Dia Mundial da Voz

 

16 de Abril

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

Desde os primeiros balbucios do bebé até aos discursos mais arrebatadores, a voz humana é o mais perfeito e complexo instrumento de comunicação do planeta. Além dos aspetos psicológicos e intelectuais envolvidos, a voz fisicamente se origina num órgão que, no adulto, tem apenas de 4 a 5 centímetros: a laringe. A maior parte das pessoas só vai se lembrar de sua laringe quando tem dor de garganta. Mas uma série de outras doenças – inclusive o câncer – pode afetar a laringe e, consequentemente, a voz. É preciso estar alerta aos sinais de perigo. (Fonte: "A Revista ABCFARMA")  Ouvi o mais respeitado especialista da otorrinolaringologia brasileira – o professor Doutor Paulo Pontes, que cuida da laringe e das cordas vocais de muitas personalidades, como o apresentador Sílvio Santos. Ele diz aqui como você pode tomar conta de sua voz.
Para que você usa a sua voz?
Um profissional de farmácia a utiliza, em seu trabalho, para se comunicar com a clientela. Mas, nesse caso, a voz é apenas um meio – não o trabalho propriamente dito. Cerca de 25% da população mundial utiliza a voz como instrumento de trabalho. Há também uma parcela de pessoas – uma minoria, evidentemente – que vivem de sua própria voz: cantores, atores, palestrantes. Mas a imensa maioria das pessoas não se enquadra nessas duas situações. Para a maior parte dos seres humanos, a voz é "apenas" um meio de comunicação social, um modo de nos comunicarmos com os outros. O dr. Paulo Pontes observa que é justamente entre esse contingente de pessoas que os problemas da laringe e da voz são mais negligenciados. Rouquidões persistentes – o sinal mais significativo do câncer de laringe, por exemplo –às vezes se tornam crónicas antes que o paciente procure ajuda. E aí um tempo precioso pode ter sido perdido. O Brasil tem um dos mais altos índices do mundo de câncer de laringe – uma moléstia que, aliás, está fortemente associada ao tabagismo e ao consumo de álcool, portanto pode ser evitável. Daí a realização periódica de semanas e dos dias da voz – promovidos todos os anos, alternadamente, pela Sociedade Brasileira de Laringologia e de Voz. Este ano, mais precisamente em 16 de abril, será celebrado o Dia da Voz – quando os especialistas desenvolverão uma campanha de esclarecimento quanto aos problemas vocais. 

A laringe é uma espécie de link entre dois aparelhos - o respiratório e o digestivo – e também pode ser influenciada por um terceiro, o neurológico. Distúrbios nessas três áreas podem causar um processo inflamatório na laringe e alterar a emissão da voz. O chamado refluxo gastropático – que envolve estômago e esófago – pode causar disfonia, ou seja, rouquidão. O mesmo pode acontecer como reflexos de distúrbios do aparelho respiratório. Na área neurológica, o Mal de Parkinson pode produzir um relaxamento do tónus da laringe, afetando a voz. Enfim, o uso inadequado da aparelhagem vocal, produzindo calos vocais, também afeta a emissão de voz. É claro que a maioria de seus pacientes não precisa usar a voz com esse grau de perfeição. Mas mesmo para quem quase não abre a boca, uma rouquidão persistente é um sinal que sempre merece atenção. Certas laringites agudas produzem voz rouca – mas a voz volta ao normal quando cessa a infeção, no máximo duas semanas depois. Já a rouquidão que persiste após este prazo requer uma investigação.  
Um cancro de laringe apanhado na fase inicial tem 80% de chance de cura, sem mutilação do paciente. A rouquidão é um sinal precoce do câncer. "Essa precocidade dos sintomas é um privilégio para o paciente", comenta o dr. Paulo Pontes. O exame, embora um tanto desconfortável, é rápido e perfeitamente tolerável com o uso de anestesia local por spray. O médico chama a atenção para os sintomas mais típicos das doenças da laringe:
- Rouquidão persistente
- Pigarro e tosse constantes
- A sensação de um "bolo" na garganta
- A qualquer um desses sintomas, procure um especialista. Quanto mais cedo, melhor. O tratamento do cancro avançado da laringe geralmente exige a retirada do órgão – e a perda da voz natural. 
  

"Aos profissionais da voz (cantores, atores e apresentadores) juntam-se agora as pessoas que usam a voz para trabalhar, as chamadas vozes profissionais, onde se contam professores, políticos, padres, telefonistas ou operadoras de telemarketing", disse à Lusa Mário Andréa, presidente da Sociedade Europeia de Laringologia (ELS). A iniciativa pretende alertar os portugueses para os "maus tratos" a que sujeitam a voz e informá-los sobre pequenos gestos, como falar baixo e beber água, que previnem o surgimento de problemas. "A maioria dos problemas tem origem no uso incorreto da voz, no falar muito e alto em ambientes ruidosos e secos, no esforço brutal a que a voz é submetida diariamente".           
 

         

FALAR EM PÚBLICO - Carlos Leite Ribeiro

 

Se alguém lhe pedir que faça uma palestra em público, qual será a sua reação?...
Se você for como a maioria das pessoas (comigo incluído), entrará simplesmente em pânico!
E será que podemos melhorar os nossos dotes oratórios?... Claro que sim! Bastando aprender alguns pormenores:
Tal como um locutor ou repórter de rádio, o saber falar em público terá de ter o seu treinamento baseado essencialmente em:
Saber falar com o nariz levemente empinado;
Saber colocar a voz, ou seja, aprender o ritmo adequado à sua expressão de maneira a soletrar bem as sílabas e nunca comendo as ultimas sílabas;
Saber aplicar bem os "ênfases", ou seja, travar levemente o ritmo de expressão, puxando a voz um pouco para os ouvidos, para poder acentuar bem alguns pontos dos seus argumentos. Em Rádio chamamos tecnicamente "fraseio" ou "frases de ouro", as quais se aplicam muito, por exemplo, na feitura de jingles ou spots;
Também deverá ter em conta dois pontos fundamentais: a preparação e a apresentação, pois ambas são muito importantes, senão vejamos:
Deve escolher bem o assunto, o qual deve ser um tópico sobre o qual você tenha opiniões bem firmes. A única maneira de nos sentirmos à vontade diante de uma plateia, é entender da matéria que vamos apresentar, e, sobretudo acreditar naquilo que tentamos transmitir. Escolha bem um assunto que interesse diretamente aos seus ouvintes, e adapte a eles a sua mensagem;
Organize com lógica os seus argumentos. Mas você precisa de engendrar um ponto de partida (geralmente uma descrição sumária do assunto que vai falar), depois um corpo de texto que enumere os pontos principais, e, por fim, precisa de um final que resuma toda a sua expressão;
Depois de tudo bem planeado, você vai precisar de ensaiar a melhor maneira de transmitir o assunto aos seus ouvintes. Se for possível, será melhor ensaiar sozinho em frente a um espelho. Procure então visualizar a plateia; "veja" e "ouça" as reações positivas que irá encontrar. Se tiver a ajuda de microfone, "atire" só a voz para o microfone, se não tiver, "atire" a voz para o fundo da sala, como se faz, por exemplo em teatro;
Se o discurso for muito longo, é quase impossível conseguir que a leitura pareça espontânea. Nos seus apontamentos, reduza ao mínimo as suas anotações, e mesmo assim, com poucas palavras. Tome atenção: quanto menos você recorrer às anotações, tanto melhor comunicará com o seu auditório;
Seja natural e faça amizade com o seu público. Dê preferência a termos simples e a frases curtas. Além disso, não deixe de olhar para o público e de manter com ele um contacto visual. Procure fisionomias simpáticas e não ligue a qualquer expressão do tipo "enjoado";
Aja sempre com naturalidade e segurança. Se por acaso você se aperceber de que cometeu algum deslize, não tente emendar. Se por acaso se esquecer do que ia a dizer a seguir, guarde consigo esse segredo, pois, os outros não o vão saber, a menos que você o diga. Em vez disso, repita o seu último argumento para permitir a si mesmo uma pausa, ou então, siga para outro tópico. A sua intervenção deve ter um objetivo forte. Durante todo o tempo concentre-se e não disperse a sua atenção;
Não espere demasiado tempo para terminar. Acabe antes que o auditório se sature.

 

REGRA DE OURO

 

Não existe nenhuma lei que diga que se deva usar palavras compridas quando se fala. Existem palavras pequenas que se podem aplicar para exprimir o que se quer dizer. Pode ser que a gente leve um pouco mais de tempo para as encontrar, mas às vezes vale a pena.
As palavras curtas são concisas, eficazes e vão diretas ao assunto como uma faca, e, têm um encanto muito próprio: dançam, ondulam e cantam.
Palavras curtas podem encerrar grandes pensamentos e exibi-los, para que todos os entendam.
Essas palavrinhas movem-se facilmente, enquanto as grandonas ficam atoladas, ou pior ainda, atrapalham aquilo que queremos dizer.
Não existe muita coisa que as palavras curtas não consigam exprimir - e bem.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

 

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