|

Por Carlos Leite Ribeiro

Fátima - 13 de Maio - Terra de
Fé
Fátima, que
conhecemos razoavelmente bem,
não deixa de nos surpreender a
cada novo dia, a cada novo mês,
a cada novo ano. Não se sendo
nem crente nem peregrino é
difícil, senão mesmo impossível,
explicar o que leva a que
pontualmente ali se concentrem
maiores multidões de peregrinos,
provenientes de todo o país e de
todos os continentes. Muitos
deles sujeitando-se a violências
físicas que se não podem
justificar e que, muitas vezes,
muito dolorosamente se conseguem
suportar.
Mas é espantoso o impacto dessas
peregrinações e extraordinária a
força das celebrações. Esta
manhã a Cova da Iria é um mar de
gente, envergando a solenidade
de quem espera, de quem reza, de
quem chora, de quem acredita.
Sejam quais forem as
circunstâncias, os locais ou os
propósitos, o homem precisa de
acreditar em qualquer coisa para
que se motive, para que descubra
uma razão para tudo o que pensa
e para quanto faz.

Peregrinos
arcadaaliancasp.blogspot.com
As estradas do
Norte e Centro de Portugal,
enchem-se de peregrinos a
caminho de Fátima (Portugal). É
impressionante a sua Fé, ao
percorrerem, muitos deles,
centenas de quilómetros. Mas lá
seguem, ordeiramente e cantando,
para na tarde do dia 12 de Maio
estarem no Santuário Mariano de
Nossa Senhora de Fátima, para as
comemorações do 13 de Maio. O
espectáculo da Procissão das
Velas, na noite de 12 para 13, é
deslumbrante. Só com a
iluminação de velas e o andor de
Nossa Senhora de Fátima
passeando pelo meio. É
inesquecível.

Procissão das velas
gadgets.clix.pt

A MENSAGEM DE FÁTIMA
Na passagem do segundo para o
terceiro milénio, o Papa João
Paulo II decidiu tornar público
o texto da terceira parte do
«segredo de Fátima».
Depois dos acontecimentos
dramáticos e cruéis do século
XX, um dos mais tormentosos da
história do homem, com o ponto
culminante no cruento atentado
ao «doce Cristo na terra»,
abre-se assim o véu sobre uma
realidade que faz história e a
interpreta na sua profundidade
segundo uma dimensão espiritual,
a que é refractária a
mentalidade actual,
frequentemente eivada de
racionalismo.
A história está constelada de
aparições e sinais
sobrenaturais, que influenciam o
desenrolar dos acontecimentos
humanos e acompanham o caminho
do mundo, surpreendendo crentes
e descrentes. Estas
manifestações, que não podem
contradizer o conteúdo da fé,
devem convergir para o objecto
central do anúncio de Cristo: o
amor do Pai que suscita nos
homens a conversão e dá a graça
para se abandonarem a Ele com
devoção filial. Tal é a mensagem
de Fátima, com o seu veemente
apelo à conversão e à
penitência, que leva realmente
ao coração do Evangelho.
Fátima é, sem dúvida, a mais
profética das aparições
modernas. A primeira e a segunda
parte do «segredo», que são
publicadas em seguida para ficar
completa a documentação, dizem
respeito antes de mais à
pavorosa visão do inferno, à
devoção ao Imaculado Coração de
Maria, à segunda guerra mundial,
e depois ao prenúncio dos danos
imensos que a Rússia, com a sua
defecção da fé cristã e adesão
ao totalitarismo comunista,
haveria de causar à humanidade.
Em 1917, ninguém poderia ter
imaginado tudo isto: os três
pastorinhos de Fátima vêem,
ouvem, memorizam, e Lúcia, a
testemunha sobrevivente, quando
recebe a ordem do Bispo de
Leiria e a autorização de Nossa
Senhora, põe por escrito.
Para a exposição das primeiras
duas partes do «segredo», aliás
já publicadas e conhecidas, foi
escolhido o texto escrito pela
Irmã Lúcia na terceira memória,
de 31 de Agosto de 1941; na
quarta memória, de 8 de Dezembro
de 1941, ela acrescentará
qualquer observação.
Os três
Pastorinhos

