Distritos e Concelhos de Portugal - (Continental)

Distrito do Porto

Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal  

Concelhos de:

Amarante, Baião, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Maia,

Marco de Canaveses, Matosinhos, Paços de Ferreira, Paredes,

Penafiel, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Trofa, Valongo,

Vila do Conde, Vila Nova de Gaia

 

 

O Distrito do Porto, correspondente ao núcleo da província tradicional do Douro Litoral. Limita a norte com o Distrito de Braga, a leste com o Distrito de Vila Real, a sul com o Distrito de Viseu e com o Distrito de Aveiro e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 2395 km². Capital e Sede de distrito: Porto.

 

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“O distrito do Porto é formado de uma parte da antiga província do Douro; tem uma superfície de 2.312, 10 Km2 e uma população de 597.935 habitantes. Compreende 17 concelhos e 379 freguesias. Povoações principais, Porto, Penafiel, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia. A serra principal é a do Marão com 1.415 metros. É banhado pelos rios Douro, Tâmega, Sousa, Leça, Vizela e Este. Fábricas de fiação, tecidos, fundição de ferro, pescarias, criação de gado. Vinho, frutas, milho, centeio, etc.

 

 

Porto – (Capital e sede de concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Um velho adágio, epigramático, diz: “Lisboa diverte-se; Coimbra canta; Braga reza; o Porto trabalha”. Na verdade, o velho burgo, pelo seu feitio, tem o seu quê de áspero e de canseiroso. Fazer rir o Porto é caso sério. Camilo Castelo Branco, que o conheceu por dentro e por fora, bem o sentiu, pagando com usura os sarcasmos que por vezes lançou sobre os severos lojistas de então, de carregado semblante, que nele viam uma espécie de segunda encarnação do Anjo Negro e o julgavam mais digno do quarto aferrolhado da Relação do que deambular, com as botas altas à Frederico e a sobrecasaca azulada, pelo passeio das Cardosas, como um mefistofélico desafio ao “sossego das famílias”. Muitos escritores e viajantes, nacionais e estrangeiros, têm reconhecido a singularidade do meio social do Porto e tentando definir o indefinível perfil étnico do genuíno portuense Ramalho Ortigão, por exemplo, tripeiro de gema mas emigrado, escreveu com a sua costumada verve: “O portuense é o homem mais delicado, mais serviçal, mais bom homem. Somente há três coisas de que ele não gosta – e nesse ponto é mau brincar com ele. Não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade, vinga-se desprezando-a. Da polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria”.

Povoado castrejo no Alto da Penaventosa ou Póvoa incipiente na Ribeira, ali ao Barredo, associa-se geralmente ao topónimo Cale do Itinerário de Antonino. Foi certamente o Portucale locus necessário à passagem do Rio Douro e mais tarde, já sem dúvida, no alto, o castrum novum suevorum. Nas vicissitudes da Reconquista conhece por várias vezes a destruição. Foi cedo bispado. Vimara Peres, sob armas de Leão, tê-lo-á expugnado definitivamente do jugo mouro.

A primitiva povoação surgiu de um pequeno e arruinado largo em volta da Sé, doado por D. Teresa ao bispo D. Hugo, em 1120, que se apressou a dar foral aos do burgo.

Rodeado por uma estreita cerca de muralhas, devido aos muitos privilégios concedidos pelos monarcas afonsinos, depressa estes muros foram transpostos, e na época de D. Fernando novas muralhas foram edificadas, continuando burgo a desenvolver-se rapidamente. No século XVl, o surto populacional aumentou e com ele a construção, desenvolvendo-se a povoação para além das muralhas a partir do século seguinte.

D. Manuel l, concedeu foral novo. Muito marcado pelo período filipino, sofrendo aliás, como todo o País, o desaire dos desmandos, entregue a uma latente actividade mercantil, mas nunca virando as costas à área já então de forte densidade populacional em relação ao resto do País e acentuando cunho agrícola, vai lentamente saindo dessa aparente letargia. Já em pleno século XVlll que de novo atinge as alturas dos seus pergaminhos de cidade empreendedora. O enriquecimento vem a traduzir-se por múltiplos aspectos. Esplende no barroco nasoniano, que deixa na cidade, em alguns dos seus templos, a marca indelével desse facto. O terramoto de 1755 não mais fizera que pequenos estragos no Porto, mas na sequência da reconstrução de Lisboa, com a influência dos ingleses e a acção dos Almadas, o Porto vai conhecer um surto de engrandecimento notável. Embora à custa principalmente da recessão das indústrias de tecelagem, mas apoiada na crescente importância do comércio do vinho do Alto Douro, trazido rio abaixo e aí embarcado, e que então se passa a conhecer por vinho do Porto, a cidade acrescenta-se em população. As colónias de ingleses e outros europeus aumentam e desses tempos provêm alguns nomes dessa origem que aqui se estabeleceram e radicaram, criando família, casas, gostos e costumes que hoje podem considere-se também caracterizantes das gentes portuenses.

Já no século XlX, porém, novas ideias, riqueza acrescida, força de empreendimento, um luzido escol de gente de saber, políticos, capitais e, sobretudo, uma indesmentível força popular, afeita ao trabalho, resistente e continuadamente ciosa de seu pergaminhos de independência e liberdade, dão à cidade do Porto o seu cunho moderno.

A cidade do Porto tem a sua história ligada indissoluvelmente ao rio Douro e ao Oceano Atlântico. Nascida, naturalmente, das vicissitudes da passagem do primeiro (Douro) na sua margem direita e alguns quilómetros da sua foz, cedo o mar também a marcou. É possível que mesmo antes de ter existido a frustre Póvoa que lhe foi berço já os Focenses aí tivessem – algures em São João da Foz – “emporia” para os seus comércios com o interior através do Douro.

Origem do nome:

«Prof. Vasco Botelho de Amaral, em, O Povo e a Língua – 1949»: “ Abrindo “Os Lusíadas” lemos isto no Canto Vl, estância 52:

 

“Lá na leal cidade deve

Origem – como é fama – o nome eterno

De Portugal

 

Bem fez Camões, prudentemente, escrever “como é fama” porque há ainda nevoeiros à volta do porto de Cale, que era com certeza no Douro, mas não se sabe, ao certo, se na margem direita (no monte da Cividade, segundo a tese do Dr. Mendes Correia), se na margem esquerda, em Gaia, como a tradição tem sustentado.

Como quer que seja, não se pode tirar à “Leal Cidade” dos tripeiros a boa fama de lá, ou bem perto, haver nascido o nome de Portugal, de Portus Calem.

Note-se que não é insólita este caso da palavra porto (o equivalente em outras línguas) passar a topónimo.

Na Mauritânia havia o Portus Magnus (Porto Magno); nos nossos tempos toda a gente conhece nomes, como, por exemplo, o Porto Rico, etc.; nas línguas germânicas há vários casos como Southport, na Inglaterra, Wilhelsmshaven, na Alemanha, et., etc.”.

 

Porto
http://www.portoxxi.com/cultura/
Há muito, muito tempo, quase nos primórdios da civilização, havia um lugar ao qual chamaram Porto por ser de paragem obrigatória às gentes que viajavam no país. Nesse lugar havia um rio chamado Douro por ter em si muitas e belas riquezas.
A terminologia da palavra aponta para portus, a porta, topónimo que traduz a vida comercial e o desejo de um povo pioneiro na descoberta do desconhecido
A constituição das suas origens como cidade data de 417.
Ao longo dos séculos foram vários os seus governantes, citando-se entre outros os Suevos, os Godos, e mesmo os Mouros que por aqui passaram até ao reinado d’El Rei D. Afonso I, de cognome o Católico.
Nas vicissitudes da Reconquista conhece por várias vezes a destruição.
Depois de ter sido nomeada bispado e ter sido entregue a D. Hugo o burgo foi sempre crescendo, quer dentro dos muros, quer nas imediações da cidade. Estendendo-se pela Ribeira até à praia onde desembarcavam e embarcavam mercadorias. Trepando em direcção ao burgo, lá no alto, seguindo os traçados que rumam a Braga, a Guimarães e Trás-os-Montes e ao Olival.
A crescente importância económica do burgo episcopal começa a despertar a cobiça dos poderosos e com eles a dos reis. E as lutas começam. As disputas entre reis e bispos pelo controlo dos recursos da cidade, nomeadamente dos rendimentos da actividade portuária permanecem até ao reinado de D. João I, quando acordou com a Mitra a passagem definitiva do senhorio.
Entretanto a cidade continua a crescer e é no reinado de D. Afonso IV que é mandado edificar uma cinta de muralhas destinadas a proteger o pequeno burgo, esses muros ou muralhas que circundavam e defendiam o velho burgo portucalense existiam ainda no século XVII, da sua constituição faziam parte as portas: a Porta dos Carros, de Santo Elói, do Olival, da Esperança, do Sol e a Porta Nobre . No seu percurso a porta principal era o Arco de Vandoma, situado a nascente do citado burgo e a encostar no largo da Sé e na rua Chã daí inclinava o muro monte abaixo, ladeando as escadas das verdades onde se encontrava a Porta das Mentiras, aqui o muro torneava o Alto do Barredo e angulava o rio da vila que desaguava a descoberto na rua de S. João, que hoje em dia ainda conserva o mesmo nome, rasgando o arco de Sant’Ana das Aldas e o arco de S. Sebastião onde recurvando fechava o circuito do muro, muro este que é mais conhecido por Muralha Fernandina (ver 1ª foto ao lado).
Cedo o Porto demonstrou o seu grande potencial na construção naval, quer a nível industrial, quer comercial. A esse potencial não são alheias as ligações inquebráveis que o Porto possui com o Douro e com o Atlântico.
Assim pelo século XIV adiante foi o Porto o principal centro português de construções navais.
Envolto nos enredos do mar, lançado na imensidão dos oceanos em busca de novas paragens, navios, marinheiros e população integraram interesses e esforços de muitas formas e, logo aquando da expedição à conquista de Ceuta, o infante D. Henrique, nascido na Invicta, ali organiza uma formosa esquadra que levou a juntar-se ao rei que esperava em Lisboa antes de partirem par o Norte de África.
E foi por tal empenhamento que os portuenses receberam a alcunha de Tripeiros, pois segundo contam, o comprometimento do povo levou a que fornecessem as naus e galeras com as carnes ficando apenas as tripas como alimento dos que por cá ficaram.
Como louvores dos feitos prestados, muitos foram os portuenses que inscreveram os seus nomes na história.
Ao longo da história o Porto foi sempre muito cobiçado, pelas riquezas, privilégios, autonomia e tradição que o caracterizavam, mas com o Foral Manuelino de 20 de Junho de 1517 o Porto perdeu grande parte dos seus privilégios, sendo D. Manuel considerado o rei inimigo, que deu inicio à mesquinha, absurda e funesta política da centralização dos poderes e serviços. Contudo o povo portuense sempre honrou o seu carácter colectivo, através do seu espírito de independência e o seu amor à liberdade.
Muito marcada pelo desaire do período filipino, é já no século XVIII que de novo atinge as alturas dos pergaminhos de cidade empreendedora. Renovando as industrias correlativas derivadas das velhas actividades mercantis de cabotagem e longo curso.
Mas o engrandecimento da cidade não resplandece apenas nas actividades comerciais, expandindo-se às artes, como é o barroco nasoniano marcado em alguns templos da cidade.
Uma das características deste estilo é o recurso à policromia e à exuberância das formas, bem como a conjugação de revestimentos a ouro com a pintura e o azulejo criando ambientes de rara beleza.
Em 1755 o Porto é marcado por um terramoto que apenas provocou pequenos estragos, na sequência da reconstrução de Lisboa, a influencia inglesa e a acção dos Almadas, trazem para a cidade um surto de engrandecimento admirável.
Sobrecarregada com a crise da tecelagem, mas apoiada no comercio do vinho do Alto Douro, trazido rio abaixo e embarcado no Porto, facto que se traduziu no nome pelo qual esse vinho é conhecido, a cidade vê aumentar ainda mais o seu núcleo populacional com colónias de ingleses e outros europeus que se estabeleceram e radicaram na cidade.
No século XIX o Porto é massivamente modernizado através de novas ideias, riqueza acrescida, força empreendedora, um deslumbrante escol de gente de saber, políticos, capitais e sobretudo a inegável força popular, afeita ao trabalho, resistente e ciosa dos seus pergaminhos de independência e liberdade.
Os portuenses intervêm repetidas vezes nos próprios destinos políticos da Pátria. Sofreram a ocupação dos invasores, não se aquietando na sua expulsão, retendo-lhes as ideias mais benéficas, não admitindo tutelas, defendendo-se com armas, vidas e bens.
Com uma determinação impar, a cidade foi crescendo, organizando-se administrativa, financeira e culturalmente, constituindo-se numa capital regional que ainda hoje é.
Ao longo do século XX o cunho que a caracterizou sempre manteve-se e hoje a cidade está populacionalmente estabilizada.
Dela partiram as primeiras acções republicanas, sendo simultaneamente um dos grandes pilares políticos e económicos do País. E ainda foi o pólo de crescimento industrial significativo quer internamente, quer nas regiões vizinhas.
Assim falar do Porto é começar sem nunca conseguir terminar de relatar todos os seus feitos, tradições, costumes, belezas...
A cidade velha de séculos, contrastante com o fervilhar de actividades e ideias não se pode nunca destituir das gentes que lhe dão vida, carácter e cunho.
Gentes de linguagem marcada, sonora e garrida, trabalhadora e entusiasta, vibrante com seus ídolos desportivos, áspera e livre na crítica e jubilosa nos folguedos.
O Porto congrega, cria, difunde densos cambiantes de contrastes sendo por isto o símbolo portuguesíssimo de um progresso que não se envergonha do passado mas nele sustenta o futuro.
Por tudo isto é considerada a mais imponente cidade do Norte merecendo a justa classificação de Património Mundial.
Um símbolo, uma cidade
Muitas foram as alterações deste marco representativo da cidade, muito embora seja de apontar que a sua estrutura básica se manteve ao longo de diferentes reinados apenas tendo sido acrescentado pormenores artísticos e caracterizadores desta tão bela cidade situada nas margens do Douro que carinhosamente molha os pés dos portuenses.
O original brasão da Invicta representava « uma cidade de prata, em campo azul sobre o mar de ondas verdes e douradas».
Em 1517 sofre a primeira alteração, ao qual foi incluído ao imagem de Nossa Senhora de Vandoma, com o menino Jesus nos braços sobre um fundo azul e entre duas torres.
Em 1813 e aquando da segunda modificação, a imagem de Nossa Senhora aparece ainda ladeada por duas torres encimadas por um lado por um braço e por outro por uma bandeira.
Em 1834 no reinado de D Pedro IV ao brasão foi introduzido uma inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade».
Este brasão era então constituído por um escudo esquartelado, cercado pelo colar da Ordem da Torre e Espada, tendo nos primeiros e quartos quartéis as armas de Portugal e nos segundos e terceiros as antigas armas da cidade. Encimava o escudo um dragão verde assente numa coroa ducal, sobressaía uma longa faixa com a legenda Invicta.
A ultima alteração, em 1940, do brasão dá-lhe a forma actual conhecida por todos, representado pelas armas. Apresenta-se assim de azul com um castelo de ouro, constituído por um muro ameado e franqueado por duas torres ameadas, aberto e iluminado a vermelho, sobre um mar de cinco faixas ondeadas, sendo três de prata e duas de verde.
Sobre a porta assente numa mesura de ouro a imagem da virgem com diadema na cabeça, segurando um manto azul e com o menino ao colo, ambos vestidos de vermelho, acompanhados lateral e superiormente por um esplendor que se apoia nas ameias do muro.
Em destaque dois escudos de Portugal antigo. No cimo uma coroa mural de prata, de cinco torres e um coral da ordem militar da Torre e Espada, do Valor e do Mérito.
A listel branco a inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade do Porto».

