Dia da África

25 de Maio 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 

A África talvez tenha sido o berço da humanidade, mas o negro foi o último a surgir, dentro dos representantes das grandes raças, cujos vestígios foram descobertos por antropólogos. A Núbia e a Abissínia foram as primeiras regiões a receber influências externas, principalmente egípcias, a partir do 3º Milénio antes de Cristo. De Méroe, essas influências disseminaram-se pelo Sudão ocidental e atingiram a Rodésia. Mas a história do interior do Continente Africano, continuou desconhecida durante os chamados "séculos obscuros", ou seja, até à conquista pelos europeus. Entretanto, sabemos hoje que grandes Estados Negros que prosperaram, como Gana, Mali, Songai, Bornu e outros, além da língua e dialetos próprios, tinham a sua religiosidade, sua economia, seus exércitos para ataque e para defesa de seus domínios territoriais. Tinham os seus escravos, quase sempre produto de prisioneiros de guerras com os seus vizinhos. A partir do século Vlll, os Estados Sudaneses sofreram a ação muçulmana, tornando-se desde então fortemente islamizados. Os árabes, no século Xlll, e os portugueses, no século XV, estabeleceram feitorias no litoral africano.

 

 

 

 

Nos séculos XVl e XVlll, os europeus (portugueses, holandeses, franceses e ingleses, partindo do litoral, penetraram pouco a pouco no interior, em princípio à procura de escravos, de que a América foi a principal beneficiária. Dessa forma, em cerca de quatro séculos, a África perdeu 11 milhões de habitantes. Constituíram-se novos Estados Negros, escravistas, como Achantis, Abomé, Ioruba, e outros de menos dimensões, organizados em função do tráfico de escravos e, depois, do comércio do azeite-de-dendê. Um segundo avanço muçulmano, de 1770 e 1860, parecia assegurar a progressão do Islão, não fosse a influência de séculos de colonização europeia. A partir do Sudão, conquistado pelos franceses e pelos ingleses, depois de 1870, os europeus ocuparam a bacia do Congo, onde os belgas estabeleceram o seu predomínio, enquanto os ingleses, partindo do Sul do continente, se dirigiram para o Nilo (Egípcio). A conferência de Berlim (1884-1885) consagrou a partilha colonial da África negra. Assim, a África negra em poder dos europeus era considerada por eles como terra de exploração ou de investimento, sem que houvesse uma política colonial preocupada com a promoção económica, social, religiosa ou política do continente. Só depois da Segunda Guerra Mundial é que começaria o processo de descolonização, mas mal projetada, não atendendo às fronteiras naturais de grandes países de séculos passados, causando ainda hoje graves problemas no seio dos modernos países, entre algumas tribos secularmente rivais, tanto na língua e dialetos, como na religião, etc. Não existe só uma Cultura Africana, mas sim muitas e ricas Culturas, bem diferentes umas das outras.
Sem contar o homem pré-histórico, foram as populações da raça Kholsan as que primeiro povoaram a África do Sul. Em seguida, vieram os bosquímanos, depois no século Xl, os namas e no século XV os bantos (ovamos, sotos, zulus, tsuvanas) que rechaçaram os seus predecessores.

 

 

 

desenho rupestre de zebras por Kholsans

 

bosquímanos

rupestres de bosquímanos

 

namas

 

 

 

 


A África é composta por 54 países independentes (48 continentais e 6 insulares) e mais 17 províncias e territórios:


África do Sul, Angola, Argélia,

Benin, Botsuana, Burkina Fasso, Burundi,

Camarões, Chade, Congo República Democrática, Congo República Popular, Costa do Marfim, Djibuti,

Egito, Eritreia, Etiópia,

Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial,

Lesoto, Libéria, Líbia,

Maláui, Mali, Marrocos, Mauritânia, Moçambique,

Namíbia, Níger, Nigéria,

Quênia,

República Centro-Africana, Ruanda,

Saara Ocidental, Senegal, Serra Leoa, Somália, Suazilândia, Sudão,

Tanzânia, Togo, Tunísia,

Uganda,

Zâmbia e Zimbábue.


Também:

 

 Ilhas de Cabo Verde, Ilhas Comores, Ilha de Madagáscar, Ilhas Maurício, Ilhas Seychelles, Ilhas São Tomé e Príncipe

e

os Territórios Europeus.
 

