|
JANELAS LUSITANAS
Lisboa antiga!
Beco da bica!
Sinuoso e tortuoso.
Pessoas observando.
Debruçadas nas janelas.
As românticas ruelas.
Saudades de um passado.
Do bonde elétrico barulhento!
Do jornaleiro, do leiteiro.
Das velhas senhoras e seus fados.
Do burburinho matinal.
Jogam milho nas calçadas.
Para ouvir o arrulhar dos pombos.
Vão sentindo o panorama de outrora!
Velhas sacadas lisboetas!
Com risonhos sonhos.
Antonio
Vendramini Neto |

|
O Último Malandro
É de manhã no último reduto
Sol a pino como manda o figurino
O botequim abriu suas portas
Para receber o famoso malandro!
Chegou cheio de pose e prosa...
Terno de linho branco... Rosa na
lapela...
Chapéu panamá com moldura preta
Sapato bicolor com salto carrapeta
Passos de forma cadenciada na
chegada...
Saudou o velho garçom no balcão
Naquelas gírias.. Com aquela fala
macia...
Sentou-se naquela mesa...
Pediu uma cerveja
Jogou um pouco para as almas
Epaminondas... Cadê o repórter?
Aí do seu lado mestre
Trouxe à grana? Que bom...
Agora vou falar...
Fui boêmio cheio de bravata
Do tempo da gravata
Também bacana, lá de Copacabana.
Amigo da noite e de Noel
Com jeito moleque
Do samba de breque...
Do tempo que escrevia musica no
papel...
De embrulho ou de pão e com a mão...
Recinto ritmado e perfumado
Morena carioca rebolando
Tudo preparado...
Para despertar o velho malandro
Ficou em polvorosa
Vendo aquela diva gostosa.
Velhos tempos... Água na boca...
Inspiração divina...
Rabiscos no guardanapo
Versos benditos... De samba enredo
Escolas na avenida
Nos dias de glória...
No bairro da Glória...
Antonio
Vendramini Neto
|

|
A SEMENTE
Mergulhei na gruta azul
Buscando o universo da vida
Na explosão de um amor
Cheguei cansado
Em uma jornada extenuante
Por um túnel profundo
La dentro da casinha
Fiz a minha caminha
Cresci protegido
Desde que fui concebido
Estive na bolsa de águas escuras
Querendo ver a luz brilhar
Cheguei enxergando este mundo...
Sentindo emoções... Com
bondade... Com alegria...
Antonio
Vendramini Neto |

São desaguadouros, ou
seja, a parte saliente
das calhas e telhados
que se destina a escoar
águas a certa distancia
da parede e que,
especialmente da Idade
Média, eram ornadas com
figuras monstruosas.
Acreditava-se que eram
também guardiões das
catedrais e castelos, e
que durante a noite,
ganhavam vida, e sob a
ordem dos implacáveis
detentores das terras,
poderiam atacar as
propriedades dos
camponeses, que
trabalhavam sob um
regime de escravidão.
O poema construído logo
abaixo, conta uma
situação, em que os
poderosos, utilizavam
dessa crença popular,
para intimidar e
assustar os camponeses,
obrigando-os a pagar
tributos em forma de
alimentos, ameaçando
destruir suas
plantações, que os
colocariam em situação
de penúria.
Assim sendo, para não
ver suas plantações
destruídas, contribuíam
com uma parte de seu
celeiro, para não ver os
cavaleiros dos senhores,
atacarem na calada da
noite. |
|

Encravadas
nas muralhas seculares
Olhavam para o povo sofrido
Sentinelas do poder e do
tempo
Mistura de humanóide e
dragão
Guardavam a entrada do
castelo
Dos senhores feudais
À noite ganhavam vida e
voavam
Mostrando poder e assustando
os camponeses nos vilarejos
Que cumpriam com o pagamento
de impostos
Levando mantimentos
Para o povo da corte viver
na libertinagem
Antonio
Vendramini Neto |

|
|
|
|