 

Porto
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A conquista de Portucale em 868 por Vímara Peres, guerreiro de Afonso III, de Leão, é aqui considerada, com razão, acontecimento da mais antiga História do Porto. A povoação de Portucale in Castro novo era desde a segunda metade do séc. VI, desde os tempos dos Suevos, sede da Diocese Portugalense, mas a partir de 868 a sua importância aumenta: torna-se o centro do movimento de reconquista e de aglutinação das terras circundantes, as quais por tal facto em meados do séc. X passam a constituir a província portugalensis, a cujos habitantes logo se dá o nome de portugalenses, e entre os quais começam a surgir as primeiras e vagas manifestações de sentimento nacional. Portucale, foi, por isso, na verdade, quem deu nome e origem à Nação Portuguesa! Em 1120, a Rainha D. Tareja viúva do conde D. Henrique, doa ao Bispo D. Hugo e os seus sucessores o pequeno Burgo do Porto e um Couto a que o Bispo dá Foral em 1123, e cujos limites D. Afonso Henrique mais tarde confirmou e ampliou. Em 1147 entraram no Douro os Cruzados nórdicos que faziam parte da Segunda Cruzada à Terra Santa e é o Bispo do Porto D. Pedro Pitões quem lhes prega no Crasto de Portucale, no alto do monte, em frente da Sé, um eloquente sermão, exortando-os a irem auxiliar D. Afonso Henrique na conquista de Lisboa; depois o Bispo Portugalense acompanha a armada e toma parte na bélica empresa. Caída em poder dos Cristão a formosa Princesa do Tejo, entrou o Porto rapidamente a desenvolver-se. Cresce em população e importância económica, e os burgueses envolvem-se em questões e em lutas com os seus Bispos, aos quais, aliás, o Burgo devia, mas de cuja subordinação temporal os revoltosos ansiavam libertar-se. Não raro o Rei serviu de medianeiro entre as partes desavindas, sendo D. João I quem, ao cabo de dois séculos, faz terminar essas contendas, consentindo em comprar aos Bispos do Porto o direito à jurisdição temporal que estes diziam ter sobre o Burgo e respectivo coutos. Ao mesmo Mestre de Avis, porque se apresentava como Regedor e Defensor de Portugal contra os Castelhanos, o Porto prestara tais serviços na crise de 1383-1385, que dele recebeu o título de MUI NOBRE E SEMPRE LEAL CIDADE. Segue-se o Ciclo das Conquistas e Descobrimentos Ultramarinos. Da mesma forma que do norte do país tinham saído os guerreiros que conquistaram o sul aos Mouros, também do Norte, onde nasceu o portuense Infante D. Henrique e tantos navegadores, partiu um decisivo impulso para as grandes navegações marítimas; o Porto, no séc. XV, era uma das cidades das Espanhas onde mais navios se fabricavam e donde mais marinheiros saíram. Mas nem só o comércio e as navegações interessavam aos burgueses do Porto. Também entre eles houve muitos e excelentes cultores das Belas-Artes que honraram a cultura nacional, desde, segundo é fama, o Vasco de Lobeira, do Amadis de Gaula, até aos poetas do Cancioneiro de Garcia de Resende como Diogo Brandão e Fernão Brandão, ou ao celebrado Pero Vaz de Caminha, autor insigne da Carta do Achamento do Brasil, mundialmente conhecida e admirada. Quando, após o cativeiro filipino, Portugal recupera a independência, o Porto assume entusiasticamente um papel de relevo nas lutas da Restauração e sustenta à sua custa um Terço de Tropas. Pela Pátria, o Porto solta em 1808 o grupo de revolta contra Junot e sofre em 1809 todo o peso da invasão de Soult, bem como as suas trágicas consequências. Mas nem tudo são guerras na História do Porto. Na segunda metade do séc. XVIII a Cidade, que se enriquecera extraordinariamente, cresceu, monumentalizou-se, modernizou-se graças aos Almadas: e no séc. XIX o Porto deu à Nação poetas como Garrett e criou escultores da grandeza de Soares dos Reis. É claro que na base de todas as acções colectivas dum povo está o próprio povo: a gente obscura, cujos nomes não ficaram na história, mas que trabalhou, sofreu e se sacrificou, que deu a sua fazenda, as suas forças e a sua vida para que as pátrias fossem gloriosas e grandes. Não o esqueceu Guilherme Camarinha, nas tapeçarias da Câmara Municipal do Porto, pois colocou em lugar de relevo na base da sua assombrosa composição os lavradores, os mesteirais, os carpinteiros, os petintais, os carniceiros, a trabalhar na preparação da armada que da Ribeira do Douro no ano de 1415 partiu para Ceuta sob o comando do Infante D. Henrique.
O povo do Porto, entre cujas qualidades avulta a de um profundo sentimento de civismo, deu quanto tinha para o aparelhamento e abastecimento desses navios; generosa e patrioticamente os portuenses cederam toda a carne das rezes, e porque, para sua alimentação, só ficaram com as vísceras desses animais, ganharam um epíteto que é o seu mais lídimo título de orgulho: - o de Tripeiros!
A GENTE DO PORTO
O Porto orgulha-se de ser conhecido como a cidade do trabalho. De facto, os seus habitantes desde sempre estiveram na primeira linha em defesa das causas nacionais e contribuíram largamente para o desenvolvimento da epopeia dos Descobrimentos e para o progresso económico da região. Ainda hoje o norte do país é reconhecido como uma das áreas mais dinâmicas do tecido empresarial português. A rudeza imposta pelo trabalho é, porém, superada pelo carácter franco e hospitaleiro da sua gente. O dinamismo dos habitantes do Porto não consegue disfarçar a sua paixão pelas coisas, dando-lhe uma imagem da autenticidade e de respeito.