 

 

 

 

História da África
 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre, livros e revistas.
A África é o território terrestre habitado há mais tempo, e pensa-se que foi neste continente que a raça humana surgiu. Os mais antigos fósseis de hominídeos encontrados em África têm cerca de cinco milhões de anos.
O Egipto foi provavelmente o primeiro estado a constituir-se em África, há cerca de 4000 anos, mas muitos outros reinos ou cidades-estados se foram sucedendo neste continente, ao longo dos séculos. Para além disso, a África foi, desde a antiguidade, procurada por povos doutros continentes, que buscavam as suas riquezas, por vezes ocupando partes do "Continente Negro" por largos períodos. A estrutura atual de África, no entanto, é muito recente – meados do século XX – e resultou da colonização europeia.  
     

 

 

  

 

 

Alguns Povos africanos
O povo Berbere

 

 

berbere

berbere

 

Os berberes eram povos nómades do deserto do Saara. Este povo enfrentava as tempestades de areia e a falta de água, para atravessar com suas caravanas este território, fazendo comércio. Costumavam comercializar diversos produtos, tais como: objetos de ouro e cobre, sal, artesanato, temperos, vidro, plumas, pedras preciosas etc.
Costumavam parar nos oásis para obter água, sombra e descansar. Utilizavam o camelo como principal meio de transporte, graças à resistência deste animal e de sua adaptação ao meio desértico.
Durante as viagens, os berberes levavam e traziam informações e aspetos culturais. Logo, eles foram de extrema importância para a troca cultural que ocorreu no norte do continente.

 


 

 

 

Os bantos

 

bantos

      

Este povo habitava o noroeste do continente, onde atualmente são os países Nigéria, Mali, Mauritânia e Camarões. Ao contrário dos berberes, os bantos eram agricultores. Viviam também da caça e da pesca.
Conheciam a metalurgia, fato que deu grande vantagem a este povo na conquista de povos vizinhos. Chegaram a formar um grande reino ( reino do Congo ) que dominava grande parte do noroeste do continente.
Viviam em aldeias que eram comandadas por um chefe. O rei banto, também conhecido como mani congo, cobrava impostos, em forma de mercadorias e alimentos, de todas as tribos que formavam o seu reino.
O mani congo gastava parte do que arrecadava com os impostos para manter um exército particular, que garantia a sua proteção, e funcionários reais. Os habitantes do reino acreditavam que o mani congo possuía poderes sagrados e que influenciava nas colheitas, guerras e saúde do povo.

   

 

 

Os soninkés e o Império de Gana

 

 

soninkés


    

Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. Este império era comandado por reis conhecidos como caia-maga.
Viviam da criação de animais, da agricultura e da pesca. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (berberes). A região de Gana, tornou-se com o tempo, uma área de intenso comércio.
Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza, que era formada pelo caia-maga, seus parentes e amigos. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. Além de pagarem impostos, as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores, que trabalhavam nas terras da nobreza.
Pode dizer-se que a história recente ou "moderna" de África, no sentido do seu registo escrito, começou quando povos de outros continentes começaram a registar o seu conhecimento sobre os povos africanos – com exceção do Egipto e, provavelmente, dos antigos reinos de Axum e Meroe, que tiveram fortes relações com o Egipto.
Assim, aparentemente, a história da África oriental começa a ser conhecida a partir do século X, quando um estudioso viajante árabe, Al-Masudi, descreveu uma importante atividade comercial entre as nações da região do Golfo Pérsico e os "Zanj" ou negros africanos. No entanto, noutras partes do continente já tinha tido início a islamização, que trouxe a estes povos a língua árabe e a sua escrita.
As línguas bantu só começaram a ter a sua escrita própria, quando os missionários europeus decidiram publicar a Bíblia e outros documentos religiosos naquelas línguas, ou seja, durante a colonização do continente, pelo menos, da sua parte subsaariana.

 

 

 

Colonização europeia de África

- Artigo principal da revista: "História da colonização de África"


   

 

Colonização europeia

 

No século XIV, exploradores europeus chegaram a África. Através de trocas com alguns chefes locais, os europeus foram capazes de capturar milhões de africanos e de os exportar para vários pontos do mundo, naquilo que ficou conhecido como a escravatura.
No princípio do século XIX, as potências europeias desenvolveram uma "corrida a África" massiva, e ocuparam a maior parte do continente, criando muitas colónias. O acontecimento mais importante neste processo foi a Conferência de Berlim,
em 1885, onde as potências coloniais dividiram o território africano entre si.

