|
Sigmund Freud
Nasceu a 06 de Maio de 1858

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

A partir de Freud, a consciência não
constitui mais do que uma parte da vida
psíquica, da qual a outra, determinante,
está no inconsciente. Freud funda uma nova
disciplina, a Psicanálise, e elabora uma
nova conceção do homem. A Psicanálise tem
mais de um século como a ciência do
Inconsciente, e apesar de muitas críticas,
ainda se desenvolve nos estudos das
enfermidades psíquicas e da dinâmica do
inconsciente, com uma forte concentração na
prática clínica. Na atualidade, a
Psicanálise já não se limita à prática e tem
uma amplitude maior de pesquisa, centrada em
outros temas e cenários, desenvolvendo-se
como uma ciência psicológica autónoma. Hoje
fica muito difícil afirmar se a Psicanálise
é uma disciplina da Psicologia ou uma
Psicologia própria. De tão longa tradição e
corpo teórico-prático, assume-se a seguinte
proposição: nem toda a Psicanálise é
Psicologia, assim como nem toda a Psicologia
é Psicanálise, pois ambas estão muito
misturadas em seu campo de atuação e no
nível teórico, que é impossível distinguir
perfeitamente tais ciências. Após Freud,
muitos outros psicanalistas contribuíram
para o crescimento do corpo teórico da
Psicanálise. Das correntes pós-freudianas,
pode-se citar as contribuições de Melanie
Klein, W. Bion, Anna Freud, J. Lacan e André
Green.
Fonte: Biblioteca Universal.

Freud, psiquiatra austríaco, nasceu em
Freiberg – Morávia, a 6 de Maio de 1856;
morreu em Londres (Inglaterra) em 1939. Foi
o fundador da psicanálise, método de
investigação psicológica empregado no
tratamento das neuroses, através das
tendências e influências reprimidas no
inconsciente do indivíduo e do seu retorno
ao consciente pela análise. Em 1938, colegas
seus austríacos, fizeram-no sair do país com
a filha Anna Freud, para fugir à opressão
nazista.
Desenvolveu os métodos da associação livre e
da interpretação dos sonhos, técnicas
básicas da sua teoria da personalidade.
Formulou os conceitos de id, ego e superego.
Entre os livros que escreveu encontram-se
obras como A Interpretação dos Sonhos
(1900), Psicopatologia da Vida Quotidiana
(1904), Textos Essenciais da Psicanálise I,
II e III (1909) e Totem e Tabu (1913).
Estudou medicina em Viena e foi membro da
equipa de investigação que descobriu os
efeitos da cocaína como anestésico local. Em
1884 conheceu o médico vienense Josef Breuer,
que o apoiou nos seus estudos de psicologia
e no desenvolvimento da teoria da
psicanálise. Com Breuer aprendeu o termo
«cura pela fala» e o uso da hipnose na cura
da histeria. De 1885 a 1886, sob a
orientação do psicólogo francês Jean Charcot,
prosseguiu os seus estudos sobre hipnose em
Paris. Foi Charcot quem lhe chamou pela
primeira vez a atenção para o facto de os
problemas dos pacientes (particularmente das
mulheres) serem provocados por questões do
foro sexual. Por volta da década de 90 do
século XIX, Freud estava convicto de que a
problemática neurótica tinha a ver com um
desenvolvimento sexual inadequado; e, em
1895, juntamente com Breuer, editou Studies
of Hysteria, uma obra que muitos autores
identificam com o início formal da
psicanálise (“Entre o Quer e a Realidade").
Em 1897, inicia a sua autoanálise e
diagnostica as suas próprias dificuldades
neuróticas, como a ansiedade neurótica, cuja
causa era uma acumulação da tensão sexual.
As teorias e artigos que publicou
baseavam-se no estudo de casos dos seus
próprios pacientes, que eram sobretudo da
classe média-superior e mulheres de
meia-idade.
Por volta de 1895, Freud deixou de parte a
hipnose para se dedicar à técnica da
associação livre, que levou à interpretação
dos sonhos. Freud estabeleceu uma comparação
entre o simbolismo dos sonhos e da mitologia
com a religião, afirmando que a religião era
infantil (Deus como a imagem do pai) e
neurótica (projeção de desejos reprimidos).
No início do século XX, Freud já se fazia
rodear por um largo grupo de psicanalistas,
tendo alguns deles formado posteriormente as
suas próprias teorias e escolas. Foi o caso
de Alfred Adler (em 1911) e de Carl Jung (em
1913). Foi Freud quem abordou, pela primeira
vez, o modo como as forças do inconsciente
influenciam o pensamento e o modo de agir
das pessoas. A teoria da repressão da
sexualidade infantil como causa das neuroses
dos adultos (tal como no complexo de Édipo)
gerou grande controvérsia e, mais tarde,
realçou o significado dos impulsos
agressivos( Utopias e Realidades). Tudo isto
criou um movimento social e intelectual
ambivalente, na medida em que nunca se tinha
teorizado a sexualidade infantil como
impulsionador do desenvolvimento dos seres
humanos. As suas teorias, ao longo do tempo,
fizeram mudar o modo como as pessoas
encaravam a natureza humana e trouxeram uma
maior abertura aos assuntos do foro sexual.
Compreende-se agora que o comportamento
antissocial resulte, em muitos casos, de
forças inconscientes, tendo estes novos
conceitos levado a uma maior expressão da
condição humana na arte e na literatura.
Naturalmente, as teorias de Freud causaram
discórdia entre psicólogos e psiquiatras, e
os seus métodos de psicanálise não podem ser
aplicados a todos os casos. A seguir à
ocupação da Áustria pelos nazis em 1938,
Freud partiu para Londres, onde acabou por
falecer em 1939.

Sigmund Freud, o "Pai da Psicanálise"
Recebeu o prenome de Scholomo Sigismund, o
qual Freud mudou para Sigmund em 1878.
Nenhum dos textos anteriores ao ano de 1886
foi integrado às suas obras completas, por
oposição de seus filhos e herdeiros, Ernst e
Anna Freud. Sua obra anterior aos textos de
psicanálise, compreendendo o período de 1877
a 1886, é composta de 21 artigos sobre
diversos temas: neurologia, medicina,
histologia, cocaína. Sua obra sobre
psicanálise é composta de 24 livros (dois
dos quais com Josef Breuer, um com a
colaboração de William Bullitt) e 123
artigos, além de comentários, prefácios,
etc. e traduzida em cerca de 30 línguas.
Freud era o filho mais velho do terceiro
casamento de Jacob Freud, comerciante de
tecidos. Jacob e Amália Freud teriam ainda
mais sete filhos. Devido a má situação
económica, após um ano em Leipzig, a família
mudou-se para Viena, Áustria, onde o pai
estabeleceu seu comércio no bairro judeu de
Leopoldstrasse. Em 1899 Freud escreveu esta
nota autobiográfica, publicada em 1901 em
alemão nas Biographisches Lexicon
hervorragender Arzte des neunzehnten
Jahrhunderts de J. L. Pagel:
"FREUD, SIGMUND, Viena. Nascido a 6 de maio
de 1856 em Freiberg, Moravia. Estudou em
Viena. Aluno do fisiólogo Brücke. Promoção
(título médico) em 1881. Aluno de Charcot,
em Paris, de 1885-1886. Habilitado em 1885
(designado Privatdozent). Tem trabalhado
como médico e docente na Universidade de
Viena, desde 1886. Proposto como Professor
Extraordinário, em 1897. Inicialmente os
trabalhos de Freud trataram sobre histologia
e anatomia do cérebro e, posteriormente,
sobre temas clínicos de neuropatologia; tem
traduzido os escritos de Charcot e de
Bernheim. Über Coca, de 1884, é um trabalho
introdutório da cocaína na Medicina. De 1891
é Zur Auffassung der Aphasien. De 1891 e
1893 são as monografias sobre as paralisias
infantis, que culminaram, em 1897, no volume
sobre o tema Handbuch, de Nothnagel. Studien
über Hysterie, de 1895 (com o Dr. J. Breuer).
Desde então Freud tem-se dedicado ao estudo
das psiconeuroses e especialmente a
histeria, e em uma série de breves ensaios
tem enfatizado o significado etiológico da
vida sexual nas neuroses. Também tem
desenvolvido uma nova psicoterapia da
histeria, do qual muito pouco se tem
publicado. Um livro está no prelo: Die
Traumdeutung ("A Interpretação dos
sonhos")."
Em Fevereiro de 1923 foi-lhe descoberto um
tumor maligno no lado direito do palato. Foi
feita uma cirurgia com a ablação dos
maxilares e da parte direita do palato.
Freud tinha que usar, a partir de então, uma
prótese. Sofreu ao todo, devido a essa
enfermidade, 33 cirurgias. Tinha dificuldade
para falar, mas mantinha contacto com seus
interlocutores e mantinha suas actividades
de rotina, abandonando apenas os problemas
do movimento psicanalítico, conduzido então
por Ernest Jones que presidiu a IPA a partir
de 1934. Em Março de 1938, quando da invasão
da Áustria pela Alemanha, com a intervenção
do diplomata americano William Bullitt e de
um resgate pago por Marie Bonaparte, Freud e
sua família deixaram Viena indo para
Londres, residindo em Maresfield Gardens 20;
hoje o Freud Museum. Redigiu nesse país seu
último texto, Moisés e o monoteísmo.
Freud faleceu em 23 de Setembro de 1939 às
três horas da madrugada, depois de dois dias
de coma e de ter recebido de Max Schur, a
seu pedido, com a concordância de Anna
Freud, três injeções de três centigramas de
morfina.
Fonte: psicologia.org

Pré-história do sonho - Yannick Ripa -
Homenagem a Hélio Pellegrino Miriam
Chnaiderman
A Interpretação dos Sonhos (1900) é, segundo
psicanalistas e estudiosos, o marco de
inauguração da psicanálise. Moisés e o
Monoteísmo é a última obra que Freud
publicou em vida. Moisés... é menos o
exercício de uma aplicação - ficcional e
aventureira, segundo alguns - da
interpretação psicanalítica no campo da
história, neste caso dos judeus e sua
religião, do que a consolidação e o
aprofundamento de um eixo central da
psicanálise ao qual o livro princeps, de
1900, deu início. A distinção que Freud
estabelece no desfecho de sua obra (em
Moisés...) entre verdade material e
histórica, é, neste sentido, talvez a mais
apropriada para ilustrar o objetivo ao qual
Freud dirigiu, do começo ao fim, seu esforço
e o alvo que visava atingir nos diferentes
territórios em que se meteu. A verdade
histórica freudiana pouco tem a ver com os
fatos ou objetos de historiadores e
estudiosos dos diferentes campos da cultura
e/ou das ciências naturais. Esses, os fatos,
passados ou presentes, dizem respeito à
verdade material; servem de meio para
entrever e perseguir algo que os transcendem
e os determinam. Coisa esta que Fabio
Herrmann designou, dentro de um sistema
conceitual próprio, da psique do real.
Matriz edípica, linguagem, lei, Outro, mito,
etc. são todos conceitos da psicanálise
contemporânea que remetem para este real, da
psique. Verdade histórica cuja inscrição não
se encontra exclusivamente no indivíduo e
nem tão-somente no grupo, mas naquilo que os
atravessa e os perpassa - os constitui, e na
história. A religião judaica que Moisés
instaurou é uma perseguição constante deste
eixo, de cunho essencialmente negativo
(formulado em torno da matriz edípica, da
castração), e que é da própria análise,
permitindo-lhe (ao judaísmo) alcançar aquilo
que Freud avaliou ser o ideal do trabalho
analítico: o pensamento ou a dimensão não
sensorial do real humano. A interpretação
não é uma simples decifração e tradução de
conteúdos, sejam eles, no contexto clínico,
individuais, sejam no da cultura - de um de
seus objetos -, mas a abordagem, sempre
indireta, deste real em meio às suas
realizações e a seus desdobramentos
específicos. Ver-se-ia, então, que é o
método que se coloca em primeiro plano. O
método da psicanálise visa e nos coloca em
contacto com o real psíquico. O que nos
defronta, neste centenário da psicanálise,
com uma curiosa realidade situada no âmbito
público:
A descrença e o desrespeito à psicanálise -
aliás, por definição inassimilável à
civilização ocidental - e ao seu criador
junto ao chamado público culto, têm
adquirido força de uma origem bem
característica à vida moderna. A
vulgarização das descobertas científicas nos
meios de comunicação nutre-se de uma
confusão da ciência com suas influências
sobre a produção e a sofisticação dos bens,
materiais, corporais e públicos; obteve uma
aceitação silenciosa por parte dos
cientistas visto a crescente dependência de
suas pesquisas, de financiamentos públicos.
Entretanto, a atividade científica, mais do
que a psicanálise, centra-se no exercício de
um método: os fatos e as hipóteses são
sempre passageiras. Entretanto, a
positivação exacerbada em prol de uma
eficácia pragmática faz o público aderir à
verdade dos genes, sua procura em toda a
parte para tudo explicar. Não surpreende que
tal busca torna ainda mais ridículo o já
banalizado "Freud explica" da compactuada e
apressada consciência pública em relação à
psicanálise. Somente o resgate da ordem do
método, o científico, de um lado, e da
psicanálise, de outro - os dois muito
singulares, e irredutíveis um ao outro - é
que colocaria em relevo a verdade presente
na história de Moisés para a urgente e a
mais fecunda interlocução da psicanálise com
a ciência.
Daniel Delouya - Psicanalista. Pesquisador
pós-doutor no Laboratório de Psicopatologia
Fundamental do Núcleo de Psicanálise da
PUC-SP.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal

Registre sua opinião no
Livro de Visitas:
|