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Trabalho e
pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Dia de Tiradentes -
21 de Abril
Joaquim José da Silva Xavier
A data da sua morte é feriado nacional no Brasil, desde 1890 e, em
1965, foi declarado patrono cívico do Brasil.
Conhecido pelo "Patriota Brasileiro", nasceu em Minas Gerais em
1748. Era Alferes no Regimento de Dragões, e tinha um carácter
ardente e patriota. Entrou na Conjuração Mineira, e quando esta foi
descoberta, fugiu para o Rio de Janeiro, onde foi preso e condenado
à morte com outros conjurados. Aos outros, a pena foi comutada em
degredo, enquanto o infeliz Tiradentes foi enforcado em 21 de Abril
de 1792, no meio de escandalosos festejos. Órfão aos 11 anos, de
inteligência aguda, foi educado pelo padrinho, que era cirurgião.
Espírito curioso, inventivo e prático, arriscou-se em variadas
empresas, em que não teve êxito. Indo para o Rio de Janeiro, exerceu
as atividades de enfermeiro e de dentista, que lhe valeu a alcunha
histórica como ficou conhecido: Tiradentes. Sempre que podia,
aproveitava todas as ocasiões para pregar as suas ideias de
liberdade, tanto no Rio de Janeiro como depois em Minas Gerais, onde
chefiou os conjurados que lutavam por separar o Brasil de Portugal.
Descoberta a conspiração, foi preso, assumindo toda a
responsabilidade, sendo por isso executado.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes - Origem: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
Nascido num sítio no distrito de Pombal (localidade brasileira),
próxima ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território
disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das
Mortes, nas Minas Gerais, Joaquim José da Silva Xavier era filho do
português Domingos da Silva Santos, proprietário rural, e da
brasileira Maria Antónia da Encarnação Xavier, tendo sido o quarto
de sete irmãos. Em 1755, após o falecimento da mãe, segue junto a
seu pai e irmãos para a sede da Vila de São José; dois anos depois,
já com onze anos, morre seu pai. Com a morte prematura dos pais,
logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos
regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião.
Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de
assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e
dedicou-se também às práticas farmacêuticas e ao exercício da
profissão de dentista, o que lhe valeu a alcunha de Tiradentes, um
tanto depreciativa. Não teve êxito em suas experiências no comércio.
Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração,
tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos
seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento
e levantamento do sertão brasileiro. Em 1780, alistou-se na tropa da
capitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeado comandante do
destacamento dos Dragões da patrulha do Caminho Novo, estrada que
servia como rota de escoamento da produção mineradora da província
ao Rio de Janeiro. Foi a partir desse período que Tiradentes começou
a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela
Metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de
riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo
permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira
militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, o posto inicial
do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da
patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.
Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que
idealizou projetos de vulto, como a canalização dos rios Andaraí e
Maracanã para a melhoria do abastecimento de água do Rio de Janeiro;
porém, não obteve e não conseguiu aprovação para a execução das
obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade
para a colónia. De volta a Minas Gerais, começou a pregar em Vila
Rica e arredores, a favor da independência das Minas Gerais.
Organizou um movimento aliado a integrantes do clero e da elite
mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo,
Tomás António Gonzaga (*), ex ouvidor da comarca, e Inácio José de
Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico
com a independência das colónias estadunidenses e a formação dos
Estados Unidos da América. Ressalta-se que à época, oito de cada dez
alunos brasileiros em Coimbra, eram mineiros, o que permitiu à elite
regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.

O movimento
Além das influências externas, fatores regionais e económicos
contribuíram também para a articulação da conspiração nas Minas
Gerais. Com a constante queda na receita provincial, devido ao
declínio da atividade mineira, a administração de Martinho de Melo e
Castro instituiu medidas que garantissem o quinto, imposto que
obrigava os moradores das Minas Gerais a pagar, anualmente, cem
arrobas de ouro, destinadas à Real Fazenda. A partir da nomeação de
Luís da Cunha Meneses como governador da província, em 1782, ocorreu
a marginalização de parte da elite local em detrimento de seu grupo
de amigos. O sentimento de revolta atingiu o máximo com a decretação
da derrama, uma medida administrativa que permitia a cobrança
forçada de impostos atrasados, mesmo que preciso fosse confiscar
todo o dinheiro e bens do devedor, a ser executada pelo novo
governador das Minas Gerais, Luís Antônio Furtado de Mendonça, 6.º
visconde de Barbacena (futuro conde de Barbacena), o que atingiu
especialmente as elites mineiras. Isso se fez necessário para se
saldar a dívida mineira acumulada, desde 1762, do quinto, que à
altura somava 538 arrobas de ouro em impostos atrasados. O movimento se iniciaria na noite da insurreição: os líderes da
inconfidência sairiam às ruas de Vila Rica dando vivas à República,
com o que ganhariam a imediata adesão da população. Porém, antes que
a conspiração se transformasse em revolução, foi delatada aos
portugueses por Joaquim Silvério dos Reis, coronel, Basílio de Brito
Malheiro do Lago, tenente-coronel, e por Inácio Correia de Pamplona,
açoriano, em troca do perdão de suas dívidas com a Fazenda Real.
Assim, o visconde de Barbacena suspendeu a derrama e ordenou a
prisão dos conjurados em 1789. Avisado, Tiradentes escondeu-se na
casa de um amigo no Rio de Janeiro, mas foi descoberto por Joaquim
Silvério dos Reis, que o acompanhara em sua fuga a mando de
Barbacena. Anos depois, por sua delação e outros serviços prestados
à Coroa, dos Reis receberia o título de Fidalgo. Entre os inconfidentes, destacaram-se os padres Carlos Correia de
Toledo e Melo, José da Silva e Oliveira Rolim e Manuel Rodrigues da
Costa; o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade,
comandante dos Dragões, os coronéis Domingos de Abreu e Joaquim
Silvério dos Reis (um dos delatores do movimento); os poetas Cláudio
Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás António
Gonzaga (*) , ex ouvidor. Os principais planos dos inconfidentes eram de estabelecer um
governo republicano independente de Portugal, criar manufaturas no
país que surgiria, uma universidade em São João del-Rei e fazer
desta a capital. Seu primeiro presidente seria, durante três anos,
Tomás António Gonzaga, após o qual haveria eleições. Nessa república
não haveria exército – em vez disso, toda a população deveria usar
armas, e formar uma milícia quando necessária. Há que se ressaltar
que os inconfidentes visavam apenas a autonomia da província das
Minas Gerais, e em seus planos não estava prevista a libertação dos
escravos africanos, apenas daqueles nascidos no Brasil.

Julgamento e sentença:
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prisão de Tiradentes |
Negando a princípio a sua participação, Tiradentes foi o único a,
posteriormente, assumir toda a responsabilidade pela Inconfidência,
inocentando seus companheiros. Presos, todos os inconfidentes
aguardaram durante três anos pela finalização do processo. Alguns
foram condenados à morte e outros ao degredo; algumas horas depois,
por carta de clemência de D. Maria I, todas as sentenças foram
alteradas para degredo, à exceção da de Tiradentes, que permaneceu
com a pena capital. Em parte, por ter sido o único a assumir a
responsabilidade, em parte, provavelmente, por ser o inconfidente de
posição social mais baixa, haja vista que todos os outros, ou eram
mais ricos, ou detinham patente militar superior. Por esse mesmo
motivo é que se cogita que Tiradentes seria um dos poucos
inconfidentes que não eram maçons.
E assim, numa manhã de sábado, 21 de Abril de 1792, Tiradentes
percorreu em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de
Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde fora armado o
patíbulo. O governo geral tratou de transformar aquela numa
demonstração de força da coroa portuguesa, fazendo verdadeira
encenação. A leitura da sentença estendeu-se por dezoito horas, após
a qual houve discursos de aclamação à rainha, e o cortejo munido de
verdadeira fanfarra e composta por toda a tropa local. Bóris Fausto
aponta essa como uma das possíveis causas para a preservação da
memória de Tiradentes, argumentando que todo esse espetáculo
despertou a ira da população que presenciou o evento.
Executado e esquartejado, com seu sangue se lavrou a certidão de que
estava cumprida a sentença, tendo sido declarada infame sua memória.
Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, os demais restos
mortais foram distribuídos ao longo do Caminho Novo: Cebolas,
Varginha do Lourenço, Barbacena e Queluz, antiga Carijós, lugares
onde fizera seus discursos revolucionários. Arrasaram a casa em que
morava, jogando sal ao terreno para que nada lá germinasse, e
declararam infames os seus descendentes. Sua cabeça foi rapidamente
cooptada e nunca se descobriu seu paradeiro.
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no cadafalso |

Legado:
Tiradentes permaneceu, após a Independência do Brasil, uma
personalidade histórica relativamente obscura, dado o fato de que,
durante o Império, os dois monarcas, D. Pedro I e D. Pedro II,
pertenciam à casa de Bragança, sendo, respetivamente, neto e bisneto
de D. Maria I, quem havia emitido a sentença de morte de Tiradentes.
Foi a República – ou, mais precisamente, os ideólogos positivistas
que presidiram à sua fundação – que buscaram na figura de Tiradentes
uma personificação da identidade republicana do Brasil, mistificando
a sua biografia. Daí a sua iconografia tradicional, de barba e
camisolão, à beira do cadafalso, vagamente assemelhada a Jesus
Cristo e, obviamente, desprovida de verosimilhança. Como militar, o
máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode.
Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos
eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos.
Também, o nome do movimento, "Inconfidência Mineira", e de seus
participantes, os "inconfidentes", foi cunhado posteriormente,
denotando o carácter negativo da sublevação – inconfidente é aquele
que trai a confiança.
Tiradentes nunca se casou, mas teve dois filhos: João, com a mulata
Eugenia Joaquina da Silva, e Joaquina, com a ruiva Antónia Maria do
Espírito Santo, que vivia em Vila Rica. Atualmente, foi concedida à
sua tetraneta Lúcia de Oliveira Menezes, por meio da lei federal
9255/96, uma pensão especial do INSS no valor de R$ 200,00, o que
causou polémica sobre a natureza jurídica deste subsídio, mas
solucionado pelo STF no agravo de instrumento 623.655.
Atualmente, onde se encontrava a sua prisão foi erguido o Palácio
Tiradentes; onde foi enforcado, ora se encontra a Praça Tiradentes e
onde sua cabeça foi exposta, fundou-se outra Praça Tiradentes. Em
Ouro Preto, na antiga cadeia, hoje há o Museu da Inconfidência.
Tiradentes é considerado atualmente Patrono Cívico do Brasil, sendo
a data de sua morte, 21 de Abril, feriado nacional. Seu nome consta
no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, sendo
considerado Herói Nacional.
EXALTAÇÃO A TIRADENTES - Cantado por Elis Regina
Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a vinte e um de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado pela nossa liberdade
Este grande herói
Para sempre há de ser lembrado |
(*) Tomás António Gonzaga, nasceu na cidade do Porto em 1744,
formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, após o que foi
nomeado ouvidor e procurador dos defuntos e ausentes na comarca de
Vila Rica (Ouro Preto) (Casa de Gonzaga), capital de então de Minas
Gerais (Brasil). Mais tarde, foi promovido a desembargador da
Relação da Bahia, onde solicita licença real para desposar D. Maria
Joaquina Doroteia de Seixas (a famosa inspiradora do seu livro
"Marília de Dirceu - 1792). Mas, enquanto esperava a licença, foi
denunciado como um dos cabecilhas da revolta que ficou conhecida
pela "Inconfidência Mineira", sendo preso e deportado para
Moçambique onde veio a matrimoniar-se com a filha de um rico
comerciante de escravos; e chegou a entrar neste negócio … Veio a
morrer em 1810, já então louco. Tomás António Gonzaga, poeta
arcádico de formação horaciana e anacreôntica, manifesta, no
entanto, um sentido da dor e da complexidade da existência que fazem
dele um pré-romântico, ao mesmo tempo que a sua poesia, de expressão
desataviada e simples, tendo um boleio estilístico muito peculiar,
assinala a transição do Classicismo para o Romantismo. E se, nas
liras da Marília de Dirceu, Gonzaga se nos revela o poeta do amor e
da ternura, nas Cartas Chilenas, violenta sátira contra a
administração colonial do Brasil (cuja autoria lhe é atribuída),
além de nos oferecer outra faceta do seu talento, apresenta-se-nos
como um homem perfeitamente identificado com o ambiente mineiro que
rejeita o despotismo esclarecido em nome de um liberalismo moderado
e até de um certo libertarismo. Dirceu foi o seu nome arcádico.
Tu não verás, Marília, cem cativos
tirarem o cascalho e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra;
não verás separar ao hábil negro
do pesado esmeril a grossa areia,
e já brilharem os granetes de ouro
no fundo da bateira;
não verás derrubar os virgens matos,
queimar as capoeiras ainda novas,
servir de adubo à terra a fértil cinza,
lançar os grãos nas covas;
não verás enrolar negros pacotes
das secas folhas do cheiroso fumo,
nem espremer entre as dentadas rodas
da doce cana o sumo:
Verás em cima da espaçosa mesa
altos volumes de enredados feitos;
ver-me-ás folhear os grandes livros
e decidir os pleitos.
Enquanto resolver os meus consultos,
tu me farás gostosa companhia,
lendo os fastos da sábia, mestra História
e os cantos da poesia.
Lerás em alta voz, a imagem bela;
eu, vendo que lhe dás o justo apreço,
gostoso tornarei a ler de novo
o cansado processo.
Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
que tens quem leve à mais remota idade
a tua formosura. |
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal

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