|
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

BANDEIRANTES - Os grandes desbravadores do
Brasil
No português medieval se designava por
bandeira (de onde advém o nome bandeirante)
o conjunto de cinco ou seis lanças,
compreendendo-se por cada lança o homem de
armas, o escudeiro, o pajem, dois arqueiros,
os besteiros e um cutileiro. No sistema de
milícia adotado, durante a Idade Média, em
Portugal, uma bandeira compreendia de 30 a
36 homens.
Nada menos de 5 milhões de Km2 dos 8,5
milhões de Km2 do território brasileiro
devem-se à determinação de um grupo de
exploradores que, atuando por conta própria
e quase secretamente, enfrentando os
inúmeros perigos das selvas do Brasil. A
pouco e pouco, as linhas de demarcação da
terra iriam consolidar-se numa nova
configuração geográfica, empurrando para a
bacia do rio da Prata a velha linha do
Tratado de Tordesilhas, dando à colónia do
Brasil o traçado de onde iria surgir uma
nova nação: o Brasil moderno, nascido
monárquico e independente.
Embora o fulcro principal do Bandeirismo
tenha sido o aglomerado que surgiu em torno
do Colégio dos Jesuítas, no planalto de
Piratininga, e que o padre Manuel da
Nóbrega, seu fundador, dedicou ao apóstolo
São Paulo, existiu, na verdade, um outro
núcleo importante em Belém do Pará, Houve,
portanto, um bandeirismo paulista e um
bandeirismo amazónico. O de São Paulo foi
mais característico e estável; o do Pará,
após a expansão inicial, frustrou-se. O nome
mais importante do bandeirismo paulista é,
inegavelmente, António Raposo Tavares (01),
português de nascimento, ao contrário dos
restantes, que eram mestiços. No bandeirismo
amazónico, a figura mais impressionante e
quase única é Pedro Teixeira (02), que subiu
o Amazonas até ao Marañon, no Peru.
Aos bandeirantes paulistas deve-se a
descoberta de ouro em Mato Grosso e Minas
Gerais, a ocupação das terras situadas na
bacia do rio São Francisco, a destruição de
um Estado formado por escravos fugidos, o
Quilombo dos Palmares, em Alagoas e
Pernambuco, o desbravamento e ocupação das
terras interiores do Nordeste até ao Piauí.
Ambos os ciclos bandeirantes expandiram os
limites do território brasileiro para além
dos fixados pelo Tratado de Tordesilhas, de
7 de Junho de 1494, no qual a Espanha e
Portugal dividiram entre si as terras
situadas no Atlântico Sul. Nos termos deste
tratado, a linha de fronteira
luso-brasileira passava pelas proximidades
das cidades de Cananeia, no Sul, e Belém, no
Norte, deixando à Espanha praticamente toda
a bacia amazónica, além da totalidade do
território da Paraná, Santa Catarina, Rio
Grande do Sul, Mato Grosso, dois terços do
território de São Paulo, Goiás e nove
décimos do Pará e todo o Amazonas e grande
parte de Minas Gerais, totalizando cerca de
5,5 a 6 milhões de Km2. Esta grande extensão
de terra foi incorporada ao território
brasileiro pelo esforço gigantesco das
bandeiras paulistas e amazónicas.
(01) - António Raposo Tavares
Nascido em São Miguel do Pinheiro, concelho
de Mértola e distrito de Beja, Portugal,
filho de cristãos novos. Chegou ao Brasil em
1618 com o pai, Fernão Vieira Tavares,
designado capitão-mor governador da
capitania de São Vicente em 1622. Era assim
proposto do conde de Monsanto, donatário da
capitania de São Vicente. A mãe era
Francisca Pinheiro da Costa Bravo. António
Raposo, aliás, nunca perderia contacto com
os interesses da Coroa.
Morto o pai (1622), transferiu-se para o
planalto de Piratininga, fixando-se na vila
de São Paulo, onde logo se entusiasmou em
participar nas expedições destinadas a
aprisionar índios. De São Paulo partiu sua
primeira bandeira, da qual era chefe nominal
Manuel Preto, com um efetivo de cem
paulistas e 2 mil índios auxiliares, seis
anos mais tarde (1628). Esta expedição,
dividida em quatro companhias, rumou para o
Guaíra (no atual Estado do Paraná) e diz-se
que ela iniciou o processo de expulsão dos
jesuítas espanhóis, ampliando as fronteiras
do Brasil e assegurando a posse dos
territórios dos atuais estados do Paraná, de
Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul. À
frente de novecentos brancos e mamelucos e
dois mil índios, uma verdadeira cidade em
marcha. A vanguarda de sua bandeira, pequena
coluna comandada por António Pedroso de
Barros, livre de quase todo equipamento,
seguia mais depressa. A retaguarda era
chefiada por Salvador Pires de Mendonça.
Pedro Vaz de Barros, Brás Leme e André
Fernandes comandavam companhias. Formando
sistema com a bandeira, outra tropa
comandada por Mateus Luís Grou varou os
sertões de Ibiaguira nas cabeceiras do rio
Ribeira. Comandados, seguiam na bandeira,
entre outros, Frederico de Melo, João
Pedroso de Barros, António Bicudo, Simão
Álvares. Ia com eles ia o cacique Tataurana,
capturado no local. Raposo Tavares estivera
em Portugal em 1647, sendo "encarregado de
uma missão em grande parte secreta". A sua
última expedição foi chamada a Bandeira de
Limites ou a grande bandeira aos "serranos",
os limites do Peru:
"Embrenhou-se com algumas dezenas de homens
no território mato-grossense, atingindo,
pelo Madeira, o Amazonas, remontado até às
terras de Quito e depois descido até Belém
do Pará." (Ensaios Paulistanos, p. 634.)
Considerada a primeira viagem em torno do
território brasileiro, partiu em Maio de
1648 do porto de Pirapitingui, em São Paulo,
descendo o rio Tietê rumo aos sertões do
baixo Mato Grosso. Contava com brancos,
mamelucos e mais de mil índios. Um de seus
principais auxiliares foi António Pereira de
Azevedo, baiano.
Oficialmente destinava-se à busca de minas,
sobretudo as de prata. Afirma Jaime Cortesão
em seu livro "Raposo Tavares e a formação
territorial do Brasil" que a parte oficial
era descobrir metais preciosos mas a outra
parte, secreta, seria conhecer melhor o
Brasil para identificar os interesses de
Portugal na região. Em Novembro de 1648
António Raposo ordenou decisivo ataque a
destruição das reduções do Itatim,
combatendo 200 paulistas e mil índios
mansos, e seu auxiliar ainda foi o velho,
sexagenário, Capitão André Fernandes (que
morreria no início da ação, em 1649, em
local tão oposto ao sertão do Sabaraboçu
onde sempre desejara e prometera ir).
Ficaram destruídas as reduções jesuítas da
serra de Maracaju e Terecañi, e depois
Bolaños, Xerez e outras. O ataque produziu
êxodo, mas partiu de Assunção um exército
tão grande que os paulistas resolveram
abandonar a província. A bandeira se dividiu
em duas companhias. Na companhia comandada
por Raposo, era alferes Manuel de Sousa da
Silva. A outra era chefiada pelo baiano
António Pereira de Azevedo. Iniciaram assim
em 1648 a famosa volta que duraria até 1651,
subindo o rio Paraguai, descendo o rio
Mamoré e o rio Amazonas. Teria subido pelo
rio Itatim e pelo rio Paraguai até a
nascente, internando-se de tal modo que se
encontrou com os castelhanos no Peru, depois
desceu em jangadas o rio Guaporé, o rio
Mamoré e o rio Madeira, entrando no
Amazonas. Deteve-se na fortaleza de Gurupá,
no Pará. André Fernandes pereceu no sertão
com toda sua tropa, da qual apenas dois
índios retornariam a São Paulo.
A expedição percorreu mais de 10.000
quilómetros em três anos, tendo usado o
curso do rio Paraguai, do rio Grande, do rio
Mamoré, do rio Madeira e do rio Amazonas. Ao
chegar à foz do Amazonas, em Gurupá, no
Pará, a tropa estava reduzida a 59 brancos e
alguns índios. Da cidade de Belém do Pará,
os sobreviventes à épica travessia da
floresta Amazónica, retornaram a São Paulo,
onde o bandeirante viria a falecer.
(02) Fonte: Câmara Municipal de Cantanhede -
Pedro Teixeira:
Pedro Teixeira, de ascendência nobre, nasceu
provavelmente em 1585, em Cantanhede, cabeça
de concelho do distrito de Coimbra. Nada se
sabe sobre a sua vida em Portugal, mas
sabe-se que casou com Ana da Cunha, de
origem açoriana e que foi para o Brasil em
1607. Começa o seu nome a tomar vulto,
aquando da luta com os franceses, fixados em
S. Luís de Maranhão.
Em 19 de Novembro de 1614 defende com
sucesso o forte da Natividade, em Guaxinguba.
Em 25 de Dezembro de 1615 parte de S. Luís,
em direcção ao Pará, para explorar,
conquistar e colonizar, esta região, aqui
chegando a 12 de Janeiro de 1616, data que
assinala a fundação de Nossa Senhora de
Belém. A 7 de Março do mesmo ano parte
novamente por terra para S. Luís a dar
notícia da fundação da cidade. Aqui chega
passados dois meses, onde é recebido com
assombro e alegria. Tinha sido a primeira
vez que se fazia por terra a viagem entre a
foz do Amazonas e S. Luís. A viagem tinha
sido extremamente dura. A floresta virgem, a
profusão de rios a atravessar, os tupinambás
em arremetidas constantes tinham feito
grandes estragos entre a expedição, mas
Pedro Teixeira tinha cumprido com sucesso a
sua missão. Regressa novamente a Belém, mas
agora por mar. A 7 de Agosto é nomeado
comandante -já com a patente de tenente -de
uma expedição para punir um navio holandês,
que se encontrava no Amazonas. A 9 de Agosto
ataca-o e ao abordá-lo, após renhida luta,
acaba por vencer. Embora ferido, manda
incendiar o barco holandês, retira-lhe a
artilharia, que traz para o forte de
Presépio. Segundo Berredo só se salvou um
rapaz holandês de nome Trombeta, que foi
trazido para Belém como troféu. Por este
feito é promovido ao posto de capitão.
Entretanto passa a Colónia, por grandes
perturbações. Sucedem-se os crimes,
levantamentos e deposições. O assassinato do
capitão Álvaro Neto e a deposição de
Francisco Caldeira Castelo Branco, traz a
anarquia à cidade de Belém. Aproveitam os
tupinambás para atacarem em força a cidade,
colocando os sitiados em posição difícil. Só
uma bala certeira do capitão Gaspar Fragoso
no chefe indígena «Cabelo de Velha»,
consegue criar o desânimo nos hostis
indígenas. Os tupinambás são então
completamente desbaratados. A 20 de Setembro
do mesmo ano, novo levantamento militar .O
capitão-mor Matias de Albuquerque é deposto,
sendo eleita uma Junta Governativa,
constituída por Frei António Marciano,
capitão Custódio Valente e o capitão Pedro
Teixeira. Com a retirada dos dois primeiros
em 1620, fica unicamente Pedro Teixeira no
desempenho do cargo até 18 de Junho de 1621.
É então criado o Estado do Maranhão, sendo
nomeado seu governador Bento Maciel Parente.
Em princípios de 1622 é encarregado Pedro
Teixeira de abrir uma estrada que ligasse as
capitanias do Pará e do Maranhão. Tal
empreendimento não foi concluído por terem
surgido grandes dificuldades, especialmente
pela grande profusão de rios a atravessar.
Continuavam os holandeses a importunar a
fixação dos portugueses na região. É
incumbido Pedro Teixeira da destruição dos
fortes holandeses «Nassau» e «Orange»,
incumbência que cumpre do melhor modo. Em 2
de Maio de 1625 é entregue ao Capitão Pedro
Teixeira a chefia duma expedição para
destruir o forte holandês Mandiutuba,
situado na margem direita do rio Xingu. A
frente de cinquenta i' soldados e
setecentos. índios guerreiros, ataca
simultaneamente o forte por terra e pelo
rio. Apesar da valente resistência do
capitão Nicoláo Ondaen e da sua bem
organizada tropa, ao cair da noite o forte
estava em seu poder.
