-O e tenho-O
sempre
comigo.
O AMOR TUDO PODE!
A FÉ REMOVE REALMENTE MONTANHAS.
Se o som lhe incomoda,
desligue-o clicando no primeiro botão
Caros Amigos Leitores, abrimos este número da
Revista A GRUTA DA POESIA, com a
divulgação do que ocorrerá a
partir de hoje, no Mosteiro de
Alcobaça em Alcobaça, Portugal,
uma rica exposição apresentando
fotografias bibliográficas e de
objetos pessoais de duas musas
da poesia do mundo lusófono,
Florbela Espanca e
Virgínia Victorino
.
Na sequência, o convite de uma
de nossas autoras, Natália do
Vale, para o lançamento de duas
obras literárias de sua autoria,
no próximo mês de outubro, no
Palácio das Galveias, em Lisboa
- Portugal.
E por fim, contamos com as
prestigiosos trabalhos poéticos
dos nossos autores e amigos do
Portal CEN.
Uma boa leitura!
A Editora
FLORBELA ESPANCA E VIRGÍNIA
VICTORINO
FACE A FACE,
NO MOSTEIRO DE ALCOBAÇA
Galeria de Exposições Temporárias
do
Mosteiro de Alcobaça
Face a Face - Florbela Espanca /
Virgínia Victorino
Uma exposição que tem como
finalidade apresentar as duas
poetisas através da fotografia
bibliográfica e de objectos
pessoais, tendo como particularidade
o facto de Virgínia Victorino ser
natural de Alcobaça. O alcobacense
Jorge Pereira de Sampaio, Técnico
Superior do IGESPAR e Doutorado em
História – variante de História de
Arte pela Universidade de Lisboa é o
Comissário da Exposição. Uma
organização da Câmara Municipal de
Alcobaça em parceria com o IGESPAR.
A inauguração está marcada para as
17 horas de sábado, 26 de Setembro.
Informação útil:
Horário: Todos os dias das 10h00 às
17h00
De 26 de Setembro a 20 de Novembro
Entrada Livre
Absolutamente imprescindível!
Fonte: Gabinete de Comunicação e
Relações Públicas da Câmara
Municipal de Alcobaça
Nos dias de tristeza, quando
alguém
Nos pergunta, baixinho, o
que é que temos,
Às vezes, nem sequer nós
respondemos:
Faz-nos mal a pergunta, em
vez de bem.
Nos dias dolorosos e
supremos,
Sabe-se lá donde a tristeza
vem?!...
Calamo-nos. Pedimos que
ninguém
Pergunte pelo mal de que
sofremos...
Mas, quem é livre de
contradições?!
Quem pode ler em nossos
corações?!...
Ó mistério, que em toda
parte existes...
Pois, haverá desgosto mais
profundo
Do que este de não se ter
alguém no mundo
Que nos pergunte por que
estamos tristes?!
Ser Poeta
Florbela Espanca
Ser poeta é
ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder
como quem beija!
É ser mendigo e dar como
quem seja
Rei do Reino de Áquem e de
Além Dor!
É ter de mil desejos o
esplendor
E não saber sequer que se
deseja!
É ter cá dentro um astro que
flameja,
É ter garras e asas de
condor!
É ter fome, é ter sede de
Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro
e de cetim...
É condensar o mundo num só
grito!
E é amar-te, assim,
perdidamente...
É seres alma, e sangue, e
vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a
gente!
Virgínia e Florbela ‘Face a face’
Duas mulheres. Duas vidas. Duas
histórias para contar. Em comum,
tinham a paixão pelas letras.
Falamos de Virgínia Vitorino e de
Florbela Espanca, que vão estar
‘Face a face’ na Galeria de
Exposições Temporárias do Mosteiro
de Santa Maria de Alcobaça, a partir
de sábado.
Se Virgínia soube o que era o
sucesso e estar rodeada da alta
sociedade portuguesa, ao ponto de se
afastar de tudo nos últimos anos da
sua vida, já Florbela Espanca nunca
saboreou esse mundo. A riqueza dos
seus textos só foi reconhecida após
a sua morte.
A ideia de juntar estas duas figuras
partiu de Cecília Gil, directora do
Mosteiro, e Jorge Pereira de Sampaio
aceitou o desafio de comissariar
mais uma mostra na Ala Sul do
monumento. Conta o historiador
alcobacense que a exposição vai
fazer um encontro entre duas
poetisas notáveis da mesma geração.
Apesar de terem tido percursos de
vida "absolutamente diferentes",
como explica Jorge Pereira de
Sampaio, ambas nasceram em cidades
da província: Virgínia em Alcobaça e
Florbela em Vila Viçosa.
As poetisas eram mulheres muito
modernas para a época. Ambas fumavam
e usavam cabelo curto. Virgínia
Vitorino optou por não se casar, já
Florbela Espanca, em doze anos, o
fez três vezes.
Virgínia Vitorino, que publicou
vários livros em vida, era amiga de
Salazar, por quem foi condecorada
duas vezes. A poetisa alcobacense,
também, foi retratada por vários
artistas plásticos portugueses.
Já Florbela publica, a muito custo,
em vida, mas a crítica praticamente
ignora os seus versos, que hoje são
aclamados.
Na noite da inauguração, vai
decorrer no Café Tertúlia, edifício
onde nasceu Virgínia, uma conversa
sobre as duas poetisas e a sua
época. No Mosteiro, aprecie ‘Face a
face’ até dia 20 do próximo mês.
LANÇAMENTOS NATÁLIA DO VALE
Nome: Natália Vale
Data Nascimento: 16 de Setembro de 1949
Nacionalidade: Portuguesa
Morada: Leça do Balio - Porto - Portugal
Profissão: Reformada
Estado Civil: Casada
Falando um pouco sobre mim...
Terceira filha de um lindo casal, nasci a 16 de Setembro de 1949, em Vila
Robert Williams, Caála, Angola, tendo sido rodeada de todo o carinho e
mimos, por parte de seus pais e irmãos mais velhos.
Percorri diversas localidades de Angola, e acabei por me fixar na cidade do
Lobito, onde decorreu a minha infância, juventude, a minha educação, onde me
casei e nasceu a minha primeira filha, a Magda.
Regressada a Portugal, às terras de origem paterna, a cidade do Porto, aqui
me fixei, e aqui nasceu o meu segundo filho, Nelson.
Posteriormente resolvi desenvolver um pouco mais a minha cultura, o meu
gosto pelas artes e pelas letras, tendo-me licenciado em História, na
Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Adoro ler, ouvir música, dançar, tudo, mas especialmente o tango e danças de
salão.
Também gosto de escrevinhar uma espécie de poesias e alguns contos.
Sou muito exigente comigo própria e por vezes também com quem me rodeia,
além de ser e gostar de ser perfeccionistas que obviamente por vezes traz
alguns dissabores.
Neste momento já estou reformada o que me permite dedicar-me a estudos, via
internet de alguns programas informáticos, e depois de exaustivos anos de
trabalho resolvi dedicar-me um pouco à escrita, como forma de ocupar meus
tempos livres e dar também um pouco asas e liberdade à minha imaginação.
“A CHEGADA DO OUTONO”
Natália Vale
(Portugal)
Uma tarde sombria,
De um Verão que terminava,
Envolvia-me a nostalgia,
Num momento sem alegria,
Deixando-me ali pregada.
Uma paisagem que mudava,
Nas suas cores incandescentes,
Amarelo, laranja, vermelho, castanho
Todas elas se misturavam,
Que o chão cobria, como um manto.
As árvores se desnudavam,
Suas folhas iam caindo,
Por vezes de forma suave,
Outras, voando embravecidas,
Com o vento forte Outonal,
A que nenhuma ia resistindo.
Apesar desse desnudamento,
O Outono era,
Sem dúvida,
Muito belo…
Criava um deslumbramento
Na nossa alma entristecida,
Ao olharmos o firmamento,
Naquele fim de tarde já fria.
Parece que o inverno terminou
O frio passou...
A tempestade acalmou.
O vento soprou as tristezas.
Agora uma brisa leve embala os dias.
O sol voltou a brilhar
Tímido, mas iluminando a terra.
Os pássaros voltaram a gorjear.
Das árvores brotam novas folhas.
As flores vão abrindo lentamente.
O céu aparece azul bonito claro...
Em harmonia
Tudo vai tomando cor
Cor-de-rosas
Cor de vida
De paz
De amor
Em calmaria ...
Do livro Atrás de um Pôr-do-Sol, a ser
lançado em Novembro/2009.
