Dia da
Espiga
Quinta-feira
da Ascensão

Trabalho e
Pesquisas de Carlos Leite
Ribeiro



Feriado municipal na Marinha
Grande (Leiria – Portugal).
É o chamado "Dia da Espiga"
ou quinta-feira da Ascensão.
Diz a tradição (que não é
lenda) que neste dia e em
tempos idos, algumas moças
da região, aguardavam este
dia para apanhar a espiga (facto
que ainda hoje não é
negado). Hoje, em grande
parte, perdeu-se esta
tradição e a espiga é
apanhada em qualquer dia
propício. É a evolução dos
tempos.
No tempo, havia um comboio,
chamado de "Latinhas", que
transportava grandes troncos
de pinheiro para a estação
ferroviária da Marinha
Grande. Mas, no Dia da
Espiga, estava ao serviço da
população para o piquenique
que se realizava no Pinhal
do Rei, principalmente, no
local chamado de Tremelgo
(a).
Esta apanha da espiga, por
vezes, dava uma "grande
espiga", ao fim de alguns
meses...
(a) Tremelgo: Saindo pela
estrada EN 242-2 para S.
Pedro de Moel, voltar à
esquerda no Km 2 e seguir
para TREMELGO e SAPINHA.
Continuar em frente até ao
cruzamento após a Ribeira do
Brejo, aí voltar à direita e
seguir em frente ao longo de
mais de 7 km de pinhal e
dunas antigas. No final
desta estrada, voltar à
esquerda e continuar para
ÁGUA DE MADEIROS e PEDRA DO
OURO - são praias extensas e
cercadas por arribas altas.
Voltar à estrada principal
para S. PEDRO DE MOEL -
Visite a Casa-Museu Afonso
Lopes Vieira e veja as casas
com varandas de madeira
junto à praia.
Este dia faz parte do
calendário Cristão e tem
lugar 40 dias após o Domingo
de Páscoa. Depois da igreja
o considerar um dia normal,
os vidreiros e famílias da
Marinha Grande continuaram a
comemorá-lo.
Mas a comemoração do feriado
municipal, esclarece o
município, foi sendo alvo de
alterações, ao longo dos
anos. Em 1917, mais
concretamente a 26 de Março,
a Comissão Instaladora do
Concelho tomou posse e foi
deliberado instituir esse
dia como feriado municipal.
Só em 1964, sob proposta do
presidente da Câmara, é que
se determinou alterar o
feriado municipal para a
Quinta-Feira da Ascensão. Na
origem da decisão esteve o
facto de este dia já ser
feriado com descanso para o
comércio e indústria e,
também, por ser um dia de
festa tradicional do
concelho.
Noutros tempos, na
Quinta-feira da Ascensão a
população da Marinha Grande
deslocava-se para a Praia
Velha ou para o pinhal, no
comboio de lata, que nesse
dia a Circunscrição
Florestal cedia para
efectuar esses transportes.
O comboio era decorado e os
vagões de carga
transformados em vagões de
passageiros para levar
grupos animados que iam
passear. Outros iam de
bicicleta, carroças ou
camionetas, merendar na
praia ou no pinhal. Hoje, os
meios de transporte são
outros mas mantém-se a
tradição dos munícipes irem
para o pinhal fazer um
piquenique.
Este feriado também é
designado por "Dia da
Espiga" porque as pessoas
colhem ramos de espiga e
outras plantas existentes no
campo, com que formam um
ramo que levam para casa
para dar sorte durante o
ano.
Não é possível falar da
Marinha Grande e da sua
história, esquecendo que foi
da grande mata, que lhe
vieram as bases mais
importantes para o seu
desenvolvimento estrutural e
económico.
Daí falar-se da sua origem,
do valor dos seus produtos
na economia regional e
nacional, nas suas
estruturas, no seu
desenvolvimento, e num ou
noutro facto de maior
interesse local.



O SEU APARECIMENTO - A
SUA ORIGEM
Concretamente, sabe-se que
mesmo antes da fundação de
Portugal já aqui existiam
pinheiros mansos. Como
surgiram é o que se
desconhece.
Foi o Rei D. Dinis quem
mandou semear e alargar o
Pinhal por ter em vista dois
importantes objectivos:
segurar as areias, que os
ventos arrastavam para as
férteis terras do interior
prejudicando a agricultura
em que via uma das maiores
riquezas públicas; e a
necessidade de muitas
madeiras para a construção
de barcos, com vista ao
desenvolvimento do comércio
marítimo e das pescas em que
poderia assentar também a
economia do Povo.
Assim nasceu o Pinhal do
Rei, que pelos tempos fora
viria a ser o sustentáculo
económico da Marinha Grande.
Esse Pinhal a que alguém
desconhecido já chamou « O
maior Monumento Português ».
Goze as suas sombras e deixe
o Pinhal tão limpo como o
encontrou....



LOCALIZAÇÃO, LIMITES E ÁREA
O Pinhal está praticamente
todo localizado no Concelho
da Marinha Grande, do qual
ocupa cerca de dois terços
da superfície. Começa junto
à foz do rio Lis e
estende-se pela faixa
litoral, para sul até Água
de Madeiros; daí para o
interior até à Guarda da
Lagoa Cova; depois, até
quase em linha recta, até
Vieira de Leiria; por fim,
segue o rio Lis até à sua
foz.
Embora se admita, que já no
tempo de D. Dinis tenha sido
contado, só em 1597 (reinado
de Filipe, o rei espanhol
que muito se interessou pelo
Pinhal) foi devidamente
demarcado com colocação de
marcas à sua volta. No
entanto, só depois do
levantamento feito por
Bernardino Barros Gomes, à
volta do ano de 1867, se
definiram realmente os
limites da grande mata, que
salvo pequenas alterações,
se mantiveram até cerca de
1920. A partir desse ano e
devido à autonomia concedida
à Marinha Grande com a
restauração do seu Concelho,
esses limites foram
alterados com a cedência à
nova autarquia de algumas
parcelas de terrenos
imprescindíveis ao seu
desenvolvimento. Em face
dessas cedências em 1920, e
doutros benefícios
concedidos, estranha agora o
povo marinhense que nos
últimos anos o Chefe da
Circunscrição Florestal
tenha entravado o
desenvolvimento do Concelho
negando a cedência de mais
parcelas de terreno que
permitam esse
desenvolvimento. A área do
Pinhal, segundo o
Ordenamento de 1980, era
nessa data, de 11 032,26
hectares.
Daí e até finais do século
XIX, mesmo depois do
aparecimento da chapa de
ferro que em grande parte
substitui a madeira na
construção naval, o Pinhal
continua a fornecer os
estaleiros, pois a
construção naval em madeira,
enveredou por um outro tipo
de barcos: lugres
bacalhoeiros, arrastões,
traineiras, etc..
DIA DA ESPIGA
Denomina-se "Quinta-feira de
Espiga" ou "Dia da Espiga",
a Quinta-Feira da Ascensão,
em que a Igreja comemora a
ascensão de Jesus Cristo ao
Céu.
Tradicionalmente, nesse dia,
em várias localidades,
colhe-se a espiga de trigo,
o que simboliza a bênção dos
primeiros frutos. Nalgumas
regiões fazem-se ramos com
espigas de trigo, rosmaninho,
malmequeres brancos e
amarelos, papoilas e
folhagem de oliveira.
Estes ramos guardam-se por
um ano.
É costume, nalgumas
povoações, soltar andorinhas
com laços ao pescoço.
Grande Enciclopédia
Portuguesa e Brasileira –
(adaptado):
Hoje é dia da
espiga
Para festejar
esse dia fomos
ao campo colher
um raminho de
flores:
uma flor branca
que simboliza a
paz;
uma amarela, o
ouro;
uma espiga, o
pão;
uma papoila, o
amor, e um
raminho de
oliveira, o
azeite.
Agora vamos
guardá-lo em
casa
durante todo o
ano,
para termos
sempre alegria,
dinheiro, paz e
pão. |
O Dia da Espiga, ou
Quinta-Feira da Espiga, é
celebrado no dia da
Quinta-Feira da Ascensão com
um passeio matinal, em que
se colhe espigas de vários
cereais, flores campestres e
raminhos de oliveira para
formar um ramo, a que se
chama de espiga. Segundo a
tradição, o ramo deve ser
colocado por detrás da porta
de entrada, e só deve ser
substituído por um novo no
dia da espiga do ano
seguinte. As várias plantas
que compõem a espiga têm um
valor simbólico profano e um
valor religioso. Crê-se que
esta celebração tenha origem
nas antigas tradições pagãs
e esteja ligada à tradição
dos Maios e das Maias.
O dia da espiga era também o
"dia da hora" e considerado
"o dia mais santo do ano",
um dia em que não se devia
trabalhar. Era chamado o dia
da hora porque havia uma
hora, o meio-dia, em que
tudo parava, "as águas dos
ribeiros não correm, o leite
não coalha, o pão não leveda
e as folhas se cruzam". Era
nessa hora que se colhiam as
plantas para fazer o ramo da
espiga e também se colhiam
as ervas medicinais. Em dias
de trovoadas queimava-se um
pouco da espiga no fogo da
lareira para afastar os
raios.
A simbologia por detrás das
plantas que formam o ramo de
espiga: Espiga – pão;
Malmequer – ouro e prata;
Papoila – amor e vida;
Oliveira – azeite e paz;
Videira – vinho e alegria e
Alecrim – saúde e força.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro -
Marinha Grande - Portugal



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