A água é um líquido incolor transparente,
inodoro, insípido, corpo composto cujas
moléculas são formadas por dois átomos de
hidrogénio e um átomo de oxigénio (H2O). A
água ferve a 100º C à pressão normal. A água
é, desde tempos imemoráveis, de importância
vital para o Homem, quer a nível das
culturas quer a nível da biologia. Por ela
se fizeram e continuam a fazer guerras. A
água é o constituinte mais característico da
Terra e é o ingrediente essencial da vida. A
água possui muitas propriedades incomuns que
são críticas para a vida: é um bom solvente
e possui alta tensão superficial (0,07198 N
m-1 a 25 °C). A água pura tem sua maior
densidade a 3,984 °C: 999,972 kg/m3, e tem
valores de densidade menor ao arrefecer que
ao aquecer. Por ser uma substância estável
na atmosfera, desempenha um papel importante
como absorvente da radiação infravermelha,
crucial no efeito estufa da atmosfera. A
água também possui um calor específico
peculiarmente alto (75,327 J mol-1 K-1 a 25
°C), que desempenha um grande papel na
regulação do clima global. A água dissolve
vários tipos de substâncias polares e
iónicas, como vários sais e açúcares,
facilitando na interacção química entre as
diferentes substâncias fora e dentro dos
organismos vivos (metabolismos complexos).
Apesar disso, algumas substâncias não se
misturam bem com a água, incluindo óleos e
outras, podendo ser classificadas como
insolúveis e, em alguns casos, hidrofóbicas.
As membranas celulares, compostas por
lipídios e proteínas, levam vantagem das
propriedades hidrofóbicas para controlar as
interacções entre os seus conteúdos e o meio
externo. A água encontra-se em diversos
estados físicos. Na atmosfera ela está em
estado gasoso, proveniente da evaporação de
todas as superfícies húmidas – mares, rios e
lagos; em estado líquido é a mais usual
forma da água, encontrada nos grandes
depósitos do planeta, nos oceanos e mares
(água salgada), nos rios e lagos (água doce)
e também no subsolo, constituindo os
chamados lençóis freáticos. Para finalizar,
também encontramos a água no estado sólido,
nas regiões frias do planeta, os pólos e nas
grandes altitudes. Do estado gasoso,
presente na atmosfera, a água pode se
precipitar em estado líquido, como chuva,
orvalho ou nevoeiro, ou em estado sólido,
como neve ou granizo.
O corpo humano é composto por cerca de 60 a
70% de água. Nos recém nascidos, esta
percentagem pode chegar a 75%.
Cerca de dois terços da água do nosso
organismo está nas células que compõem os
nossos órgãos e tecidos. A restante parte
reparte-se pelos diferentes líquidos do
corpo (sangue, linfa, etc.). A água
desempenha um papel muito importante no
transporte dos nutrientes, na eliminação das
toxinas orgânicas e na regulação térmica do
organismo. Por estes motivos é muito
importante assegurar o equilíbrio dos níveis
de água no nosso corpo para que este
funcione bem. Esta água que ingerimos deverá
ser da maior qualidade. Deverá conter
minerais importantes ao nosso bem estar,
tais como cálcio, magnésio, sódio, flúor,
entre outros. Não deverá conter substâncias
como chumbo, mercúrio, rádon, entre outros.
Algumas destas substâncias maléficas podem
por vezes contaminar as águas de consumo
público, embora os serviços municipalizados
façam o maior esforço para que isso não
ocorra. A verdade é que, por vezes, as
pessoas acabam por sentir que a água da
torneira tem mau sabor ou mau cheiro. Muitas
das vezes em que existe mau sabor, isso
deve-se às excessivas quantidades de cloro
que são adicionadas à água. Apesar de um bem
renovável, a água pode ser infinita, ao
contrário do que durante muito se acreditou.
