TEMPLÁRIOS

Sua Grandeza e seu Declínio

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

A Ordem Militar dos Templários  foi   fundada  em 1119  por Hugues de Payns com o nome de “Pobres Cavaleiros do Cristo”. No seu início, dedicou-se à protecção dos peregrinos da Terra Santa. Foi instalada pelo rei Balduíno na 2º parte meridional da localização do Templo de Salomão, do qual acabou adquirindo o nome. Sua confirmação foi feita pelo Papa Inocêncio 2º, em 1139, e favoreceu o extraordinário desenvolvimento de sua riqueza. A Ordem tornou-se o banqueiro dos papas e soberanos. Apesar disso, permaneceu fundamentalmente uma ordem militar e participou nas grandes batalhas na Terra Santa e, até mesmo em Espanha e em Portugal, durante a reconquista do território aos muçulmanos, e só se retraiu na França depois da derrota de São João de Acre, em 1291. Filipe 4º de França (o Belo), que cobiçava as suas riquezas, decidiu derrubá-la. Em Outubro de 1307, mandou prender e interrogar sob tortura 138 Templários. O Papa Clemente 5º protestou e, em Novembro de 1307, tentou evocar a si o problema, e depois voltou atrás da sua decisão, entregando os Templários ao rei, que decidiu a supressão da Ordem, em 1312. O processo dos Templários, iniciado em 1307, só terminou com a condenação do seu Grão-Mestre, Jacques de Molay, que foi queimado  vivo em 18 de Março de 1314. Os bens imóveis dos Templários foram doados à Ordem do Hospital.

Após as primeiras cruzadas organizadas pela Igreja Católica para defender os lugares sagrados da Palestina, santificada pela vida e paixão de Jesus Cristo, em 1128 foi instituída a Ordem dos Templários, um exército cristão permanente.

A actividade bélica dos Templários trazia-lhes um prestígio financeiro jamais alcançado por qualquer outra instituição religiosa. Tais eram as vitórias dos Templários e o poderio de suas fortalezas, que os príncipes, reis e particulares - em sinal de agradecimento pela protecção que deles recebiam - cumulavam-nos de dádivas e oferendas valiosas e confiavam-lhes as suas fortunas. Com o tempo, os Templários esqueceram os objectivos de sua instituição, para preocuparem-se com empréstimos feitos aos reis e países, com taxas de juros, descontos e execuções de dívidas.
Em 1291, quando os muçulmanos conquistaram São João d'Acre, última cidade cristã da Terra Santa, após a queda de Jerusalém, os Templários perderam prestígio. Se a sua função primordial consistia em proteger os peregrinos na Terra Santa, que necessidade havia de manter aquela poderosa e rica organização?
A situação dos Templários era muito delicada.  O Grão-Mestre da Ordem Templária, Jacques de Molay, residia no Chipre (sua base mais avançada) esperando a ocasião para reconquistar a Terra Santa.

 

 

Figuras e Factos (Históricos) ligados aos Templários:

 

Filipe IV de França

 

Felipe IV, conhecido como O Belo (Philippe IV le Bel, em francês) (Fontainebleau, 1268 – Fontainebleau, 29 de Novembro de 1314) foi rei da França desde 1285 até à sua morte. Integrante da dinastia capetiana, era filho de Isabel de Aragão e Filipe III, O Ousado. Casou-se com Joana de Navarra com quem teve sete filhos. O epíteto O Belo deve-se à sua extraordinária beleza, segundo relatos contemporâneos.
Na política internacional, foi durante o seu reinado que se iniciaram os conflitos que provocaram a Guerra dos Cem Anos. Voltou-se contra a Flandres e a Inglaterra, ocupando a Flandres em 1300. Para financiar estas guerras viu-se obrigado a recorrer a várias desvalorizações entre 1290 e 1309. Também confiscou os bens dos Lombardos em 1292, e lançou alguns impostos sobre o clero, fato que lhe causou conflitos com o papado.
Aconselhado por seus juristas, adoptou, primeiro, uma política de independência em relação à Santa Sé, opondo-se a Bonifácio VIII. Durante o seu governo, aconteceu o Cisma do Ocidente, com a transferência para Avignon da residência do Papa, procurando colocar o Papado sob a dependência da França. Teve inclusivamente um violento conflito com o Papa Bonifácio VIII, a quem mandou aprisionar, vindo a ser excomungado por este várias vezes. A Santa Sé só se reconciliou com a França após o advento de Clemente V em 1305.
Desejando resolver graves dificuldades financeiras, Filipe processou a Ordem dos Cavaleiros Templários, com a esperança de apoderar-se de suas riquezas. O processo terminou em 1312, com a bula do Papa francês, Clemente V, que extinguia a referida ordem religiosa. Os chefes dos Templários foram mandados à fogueira, como o Grão-Mestre Jacques de Molay. Criou os Estados Gerais. Formou uma burocracia especializada em leis além de anexar territórios.
Filipe, o Belo, foi o primeiro soberano moderno, enfrentando o poder temporal da Igreja e o feudalismo.

Casado com Joana de Navarra. Foi excomungado por Bonifácio VIII, excomunhão que foi levantada por Clemente V. Saiu a caçar com seu camareiro, Hugo de Bouville, seu secretário particular, Maillard, e alguns familiares, na floresta de Pont-Sainte-Maxence. Sempre acompanhado dos seus cães. Foram em busca de um raro cervo de doze galhos visto perto do local. O rei acabou perdendo-se do grupo e encontrou um camponês que livra-se de ser servo. Deu-lhe sua trompa como presente por tê-lo ajudado a localizar o cervo. Achando-o, e estando pronto a atacá-lo, percebeu uma cruz (dois galhos que se prenderam nos chifres do cervo) que brilhava ( o verniz do galho que reluzia ao sol). Começou a passar mal, e não conseguiu chamar ninguém, pois estava desprovido de sua trompa. Sentiu um estalo na cabeça e caiu do cavalo. Foi achado por seus companheiros e levado de volta ao palácio, repetindo sempre - "A cruz, a cruz..." e sempre com muita sede. Pediu, como o Papa Clemente em seu leito de morte, que fosse levado à sua cidade natal; no caso do rei, Fontainebleau. O rei ficou perdido no seu interior, parecendo um louco, durante uns doze dias. Era dito aos que perguntavam dele, que tinha caído do cavalo e sido atacado por um cervo. Filipe foi levado a fazer um novo testamento e foi instigado por seus irmãos, Carlos de Valois e Luís d'Evreux, a escrever o que eles queriam. Logo após terminado, sempre com sede, faleceu.
Diz-se que Irmão Reinaldo, Grande Inquisidor de França, que acompanhou o rei em seus últimos dias, não conseguiu fechar suas pálpebras, que se abriam novamente. Foi assim, em seu velório, necessária uma faixa que cobrisse seus olhos.
Segundo os documentos e relatórios de embaixadores, de que se dispõe, chega-se à conclusão que Filipe, o Belo, sucumbiu a uma apoplexia cerebral em uma zona não motora. A afasia do início pode ter sido devido a uma lesão na região da base do crânio ( região infundíbo-tuberiana). Teve sua recaída mortal por volta de 26 de Novembro.