Em 1626 faz uma expedição de exploração pelo
Baixo Amazonas. Sobe o rio Preto onde faz
uma exploração meticulosa das suas margens e
cria boas relações com os ""- nativos. Em
Setembro de 1629 é incumbido de expulsar os
ingleses sediados no forte «Torrêgo», nas
margens de Tareiú, subafluente do Amazonas.
A 24 de Outubro, após renhida luta, o forte
cai em seu poder, tendo morrido em combate o
seu comandante. Poucos dias depois chega ao
Amazonas o capitão inglês Robert North, que,
ao tomar conhecimento do acontecido no forte
«Torrêgo», procura vingar a derrota dos seus
compatriotas. Com dois navios ataca o forte
de Santo António, em Gurupá, onde se
encontrava Pedro Teixeira. Trava-se renhido
tiroteio e como não conseguisse vencer as
baterias portuguesas, resolve assaltá-lo.
Pedro Teixeira e a sua guarnição defendem-se
galhardamente e os ingleses completamente
derrotados, retiram-se para a margem
esquerda do Amazonas, onde irão construir um
forte. Em 1631, unia expedição comandada por
Jácome Raimundo de Noronha, destrói este
forte e os ingleses que o guarneciam são
trazidos prisioneiros para Belém. Foi esta a
última tentativa dos ingleses para se
manterem no Amazonas.
No Norte, os bandeirantes amazónicos
utilizaram exclusivamente o sistema fluvial,
guiados pelos índios arauqques. No Sul, os
bandeirantes paulistas percorreram as
trilhas e caminhos indígenas, guiados pelo
índios tupis (03) e tribos tupinizadas. O
principal caminho (o Piabiru) estendia-se
por cerca de 200 léguas de sesmaria pelo
interior do continente, ou seja
aproximadamente 1400 Km, ligando São Paulo,
no litoral, ao Paraguai. Este foi o caminho
desbravado primeiramente pelos jesuítas do
Colégio de São Paulo para alcançar o Peru,
e, depois, o caminho de internamento das
bandeiras que buscavam guaranis pacificados
das missões dos jesuítas e os índios das
tribos guaranizadas para vendê-los como
escravos. Os índios arauaques, aliados dos
bandeirantes na Amazónia, ocupavam uma
extensa área que ia desde o Orenoco, pelo
vale dos rios Amazonas, Madeira-Mamoré e
Guaporé, até ao Alto e Médio Paraguai. Os
Tupi-Guaranis (04) adensavam-se na bacia do
rio da Prata e estendiam-se, aparentemente
sem solução de continuidade, até à vasta
zona geográfica das florestas tropicais
húmidas, alcançando, já em tempos
históricos, a ilha de Tupinabarana,, em
águas amazónicas. Essa grande extensão
geográfica das culturas tupi-guaranis
acarretava relações muito intensas entre as
tribos, das quais a colonização portuguesa
soube sabiamente tirar partido. A expansão
bandeirante não pode ser explicada sem a
constatação do aproveitamento das relações
intertribais das culturas tupi-guarani e
arauaque. Os índios forneceram o
conhecimento dos caminhos por terra, da
navegação pelos rios, desvendando ao
colonizador a rede fluvial do rio da Prata e
do Amazonas.
(03) Fonte: “Tribos Brasileiras (Yorovaldo
Kayté) :Tupis
Em etnologia, o termo tupi remete a grupos
indígenas cujas línguas pertencem ao tronco
tupi. A referência clássica designa os povos
que habitavam a estreita faixa da planície
litorânea atlântica, desde o Estado do Rio
Grande do Sul, para o Norte, até o Estado da
Bahia, ou segundo alguns autores, até o
Estado do Pará ou Amazonas.
Em um sentido mais amplo, por suas
similitudes culturais e étnicas, foram
reunidos aos guaranis que se restringiam ao
sul e sudoeste do Brasil, (inclusive
Paraguai e Bolívia) no grande grupo étnico e
linguístico denominado "Tupi-Guarani".
Embora cultural e etnicamente similares às
tribos que habitavam o interior do
continente, estes e grande parte dos autores
os distinguiam daqueles povos reunidos em
outros subgrupos, o principal o dos jês ou
tapuias.
Estudos bem fundamentados demonstram que os
tupis habitaram originalmente a região do
atual Estado do Amazonas, tendo permanecido
por longo tempo na margem meridional (sul)
do rio Amazonas. Estas tribos, que sempre
foram nómadas, iniciaram uma trajetória em
direção à foz do rio Amazonas e de lá pelo
litoral para o sul. Supõe-se que esta
migração, que teria também ocorrido, em
menor grau, pelo continente adentro, no
sentido norte-sul, tenha se iniciado há
cerca de 1.500 anos.
Alguns autores sustentam que nesta
trajetória os tupis enfrentaram-se com os
tupinambás que já habitavam o litoral,
outros sustentam que apenas se tratava de
levas sucessivas do mesmo povo, os
posteriores encontrando os anteriores já
estabelecidos.
(04) Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA
CATARINA - Tupi-guarani
Entre cerca de 1.500 e 1.000 depois de
Cristo, no Brasil encontravam-se núcleos de
povoamento tupi-guarani que se caracterizam,
entre outras coisas, por serem agricultores
de florestas tropicais. A partir do local
que hoje é o estado de Rondónia, os grupos
dispersaram-se pelas bacias do Rio Paraguai,
ocupando depois o litoral brasileiro. Apesar
de possuírem modos de vida parecidos e
culturas semelhantes, não formavam um único
tipo de sociedade. Às vezes os grupos eram
rivais uns dos outros, sendo as diferenças
regionais. Sistema tribal - a forma de vida
tupi-guarani
Organizados em sistemas tribais, que se
caracterizam pelas relações de parentesco,
ou seja, a cooperação entre descendentes de
um ancestral em comum, os índios
tupi-guaranis se agrupavam em aldeias. As
aldeias se localizavam geralmente próximas a
rios e eram cercadas. Dentro do espaço
cercado construíam-se as casas e formava-se
o pátio. Neste pátio eram realizadas as
reuniões da comunidade, as cerimónias, ou
seja, os fatos importantes da aldeia. As
casas eram construídas de madeira e cobertas
com folhas de palmeiras. Em cada casa vivia
uma família, constituída não apenas de mãe,
pai e filhos, mas de um chefe e todos os
seus descendentes.
Cada aldeia tinha um líder (cacique) que a
representava e que era o mais valente nas
guerras. Mas não existiam diferenças entre o
que as pessoas possuíam ou faziam, mas sim
uma divisão de tarefas entre homens,
mulheres e crianças. As mulheres cuidavam
das crianças, da comida, da plantação, da
colheita, da preparação das bebidas, da
fabricação de cerâmica; enquanto os homens
caçavam, pescavam e lutavam nas guerras. O
líder de cada aldeia não tinha o poder de um
rei. Ele trabalhava como os outros homens do
grupo, e seu poder de liderança era exercido
durante as reuniões, nos períodos de guerra
ou em situação de calamidade. Quando havia
alguma ameaça à tribo ou um grande trabalho
a fazer, todos se uniam.
Os índios faziam grandes vasilhas de
cerâmicas para o preparo das bebidas e
depósito de alimentos. Muitas vezes
enterravam seus mortos dentro desses grandes
vasos, que, reutilizados eram transformados
nas chamadas urnas funerárias. Os indígenas
produziam também objetos de cerâmica,
adornos de conchas, de pedras e de penas.
Alguns dos objetos de adorno eram usados em
atividades sociais coletivas, festas e
rituais.
Em algumas tribos tupi-guaranis encontramos
a prática do canibalismo. Nestes rituais,
estas tribos acreditavam que ao comerem o
inimigo ganhariam a força e as habilidades
dele. Ao matar seu inimigo o índio recebia
mais um nome aumentando sua autoridade
diante do grupo. As cerimónias religiosas
eram dirigidas por homens, chamados pajés,
mas as mulheres participavam dos rituais
como profetisas. Eles davam muita
importância aos sonhos e profecias e em
época de conflitos e nunca partiam para um
combate sem antes ouvir pajé. Acreditavam
nos espíritos, principalmente dos parentes
mortos. Apresenta-se como característica da
sociedade tupi o respeito e valorização do
conhecimento das pessoas mais velhas. A
educação das crianças era responsabilidade
não somente das mães e dos pais, como de
toda a comunidade.
Os dois núcleos principais das bandeiras,
São Paulo e Belém do Pará, não constituíam
centros económicos importantes na vida da
colónia. Ambas as localidades se
caracterizavam por uma economia de Coleta e
apresamento de mão-de-obra, sendo portanto,
centros económicos pobres. São Paulo, além
da caça ao índio, vivia da bateira de ouro
nos rios, constituindo esse ouro aluvial,
depois dos escravos índios, a sua principal
riqueza. Deste modo foram descobertas as
ricas minas de ouro de Minas Gerais, assunto
já do século XVIII. Belém do Pará, além da
exploração da mão-de-obra indígena escrava,
vivia da colecta das especiarias do sertão.
Em busca dessas especiarias, que apenas
podiam ser encontradas no interior das
florestas equatoriais húmidas, desbravaram
os rios Solimões, Madeira e Jupurá,
incorporando ao território colonial o rico
sistema fluvial em torno destes grandes
rios. Flotilhas de contrabandistas subiam os
rios Içá, Napo, Pastaza, Santiago, Marañon e
Huallaga, indo vender as suas mercadorias em
Pasto (Colômbia), Ávila, Quito e Ambato
(Equador), e em Jaén, Moyobamba e Lamas
(Peru). A ligação do Orenoco com o rio Negro
através do Casiquiare já lhes era conhecida.
Foram as informações dos índios chanés (04),
do grupo arauaque, que tornaram as viagens
na rede fluvial ao sul da bacia amazónica,
rompendo até ao Guapaí e ao Alto Pilcomayo,
juntando-se a essas informações as
fornecidas pelos índios chiriguanos (5), do
grupo guarani.
(04) Fonte: Isabelle CombèsI; Diego VillarII
(IPesquisadora do Institut Français dÉtudes
Andines, Bolívia; IIPesquisador do CONICET,
Argentina.
Índios Chanés
No final do século XVIII, com a mestiçagem
consumada, o destino dos Chané parecia
selado. Desapareceram como etnia,
transformaram-se em Chiriguano, e sua
lembrança elusiva aflora somente em
vestígios da cultura material: as máscaras,
as técnicas de rega e de tecer, os estilos
de olaria. Esta perspectiva é correta em
suas linhas gerais. No entanto, 15 anos
depois parece-nos incompleta, quem sabe
vítima inconsciente do imperialismo "guaranizante"
que acomete em maior ou menor medida a
etnologia chiriguano. Quando centramos o
olhar nos Isoseño bolivianos e nos Chané
argentinos, é possível matizar, relativizar,
atualizar algumas das conclusões de Alter
Ego.
A "guaranização" dos Chané certamente
existiu, mas desenvolveu-se paralelamente a
uma "chaneização" dos Guarani que foi muito
mais profunda e duradoura do que então se
imaginava, atualmente percetível além da
cultura material. Por exemplo, dedicamos
recentemente estudos comparativos à
organização sociopolítica chiriguano e chané
destacando seu indiscutível influxo arawak (Combès
& Villar 2004, Combès & Lowrey 2006). As
linhagens de caciques chané e isoseño ainda
transmitem bens materiais e simbólicos,
mantendo uma relação privilegiada com a
língua, a memória coletiva e a
conceitualização do espaço e do tempo. Os
capitães sabiam e ainda sabem explorar à
perfeição o jogo das alianças, administrando
com maestria as redes de parentesco para
obter vantagens políticas. Apelam, segundo
as circunstâncias, para diversas estratégias
de abertura da rede de afins (poliginia dos
líderes, nomeação de parentes como capitães
subalternos) ou de contração da mesma (matrimónio
avuncular, repetições de alianças).
Conseguem – ao se servirem alternativa e
seletivamente da hipergamia e da hipogamia,
da exogamia e da endogamia, do direito de
sangue ou do direito de escolha, da
descendência e da aliança, da
patrilinearidade do cognatismo ou da
matrilinearidade – traduzir conflitos
políticos, queixas económicas, disputas pelo
poder e reivindicações étnicas ou
territoriais em uma linguagem única,
totalizadora, compreensiva, que constrói uma
legitimidade concebida em termos de pureza
étnica parentesco e aliança.
Tanto entre os Chané como entre os Isoseño,
constata-se uma ideologia muito explícita da
estirpe, da ascendência, do nível, da
genealogia, da hierarquia e da
consanguinidade real ou fictícia; afirma-se
que a pertença à elite é uma questão de
"sangue", de "pureza", de "herança" ou mesmo
de "raça". Os Isoseño falam de ñemunia ete
(engendra/reproduzir + sufixo de
intensidade) ou anete ñemunia, "a família
verdadeira" – termos que se traduzem em
espanhol como "família real". As garantias
tradicionais dessa "pureza" étnica eram,
precisamente, as linhagens de caciques,
decididamente endogâmicas na ideologia
colectiva mais notória nos últimos rincões
chané da Chiriguania. Essa tendência, não
obstante, encontra-se vigente em todas as
zonas "guarani" da Bolívia. Susnik notava,
assim, a presença de uma "certa consciência
da pureza ava, particularmente na categoria
dos caciques" (1968:38). Porém, mais
interessante ainda, tudo indica que esta
ideologia da estratificação social, tão
estendida entre os "guarani", é uma
instituição de origem arawak.14 Não se trata
de um fenómeno limitado ao testemunho
etno-histórico, mas que repercute
quotidianamente em contextos como a
reivindicação étnica, a estruturação da
história oral e da memória volitiva, a
reciclagem onomástica ou o reconhecimento
genealógico (Combès 2005; Combès & Villar
2004; Bossert & Villar 2004a e 2005).
(05) Fonte: A Nova Democracia "Os Valentes
Chiriguanos:
Índios chiriguana
Como toda verdadeira nacionalidade que
pretende converter-se em nação, a Chiriguana
(Ava) tem sua própria história e também
naturalmente momentos especiais nos quais se
manifestam, com toda a força, as aspirações
de autodeterminação. A nacionalidade
Chiriguana havia sido despojada de seus
territórios e visto sua população ser
completamente explorada desde as épocas
coloniais (séculos 16 a 19). O chiriguano
não aceitou nunca a dominação — fosse
quêchua (incas) ou colonial, e nem a
republicana — e assim coincidimos com
Lorenzo Calzavarini (La nación chiriguana,
Edit. Amigos del libro) quando sustenta que
eles resistiram à dita dominação com todos
os meios a seu alcance. A chegada da
República (na Bolívia) não constituiu
nenhuma garantia, sequer um paliativo, à sua
situação de cultura agredida. Pelo
contrário: o saque e o genocídio
alcançariam, com a República, níveis muito
altos. A nacionalidade Ava tomou, então, o
caminho da resistência armada.
O pequeno povoado paulista, apertado pela
serra do Mar, via os seus rios nascerem a
pequena distância do litoral, porém com o
seu curso dirigido para o interior do
sertão. Ao invés de descerem serra abaixo e
desaguarem no mar, eles corriam sertão
adentro, como o Tietê, indicando, deste
modo, a direção às bandeiras paulistas.
Atravessado o sertão selvagem, esses rios
iam desaguar na bacia do rio da Prata. Este
papel geográfico dos rios paulistas,
indicando aos bandeirantes o sertão de
índios e riquezas fabulosas, foi a condição
natural para o desempenho histórico das
bandeiras, que conduziram a fronteira
política do império português na América aos
limites da bacia pratina. Nos fins do século
XVI, os índios do planalto paulista e da
costa do lagamar santista foram vencidos
pela superioridade da colonização lusitana,
escravizados ou postos em fuga,
internando-se no sertão. Ainda neste século,
partindo de São Paulo as chamadas
protobandeiras do misterioso Aleixo Garcia
(06) , em 1526, de Pêro Lobo (07), em 1531 e
de Cabeza de Vaca em 1541. A primeira
notícia mais ou menos oficial de uma
bandeira operando com colonos índios
vicentinos data de 1562, dirigida por Brás
Cuba (08) e Luís Martins, mas ignora-se o
seu itinerário. Acredita-se que tenha
percorrido cerca de 300 léguas de sertão e
que teve como objetivo a busca de ouro,
cujos vestígios só foram encontrados em
Jaraguá, nas proximidades de São Paulo.
Noutras regiões do Brasil iniciavam-se as
entradas ao sertão. De Ilhéus partiu Luís
Alavares Espinha em direção a oeste, de
Pernambuco saíram Francisco de Caldas,
Gaspar Dias de Taíde e Francisco Barbosa em
direção ao sertão do São Francisco. Data de
1538 o chamado ciclo das esmeraldas. De
Porto Seguro partiu para o sertão Filipe
Guilhem. Outras entradas conhecidas são as
de Miguel Henriques em 1550, Francisco Bruza
de Espiñosa (09) em 1554 ao vale do
Jequitinhonha, Vasco Rodrigues Calda em 1561
ao sertão do Paraguaçu, Martim Carvalho em
1567 ao norte de Minas Gerais e Sebastião
Fernandes Tourinho (10) em 1572 aos rios
Doce e Jequitinhonha. Em fins do século XVI,
João Coelho de Sousa morria nas selvas das
cabeceiras do Paraguaçu. Belchior Dias
Moreira (11) atingiu com a sua expedição a
chapada Diamantina.
(06) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Aleixo Garcia
São desconhecidos o lugar e a data do
nascimento de Aleixo Garcia, embora se saiba
que tenha origem portuguesa e que faleceu em
terras do atual Paraguai quando retornava de
uma expedição.
Aleixo Garcia participou da expedição
espanhola de Juan Díaz de Solís à América do
Norte e ao Pacífico (1515-1516), a qual
fracassou devido à morte de Juan Díaz e de
parte da tripulação no Rio da Prata, atual
Argentina. No retorno, tiveram de
desembarcar na costa do atual estado de
Santa Catarina, Brasil, onde se inteiraram
da existência de "grandes riquezas" no
interior do continente. Poucos anos depois,
Aleixo Garcia organizou por sua conta uma
nova expedição, da qual fez parte um grande
número de guerreiros avá (guaranis), para
percorrer aquelas terras. Entre 1521 e 1525,
percorreu o rio Paraguai chegando até os
limites orientais do Tawantinsuyu, passando
pela região de Cochabamba no que hoje é a
atual Bolívia e atravessando a parte norte
do Chaco. A expedição conseguiu encontrar as
riquezas que buscava, mas foi atacada pelos
paiaguás, que mataram a maior parte de seus
integrantes, entre eles Aleixo, que foi
enterrado onde hoje se encontra a cidade de
São Pedro de Ycuamanyju, capital do
departamento paraguaio de São Pedro. A
expedição organizada por Aleixo Garcia
partiu no verão de 1524 do Porto de Patos,
na costa de Santa Catarina, rumo ao Alto
Peru. Desde o que restara da expedição de
Juan Díaz de Solís chegara nesse porto,
Aleixo Garcia passara 8 anos ali, convivendo
com os nativos. Foi no local que ouviu falar
da riqueza dos Incas em relatos que narravam
uma montanha de prata e um poderoso rei
"branco". Reuniu um grupo de dois mil
homens, a imensa maioria ameríndios, e
partiu à conquista do Império Inca, seguindo
o antigo Caminho do Peabiru. A expedição
demorou quatro meses para chegar ao lugar
onde hoje se encontra a cidade de Assunção,
no Paraguai. Alimentavam-se coletando frutos
silvestres e mel. Quando chegaram às
fronteiras Incas, próximas à atual cidade de
Sucre, atacaram os postos fronteiriços e
chegaram a menos de 150 km de Potosí que,
então, era uma montanha de prata e havia
gerado as histórias que Aleixo Garcia ouvira
em Santa Catarina. O "rei branco" era o inca
Huayna Capac, que residia em Cuzco. Uma vez
tendo saqueado a zona por onde passou,
levando muito ouro e prata, retornou pelo
rio Paraguai, onde a expedição foi atacada
por indígenas chamados de "Payaguá" pelos
guaranis, e boa parte da expedição,
incluindo Aleixo Garcia, foi morta. A rota
aberta por Aleixo Garcia foi posteriormente
muito utilizada. Por ela passaram Martim
Afonso de Sousa, que fundou a cidade de São
Vicente, Álvar Núñez Cabeza de Vaca (em
1541) e Ulrich Schmidel (em 1553). Por esses
mesmos caminhos, passaram os Jesuítas, que
fundaram as missões onde se cristianizava os
guaranis.
Os nomes "Argentina" e "Rio da Prata"
A origem dos nomes "Argentina" e "Rio da
Prata" não se deve à abundância desse metal
em terras argentinas ou riopratenses. Em
1526, foram encontrados no estuário da
desembocadura do rio Uruguai, no Atlântico,
indígenas que traziam muita prata. Sebastião
Caboto, que foi quem os encontrou, pensou
que houvesse abundância de prata no estuário
de posterior nome, e assim o apelidou. Esses
indígenas eram remanescentes da expedição de
Aleixo Garcia ao Peru. Mas, mesmo que se
tenha clarificado a procedência dos metais
que traziam, os nomes permaneceram. Dali se
estendeu o de Argentina (de argentum, prata
em latim), que foi usado pela primeira vez
no poema histórico La Argentina o la
conquista del Río de la Plata, publicado em
1602 por Miguel del Barco Centenera.
(07) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre
: Pêro Lobo
Há relatos de que os campos de Curitiba
foram descobertos pela expedição de Pêro
Lobo, em 1531.
A expedição bandeirante havia partido de
Cananéia em busca de ouro e prata na região
dos Incas, seguindo uma trilha indígena que
passava por aqui e seguia pelos arredores da
atual cidade de Ponta Grossa até onde hoje é
o Paraguai. No entanto, a expedição acabou
sendo trucidada pelos índios guaranis, nas
proximidades de Foz do Iguaçu, durante a
travessia do Rio Paraná.
(08) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Brás Cubas
Brás Cubas, nasceu e morreu no Porto,
respetivamente em1507 e 1592) foi um fidalgo
e explorador português. Fundador da vila de
Santos (hoje cidade), governou por duas
vezes a Capitania de São Vicente (1545-1549
e 1555-1556). É considerado por alguns
historiadores como fundador de Mogi das
Cruzes, em 1560. Filho de João Pires Cubas e
de Isabel Nunes, chegou ao Brasil no ano de
1531 com a expedição de Martim Afonso de
Sousa, fundador da vila de São Vicente.
Em 1536 recebeu sesmarias na recém-formada
Capitania de São Vicente, onde desenvolveu a
agricultura da cana-de-açúcar e montou
engenho de açúcar. Chegou a ser o maior
proprietário de terras da baixada santista,
fundando um porto, uma capela e um hospital
- a Santa Casa de Misericórdia de Todos os
Santos (1543), que dariam origem à vila,
atual cidade de Santos. Sendo o porto de
Santos mais bem localizado que o de São
Vicente, Brás Cubas foi o responsável pela
transferência do porto da Ponta da Praia
para o centro, nas cercanias do Outeiro de
Santa Catarina. Capitão-mor de São Vicente
(1545), em 1551, foi nomeado por D. João III
Provedor e Contador das rendas e direitos da
Capitania; no ano seguinte, fez erguer o
Forte de São Felipe na ilha de Santo Amaro.
Teve participação destacada na defesa da
Capitania contra os ataques dos Tamoios,
aliados aos franceses. Mais tarde, por ordem
do terceiro Governador-geral Mem de Sá,
realizou expedições pelo interior em busca
de ouro e prata. Teria chegado até à chapada
Diamantina no sertão da Bahia.