Vivemos em um planeta onde o número de
habitantes cresce assustadoramente. Em 1800,
éramos 1 bilhão de pessoas e, já no ano
2000, atingíamos o sexto bilhão de
habitantes. Ao chegarmos a oito bilhões de
habitantes, em 2030, segundo estimativas,
será necessário aumentar a produção de
alimentos em mais de 50%. Isso representa um
impacto imensurável, uma vez que 70% de toda
água consumida no mundo vai para a
agricultura. Acredita-se, por exemplo, que
para a produção dos alimentos que consumimos
diariamente são necessários 400 litros de
água/pessoa. É difícil, portanto, acreditar
que ainda não visualizemos a importância da
água, que de tão presente em nosso dia-a-dia
não imaginamos viver sem ela. Assim como uma
locomotiva, a água, se bem utilizada, é
responsável pelo transporte do
desenvolvimento. Porém, se mal usada, pode
levar a estados de calamidade,
principalmente para a população.
O Dia Mundial da Água
É celebrado a 22 de Março de cada ano, tem
por tema em 2007 « Fazer face à escassez de
água ». O tema deste ano assinala a
importância crescente da escassez de água no
mundo e a necessidade de reforçar a
integração e a cooperação por forma a
assegurar uma gestão sustentável, eficaz e
equitativa de recursos hídricos raros, seja
localmente ou à escala internacional. Quando
lidamos com recursos hídricos limitados, é
indispensável de ter em consideração a
equidade e os direitos e ter em conta os
elementos de ordem cultural e ética. Quer se
trate dos desequilíbrios entre as
disponibilidades e a procura, da degradação
da qualidade das águas subterrâneas e das
águas de superfície, da concorrência
intersectorial, das diferenças
inter-regionais e internacionais, a questão
central é de saber como fazer face à
escassez de água. O tema deste ano foi
escolhido por todos os membros da ONU-água
na semana mundial da água, celebrada em
Estocolmo em Agosto de 2006. A FAO assegura,
para a celebração do dia mundial da água de
2007, a coordenação para o conjunto das
instituições e programas das Nações Unidas
que são membros da ONU-água.
De acordo com as recomendações da
Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento contidas no
capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda
21.
Nesse período vários Estados foram
convidados, como fosse mais apropriado no
contexto nacional, a realizar no Dia,
actividades concretas que promovam a
conscialização pública através de
publicações e difusão de documentários e a
organização de conferências, mesas redondas,
seminários e exposições relacionadas à
conservação e desenvolvimento dos recursos
hídricos e/ou a implementação das
recomendações proposta pela Agenda 21.
A cada ano, uma agência diferente das Nações
Unidas produz um kit para imprensa sobre o
DMA que é distribuído nas redes de agências
contactadas. Este kit tem como objectivos,
além de focar a atenção nas necessidades,
entre outras, de:
Tocar assuntos relacionados a problemas de
abastecimento de água potável;
Aumentar a consciência pública sobre a
importância de conservação, preservação e
protecção da água, fontes e suprimentos de
água potável;
Aumentar a consciência dos governos, de
agências internacionais, organizações
não-governamentais e sector privado;
Participação e cooperação na organização nas
celebrações do DMA.
Os temas dos DMA anteriores foram:
2009: Água e saúde ; 2008: Saneamento ;
2007: Lidando com a escassez de água ; 2006:
Água e cultura ; 2005: Água para a vida ;
2004: Água e desastres ; 2003: Água para o
futuro ; 2002: Água para o desenvolvimento ;
2001: Água e saúde ; 2000: Água para o
século XXI ; 1999: Todos vivem rio abaixo ;
1998: Água subterrânea: o recurso invisível
; 1997: Águas do Mundo: há suficiente? ;
1996: Água para cidades sedentas ; 1995:
Mulheres e Água ; 1994: Cuidar de nossos
recursos hídricos é função de cada um.
A partir de 2001 ficou restrito a cada país
a adopção da Agenda 21.
Na UE têm assento permanente em órgãos
consultivos as maiores transnacionais da
água, creditadas entre os cerca de cinco mil
"lobbies" oficialmente aceites como
interlocutores nas decisões comunitárias. É
patente a sua influência nas políticas
europeias da água. Particularmente
atentatória de uma larga gama de direitos
dos cidadãos, a "Directiva dos serviços",
mais conhecida como "Directiva Bolkestein",
que está actualmente em processo de
aprovação, inclui clausulado propiciando a
instituição de monopólios privados de
captação de água e de controlo dos serviços
de abastecimento nos Estados Membros. Os
mesmos interesses financeiros de domínio
sobre a água tem tido influência
incontestável na política do nosso País,
cujos Governos e maiorias parlamentares se
têm antecipado a eventuais imposições
externas na aprovação de legislação e
adopção de medidas de favorecimento desses
interesses. A política da água portuguesa há
mais de uma década tem tido um único
sentido: a espoliação dos direitos à água
dos portugueses e o estabelecimento de
negócios a entregar, mais tarde ou mais
cedo, aos poderosos interesses que dominam o
"Conselho Mundial da Água". De 1988 a 1995
sucederam-se as alterações legislativas que
deram azo ao início da privatização dos
serviços de abastecimento de água, recolha e
tratamento de águas residuais.
As Nações Unidas, através da resolução A/RES/47/193,
de 22 de Dezembro de 1992, declararam o dia
22 de Março de cada ano como o Dia Mundial
da Água. Este dia tem sido marcado, desde
1993, com iniciativas várias nacionais e
internacionais com o intuito de sensibilizar
o público em geral para a necessidade de
conservar os recursos hídricos e para
algumas questões em particular, também
relacionadas com a água. A comemoração do
Dia Mundial da Água de 2004 foi coordenado
pela Estratégia Internacional da ONU para a
Redução de Desastres e pela Organização
Meteorológica Mundial, sobre o tema: “Água e
Desastres”. No nosso planeta há locais mais
vulneráveis que outros a desastres naturais
associados ao elemento água, como inundações
e secas, deslizamentos de terra, avalanches
e tempestades. Os efeitos destes desastres
resultam não só das condições geológicas e
meteorológicas locais (há solos menos
produtivos, mais susceptíveis à erosão e
degradação do que outros) como também do
nível de desenvolvimento humano local
(nomeadamente em termos de actividades
económicas), sendo mais severos nos países
em desenvolvimento. Tome-se o exemplo do
ineficiente ordenamento do território, que
permite o crescimento imobiliário irracional
e a destruição de florestas e vegetação
ripícola em zonas inundáveis, tendo
conduzido ao aumento do número de pessoas
afectadas pelas inundações.
A ONU defende que os efeitos deste tipo de
acontecimentos poderá ser minimizado
envolvendo cidadãos, principalmente os de
zonas sensíveis, em colaboração com a
protecção civil e o instituto de
meteorologia, entre outras instituições
relacionadas, na elaboração de estratégias
de gestão de desastres, incluindo os planos
de evacuação. Estas estratégias deverão
incorporar não só conhecimentos técnicos
como também conhecimentos do fórum social e
cultural. É esta visão de prevenção
envolvendo cidadãos e técnicos
especializados, enfatizada na comemoração do
Dia Mundial da Água de 2004, pela ONU, que
se julga necessária e urgente estabelecer de
forma a reduzir a vulnerabilidade das
populações e a melhoria da sua participação
activa nas medidas de redução dos efeitos de
desastres naturais, através da sua adequada
informação e preparação. A ONU ainda vai
mais longe, apontando como uma das
principais causas do fracasso dos programas
para abastecimento e saneamento de água
potável em países como a Índia, o Quénia ou
o Nepal é a falta de participação das
populações. "Não é apenas uma questão de
meios", admite Jan Pronk, presidente da Wash
(agência especializada da ONU para a água) e
ex-ministro holandês do Ambiente. É
necessário envolver os cidadãos, informá-los
de forma a que se deixe ter como resultado a
"incompreensão absoluta entre o prestador
[do trabalho] e o beneficiário e,
finalmente, a recusa por parte da população
de utilizar e pagar o serviço".
Fonte: Departamento Técnico da CONFAGRI
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande - Portugal
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