 

 

 

 

 

Jacques DeMolay, segundo historiadores modernos, nasceu em Vitrey na França, no ano de 1244. Pouco se sabe de sua família ou sua primeira infância, porém, em 1265, com a idade de 21 anos, ele tornou-se membro da Ordem dos Cavaleiros Templários onde participou destemidamente de numerosas Cruzadas. Em 1298, aos 54 anos, Jacques DeMolay foi eleito Grão Mestre. DeMolay assumiu o cargo numa época em que a situação para a Cristandade no Oriente estava ruim. Os infiéis sarracenos haviam conquistado os Cavaleiros das Cruzadas e capturado a Antioquia, Tripoli, Jerusalém e Acre. Restaram somente os "Cavaleiros Templários" e os "Cavaleiros Hospitalários" para confrontarem-se com os sarracenos. Os Templários, com apenas uma sombra de seu poder anterior, estabeleceram-se na Ilha de Chipre, com a esperança de uma nova Cruzada. Porém, as esperanças de obterem auxílio da Europa foram em vão, pois, após 200 anos, o espírito das Cruzadas havia-se extinguido.
Os Templários foram fortemente entrincheirados na Europa e Grã-Bretanha, com suas grandes casas, suas ricas propriedades, seus tesouros de ouro, embora vivessem de maneira muito austera, quase monástica. Foi a riqueza, o poder da Ordem, que despertou os desejos de inimigos poderosos e, finalmente, ocasionou sua queda. Em 1305, Filipe IV da França, conhecido como o Belo, então Rei de França, falido por despesas em guerras e fausto da Corte, procurou usurpar as propriedades da Ordem. Em 14 de Setembro de 1307, Filipe agiu. Ele emitiu regulamentos secretos para aprisionar todos os Templários. A partir daí começaram as perseguições contra Demolay e seus companheiros, exactamente no dia 12 de Outubro de 1307, quando Filipe, manda de surpresa, prender Demolay e a cento e quarenta cavaleiros encontrados em Paris. DeMolay e centenas de outros Templários foram presos e atirados em calabouços. Foi o começo de anos de prisão para DeMolay e seus cavaleiros. Filipe forçou o Papa Clemente a apoiar a condenação da Ordem.
Finalmente, em 18 de Março de 1314, uma comissão especial, que havia sido nomeada pelo Papa, reuniu-se em Paris para determinar o destino de DeMolay e três de seus Preceptores na Ordem. Entre a evidência que os comissários leram, encontrava-se uma confissão forjada de Jacques DeMolay, há seis anos passados. A sentença dos juízes para os quatro cavaleiros era prisão perpétua. Dois dos cavaleiros aceitaram a sentença, mas DeMolay não. Ele negou a antiga confissão forjada, e Guy D'Avergnie ficou a seu lado. De acordo com os costumes legais da época, isso era uma retratação de confissão e punida por morte. A comissão suspendeu a secção até ao dia seguinte, a fim de deliberar. Filipe não quis adiar nada e, ouvindo os resultados da Corte, ele ordenou que os prisioneiros fossem queimados no pelourinho naquela tarde.
Quando os sinos da Catedral de Notre Dame tocavam ao anoitecer do dia 18 de Março de 1314, Jacques DeMolay e seu companheiro foram queimados vivos no pelourinho, numa pequena ilha do Rio Sena, chamada de Vert Gallant (Cavaleiro Verde, em Francês).
Jacques DeMolay, com 70 anos, durante sua morte na fogueira, intimou aos seus dois algozes, a comparecererem diante do tribunal de Deus, e amaldiçoando os descendentes do Rei da França, Filipe "O Belo". O papa Clemente e Filipe morreram antes que o ano de 1314 findasse, cumprindo assim a praga de Jaques DeMolay.
Momentos antes de sua morte, ele recitou em hebraico algumas palavras: "Nekan Adonai, Chol Begoal". Traduzido: "Vingança Senhor, Abominação a todos!"
O Wikiquote tem uma colecção de citações de ou sobre Jacques de Molay. "Saudações,

Primeiramente, gostaria de agradecê-los por relatarem tão próximos da verdade os fatos marcantes da vida do Grande Jacques DeMolay. O contexto em si está bem formado, porém, existem alguns equívocos quanto a algumas datas, e uma observação. Filipe, o Belo, junto com o apoio do papa Clemente V, ordenou a prisão de todos os líderes, conhecidos como Grão-Mestres, porém só existia um apenas, Jacques DeMolay. Com isso, Jacques DeMolay e três de seus preceptores, Guy D'Auvergnie, Godofredo de Goneville e Hughes de Payraud, no ano de 1304, foram presos sob acusações injustas pela guarda francesa comandada por Guilherme, irmão de Filipe, o Belo. DeMolay passou dez anos sofrendo torturas horríveis para revelar os segredos da sua Ordem, entregar suas riquezas ocultas e denunciar todos os seus Irmãos. Por essas persistências, e por ter enfrentado e desprezado o poder da Inquisição, e do Rei, Jacques DeMolay e Guy D'Avergnie foram barbaramente queimados vivos na tarde do da 18 de Março de 1314.
Atenciosamente, Ir. Thomas Stavinsky"

 

Papa Clemente V


Nascido Bertrand de Gouth (1264 - 20 de Abril de 1314) foi Papa entre Junho de 1305 e 1314. Eleito após um longo conclave realizado em Perugia, onde se defrontaram os interesses dos cardeais italianos e franceses.
Foi Clemente V que na sexta-feira, 13 de Outubro de 1307 (facto pelo qual ainda hoje se intitula sexta-feira 13 como dia de azar), autorizou a França a atacar de surpresa os Templários e obrigá-los a fazer confissões de praticarem actos heréticos. Hoje crê-se que a motivação real foi política e económica, cedendo à pressão do rei Filipe IV de França que via os Templários como uma força não controlada que lhe poderia causar incómodos diversos.
O seu pontificado fica também marcado pela mudança da Santa Sé de Roma para Avinhão em 1309, justificado pelos tumultos existentes em Itália. Avinhão não era então território francês, mas um feudo do rei da Sicília.

 

 

 

Papa Bonifácio VIII


Nascido Benedicto Caetani (1235 - 11 de Outubro de 1304), foi Papa de 24 de Dezembro de 1294 até à data da sua morte. Desempenhou missões em França antes da eleição, ocorrida após a resignação do Papa Celestino V. Um dos seus primeiros actos foi mesmo colocar o antecessor na prisão. Procurou enquanto Papa manter a supremacia temporal da Santa Sé em oposição a Filipe, o Belo. Para protestar contra os abusos deste em matéria fiscal, publicou a bula Clericis Laicos em 24 de Fevereiro de 1296, na qual proíbe o lançamento de impostos sobre a Igreja sem prévio acordo de Roma. O rei respondeu proibindo a exportação de dinheiro francês para os Estados Pontifícios. A questão termina com a bula Etsi de Statu (31 de Julho de 1297) em que apenas se exige o apoio prévio dos bispos franceses. No jubileu de 1300 grande quantidade de peregrinos afluiu a Roma. Encorajado por isso, Bonifácio VIII recomeça as hostilidades contra o rei de França, protestando contra a violação da imunidade judiciária do clero e convoca os bispos franceses para um concílio. Afirma o princípio da supremacia temporal do Papa na bula Unam Sanctam (18 de Novembro de 1302). O enviado do rei francês insulta e prende o Papa em Roma, intimando-o a resignar, mas só tem a resposta “antes morrer”. Bonifácio VIII é libertado pelos seus fiéis três dias depois, morrendo no mês seguinte.
Dante retratou na Divina Comédia Bonifácio VIII: embora ainda vivo à data do texto, estava destinado ao Inferno—especificamente ao Oitavo Círculo, num poço especial reservado aos Papas culpados de simonia.