Suas tentativas de escravizar os indígenas
resultou numa revolta que acabou por
determinar o surgimento da Confederação dos
Tamoios, que só pôde ser parcialmente
contida pela atuação dos padres jesuítas
Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Ao
falecer, era fidalgo da Casa Real e um dos
homens mais respeitados da Capitania. O
título de Alcaide-mor da vila de Santos
passou a seu filho, Perro Cubas. Em seu
epitáfio está registado que descobriu "ouro
e metais em 1560". Em 1578, aliás, era
corrente a notícia da existência das minas
de ouro e prata na Capitania, segundo um
súbdito inglês residente em Santos.
Não tem nenhuma relação com o personagem
homónimo de Machado de Assis, apesar do
personagem fictício referir-se ao Brás Cubas
histórico no início da obra Memórias
Póstumas de Brás Cubas.
(09) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Francisco Bruza Espinosa
Francisco Bruza Espinosa, castelhano, foi
dos primeiros desbravadores do sertão da
Bahia ainda no século XVI. Seu nome se grafa
também Francisco Bruzo Espinosa, sendo ainda
encontrado como Francisco Bruza, Bruzza,
Brueza de Espinosa, Espinhosa, Espiñosa ou
Spinosa. Em 1553, D. João III ordenou ao
governador-geral Tomé de Sousa explorar as
nascentes do rio São Francisco, pois fora
informado que os espanhóis haviam encontrado
ouro e esmeraldas do outro lado da linha de
Tordesilhas. A expedição foi encomendada ao
castelhano. Toda região onde está o
município de Salinas, originariamente de
3.689 km2 e abarcando dezasseis distritos e
povoados, teve sua colonização iniciada
nesta metade do século XVI, quando o
desbravador Francisco Bruza Espinosa,
seguindo determinação da Coroa, enveredou
pelo vale do Rio Pardo com numerosa
expedição. Palmilhou os tabuleiros de
pastagens naturais – tinha até jazidas de
sal, indispensável para o gado – e foi sair
do território mineiro para a Bahia onde hoje
está a cidade de Espinosa, que ganhou o
topónimo em sua homenagem.
Seguido as noticias dadas pela expedição de
Espinosa, acorreram à região os chamados
vaqueiros baianos tangendo seus rebanhos,
deflagrando assim o Ciclo do Couro da
Colonização das Gerais. É notório que os
povoados surgidos no curso das atividades
agropecuárias, curso das atividades
agropecuária, notadamente as pastoris, são
de crescimento lento. Os sertões eram
habitados pelos índios tapuias por ocasião
do descobrimento. Cinquenta anos depois no
Governo-Geral de Tomé de Sousa, foi
organizada uma expedição à região sob
comando do espanhol Francisco Bruza
Espinosa. A expedição, da qual fez parte o
padre jesuíta João de Azpilcueta Navarro,
seguiu pelo sul do litoral baiano,
atravessou o vale do rio Jequitinhonha e
atingiu o rio São Francisco. Deixaram Porto
Seguro em Outubro ou Novembro de 1553 e
precisaram de ano e meio para percorrer 355
léguas (2.310 quilómetros), pelo rio
Jequitinhonha, até a Serra do Mar,
alcançando o rio São Francisco, passando ao
rio Verde, finalmente descendo o rio Pardo
até o mar. A crónica da expedição está em
carta do jesuíta escrita em Porto Seguro,
para os seus superiores em Coimbra, a 24 de
Junho de 1555. A ação de colonização
aconteceu muitos anos depois, quando, em
1690, o regente do São Francisco, António
Guedes de Brito, se estabeleceu com duzentos
homens armados na serra Geral, hoje
município do Jacarací, na Bahia. Ali bem
perto formou-se o povoado de Lençóis do Rio
Verde - denominação que se explica pelos
lençóis postos a secar no rio pelas
lavadeiras da região. Esse povoado ficava
nos arredores de uma antiga capela, mais
tarde e a matriz de São Sebastião. Em 1859,
criou-se o distrito de Lençóis, ligado ao
município de Rio Pardo. Posteriormente, em
1923, sob a denominação de São Sebastião dos
Lençóis, é elevado a município, desmembrado
de Monte Azul. O nome Espinosa foi
instituído depois, em homenagem ao
desbravador do local.
(10) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Sebastião Fernandes Tourinho, com Francisco
Bruza de Espinosa e Martim Carvalho, foi um
dos primeiros a percorrer terras hoje
pertencentes ao estado de Minas Gerais. A
região de Ponte Nova tinha como porta
natural o vale do rio Doce. Por ele chegavam
os primeiros exploradores, vindos da Bahia,
a procura da foz desse grande rio. Sabe-se
que Sebastião Fernandes Tourinho tenha
subido o Doce até a sua origem. Ora, hoje é
considerada a origem do rio Doce a união do
Piranga, com o rio do Carmo e o Xopotó,
poucos quilómetros abaixo de Ponte Nova.
Naquela época, então o bandeirante
considerou a "origem do rio Doce" a nascente
do Piranga, do Carmo ou do Xopotó?
J. Capistrano de Abreu, no «Caminhos Antigos
e Povoamento do Brasil», fala que Fernandes
Tourinho teria subido o rio Doce até junto
ao «Cuité».
Já Johann Moritz Rugendas, desenhista,
pintor e gravador alemão, em seu «Viagem
Pitoresca através do Brasil» (1835) afirma:
"Sebastião Fernandes Tourinho foi o primeiro
português que, da costa, penetrou o interior
do pais. Partindo, em 1573, de Porto Seguro,
subiu o rio Doce até as proximidades de Vila
Rica... " passando, portanto e
inevitavelmente - pela região de Ponte Nova.
Na «História do Brasil», de Pedro Calmon,
não se reconhece o percurso exato de
Tourinho: «Largou ele em canoas de Porto
Seguro, alcançou e subiu o rio Doce (que os
índios chamavam Mandij, e explorou-lhe as
margens para o sul, voltando com
alvissareiras noticias de pedras verdes. É a
história das esmeraldas que começa. Pretende
Gabriel Soares que Tourinho tivesse chegado
à vista da Serra dos Órgãos. "
Hoje, é sabido que Fernandes Tourinho não
encontrou as esmeraldas, sonho de muitos
bandeirantes, e podemos questionar,
considerando o pouco conhecimento da
geografia da região e as precárias anotações
que se têm da época, uma possível confusão
da Serra dos Órgãos com os picos íngremes da
região de Ouro Preto ou, mesmo, com as
montanhas escarpadas da serra dos Arrepiados
(Araponga (Minas Gerais)).
Só depois de 1650, com o incentivo dos reis
de Portugal, se intensificaram as incursões
nos territórios mineiros. Na época eram
crescentes os boatos da existência de
verdadeiros eldorados no interior do País.
Essas expedições partiam, entretanto, sem
qualquer outro interesse que não o da
descoberta de ouro e pedras preciosas. Os
desbravadores não pretendiam sesmarias e nem
se interessavam em se fixar nas terras
descobertas.
(11) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Belchior Dia Moreira
Belchior Dias Moreira, bandeirante
brasileiro, tem seu nome ligado à serra de
Itabaiana, nos arredores de Aracaju, e ao
mito do eldorado no Brasil. Era ainda
conhecido como Belchior Dias Moreira ou
Belchior Dias Caramuru, por ser parente de
Diogo Álvares o Caramuru. Seria nascido no
Brasil por volta de 1540, tinha fazendas ou
currais junto a serra do Canini, nos sertões
do rio Real (hoje município de Tobias
Barreto), entre o rio Real e o rio Jabiberi.
Considerado notável colonizador do sertão do
rio Real, onde teria chegado desde 1599,
após haver tomado parte na conquista de
Sergipe, como um dos capitães de Cristóvão
de Barros, segundo informa a «Enciclopédia
dos Municípios Brasileiros».
Ficou famoso por suas buscas do Eldorado,
que localizava na serra de Itabaiana. Até
hoje há quem creia que haveria ali riquezas
em metais e que a área ocultaria um
"carneiro de ouro". O mito surge a partir
das expedições deste aventureiro Belchior
Dias Moréia, que alardeou a descoberta de
uma grande quantidade de prata na região, no
século XVI.
Embora nada tenha sido efetivamente
localizado, a notícia ajudou a impulsionar
outras expedições particulares e
governamentais, que tomaram os caminhos da
Serra nos séculos seguintes. Itabaiana, com
sua velha serra, atraiu aventureiros em
busca da prata que teria sido achada por
Belchior Dias Moréia e durante dois séculos
alimentou entre os brasileiros o sonho de
riqueza. As primeiras minas de prata haviam
sido descobertas no Brasil por Gabriel
Soares de Sousa, que morreu em 1592,
cronista e explorador. Era primo de Belchior
Dias Moréia, que com ele aprendeu a varar os
sertões da Bahia e de Sergipe, em busca de
ouro e prata, mas estava a serviço dos reis
da Espanha. Atraiu com isso o interesse de
Belchior, que veio se estabelecer na terra.
Após dez anos de pesquisa, anunciou a
descoberta das minas de prata. As supostas
minas de Itabaiana jamais foram encontradas.
Se foram descobertas, como afirmava ele, o
segredo ficou guardado. Pedindo mercês em
troca da informação sobre o local das minas,
Belchior foi a Portugal e de lá à Espanha,
em 1600, para conseguir um título de
nobreza. Demorou-se quatro anos, sem
sucesso. Voltaria duas vezes à Europa com
novos insucessos. Os governadores Luís de
Sousa, de Pernambuco, e D. Francisco de
Sousa, da Bahia, marcaram encontro com
Belchior Dias Moreia e viajaram juntos para
Itabaiana, para marcar a localização das
minas. Negando-se a mostrar o local enquanto
não fosse recompensado com as mercês,
Belchior Dias Moréia foi preso e passou dois
anos na cadeia. Antigamente, o rio Orinoco
era o ponto preciso e real onde estaria o
Eldorado, na cabeça das gentes. A partir de
Gabriel Soares de Sousa a perspetiva se
transferirá para as cabeceiras do rio São
Francisco. Mesmo Domingos Fernandes Calabar
(1600-1635), que os portugueses tiveram como
traidor, foi guia de uma expedição holandesa
a Itabaiana em procura do ouro e da prata.
Belchior Dias Moreya morreu em 1619,
deixando um filho – Rubério Dias – tido de
uma índia cariri da aldeia de Geru. Seu neto
Melchior Dias Moréia pretendeu
posteriormente ter descoberto minas de prata
na montanha de Itabaiana. Sem revelar, no
roteiro imperfeito que deixou, sua
localização. Por isso mesmo em 1673 a Coroa
(era regente o Príncipe D. Pedro, futuro rei
D. Pedro II de Portugal) nomeou D. Rodrigo
Castelo Branco como administrador-geral das
Minas de Itabaiana e editou o Regimento
Geral das Minas do Brasil. Era consequência
das incessantes buscas de ouro e prata em
várias partes do território. Coube ao neto
de Rubério Dias, bisneto de Belchior, buscar
os velhos roteiros, a partir das terras do
morgado do velho descobridor e sertanista.
Tratava-se do coronel Belchior da Fonseca
Saraiva Dias Moreya, apelidado o Moribeca.
Num engodo, apresentara ao governador Afonso
Furtado pedras de marcassita misturadas com
amostras de prata que herdara do avô.
O povoamento paulista compunha-se de Santos,
São Vicente, Santo André da Borda do Campo e
São Paulo. Deste núcleo colonial iria partir
o mais violento e o mais permanente esforço
de expansão territorial em direção à bacia
do rio da Prata, ao sertão hoje mineiro e
goiano e, posteriormente, às terras do
Nordeste Ocidental. Os colonizadores
chegavam a São Paulo encontravam o seguinte
quadro: índios guaianases, goitacases (12),
tupiniquins (13), tupinambás (14), carijós
(15), e guaranis (16) nas terras interiores,
estes últimos chegando mesmo pelo litoral a
atingir Espírito Santo; os índios
tupiniquins iam pelo sertão até Ilhéus e
Porto Seguro, sendo os seus últimos
descendentes os puris (17) do vale da
Paraíba, local onde foram encontrados no
século XIX. Nas terras mais afastadas do
planalto paulista encontravam-se os
Ubirajaras e os Caiapós (18), ou Bilreiros.
Sobre esta população indígena disseminada em
tão grande área geográfica os primeiros
paulistas exercendo o seu poder de dominação
absoluta, escravizando-os, dizimando-os ou
afugentando-os para terras mais interiores
do sertão desconhecido.
(12) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Goiracases
Os goitacases foram um grupo indígena,
actualmente considerado extinto, que
habitava no século XVI a região costeira
entre o rio São Mateus, no estado brasileiro
do Espírito Santo e a foz do rio Paraíba, no
estado do Rio de Janeiro.
"O índio Goitacás é o senhor absoluto das
terras no tempo da Capitania de São Tomé,
depois do Paraíba do Sul" Relato de Osório
Peixoto em seu livro "500 anos dos Campos
dos Goutacases".
"Goitacás" quer dizer corredor, nadador ou
caranguejo grande comedor de gentes.
Fisicamente possuíam pele mais clara, eram
mais altos e robustos que os demais índios
do litoral. Reuniam ainda uma "força
extraordinária e sabiam manejar o arco com
destreza". Tinham o hábito de dançar e
cantar em ocasiões festivas, usando o
jenipapo para a pintura do corpo e penas de
aves com as quais adornavam seus objetos.
Viviam nus, raspando o cabelo no alto da
cabeça, deixando-o comprido, formando uma
longa cabeleira. Sua alimentação constava de
frutos, raízes, mel e, principalmente, de
caça e pesca. Eram supersticiosos quanto à
água para beber, não bebendo-a de rios e
lagoas, mas sim das cacimbas. Mantinham
comércio com os colonizadores europeus, mas
com uma peculiaridade: não se comunicavam
com seus colonizadores! Deixavam seus
produtos em lugar mais elevado e limpo
ficando à distância, observando as trocas.
Davam mel, cera, pescado, caça e frutos em
troca de enxadas, foices, aguardente e
missangas.
Assim como os demais povos indígenas, os
Goitacases guerreavam entre si e seus
vizinhos. "Quando não se julgam fortes fogem
com ligeireza comparável a dos veados." Além
do arco e da flecha faziam com perfeição
trabalhos com penas de aves, multicoloridas,
usando-as no corpo e nas armas e também em
ocasiões festivas. Trabalhavam o barro,
enterrando seus mortos em igaçabas. Faziam
machados de pedra, jangadas, trabalhavam com
bambu e trançavam redes de fibra e cordas.
Os goitacases sofreram um massacre
histórico. Após esse episódio praticamente
desapareceram. Calcula-se que eram cerca de
12 mil. Foram homenageados por José de
Alencar em seu romance 'O Guarani'. Nesta
obra, o protagonista, Peri, é um índio
goitacáz que realiza grandes proezas,
lutando contra os aimorés, o homem branco e
até contra os elementos naturais, tudo para
agradar e salvar sua predileta, Cecília,
filha de um nobre português.
(13) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Tupiniquins
O pesquisador Carlos Augusto da Rocha Freire
consignou que os Tupiniquins ocupavam, no
século XVI, terras situadas entre o atual
município baiano de Camamu até o rio São
Mateus (ou rio Cricarê), no atual estado do
Espírito Santo. Foram catequizados por
jesuítas, em Aldeia Nova, sofrendo com
pragas exógenas (como a varíola) e endógenas
(como as formigas, que lhes destruíram as
plantações). Serafim Leite consignara
(História da Companhia de Jesus no Brasil),
que o acampamento dos Reis Magos era quase
todo composto por tupiniquins.
Em 1610 o Padre João Martins obteve para os
nativos uma sesmaria, mensurada somente em
1760. O principal centro desse território
era a vila de Nova Almeida que, na data de
sua demarcação, contava três mil habitantes.
Auguste de Saint-Hilaire registra, no início
do século XIX, sua existência.
Em 1860 o Imperador Pedro II encontrou-se,
em Nova Almeida, com uma mulher tupiniquim,
registando o fato em seu diário e em meados
do século o pintor Auguste François Biard
anotou sua presença em famílias dispersas,
junto a imigrantes italianos.
No século XX, o Serviço de Proteção aos
Índios instalou no Espírito Santo meridional
um de suas zonas de atuação, sendo
encontrados, em 1924, alguns tupiniquins.
(14) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Tupinambás
O termo tupinambá provavelmente significa "o
mais antigo" ou "o primeiro", e se refere
tanto a uma grande nação de índios, da qual
faziam parte, dentre outros, os tamoios, os
temiminós, os tupiniquins, os potiguara, os
tabajaras, os caetés, os amoipiras, os
tupinás (tupinaê), os aricobés e um grupo
também chamado de tupinambá. Os tupinambás
como nação dominavam quase todo o litoral
brasileiro e possuíam uma língua comum, que
teve sua gramática organizada pelos jesuítas
e passou a ser conhecida como o tupi antigo,
sendo a língua raiz da língua geral paulista
e do nheengatu. Entretanto, normalmente,
quando se fala em tupinambás está-se a
referir às tribos que fizeram parte da
Confederação dos Tamoios, cujo objetivo era
lutar contra os portugueses, também
conhecidos como perós. Apesar de terem
raízes comuns, as diversas tribos que
compunham a nação Tupinambá lutavam
constantemente entre si, movidas por um
intenso desejo de vingança que resultava
sempre em guerras sangrentas em que os
prisioneiros eram capturados para serem
devorados em rituais antropofágicos. Em
todas as tribos tupinambás era comum a
observância aos heróis civilizadores, como
chama Alfred Métraux em seu livro A Religião
dos Tupinambás, que eram divindades que
haviam criado ou dado início à civilização
indígena (Meire Humane e Pae Zomé — mito
ameríndio comum em toda a América
Meridional). Também era comum a intercessão
junto aos espíritos dos pajés, o uso dos
maracás, chocalhos místicos cujo uso era
obrigatório em qualquer cerimónia.
Atualmente existem dois núcleos de índios
Tupinambá, no litoral da Bahia: Olivença,
município de Ilhéus, com 20 aldeias e 3864
indígenas; e a aldeia Patiburi, município de
Belmonte, com 199 pessoas. Os tupinambás da
Região Sudeste do Brasil tinham um vasto
território, que se estendia desde o rio
Juqueriquerê, em São Sebastião /
Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, até o
cabo de São Tomé, no estado do Rio de
Janeiro. O grosso da nação tupinambá
localizava-se na baía da Guanabara e em Cabo
Frio, ou Gecay, o nome da mistura de sal e
pimenta que os índios, embora não consumindo
o sal, vendiam aos franceses, com os quais
se aliaram quando estes estabeleceram a
colónia da França Antárctica na baía de
Guanabara. As tentativas de escravização dos
índios para servirem nos engenhos de
cana-de-açúcar no núcleo vicentino, levaram
à união das tribos numa confederação sob o
comando de Cunhambebe, chamada de
Confederação dos Tamoios, englobando todas
as aldeias tupinambás, desde São Paulo, Vale
do Rio Paraíba (São José dos Campos, Taubaté
e outras) até o cabo de São Tomé, com
invejável poderio de guerra. É neste ínterim
que Nóbrega e Anchieta teriam sido levados
por José Adorno de barco até Iperoig (atual
Ubatuba), para tentar fazer as pazes.
Segundo a tradição, Nóbrega voltou até São
Vicente com Cunhambebe e o Padre José de
Anchieta ficou cativo dos tupinambás em
Ubatuba. Neste período, ele teria escrito o
Poema da Virgem. Fatos lendários e
fantásticos teriam ocorrido nesta época do
cativeiro, como o milagre de Anchieta:
levitar entre os índios, que horrorizados,
queriam que ele dali se retirasse pois
pensavam tratar-se de um feiticeiro.
Seja como for, os padres com muita
diplomacia, conseguiram desmantelar a
Confederação dos Tamoios, promovendo a Paz
de Iperoig, o Primeiro Tratado de Paz das
Américas. Diz-se que depois de feitas as
pazes, Nóbrega advertiu os índios de que, se
voltassem atrás na palavra empenhada, seriam
todos destruídos, o que de fato ocorreu.
Quando os portugueses atacaram os franceses
do Rio de Janeiro, estes pediram ajuda aos
índios, que de fato acudiram a seus aliados.
Isto levou ao extermínio dos tupinambás que
moravam em aldeias em torno da Baía da
Guanabara, na segunda metade do século XVI.
Os que conseguiram se salvar foram os que se
embrenharam nos matos com alguns franceses e
os índios tupinambás de Ubatuba que, para
não ajudarem e não correrem riscos, ou se
embrenharam nos matos ou foram assimilados
pelos colonos em Ubatuba, gerando a atual
população caiçara daquela região assim como
a população cabocla do Vale do Paraíba
Paulista e Fluminense.
Contudo, o golpe fatal ao fim dos
tupinambás, foi o ataque ao último reduto
francês em Cabo Frio, com a destruição de
todas as aldeias. Tudo destruído com fogo e
passado ao "fio da espada". Os sobreviventes
ou se embrenharam nos matos e migraram para
outras regiões ou alguns poucos ainda, no
final do século XVI, podiam ser encontrados
numa aldeia de índios cristãos próxima da
então recém-fundada cidade do Rio de
Janeiro, local onde morreu e foi enterrado o
Padre Nóbrega. Por esses motivos e por
algumas declarações que denotariam em tese
conivência com o extermínio indígena, é que
o Padre José de Anchieta tem sido
considerado muito polémico até os dias
atuais, embora noutras oportunidades, tenha
declarado que se dava melhor com os Índios
do que com os portugueses. Afinal, os padres
jesuítas tinham a boa intenção e boa-fé de
angariar novas almas para a Igreja, no
movimento conhecido como Contra-Reforma,
haja vista a Reforma que havia se iniciado e
espalhado pela Europa.
(15) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Carijós
Carijós são índios que ocupavam o território
que ia de Cananéia, estado de São Paulo,
Brasil, até a Lagoa dos Patos, no estado do
(Rio Grande do Sul), no sul do Brasil.
Vistos como o melhor gentio da costa, foram
recetivos à catequese cristã. Isso não
impediu sua escravização em massa por parte
dos colonos de São Vicente. Em 1554,
participaram do ataque a São Paulo. Eram
cerca de 100 mil. O litoral gaúcho e
catarinense, ao tempo da descoberta, era
habitado pelos Guaranis, que se estendiam
pelo interior, às margens da imensa Lagoa
dos Patos.
É interessante a origem do nome desta lagoa.
Conta-se que em 1554, viajavam para o Prata
algumas embarcações espanholas, que
acossadas por um temporal, viram-se na
contingência de procurar abrigo na barra do
Rio Grande. Aí deixaram fugir alguns patos
que traziam a bordo e de tal modo se deram
bem as aves com o lugar, que se reproduziram
assombrosamente, chegando a coalhar a
superfície das águas da lagoa, dando-lhe e
nome. Eram os carijós índios dóceis,
trabalhadores e bem intencionados.
Pertenciam ao ramo Guarani e efetuaram uma
marcha migratória do Paraguai para o sul do
litoral brasileiro.
Ayolas, na conquista do Paraguai,
encontrou-se com os Carijós à margem de um
rio que desagua vinte quilómetros acima da
foz do ramo principal do Pilcomaio, onde os
ameríndios em questão possuíam uma aldeia
cercada por uma paliçada dupla e guarnecida
de bocas de lobo (escavações com estrepes no
fundo). Os espanhóis acossados pela fome,
marcharam resolutamente para a vitória. Os
índios, ao ouvirem os primeiros estampidos
das armas de fogo, fugiram em corrida louca,
caindo muitos nas próprias esparrelas que
haviam armado aos invasores. Depois de
ocupar a taba, em homenagem a Santíssima
Virgem, deu Ayolas, o nome de Assunção.