 

Ponte D. Luís l - um dos ex-libris do Porto
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Constituída por dois tabuleiros metálicos, que se destinavam a fazer a ligação rodoviária entre Vila Nova de Gaia e o Porto. Tem de comprimento cerca de 395 metros e de largura 8 metros, compostos por 5,5 metros de faixa de rodagem e 1,25 metros de passeios.
A obra foi adjudicada a 28 de Novembro de 1881, por concurso aberto e foi o engenheiro Teófilo Seyrig quem ficou encarregado pelo projecto.
A construção desta ponte permitia a passagem da estrada real vinda de Lisboa até às províncias do Norte e do Norte do País, tendo constituído umas das obras de maior envergadura no plano rodoviário realizado pelo monarca, Luiz I.
Ponte Pênsil
A ponte D. Luiz, construída ao lado do local onde existiu a antiga Ponte Pênsil tem os dois tabuleiros sustentados por um imponente arco de ferro e por cinco pilares.
O arco é formado por duas curvas parabólicas divergentes. O tabuleiro superior apoia-se nos encontros de cantaria e nos três pilares de cada margem do rio. Na sua totalidade foram gastos 3000 toneladas de ferro, sendo que deles 172 metros são de corda e 45 metros são de flecha, componentes do arco da ponte.
O tabuleiro superior foi inaugurado a 31 de Outubro de 1886, dia do aniversário natalício de el-rei D. Luiz, ao qual assistiram, para além das autoridades governamentais, as autoridades municipais administrativas e religiosas da cidade do Porto e de Vila Nova de Gaia.

 

O nascimento do Infante D. Henrique - (O Navegador)
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A Rainha D. Filipa de Lencastre, encontrando-se grávida, repousara durante largos meses nos Paços de Atouguia da Serra. Por motivos que se desconhecem, a Côrte deixou a referida estância por volta de 3 de Fevereiro de 1394 e pôs-se a caminho do Porto. A viagem foi relativamente apressada, tendo a comitiva feito etapas em Leiria (onde se encontrava no dia 7) e Coimbra (onde estava no dia 12). A chegada ao Porto dá-se antes de 20 de Fevereiro, pois já nesta data a vereação reclama contra os distúrbios causados na cidade, pela pousadia do pessoal que acompanhava D. João I.
Conta Fernão Lopes que «naceo depois... o Infante dom Anrrique na cidade do Porto hua quorta feira de cinza IIII dias do mes de Março ... ». ("Nasceu depois... o Infante D. Henrique na cidade do Porto numa quarta-feira de cinzas no dia 4 do mês de Março...") Refere-se o cronista ao dia 4 de Março de 1394 e, segundo os estudos mais recentes, terá nascido numa casa que era pertença da coroa, uma casa que reuniria todas as condições para uma estada longa de vários meses. Essa casa seria a da Alfândega Real, também então designada por Casa do Tesouro, "almazem e casas" do almoxarifado do Porto e que tradicionalmente nos habituamos a designar por "Casa do Infante".
A permanência da Côrte nesta Cidade teve uma duração pouco comum, decerto para permitir o restabelecimento da Rainha e os cuidados devidos ao recém-nascido Príncipe bem como à realização do baptizado. A presença de D. João no Porto está confirmada, pelo menos, desde 20 de Fevereiro a 23 de Novembro.
Baptizado do Infante D. Henrique
Ao Porto e às suas gentes coube a honra de assistir e participar nos folguedos que por toda a cidade iam decorrendo durante as bodas do ilustre casal, D. João I e D. Filipa de Lencastre, ao Porto está também ligado o nascimento daquele que foi um dos mais prestigiados Infantes nascidos deste casamento. É natural que, na altura tenham ocorrido alguns festejos populares espontâneos do baptismo do Infante.
Nascido em 4 de Março de 1394, o Infante é baptizado no mesmo ano na Sé Catedral do Porto. A Câmara Municipal do Porto e outras instituições urbanas se associaram para organizar, como era costume, esses festejos tão importantes.
São poucas as informações acerca destes festejos, o que se sabe está num pergaminho guardado no Arquivo Histórico Municipal onde estão presentes todas as despesas feitas na preparação e decorrer dessas festas.

 

A Lenda do Tripeiros - Gentil Marques (1955)
No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para ali se casarem...
Foi então que o Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto para ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço despendido, achou que se poderia fazer ainda mais. E o Infante confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao mestre e aos seus homens mais empenho e sacrifícios, ao que mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o Infante o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este sacrifício tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros". Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe então que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira honra para o povo do Porto. A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos "tripeiros" que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Amarante – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Aqui, a História pode ser lida em cada recanto, cada lugar, cada outeiro, cada cimo de monte.

