André Anlub

 

 

 Nossos Litígios

André Anlub


Pelos nossos próprios litígios
Tentei organizar nossas vidas
Apagando insensatos vestígios
E acendendo e excedendo as saídas.

No doce ninho, que mesmo em sonho
Onde criamos rebanhos, rebentos
Em águas límpidas que fazem o banho
Depurando, em epítome, nossos momentos.

Amontoando em vocábulos incertos
Vejo e escrevo, em linhas tortas, n'alma
Optando por esse amor na justa calma
Nas brigas que expulsam demônios e espectros.

Mas na sensatez do amor verdadeiro
Vi-me lisonjeado por ser o primeiro
O real, fiel e o ardente.

Sou o qual lhe agarra a unhas e dentes
Sendo o mais perfeito, da paixão, mensageiro
Andando feito ébrio a passos doentes.

Mesmo se somassem todos os números e datas
Secassem todas as águas do planeta
Encharcando sua face que no ápice da tormenta
Sempre responde com lisura imediata.

O ardor do âmago do seu ser
Acabou escrevendo minhas linhas
Nesse bem querer de minhas rinhas
Só, e mesmo cego, posso lhe ver.

André Anlub

Dos Bardos

André Anlub


É pensante, mas sóbrio poeta insurgente
Daqueles que anseiam tirar poesia de tudo...
Menos do que o toca no absoluto profundo
Pois nele, o mesmo, é extremamente faltante.

Precisos são seus pontos, vírgulas e aspas
Às vezes palavras ásperas que consternam o humilde
Notória sincronia com o público que aclama
Forca em praça pública com linchamento e chamas.

O bardo é liberdade, Ícaro que deu certo
Sem normalidade, sem torto e sem reto
Equidistante do mundo mora no cerne da alma
E com doação e calma, conquista os sinceros.

Mas há poeta que grita abraçado ao berrante
Só vê perfeição nos seus soberbos espelhos
Pois Narciso é conciso e sem siso é errante.
Cai por terra, dúbio, e vê-se de joelhos.

André Anlub

Nosso Amor

André Anlub


Sendo mais sensato e apregoando com ênfase o meu amor
Vejo-me mais feliz e completo, caminhando na trilha de gigantes
Sinto-me brioso no melhor sentido que faz a vida
Sentimento vindo e não indo, lindo... Como já foi um dia!

No adereço implícito dessa paixão sublime
No adjunto das minhas ações e sensações... Esconde-se um menino
De pés descalços, sujo de barro se sente um deus
Extremamente feliz e compreendido.

Mas se há perigo, se há ciúme... A calentura
Minha sepultura se intensifica e grita meu nome
Falsa semeadura, enterrando bem fundo os versos meus
E no espelho vejo-me embaçado e pequenino.

Mesmo apoucado sou passarinho que voa alto
Sem exageros - com muito afeto - sem desatinos
Conquisto-lhe, debicando a mais pura lealdade.
Tudo entre nós se torna pleno e primazia, se torna de fato.

André Anlub

Tempo de ser poeticamente correto

André Anlub


Lá estavam eles, no centro da praça
Aproveitando a reforma do coreto
Pintado com belo azul turquesa
Imponente beleza, de madeira de peroba.

O poeta recitava, tão doce e bela obra
Um soneto de Florbela, das estirpes de outrora.

De tanto encanto e sonoridade
Alcançou sensíveis ouvidos
Buliu mil verves afora.

Surgiram os novos poetas
Com composições próprias
Dando mais vida ao feitiço
Vivenciando o agora.

Eram novos Marias e Joãos
Zés, Fernandos e Pessoas
Envernizando o coreto
Abrilhantando a alma.

André Anlub

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