Conferência de Berlim


Os únicos países africanos que não foram colónias foram a Etiópia (que apenas foi brevemente invadida pela Itália, durante a Segunda Guerra Mundial) e a Libéria, que tinha sido recentemente formada por escravos libertos dos Estados Unidos da América.
Esta ocupação prosseguiu até ao fim da Segunda Guerra Mundial, após a qual todos os estados coloniais foram gradualmente obtendo a independência formal, num processo que se chamou descolonização. Hoje, existem em África mais de 30 países independentes, muitos dos quais ainda dentro das fronteiras traçadas pelo colonialismo europeu.
Nasceu neste dia 25 de maio, em Adis-Abeba, na Etiópia, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana.
 

 

 

Conselho de Paz e Segurança da União Africana

 

Criado a exemplo das Nações Unidas, o Conselho tem por objetivo intervir em casos de conflito no continente quer pela via diplomática, quer pela via militar. 
          

 

 

Dia da África
         

Esta cerimónia é iniciativa central do Dia da África, instituído para assinalar a data em que foi constituída a Organização da Unidade Africana, em 1963, também na capital etíope, Adis-Abeba. O protocolo constitutivo do Conselho de Paz e Segurança foi assinado em julho de 2002, em Durban, África do Sul, durante a primeira sessão da Assembleia da UA, quando esta sucedeu à Organização da Unidade Africana. Foi ratificado em dezembro do ano seguinte, por 27 dos 53 países que integram a UA. E até agora o documento foi adotado por mais cinco países, chegando a um total de 32.

 

 

O Conselho
 

O Conselho será composto por 15 membros: cinco terão mandato de três anos, ao passo que os outros se alternarão a cada dois anos. Os eleitos para três anos são a África do Sul para a região Sul, Etiópia para a região oriental, o Gabão para a região central, a Nigéria para a região ocidental e por fim a Argélia, representando a região Norte do continente. Após a cerimónia, o Conselho colocará mãos à obra com uma reunião a portas fechadas para analisar as situações de conflito no continente onde foi possível lançar processos de paz.

 

 

 

Atenção especial
         

 Mas representam batatas quentes os conflitos que ainda afligem o Conselho: especial atenção será dada à situação de Darfur, no Senegal, palco, desde fevereiro do ano passado, de um intenso conflito entre rebeldes e governo central; da crise na Costa do Marfim, onde se corre o risco de novos combates armados, e da Somália, devorada pela anarquia, onde os vários senhores da guerra lutam para o controle do território, alimentando um estado de guerra permanente. Até 2010 estava prevista a existência de uma força composta por 15 mil militares que ficarão nos respetivos países, prontos a intervir, caso necessário.
No Fórum sobre os Mercados de Capitais Africanos, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Associação das Bolsas de Valores Africanas e a Bolsa de Valores de Nova Iorque, e realizado em Wall Street, em Nova Iorque, em meados de Abril, o Administrador do PNUD, Mark Malloch Brown disse: "os postos de trabalho, as empresas, a prosperidade e o futuro da região, dependem dos mercados de ações." Disse ainda que os resultados neste campo, em África, estavam a começar a ser muito impressionantes e isto está ligado ao futuro dos pobres, uma vez que o desenvolvimento económico é essencial para a mobilização dos recursos que são necessários para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. 
Falando na qualidade de vice-secretária-geral, Louise Fréchette disse achar que o Fórum era uma fonte de estímulo, acrescentando, no entanto: "uma coisa é reunirmo-nos aqui, em Nova Iorque, e planearmos potenciais iniciativas, e outra, muito diferente, é vê-las começarem a implantar-se firmemente em solo africano." Na realidade, observou, alguns possíveis investidores – estrangeiros e nacionais – podem ficar nervosos por causa dos conflitos existentes no continente. Por outro lado, todos nós temos também consciência da devastação que o VIH/SIDA está a infligir a África. E podem surgir interrogações sobre a existência das condições essenciais para investir. Mas o que é certo é que há respostas que devem dar-nos confiança. Não obstante os conflitos que continuam a existir em alguns lugares, a maioria dos países africanos vive em paz, disse Louise Fréchette.
A maior parte dos Africanos vive agora em regimes democráticos, governada por dirigentes eleitos e obrigados a prestar contas dos seus actos. Além disso, está a nascer uma sociedade civil vigorosa que dá expressão às opiniões e preocupações das pessoas comuns.  No âmbito da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), muitas das principais prioridades do sector privado – tais como, sistemas reguladores eficazes, sistemas judiciais justos e salvaguardas jurídicas contra a corrupção – estão a tornar-se também prioridades de África, numa altura em que os países africanos se esforçam arduamente por mobilizar o espírito empresarial dos seus povos.

 

NEPAD

 

Resumindo, chegámos a um momento em que os investimentos em África – mesmo os pequenos investimentos – podem dar um contributo muito real e sustentável. Como foi demonstrado neste Fórum, as Nações Unidas estão ansiosas para fazer o que lhes compete no que se refere a apoiar esses esforços. Um dos factos novos acolhidos com maior satisfação pela ONU nos últimos anos foi o enorme aumento do número de parcerias com a classe empresarial, tendo em vista encontrar soluções para o problema da pobreza e outros. São cada vez mais as empresas que reconhecem que dependem não só das normas e critérios definidos pelas Nações Unidas sobre o desenvolvimento da atividade económica à escala mundial, mas também do vasto trabalho da Organização em prol da paz e do desenvolvimento.
Nesse caso, como podemos avançar? Temos um modelo para a ação: os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio – um conjunto de metas e calendários, acordados internacionalmente, para combater a pobreza, a fome, a doença, o analfabetismo, a degradação ambiental e a discriminação contra as mulheres. Agora, o que é necessário é ação. É aí que vocês entram, disse Louise Fréchette.
Segundo a vice-secretária-geral da ONU, o número de bolsas de valores em África aumentou de 10 para 18, na última década. Estudos recentes demonstraram que, mesmo quando ajustados ao risco, os investimentos em África têm tido uma rentabilidade média elevada.
Se quisermos consolidar esses ganhos e proporcionar um catalisador que permita mais avanços, é vital que as comunidades financeiras mais experientes e estabelecidas há mais tempo, trabalhem em parceria com a África e com as Nações Unidas. Centenas de investidores, analistas e peritos internacionais de mercados de capitais, participaram no histórico Fórum, que durou dois dias e se centrou nas novas oportunidades de investimentos nos mercados de capitais do continente, que estão a crescer a um ritmo rápido. Dick Grasso, Presidente e Administrador Delegado da Bolsa de Valores de Nova Iorque, esteve no Fórum juntamente com o Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores da Nigéria Ndi Okereke-Onyiuke, que também preside à Associação de Bolsas de Valores Africanas. Entre os mais de 500 participantes no Fórum figuraram desde analistas e editores de economia de Wall Street a investidores institucionais, ministros das finanças e representantes de alto nível das bolsas de valores africanas.



 

 

"É provável que os mercados de capitais africanos cresçam no futuro, especialmente à medida que mais países forem criando mais mercados de ações", disse Zéphirin Diabré, Administrador Adjunto do PNUD e detentor do segundo cargo mais elevado na instituição. Vários milhares de milhão de dólares de transações foram canalizados através das bolsas de valores africanas, nos últimos dois anos. A Tanzânia, que tem uma das bolsas de valores mais recentes do continente, quase duplicou a sua capitalização do mercado, que se elevou de 398 milhões de dólares, em 2001, para 695 milhões de dólares, em 2002. Também no Uganda, a bolsa de valores conheceu um aumento da capitalização do mercado (de 34 para 53 milhões de dólares), durante o mesmo período.
O Fórum chamou a atenção para as medidas que têm sido tomadas para tornar as bolsas de valores africanas mais eficientes, acessíveis, fiáveis e atraentes para os investidores estrangeiros. O Fórum foi a primeira de uma série de iniciativas do PNUD que visam facilitar o investimento estrangeiro nos países em desenvolvimento. O PNUD também tem um programa que se destina a ajudar os países em desenvolvimento a obterem a sua classificação junto das organizações que classificam as empresas em função da sua reputação de solvabilidade.
Durante o Fórum, foi distribuído um novo manual do PNUD sobre os mercados de ações africanos. Contendo dados sobre todos os países, perfis de países e informações pormenorizadas sobre os mercados, o manual dá uma visão geral das bolsas de valores africanas e fornece informações sobre as novas oportunidades de investimento que estão a surgir através dos novos mercados financeiros. O PNUD é a rede mundial das Nações Unidas para o desenvolvimento, defendendo a mudança e ligando os países ao conhecimento, experiência e recursos, a fim de ajudar as pessoas a construírem uma vida melhor. O organismo está no terreno em 166 países, trabalhando com eles nas soluções que estes propõem para os problemas mundiais e nacionais na esfera do desenvolvimento.
Fonte: Colaboração da ONU

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

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