HISTÓRIA e Estados do BRASIL

 

(Resumo)

 

Os holandeses no Nordeste do Brasil

Bandeiras e rebeliões

(da Restauração à Revolta de Vila Franca)

1640 a 1720

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Dezembro/2006

 

 

 

 

Matias de Albuquerque
http://pt.wikipedia.org/wiki/Matias_de_Albuquerque

Matias de Albuquerque, 1° Conde de Alegrete, nasceu na Vila de Olinda, sede da Capitania de Pernambuco, no Estado do Brasil, da qual seu irmão era donatário, na última década século XVI.
Exercendo o governo de Pernambuco, quando da invasão holandesa da capital do Brasil, Salvador (1624), foi designado interinamente pela Câmara (refugiada na Vila da Vitória, na Capitania do Espírito Santo) para o cargo de Governador-Geral dos Estados do Brasil, diante da captura e deportação do seu antecessor, D. Diogo de Mendonça Furtado (1621-1624).
Assim que foi informado da nomeação, pretendeu partir imediatamente em socorro da capital ocupada. Atendendo a conselhos, permaneceu em Olinda, de onde enviou expressivos reforços para a guerrilha sedeada no arraial do rio Vermelho e no Recôncavo.
Em fins de 1626 transmitiu o cargo ao seu sucessor, Diogo Luís de Oliveira (1626-1635). Chamado à Corte, diante dos rumores da preparação de uma grande expedição neerlandesa para invadir o nordeste do Brasil, foi nomeado Visitador e fortificador das capitanias do norte, retornando em fins de 1629 ao Brasil com os pouquíssimos recursos que lhe foram disponibilizados para o encargo.
Assim mesmo, enfrentou em Fevereiro de 1630 a segunda das invasões holandesas do Brasil em Olinda e Recife, sendo forçado a recuar diante da superioridade dos atacantes. Incendiou os armazéns do porto de Recife, impedindo o saque do açúcar pela Companhia das Índias Ocidentais. Reorganizou a defesa luso-espanhola a partir do arraial (velho) do Bom Jesus, a meia-distância entre Olinda e Recife, confinando os agressores ao perímetro urbano daquela povoação e vila até 1634.
Após o cerco e destruição do Arraial do Bom Jesus, foi forçado a recuar com suas forças para a Capitania da Bahia. De passagem por Alagoas, reconquistou temporariamente Porto Calvo, capturando na ocasião Domingos Fernandes Calabar, que julgou e sentenciou à morte por traição.
Intimado a retornar a Portugal, foi responsabilizado pela perda de Pernambuco e detido no Castelo de São Jorge. Libertado com a Restauração da independência em 1640, foi designado para o Alentejo, onde complementou as defesas da Praça-forte de Olivença, da de Elvas e da de Campo Maior. Ao vencer a batalha do Montijo contra os espanhóis (1644) confirmou os seus méritos de militar (general), sendo recompensado com o título de 1º Conde de Alegrete.
Faleceu em Lisboa no ano de 1647

 

 

Domingos Fernandes Calabar

http://pt.wikipedia.org/wiki/Domingos_Fernandes_Calabar
Pouco se sabe desse personagem controverso da História do Brasil: nasce em Porto Calvo, Alagoas, então parte integrante da Capitania de Pernambuco, por volta de 1600. Foi baptizado na fé católica no dia 15 de Março de 1610. Mulato, estudara com os jesuítas e, fazendo dinheiro com o contrabando, chega a tornar-se senhor de terras e engenhos.
Contra os holandeses
Em 1580 Portugal passara para o domínio espanhol. A Holanda era, até então, aliada dos lusos mas, ao contrário, grande inimiga dos espanhóis. Estes, dada a intensidade do comércio lusitano com os neerlandeses, estabelecem uma trégua, que vigora até 1621, quando retomam os embates.
Funda-se, então, na Holanda, a "Geoctroyerd Westindische Companie" - A Companhia das Índias Ocidentais. Tendo invadido a Bahia, dali foram expulsos, em 1625. Continuaram atacando naus ibéricas e, a 13 de Fevereiro de 1630 iniciam o ataque a Olinda.
O neto de Duarte Coelho, Matias de Albuquerque, vindo da Espanha, viaja ao Brasil a fim de coordenar a defesa. Pouco auxílio deram-lhe em Portugal (27 soldados), mas chegando arregimenta dentre os nativos homens que pudessem auxiliar na defesa. Apesar disto, perde primeiro Olinda, e depois o Recife. Retirando-se, iniciando um combate em guerrilhas, que duras derrotas infligiam aos invasores. Para estas emboscadas, muito contribuíra Domingos Fernandes Calabar, profundo conhecedor do território - composto, no litoral, de baías, mangues, rios e praias - aos quais os holandeses estavam acostumados - e no interior pelas matas, às quais este povo costeiro não se adaptara.
Comerciante e contrabandista, Calabar vivia a percorrer aqueles caminhos, e com seu auxílio viram-se os holandeses forçados a abandonar Olinda, que incendeiam, concentrando-se no Recife.
Calabar muda de lado por razões que nunca serão desvendadas inteiramente, em abril de 1632.
Por ambição, desejo de alguma recompensa entre os invasores, convicção de que estes seriam vitoriosos ao final, ou ainda mesmo por supor que aqueles colonizadores trariam maiores progressos à terra que os portugueses - o fato foi que Calabar traiu seus antigos aliados.
A vantagem mudara de lado - e os flamengos passam a conquistar mais e mais territórios, agora tendo ao seu lado o conhecimento de que necessitavam: conquistaram a vilas de Goiana e de Igaraçu, a ilha de Itamaracá e até o forte do Rio Formoso.
Seu auxílio foi tão precioso que até o forte dos Três Reis Magos, no Rio Grande do Norte, caiu sob domínio dos invasores que, com participação directa de Calabar destroem o engenho do Ferreiro Torto. Seu domínio estendia-se, então, do Rio Grande até o Recife.
Além de Calabar, aderem à proposta cristãos-novos, negros, índios e mulatos.
Pudsey, mercenário inglês ao serviço da Holanda, descreve Calabar com grande admiração: "Nunca encontramos um homem tão adaptado a nossos propósitos (...), pois ele tomava um pequeno navio e aterrava-nos em território inimigo à noite, onde pilhávamos os habitantes e quanto mais dano ele podia ocasionar a seus patrícios, maior era sua alegria".
Forçado a recuar cada vez mais, Matias de Albuquerque retira-se para Alagoas, durando as lutas já cinco anos.


A captura e execução de Calabar
Levava Albuquerque cerca de oito mil homens. Próximo ao Porto Calvo encontra um grupo de uns 200 holandeses, dentre este o próprio Calabar. Um dos moradores deste lugar - Sebastião do Souto - oferece-se para um ardil e as coisas começam a tomar novo rumo...
Utilizando-se deste voluntário, fiel aos portugueses, o plano consistia em infiltrar-se nas fileiras inimigas. Souto vai ao comandante holandês Picard, dizendo haver mudado de lado, convencendo-o a atacar as forças de Albuquerque, que informou não terem mais que 200 homens...
Armada a cilada, nela cai Picard e os seus, dentre os quais o trânsfuga Calabar - os holandeses se rendem, e Calabar é feito prisioneiro.


Execução exemplar
Tratado como o mais vil traidor dos portugueses - Calabar é punido com a morte. Foi garroteado (não havia como montar-se uma forca, naquelas circunstâncias) e esquartejado - demonstrando assim a quem mudasse de lado o destino ao qual estava reservado.
Em Porto Calvo, agora sob comando de Arciszewsky, os holandeses prestaram-lhe honras fúnebres - àquele a quem efectivamente deviam grande parte de seu sucesso.
Na historiografia brasileira, durante séculos, o nome Calabar passou a ser sinónimo de "traição", enquanto os portugueses/espanhóis eram tratados por "nossos"...
Dois anos depois, em 1637, chegaria ao Brasil o príncipe Maurício de Nassau. Nassau contribui para que muitos tenham, hoje, ideia de que a colonização flamenga seria melhor que outras, algo inconsistente ante mesmo o olhar sobre sua retirada do Brasil, acusado de dar prejuízo à Companhia das Índias Ocidentais, e terem retomado o clássico modelo de exploração exaustiva - aos quais forçaram a revolta dos brasileiros, dentre os quais André Vidal de Negreiros, Felipe Camarão e Henrique Dias - tratados como heróis da expulsão dos holandeses.

 

«««


(Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal)

 



 

Registre sua opinião no

Livro de Visitas: