
HISTÓRIA
e Estados
do
BRASIL
(Resumo)
Mineração
Conjurações
(de Revolta da
Vila Rica,1720, à Inconfidência,1789,à Revolta dos
alfaiates,1798)
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro

Dezembro/2006 |
|
Visconde de Barbacena
Luiz Antônio Furtado de Castro do Rio Mendonça e Faro (Visconde de Barbacena)
nasceu em 7 de Setembro de 1754 em Lisboa no Campo de Santa Clara, os títulos
nobiliárquicos eram hereditários sendo assim Luís António era o sexto Visconde
de Barbacena, mais tarde o primeiro Conde de Barbacena, fez seus estudos
preliminares no colégio dos nobres em Coimbra, estudou na Universidade de
Coimbra se formando no curso de filosofia natural em 1773 e no ano 1778 se
formou no curso de direito. No ano de 1779 o Visconde de Barbacena une-se
decisivamente a Domingos Vandelli e a outros cientistas iluminados – o Duque de
Lafões e o Abade José Correia da Serra e funda a Academia de Ciências de Lisboa
que era uma entidade cientifica de marcado cunho iluminista que foi alvo de
suspeita por "Jacobinismo" da parte da policia de Diogo de Pina Manique e dos
conservadores ministros. Com protecção oficial de Martinho de Melo e Castro, foi
nomeado em 11 de Agosto de 1786 Governador e Capitão-general da Capitania de
Minas Gerais, sendo um cientista iluminista, perseguido pela intolerância, maçom
e formado em química e direito em 1788 seguiu para o Brasil junto com a sua
família, no Rio de Janeiro foi obrigado a deixar a sua esposa que se encontrava
muito adoentada e se encontrou com José Alves Maciel que regressava para Minas
Gerais recém formado em química, a amizade era profunda, tanto pelo lado
cientifico como pelo afectivo, quando chegou em Vila Rica em 11 de Julho de 1788
de imediato sentiu o ambiente hostil que reinava na capitania, devido a ameaça
da derrama, não era a feição para as autoridades régias e que as conversas se
faziam com grandes liberdades em sua presença, Barbacena deixou-se por algum
tempo, envolver-se pelas ideias que dominavam a sociedade em Vila Rica. A
situação para ele ia-se tornando delicada em Vila Rica por este motivo tratou
de, discretamente, afastar-se de tão frequentes debates, já bastante
comprometedores, embora sonhasse aderir a essa causa, desde que ela tivesse
probabilidade de se tornar embaixador da nova republica que iria fundar. Quando
chegou a Minas Gerais com uma instrução do Governador de Ultramar para cuidar
dos mineiros desleais e contrabandistas e que desse a eles um arrocho fiscal,
reuniu a Junta Real da Fazenda para esta lhe fornecer um balancete acompanhado
de minuciosos relatórios da situação. A Câmara Municipal de Vila Rica lhe
entregou um longo relatório mostrando a impraticabilidade da derrama,
fazendeiros, advogados e funcionários públicos tendo a frente o Ouvidor Gonzaga,
discorriam em longos e acalorados debates a situação da Capitania arruinada; o
advogado Cláudio Manuel da Costa que era o Homem mais respeitado
intelectualmente, não só pela capacidade, como pela experiência muito conhecido
tanto no Brasil como em Portugal, lhe coube a missão mais difícil na conspiração
revolucionaria; que era de aproximar-se do governador e conseguir-lhe a adesão
aos planos dos inconfidentes. O governador viu-se preso a uma armadilha que o
fazia em estado critico porém a sua angustia fê-la compreender que não poderia
decretar a derrama imediatamente, quando foi surpreendido pela denuncia de
Joaquim Silvério que mostrava um plano concreto da revolução já em andamento,
tinha uma revolução para enfrentar e paradoxalmente, podia-se ver envolvido
nela, pelo menos por cumplicidade omissiva. Sua posição embrulhava-se numa teia
que ia desde a simpatia explicita pela ideia de independência, pela omissão em
abrir um inquérito longo e o seu relacionamento escuso com João Rodrigues Macedo
o maior banqueiro de Minas Gerais Devido a situação, o Governador teve que agir
equilibradamente pois se abrisse uma devassa generalizada, teria que prender