 

 

 

Pobres Cavaleiros de Cristo


 

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos "infiéis" muçulmanos, a glória dos actos de bravura e consagração, viajaram à Palestina. Eram os Soldados do Cristianismo, disputando a golpes de espada as relíquias sagradas que os fanáticos retinham e profanavam. Balduíno II, que reinava em Jerusalém, os acolheu, e destinou-lhes um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde as ruínas, compostas de blocos de mármore e de granito, indicavam as ruínas de um Grande Templo.
Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo em que o génio artístico dos fenícios se revelava. Destruído pelos caldeus, reconstruído por Zorobabel e ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo. Arrasado novamente pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Foi neste Templo que se originou a tragédia de Hiran, cuja lenda a Maçonaria incorporou. Exteriormente, antes da destruição pelos romanos no ano 70 de nossa era, o Templo era circundado por dois extensos corredores excêntricos, ocupando um gigantesco quadrilátero em direcção ao Nascente, à esquerda ficava o átrio dos Gentios e à direita o dos Israelitas, além das estâncias reservadas às mulheres e aos magos sacerdotes, a que se seguia o Santuário propriamente dito, tendo ao centro o Altar dos Holocaustos.
Os "Pobres Cavaleiros de Cristo" atraídos pela inspiração divina e sensação do mistério que pairava sobre estas ruínas, passaram a explorá-las, e não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. Entraram numa extensa galeria que os conduziu até junto de uma porta chapeada de ouro por detrás da qual poderia estar o que durante dois milénios se constituíra no maior Segredo da Humanidade. Uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.
Os "infiéis do Crescente" eram seres vivos e contra eles, os Templários, com a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava, e sim os aspectos da Morte, talvez deuses sanguinários ou potestades desconhecidas contra as quais a força humana era impotente. Isto os fez estremecer. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada na porta e bradou em alta voz: - EM NOME DE CRISTO, ABRI!! E o eco das suas palavras se fez ouvir: EM NOME DE CRISTO... enquanto a enorme porta começou abrir, ninguém a estava abrindo, era como se um ser invisível a estivesse movendo e se escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de estranhas figuras, umas delicadas e outras, aos seus olhos monstruosas, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD.
Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a "LEI" cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que "comprovavam" a heresia dos Templários. A "Lei Sagrada" era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica a KABBALAH.
Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele é o emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. É a Unidade Perfeita. Um raio de Luz intensa ilumina então aqueles espíritos obcecados pela ideia da luta, devotados à supressão da vida de seres humanos que não comungassem com os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Jetzira propõe ao entendimento humano. Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma, e Espírito. Fogo Luz e Vida. Uma nova concepção que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades, se apossa daqueles espíritos até então mergulhados em ódios e rancores religiosos e os conclama à Tolerância, ao Amor e à Fraternidade entre todos os seres humanos.
A Teosofia da Kabbalah exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento, dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE? Entre as figuras, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a ideia da Criação. E foi essa figura monstruosa, e atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas. Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já a concepção dos Templários acerca da ideia de Deus não era muito católica.
A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem "Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria" não era uma sujeição à Igreja mas uma referência à inicial que no centro do Triângulo simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros francos, normandos, germânicos, portugueses e italianos acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que dentro em pouco se convertia na mais poderosa Ordem do século XII. Mas a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade, que o Rei de França, Filipe o Belo, decretou ao Papa para expedir uma Bula confiscando todas suas riquezas e enviar seus Cavaleiros para as "Santas" fogueiras da Inquisição. Filipe estava atento. E não o preocupavam as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não fora, portanto, a mistagogia que gerara a cólera do Rei de França e dera causa ao monstruoso processo contra os Templários.
Foi a rapacidade de um monarca falido para quem a religião era um meio e a riqueza um fim. Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente aureolados pela glória obtida nas batalhas de Ascalão, Tiberíade e Mansorah. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração das aguerridas hostes do Islão (muçulmanos), influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Espanha. Iniciam entre os Templários o culto de um gnosticismo eclético que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo em sua essência com os mistérios mais profundos do cristianismo. São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adoptados pela Franco Maçonaria Universal (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados "Adepto", "Companheiro", "Mestre Perfeito", "Cavaleiro da Cruz", "Intendente da Caverna Sagrada", "Cavaleiro do Oriente" e "Grande Pontífice da Montanha Sagrada".
A Caverna Sagrada era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrilátero (quadrado) perfeito. O ORIENTE representava a Primavera, o Ar, a Infância e a Madrugada. O MEIO DIA (Sul), o Estio, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite. Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e, das cinzas, purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera em que a Natureza desabrochava em florações luxuriantes, magníficas, acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e coberta pelas neves que desolam e que matam, é o Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à Noite caliginosa e fria a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana.
E é no contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida. Nada se perde: Tudo se Transforma... Vai ser iniciado um "Cavaleiro da Cruz". O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, num pedestal que se eleva por três degraus, está a grande estátua de Baphomet, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, A Luz e as Trevas, etc...) como no Livro da Criação, a Sepher-Jetzira, Livro mor da Cabala. No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando, imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a pouco toma a cor de sangue. É a vida que brota da união dos princípios opostos.
Por cima da Cruz, a letra "G". O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece muito bem o significado dessa letra que na mudez relativa desafia a interpretação na sua nova posição, junto ao Tríplice Falus, na sua junção com a Rosa-Cruz mística. "A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina. O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação; e a Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis nos leva ao conhecimento da Causa... Não é a Fé, mas sim a Fé unida às Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas literalmente crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, aprofundando-lhes o sentido interior, conhecem a verdade inteira. Só o Gnóstico é por essência, piedoso. O homem não adquire a verdadeira sabedoria senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porque foi, é, e será tudo quanto existe. O Gnosticismo dos Templários é uma nova mística que ilumina os Evangelhos e os interpreta à Luz da Razão Humana.
 ...O Mestre Perfeito entra de olhos vendados, até chegar ao pedestal de Baphomet. Ajoelha e faz sua prece: "Grande Arquitecto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dá o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e das Trevas... Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à vossa soberana vontade... Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade". Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão de conduzi-lo à meta da Verdade... O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a "Cavaleiro da Cruz" , em tom afectivo e paternal: "Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda espécie de imperfeição humana". A nossa consciência é que é o juiz das nossas acções. A ignorância é o verdadeiro pecado. O inferno é uma hipótese, o céu uma esperança. Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas pelos instrumentos da Paz entre os Homens.
A missão do Cavaleiro da Cruz é amar ao próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias activas devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolítico que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual. O homem precisa Crer em algo. Os primitivos cultuavam os Manes. Os Manes eram as almas humanas desprendidas pela morte da matéria e que continuavam em uma nova vida. Onde iriam os primitivos beber a ideia da alma? Respondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário" - "Nos fenómenos psíquicos que propiciam aparições, nas ilações tiradas dos sonhos, e na percepção" - Acreditais que os mortos se podem manifestar aos vivos?" - "Sim. Acredito que a Alma liberta do invólucro físico, sobe a um plano superior, se sublima, e volve ao mundo para rever os que lhe são simpáticos, segundo a lei das afinidades" - "Acreditais na ressurreição física de Cristo?" - "Não..." - "Acreditais na Metempsicose (Lei de Transmigração das Almas)?" - "Sim. A semelhança das acções, dos sentimentos, dos gestos e das atitudes que podemos observar em determinados seres não resultam apenas da educação mas da transmigração das almas. Essa transmigração não se opera em razão hereditária" - "Acreditais que a morte legal absolve o assassino? Que o Soldado não é responsável pelo sangue que derrama"? - "Não acredito". - "Atentai agora nas palavras do Cavaleiro do Ocidente que vos dirá os sentidos que imprimimos ao Grau de Cavaleiro da Cruz" -  "A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs apresentadas como verdades indiscutíveis.
Por isso nos encontramos aqui, em carácter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio do qual chegaremos à Verdadeira Harmonia. As boas obras dependem das boas inclinações da vontade que nos podem conduzir à realização das boas acções. A intuição é que leva os homens a empreender as boas acções. Quando o Grande Pontífice vos falou do culto dos primitivos, ele definiu a existência de uma intuição comum a todos os seres humanos. Assim como por detrás das crenças dos Atlantes havia a intuição que indicava a existência de um Ser Supremo, o Grande Arquitecto responsável pela construção do Universo, também existia nesses povos um sentimento inato do Bem e do Belo, e um instinto de justiça que era a base de sua Moral. A Ciência nos deu meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência nos diz que além da Ciência existe a Harmonia Divina. Das acções humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria para lhe contemplar a Beleza; e, lançado nesse oceano, procriará com uma inesgotável fecundidade as melhores ideias filosóficas, até que forte e firme seu espírito, por esta sublime contemplação, não percebe mais do que uma ciência: a do Belo". Estavam findas as provas de iniciação.
O iniciado dirigia-se então para o Altar dos Holocaustos, onde o Sacrificador lhe imprimia a Fogo, sobre o coração, o emblema dos Cavaleiros do Templo.