Os Carijós construíam suas casas cobrindo-as
com cascas de árvores e já fabricavam redes
e agasalhos com o algodão que cultivavam,
forrando-as com peles e ataviando-as com
plumas e penas. Acostumaram-se a ajudar
todos os navios que lhe solicitassem
auxílio, até que um dia, traídos na sua boa
fé, acabaram considerando os brancos
inimigos. Na arte de cura, os Carijós
estavam bem adiante dos demais nativos. O
remédio principal era uma ventosa aplicada
pelos lábios do pajé.
Na bruxaria também eram bem desenvolvidos.
Para enfeitiçar um semelhante, costumavam
amarrar um sapo em uma árvore. Á medida que
o nojento animal fenecia, a pessoa
enfeitiçada também enfraquecia até morrer.
Se desejavam cegar alguém, enterravam-lhe
debaixo da rede um ovo. Descoberta a
mandinga, os objetos que serviram para a
mesma deviam ser arremessados ao rio. Grande
era o número dos que tinham parentesco com
um ser superior que chamavam de caraibebes,
que os jesuítas traduziram por anjos.
Gozavam de vida avantajada esses que,
manhosamente se inculcavam ministros dos
anjos. Recebiam os melhores frutos da terra
e as mais cobiçadas caças que fossem
abatidas pelas cercanias.
Quando um guerreiro partia para a guerra,
era honrado com um sopro do caraibebe, para
que não morresse em combate. Entretanto, se
alguns caíam morto em luta, havia a desculpa
de que o infeliz, por seus pecados não se
tornara digno da bênção do anjo. Deste modo,
esses pajés se tornaram infalíveis, com
prestígio inabalável entre os seus crentes.
É sem dúvida curioso o modo como se explica
a origem dos Carijós.
Tendo naufragado nas proximidades da Ilha de
Santa Catarina um navio português, seus
tripulantes atingiram a terra, então
campeada pelos índios guaranis. Entre os
náufragos estavam o português Henrique
Montes, o castelhano Melchor Ramirez e o
negro Francisco Pacheco, além de outros.
Como sucedeu a Caramuru e a João Ramalho,
estes uniram-se às índias, adotando um novo
regime de vida. Desta união resultou o
nascimento de mestiços, mamelucos e cafusos,
alterando o especto dos indígenas, que
passaram a constituir uma nova cultura,
denominada de Carijós, o que significa
arrancado do branco, ou seja, o mestiço. Daí
vem o costume de chamarmos de carijós às
galinhas de coloração preto-e-branco.
(16) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Guaranis
O termo guaranis refere-se a uma das mais
representativas etnias indígenas das
Américas, tendo como territórios
tradicionais uma ampla região da América do
Sul que abrange os territórios nacionais da
Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a
porção centro-meridional do território
brasileiro. São chamados povos (no plural)
pois sua ampla população encontra-se
dividida em diversos subgrupos étnicos dos
quais os mais significativos em termos
populacionais são as parcialidades Kaiowá,
Mbyá, Nhandeva, Ava-Xiriguano, Guarayo,
Izozeño e Tapieté. Cada um destes subgrupos
possui especificidades dialetais, culturais
e cosmológicas, diferenciando assim sua
forma de ser guarani das demais.
Existem milhares de fontes históricas que
tratam da trajetória dos povos guarani,
sendo esta uma das etnias mais documentadas
de todos os tempos. Apesar deste fato sua
história bem como o primeiro contacto desta
etnia com os exploradores europeus não foi
bem documentado. Os próprios guaranis não
possuíam à época uma linguagem escrita, logo
toda sua história estava vinculada a uma
complexa forma de transmissão do
conhecimento através da tradição oral.
Daquele período sabe-se que eram sociedades
descentralizadas de seminómadas de caçadores
agricultores. Sua alimentação era baseada na
caça e coleta, bem como no plantio diversas
variedades de vegetais, entre este
destacam-se os tipos de mandioca, batata,
amendoim, feijão e milho. Habitavam casas
comunais de dez a dezanove famílias. Como os
guarani modernos se uniam e organizavam-se
em redes de parentesco cunhadas e
atualizadas em relações mutualidade a partir
de perspetivas cosmológicas partilhadas. De
acordo com o missionário jesuíta Martin
Dobrizhoffer alguns destes grupos praticavam
antropofagia, possivelmente dentro de
complexos rituais funerais, para em seguida
colocarem os ossos do morto em grandes
panelas de cerâmica afixadas invertidas sob
o solo. Em boa parte das regiões litorâneas
do sul e do sudeste do Brasil assim como na
bacia dos rios Paraná e Prata foram as
populações Guarani as primeiras a serem
contactadas pelos europeus. No início do
século XVI, época dos primeiros contactos
com os conquistadores europeus, a população
Guarani provavelmente chegava ao número de
1,5 a dois milhões de pessoas, ocupando
juntamente com outros grupos étnicos, em
relações ora amistosas, ora belicosas.
Em 1511, o navegador espanhol Juan de Solis
comandou a primeira expedição europeia a
entrar no Rio da Prata, o estuário do Paraná
ou Paraguai, seguido pela expedição de
Sebastião Caboto em 1526 . Em 1537 Gonzalo
de Mendoza chegou ao Paraguai pelo atual
território do sul do Brasil, e em seu
retorno fez contacto com um grupo Guarani
fundando Asunción que séculos depois se
tornou a capital do Paraguai. Na medida em
que avançavam continente a dentro as
expedições de conquista de Espanha, eram
encontradas diferentes populações Guarani em
territórios anexos aos quais os espanhóis
chamaram de 'províncias' e nominando-as
conforme conheciam os nomes das populações
que encontravam "Karió, Tobatin, Guarambaré,
Itatin, Mbaracayú, gente do Guairá, do
Paraná, do Uruguai, os Tape... Estas
províncias abarcavam um vasto território que
ia da costa atlântica sul de São Vicente, no
Brasil, até a margem direita do rio
Paraguai, e desde o sul do rio Paranapanema
e do grande Pantanal, ou Lago dos Jarayes,
até as Ilhas do Delta junto da atual cidade
de Buenos Aires" (Bartolomeu Melià, 1991).
Gonzalo de Mendoza tornou-se o primeiro
governador do território espanhol do Guayrá
iniciando uma política de casamentos entre
seus subordinados europeus e mulheres
guarani dos grupos locais, que deu início ao
que mais tarde seria denominada a nação
paraguaia. Ao mesmo tempo é acelerado o
processo de escravidão de grupos autóctones
submetidos para mão-de-obra de todos os
tipos. Os cronistas dos prelúdios do período
colonial denominaram "guaranis" todas as
populações que partilhavam de uma mesma
língua, compreendida em todas as províncias
e em grande parte, semelhante à língua
falada pelos índios tupi do litoral. Cada
agrupamento humano por sua vez fora
denominado separadamente a partir do nome de
xamãs, líderes guerreiros e figuras de
prestígio entre estes. Também era comum a
denominação dos grupos com os nomes dos rios
e dos lagos em cujas margens habitavam.
Durante mais de quatrocentos anos de
referências escritas sobre os Guarani,
muitos nomes alternativos têm sido
empregados para identificar estes vários
povos, bem como para indicar suas visíveis
diferenças. Em grande medida influenciados
pelas referências dos índios tupis os
colonizadores da América Portuguesa chamaram
os guaranis de araxás, araxanes, cainguás,
carijós e ouitatins. Na América Espanhola
estes mesmos grupos eram chamados de Carios,
Chandules, chandrís e landules. A despeito
das denominações exógenas cada subgrupo
possui sua própria forma de auto
denominação, sendo que todos eles se
reconhecem no termo avá ou avaeté kuery que
significa respetivamente "homem" e "homens
verdadeiros". Neste primeiro período da
colonização, movimentos de insurreição em
massa foram registados por diversos
administradores coloniais. De profundo
carácter religioso, estes levantes eram em
grande parte consequência da presença de
grandes xamãs-profetas, os karaí, que com a
força de suas palavras convenciam multidões
a abandonarem as vilas da colonização
espanhola e seguirem dançando e cantando com
o intuito de alcançar a liberdade na Terra
Sem Males (Yvy Maraey). Em 1579, o levante
liderado pelo karaí chamado Oberá, também
grafado Overá (aquele que brilha), pôs em
grandes riscos o projeto de colonização
espanhola na região de Arambaré. Por onde
quer que passasse Oberá era seguido por uma
multidão cada vez maior de indígenas, que
após sua presença recusavam-se
terminantemente a servir os espanhóis. Karaí
Oberá, prometendo a todos a liberdade,
realizava grandes rituais de desbatismo,
onde os chamados "guaranis civilizados"
renunciavam aos votos e aos nomes da
cristandade, recebendo outro nome guarani.
Seguindo o conselho dos poderosos karaí,
multidões dançavam e cantavam
ininterruptamente durante dias . Partindo
das colónias do litoral do atual estado de
São Paulo, o movimento luso-paulista das
Bandeiras, de carácter expansionista e
escravocrata, caiu como um flagelo sobre as
populações Guarani, primeiramente sobre
aquelas que habitavam os territórios
próximos ao rio Paranapanema, depois
adentrando mais e mais no continente. Aos
grupos sobreviventes restava algumas opções:
rebelar-se contra uma ou mesmo contra as
duas nações europeias que invadiam seus
territórios, iniciar longas peregrinações
buscando a proteção de distantes florestas e
pântanos de difícil acesso ou ainda se
submeterem a pacificação tornando-se
escravos dos bandeirantes luso-paulistas ou
servos dos espanhóis encomenderos. Com o
avanço da empresa colonial, diferentes
grupos autóctones se tornaram peças das
disputas e joguetes por recursos e
territórios de Portugal e Espanha. Cada um
dos lados buscava de todas as formas incitar
os grupos que eram seus aliados a fazer
guerra contra seu adversário europeu e aos
indígenas a este coligados - A máxima romana
"dividir para conquistar" ganhou estatuto de
regra como meio de limpeza étnica na
colonização no novo mundo. Ao mesmo tempo
uma série de epidemias trazidas da Europa se
alastraram rapidamente pelo continente
eliminando as populações autóctones e
devastando províncias inteiras. Em 1640 a
região do Paranapanema já se encontrava
despovoada, todos seus habitantes originais
haviam desaparecido, a maioria escravizada
pelos bandeirantes havia sido levada para a
vila de São Paulo de Piratininga ou para a
vila de São Vicente enquanto outra parte
buscou refúgio nos territórios e nas
florestas ao sul. Alguns ainda, talvez em
fuga, acabaram sendo encontrados por membros
da Companhia de Jesus, e uma parte dos
contactados provavelmente foi convencida
pelos jesuítas a buscar abrigo em suas
Reduções. Agindo como soldados os jesuítas
tinham um único objetivo - converter o maior
número de selvagens possível, obrigá-los a
mudar seu estilo de vida e aceitar a
religião católica como única forma de
salvação. No ano de 1743, mais da metade da
população da bacia do Prata, aproximadamente
142 mil índios, viviam nos povoados
missioneiros. Uma vez mais inúmeros
xamãs-profetas karaí surgiriam das matas até
as missões, cercados por inúmeros
seguidores, rivalizando em retórica e poder
com os padres jesuítas e se tornando um
obstáculo para a conquista espiritual. Não
tardou para que os jesuítas ultrajados
incitassem os índios reduzidos contra os
karaí que chamavam abertamente de demónios e
de feiticeiros. Das diferentes trajetórias
surgiram novas distinções culturais entre os
Guarani. Com o crescimento das Reduções
Jesuíticas surgiria a figura dos Guarani
Missioneiros, que a partir do sincretismo
com elementos jesuíticos, dariam forma e cor
à utopia cristã-ameríndia das Missões. Já as
populações guarani que se refugiaram em
florestas, montes e pântanos, escapando do
alcance dos bandeirantes, bem como da
submissão aos encomenderos espanhóis ou às
missões jesuíticas ficaram conhecidas pela
exonominação genérica de Kainguá, Kaaiguá,
Cainguá ou Ka'ayguá - Todos esses termos
derivados da palavra guarani ka'aguyguá,
"habitantes das matas". Esta provavelmente é
também a origem do nome de um dos atuais
subgrupos Guarani, os Kaiowá, apesar destes
provavelmente não serem os únicos grupos da
atualidade descendentes daquelas populações
não submissas. No entanto, é grande a
probabilidade que os chamados "habitantes
das matas" nunca tenham perdido totalmente o
contacto com os guarani missioneiros,
mantendo de alguma forma intercâmbios de
bens, informações e até mesmo de pessoas
através do parentesco com estes. Esta é uma
das explicações encontradas para a
apropriação de instrumentos como o violão (mbaraká)
e a rabeca (ravé), não só utilizados até
hoje pelos Mbyá-Guarani, como também
considerados pelos próprios como parte de
sua tradição e até mesmo originados em sua
cultura.
(17) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Puris
Os Puris foram um grupo indígena, atualmente
considerado extinto, que habitava no século
XIX os estados brasileiros do Espírito
Santo, Rio de Janeiro e Sudeste de Minas
Gerais. Foram também chamados coroados.
Os índios da tribo puri eram hábeis
pescadores e viviam no litoral do Espírito
Santo e Rio de Janeiro. Mas devido à chegada
dos portugueses, se dispersaram pelo
interior do Brasil. Chegaram à Serra do
Brigadeiro, mas ameaçados pelos portugueses
e pelos índios botocudos, tiveram de se
adoptar ao clima frio da serra e às matas
fechadas.
Em Ponte Nova, mais pacíficos,
aproximaram-se dos colonizadores, sendo
comum sua presença nas fazendas como
agregados. Mesmo no primeiro quartel do
século XIX mantinham aldeamentos próximos do
povoado. Duas dessas aldeias situavam-se no
local do atual Bairro do Pacheco e no alto
do Morro do Pau D` alho, onde hoje se ergue
o Colégio Dom Helvécio. Cláudio Moreira
Bento, escrevendo sobre as comemorações dos
200 anos de Resende, comenta o massacre dos
índios puris pelos primeiros habitantes dos
municípios que formaram a cidade. Apoia-se
em fontes a que recorreu para escrever o
ensaio «Os puris da vale do Paraíba
fluminense e paulista», in Migrações do Vale
do Paraíba, São José dos Campos: UNIVAP,
1994, que publicou os Anais do XII Simpósio
de História do Vale do Paraíba, trabalho
republicado pela Academia Itatiaiense de
História (ACIDHIS), em Volta Redonda, 1995.
Contesta nele as afirmações de Joaquim
Norberto de Souza e Silva em sua Memória
documentada das aldeias de índios da
Província do Rio de Janeiro, no n. 14 da
Revista do Instituto Histórico e Geográfico
do Brasil, apresentado na sessão magna do
Instituto em 1852.
Diz Joaquim Norberto que «O ousado Sargento
–mor Joaquim Xavier Curado, depois general e
Conde de Duas Barras, transportando-se aos
campos infestados de Puris, formou um corpo
(tropa militar) com seus moradores» (de
Resende) e completa: «Ainda hoje (1852) se
relata à tradição, as maiores atrocidades
cometidas em vingança contra os atentados
dos índios e acusa a peste das bexigas
(varíola) levada ao seio das tabas puris
como um meio eficaz de reduzi-los. O horror
de tão negras cenas presenciaram os
moradores do (rio) Paraíba, cuja torrente
caudalosa arrastava quotidianamente os
hediondos cadáveres das míseras vítimas.»
Joaquim Norberto se referiu genericamente à
tradição, diz Cláudio Moreira Bento, sem
apontar caso concreto a ser investigado em
outras possíveis fontes. E tradição não se
constitui fonte histórica, ainda mais quando
fontes primárias, como o Relatório de
passagem do governo do vice-rei D. Luís de
Vasconcelos ao Conde de Resende, que
menciona a pacificação de Resende pelo
Capitão Curado, não autoriza a sua grave
insinuação. O Relatório do vice-rei diz
apenas que o capitão curado, que chama de
valente oficial, «conseguiu afugentar os
rebeldes fora do sertão (do Campo Alegre)
circunvizinho, por ter recorrido aos meios
só capazes de os aterrar.»
Alfredo Pretextado Maciel da Silva, em
Generais do Exército Brasileiro, Rio de
Janeiro, Imprensa Militar 1905 assim
interpretou a missão do Capitão Curado: « No
governo do vice-rei D. Luís de Vasconcelos e
Sousa (1779-1790), partiu do Rio de Janeiro
para a testa dos moradores do sertão da
Paraíba Nova, (...) com o fim de reprimir
com o maior rigor, antes que fizessem mais
prejudiciais, as irrupções que faziam nos
referidos sertões (sertão do Campo Alegre)
uma horda de índios bravios, assolando
fazendas que saqueavam, atacando e matando a
todos que infelizmente lhes caiam em mãos.».
E adiante: «De modo que a maior parte dos
fazendeiros que tinham seus estabelecimentos
ao norte do rio (Paraíba), os abandonaram,
por não serem suas forças capazes de se lhes
fazer frente, o que permitia a esses índios
passarem para o lado oposto do Paraíba, onde
continuaram as suas hostilidades e
depredações. Conseguiu o dito Xavier Curado
salvar os fazendeiros e moradores sem
nenhuma opressão e, restabeleceu a
tranquilidade de que estavam privados, com
toda a prudência e moderação, empregando um
corpo de tropas que formou de diversos
moradores para as diligências que se
fizessem necessárias, para rechaçar os que
se tornaram indomáveis, o que o fez
respeitado em diversas ocasiões e lugares em
que se praticaram aquelas irrupções. Assim,
os puris teriam sido afugentados para fora
do sertão circunvizinho (sertão do Campo
Alegre, hoje Resende, Itatiaia, Porto Real,
Quatis, Barra Mansa, Volta Redonda) donde
não mais apareceram e congregou os dispersos
que não duvidaram a formar uma nova aldeia
no local que habitavam – o Minhocal, onde
por longos anos se conservaram sob a ação
inteligente do padre Henrique José de
Carvalho (pároco de Resende por 22 anos de
1767 a 1789). Em relatório do padre
Francisco Chagas Lima, em 1801, fundador de
Queluz, a mais fiel fonte sobre os puris do
Campo Alegre, reproduzida pelo historiador
Paulo Pereira Reis em Os Puris de Paicarée
se diz: «Não se conhecia fato algum de um
puri que haja matado um branco. Quando os
brancos embrenhavam-se na mata para colher a
planta medicinal poaia, ao encontrarem os
puris estes se punham a correr,
arriscando-se furtivamente a apanharem para
seus usos as ferramentas dos brancos. O
próprio nome puri significava na língua
deles gente mansa ou tímida.»
A organização de uma força em Resende para
afugentar índios bravios se deve certamente
a incursões de índios botocudos vindos de
Minas Gerais e que agrediam brancos e os
próprios puris. O governador de São Paulo
Diogo de Vasconcelos, em carta de 13 de
Outubro de 1775 descreveu os puris como
«índios tímidos, medrosos e covardes, não
havendo o que temer deles.
(18) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Caiapó
Caiapó é uma exonominação que data do início
do século XIX e tem origem em outros grupos
indígenas circunvizinhos desta etnia. Kayapó
significa homens semelhantes aos macacos, em
grande medida devido a certos rituais que
este grupo realiza nos quais são utilizadas
máscaras de macaco pelos homens. A
autonominação dos chamados Kayapó é
mebêngôkre que significa literalmente
"homens do poço d'água".
Os caiapós são um grupo indígena brasileiro
que se divide nos subgrupos kayapó-aucre,
kayapó-cararaô, caiapó-cocraimoro,
caiapó-cubem-cram-quem, caiapó-gorotire,
caiapó-mecranoti, caiapó-metuctire,
caiapó-pau-d'arco, caiapó-quicretum e
caiapó-xicrim. No passado eram também
chamados de coroados, e os de Mato Grosso,
coroás.
As notícias sobre as primeiras expedições
paulistas do século XVII são bastante
lacónicas. Sabe-se que em 1604, Diogo de
Quadros saiu em busca dos índios carijós;
que em 1607, Manuel Preto (19) expedicionava
pelo Guairá e, Belchior Dias Carneiro
talhava os sertões povoados pelos índios
bilreiros, onde faleceu no ano seguinte,
sendo substituído por António Raposo - o
Velho; que em 1608, Martim Rodrigues Tenório
de Aguiar seguia Anhembi abaixo, e, que em
1610, Clemente Álvares e Cristóvão de Aguiar
estavam entre os índios biobebas ocidentais.
Data de 1611, a expedição de Pedro Vaz de
Barros ao Guairá, seguida em 1612 pela de
Sebastião Preto (20). Com estas expedições o
governador D. Luís de Sousa incentivava a
captura de índios do sertão, os quais seriam
exportados como escravos para outras
capitanias. A mais profunda destas
expedições ao sertão parece ter sido a de
António Pedroso de Alvarenga (21), cerca de
1615, ao Paraupaba, numa jornada calculada
em 300 léguas. Em 1622, morria junto às
minas de Tataci, na província de Chiquitos,
no Peru, o bandeirante António Castanho da
Silva. Eram frequentes, nesta época, as
expedições ao sertão dos Patos. Em 1619, um
certo frei Tomé tornava-se bandeirante e
saia com Manuel Preto em busca das
misteriosas pedras de Jecohaigeibira. Por
essa época, Sebastião Preto, que defendeu
Santos contra as investidas dos soldados
holandeses chefiados por Joris van Spilberg,
morria no sertão, atingido por flechas, na
luta pela escravização de índios abeueus. A
tomada da Bahia pelos holandeses, em 1624,
diminuiu o número de expedições ao sertão.
Mas sabe-se, pelos documentos dos arquivos
paulistas, que em 1627 os bandeirantes já
haviam avançado pelo Paraguai até ao Alto
Ivaí, região que eles consideravam
portuguesas e não espanhola.
(19) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Manuel Preto.
Manuel Preto foi um bandeirante paulista,
nascido na segunda metade do século XVI e
falecido em São Paulo em 1630. Filho de
António Preto, que veio na armada de Diogo
Flores de Valdés ou Valdés em 1582, e de
Águeda Rodrigues, filha do português Gonçalo
Madeira e Clara Parente, era irmão de
Sebastião Preto. Herdou dos pais uma gleba
de terras a noroeste do centro da vila, que
daria origem ao atual bairro da Freguesia do
Ó.
Dos maiores sertanistas de São Paulo no
século XVII, desde 1602 (quando,
adolescente, fez parte da bandeira de
Nicolau Barreto) caçava índios para
escravizar. Diz a «Genealogia Paulistana»
que foi «destemido explorador , que penetrou
o sertão do Rio Grande (rio Paraná nos mapas
castelhanos), os do rio Paraguai e a sua
província, chegando até o rio Uruguai em
conquista de índios bravios, e chegou a
prender tantos que em sua fazenda de cultura
fundada em 1580 na capela de Nossa Senhora
da Expectação do Ó contava com 999 índios de
arco e flechas. Foi ele o fundador dessa
capela, entre 1610 e 1615 (hoje freguesia do
Ó).» Levando 155 índios escravizados, saiu
pelo rio Tamanduateí, entrando pelo rio
Tietê, até o começo de suas terras. Em 1606
percorreu o Guairá e ao regressar de Vila
Real do Espírito Santo, arrebanhou índios
temiminós pacíficos, que trouxe para São
Paulo. Nos anos seguintes continuou nas
mesmas paragens.
Em 1610 requereu à autoridade religiosa da
colónia a autorização para erguer uma capela
em louvor de Nossa Senhora do Ó. Em 1619 a
bandeira da qual era mestre de campo
assaltou as reduções jesuíticas de Jesus
Maria, Santo Inácio e Loreto. Em 1623, com
seu irmão Sebastião Preto, o mestre de campo
Manuel Preto conduziria uma bandeira ao
chamado Guairá, «sertão dos abueus»,
participando dela o já velho bandeirante
Francisco de Alvarenga (ver 1602) e Pedro
Vaz de Barros. Destruíram reduções
jesuíticas e trouxeram numerosa escravaria
indígena. Já mestre de campo, Manuel Preto
em 1626 foi processado como cabeça de
entradas ao sertão e violências no mister,
impedido de exercer o cargo de vereador para
o qual fora eleito.
