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O Poeta
e o Poema…
…subscrevo em absoluto, de que tudo na vida
para ser desempenhado com seriedade, exige
trabalho e estudo…, e se tal é uma verdade
inequívoca em geral, não o será menos em
relação à poesia, em particular…
A elaboração, tal como a interpretação, do
texto poético é algo exigente, quer para o
autor, (o poeta), quer para o seu leitor…e a
este propósito vale aqui relembrar o
conteúdo do meu soneto “bárbaro”, (porque
tem mais de doze sílabas), com as suas
quinze sílabas por verso, intitulado
precisamente de «O Poema…».
Assim, se por um lado, à partida, o poeta
precisa de talento e inspiração para
conceber o poema, por outro, a sua modelação
exige-lhe trabalho sério e aturado… para
formular a mensagem que do mesmo irradia…
Tal como o escultor vai cinzelar a pedra
tosca, para dela retirar essa forma bela,
que é a própria estátua, a qual no contexto
informe do bloco de mármore a mesma já ali
existia…, ou o pintor utilizar a sua tela
para ali preencher de cor e movimento, essa
noção do espaço que resultam da sua
percepção…, também o poeta será assim como
que o cinzelador da linguagem, que é a sua
matéria prima, fazendo o uso apropriado da
“palavra”, em cada verso, até conseguir
moldar o poema, para dele irradiar a
mensagem que resulta da inter-penetração dos
“egos” que existam em si…, na sua alma…, no
fundo do seu ser…, para ajudar a explorar e
melhor compreender o Mundo e o próprio
Homem…
Tal como a estátua do escultor ou o quadro
do pintor, assim também o «poema» é um «objecto
estético», é uma «obra de arte»…, sendo a
«Poesia» essa arte maravilhosa onde se
desenvolve toda uma actividade artística…,
que é a obra dos «Poetas»…
António Boavida Pinheiro
Lisboa/Portugal
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«A cor
da lágrima…»
Perguntamos ao pintor
qual a sua opinião,
sendo a lágrima incolor
como é que decidiria?
Qual seria a cor então?...
Ensaiou na sua tela
procurando a solução.
Se a mesma fosse amarela,
então só serviria
para expressar alegria…
Mas se em sua singeleza
fosse expressão de tristeza…
Qual a cor que escolheria?
Um cinzento carregado,
ou um roxo da “Paixão”?
Tampouco preto de dor…
Se verde como esmeralda,
qual o sentimento então
que iria significar?
Esperança dá para chorar?
Porque se azul fosse a cor,
seria choro de amor…
Mas se então fosse vermelha,
como o rubi ou o sangue?
Pareceriam centelhas
de um sentir de alma exangue…
Porque a lágrima afinal
de sentimento é expressão…
E ao rolar pela nossa face,
mais não é do que o sinal
do que cá dentro se passe,
do que vai no coração…
Seja de raiva ou de calma!
De convívio ou solidão!
De tristeza ou alegria!
De amor ou de paixão!
Ou mesmo o sentir de dor,
de prazer ou decepção!
Da perda de um grande amor!
Qual a cor que então teria
para cada estado de alma?
Por tudo isso Deus quis,
pela sua natureza,
dar à lágrima um matiz
de cristalina beleza…
Só podia, como tal,
ter pois a cor do cristal…
António Boavida Pinheiro
Lisboa/Portugal
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Poema Classificado em 1º Lugar, na modalidade de
Poesia Livre, do Concurso Literário da Academia
Ponta Grossense de Letras e Artes - Brasil - 2011

«Escrever o amor…»
Quão pouco me parece
o quanto tenho escrito,
e hei-de ainda compor...
Não há verso que valha
uma gota de pranto...
Nem poema que traduza,
um segundo de dor...
Nem palavra que exprima
a singeleza e o encanto,
de um pedaço de céu...
De um sorriso...
De uma flor...
Ah! Quão pouco me parece
tudo quanto na vida
tenho escrito sobre o amor...
Será que a palavra deveria existir?
Ou tão somente
a infinita poesia dos gestos!
Que o amor,
quando o sinto,
é profundo, infinito e imenso...
Mas se o acho tão grande,
quando nele penso...
Me parece tão pouco
o que sobre ele escrevo...
António Boavida Pinheiro
Lisboa/Portugal |
Poema classificado em 1º
Lugar, na modalidade de Poesia Livre, no 2º Concurso
Literário Castro Alves, da Academia Rio-Grandina de
Letras. Riuod . de Letras. Rio Grande. Brasil. 2011.

«A cor do vento» *
Diante da sua tela
pega a paleta o pintor,
para pintar o vento…
Será que o vento tem cor?
Que para poder definir,
será preciso saber,
o que o vento, é então?
É só ar em movimento,
que resulta da diferença,
da diferença, de pressão,
que faz o ar deslocar
quando muda de lugar…
Que vai da brisa ligeira
ao violento furacão…
Mas afinal meus senhores…
Se assim é… quais são as cores
que o artista ali vislumbra?
Um leve tom de cinzento,
suave e brando esse vento
que nos convida a sonhar…
E se o dia clarear
em manhã fresca e suave,
com a brisa matinal…
Deixa no ar um sinal,
talvez em tom de azulado
dum céu limpo sem ter nuvens…
Anti-ciclone dos Açores…
Não há vento… não tem cores…
Lá se perde a ilusão
da ligeira sensação
de leveza no pairar…
Mas se em vez disso a “borrasca”
de uma gélida invernia
vira forte tempestade…
Qual a cor que de verdade
tem o vento aos nossos olhos?
Vento que arrasa ao passar
tudo aquilo que encontrar…
Será negro… ou talvez não?
Depende da sensação,
do sentir, de quem estiver
no seu caminho fatal!
Tudo destrói afinal…
Mas será que no deserto,
em tempestade de areia
vira amarelo… ou lá perto?
Numa cor, dita tão quente
pelo calor que a gente sente,
no sentido da visão…
Talvez sim… ou talvez não…
Porque afinal meus senhores…
Isto do vento ter cores
não passa de uma ilusão…
E se for na Primavera
quando despontam as flores?
Um ventinho de quimera
que poderá ter mil cores…
Cores que também eu quisera
nesse sonho vislumbrar…
Mas que afinal o pintor
não lhe conseguiu dar cor…
Pois talvez seja o poeta,
na sua imaginação,
que possa alcançar tal meta.
com um pouco de inspiração…
António Boavida Pinheiro
Lisboa/Portugal |
. * . Poema 1º Classificado no
XV FESRP - Festival Sertanejo de Poesia, (Dezembro
de 2009), da cidade Aparecida, Brasil, e vencedor do
Troféu «Augusto dos Anjos».

2012 |
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