Nota da Editora: Aproveito para
agradecer a esta talentosa poetisa,
declamadora
de
Florianópoles, Santa Catarina, Brasil, a
amiga
Heralda Víctor,
pelos dois exemplares a mim enviados,
via correios.
Um
carinho destes, só poderia partir de uma
linda mulher,
que exala em seus gestos, a mais bela
poesia!
UM DIA, UM MINUTO, UM SEGUNDO.
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros - Rio de Janeiro
- Brasil
Um dia, um minuto... um segundo...
Em que recordes nossos sentimentos
É como olhar o mar, querer os ventos
Que levem nosso barco ao mar...
profundo.
Um dia em que eu precise do teu jeito,
Do teu olhar no meu... tua emoção,
Um dia em que teu próprio coração
Acorde o teu silêncio... no meu peito.
Um dia, meu amor, um dia apenas
De amor é bem mais que suficiente
Para que o teu olhar mais envolvente
Me habite como um mar de águas serenas.
Um dia, minha amada... só um dia
Em que o sofrimento esteja morto
E a nossa solidão deixe este porto
E rume pelo mar...da fantasia.
Um dia, um segundo... o que importa ?
As lágrimas de amor que já choramos
Dissolvem-se na dor que desprezamos
No instante em que o amor nos abre a
porta.
POEMAS FLORIDOS
Tito Olívio
Poemas floridos no lago de ti,
Que foram colhidos em noite de estrelas
Quando nos beijámos e eu te sorri,
São o que te dou para acenderes velas
Aos deuses que tens e eu já esqueci.
Não venhas dizer-me que são só janelas,
Abrindo pró nada que ainda não vi
E tu gostas mais de cascatas singelas!
Poemas floridos são ânsia que apouca
E também eleva os que sabem amar
E se dão aos outros por uma verdade.
Poemas floridos são beijos na boca
Que dou de fugida, ao ir abalar,
E ficam escritos na nossa saudade.
_
notícias da casa paterna _
nanamerij/aminaruthar
vozes escorrem pelas artérias da casa
súplicas das almas de sonhos, outrora
nossos:
-a memória está lá, em pele e ossos
a vista nua, não verás passos de
infâncias
a farfalhar alegrias nas retinas dos
corredores:
- mas estão lá, gravados nas veias das
manhãs
em letra rubra no pergaminho das horas
o solo de nossa história é lágrima nos
objetos calados
luto perpétuo por todo azul escrito um
dia
no musgo do tempo notícias de ser feliz
não há
outonou-se o nosso jardim, só lamentos
no canto dos pardais:
- tudo é saudade... pai!
Tempo de uma vida
Eliane Gonçalves***
Caminhando
pelo jardim de minha vida
Encontrei...
Flores amarelas como o sol
Irradiando luz e alegria
Numa menina cheia de vida
Com a ilusão de uma jovem
Parei e vi nesse canteiro
Flores vermelhas como o fogo
Num brilho intenso
Pela a chama da paixão
Como mulher experiente
Olhei mais um pouco
Que lindo cenário!
Flores brancas da paz
Meus olhos encantavam
Nesse momento notei
Que meu reflexo surgia
Como num toque mágico
Uma mulher madura
Aparecia
Ia saindo de fininho
Quando notei flores secas
Caídas no chão do meu jardim
E do chão úmido
Uma nova flor apareceu
Marcando
A idade de uma vida
A
VIDA É PASSAGEIRA
Lairton Trovão de Andrade
Como
o vento a vida passa,
cedo cai no esquecimento;
mas jamais será fumaça
este amor no pensamento.
A vida é tão passageira,
ah, eu nem posso pensar!
pois, toda trilha é ligeira
no mais rápido passar.
Tanto dinheiro, aos milhões,
Sem sinceras amizades,
geram tantas decepções
que roubam felicidades.
Vivendo-se na virtude,
sem ganância tão voraz,
mesmo em vida um tanto rude,
pode-se ter muita paz.
O pouco com Deus é muito,
quando se tem caridade;
nada, então, será fortuito
perante franca bondade.
Feliz de quem, nesta vida,
sabe só bem construir;
terá triunfo e acolhida
lá no seu novo porvir.
