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'Amendoeira em flor', de Van Gogh |

Chegou a
Primavera a Portugal
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Primavera:
do latim primovere (feminino), primeira estação do ano.
Finalmente e depois de tanto e frio e chuva, parece que
a Primavera chegou, e com ela o Sol.
A Primavera é a estação do ano que se segue ao Inverno e
precede o Verão. É tipicamente associada ao
reflorescimento da flora e da fauna terrestres.
A Primavera do hemisfério norte é chamada de "Primavera
boreal", e a do hemisfério sul é chamada de "Primavera
austral". A "Primavera boreal" tem início, no Hemisfério
Norte, a 20 de Março e termina a 21 de Junho. A
"Primavera austral" tem início, no Hemisfério Sul, a 23
de Setembro e termina a 21 de Dezembro.
Do ponto de vista da Astronomia, a primavera do
hemisfério sul inicia-se no equinócio (*) de Setembro e
termina no solstício de Dezembro, no caso do hemisfério
norte inicia-se no equinócio de Março e termina no
solstício (**) de Junho.
Como se constata, no dia do equinócio o dia e a noite
têm a mesma duração. A cada dia que passa, o dia aumenta
e a noite vai encurtando um pouco, aumentando, assim, a
insolação do hemisfério respectivo.
Estas divisões das estações por equinócios e solstícios
poderão ser fonte de equívocos, mas deve-se levar em
conta a influência dos oceanos na temperatura média das
estações. Na Primavera do hemisfério sul, os oceanos
meridionais ainda estão frios e vão aos poucos
aquecendo, fazendo a Primavera ter temperaturas amenas
ao longo da estação.
(*)Equinócio é definido como um dos dois momentos em que
o Sol, em sua órbita aparente (como vista da Terra),
cruza o plano do equador celeste (a linha do equador
terrestre projectada na esfera celeste). Mais
precisamente é o ponto onde a eclíptica cruza o equador
celeste.
A palavra equinócio vem do Latim e significa "noites
iguais". Os equinócios acontecem em Março e Setembro, as
duas ocasiões em que o dia e a noite têm duração igual.
Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do
Sol é o instante em que metade do corpo solar está acima
(ou metade abaixo) do horizonte, e o pôr do Sol o
instante em que o corpo solar encontra-se metade abaixo
(ou metade acima) do horizonte. Com esta definição o dia
durante os equinócios tem 12 horas de duração.
No hemisfério norte o equinócio da primavera ocorre no
dia 20 de Março, e o equinócio de Outono ocorre no dia
23 de Setembro. Estas datas marcam o início das
respectivas estações do ano neste hemisfério.
No hemisfério sul é o contrário, o equinócio da
primavera ocorre no dia 23 de Setembro, e o equinócio de
Outono ocorre no 20 de Março. Estas datas marcam
igualmente o início das respectivas estações do ano
neste hemisfério.
Devido à órbita elíptica da Terra, as datas nas quais
ocorrem os equinócios não dividem o ano em um número
igual de dias. Isto ocorre porque quando a Terra está
mais próxima do Sol (periélio) viaja mais velozmente do
que quanto está mais longe (afélio).
(**)Solstício é o momento em que o Sol, durante seu
movimento aparente na esfera celeste, atinge o seu maior
afastamento em latitude, da linha do equador. Os
solstícios ocorrem duas vezes por ano: em 21 de Dezembro
e em 21 de Junho.
No hemisfério norte o solstício de verão ocorre no dia
21 de Junho, e o solstício de inverno ocorre no dia 21
de Dezembro. Estas datas marcam o início das respectivas
estações do ano neste hemisfério.
No hemisfério sul é o contrário. Aqui o solstício de
verão ocorre no dia 21 de Dezembro, e o solstício de
inverno ocorre no dia 21 de Junho. Estas datas marcam
igualmente o início das respectivas estações do ano
neste hemisfério.
Devido à órbita elíptica da Terra, as datas nas quais
ocorrem os solstícios não dividem o ano em um número
igual de dias. Isto ocorre porque quando a Terra está
mais próxima do Sol (periélio) viaja mais velozmente do
que quanto está mais longe (afélio).
Os trópicos de Câncer e de Capricórnio são definidos em
função dos solstícios. No solstício de verão no
hemisfério sul, os raios solares incidem
perpendicularmente à Terra na linha do Trópico de
Capricórnio. No solstício de inverno, ocorre a mesma
coisa no Trópico de Câncer.
Quando o solstício ocorre no inverno significa que esse
dia é o menor do ano e a noite é a mais longa. Quando
ocorre no verão significa que é o maior dia e a menor
noite do ano.
Chegou a
Primavera!
Tou tão contente!!!
Finalmente vai embora o frio.
Que me desculpem os amantes do Inverno, mas "Eu gosto é
do Verão, de passearmos de prancha na mão..." :-)
Para celebrar vou deixar-vos com alguns excertos meus
favoritos, de odes de Álvaro de Campos:
"Vem, Noite antiquíssima e
idêntica,
Noite Rainha nascida e destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio. Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das
árvores próximas.
Funde num campo teu todos os campos que
vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe
vejo. (...)
(...) Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que
nos beijam
Senão por uma diferença na alma. (...)
(...) Apanha-me do meu solo,
malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto
amei;
Outra folha de mim lança para o sul,
Onde estão os mares que os Navegadores
abriram;
Outra folha de mim atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o
Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos.
(...)
(...) Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
Ó domadora hipnótica das coisas que se
agitam muito! (...)
(...) Vem, Noite silenciosa e
extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranquilamente com um gesto materno
afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou
mera luz nova que vem,
A lua começa a ser real."
(In Odes de Álvaro de
Campos) |
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha
Grande - Portugal

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