 

 

 

 

 ...Foi essa intervenção indómita de Roma que influiu poderosamente para que a "Divina Comédia" de Dante Alighieri fosse o que realmente é - uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários em relação à imortalidade. Na DIVINA COMÉDIA cada Céu representa um Grau de iniciação Templário. Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano, o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas, vem o Último Céu a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. É lá o zénite da Inteligência e do Amor. A doutrina Iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes, hindus, cabires, onde perpassam, numa visão Cosmorâmica todos os símbolos dos Grandes e Pequenos mistérios e das Ciências Herméticas: A Cruz e a Rosa, o Ovo e a Águia, as Artes e as Ciências, sobretudo a Cruz, que para os Templários, assim como para os Maçons seus verdadeiros sucessores, era o símbolo da redenção humana. Dante Alighieri e sua Grande Obra: A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para seu sistema gnóstico.
Pois o que era a Cavalaria Oculta de Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçónico ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que se serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos, e na qual José de Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada que figurava em todas as cerimónias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuíam graus e símbolos misteriosos, e que a Maçonaria moderna incorporou em seus ritos, por ser fatal aos perjuros.
Os Templários adoptavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e que a própria Igreja Católica introduziu no ritual do cálice que serve no sacrifício da missa. No Grau de Cavaleiro do Oriente, os Templários figuram um herói: Titurel, Cavaleiro da Távola Redonda, que desejando construir um Templo onde depositar o Cálice Sagrado, encarregara da construção o profeta Merlin, que idealizou um labirinto composto de doze salas ligadas por um sistema de corredores que se cruzavam e recruzavam, como no labirinto de Creta onde o Rei Minos escondia o Minotauro (Mit.Grega).
O Postulante Templário tinha de entrar em todas as salas, uma só vez, para receber a palavra de passe, e só no fim dessa viagem podia ascender ao grau que buscava. Mas se em Creta, Theseu tivera o fio de ouro de Ariadne, para chegar ao Minotauro, no Templo dos Cavaleiros do Oriente, o candidato apenas podia se orientar por uma chave criptográfica composta de oitenta e uma combinações (9x9) o que demandava muito esforço de raciocínio e profundos conhecimentos em matemática. A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo.
Os Grandes Iniciados, comos os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. Mas tinham grande aversão aos números pares. O Grande Alquimista Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na Alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultuava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmónicos: o génio, a memória e a vontade. Que o Universo operava sobre a eternidade e a imensidade movida pela omnipotência. A sua concepção em relação a Deus, o Grande Arquitecto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza.
A Maçonaria criou uma expressão própria para os Altos Graus: Sabedoria, Estabilidade e Poder. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grandeza e a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos. As oitenta e uma combinações que levavam o candidato ao Templo de Cavaleiro do Oriente tinha por base o sagrado numero Três, sagrado em todas as corporações de carácter iniciático.
O Triângulo encontrado no Templo de Salomão era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD no centro significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída de Brahama, Shiva e Vishnu personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, nós encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol.
Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adoptou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai multiplicando na vida maçónica dos iniciados até a conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza. ...Os Graus na Ordem do Templo eram Sete, como o é na Maçonaria Moderna Universal. Este número era também, junto com o Três, extremamente sagrado para os antigos. Era considerado o Número dos Números. Ele representava os Sete Génios que assistiam o Grande Mitra, Deus dos Persas, e figurava igualmente os Sete pilotos de Osíris. Os Egípcios o consideravam o símbolo da Vida. Haviam Sete Planetas e são Sete as fases da Lua. Sete foram os casais encerrados na arca de Noé, que parou sete meses depois do dilúvio, e a pomba enviada por Noé só recolheu depois de sete dias de ausência. Foram sete as pragas que assolaram o Egipto e o povo hebraico chorou sete dias a morte de Jacob, a quem Esaú saudara por sete vezes. A Igreja Católica reconhece Sete pecados capitais e instituiu os sete sacramentos. Para os muçulmanos existem sete céus. Deus descansou ao sétimo dia da criação. Sete eram as Ciências que os Templários transmitiam nos sete graus iniciáticos: A Gramática, a Retórica, a Lógica, a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia. Sete eram também os Sábios da Grécia. Apollo nasceu no dia sete do mes sete e sete era seu número sagrado. ... Harmonizando todas as Doutrinas, os Templários fugiam ao sentido fúnebre e superficial do catolicismo para se refugiarem em outros mistérios que entoavam Hinos à Vida.
O argumento para a iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada foram buscá-lo à velha Frígia, Grécia, aos Mistérios dos Sabázios. Para os Gregos, Demeter (ou Ceres para os romanos) deu à luz a Perséfone, a quem Zeus (ou Júpiter) viola, e para isso se transforma em serpente. O Zeus, atravessando o seio é a fórmula usada nos mistérios dos Sabázios: assim se chama a serpente que escorrega entre os vestígios dos iniciados como para lembrar a impudicícia de Zeus. Perséfone dá à luz um filho com face de touro. O culto dos Sabázios que servia de tema às iniciações Templárias de Quinto Grau, impressionara o génio grego mas era um intruso em sua religião, e contra ele se levantaram Aristóphanes e Plutarco. Era um Culto Orgíaco, mas não era disso que se queixavam os gregos, que também tinham o culto de Cybele e arvoravam em divindades as suas formosas hetairas (prostitutas sagradas do Templo) como o demonstra o túmulo da hetaira Tryphera: "Aqui jaz o corpo delicado de Tryphera, pequena borboleta, flor das voluptuosas hetairas, que brilhava no santuário de Cybele, e nas suas festas ruidosas, suas falas e gestos eram cheios de encantos" A iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada realizava-se no mês de Maio, o mês das flores, com o Templo dedicado à natureza, porque o Quinto Grau de Iniciação Templária era um hino à renovação periódica da vida, dentro do Princípio Alquímico que admitia a Transmutação das substâncias e a renovação das células por um sistema circular periódico, vivificante, em que tudo volta ao ponto de partida, OUROBOROS.
O Grande Pontífice da Montanha Sagrada encarnava o papel do Sabázio, o Deus Frígio que figurava as forças da natureza e as movia no sentido da renovação e da regeneração humana. A seus pés, de aspecto ameaçador estava a Serpente Sagrada, símbolo da regeneração e renovação pela mudança periódica de pele. À esquerda, coroada de flores e folhas verdes, cabelos soltos saindo de um emblema de estrelas, tendo ao peito nu, uma trança de papoilas, símbolo da fecundidade, nas orelhas brincos de três rubis e no braço esquerdo arqueado, o crivo místico das festividades de Elêusis, que três serpentes aladas acariciavam, a Grande Estátua de Deméter, personificação da Terra, e das forças produtoras da natureza. À direita, envergando uma cumprida túnica, severa e majestosa, Hera (ou Juno) a imponente Deusa do Olimpo, esposa de Zeus, estende aos postulantes a taça do vinho celeste que contém em si o espírito da força indomável do sado com a reflexão e com a temperança. As provas, neste Grau, dirigiam-se no sentido da imortalidade da alma, e também do rejuvenescimento físico. Deméter estendia a sua graça sobre o género humano para que os iniciados compreendessem que as forças da natureza reuniam a própria essência da Divindade.
Eram elas que impulsionavam a vida, que renovavam as substâncias nos ciclos mais críticos e que podiam levar o homem à Imortalidade. Hera velava do Olimpo e Sabázio conduzia o fogo sagrado. Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes em sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída é que recebiam a consagração da investidura do Grau. "A natureza mortal procura o quanto pode para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um indivíduo acabado." Com efeito, apesar de dizer-se do homem que vive do nascimento até a morte, e que é o mesmo durante a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria. Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo seu corpo e ainda em sua alma. Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente. Assim se conservam os seres mortais.
Não são constantemente os mesmos, comos os seres divinos e imortais. E aquele que acaba, deixa em seu lugar um outro semelhante. Todos os mortais participam da imortalidade, no corpo e em tudo o mais."

Gentilmente cedido pelo irmão PAULO (BENELLI)

 

 

 

 

Ponsard de Gizy, um dos Templários, narrou que antes de ser interrogado permaneceu três meses dentro de um fosso, com as mãos amarradas às costas, sem possibilidade de qualquer movimento. Outro torturado disse que ao ver cinquenta membros da Ordem serem queimados vivos, confessou tudo quanto lhe exigiam. '' Se me acusassem de ter sido o assassino de Cristo, eu confessaria esse crime! ''.

 

 

 

 

Dos quatro, apenas Jacques e Godofredo de Charnay ainda estavam lúcidos, após as sequências de torturas.
O Cardeal Arcebispo de Albano leu a SENTENÇA: '' Ouvidos os Irmãos Geraldo du Passage e João de Cugny que afirmam terem sido forçados, quando da sua recepção na Ordem, além de muitas outras coisas, a escarrar sobre a Cruz porque, segundo lhes foi dito, aquilo não passava de um pedaço de madeira, estando no céu o verdadeiro Deus... Ouvido o Irmão Guido Dauphin, ao qual foi ordenado, se um dos irmãos superiores se sentisse atormentado pela carne e quisesse satisfazer-se nele, a consentir em tudo quanto lhe fosse solicitado... Ouvido o Grão-Mestre Jacques de Molay que reconheceu e confessou... Ouvido o Irmão Hugo de Payraud que exigiu dos noviços, como obrigação, renegassem Cristo três vezes... Considerando que os acusados confessaram e reconheceram seus crimes, condenamo-los ao muro e ao silêncio pelo resto de seus dias, a fim de que obtenham remissão de suas faltas pelas lágrimas do arrependimento. In nomine Patris...''
Após a leitura da sentença, Jaques de Molay protestou: ''Protesto! Protesto contra essa sentença iníqua e afirmo que os crimes de que me acusam foram inventados! ''
Godofredo de Charnay também ergueu a voz: ''Fomos vítimas de vossos planos e de vossas falsas promessas! É o ódio, a vossa vingança que nos pedem! Mas afirmo diante de Deus que somos inocentes e os que dizem o contrário mentem miseravelmente! ''
Formou-se um tumulto e no meio do barulho o Arcebispo de Marigny - erguendo ao alto sua cruz peitoral - gritava: ''Dois dos condenados são declarados relapsos, pois reincidiram em suas heresias e rejeitaram a justiça da Igreja! A Igreja os entrega à justiça do rei!''. A entrega dos réus pela Inquisição, ao braço secular, significava a condenação à morte.
Naquela mesma tarde Jacques de Molay e outros trinta e seis templários foram queimados em uma fogueira, em uma ilha do Sena.

 

 

 

 

