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Grande Gala
Luso-Brasileira 2012 (Virtual)

Formato de Carlos
Leite Ribeiro
Rádio
Criativa a transmitir do Centro de Portugal para todo o
Mundo
“Estamos sempre onde você está!”

3ª Parte
Mônica: E cá estamos nós, novamente,
para dar início à 3ª parte da Grande Gala Luso-Brasileira.
Vamos ter Música e Poesia. Entretanto, vamos ficar com o
grande cantor brasileiro, Gilberto Gil!
Imagino-te já idosa
Frondosa toda a folhagem
Multiplicada a ramagem
De agora
Tendo tudo transcorrido
Flores e frutos da imagem
Com que faço essa viagem
Pelo reino do teu nome
Ó, Flora
Imagino-te jaqueira
Postada à beira da estrada
Velha, forte, farta, bela
Senhora
Pelo chão, muitos caroços
Como que restos dos nossos
Próprios sonhos devorados
Pelo pássaro da aurora
Ó, Flora
Imagino-te futura
Ainda mais linda, madura
Pura no sabor de amor e
De amora
Toda aquela luz acesa
Na doçura e na beleza
Terei sono, com certeza
Debaixo da tua sombra
Ó, Flora |

Mônica: Chamamos ao palco os ilustres e queridos poeta e
poetisas: Carmo Vasconcelos, Arlete Piedade, Glória
Marreiros, Ilona Bastos, Luiz Poeta, Maia Melo Lopo, Maria
da Fonseca, Conceição Tomé e Joaquim Marques. E a Carminho
vai iniciar a parte de Poesia, com o tema “Lisboa”.
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Carmo Vasconcelos -
Lisboa/Portugal
"A Minha Terra" com Mote e Glosa
da Autora Carmo Vasconcelos
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MOTE: A MINHA TERRA
Na lusa Lisboa nasci,
e digo de brincadeira:
desta cidade altaneira,
"p'rá terra" nunca parti! *
***
GLOSA EM DÉCIMAS
Sou alfacinha da gema,
lusitana com vaidade,
pois nasci numa cidade
que se veste de poema.
Cheira a goivos e alfazema,
tem cores de colibri,
no mundo que percorri
não pude ver outra igual.
Por decreto divinal,
Na lusa Lisboa nasci.
Vi nela o sagrado rosto
da santa que me deu vida,
e seus olhos à partida
nela fechei com desgosto.
No seu sal e no seu mosto,
cresceu-me a força guerreira
desta gleba justiceira.
Nela ri, nela chorei,
e o primeiro amor beijei,
e digo de brincadeira:
Que sou filha dos sem-terra,
pois nas férias de que gosto,
à terra doutros me encosto,
à beira-mar ou na serra.
Mas cedo a saudade berra
para voltar à soleira;
postar os olhos à beira
das gaivotas em voltejo
no verde ondular do Tejo
desta cidade altaneira
Amo o seu cheiro sem par
e sua luz que me ilumina;
é musa que me fascina,
pois tem vozes de avatar.
É poema de encantar
desde que me conheci
e ao seu fado me cingi.
Porque a quero com amor,
nunca a feri com tal dor,
"p'rá terra" nunca parti!
***
* "Ir p'rá terra" = ir de férias ou partir de vez para a Terra Natal |