muita gente e a situação poderia escapar ao seu controle, se não o fizesse,
poderia ser culpado por omissão e, pior, sua fraqueza seria sinal de estopim
para o movimento, por isso teve grande dificuldade de agir, pois os principais
envolvidos eram seus amigos, como prender e matar a todos se sabia que até sua
guarda palaciana estava subvertida e como deveria dar inicio a uma guerra civil
sem contar com a lealdade da tropa, porém o Visconde de Barbacena demonstrou uma
inteligência e uma habilidade rara, conseguiu matar a revolução pela raiz –
literalmente, nas ideias com o beneplácito do Vice-rei. A estratégia usada pelo
Governador foi extremamente lógica e inteligente, pois ao receber a denuncia de
Joaquim Silvério dos Reis, em 15 de Março de 1789 mandou o delator ao Rio de
Janeiro para repetir a denuncia ao Vice-rei junto com um oficial de sua
confiança para alertar ao Vice-rei que o delator também estava implicado na
conspiração e que o mesmo deveria ser preso, e através de Basílio de Brito outro
delator, conseguiu espionar os principais envolvido no golpe com isto reuniu
dados para avaliar as reais proporções do movimento. De posse das informações
obtidas, mandou prender Tomas Gonzaga, Alvarenga Peixoto e os padres Carlos
Correia de Toledo e Luís Vieira da Silva e os remeteu para serem interrogados no
Rio de Janeiro. O Visconde de Barbacena era uma homem muito novo, quando foi
envolvido no meio da conspiração, tinha trinta e quatro anos de idade; era um
cientista e não um político, era um iluminista e não um conservador, acima de
tudo era um homem calmo de carácter nobre e culto, muito diferente do seu
antecessor no cargo, o Visconde de Barbacena após a devassa ainda ficou mais
oito anos em Minas Gerais, e jamais foi execrado pela opinião publica e os
moradores do Arraial de Capela Nova, quando da transformação em vila solicitaram
o nome para Barbacena.
Inconfidência Mineira
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inconfidência_Mineira
A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira foi
uma revolta ocorrida em 1789, na então Capitania de Minas Gerais, no Brasil,
contra o domínio português.
Na segunda metade do século XVIII a Coroa portuguesa intensificou o seu controle
fiscal sobre o Brasil, proibindo, em 1785, as actividades fabris e artesanais na
Colónia e impondo altos preços aos produtos vindos da Metrópole. Desde 1783 fora
nomeado para governador da Capitania de Minas Gerais D. Luís da Cunha Meneses,
reputado pela sua arbitrariedade e violência. Somando-se a isto, em Minas
Gerais, as jazidas de ouro começavam a se esgotar, fato desconsiderado pela
Coroa, que instituiu a cobrança da Derrama, uma taxação compulsória da região em
100 arrobas de ouro (1.500 kg) anuais.
Estes fatos atingiram expressivamente as classes abastadas (ricas) de Minas
Gerais (proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares) que,
descontentes, começaram a se reunir. Participavam do grupo, entre outros, os
poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás António Gonzaga, os coronéis Domingos de
Abreu Vieira e Francisco António de Oliveira Lopes, o padre Rolim, o cónego Luís
Vieira da Silva, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim
José da Silva Xavier, apelidado Tiradentes.
A conspiração pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre. A
forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados
pelas idéias iluministas da França e da recente independência norte-americana.
Tomás António Gonzaga: Entre outros locais, as reuniões aconteciam em casa de
Cláudio Manuel da Costa e de Tomás António Gonzaga, onde se discutiram leis para
a nova ordem, planos económicos e foi desenhada a bandeira da nova República, –
uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina Libertas Quæ Sera
Tamen - , cujo dístico fora aproveitado de parte de um verso da primeira écloga
de Virgílio e que os poetas inconfidentes traduziram como "liberdade ainda que
tardia".