Bafomet - Uma mentira secular


Para entender a associação desta figura meio homem meio bode com a Maçonaria, teremos que seguir um longo e tortuoso caminho que começa no século XII.
Depois da Primeira Cruzada, no ano 1119, em Jerusalém, surge um pequeno grupo de militares formando uma ordem medieval militar religiosa para proteger os peregrinos visitantes à Palestina. Eram conhecidos como os Cavaleiros Templários, comandados por um mestre principal e vivendo uma vida austera moldada nos monges Cistercianos, lutando para defender a Igreja corajosamente. Devido à necessidade de enviar dinheiro e materiais regularmente da Europa à Palestina, os Cavaleiros Templários desenvolveram gradualmente um eficiente sistema bancário que nunca existira. Os poderes militar e financeiro os tornaram temidos e confiáveis. Por causa da defesa desinteressada das Terras Santas e dos votos monásticos, acumularam grande riqueza doada por benfeitores agradecidos.
Porém, por volta dos anos de 1200 os Templários sofreram diversas derrotas militares, deixando-os numa posição vulnerável, e assim, suas riquezas se tornaram objeto de ciúme para muitos.
Na época, o Rei francês Filipe IV (o belo) estava envolvido em uma tumultuada disputa política  contra o Papa Bonifácio VIII  e  ameaçava com a possibilidade de embargar impostos contra o clero. Tal agressividade do Rei contra o sumo pontífice era principalmente devido a corte francesa estar falida. Então o Papa Bonifácio em 1302 editou a Bula Unam Sanctam, uma declaração máxima do papado, que condenava tal atitude. Os partidários de Philip então aprisionaram Bonifácio que escapou pouco tempo depois, mas veio a falecer logo em seguida. Em 1305, Filipe, com uma trama política e pressão militar, obteve a eleição de um dos seus próprios partidários como Papa Clemente V e o convenceu a residir na França, onde estaria sob seu controle todo movimento eclesiástico. (Este era o começo do denominado "Cativeiro Babilónico do Papado", de 1309 a 1377, durante o qual os Papas viveram em Avignon e sujeitos à lei francesa.)
Agora com o Papa firmemente sob seu controle Philip voltou-se para os Cavaleiros Templários e a fortuna deles, pois estavam pouco acreditados (devido às perdas militares). Em 1307 Philip ordenou uma perseguição aos Templários prendendo-os e jogando-os em calabouços, incluindo o Mestre Jacques de Molay que foi acusado de sacrilégio e satanismo. Em 1312, o Papa, agora um boneco do Rei, emitiu a ordem que suprimia a ordem militar dos Templários com subseqüente confisco da riqueza por Filipe. (Os recursos ingleses dos Templários foram confiscados de forma semelhante pelo Rei Edward II da Inglaterra, sendo a maior parte desta imensa fortuna para Portugal, onde foi criada a Ordem de Cristo). Assim, os Templários deixaram de existir daquela data em diante e muitos de seus membros, inclusive Jacques de Molay foram torturados e obrigados a se declararem "réus confessos" para uma miríade de crimes, inclusive uma lista de 127 acusações e 9 sub itens! Estas incluíram tais coisas como: a "reunião nocturna secreta", sodomia, cuspir na cruz, etc...
Entre as acusações contra os Templários havia uma que haviam produzido algum tipo de "cabeça barbuda". O Baphomet. O que é isto? Há várias teorias, inclusive seria um relicário contendo a cabeça de João Batista ou a cabeça de Cristo, a Mortalha de Turin, uma imagem de Maomé (o pai da religião islâmica) entre outras. Mas como tal respeitada ordem religiosa viria adorar uma cabeça ou se ocupar de tal mal? Provavelmente eles não o fizeram! O Rei Filipe desejou a riqueza dos Templários e só poderia possui-la se os Templários fossem julgados hereges, como foram. Enfim, o Mestre Jacques de Molay acabou, após sua prisão, queimado vivo em praça pública e muitos templários foram mortos também, e outros acabaram fugindo para outros países.
O autor Stephen Dafoe em seu excelente e detalhado trabalho neste assunto, intitulado "Adoração Profana", diz:  "Embora faltem provas históricas, a lenda dos Templários como a de Baphomet transforma-se por si só em um mito."

 

 

 

Templários em Portugal

 


Quando os Templários começaram a ser perseguidos em França, Portugal recusou-se a obedecer à ordem de prisão dos membros da Ordem. Na verdade, os portugueses tinham muita consideração pelos Templários, porque estes os ajudaram nas guerras de Reconquista que expulsaram os mouros da Península Ibérica, e também porque os Templários possuíam grande tecnologia de locomoção terrestre e marítima, útil a D. Dinis (1279-1325). Após se ter destruído a Ordem dos Templários na Europa, a Ordem continuou em Portugal, como Ordem de Cristo, da qual o Infante D. Henrique foi grão-mestre, e esta Ordem ficou sedeada na cidade de Tomar. Toda a hierarquia foi mantida e na cruz vermelha sobre o pano branco, símbolo templário, foi adicionada uma nova cruz branca no seu centro, simbolizando a pureza da ordem. A Ordem de Cristo herdou todos os bens dos Templários portugueses e desempenhou um papel fulcral nos descobrimentos portugueses. A Ordem de Cristo emprestou recursos para a coroa portuguesa financiar o avanço marítimo e transmitiu à chamada Escola de Sagres todo o vasto conhecimento de que já dispunha sobre navegação.

 

 

 


Ordem de Cristo


A Ordem de Cristo ficou sedeada a partir de 1357 em Tomar, depois de ter passado por Castro Marim. Os membros desta Ordem tiveram um papel muito importante nos Descobrimentos, nas conquistas e evangelização de novas terras. A Ordem de Cristo foi criada pela Bula Ad e a ex-quibus do Papa João XXII, aderindo aos pedidos feitos pelo Rei D. Diniz, para que esta sucedesse à Ordem do Templo. A Rainha D. Maria I, em 1789 reformou a Ordem de Cristo, continuando formalmente como Ordem monástico-militar até à extinção das ordens religiosas em 1834, passando assim a ser uma Ordem de mérito. Em 1910 extinguiu-se esta Ordem, sendo que em 1918 foi reformulada pela I Republica. Esta Ordem tem apenas cinco graus: 1º Cavaleiro ou Dama; 2º Oficial; 3º Comendador; 4º Grande-Oficial; 5º Grã-Cruz;

 


Mestres Portugueses


1. Afonso Henriques, Irmão Templário (13.03.1129)
2. Guillaume Ricardo (1127 - 1139)
3. Hugues Martins (1139)
4. Hugues de Montoire (1143)
5. Pedro Arnaldo (1155 - 1158)
6. Gualdim Pais 1160 Gualdim Paes (1158 - 1195)
7. Lopo Fernandes
8. Fernando Dias (1202)
9. Gomes Ramires (1210 - 1212)
10. Pierre Alvares de Alvito (1212 - 1221)
11. Pedro Anes (1223 - 1224)
12. Martin Sanchez (1224 - 1229)
13. Estevão Belmonte (1229 - 1237)
14. Guillaume Fouque ou Fulco (1237 - 1242)
15. Martim Martins (1242 - 1248)
16. Pedro Gomes (1248 - 1251)
17. Paio Gomes (1251 - 1253)
18. Martim Nunes (1253 - 1265)
19. Gonçalo Martins (1268 - 1271)
20. Beltrão de Valverde (1273 - 1277)
21. João Escritor (1280 - 1283)
22. João Fernandes (1283 - 1288)
23. Afonso Pais-Gomes (1289 - 1290)
24. Lourenço Martins (1291 - 1295)
25. Vasco Fernandes (1295 - 1306)

 


Castelos (chamados dos Templários, em Portugal)

 

Castelo de Soure (1128) Castelo de Longroiva (1145) Castelo de Cera (1159) Castelo de Tomar (1160)
       
Castelo de Pombal (c. 1160) Castelo de Almourol (1171) Castelo de Penamacor (c. 1199)  Castelo de Castelo Branco (1214)


 

 

Mosteiros:
 

Convento de Cristo, em Tomar

 

 

Mestre Gualdim Pais

 

Gualdim Pais foi um Cavaleiro Medieval que nasceu possivelmente em Amares em 1118, e teria sido armado cavaleiro em Ourique por D. Afonso Henriques. Com a cruz dos cruzados, partiu para a Palestina, onde teria participado no Cerco de Gaza. Já em Portugal, pertencendo á Ordem do Templo, foi eleito comendador da Casa que a Ordem tinha em Braga.
D. Afonso Henriques, em 1152, fê-lo comendador de Sintra, dando-lhe casas e fazendas, e em 1157 foi elevado a grão-mestre da Ordem dos Templários.
D. Gualdim Pais veio a construir o Castelo de Tomar. Em Setembro de 1169, ficou encarregado da defesa da fronteira da Estremadura e também do prosseguimento da conquista, tendo como recompensa um terço de tudo quanto ganhasse para o reino.
Em 1184 regressou a Tomar, pois a cidade estava sob cerco.
Foi fundador dos Castelos de Almourol, Ceres, Idanha, Monsanto, Pombal e Tomar e concedeu várias cartas de foral a variadas terras da ordem. D. Gualdim Pais, faleceu em 1195, encontrando-se sepultado na Igreja de Santa Maria do Olivais em Tomar.