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Arlete Piedade -
Santarém/Portugal
Sonhar Lisboa |
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Ah! Lisboa cidade recordada
como sonho para ti voltar,
em tuas praças deambular,
ao lado da pessoa amada!
Mostrar-lhe as tuas colinas,
sobre o Tejo debruçadas
as ruas no casario bordadas
e tuas pracetas pequeninas!
No castelo de S.Jorge, olhar
seus negros olhos molhados,
de desejos mal disfarçados,
de tanto me querer e amar!
E na torre de Belém, mostrar
o início da bela saga lusitana,
que nos deu, fortuna e fama
e além, mais povos para amar!
Com os Jerónimos o encantar,
pelas suas filigranas recortadas
em pedra e arte, transmutadas
e as glórias duma nação, exaltar!
Levá-lo ao alto do verde parque
com nome de um rei apelidado,
espraiar a mirada, e encantado
por tudo que sua vista, abarque!
E sob o teu céu luminoso, Lisboa
o meu amado, em êxtase, clamar,
oh querida, como é bom te amar!
e como aqui o nosso amor, entoa!
Vem agora amada, vamos viver,
nossa paixão, sem dor e ansiedade,
mudar um sonho lindo em realidade
vivenciar este nosso bem-querer!
Perdidos algures no vasto casario,
entre as paredes brancas e calmas,
unir nossos seres de corpos e almas
ouvindo ao lado o marulhar do rio!
Nosso destino, sentir, assim cumprido
lágrimas de emoção nosso amor, selar
enquanto lá fora, as gaivotas pelo ar
invejosas, volteiam com seu alarido!
E quando a negra noite sobre nós, cair
para as ruas de Lisboa, vamos voltar,
pelas calçadas na escuridão, namorar,
mirando as luzes, e tua meiga voz ouvir!
Pedindo em tom terno e apaixonado:
- Vem amada para o nosso ninho de amor,
vou amar-te até o sol raiar, com fervor!
E anuir em voz baixa e doce a teu lado!
Sentir teus beijos de desejo, escaldantes ,
nossos corpos colados,em profunda união,
satisfazer tua carência,loucura e paixão
e p'la eternidade, continuarmos amantes!
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Glória Marreiros - Portimão/Faro/Portugal
Lisboa |
O fado é para mim a oração
Que rezo a Lisboa, em sintonia,
Com trinos de guitarra e de magia
E xailes com cadilhos de ilusão…
Se bebo uma ginjinha, a emoção
Salta de bairro em bairro, quer orgia,
E leio na calçada luzidia,
Letras que simbolizam tradição.
O fado está no povo que venera
Amália, Marceneiro e a Severa,
Passado dum presente que hoje ecoa.
Eu sou, de cada bairro, um peregrino
Rezando, no cantar, pelo destino
Desta pátria, do fado, que é Lisboa! |

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Ilona Bastos - Lisboa/Portugal
TELHADOS DE LISBOA |
Batidos de sol da tarde,
Brilham telhados vermelhos,
Salpicam, sem grande alarde,
A colina, de mil espelhos.
São faces ao céu erguidas,
Flores de um jardim-cidade,
Telhados, marcos de vidas,
Seres eternos, sem idade.
Róseos, ténues, pardacentos,
No claro-escuro da serra,
Surgem às dúzias, aos centos,
Altares nascidos da terra.
Seu luzir a prece soa,
Silente, forte louvor,
Que as gentes de Lisboa,
Dedicam ao Criador. |

Luiz Poeta - Luiz Gilberto de
Barros - Rio de Janeiro/Brasil
LISBOA
Luiz Gilberto de Barros – às
23 h e 16 min do Brasil do dia 15 de abril de 2012,
especialmente para o Portal CEN, Portugal e Lisboa, numa
homenagem ao meu avô Aureo Monteiro de Barros e aos
sobrenomes lusitanos que deram nome à minha família
brasileira: Monteiro, Barros, Arouca, Lobo, Ventura, Sousa,
Souza, Ferreira ( e Zaniboni ).
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Nunca te vi... só mesmo em fotografia, Mas tua voz se diluiu na minha infância... Vinda de alguém que te tratou com elegância, Quando falava sobre ti... com alegria.
Era um avô... de cuja fala lembro ainda, E quando o faço, vejo um rosto especial, Que me sorria ao falar de Portugal Mas disfarçava sua lágrima... mais linda.
Nunca te vi, mas se a lembrança te retrata Numa saudade brasileira que resgata A voz lusófona que sempre te abençoa,
É só fechar os olhos velhos de um menino, Que já vislumbro o meu mais límpido destino Que é diluir meu coração no teu... Lisboa. |