No segundo semestre de 1628 saiu de São
Paulo em sua maior bandeira, como mestre de
campo e capitão-mor, com António Raposo
Tavares como seu imediato. Aniquilaram as
reduções do Guairá, diz o historiador Afonso
E. Taunay, e algumas dos campos do Iguaçu,
«recolhendo-se com avultado comboio»
avaliado pelos autores jesuíticos em muitos
milhares de cativos, o que nos parece
inaceitável; seriam um milheiro, no máximo
dois mil estes prisioneiros. Foi depois de
inutilmente tentarem os jesuítas
providências da Bahia que «resolveram operar
a transmigração do que restava de suas
grandes reduções guairenhas para muito ao
Sul, na mesopotâmia parano-uruguaia. O
donatário da capitania, D. Álvaro Pires de
Castro e Sousa, Conde de Monsanto,
considerou tão valiosos seus serviços que
lhe deu patente de governador das ilhas de
Santana e Santa Catarina. Os moradores de
São Paulo de Piratininga haviam concordado
em invadir o Guairá (com o argumento de que
a região pertencia a Portugal e o gentio ali
existente não podia ser monopolizado pelos
espanhóis). A grande expedição da qual o
chefe nominal foi Manuel Preto viajou
dividida em quatro companhias, das quais
foram capitães:
António Raposo Tavares (cuja companhia tinha
por alferes Bernardo Sanches de Sousa e como
sargento Manuel Morato Coelho), Pedro Vaz de
Barros (sempre louvado pela audácia e
infatigabilidade); Brás Leme e André
Fernandes, da Parnaiba.
Em Maio de 1629 o mestre de campo Manuel
Preto embarcou por mar para Santa Catarina e
ali tomou posse das terras e fundou arraial.
Retornou ao mesmo tempo a povoado a bandeira
que acabava de arrasar as reduções no Guairá
e logo foram organizadas outras expedições,
que retornaram à região no mesmo ano e nos
seguintes, invadindo o território ao Sul do
rio Paranapanema e arrasando as demais
reduções do Guairá, tendo mesmo que ser
evacuadas pelos moradores as vilas
espanholas de Vila Real e de Ciudad Real.
Mas Manuel Preto, tranquilamente em Santa
Catarina, em 15 de Julho de 1629 nomeava
Manuel Homem da Costa sargento-mor das
ilhas. A morte de Preto no sertão foi
noticiada em São Paulo em 22 de Julho de
1630, vítima de uma flecha em uma emboscada.
Tinha-se internado nas brenhas no início do
ano. O que se pensava dele? Homem de ação
«minimamente violenta contra os índios e
seus superiores, desconsiderando
principalmente os jesuítas Simão Masseta,
José Cataldino e Antônio Ruiz de Montoia.
Mas contribuiu notavelmente para a expansão
geográfica do Brasil ao destruir as reduções
no Ivaí, no Tibagi e no Uruguai.
(20) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Sebastião Preto
Sebastião Preto - bandeirante natural de São
Paulo foi irmão de Manuel Preto, outro
grande sertanista. Eram filhos de um António
Preto, natural de Portugal, vindo na armada
de D. Diogo Flores de Valdés a Santos com
sua mulher Antónia Gonçalves, de Sevilha,
morta em 1616. António Preto chegou a São
Vicente com seus filhos na segunda metade do
século XVI e, segundo Silva Leme na
«Genealogia Paulistana» , prestou relevantes
serviços nas guerras contra os gentios e
corsários. Foram seus seis filhos: João
Preto, morto solteiro em 1638; José Preto;
Sebastião Preto, objeto deste verbete;
Manuel Preto; Inocêncio Preto, ouvidor da
capitania de São Vicente, casado com Maria
Moreira, filha do Governador Pedro Álvares
Cabral e de Susana Moreira, que faleceu
testado em 1647; e Domingas Antunes, morta
em 1624, casada com Gaspar Fernandes morto
em 1600. José Preto foi casado com Catarina
Dias, filha de Gaspar Vaz Guedes e de
Francisca Cardoso, sendo moradores de Mogi
das Cruzes onde ele morreu em 1653. Atacou
em 1612 uma redução jesuítica na província
do Guairá prendendo centenas de índios,
muitos deles retomados pelo governador de
Ciudad Real, Bartolomeu de Torales, que lhe
saiu no encalço e o atacou quando no caminho
de volta a São Paulo. Em 1615, foi nomeado
capitão de infantaria permanente da vila de
São Paulo pelo capitão-mor governador Paulo
da Rocha de Siqueira. Foi com socorro a
Santos e a São Vicente, cujos portos os
holandeses bloqueavam. Em 21 de Agosto de
1623 fez testamento e em boa hora, pois
morreu no atual baixo Mato Grosso, sertão
dos índios então chamados abueus, de
flechada.
Casou antes de 1613 com Maria Gonçalves
Martins, filha de Francisco Martins Bonilha,
de Castela, cunhado do general Diogo Flores
de Valdés ou Bardez, companheiro de seu pai
na armada e povoador do estreito de
Magalhães.
(21) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:
António Pedroso de Alvarenga
António Pedroso de Alvarenga natural de São
Paulo, foi sertanista de renome. Era filho
de outro António Pedroso de Alvarenga,
fidalgo português, e Anna Ribeiro natural de
São Vicente.
Em 1602, adolescente, integrou a bandeira de
Nicolau Barreto ao Guairá. Em Abril de 1616
partiu de São Paulo com tropa à sua custa,
internando-se 300 léguas. Achou-se, segundo
descreve Pedro Taques, «no centro do grande
rio Paraupava, ao Norte da Capitania que
hoje é da de Goiás, e encaminha suas águas a
sepultá-las no caudaloso rio do Maranhão»,
ou seja, o rio Amazonas.
Seria o rio Paraopeba, caso em que António
Pedroso de Alvarenga seria o primeiro
conquistador a penetrar tais sertões
goianos! Tinha deixado São Paulo com Lázaro
Costa, o chefe da bandeira, a 13 de Julho de
1615. Haviam estado no sertão dos carijós,
como era então chamado o Sul do território
brasileiro. Em Maio de 1616 Costa voltou a
São Paulo e Alvarenga ainda permanecia no
sertão em desmembro de 1616.
Casara com Ana Correia, do Espírito Santo
mas morreu em São Paulo em deixar geração.
Silva Leme o chama «nobilíssimo» e descreve
sua família em sua «Genealogia Paulistana»,
volume V página 422.
Entretanto, Portugal restaurava a sua
Independência em 1640. A notícia da
restauração chegou à Bahia em Fevereiro do
ano seguinte. Houve regozijo na Rio de
Janeiro e em Santos, acompanhado de
manifestações públicas. Aproveitando a
derrota dos paulistas no Mbororé, as forças
jesuítas expulsaram-nos de mais duas
fortificações situadas no rio Tabate,
afluente da margem esquerda do Uruguai e que
hoje é conhecido por Camandaí, e de outra em
Apiterebi, afluente atualmente designado por
Pepiri, já na fronteira com a Argentina. Em
1648, passava ao norte de Assunção a grande
bandeira de António Raposo Tavares, traçando
um dos mais admiráveis périplos terrestres
da história moderna, que foi o de sair do
planalto meridional do Brasil até ao enclave
formado pelas terras banhadas pelo
Paraná-Paraguai e daí, do cimo do continente
sul-americano, alcançar as águas do rio
Amazonas, cruzando florestas ínvias e rios
caudalosos. Unia-se assim, pela primeira vez
na história da expansão europeia no Novo
Mundo, a bacia do rio da Prata à do
Amazonas. De caminho, António Raposo
assaltou a redução de Mboymboy, aprisionando
o padre Cristóvão de Arenas. O padre
Mansilla informou a Governo Espanhol que na
redução de Vila Rica não se conseguiu reunir
mais de 600 índios em quatro aldeias para
enfrentar os invasores paulistas e que o
padre Alonso Árias havia perdido a vida em
combate. Passou a reinar o desânimo entre os
defensores das reduções jesuítas quando se
soube que as colunas paulistas marchavam
sobre Caaguaçu. Cedo os jesuítas descobriram
que o ataque a Mboymboy fora realizado pela
vanguarda paulista, chefiada por António
Raposo Tavares, havendo outra coluna,
chefiada por André Fernandes, que assolava a
região. Os invasores contavam com o apoio de
vários espanhóis (quase todos catalães e
bascos) residentes em São Paulo, que
conheciam profundamente aquela região. O
padre Arenas, ao cair prisioneiro, fora
tratado com respeito. O perigo maior era a
disposição dos colonos espanhóis para
confraternizar com os invasores. Os índios
começaram a abandonar as aldeias do Sul de
Mato Grosso e seguiram em direção aos
povoados espanhóis mais bem guarnecidos. O
êxodo indígena deixou abandonadas as missões
de Caaguaçu, Atira, Ipané e Guarambaré. Em
1647, caiu em poder dos paulistas a redução
de Taven. Os índios fugitivos internavam-se
no Paraguai Central, formando grandes
reduções, para alegria dos “encomenderos”. A
grande jornada de António Raposo Tavares,
iria terminar no Amazonas, tendo durado três
anos e alguns meses.
Mas o facto extraordinário é que os
bandeirantes, no seu percurso da bacia do
rio da Prata à bacia amazónica navegaram, em
onze meses, 3000 léguas, o equivalente a
quase meia volta ao Mundo! Partindo de São
Paulo, a expedição rumou para o Paraguai,
daí acercou-se da cordilheira dos Andes
através do sistema orográfico chiquitano, de
onde alcançou a região dos índios
chiriguanos. Explorou as faldas orientais
dos Andes, regressando, em seguida, pelo
Guapaí até à planície crucenha, de onde
iniciou o fantástico trajeto fluvial pelo
Guapaí, Mamoré, Madeira e Amazonas, onde
alcançou o Gurupá. Portanto, iniciada em São
Paulo, a bandeira de António Raposo chegou à
bacia do rio da Prata e aos Andes Orientais,
cruzando o divisor de águas
amazónico-pratino, navegando nas águas do
Amazonas e seus afluentes até ao arquipélago
Marajoara, no grande delta. Era seu
lugar-tenente o paulista António Pereira de
Azevedo, que comandou a segunda coluna, que
partiu de São Paulo um ano depois. Um
documento seiscentista informa o Conselho
Ultramarino que da vila de São Paulo saiu “o
mestre-de-campo António Raposo Tavares no
descobrimento dos sertões, empenhando-se de
atl modo que, vindo para em Quito, e daí
pelo rio Amazonas, veio a sair ao Maranhão
em cuja viagem passaram grandes trabalhos e
gastaram mais de três anos”. Ignora-se como
o grande sertanista conseguiu retornar a São
Paulo. Sabe-se que chegou de tal modo
desfigurado que nem parentes nem amigos o
reconheceram. Com a morte de Raposo Tavares
entre os anos de 1653 e 1658, assumia Fernão
Dias Pais uma posição de destaque. Um novo
ciclo histórico se abria às bandeiras
paulistas: o da descoberta de ouro de
aluvião nos rios goianos e mineiros, com as
expedições fluviais para o oeste e a
ocupação das terras interiores.
Aproveitando as cheias anuais dos rios, ou
monções, utilizavam como meio de transporte
canoas escavadas em troncos, tal como
construíam os índios. O processo de
fabricação durava vários meses, pois, além
de ser necessário que o tronco estivesse
completamente seco, a sua escavação fazia-se
com fogo, para robustecer a madeira e evitar
que viesse a empenar, e por fim, uma
raspagem cuidada do interior com enxós.
A história dos bandeirantes e das bandeiras,
refere-se a um cometimento de tanta ousadia
que poucos outros feitos poderão
suplantá-lo.
E assim, alteraram o traçado do Tratado de
Tordesilhas…
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal

Registre sua opinião no
Livro de Visitas:
|