Vila dividida pelo rio Tâmega, de pitorescos açudes e ínsuas. Amarante parece ter sido fundada pelos Turdetanos, 360 antes de Cristo, sendo reconstruída pelo governador romano Amarantus. Talvez comprovem esta tradição os amplos vestígios arqueológicos, desde dólmenes e castros a ruínas luso-romanas, que existem nas suas imediações. As estruturas da actual vila apenas remontam a meados do século Xlll, época em que São Gonçalo ali construiu, com o auxílio da população de Ribatâmega, a robusta ponte romântica de três arcos, que ruiu em 1763. O interessante conjunto urbanístico sofreu grandes depredações em 1809, durante a Invasões Francesas, tendo sido incendiada parte da vila. Amarante possui, porventura, uma das mais belas pontes portuguesas, robusta nos seus arcos graníticos, que constituiu durante séculos (mesmo antes da data de 1790 que ostenta) ligação fundamental de Trás-os-Montes com o Porto.

Tradição de Amarante : O Diabo e a Diaba:

Esta figuras burlescas, outrora muito queridas da população amarantina, foram executadas no século XlX pelo mestre escultor António Ferreira de Carvalho, por encomenda dos frades do mosteiro. Destinava-se a substituir imagens idênticas que tinham sido destruídas aquando da passagem das tropas napoleónicas pela vila. O casal de diabos chegou a constituir motivo de veneração popular através de um culto curioso, com evidentes marcas de uma religião popular estranha aos ritos canónicos. No dia 24 de Agosto (em que, segundo uma velha superstição, o “Diabo anda à solta”, as pessoas não trabalhavam em Amarante, guardando autêntico feriado, e algumas ornamentavam as figuras e faziam-lhes oferendas. Em 1870, o então arcebispo de Braga, preocupado com a popularidade dos diabos e sob o pretexto da “indecência” de os mesmos se apresentarem de maneira indecorosa perante as imagens dos santos do mosteiro, mandou queimá-los. Mas a ordem não foi executada, pois os encarregados de tal operação optaram por cortar os órgãos sexuais da figura masculina.

Anos mais tarde, o casal de diabos foi vendido para Inglaterra, contra a vontade dos seus admiradores, o que levou a que as estatuetas tivessem posteriormente regressado a Amarante no meio de grandes manifestações de júbilo e uma calorosa recepção. Este acontecimento foi descrito por Teixeira de Pascoais na sua obra “O Duplo Passeio”, editada em 1942.

Caído em desuso o costume de lhes dedicar o dia 24 de Agosto e desaparecida a tradição da sua festa, o Diabo e a Diaba são hoje uma atracção no Museu de Amarante.

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado – 1897»: “Ignora-se o seu primeiro nome: o capitão romano Amaranto, que ali foi governador, e ampliou e reedificou, impondo-lhe o seu nome, e, durante o império, se chamou sempre Amaranto …

Outros dizem que Amarante querem que o nome lhe venha da próxima serra de Marão, como quem diz Ante-Marão ou Marão Ante, isto é, Atrás do Marão”.

« P. F. de A. C. de M. em História Antiga e Moderna da Sempre Leal e Antiquíssima Villa de Amarante – 1814»: “Amarante fundada pelos turdetanos 360 anos antes da vinda de Cristo, é com toda a verosimilhança a antiga “Araduca” de que falam os antigos historiadores: hoje chamada Amarante por estar situada “ante Maranum” antes ou para cá do Marão: mudando aquele primeiro nome de “Araduca”, no segundo de “Amarante” no tempo do Imperador Augusto, quando Seneciones General Romano tomou o prenome de “Amaranto”, por vencer os Lusitanos. Iteramnenses nesta vila, sendo a batalha tão “sanguinolenta”, que ainda hoje se chama ao lugar em que ela se deu “Mortório”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos»: “Tem-se escrito que este topónimo tem origem no nome próprio Amarantus, que poderia ou não ter sido o Amaranto sepultado no Hospital de São Marcos em Braga, e que, quando governador romano, teria mandado ampliar a povoação, que ainda hoje presta grande culto a São Gonçalo”

 

Amarante
http://www.cm-amarante.pt/
Tudo indica que Amarante deve a sua origem aos povos primitivos que demandaram a serra da Aboboreira (habitada desde a Idade da Pedra), embora se desconheça com exactidão o nome dos seus fundadores. Dá-se como certo, porém, que a urbe ganhou importância e visibilidade com a chegada de S. Gonçalo (1187-1259), nascido em Tagilde-Guimarães, que aqui se fixou depois de peregrinar por Roma e Jerusalém.
Em tempos não muito longínquos, o concelho de Amarante pertencia administrativamente à província do Minho, fazendo fronteira com os concelhos de Celorico de Basto (N), Gestaço (E), Gouveia (S) e Santa Cruz de Riba Tâmega (O). Com as reformas administrativas liberais do séc. XIX desapareceram os municípios de Gouveia, Gestaço e Santa Cruz de Ribatâmega, tendo o de Amarante recebido a maioria das suas freguesias. Desde então o concelho estende-se por uma área de 301,5 quilómetros quadrados, a que correspondem, hoje, 40 freguesias, 18 ao longo da margem direita do rio Tâmega e 22 da margem esquerda, ocupando uma posição de destaque na região do Douro-Tâmega.
Tem uma população de 59 638 habitantes e uma densidade populacional de 197,8 habitantes por quilómetro quadrado. Rico em termos paisagísticos, para o que contribuem decisivamente as serras do Marão e Aboboreira e o rio Tâmega, o concelho de Amarante reúne também um conjunto notável de edifícios e monumentos. 
No Centro Histórico da cidade merecem referência a Ponte, o Convento e Igreja de S. Gonçalo, as Igrejas de S. Pedro e S. Domingos, a Casa da Cerca e o Solar dos Magalhães. Fora da urbe, o destaque vai para os Paços do Concelho de Santa Cruz de Riba Tâmega, o Mosteiro de Travanca e para o românico das igrejas de Mancelos, Jazente, Freixo de Baixo, Gatão ou Gondar.
As festas grandes em Amarante, em honra de S. Gonçalo, acontecem no primeiro fim de semana de Junho. O feriado municipal tem lugar a 8 de Julho. No concelho, na área do artesanato, o destaque para o barro negro de Gondar, a cestaria, as rendas e os bordados, as mantas e as meias de lã.

 

Lendas de São Gonçalo
http://www.saogoncaloonline.com.br/
Beato Gonçalo de Amarante.

São Gonçalo é o santo português que, sobretudo no Norte de Portugal, goza da maior devoção, logo depois de Santo António de Lisboa. Na sua História Eclesiástica de Portugal, o Padre Miguel de Oliveira diz apenas o seguinte: «S. Gonçalo de Amarante que se supõe falecido a 10 de Janeiro de 1259; o seu culto foi permitido pelo Papa Júlio III (24 de Abril de 1551) e confirmado por Pio IV (1561); Clemente X estendeu o ofício e a Missa a toda a Ordem dominicana (1671)».
Terá sido São Gonçalo uma invenção posta ao serviço de uma qualquer ideia ou propósito, ou podemos perceber o percurso da sua devoção ou do seu culto? O mais antigo documento que se refere a São Gonçalo, é um testamento de 18 de Maio de 1279 em que uma tal Maria Johannis lega os seus bens à Igreja de São Gonçalo de Amarante. Quer dizer, uns 20 anos depois da morte de São Gonçalo existia uma igreja dita «de São Gonçalo de Amarante». E há outros documentos... e escritos sobre a figura de São Gonçalo e o seu culto.
Na biografia oficial de São Gonçalo, apresentada como tal a partir do Flos Sanctorum de 1513, não há dúvidas: Gonçalo, nasceu em Tagilde, estudou rudimentos com um devoto sacerdote e frequentou depois a escola arqui-episcopal de Braga. Ordenado sacerdote foi nomeado pároco de São Paio de Vizela. Depois foi a Roma e Jerusalém; no seu regresso vendo-se desapossado do seu benefício prosseguiu um caminho de busca interior já anteriormente encetado, depois foi a experiência da vida eremítica, a pregação popular..., e logo caiu na ambiência mendicante da época, após o que se faria dominicano...
As coisas não são assim tão lineares. De qualquer modo, tenha sido padre diocesano, cónego de Santa Maria em Guimarães, beneditino ou dominicano, tenha - quase por certo - passado de uma a outra condição, nenhuma destas hipóteses esbate a riqueza e o vigor da sua figura.
(cf. ARLINDO DE MAGALHÃES, São Gonçalo, História ou lenda, Ed. Amarante Magazine - Paróquia de São Gonçalo 1995, 62 pp.)

Os pesquisadores relatam que São Gonçalo do Amarante, viveu e morreu durante o século XII d. C. em Douro, Portugal. Ele era um homem comum, trabalhador, construiu a Igreja de Nossa Senhora, em cima de um rochedo, e diversas pontes sobre rios. Em toda sua vida dedicou-se a fazer o bem e transmitir o amor a Deus e a paz espiritual ao homem. Nas suas peregrinações, levava consigo uma viola de cordas, invocava o povo através de suas melodias, tocadas nas rodas de danças formadas ao ar livre, por moças e rapazes. Além das mensagens de fé e carinho que transmitia, ele foi exemplo de dignidade e santificação. Existem muitas lendas a respeito do santo protector das mulheres e dos casais apaixonados. Contam que ele transmite tranquilidade e alegria a todos. Protege sempre os que amam. Ajuda as pessoas a encontrar a pessoa certa para amar e ser feliz por toda a vida. Para alguns, São Gonçalo possui poderes sobrenaturais contra o mal e contra as adversidades. Tanto no Brasil como em Portugal as procissões a São Gonçalo são acompanhadas por rapazes e moças que desejam casar, carregando velas acesas, durante todo o percurso. Se a vela não apagar até o final da procissão, é certeza casar-se no mesmo ano.

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 


Baião – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Segundo a tradição, o guerreiro D. Arnaldo, que tomou o apelido de Bayão ou Bayan, conquistou aos mouros a Terra de Baião, que lhe foi por isso concedida em mercê do rei de Castela e Leão, entre 985 e 990. Baião e, portanto, um nome que, desde tempos remotos, designa toda a região (hoje concelho), e não apenas a sua sede, no passado mais conhecida por Campelo. Estendendo-se ao longo de montanhas grandiosas e vales tranquilos, é o mais rural dos concelhos do distrito do Porto.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Deve foliar-se no adjectivo baio, de proveniência latina, e que exprime a ideia de “amarelo torrado, amulatado ou cor de ouro desmaiado” Baian é a forma medieval correspondente à actual Baião, que aparece como de várias povoações”.

 

Baião

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Dista cerca de 67 km para nascente da cidade do Porto.
O concelho assume um carácter rural, com paisagens de serrania, cortadas pelos leitos do rio Douro e dos seus afluentes, com destaque para os rios Teixeira e Ovil, pontuadas por férteis campos agrícolas.
Numa área de 174,3 km2 distribuem-se 20 freguesias: Ancede, Campelo, Covelas, Fende, Gestaçô, Gove, Grilo, Loivos do Monte, Loivos da Ribeira, Mesquinhata, Ovil, Ribadouro, Santa Cruz do Douro, Santa Leocádia, Santa Marinha do Zêzere, Teixeira, Teixeiró, Tresouras, Valadares e Viariz.
Em 2001, o concelho apresentava 22 355 habitantes.
História e Monumentos
O povoamento do território do concelho remonta à pré-história. Existem referências a Baião do século XI. Obteve foral em 1513 concedido por D. Manuel I.
Os seus principais monumentos são o Castro do Cruito, o Pelourinho da Teixeira, o Convento de Ancede e a Casa de Tormes.
Tradições, Lendas e Curiosidades
A 23 e 24 de Agosto têm lugar as Festas Concelhias de S. Bartolomeu. Nos dias 8 e 23 realizam-se feiras quinzenais em Baião; dia 23, em Campelo; dias 5 e 19, em Gestaçô; e dias 2 e 18, em Gove.
Este concelho terá servido de inspiração ao escritor Eça de Queirós, que aqui viveu, tendo habitado no Solar de Tormes.
O folclore de Baião encontra-se patente nos ranchos folclóricos. Estes usam instrumentos variados, como a viola de chula, o cavaquinho e a rabeca, entre outros. Nas danças tradicionais evidenciam-se a chula de Baião, o malhão, a contra dança e a cana verde.
Da tradição do concelho fazem também parte os carros de bois, puxados por uma junta de bois.
As vindimas realizam-se por volta do mês de Setembro. Carregam-se cestos com uvas, que depois são levados às costas por homens. São cada vez mais raros os lagares onde antigamente se fazia a pisa das uvas.
A tecelagem, os trabalhos em cantaria, a cerâmica, a funilaria, a ferraria, a cestaria com os cestos de piorna, as bengalas, as mantas de retalhos e os chapéus de palha compõem as principais actividades e os principais produtos do artesanato do concelho.
Economia
O sector primário domina a economia do concelho, sendo a agricultura a principal actividade nas várias freguesias. Nos solos férteis produzem-se cereais, produtos hortícolas, frutas e vinhos. A pecuária e a exploração florestal encontram-se também presentes e, juntamente com alguns serviços, o pequeno comércio, a pequena indústria, nomeadamente de confecções, e a construção civil completam o quadro económico do concelho de Baião.

 

Baião
http://www.anmp.pt/munp/mun/
BaiãoNúcleo de Arqueologia do Museu Municipal de Baião
Núcleo de Arqueologia do Museu Municipal de Baião
Expõe ao público os resultados de 20 anos de trabalhos arqueológicos realizados no Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira que abarca as Serras da Aboboreira e Castelo (concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses). De uma forma didáctica abordam-se temas como o Povoamento Pré-histórico (Neolítico à Idade do Bronze) com destaque para o Megalitismo, Idade do Ferro e Romanização, e ainda a Alta Idade Média. Os objectos mais significativos destas épocas encontram-se expostos em seis vitrines, e a sua contextualização espácio-temporal é efectuada com base em imagens gráficas e painéis explicativos. Destacam-se duas maquetes: uma com 120 figurinhas humanas sobre a construção de um dólmen e outra da Carta Arqueológica com pequenas réplicas dos principais monumentos edificados ao longo do tempo.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 


Felgueiras – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Vila de formação antiquíssima já existia no século X e é referida no famoso testamento de Mumadona (959). Ergue-se no sopé do monte de Santa Quitéria e não conserva vestígios da sua antiguidade.

Felgueira foi elevada à categoria de vila com esta designação em 1846. Anteriormente, correspondia à freguesia de Santa Eulália de Margaride. Já no princípio do século XVlll, Margaride era considerada como a principal povoação do antigo concelho de Felgueiras. Situado a 3 Km no rio Vizela, na estrada de Amarante para Guimarães, teve foral concedido por D. Manuel l em 1514, mas o concelho é ainda mais antigo e remontará possivelmente aos primórdios da Nacionalidade. De facto, para além de algumas notícias que dele se encontram desde 1258, o próprio foral manuelino faz referência aum outro foral, concedido por D. Afonso Henriques, que por sua vez, confirmava outro de seu pai, o conde D. Henrique.

Local aprazível de vilegiatura pela sua situação de grande beleza natural e agricultura fértil, os seus arredores são pitorescos e nas suas freguesias erguem-se notáveis exemplares de arquitectura religiosa no estilo românico de que se destaca a Igreja de Unhão.

Origem do nome:

«É o mesmo nome comum Felgueiras, plural de felgueira, do latim filicaria, e este de filice, feto.

Portanto, Felgueira virá de Felgaria que significa terreno coberto de fetos, os quais quando secos, tomam cor avermelhada, e por sua vez deriva de felga (filix), no baixo latim”.

 

Felgueiras
http://www.cm-felgueiras.pt/VSD/Felgueiras/
Felgueiras de Ontem e de Hoje
    Situado em pleno coração do Vale do Sousa, no distrito do Porto, o concelho de Felgueiras constitui um território de enorme beleza natural e paisagística, "onde o Sousa tem nascente, onde se ergue sorridente o belo Monte das Pombas..." de uma grande riqueza histórica, cultural e patrimonial, na qual sobressai o Mosteiro de Pombeiro, contemporâneo da fundação da nacionalidade.
    O concelho de Felgueiras abrange cerca de 116 quilómetros quadrados, sendo constituído por 32 freguesias. Integra quatro centros urbanos: Felgueiras, sede do concelho, Lixa, Barrosas e Longra. Por decisão da Assembleia da República, a 13 de Julho de 1990, Felgueiras foi elevada à categoria de cidade e Barrosas à categoria de vila. Tal como Felgueiras, a anterior vila da Lixa recebeu distinção semelhante, passando a cidade no dia 21 de Junho de 1995, enquanto que a Longra viu reconhecida a sua pretensão de elevação a vila a 1 de Julho de 2003.
    O documento mais antigo que refere a terra de Felgueiras, o testamento da condessa galega Mumadona Dias, fundadora da cidade de Guimarães, data de 959: "in felgaria rubeans villa de mauri". Igualmente é citada no Inventário dos bens, igrejas e herdades do mosteiro de N.ª S.ª da Oliveira de Guimarães: "Et in sause ad radice montis sancto felice de felgeiras rubeas villa".
    Felgueiras deriva, por conseguinte, do termo felgaria, que significa terreno coberto de fetos que, quando secos, são avermelhados (rubeans ou rubeas).
    Embora se desconheça o paradeiro, há historiadores que afirmam que Felgueiras recebeu um foral velho do conde D. Henrique confirmado por D. Afonso Henriques.
    Contudo, somente o foral novo, concedido por D. Manuel I a 15 de Outubro de 1514, chegou até nós, existindo um exemplar no Arquivo Histórico Municipal.
    As Inquirições de 1220 englobavam na terra de Felgueiras 20 freguesias, para além dos mosteiros de Caramos e de Pombeiro e as igrejas de S. Tomé de Friande e de S. André de Airães. Em 1855 Felgueiras foi transformada em comarca e passou a abranger mais 12 freguesias.
Bibliografia Recomendada:
FREITAS, Eduardo, "Felgerias Rubeas: subsídios para a história do concelho de Felgueiras". 2ª ed. Felgueiras: s.n.1985.
FERNANDES, M. Antonino, "Felgueiras de Ontem e Hoje".1989.

 

Felgueiras
http://www.solaresdeportugal.pt/PT/
Situada em pleno coração do Vale do Sousa, no extremo do distrito do Porto, o concelho de Felgueiras constitui um território de enorme beleza natural e paisagística, entre montes e vales, de uma grande riqueza histórica, cultural e patrimonial, na qual sobressai o Mosteiro de Pombeiro, contemporâneo da nacionalidade.
O concelho de Felgueiras abrange cerca de 116 quilómetros quadrados, repartidos por 32 freguesias. Integra 3 centros urbanos: a cidade de Felgueiras, a cidade da Lixa e a vila de Barrosas.
Felgueiras é o nome histórico deste concelho e sempre assim o foi desde a primeira hora. De lugar banal, cheio de fetos ou felga (raiz que lhe deu o nome), desconhecido e de ninguém, cedo começou a ser frequentado e a servir de acompanhamento venatório e militar. E isso custou-lhe inicialmente, algumas queimadas que levaram mais longe o seu nome e o conhecimento do sítio.
É no testamento de Mumadona Dias, do ano 959 que aparece a mais antiga referência conhecida a Felgueiras. É citada para identificar a vizinha «vila» de Moure: "In Felgaria Rubeans villa de Mauri". Repare-se que o topónimo «Felgueiras», além de servir de ponto de referência identificativa, vem surgindo o determinativo «Rubeans» e «Rubeas», a evocar certamente uma lembrança ainda viva de ter sido lugar calcinado pelo fogo.

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 


Gondomar – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

O concelho estende-se, a sul, pela margem direita do Douro, fronteiro a algumas freguesias gaienses. Os seus terrenos são acidentados, com montanhas relativamente elevadas, mas os vales entre elas são amenos e férteis. A povoação principal, a vila de Gondomar, é antiquíssima. Segundo tradição, teria sido fundada pelo godo Flávio Gundemario, cujo nome, com o decorrer dos séculos, deu origem à sua designação actual. Quando foi elevada a vila, a povoação tomou o nome de São Cosme (seu padroeiro), como aliás é conhecida. A personagem marcante do concelho continua viva na paisagem bucólica e nos panoramas de beira-rio para quem percorre a estrada marginal até à foz do rio Sousa  e daí até Entre-os-Rios.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Escreveu-se há muito que Gondomar provém de Gundemario (Flávio Gundemario), que, no ano de 610, foi senhor da citada vila duriense. Certo é que o nome é de origem germânica e nele revela o elemento marsh, cavalo, que aparece noutros topónimos; a primeira parte do vocábulo é da mesma de Gondarém e de outras expressões toponímicas, onde tem o significado etimológico de batalha, combate”.

 

Gondomar
http://www.gondomaronline.com/gondomar/

"Situada na margem direita do rio Douro, Gondomar é uma terra antiga, cheia de lendas, tradições e belezas naturais que ornamentam a periferia do Porto.
Destaca-se o Monte Crasto onde a agitação e a fadiga quotidianas parecem estar longe daí; os rios, o "Douro", as vastas e tranquilas praias fluviais; a pesca, os "Valboeiros", os desportos fluviais, o remo a canoagem, os agradáveis passeios junto à margem; as alegres festas populares; o delicado artesanato da talha em madeira e e das famosas filigranas; o sável e a lampreia deliciosamente preparados.
Isto é um pouco de Gondomar.
Venha e sinta-o!"
Segundo a tradição, a origem do topónimo de Gondomar remonta ao ano 610 D.C., quando o rei visigodo Flávio Gundemário, andou por estas terras ricas em ouro.
Como demonstram achados arqueológicos encontrados no Monte Crasto, o local terá sido habitado muito antes.
Documentalmente os primórdios desta terra remontam a uma referência à Igreja de Stª Eulália, no ano de 897.
Outra versão é que Gondomar tem a sua origem em vila Gumades (de mina de ouro) e vem directamente do latim Gundimarus.
Os documentos mais antigos de que há conhecimento, datados de 1095 já referem a Vila de Gondomar, como podemos observar, antes da fundação da nacionalidade em 1143.
D. Sancho I, o Rei Povoador, demarcou o couto de Gondomar em 1193, doando-o ao Bispado do Porto e fazendo acompanhar da respectiva carta de couto, confirmada por seu filho D. Afonso II, em 1218. No reinado de de D. Manuel I, em 1515, é atribuído o foral ao "Município de Gondomar".
Ao longo da sua história, Gondomar foi ganhando e perdendo freguesias, alterando a sua própria configuração geográfica. Das várias modificações verificadas, destacam-se as perdas de Avintes (para Vila Nova de Gaia) e de Campanhã (para o Porto), mas também os importantes ganhos de Melres, Rio Tinto, Lomba e São Pedro da Cova.
Em 1927 a sede do concelho - S. Cosme - foi confirmada como "Vila de Gondomar" e elevada à categoria de Cidade mais recentemente, em 1991.
A actual situação juridico-administrativa do Concelho contempla duas cidades (Gondomar e Rio Tinto) e três vilas (Fânzeres, S. Pedro da Cova e Valbom).
Gondomar Coração de Ouro
O Coração de filigrana, logótipo de referência do concelho de Gondomar, é parte integrante do brazão da cidade, representa as industrias locais, significando o sentimento artístico com que esta indústria é executada em Gondomar, é de ouro, metal que alude ao nome da Cidade e é o mais rico da heráldica e que significa nobreza, fé, sabedoria, fidelidade, constância, poder e liberdade. É esmaltado de azul que significa zelo, lealdade e caridade.
 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal



Lousada – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Foi elevada à categoria de vila em 1514 por D. Manuel l, que lhe concedeu foral.

História, religião e geografia são os alicerces culturais da região, com o título de vila desde 1514, o que significava, já nessa época um relativo desenvolvimento. Nestas paragens, em que se começa a fazer a transição do Minho para o país duriense, o passado quer dizer a igreja do século XVlll, a velha casa armoriada do século XVlll, a igreja românica do século XlV, os túmulos de guerreiros, o cruzeiro seiscentista, mas também os penedos com designações que evocam culturas anteriores à nossa História.

A religião é um misto de cristianismo profundamente assumido, sobreposto às crenças lendárias, às práticas mágicas propiciatórias dos antigos cultos das religiões pré- históricas. Como na Serra de Campelo, onde as grávidas iam esfregar o ventre na grande pedra para que ela, lhes propiciasse um bom parto e os filhos fossem perfeitos.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Lousada é derivada de Lousa, que significa lâmina de pedra, ardósia, e que parece ser, de origem céltica ou ibérica, apresentando-se numa hipotética forma latinizada, lausa”.

 

Lousada
http://www.cm-lousada.pt/VSD/Lousada/
O concelho de Lousada, integrado na região do Vale de Sousa, é um  Município fortemente industrializado, com relevante destaque para a indústria têxtil, embora tenha um cariz profundamente agrícola, sobretudo no domínio dos vinhos verdes e lacticínios, tem empresas agro-indústriais, bastante desenvolvidas tecnologicamente.
Em séculos anteriores, Lousada demonstrou ser uma região de grande riqueza, e a prova disso são as grandes casas e quintas senhoriais que remontam aos séculos XVII e XVIII, a época áurea da aristocracia rural.
Com uma população a rondar os 45 mil habitantes, na sua maioria jovens, distribuídos por cerca de 95km2,o Concelho de Lousada dista 35 km do Porto, a cujo distrito pertence, confinando com os Concelhos de Penafiel,Paredes,Paços de Ferreira,Santo Tirso,Vizela,Felgueiras e A