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Maia de
Melo Lopo - Lisboa/Portugal
LISBOA |
Amargura que enjoa, meu anseio é fado de
Lisboa, nua a noite fria, tão escura, Vontade dos céus, sofro tanto por ela e o coração mói na pobre alma que dói, afundo-me no infinito cardume de marinheiros a cantarem o delírio da
loucura, Corro na agonia do rio, margem do Tejo, brota velho cio moribundo de medos,
Sangra o amanhecer nos segredos, ai cidade, apaixonada beijo a terrível
visão, calçada apregoa, sonhou Pessoa, diz-me quem viveu e morreu no meu coração.
Sigo uma nação misteriosa, escravos me perseguem, pulam dores dentro de mim, Fogem miseráveis fantasmas, plasmas da alma, escorrem nos dedos tristes
amores, Espalham a mente em arranha-céus, amordaçam meu espírito no telhado do fim, Gritou minha boca, vinte e cinco milhões de flores, poemas de anjos, poetas
cantores, Sufoco na terra da vida, sujam o ar e morta na guerra, atingiram uma menina
da viela, Nasci no bairro que esmola, pinto Madragoa, briza boa, criança tuberculosa à
janela. |

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Maria da Fonseca - Lisboa/Portugal
Lisboa
A LENDA DE S.VICENTE E DOS CORVOS |
Reza a lenda que Vicente, Feito mártir em Valência, Suas relíquias levaram Com devoção e prudência.
Seu destino, a nossa costa, O cabo a que deu o nome, Nesse Algarve muçulmano, Até hoje de renome.
Assim nosso Rei primeiro, Logo que foi sabedor, Mandou vir rumo a Lisboa, O corpo do Protetor.
Em toda a viagem, contam, 'Steve o Santo acompanhado Por negros corvos atentos, Não saindo do seu lado.
E quando a barca ancorou, Uma procissão 'sperava Levando então S. Vicente Para a Sé que o aguardava.
O filho de Henrique, Afonso, Tomou-o como Patrono, A quem dedicou Lisboa Onde dorme eterno sono.
No distinto brasão de armas Desta tão leal cidade Vêm-se os corvos e a barca, Símbolo de Cristandade.
Esta a lenda curiosa Pra todo o sempre presente Na nossa amada Lisboa. - Os corvos e S. Vicente - |

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Conceição Tomé - Amora/Seixal/Portugal
Lisboa, linda cidade |
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Lisboa, cidade velinha, Luminosa e ribeirinha, Ninguém sabe a tua idade. Teu segredo de longevidade Mantem-te sempre menina. Muitos povos da antiguidade Em ti se refugiaram E por ti muitos lutaram, Castelos e muralhas ergueram E aqui se estabeleceram. Dizem que foi Ulisses Durante a sua Odisseia, Quem te viu a vez primeira. Chamada por muitos nomes: De Olisipo aOlissipona, De Ulishbona, al-Lixbûnâ, Até te chamares Lisboa. De casario imponente E o céu mais azul do ocidente, Tens o rio Tejo a teus pés Onde antiga marinhagem Embarcou em portuguesas galés Para descobrir novos mundos Numa sucessão de marés. |

Monica: E para
homenagear Lisboa, a bela capital de Portugal, nada
melhor que ouvirmos o grande cantor português,
Carlos do Carmo , na sua magistral interpretação de
"Lisboa Menina e Moça"
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Carlos do Carmo - Lisboa Menina e Moça
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No castelo, ponho um cotovelo Em Alfama, descanso o olhar E assim desfaz-se o novelo De azul e mar À ribeira encosto a cabeça A almofada, na cama do Tejo Com lençóis bordados à pressa Na cambraia de um beijo Lisboa menina e moça, menina Da luz que meus olhos vêem tão pura Teus seios são as colinas, varina Pregão que me traz à porta, ternura Cidade a ponto luz bordada Toalha à beira mar estendida Lisboa menina e moça, amada Cidade mulher da minha vida No terreiro eu passo por ti Mas da graça eu vejo-te nua Quando um pombo te olha, sorri És mulher da rua E no bairro mais alto do sonho Ponho o fado que soube inventar Aguardente de vida e medronho Que me faz cantar Lisboa menina e moça, menina Da luz que meus olhos vêem tão pura Teus seios são as colinas, varina Pregão que me traz à porta, ternura Cidade a ponto luz bordada Toalha à beira mar estendida Lisboa menina e moça, amada Cidade mulher da minha vida Lisboa no meu amor, deitada Cidade por minhas mãos despida Lisboa menina e moça, amada Cidade mulher da minha vida |

Mônica: Depois do tema “Lisboa”, magistralmente interpretado
pelos nossos Poetas e pelo cantor Carlos do Carmo, vamos ao
“Rios”, primeiro o “Tejo” e depois o “Douro”.
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Ilona Bastos - Lisboa/Portugal TEJO |
Lindo, largo, ledo Tejo, pelo estuário avanças, magnífico!
Não desces, lânguido e mortiço arroio que à foz se escoa vindo morrer...
Impetuoso invades, com vigor e sal, em ondas que as margens tocam, vencedoras.
De luz, golfinhos e aventuras brindas, profundo, áureo, valoroso, forte, Lisboa, nívea princesa, cidade amada.
És guardião fiel de garças, andorinhas, alfaiates, cegonhas e suas crias. Das aves, carinhoso poiso e recanto amigo.
Em planícies verdes, tal lençol macio, que suave desliza, refulgindo ao sol, terras alimentas -- fonte de riqueza.
Mas é aqui que mais te sinto nosso, neste oceânico ondular azul, luzindo à claridade branca da manhã,
Nesta incessante agitação que os cacilheiros cruzam, empenhados, corajosos lutadores contra a corrente,
Neste marulhar audaz que nos inspira, nos nomes dos Combatentes recordados, no Mosteiro, no Bugio, em S. Lourenço, Neste ritmado afagar das pedras lioz do Baluarte do Restelo celebrado e das finas areias de Belém,
Neste cenário que se abre, majestoso, povoado de gaivotas a planar, em altos voos a bradar, nos céus,
Saudando a nobre gente lusitana e seus feitos de ontem, de hoje e de amanhã,
na descoberta dos novos mundos do Mundo! |

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Maria da Fonseca - Lisboa/Portugal
DOMINGO À BEIRA TEJO |
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Do primeiro andar do pub Vejo o Tejo em seu esplendor. Enfunadas vão as velas. Abençoa, o Redentor.
O Sol ‘stá a bronzear Quem petisca na varanda. E o comboio, além na ponte, Sua marcha, não abranda.
Passeia-se à borda-d’água Entre carros de bebé E fogosas bicicletas. As famílias vão a pé.
Debaixo da ponte pênsil, Escuta-se a vibração Da metálica estrutura, Das margens, a ligação.
A tarde vai a cair Na precoce Primavera. As pessoas ‘stão saudosas, Parece longa a espera.
Suave, larga, ondulada, A água do Tejo brilha. Eu vou recordar-te assim, Ó meu Deus, que maravilha!
E ao afastar-me do rio, Inundando o ambiente, Deixo uma luz preciosa Do lado do Sol poente.
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Joaquim
Marques - Gaia (Porto)/Portugal
Rio Douro |
Do alto daquela Serra do Pilar Onde existe um belo miradouro Eu vejo barcos rabelos a flutuar Sobre as águas deste rio Douro.
Sinuosamente ele procura o mar; Eu, ao vê-lo serpentear fico absorto Porque ele deixa saudades, ao passar Nas margens das cidades, Gaia – Porto.
De dia suas águas são prateadas; À noite, com o reflectir das luzes Mudam de tom e ficam douradas.
Reflexos se agitam, parecendo almas Que saudosas, rezam junto à catedral
Sobre estas águas douradas e calmas… |

Mônica: Depois dos temas
“Rios”, vamos terminar esta 3ª parte da Grande Gala
Luso-Brasileira, com Música. No palco, o grande cantor
(fadista) português, Camané!
Se foi Deus que quis assim
Nem tu sabes nem eu sei Mas tenho-te presa a mim
Por tudo o que não te dei
Se eu te desse o que tu queres
Quem sabe se nesse dia Depois de tu me prenderes
Eu nunca mais te prendia
E se me queres como sou
Não me queiras prisioneiro Não te daria o que dou
Se me desse por inteiro Só posso dar-te o que dou
Porque não me dou por inteiro Só espero que tu entendas
Que prefiro que me deixes A deixar que tu me prendas
Bem sei que é contradição Eu pedir-te liberdade
Sabendo que a condição É ficar preso à saudade |

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4ª Parte

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