Tudo passa de verdade,
Menos o bem de uma ação;
Que fique pra eternidade
O Amor, que é luz da razão
Desilusão
Luiz Eduardo Caminha
Sonho,
Amargurado,
Agruras
Dum dia feliz...
Que não vem.
Sol, chuva,
Noite fria,
Lua nua,
Noite, dia,
Que se vão
Dia, noite,
Noite dia,
Cá espero.
A Felicidade?
Mera quimera,
Castelo d’areia.
Fere-me a alma.
Machuca-me
O coração que anseia
O vazio de sua ausência,
Preencher.
Tempo passa
Ela não vem
Nem a Felicidade,
Nem aquela,
Quem me dera,
Me pudera,
Fazer feliz...
Sorrir,
Quiçá,
Outra vez!!!
Floripa, Distrito de Ratones, 14.09.2009
MINHA MENINA
Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo
Em silêncio e calma,
Sinto o cheiro suave da brisa,
E o meu olhar timidamente se perde na
paisagem;
O coração sensível e a alma poética,
Escondem-se em cada verso,
Para que não se desmanchem em lágrimas
De saudades da minha menina.
De tão distante me afigura tão longe,
Os momentos íntimos que vivemos juntas
Entre mãe e filha;
Quando o teu afago demorado ainda morno,
Lembra-me que fizeste parte do meu
corpo,
Continuação de mim...
O aconchego sublime do teu abraço me
acalenta feliz,
Por me rememorar que tu e eu já fomos a
mesma pessoa;
E este teu pequeno gesto desperta em mim
sentimentos
E recordações que me colocam em êxtase,
Quase no enlevo de um sonho...
Ainda lembro com saudades
O amparo materno em meus gestos,
Tão modestos e ao mesmo tempo tão
fortes,
Quando tu insistentemente
Sugavas o meu peito desnudo;
E eu tua muralha de amor,
Dali em diante sempre
E cada dia mais tão significante.
Repasso momentos inesquecíveis:
Teus pequeníssimos e vacilantes passos,
E o teu olhar meigo requisitando a minha
mão,
Que tão precisamente a dei,
E a dou ainda,
Quando o teu olhar me busca entre as
tuas dores,
No acalanto dos teus amores...
Sorvo-te no meu abraço agora e sempre,
Quando o meu instinto pressente os teus
anseios,
Os teus medos e os teus segredos...
E envolvo-me em teus contratempos,
E os enfrento como sendo meus,
Como se eu tivesse o poder das heroínas
Para te defender.
Agora neste instante já tão crescida,
E desvinculada dos laços da biogênese...
Estás sim ausente dos meus olhos,
Mas tão presente no meu coração de
mãe-amante,
Às vezes mãe-pegajosa,
Que ainda detém na memória
Um cordão umbilical imaginário,
Que teima em seguir-te,
Aumentando cada vez mais
A essência absoluta do meu amor por ti,
Que será para mim sempre
A minha menina.
QUANDO A NOITE CHEGA!
Iraí Verdan
Quando a noite, timidamente cai...
Trazendo consigo, a brisa do amor!
Vou correndo, ao teu encontro, sem
dizer:"ai",
abraçando-te, entre beijos e o calor.
Serenamente, vou me entregando, seja
como for,
deixando que se faça no coração, um
"entre e sai".
Quando a noite, timidamente cai...
Trazendo consigo, a brisa do amor!
Avançando vou, assim, "nesse vai, não
vai",
a pensar nas loucuras, seja mesmo com
rigor,
imaginando a força desse verbo: "Amai!",
depressa vou ao teu encontro,revelo-me
ao sabor:
Quando a noite, timidamente cai...
Magé-RJ
Tchello d'Barros
a danada
da amada
uma dona
que me dana
uma dama
que me doma
nada muda
essa madame
me dá medo
se me ama
QUEM DISSE QUE O AMOR MORREU?
Penhah Castro
Quem disse que o amor morreu?
Quem disse que pode o perfume da flor
tirar?
Quem disse que minha paz pode
contaminar?
Quem é que pensa meu amor matar?
Quem é que pensa que pode o mundo
corromper?
Porque se perde em drogas, e, tanto
álcool quer beber?
Como pode alguém viver sem este
sentimento
ora terno, ora feroz,
ora suave, ora sensual,
ora criança, ora adulto,
ora eterno, ora tão tênue?
Que precisa ser regado...
Que precisa ser alimentado...
Que precisa de nutrientes
para se desenvolver saudavelmente...
Que é chamado de AMOR!
O verdadeiro amor já vive em nosso
coração...
É como uma semente
que recebemos de presente ao nascer...
Basta regá-la para ela muito viver...
Basta nutri-la com alegria e emoção...
Com alto astral, com a criança
interior...
E, quando outro se aproxima
demonstrando especial atenção,
nosso amor se acende e inflama,
e, imediatamente,
requer uma grande expansão...
Por isso o amor não morre...
Ele está dentro, no fundo, guardado por
nossa emoção
esperando por outro coração para em
uníssono bater
Sem dividir ou querer somar
basta apenas COMPARTILHAR...
Amor é alegria, é felicidade.
É pura realidade...
É vida eterna que projetamos e
perpetuamos
em quem já aprendeu a amar ...
UM LUGAR ENCANTADOR
Raymundo de Salles Brasil
Essas
paisagens têm um belo santo,
Virgens parecem-me, parecem puras,
Aqui o homo sapiens, por enquanto,
Não quis usar as suas mãos impuras.
É tardezinha já, no seu quebranto
Um tom de nostalgia nas molduras,
E enquanto desce a noite, mais encanto
Nas meninas, nas moças, nas maduras.
O sol vai recolhendo a sua luz
E as abundantes farpas de ouro a flux
Que há pouco derramava sobre as ondas.
E esses rostos que passam são tão belos
Que inspirariam (se pudesse vê-los)
Ao Leonardo da Vinci outras Giocondas.
Empírica saudade
Benedita Silva de Azevedo
Esta saudade só nossa
que surge sem se esperar,
faz-nos voltar ao passado,
brota em qualquer lugar.
Nascendo de uma lembrança
por um dos nossos sentidos,
emerge de onde descansa.
Por uma imagem ou ruído,
um sabor, cheiro ou de um toque,
trás à mente uma saudade
à que a sensação convoque.
Despertados num momento
que aqui, até abrevio,
de algo que já foi gravado
no decorrer da existência.
Trás sensação de vazio.
Mas, na verdade acredito,
que a saudade dá vazão;
com fragmentos lembrados
em Tabula Rasa gravados
alimentando a ilusão.
Praia do Anil, 27/03/2009
EU QUERIA...
Carla Alexandra Ezarqui - Borborema - SP
Eu queria sentir o sabor das palavras
doces
que saem do teu pensamento
através da caneta pelo tato da tua
imaginação
sobre o papel que sente junto de ti
desde a mais intensa alegria
à tristeza mais sofrível.
Sinto cheiro de felicidade
ao abrir com o meu coração
a carta que com sua mudez
vem contar-me todos os teus desejos
onde o segredo torna-se público
a todos os sentidos do meu corpo.
Fragrâncias e sabores entram em
sintonia
ao revelarmos a nossa real beleza
que se intensifica na mistura do tato
na união de ambas sensibilidades
à procura de uma satisfação
inexistente.
Eu queria sentir o que não se percebe!
RESULTOU ASSIM...
Alba Pires Ferreira - Porto Alegre - RS
Os cabelos
à altura dos ombros
o meigo sorriso
iluminando o olhar
a barba curta
sombreando o rosto
coberto de luz
uma luz que não fere
despertou em mim
inusitada ternura
e uma sensação física
de doce calor
que eu sabia
me acompanharia
pelo resto da tarde
e no decorrer da noite.
INTEIRO
Ana Paula Costa Brasil - Santa de
Parnaíba - SP
sou assim... sou um terço
sou amor... mas só um quarto
um quarto vazio
todavia ainda sou metade
havia perdido as esperanças
era menos que a metade
corria
fugia
eu não era nada e não sabia
andei
encontrei-me
na tua luz
na tua metade
e entendi o que quer dizer inteiro
um quarto
outra metade
sou metade
e na tua luz serei o inteiro
e agora entendo
a mim e a vida
MOTIM DE PAZ
Juraci da Silva Martins - São Sepé - RS
Estamos em luta, perdoe-nos o homem
Pelo direito de se ter direitos
No resgate desse espaço, justo e livre
Que nos tolheram pelos preconceitos.
Não queremos ser descriminadas
Ou com espaços apenas nos porões
Queremos ser mulheres emancipadas
Tomando parte em todas a s decisões.
Entramos em um motim de paz
Basta de espaços tão restritos
É preciso que ouçam nosso grito
Que entre paredes incontido jaz!
Queremos soltar a voz calada
E ser parceira em quaisquer decisão
Resgatando a liberdade mutilada
Que nos tornaram impedidas na ação!
É preciso que se dê a evasão
A tantas energias reprimidas
E na paz implodir toda a opressão
E ver nossa missão de justo definida!
E, lado a lado, no mesmo revoar
Como duas asas, homem e mulher
Formar um pássaro que leve a paz
A cada canto onde precisar!...
GRITOS
Luciane Fernandes Rodrigues
Olhe
o céu estrelado
Que céu!
Sinta o perfume da noite
Que noite!
Assim tão escura
Sem lua!
Ficas quanto tempo sem olhar
Os céus?
Ficas quanto tempo sem sentir
A chuva?
Ficas quanto tempo sem ouvir...
Bem-te-vi!
A natureza grita
Ouça.
Grita seu verde
(que às vezes queima)
Gritam suas águas
(às vezes enchente)
Grita sua gente
(que às vezes chora)
Ficas quanto tempo sem ver?
Sem ouvir?
Sentir?
A natureza.
MEU MUNDO É ASSIM...
Victória Falavigna - Porto Alegre - RS
(10 anos)
Meu mundo tem paz,
amor, mar, areia, praias,
lagos, aves, frutos,
perfume puro
e natural da natureza,
bastante verde,
muita natureza e vida.
Meu mundo não tem guerra,
poluição, tristeza,
solidão, acidentes,
bandidos e gente má.
Meu mundo é feliz!
TRANSPOSIÇÃO DE OBSTÁCULOS.
Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre -
RS
Entre chuvas de espinhos,
passei e, ao transpor
tais obstáculos,
rosas colhi.
Entre chuvas de espinhos,
passei e, ao transpor
tais obstáculos,
amizades cultivei.
Entre chuvas de espinhos,
passei e, ao transpor
tais obstáculos,
emoções vivenciei.
Entre chuvas de espinhos,
passei e, ao transpor
tais obstáculos,
poemas escrevi.
Entre chuvas de espinhos,
passei e, ao transpor
tais obstáculos,
experiências ganhei.
Entre chuvas de espinhos,
passei e, ao transpor
tais obstáculos,
amores semeei.
DIVINA FADA
(Ari Santos de Campos)
Às vezes me sinto perdido,
feito, da vida, um bandido,
ao longe, sempre a clamar...
Meu grito não mais ecoa,
sou do mundo uma pessoa
com tristezas de matar!...
Eu já não sei quanto tempo
que de sonhos te contemplo,
querendo tê-la e amar!
- Agora rezo e suplico,
e digo: aqui eu não fico
porque não é meu lugar.
Um dia desses, quem sabe,
se não morrer de saudade,
eu não me jogue em teu mar?
E lá, descontrolado te vejo,
te abraço, roubo o teu beijo
ao livre léu do luar!...
Desfaço então os tormentos,
mando tudo para os ventos
levarem a outro lugar...
- Mas, ao poente, maldigo,
hei de cumprir meu castigo
nas ondas bravas do mar.
E, se morrer, te persigo
sem medo, nenhum perigo,
onde quer, vou te encontrar!...
Então descubro o teu mundo,
abraço-te e num segundo
vou bailando sem parar...
E nesse baile eu prossigo,
Divina Fada, contigo
vou bailando sobre mar...
Apelo
Ivone Boechat
Diz ao mundo
que ainda existe amor,
acorde a esperança,
abrace a certeza,
mas muito cuidado
pra não acordar
a tristeza.
Avança,
grite,
não fique parado,
ainda há tempo
de começar!
Busca o aflito,
dá seu alento,
afasta, pecados,
fantasmas, mitos,
vem amar, amar, amar.
A PRIMAVERA CHEGOU!
Luíza Soares Benício de Moraes
Acabaram-se os ventos fortes...
As chuvas torrenciais...
O encapelamento das ondas maneirou!
A destruição da orla da praia...
Que já não está tão suja dos dejetos dos
rios...
E, portanto, convida-nos a vê-la!
A cidade está mais alegre, as árvores
das ruas e das praças.
estão mais frondosas e mais verdes..
Os “flamboyant” se vestem de flores,
As buganvílias de todas as cores pedem
espaço para desfilar!
E nos jardins as rosas se destacam
E há uma variedade tão grande de flores,
que esconde qualquer tristeza!
Não ficam atrás os pássaros
Que voam alegres por nossas cabeças
Num gorjeio insistente como querendo nos
falar!
A que se deve tanta harmonia?
Que procura esconder o feio dos humanos
E as cicatrizes que até param de doer?
Ah! É a Primavera que chegou!
Recife, 22.09.2007
METAMORFOSE
Yeda Araujo Pereira
Deixei de ser lânguida lagarta
a deslizar nos galhos dos hibiscos...
Por um tempo...
Sou agora borboleta!
Sou alma livre
para voar... voar...voar...
rumo ao infinito!
Descanso em cada flor pelos caminhos...
Retomo meu destino
a cada vez que abro asas coloridas...
Sigo o brilho do sol...
Passeio pelos jardins da vida...
Falo aos passarinhos... bem baixinho...
Ninguém me pode ouvir!
Encanto poetas sensitivos...
Poso para telas verdadeiras
expostas pela natureza... por aí!
Sei que sou de efêmera existência...
Mas enquanto possa voar... serei feliz!
Pelotas/RS/BR
Glosando Waldir Neves
Gislaine Canales
AMIGO...
MOTE:
Amigo não diz “depende”
“vou pensar”...”depois eu dou”...
-Amigo é aquele que atende
que vem sem dizer “já vou”!
Amigo não diz “depende”...
Nunca nos faz esperar,
nosso amigo nos entende
e não nos deixa chorar!
Se for amigo, não diz: “vou pensar”...”depois eu dou”...
O que vale é ser feliz!
Por isso, feliz eu sou! Ele não nos surpreende,
é espontâneo, é alegria! -amigo é aquele que atende
e acompanha nosso dia!
Amigo é pura emoção!
Presente que Deus criou,
que tem um bom coração, que vem sem dizer “já vou”!...
SALVE 15 DE SETEMBRO!
Flor de Esperança (Maria Beatriz Silva)
Nossa
Senhora da Piedade
Invocamos com fé e humildade
Com sua compaixão nosso clamor atende
A Mãe de todos os homens igualmente
Mãe querida olha para nossas dores
Defendendo-nos no perigo
Aliviando as nossas tristezas
A mão sorrindo nos estende
Doce Mãe clemente!
Mesmo com nossos defeitos e infidelidade
Ela bem conhece nossas dores e
necessidades
Em nada é indiferente e sim nossa Mãe
tão somente
Mãe que nos ama com intimidade e
totalmente
Nossa Senhora da Piedade
Padroeira da nossa cidade
Todo povo te saúda
Rainha da paz, nossa medianeira
Tu és nossa Rainha que nos protege
Com sua ternura e bondade
Felizes hoje te aplaudimos
Com o coração repleto de felicidade
Mãe poderosa que nos ampara e defende
Das cheias, das tempestades...
Não permitindo tamanha calamidade
A ti elevamos nossas preces
Que por ti é atendida com naturalidade
Nossa Senhora da Piedade
Abençoa toda essa gente
Nossa doce Mãe Clemente
Nós te amamos completamente
Nossa Rainha eternamente
Padroeira de Laje do Muriaé
Nós te saudamos com fé!
Laje do Muriaé-RJ
15 de setembro de 2009
Porque fostes embora?
Aparecido Donizetti Hernandez
Porque fostes embora?
A via como uma miragem?
Ou era realidade?
Era um sonho?
Não pode ser, era realidade,
Nada foi tão belo, sinto ainda
O cheiro de seus cabelos
Com perfume de Gardênia,
Sinto o gosto de sua boca,
O seu hálito com cheiro de Jasmim.
Sinto sua presença,
Com leves toques de suas mãos suaves
E seus longos dedos.
Fostes embora
Como embora vai a flor da Dama-da-Noite,
Que se não estivermos atentos,
Não contemplamos sua beleza
E seu aroma.
Mas sei que voltarás no novo ano,
Como volta as andorinhas no verão,
Como a sabiá - que sabe onde encontrar
segurança e abrigo.
Continuo à sua espera...
Não pode ter sido somente um sonho!