 


Infante D. Henrique


O Infante D. Henrique chegou a Tomar no ano de 1417 e no ano seguinte efectuou as primeiras aventuras marítimas.
D. Henrique, governador da Ordem de Cristo, em 2 de Janeiro de 1443, com o consentimento do Papa Eugénio IV, reformou esta Ordem de modo a torná-la mais apta para as suas empresas descobridoras e comerciais.
Tomar ganhou um grande desenvolvimento com o Infante D. Henrique, uma vez que foi ele quem projectou a parte antiga da cidade (todas as ruas são perpendiculares ao rio e paralelas entre si). Concedeu todas as facilidades necessárias para que se fixassem pessoas em Tomar, um bom exemplo são os judeus, para os quais se fez a Judiaria com a Sinagoga.
Reedificou a Corredoura, actual rua de Serpa Pinto, a Igreja de S. João e a respectiva rua, prolongou a rua Direita e Pé da Costa até à Várzea Pequena. Iniciou também a construção da rua dos Oleiros, actual rua Alexandre Herculano, a rua Gil de Avô e do Camarão, edificou também o Palácio dos Estaus e o Hospital de Santa Maria da Graça.
Na época houve também uma regularização do curso do rio, no qual se drenou e saneou as margens, e o alargamento da levada dos moinhos e lagares. Mais tarde, estes lagares foram ampliados por D. Manuel I, daí o nome de Lagares de El-Rei.
O Infante D. Henrique faleceu em Sagres no dia 13 de Novembro de 1460.

 

 

 

Outras notas:

 

São João de Acre, porto do Mediterrâneo ao norte de Israel. Seu nome foi dado a Acre depois da sua tomada pelos cruzados, em 1104. Integrada no Reino de Jerusalém, a cidade foi conquistada em 1184, por Saladino. Retomada em 1184 por Ricardo Coração de Leão, tornou a cair em 1291, ficando nas mãos dos muçulmanos. Resistiu às tropas de Napoleão Bonaparte, por ocasião da campanha do Egipto, em 1799.

 

 

 

 

 

O Rei Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado seguindo o plano arquitectónico transmitido por David, seu pai (1Reis 6:1; 1Crónicas 28:11-19). O trabalho prosseguiu por sete anos. (1Reis 6:37, 38) Em troca de trigo, cevada, azeite e vinho, Hiram ou Hirão, o rei de Tiro, forneceu madeira do Líbano e operários especializados em madeira e em pedra. Ao organizar o trabalho, Salomão convocou 30.000 homens de Israel, enviando-os ao Líbano em equipas de 10.000 a cada mês. Convocou 70.000 dentre os habitantes do país, que não eram israelitas, para trabalharem como carregadores, e 80.000 como cortadores (1Reis 5:15; 9:20, 21; 2Crónicas 2:2). Como responsáveis pelo serviço, Salomão nomeou 550 homens e, ao que parece, 3.300 como ajudantes. (1Reis 5:16; 9:22, 23)
O templo tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo e do Santo dos Santos, ou Santíssimo, sendo maiores do que as do tabernáculo. O Santo tinha 40 côvados (17,8 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. (1Rs 6:2) O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados de lado. (1Reis 6:20; 2Crónicas 3:8)
Os materiais aplicados foram essencialmente a pedra e a madeira. Os pisos foram revestidos a madeira de junípero (ou de cipreste segundo algumas traduções da Bíblia) e as paredes interiores eram de cedro, entalhado com gravuras de querubins, palmeiras e flores. As paredes e o tecto eram inteiramente revestidos de ouro. (1Reis 6:15, 18, 21, 22, 29)
Após a construção do magnífico templo, a Arca da Aliança foi depositada no Santo dos Santos, a sala mais reservada do edifício.
Foi pilhado várias vezes. Seria totalmente destruído por Nabucodonosor II da Babilónia, em 586 a.C., após dois anos de cerco a Jerusalém. Os seus tesouros foram levados para a Babilónia e tinha assim início o período que se convencionou chamar de Captividade Babilónica na história judaica.
Décadas mais tarde, em 516 a.C., após o regresso de mais de 40.000 judeus da Captividade Babilónica, foi iniciada a construção no mesmo local, do Segundo Templo, o qual foi destruído no ano 70 d.C., pelos romanos, no seguimento da Grande Revolta Judaica.
Alguns afirmam que o actual Muro das Lamentações era parte da estrutura do templo de Salomão.

Hiran foi o arquitecto que projectou e construiu o Templo de Salomão até a fase de acabamento. Hiram foi emprestado a Salomão pelo rei de Tiro que pediu em troca a manutenção do seu reino durante a construção. Porém, antes de terminar a obra, três encarregados da construção, resolveram arrancar do mestre arquitecto os segredos da construção.
Como fracassaram na tentativa, viram-se obrigados a matá-lo para evitar que este os entregasse a Salomão como traidores. Assim, Salomão precisou contar com a ajuda de Adoniran (o responsável pelos 30 mil homens que trabalhavam na extracção e beneficiamento de madeiras nobres para o Templo) para terminar a obra.

 

 

 

 

 

Fenícios

Os fenícios eram uma antiga civilização que se estabeleceu onde hoje ficam o Líbano e partes da Síria e de Israel. Calcula-se que eles chegaram a essa região por volta do século 30 a.C., mas os historiadores ainda não conseguiram precisar de onde eles teriam partido - especula-se apenas que de algum ponto do golfo Pérsico. Ao longo da costa do mar Mediterrâneo e em ilhas da região, os fenícios montaram várias cidades-estados independentes, como Biblos, Tiro e Tripolis. Tais cidades atingiram o auge por volta do século 12 a.C., quando antigas potências que dominavam essa parte do Oriente Médio - como os impérios egípcio e hitita - estavam enfraquecidos. Aproveitando a oportunidade, os fenícios transformaram suas cidades em importantes pólos comerciais. Como não eram grandes produtores de mercadorias, eles actuavam como uma espécie de importadores e exportadores da Antiguidade. Ou seja, compravam vinho de uma região e vendiam para outra, que por sua vez produzia óleo e assim por diante. Para fazer tantos negócios, os fenícios se especializaram em longas viagens marítimas. Graças a esse espírito comerciante-aventureiro estabeleceram pontos de colonização - que mais pareciam grandes mercados - em várias áreas do mar Mediterrâneo, como no norte da África e na costa da Itália e da Espanha. A partir do século 9 a.C., porém, esse poderio foi se esfacelando aos poucos diante da expansão de outras civilizações do Oriente Médio, como a dos assírios (no actual Iraque) e a dos persas (no Irão). No século 4 a.C., as cidades fenícias perderam de vez sua importância comercial após serem invadidas pelo império de Alexandre, o Grande.

 

 

 

Caldeus

 

A Caldeia era uma região no sul da Mesopotâmia, principalmente na margem oriental do rio Eufrates, mas muitas vezes o termo é usado para se referir a toda a planície mesopotâmica.
A região da Caldeia é uma vasta planície formada por depósitos do Eufrates e do Tigre, estendendo-se a cerca de 250 quilómetros ao longo do curso de ambos os rios, e cerca de 60 quilómetros em largura.
Os Caldeus foram uma tribo (acredita-se que tenham emigrado da Arábia) que viveu no litoral do Golfo Pérsico e se tornou parte do Império da Babilónia

 

 

 

Zorababel

 

Em seu governo, retomou o retorno do segundo grupo de exilados, sob a chefia de Zorababel.
Zorababel foi escolhido pelas autoridades persas para conduzir de volta a segunda caravana dos exilados, por volta do ano 520 a.C. Era filho de Salatiel e neto de Jeconias, rei de Judá. Dario I, rei da Pérsia, constituiu-o governador de Jerusalém e da Judéia, enquanto os profetas Ageu e Zacarias exerciam naquele momento seu ministério profético.
Zorababel é visto por esses profetas como descendente de David, por meio do qual se realizariam as esperanças messiânicas. Para o profeta, Ageu Zorobabel foi escolhido por Deus para uma missão importante na história da salvação.
Na caravana de Zorobabel vieram Josué e seus descendentes. Alguns escritos contemporâneos retrataram uma rivalidade crescente entre o representante político Zorobabel e o representante religioso Josué. Esta cresceu em prejuízo do descendente real e em benefício do sacerdócio. Na visão de Zacarias, duas oliveiras encontram-se ao lado do SENHOR. Uma delas representa o poder espiritual ligado a Josué e, a outra, o poder temporal ligado a Zorobabel. Josué tem a unção sacerdotal e Zorobabel, a unção real. Os dois poderes estão associados aos tempos da salvação e deveriam conviver em paz, mas não conseguem.
Dario I, depois de muita luta, impôs-se em 521 a.C. consolidando o império persa. Incentivou a reconstrução do Templo, a qual foi levada adiante por Zorobabel, apoiado pelos profetas Ageu e Zacarias. O Templo foi reinaugurado em 515 a.C., mas sem a presença de Zorobabel e do profeta Ageu.

 

 

 

Tito - chefe romano

 

 

Cada vez mais se elevavam as vozes contra a odiada Roma. Ao partido dos "zelotes" afluíam fanáticos e rebeldes que reclamavam incansavelmente a supressão do domínio estrangeiro; cada um deles levava um punhal escondido debaixo do manto. Seus actos de violência alarvam o país. Os abusos de força dos procuradores romanos tornavam a situação ainda mais delicada; aumentavam cada vez mais os partidários dos radicais A crescente indignação estourou em franca revolta no meio de 66. Quando, após muitas arbitrariedades, o procurador da Judeia, Floro, requisita 17 talentos do tesouro do Templo, a revolução estoura. Os judeus escarnecem do procurador, fazendo uma colecta para o “pobrezinho” Floro. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém, para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. O povo, em supremo desprezo, não reage diante do saque, e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. Então, os revolucionários chefiados por Eleazar, filho do sumo sacerdote, ocupam o Templo e a fortaleza Antónia. Os judeus de Jerusalém tinham sitiado a única coorte da 3a Gallica, cuja base era nessa cidade; e após dias de luta cruel, tinham matado todos os homens, excepto o comandante da coorte, o prefeito do acampamento, Metilius, mesmo após todos terem se rendido. Ao mesmo tempo, membros da seita zelote tinham se encaminhado para a fortaleza de Masada, no Mar Morto, e massacrado a coorte da 3a lá baseada. Outro bando de rebeldes tinha feito o mesmo na fortaleza de Chipre, que tinha visão panorâmica da cidade de Jericó. Os rebeldes tinham então se espalhado pelo interior do país e ocupado a Judeia e muito da Iduméia e do sul da Galileia. Uma coorte da 3a tinha procurado escapar de sua fortaleza em Macaerus e alcançar a capital provincial, Cesareia. Outra coorte da 3a Gallica, que controlava a cidade portuária de Ascalon, tinha combatido os atacantes, mas estava isolada lá desde então. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue.

 

 

 

Nota Final:


Às 3 da manhã, de 13 de Outubro de 1307, agentes do rei Filipe IV com a autorização do Papa, atacaram.  Num assalto fulminante, acusaram e prenderam vários milhares de Templários por toda a França.
Mas, quando entraram no Castelo do Templo em Paris, sede geral da Ordem, descobriram que todos os documentos e o tesouro tinham sido removidos. 
Também tentaram capturar a frota Templária - a maior da Europa - que estava atracada em La Rochelle.   Mas, uma vez mais se frustrou a intenção: a frota já tinha partido.
Até hoje, a vasta riqueza dos Templários não foi encontrada;  nem tão pouco foi descoberto para que porto seguiu a frota, ou onde atracou. 

 

 

 

 

 

Considerações


O problema dos Templários não era o fundamento doutrinário nem religioso, mas sim o mundo material que os rodeava. À medida que as riquezas se multiplicavam, foram se tornando agiotas dos reis, cobrando juros exorbitantes, alegando que sua fortuna foi conquistada à custa de muito sangue e assim foram perdendo a sensibilidade da moral, para em seguida tornarem-se beberrões e libertinos, justificando seus bacanais com a desculpa de que Salomão tinha um harém de belas mulheres e nem por isso deixou de levantar o templo mais famoso em honra à divindade.
Em suas missões pelo Oriente, começaram a misturar a doutrina cristã com ensinamentos muçulmanos e a fazer com que tudo se resumisse aos seus rituais - daí a acusação de heresia que viria mais tarde do rei da França, apoiado pela Santa Igreja. No entanto, consideravam Deus como uma Deidade Una, pertencente a todos os povos e sistemas religiosos, sendo exemplo de absoluta bondade e amor.
Mesmo assim, em 13 de Outubro de 1307, Jacques de Molay e todos os templários da França foram presos pelo rei em nome da Inquisição. Foram submetidos à torturas inúmeras, sendo obrigados a confessar seu repúdio à Cristo e a adoração a ídolos infames, como Baphomet (que seria a própria personificação do Diabo).
Paralelamente, o rei (um dos maiores devedores de dinheiro à Ordem) já ia julgando-os a revelia, antecipando a Igreja e ao mesmo tempo se apossando de todos os bens dos templários(e quitando suas dívidas, é claro). Em 11 de Março de 1314 Jacques de Molay pede uma audiência com os inquisidores, e quando todos pensavam que ele iria pedir perdão ao rei, fez o contrário.
O Grão-mestre repudiou sua confissão sob tortura e disse estar preparado para morrer, rejeitando sua condição de réu e condenando o papa e o rei por complô contra a Ordem Templária, deixando claro saber das intenções materiais deles. Foi o suficiente para morrer na fogueira como herege, com o agravante de crime de lesa-majestade. Ato corajoso, mas que lhe custou a vida. Já na fogueira, pronunciou em praça pública suas últimas palavras: "Nekan, Adonay..." e intimou o papa e o rei a comparecerem perante Deus dentro de um ano.
Curioso, mas um ano depois o papa e o rei morreram de um mal misterioso, comparecendo a Deus, conforme a intimação de Molay. O que restou da Ordem Templária está na Maçonaria, que se proclama descendente espiritual da Ordem, embora alguns autores afirmem que esta transmissão se verificou por intermédio da Rosa-Cruz.
 

Paz Profunda

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal