o que é esta
solidão exagerada para quem se diz apaixonada?
esta realidade louca de amar e malamar bendição e malestar?
ah, o tempo este velho louco vestido de um incansável ritmo
de infinitos
estalo os dedos para ouvir o som a explosão sem limites do próprio corpo, do meu espaço, da própria vida
amanheço numa segunda-feira sem saída
tempo, velho amigo por que me persegues até mesmo no meio da noite?
para que eu deixe as poucas palavras e ao invés de “te amo” eu diga “como és terno, lento às vezes tonto ou feio calmo e furioso ao mesmo tempo medroso nunca curioso para o sempre cortês, quem sabe, quando me dizes ‘amiga, deixa de ser prolixa o nosso tempo é na cama na mesa, nesta manhã que se agiganta na boca, na pele, na veia
deixa que eu seja um vício que eu te possua inteira antes que a tarde venha’ ”
e então eu respondo: “tenho todo um rio correndo dentro do peito”
Cristiane Grando
Um poema bem
hilstiano, do livro inédito "Meu país" |