Curiosamente, a conspiração foi desmantelada em 1789, ano da revolução francesa.
O movimento foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, que fez a denúncia para
obter perdão de suas dívidas com a Coroa. O Visconde de Barbacena mandou abrir
em Junho de 1789 a sua Devassa com base nas denúncias de Joaquim Silvério dos
Reis, Basilio de Brito, Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona, Tem. Cel.
Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco António de Oliveira Lopes,
Domingos de Abreu Vieira e de Domingos Vidal de Barbosa Laje.
Os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro onde
responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual
foram condenados. Cláudio Manuel da Costa faleceu na prisão, ainda em Vila Rica
(hoje Ouro Preto, onde provavelmente foi assassinado suspeita-se actualmente que
a mando do próprio Governador. Durante o inquérito, todos negaram a sua
participação no movimento, menos o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o
Tiradentes, que assumiu a responsabilidade de chefia do movimento.
Em 18 de Abril de 1792 foi lida a sentença no Rio de Janeiro. Doze dos
inconfidentes foram condenados à morte. Mas, em audiência no dia seguinte, foi
lido decreto de D. Maria I pelo qual todos, à excepção de Tiradentes, tiveram a
pena alterada para degredo.
A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo para os mineiros, a
exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução
Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos
inconfidentes foi adoptada pelo estado de Minas Gerais.
Tiradentes, de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por
enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi
esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de Abril de 1792).
Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o
poder da metrópole. Na primeira noite em que sua cabeça foi exposta em Vila
Rica, foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até aos nossos dias. Como
sendo condenado por traição a coroa, os sinos da igreja não poderiam tocar
quando fosse morto, mas diz a lenda que, no momento em que foi enforcado, o sino
da igreja local tocou cinco badaladas.
José Joaquim da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes nasceu em 1746. É
considerado um dos maiores mártires da independência do nosso Brasil. Tiradentes
nasceu na Fazenda do Pombal, em uma cidadezinha do interior mineiro, que se
situava entre São José - hoje actual cidade de Tiradentes - e São João del Rei.
Seu pai era um homem simples que possuía uma pequena fazenda e se dedicava aos
serviços coloniais. Tiradentes não pode estudar o ensino normal na sua infância
e adolescência, pois ficou órfão aos 11 anos de idade. Durante sua vida, exerceu
inúmeras profissões. Foi mascate, pesquisador de minerais para as primeiras
empresas da mineração e ainda dedicou-se à profissão de médico. Tornou-se muito
conhecido, na sua época na região onde habitava por sua grande habilidade em
arrancar e colocar novos dentes nas pessoas. Dentes os quais ele mesmo fabricava
com grande arte. Quanto á sua vida militar, sabe-se que pertenceu ao Regimento
dos Dragões de Minas Gerais. Devido também á competência em que exercia a
tarefa, ficou no posto de alferes por muito tempo, comandando uma patrulha de
ronda do mato, prendendo ladrões e assassinos que ameaçavam a coroa. Dessa
forma, foi se tornando homem de grande destaque na sociedade mineira.
Por volta dos anos de 1789 o começava a apresentar alguns sintomas de que estava
se tornando uma grande fonte de renda material para a coroa portuguesa. A
população crescia de forma bastante visível, os meios de comunicação estavam se
tornando cada vez mais velozes e eficazes e a exportação de mercadorias para a
metrópole aumentava cada vez mais em ritmo acelerado. Os colonos iam tendo um
sentimento de autonomia cada vez maior, achando que já era tempo de o nosso país
fazer a sua independência do domínio português. O que em partes era um grande
erro, pois a colónia não tinha autonomia suficiente para tomar tais decisões.
Com novas ideias surgindo no interior mineiro, houve então em Vila Rica, actual
cidade de Ouro Preto, no Estado de Minas Gerais, uma conspiração com o fim de
libertar o Brasil do jugo português e proclamar a República. Uma das causas mais
importantes do movimento de Vila Rica foi a independência dos Estados Unidos,
que se libertara do domínio da Inglaterra em 1776, e também o entusiasmo dos
filhos brasileiros que estudaram na Europa, de lá voltando com ideias de
liberdade. Ainda nessa ocasião não era boa a situação económica da Capitania de
Minas, pois as minas já não produziam muito ouro e a cobrança dos impostos -
feita pela coroa portuguesa - era cada vez mais alta.
O governador de Minas Gerais, Visconde de Barbacena, resolveu lançar a derrama,
nome que denominava a cobrança dos impostos. Por isso, os conspiradores
combinaram que a revolução deveria irromper no dia em que fossem cobrados esses
impostos. Desse modo, o descontentamento do povo, provocado pela derrama,
tornaria vitorioso o movimento. Isso se não tudo tivesse dado certo.
A movimentação começou a ser preparada. Grandes militares, escritores
reconhecidos pela sua importância na cultura e na literatura, poetas de fama
nacional e internacional, magistrados e padres tomaram parte nos planos que
iriam desencadear a revolução. A ideia era de que aqueles que estavam
descontentes com o regime actuante deveriam se unir e proclamar uma república,
com a abolição imediata da escravatura, procedendo à construção de uma
universidade, ao desenvolvimento da educação para o povo, além de outras
reformas sociais de interesse para a colectividade.
Um dos principais idealizadores da revolução era o conhecido Tiradentes. O
movimento revolucionário ficou apenas em teoria, pois infelizmente não chegou a
se concretizar. No quarto mês do ano de 1789, o infeliz coronel Joaquim Silvério
dos Reis, que de forma mesquinha se fingia amigo e companheiro, traiu os
inconfidentes, denunciando o movimento ao governador.
Na época, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes encontrava-se no Rio de
Janeiro, onde com a ajuda de outros inconformados com o regime, planejavam a
idealização do movimento. Percebendo que estava sendo vigiado, procurou
esconder-se numa casa da rua dos Latoeiros, actualmente Gonçalves Dias, sendo
ali preso. O processo de condenação durou 3 anos. No dia 20 de Abril de 1792 foi
lida a sentença decretando que todos os condenados deveriam ser enforcados em
praça pública. No dia seguinte uma nova sentença modificava a anterior, mantendo
a pena de morte somente para Tiradentes: Joaquim José da Silva Xavier foi
enforcado a 21 de Abril de 1792, no Largo da Lampadosa, no Estado do Rio de
Janeiro. Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça foi erguida em um poste na Vila
Rica. A casa do inconfidente foi arrasada, todos os ambientes do local foram
salgados e as autoridades declararam infames todos os seus descendentes.
Joaquim José da Silva Xavier) -
Tiradentes
Conhecido pelo "Patriota Brasileiro", nasceu em Minas Gerais em 1748. Era
Alferes no Regimento de Dragões, e tinha um carácter ardente e patriota.
Entrou na Conjuração Mineira, e quando esta foi descoberta, fugiu para o Rio de
Janeiro, onde foi preso e condenado à morte com outros conjurados. Aos outros, a
pena foi comutada em degredo, enquanto o infeliz Tiradentes foi enforcado, em 21
de Abril de 1792, no meio de escandalosos festejos.
Órfão aos 11 anos, de inteligência aguda, foi educado pelo padrinho, que era
cirurgião. Espírito curioso, inventivo e prático, arriscou-se em variadas
empresas, em que não teve êxito. Indo para o Rio de Janeiro, exerceu as
actividades de enfermeiro e de dentista, que lhe valeu a alcunha histórica como
ficou conhecido: Tiradentes. Sempre que podia, aproveitava todas as ocasiões
para pregar as suas ideias de liberdade, tanto no Rio de Janeiro e depois em
Minas Gerais, onde chefiou os conjurados que lutavam por separar o Brasil de
Portugal. Descoberta a conspiração, foi preso, assumindo toda a
responsabilidade, sendo por isso executado.
Tomás António Gonzaga,
nasceu na cidade do Porto em 1744, formou-se em Direito na Universidade de
Coimbra, após que foi nomeado ouvidor e procurador dos defuntos e ausentes na
comarca de Vila Rica (Ouro Preto) (Casa de Gonzaga), capital de então de Minas
Gerais (Brasil). Mais tarde foi promovido a desembargador da Relação da Bahia,
onde solicita licença real para desposar D. Maria Joaquina Doroteia de Seixas (a
famosa inspiradora do seu livro "Marília de Dirceu- 1792). Mas, enquanto
esperava a licença, foi denunciado como um dos cabecilhas da revolta que ficou
conhecida pela "Inconfidência Mineira", sendo preso e deportado para Moçambique
onde veio a matrimoniar-se com a filha de um rico comerciante de escravos. Veio
a morrer em 1810, já então louco. Tomás António Gonzaga, poeta arcádio de
formação horaciana e anacreôntica, manifesta, no entanto, um sentido da dor e da
complexidade da existência que fazem dele um pré-romântico, ao mesmo tempo que a
sua poesia, de expressão desataviada e simples, tendo um boleio estilístico
muito peculiar, assinala a transição do Classicismo para o Romantismo. E se, nas
liras da Marília de Dirceu, Gonzaga se nos revela o poeta do amor e da ternura,
nas Cartas Chilenas, violenta sátira contra a administração colonial do Brasil
(cuja autoria lhe é atribuída), além de nos oferecer outra faceta do seu
talento, apresenta-se-nos como um homem perfeitamente identificado com o
ambiente mineiro que rejeita o despotismos esclarecido em nome de um liberalismo
moderado e até de um certo liberalismo. Dirceu foi o seu nome arcádio.
Manuel Inácio da Silva Alvarenga
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_In%C3%A1cio_da_Silva_Alvarenga
Manuel Inácio da Silva Alvarenga (Vila Rica, 1749 —
Rio de Janeiro, 1814) foi um poeta brasileiro.
De Vila Rica saiu ainda adolescente e não mais voltou. Era filho de um homem
mulato, Inácio Silva Alvarenga, músico de profissão e pobre, e de mãe
desconhecida. A benevolência de pessoas a quem a sua inteligência e vocação
estudiosa interessava, deveu poder ir para o Rio de Janeiro estudar, e, feitos
os preparatórios, seguir para Coimbra, onde se bacharelou em direito canónico,
sempre com as melhores aprovações, em 1775 ou 76, com 27 anos de idade.
Em Portugal relacionou-se com alguns patrícios, como Alvarenga Peixoto e Basílio
da Gama, mais velhos do que ele e também poetas. Do último, parece, foi grande
amigo. Celebrou-o mais de uma vez, e efusivamente, em seus versos. No círculo
destes e de outros brasileiros dados às musas, ter-se-ia primeiro feito
conhecido. Em 1774 publicara em Coimbra o poema herói-cómico. O Desertor (8º, 69
págs.), metendo à bulha o escolasticismo coimbrão, pouco antes desbancado pelas
reformas pombalinas, e celebrando estas reformas. Franco é o mérito literário
deste poema. Não é, todavia, despiciendo como documento de um novo estado de
espírito, mais literal e desabusado, da sociedade portuguesa sob a ação de
Pombal, e do caminho que havia feito em espíritos literários brasileiros o
sentimento pátrio, manifestado no poema em alusões, referências, lembranças de
coisas nossas. Quando foi do dilúvio poético da inauguração da estátua equestre
de D. José I, em 1775, Silva Alvarenga o engrossou com um soneto e uma ode. O
mesmo motivo inspirou-lhe ainda a epístola em alexandrinos de treze sílabas Ao
sempre augusto e fidelíssimo rei de Portugal o Senhor D. José I no dia da
colocação de sua real estátua equestre. Era então estudante, e tal se declara no
impresso da obra. Dois anos depois vinha a lume o Templo de Neptuno, poemeto
(idílio) de sete páginas em tercetos e quartetos, muito bem metrificados, com
que, ao mesmo tempo que celebra a aclamação da Rainha D. Maria I.
Foi Silva Alvarenga um dos mais fecundos e melhores poetas da plêiade mineira.
Desde o Desertor das letras, o seu poema herói-cómico contra o carrancismo do
ensino universitário, não cessou de versejar. Em folhas avulsas, folhetos,
colecções e florilégios diversos, jornais literários portugueses e brasileiros
(pois ainda foi contemporâneo dos que primeiro aqui apareceram), foram
publicadas as suas muitas obras. A de mais vulto, o poema madrigalesco Glaura,
saiu em Lisboa em 1799 e 1801. As notas de aprovação obtidas em Coimbra por
Silva Alvarenga lhe argúem hábitos de estudo sério, que tudo faz supor
conservasse depois de graduado e pela vida adiante. Era seguramente homem de
muito boas letras, com a melhor cultura literária que então em Portugal se
pudesse fazer. Quanto a ela, juntava, além do engenho poético, talento real,
espírito e bom gosto pouco vulgar no tempo; sobejam-lhe as obras para o provar,
nomeadamente os seus prefácios e poemas didácticos. Assenta consigo mesmo,
embora segundo a Arcádia e Garção, que na “imitação da natureza consiste toda a
força da poesia”, e a sua Epístola a José Basílio, insistindo nesta opinião,
está cheia de discretos conceitos de bom juízo literário. Se nem sempre os
praticou, é que mais pode com ele a influência do momento literário que as
excelentes regras da sua arte poética. Lera Aristóteles, Platão, Homero. Lida
com eles e os cita de conhecimento directo, e a propósito. Conhece as
literaturas modernas mais ilustres, inclusive a inglesa. Não lhe são estranhas
as ciências matemáticas, físicas ou naturais. No seu poema As artes, as figura,
ou se lhes refere com apropriadas alegorias ou pertinentes alusões.
Formado em cânones voltou Silva Alvarenga ao Rio de Janeiro em 1777, e aí se
deixou ficar, talvez porque nenhum afecto ou interesse de família, que não a
tinha regular, o chamasse a Minas, sua terra natal. Vários poemas seus,
nomeadamente a sua Ode à mocidade portuguesa, a epístola a Basílio da Gama e As
artes, acima citado, mostram em Silva Alvarenga um espírito ardoroso de cultura,
de progresso intelectual, e entusiasta de letras e ciências. Ele traria para o
Brasil desejos e impulsos de promover tudo isto aqui. Angariando a boa vontade
do vice-rei de então, Marquês do Lavradio, fundou, com outros doutos que aqui
encontrou, uma sociedade científica, cujo objecto principal “era não esquecerem
os seus sócios as matérias que em outros países haviam aprendido, antes pelo
contrário adiantar os seus conhecimentos”.79 Foi efémera a existência desta
sociedade. Num outro vice-rei, Luís de Vasconcelos e Sousa, encontrou igualmente
o nosso poeta animação e patrocínio. Por ele teve a nomeação de professor régio
de uma aula de retórica e poética, solenemente inaugurada em 1782, e sob os seus
auspícios restaurou, em 1786, com a denominação agora de Sociedade Literária, a
associação extinta. Dela foi secretário e porventura a alma.
A mal conhecida existência destas duas associações literárias fundadas por
Alvarenga deu azo às hipóteses e imaginações que têm aliás ocorrido como
certezas, de uma Arcádia Ultramarina, criada por ele com o concurso de Basílio
da Gama, que entretanto estava em Portugal, donde nunca mais saiu. Dos sócios
destas duas sociedades, médicos, letrados, padres, o único nome que escapou ao
completo esquecimento e a história literária recolheu além do de Silva
Alvarenga, foi o de Mariano José Pereira da Fonseca, o futuro Marquês de Maricá,
autor das Máximas. A esta actividade literária juntava Alvarenga a profissão de
advogado. Mudado o vice-rei liberal pelo Conde de Rezende, que não o era (1790),
este, tornado mais desconfiado pelos recentes sucessos da Inconfidência Mineira,
enxergou nessa reunião de estudiosos e homens de letras não sei que sinistros
projectos de conjura contra o poder real. Preso em 1794, após múltiplos
interrogatórios e mais de dois anos de prisão nas lóbregas masmorras da
fortaleza de Santo António, foi Silva Alvarenga restituído sem julgamento à
liberdade. Teve sorte. Não eram acaso mais culpados do que ele os seus confrades
de Minas, dois anos antes, comutada a sentença de morte em desterro, mandados
morrer nas inóspitas areias africanas. Faltou apenas um pouco mais de zelo ao
vice-rei Resende e ao principal juiz da nova alçada, o poeta do Hissope, Dinis.
Viveu até 1814 e colaborou ainda no “O Patriota” de Manuel Ferreira de Araújo
Guimarães, uma revista literária que fomentou o movimento intelectual anterior à
independência.
Pelo espírito, pelo temperamento literário, pelo estilo tanto como pela idade, é
Silva Alvarenga o mais moderno dos poetas do grupo, o menos iscado dos vícios da
época, o mais livre dos preconceitos da escola, cujas alusões e ridículo não
desconhecia, como se vê na sua Epístola a José Basílio. Tem além disso bom
humor, espírito e, em suma, revê melhor que os outros a emancipação produzida em
certos espíritos pela política anti jesuítica de Pombal. Com ser mestre de
retórica, evita mais que os outros os recursos do arsenal clássico e mitológico.
E quando cede à corrente, o faz com muito mais personalidade senão
originalidade, mesmo com desembaraço e liberdade rara no tempo. É disso prova a
sua formosa heróide Teseu e Ariana, uma das melhores amostras da nossa poesia,
naquela época.
A Conjuração Baiana, de 1798,
também conhecida pela Revolta dos Alfaiates, ocorre em Salvador, relacionada com
a crise colonial e com os movimentos pela independência.
Participam representantes das
camadas populares, com grande número de negros e mulatos, escravos e libertos.
Intelectuais, estudantes, comerciantes, artesãos, funcionários e soldados,
inspirados nos ideais da Revolução Francesa, lançam folhetos clandestinos e
proclamam a República Baiense, conclamando a população de Salvador a defendê-la.
Além da independência, eles desejam uma sociedade baseada na liberdade e na
igualdade dos cidadãos, com fim da escravidão. Mas os preparativos para o
levantamento armado fracassam, e muitos acabam presos. No início de 1799, quatro
homens são enforcados: dois soldados, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens, e
dois alfaiates, João de Deus Nascimento e Manuel Faustino, todos mulatos.
Conjuração Baiana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conjuração_Baiana
A Conjuração Baiana, também denominada como Revolta
dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício), foi um movimento
de carácter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então
Capitania da Bahia, no Estado do Brasil.
É revolta colonial mais importante depois da Inconfidência Mineira (1789) mas
dela distinta por se revestir de carácter Antecedentes
Sendo a então Capitania da Bahia governada por D. Fernando José de Portugal e
Castro (1788-1801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o
governo, cuja política elevava os preços das mercadorias mais essenciais,
causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os açougues, ante a
ausência de carne.
O clima de insubordinação contaminou os quartéis, e as ideias nativistas que já
haviam animado Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco
sobretudo nas classe mais humildes.
A todos influenciava o exemplo da independência das Treze Colónias Inglesas, e
ideias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas também por
uma parte da elite culta, reunida em associações como a Loja Maçônica Cavaleiros
da Luz.
Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo
igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de acordo com a capacidade e
merecimento individuais), além da instalação de uma República na Bahia. Tais
ideias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luís Gonzaga das
Virgens e panfletos de Cipriano Barata, médico e filósofo.
A revolta: Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de
seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas
esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram,
detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os
demais envolvidos.
Um desses panfletos declarava:
"Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade:
o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais." (in:
RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)
A repressão:
Durante a fase de repressão, centenas de pessoas foram denunciadas - militares,
clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas,
quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurando abjurar a sua
participação, buscando demonstrar inocência.
Finalmente, no dia 8 de Novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados
à pena capital, por enforcamento, na seguinte ordem:
soldado Lucas Dantas do Amorim Torres;
aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira;
soldado Luís Gonzaga das Virgens; e
mestre alfaiate João de Deus Nascimento.
O quinto condenado à pena capital, o ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi
localizado. Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e memórias "malditos" até
à 3a. geração. Os despojos dos executados foram expostos da seguinte forma:
a cabeça de Lucas Dantas ficou espetada no Campo do Dique do Desterro;
a de Manuel Faustino, no Cruzeiro de São Francisco;
a de João de Deus, na Rua Direita do Palácio (actual Rua Chile); e
a cabeça e as mãos de Luís Gonzaga ficaram pregadas na forca, levantada na Praça
da Piedade, então a principal da cidade.
Esses despojos ficaram à vista, para exemplo da população, por cinco dias, tendo
sido recolhidos no dia 13 pela Santa Casa de Misericórdia (instituição
responsável pelos cemitérios à época do Brasil Colónia), que os fez sepultar em
local desconhecido.
Os demais envolvidos foram condenados à pena de degredo, agravada com a
determinação de ser sofrido na costa Ocidental da África, fora dos domínios de
Portugal, o que equivalia à morte. Foram eles:
José de Freitas Sacota e Romão Pinheiro, deixados em Acará, sob domínio
holandês;
Manuel de Santana em Aquito, então domínio dinamarquês;
Inácio da Silva Pimentel, no Castelo da Mina, sob domínio holandês;
Luís de França Pires em Cabo Corso;
José Félix da Costa em Fortaleza do Moura;
José do Sacramento em Comenda, sob domínio inglês.
Cada um recebeu publicamente 500 chibatadas no Pelourinho, à época no Terreiro
de Jesus, e foram depois conduzidos para assistir a execução dos sentenciados à
pena capital. A estes degredados acrescentavam-se os nomes de:
Pedro Leão de Aguilar Pantoja degredado no Presídio de Benguela por 10 anos;
o escravo Cosme Damião Pereira Bastos, degredado por cinco anos em Angola;
os escravos Inácio Pires e Manuel José de Vera Cruz, condenados a 500
chibatadas, ficando seus senhores obrigados a vendê-los para fora da Capitania
da Bahia;
José Raimundo Barata de Almeida, degredado para a ilha de Fernando de Noronha;
os tenentes Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja e José Gomes de Oliveira
Borges, permaneceram detidos por seis meses em Salvador;
Cipriano Barata, detido a 19 de Setembro de 1798, solto em Janeiro de 1800.
Conclusão:
O movimento envolveu indivíduos de sectores urbanos e marginalizados na produção
da riqueza colonial, que se revoltaram contra o sistema que lhes impedia
perspectivas de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se contra a
elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema
escravista colonial, o que tornava as suas reivindicações particularmente
perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projectos mais
radicais do período colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitária
e democrática. Foi exemplarmente punida pela Coroa de Portugal.
Este movimento, entretanto, deixou profundas na sociedade soteropolitana, a
ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821,
culminando na guerra pela Independência da Bahia, concretizada em 2 de Julho de
1823, formando parte da nação que emancipara-se a 7 de Setembro do ano anterior,
sob império de D. Pedro I.
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(Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal)
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