Os três
Pastorinhos
A terceira parte
do «segredo» foi escrita «por
ordem de Sua Ex.cia Rev.ma o
Senhor Bispo de Leiria e da
(...) Santíssima Mãe», no dia 3
de Janeiro de 1944.
O envelope selado foi guardado
primeiramente pelo Bispo de
Leiria. Para se tutelar melhor o
«segredo», no dia 4 de Abril de
1957 o envelope foi entregue ao
Arquivo Secreto do Santo Ofício.
Disto mesmo, foi avisada a Irmã
Lúcia pelo Bispo de Leiria.
Segundo apontamentos do Arquivo,
no dia 17 de Agosto de 1959 e de
acordo com Sua Eminência o
Cardeal Alfredo Ottaviani, o
Comissário do Santo Ofício,
Padre Pierre Paul Philippe OP,
levou a João XXIII o envelope
com a terceira parte do «segredo
de Fátima». Sua Santidade,
«depois de alguma hesitação»,
disse: «Aguardemos. Rezarei.
Far-lhe-ei saber o que decidi.
(1)

João XXIII
editoraseculo21.bravehost.com
Na realidade, a
decisão do Papa João XXIII foi
enviar de novo o envelope selado
para o Santo Ofício e não
revelar a terceira parte do
«segredo».
Paulo VI leu o conteúdo com o
Substituto da Secretaria de
Estado, Sua Exmª Revª D. Ângelo
Dell'Acqua, a 27 de Março de
1965, e mandou novamente o
envelope para o Arquivo do Santo
Ofício, com a decisão de não
publicar o texto.

Paulo VI
jorieos.blogspot.com
João Paulo II,
por sua vez, pediu o envelope
com a terceira parte do
«segredo», após o atentado de 13
de Maio de 1981. Sua Eminência o
Cardeal Franjo Seper, Prefeito
da Congregação, a 18 de Julho de
1981, entregou a Sua Ex.cia
Rev.ma D. Eduardo Martínez
Somalo, Substituto da Secretaria
de Estado, dois envelopes: um
branco, com o texto original da
Irmã Lúcia em língua portuguesa;
outro cor-de-laranja, com a
tradução do «segredo» em língua
italiana. No dia 11 de Agosto
seguinte, o Senhor D. Martínez
Somalo devolveu os dois
envelopes ao Arquivo do Santo
Ofício.(2)
Como é sabido, o Papa João Paulo
II pensou imediatamente na
consagração do mundo ao
Imaculado Coração de Maria e
compôs ele mesmo uma oração para
o designado «Acto de Entrega»,
que seria celebrado na Basílica
de Santa Maria Maior a 7 de
Junho de 1981, solenidade de
Pentecostes, dia escolhido para
comemorar os 1600 anos do
primeiro Concílio
Constantinopolitano e os 1550
anos do Concílio de Éfeso.

João Paulo II
academus.com.br
O
Papa, forçadamente ausente,
enviou uma radiomensagem com a
sua alocução. Transcrevemos a
parte do texto, onde se refere
exactamente o acto de entrega:
«Ó Mãe dos homens e dos povos,
Vós conheceis todos os seus
sofrimentos e as suas
esperanças, Vós sentis
maternalmente todas as lutas
entre o bem e o mal, entre a luz
e as trevas, que abalam o mundo,
acolhei o nosso brado, dirigido
no Espírito Santo directamente
ao vosso Coração, e abraçai com
o amor da Mãe e da Serva do
Senhor aqueles que mais esperam
por este abraço e, ao mesmo
tempo, aqueles cuja entrega
também Vós esperais de maneira
particular. Tomai sob a vossa
protecção materna, a família
humana inteira, que, com enlevo
afectuoso, nós Vos confiamos, ó
Mãe. Que se aproxime para todos
o tempo da paz e da liberdade, o
tempo da verdade, da justiça e
da esperança». (3)
Mas, para responder mais
plenamente aos pedidos de Nossa
Senhora, o Santo Padre quis,
durante o Ano Santo da Redenção,
tornar mais explícito o acto de
entrega de 7 de Junho de 1981,
repetido em Fátima no dia 13 de
Maio de 1982. E, no dia 25 de
Março de 1984, quando se recorda
o facto pronunciado por Maria no
momento da Anunciação, na Praça
de S. Pedro, em união espiritual
com todos os Bispos do mundo
precedentemente «convocados», o
Papa entrega ao Imaculado
Coração de Maria os homens e os
povos, com expressões que
lembram as palavras
ardorosamente pronunciadas em
1981:
«E por isso, ó Mãe dos homens e
dos povos, Vós que conheceis
todos os seus sofrimentos e as
suas esperanças, Vós que sentis
maternalmente todas as lutas
entre o bem e o mal, entre a luz
e as trevas, que abalam o mundo
contemporâneo, acolhei o nosso
clamor que, movidos pelo
Espírito Santo, elevamos
directamente ao vosso Coração:
Abraçai, com amor de Mãe e de
Serva do Senhor, este nosso
mundo humano, que Vos confiamos
e consagramos, cheios de
inquietude pela sorte terrena e
eterna dos homens e dos povos.
De modo especial Vos entregamos
e consagramos aqueles homens e
aquelas nações que desta entrega
e desta consagração têm
particularmente necessidade.
"À vossa protecção nos
acolhemos, Santa Mãe de Deus!
Não desprezeis as súplicas que
se elevam de nós que estamos na
provação!".
Depois, o Papa continua com
maior veemência e concretização
de referências, quase comentando
a Mensagem de Fátima nas suas
predições infelizmente
cumpridas:
«Encontrando-nos hoje diante
Vós, Mãe de Cristo, diante do
vosso Imaculado Coração,
desejamos, juntamente com toda a
Igreja, unir-nos à consagração
que, por nosso amor, o vosso
Filho fez de Si mesmo ao Pai:
"Eu consagro-Me por eles — foram
as suas palavras — para eles
serem também consagrados na
verdade" (Jo 17, 19). Queremos
unir-nos ao nosso Redentor,
nesta consagração pelo mundo e
pelos homens, a qual, no seu
Coração Divino, tem o poder de
alcançar o perdão e de conseguir
a reparação.
A força desta consagração
permanece por todos os tempos e
abrange todos os homens, os
povos e as nações; e supera todo
o mal, que o espírito das trevas
é capaz de despertar no coração
do homem e na sua história e
que, de facto, despertou nos
nossos tempos.
Oh quão profundamente sentimos a
necessidade de consagração pela
humanidade e pelo mundo: pelo
nosso mundo contemporâneo, em
união com o próprio Cristo! Na
realidade, a obra redentora de
Cristo deve ser participada pelo
mundo por meio da Igreja.
Manifesta-o o presente Ano da
Redenção: o Jubileu
extraordinário de toda a Igreja.
Neste Ano Santo, bendita sejais
acima de todas as criaturas Vós,
Serva do Senhor, que obedecestes
da maneira mais plena ao
chamamento Divino!
Louvada sejais Vós, que estais
inteiramente unida à consagração
redentora do vosso Filho!
Mãe da Igreja! Iluminai o Povo
de Deus nos caminhos da fé, da
esperança e da caridade!
Iluminai de modo especial os
povos dos quais Vós esperais a
nossa consagração e a nossa
entrega. Ajudai-nos a viver na
verdade da consagração de Cristo
por toda a família humana do
mundo contemporâneo.
Confiando-Vos, ó Mãe, o mundo,
todos os homens e todos os
povos, nós Vos confiamos também
a própria consagração do mundo,
depositando-a no vosso Coração
materno.
Oh Imaculado Coração! Ajudai-nos
a vencer a ameaça do mal, que se
enraíza tão facilmente nos
corações dos homens de hoje e
que, nos seus efeitos
incomensuráveis, pesa já sobre a
vida presente e parece fechar os
caminhos do futuro!
Da fome e da guerra, livrai-nos!
Da guerra nuclear, de uma
autodestruição incalculável, e
de toda a espécie de guerra,
livrai-nos!
Dos pecados contra a vida do
homem desde os seus primeiros
instantes, livrai-nos!
Do ódio e do aviltamento da
dignidade dos filhos de Deus,
livrai-nos!
De todo o género de injustiça na
vida social, nacional e
internacional, livrai-nos!
Da facilidade em calcar aos pés
os mandamentos de Deus,
livrai-nos!
Da tentativa de ofuscar nos
corações humanos a própria
verdade de Deus, livrai-nos!
Da perda da consciência do bem e
do mal, livrai-nos!
Dos pecados contra o Espírito
Santo, livrai-nos, livrai-nos!
Acolhei, ó Mãe de Cristo, este
clamor carregado do sofrimento
de todos os homens! Carregado do
sofrimento de sociedades
inteiras!
Ajudai-nos com a força do
Espírito Santo a vencer todo o
pecado: o pecado do homem e o
"pecado do mundo", enfim o
pecado em todas as suas
manifestações.
Que se revele uma vez mais, na
história do mundo, a força
salvadora infinita da Redenção:
a força do Amor misericordioso!
Que ele detenha o mal! Que ele
transforme as consciências! Que
se manifeste para todos, no
vosso Imaculado Coração, a luz
da Esperança!».(4)



A Irmã Lúcia confirmou pessoalmente que este
acto, solene e universal, de consagração, correspondia àquilo que Nossa Senhora
queria: «Sim, está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março
de 1984» (carta de 8 de Novembro de 1989). Por isso, qualquer discussão e
ulterior petição não tem fundamento.
Na documentação apresentada, para além das páginas manuscritas da Irmã Lúcia,
inserem-se mais quatro textos:
1) A carta do Santo Padre à Irmã Lúcia, datada de 19 de Abril de 2000;
2) Uma descrição do colóquio que houve com a Irmã Lúcia no dia 27 de Abril de
2000;
3) A comunicação lida, por encargo do Santo Padre, por Sua Eminência o Cardeal
Ângelo Sodano, Secretário de Estado, em Fátima, no dia 13 de Maio deste ano;
4) O comentário teológico de Sua Eminência o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé.
Irmã Lúcia
opusdei.org.br
Uma orientação para a
interpretação da terceira
parte do «segredo» tinha
sido já oferecida pela Irmã
Lúcia, numa carta dirigida
ao Santo Padre a 12 de Maio
de 1982, onde dizia:
«A terceira parte do segredo
refere-se às palavras de
Nossa Senhora: "Senão, [a
Rússia] espalhará os seus
erros pelo mundo, promovendo
guerras e perseguições à
Igreja. Os bons serão
martirizados, o Santo Padre
terá muito que sofrer,
várias nações serão
aniquiladas" (13-VII-1917).
A terceira parte do segredo
é uma revelação simbólica,
que se refere a este trecho
da Mensagem, condicionada ao
facto de aceitarmos ou não o
que a Mensagem nos pede: "Se
atenderem a meus pedidos, a
Rússia converter-se-á e
terão paz; senão, espalhará
os seus erros pelo mundo,
etc".
Porque não temos atendido a
este apelo da Mensagem,
verificamos que ela se tem
cumprido, a Rússia foi
invadindo o mundo com os
seus erros. E se não vemos
ainda, como facto consumado,
o final desta profecia,
vemos que para aí caminhamos
a passos largos. Se não
recuarmos no caminho do
pecado, do ódio, da
vingança, da injustiça
atropelando os direitos da
pessoa humana, da
imoralidade e da violência,
etc.
E não digamos que é Deus que
assim nos castiga; mas, sim,
que são os homens que para
si mesmos se preparam o
castigo. Deus apenas nos
adverte e chama ao bom
caminho, respeitando a
liberdade que nos deu; por
isso, os homens são
responsáveis».

A decisão
tomada pelo Santo Padre João
Paulo II de tornar pública a
terceira parte do «segredo»
de Fátima encerra um pedaço
de história, marcado por
trágicas veleidades humanas
de poder e de iniquidade,
mas permeada pelo amor
misericordioso de Deus e
pela vigilância cuidadosa da
Mãe de Jesus e da Igreja.
Acção de Deus, Senhor da
história, e
corresponsabilidade do
homem, no exercício
dramático e fecundo da sua
liberdade, são os dois
alicerces sobre os quais se
constrói a história da
humanidade.
Ao aparecer em Fátima, Nossa
Senhora faz-nos apelo a
estes valores esquecidos, a
este futuro do homem em
Deus, do qual somos parte
activa e responsável.
Tarcisio Bertone, SDB
Arcebispo emérito de
Vercelli
Secretário da Congregação
para a Doutrina da Fé
O
«SEGREDO» DE FÁTIMA
PRIMEIRA E SEGUNDA PARTE DO
«SEGREDO» SEGUNDO A REDACÇÃO
FEITA PELA IRMÃ LÚCIA NA
«TERCEIRA MEMÓRIA», DE 31 DE
AGOSTO DE 1941, DESTINADA AO
BISPO DE LEIRIA-FÁTIMA
parcial do
manuscrito
vatican.va
Integrada
no texto de Rita Almeida
Carvalho, intitulado "Fátima
e Salazar", a seguinte
cronologia que passamos a
apresentar:
CRONOLOGIA
1917
Maio, 13 - Primeira alegada
aparição da Senhora de
Fátima aos pastores
Francisco, Jacinta e Lúcia.
Outubro, 13 - Uma multidão
de 60000 a 80000 pessoas
reúne-se na Cova da Iria
para assistir à "dança do
sol".
Novembro - Inicia-se o
processo canónico preliminar
de inquirição, com os
interrogatórios aos alegados
videntes. Durará até Abril
de 1919.
Novembro, 7- Revolução
Russa, constituição dum
governo com maioria
bolchevique.
1918
Novembro, 11 - Assinatura do
Armistício que põe fim à I
Guerra Mundial.
Novembro, 18 - Greve geral
convocada pela União
Operária Nacional.
1919
Abril - Inicia-se na Cova da
Iria a construção duma
pequena capela.
Abril, 4 - Morre Francisco,
vítima da pneumónica.
1920
Março, 2 - Morre Jacinta,
vítima da pneumónica.
Agosto, 15 - D. José Alves
Correia da Silva é nomeado
novo bispo de Leiria.
1921
Junho - Lúcia entra no
recolhimento do Vilar.
Outubro, 13 - Celebração na
Cova da Iria da primeira
missa autorizada por Correia
da Silva.
1922
Março, 6 - A capela da Cova
da Iria é destruída por uma
bomba. A sua reconstrução
irá iniciar-se em Dezembro.
Maio, 13 - Missa de
desagravo pelo atentado
bombista. Grande aumento do
afluxo de peregrinos.
Outubro, 29 - Nomeação de
Mussolini para a chefia do
governo.
1926
Maio, 28 - Golpe de Estado,
início da ditadura.
1927
Outubro - Correia da Silva
adquire para a diocese os
terrenos da Cova da Iria.
1928
Abril, 27 - António de
Oliveira Salazar assume a
pasta das Finanças.
Maio, 13 - Inicia-se a
construção da Basílica na
Cova da Iria.
1929
Acordo de Latrão entre
Mussolini e a Igreja.
Maio, 13 - Carmona e Salazar
deslocam-se a Fátima.
1930
Outubro, 13 - Carta pastoral
do bispo de Leiria
defendendo Fátima contra as
suspeições de fraude.
1933
Janeiro, 31 - Nomeação de
Hitler para a chefia do
governo.
Julho, 20 - Assinatura da
Concordata entre Pacelli,
futuro Pio XII, e o governo
alemão.
1936
A instâncias do bispo de
Leiria, Lúcia terá iniciado
a redacção das suas
"Memórias". Ficarão
concluídas em 1941.
Julho, 18 - Putsch
franquista, início da Guerra
Civil de Espanha.
1938
Maio, 13 - Às habituais
comemorações de Fátima
associam-se manifestações de
júbilo pelas vitórias
franquistas na Guerra Civil
de Espanha.
1939
Setembro, 1 - Início da II
Guerra Mundial.
1940
Maio, 7 - Assinatura da
Concordata entre o Vaticano
e o governo português.
1941
Junho, 22 - Ataque da
Alemanha à URSS.
1942
Outubro, 31 - Em discurso
transmitido pela Rádio
Vaticano e pela Emissora
Nacional Portuguesa, Pio XII
refere-se favoravelmente a
Fátima.
Dezembro, 24 - Homilia de
Natal de Pio XII, evitando
mencionar o extermínio dos
judeus pelos nazis.
1946
Lúcia entrega ao bispo de
Leiria uma carta contendo o
"terceiro segredo". A carta
fica fechada no cofre da
diocese. Será enviada para o
Arquivo do Santo Ofício, no
Vaticano, em 1957.
Maio, 12 - O cardeal Bento
Masella, enviado a Fátima
por Pio XII, é recebido em
Portugal com honras de chefe
de Estado.
1955
Janeiro, 22 - Comemorações
das bodas de prata do bispo
de Leiria, com a presença de
Craveiro Lopes, Salazar e
membros do governo.
1958
Março, 13 - Morre D. José
Alves Correia da Silva, que
fora o mais activo promotor
do reconhecimento do alegado
milagre e ao longo de 38
anos de gestão diocesana de
Leiria se tornara conhecido
como "bispo de Fátima".
Maio, 13 - Com a campanha
presidencial de Delgado em
pano de fundo, os militares
fiéis a Salazar comparecem
em Fátima em número muito
maior do que nos anos
anteriores.
1961
Julho, 7 - O papa João XXIII
manifesta informalmente ao
embaixador português
preocupação com a
eventualidade de se "fazer
dizer à irmã Lúcia (...)
mais do que ela estaria em
condições de dizer",
nomeadamente em relação à
Rússia.
1964
O papa Paulo VI visita a
União Indiana, causando o
desagrado do governo
português.
Setembro, 17 - No Vaticano o
embaixador português é pela
primeira vez sondado sobre o
efeito compensatório que
poderia ter uma visita do
papa a Portugal.
1965
Maio, 13 - O secretário de
Estado do Vaticano, cardeal
Fernando Cento, vem a
Portugal e louva Portugal
"nação sempre fidelíssima".
Maio, 14 - O MNE, Franco
Nogueira, discursa em tom de
reconciliação num banquete
oferecido ao enviado papal.
1967
Maio, 13 - Visita do papa
Paulo VI a Fátima.
1981
Outubro, 13 - Atentado de
Ali Agca, militante turco de
extrema-direita, contra o
papa João Paulo II em Roma.
2000
Maio, 13 - João Paulo II
procede em Fátima à
beatificação de Francisco e
Jacinta. O cardeal Angel
Sodano declara que o
"terceiro segredo" consistia
na previsão do atentado de
Ali Agca.
Primeira mensagem do
Pontífice sobre Fátima
recorda devoção polaca.
O Santuário de Fátima
divulgou domingo a primeira
mensagem trocada com João
Paulo II, então como
arcebispo de Cracóvia, em
que este recorda a devoção
do povo polaco pela mensagem
Mariana.
Dirigindo-se ao então bispo
de Leiria-Fátima, D. João
Pereira Venâncio, o
arcebispo de Cracóvia, D.
Karol Wojtyla, escrevia que
não poderia estar presente
nas comemorações dos 50 anos
das Aparições, em 1967.
"Vossa Excelência conhece a
devoção do povo polaco à
Santíssima Virgem. Sem
dúvida que todos
compartilhamos aqui os
vossos sentimentos nobres e
calorosos durante o vosso
grande Cinquentenário",
refere a missiva, assinada
pelo futuro Papa João Paulo
II.
Depois, já Papa e meses após
o atentado que sofreu a 13
de Maio de 1981, João Paulo
II afirmou numa eucaristia
que devia a sua vida a Nossa
Senhora de Fátima e visitou
mesmo o Santuário em 1982,
viagem que repetiu por mais
duas ocasiões.
Capelinha das
Aparições
sereamar.blogs.sapo.pt
Nas cerimónias deste dia, foi
colocado na Capelinha das
Aparições um quadro
representando João Paulo II
inclinado junto da imagem de
Nossa Senhora de Fátima, que foi
oferecido pelos doentes da
Diocese do Funchal.
Este quadro, que tem estado
exposto na recepção da Reitoria
do Santuário de Fátima, foi
elaborado com base numa
fotografia tirada em 1981 na
Clínica Gemelli, em Roma, após o
atentado de 13 de Maio desse
ano.

CONGREGAÇÃO PARA AS CAUSAS
DOS SANTOS
HOMILIA DO CARDEAL JOSÉ
SARAIVA MARTINS
Santuário de
Fátima na Cova da Iria
13 de Maio de 2003
Em.mo Senhor Cardeal
Patriarca
Ex.mos Irmãos no Episcopado
Estimados Sacerdotes,
Religiosos e Religiosas
Caríssimos Irmãos e Irmãs em
Cristo
O Evangelho, que ouvimos,
convida-nos a meditar o
mistério da maternidade da
Virgem, Mãe de Deus e nossa
Mãe, à qual Jesus
Crucificado disse: "Mulher
eis o teu filho" e,
dirigindo-se ao discípulo
amado, que a todos nos
representava, acrescentou:
"Eis a tua mãe" (Jo 19,
26-27).
A partir da hora da cruz, "o
discípulo recebeu-a em sua
casa" (Jo 19, 27), isto é,
acolheu-a como sua, em nosso
nome. Maria, a mulher por
excelência, a nova Eva,
sendo Mãe da Cabeça que
trouxe no seu seio virginal,
tornou-se também, a partir
da hora da cruz, por vontade
e em virtude do testamento
espiritual e dos méritos do
Redentor, a Mãe dos crentes
e da Igreja, a Mãe
amantíssima de todos os
redimidos.
Esta nova maternidade
espiritual e mística de
Maria é o reflexo e o
prolongamento da maternidade
divina que a elevou sobre
todas as criaturas.
Maria nunca nos abandona.
Continua, a nosso favor, a
sua missão de intercessão
junto de Deus e, com o
exemplo, as palavras e as
manifestações da sua
bondade, pede-nos, como em
Caná: "Fazei tudo o que Ele
(Jesus Cristo, meu Filho)
vos disser" (Jo 2, 5).
As aparições e os apelos de
Nossa Senhora, há 86 anos,
aqui em Fátima, constituem
um eco, um sinal e um
prolongamento da solicitude
materna daquela que nos
exorta a ouvir e a seguir
Jesus, desejosa da plena
redenção dos filhos
confiados pelo Crucificado
ao seu coração maternal.
Os apelos da Virgem, por
meio dos pastorinhos, à fé,
à oração, à penitência, a
ouvir e a seguir, a amar e a
desagravar Deus Nosso
Senhor, são expressões da
solicitude materna
manifestada já durante a sua
vida terrena, em Nazaré, em
Caná, no Calvário e no
Cenáculo, no dia de
Pentecostes, onde Maria se
encontrava reunida com a
Igreja na fé e na oração.
A Mensagem de Fátima contém
apelos da mais candente
actualidade. Sublinho
quatro: a fé viva e
testemunhada, a conversão, a
paz e a esperança.

1. O primeiro é
um insistente apelo à fé,
contagiante, vigorosa e
irradiante dos três pastorinhos:
uma fé vivida em profundidade
nas formas mais simples da sua
expressão.
A sociedade de hoje é levedada
por múltiplos fermentos e
correntes culturais que põem em
perigo os próprios fundamentos
da fé cristã. Uma crescente e
desenfreada secularização leva
muitos a pensar e a viver como
se Deus não existisse ou então a
contentar-se com uma vaga
religiosidade, incapaz de se
confrontar com o problema da
verdade e com o dever da
coerência. De tudo isto deriva
um crescente obscurecimento do
sentido transcendente da
existência humana, um
relativismo ético difuso e uma
gradual perda do sentido do
pecado, já denunciada por Pio
XII: "o pecado do século é a
perda do sentido do pecado" (Pio
XII, Disc. e Rad., VIII, 1946,
288; cf. João Paulo II,
Reconciliatio et poenitentia,
1989, 18).
Mesmo entre os baptizados que se
confessam cristãos, nota-se uma
grande apatia, uma falta de
coerência, uma desarmonia entre
a fé e o agir quotidiano, uma
infidelidade aos valores e aos
princípios que deveriam nortear
e modelar a nossa vida. Falando
dessa incoerência, desse
dissídio entre a fé e o agir, o
Concílio Vaticano II constatou
que: "este divórcio entre a fé
que professam e o comportamento
quotidiano de muitos deve ser
contado entre os mais graves
erros do nosso tempo" (Gaudium
et spes, 43 ).
É neste contexto de
secularização e de indiferença
religiosa que se insere o apelo
da Mãe de Deus a viver em
plenitude e com renovado fervor
o inestimável dom da fé recebida
no Baptismo, de forma a que ela
penetre e ilumine toda a nossa
existência e oriente todas as
opções fundamentais da nossa
vida, para, deste modo, nos
tornarmos testemunhas fidedignas
do amor de Deus entre os homens.
Como notava Paulo VI, "aos
mestres, o homem contemporâneo
prefere escutar os que
testemunham, e se escuta os
mestres é porque testemunham"
(Paulo VI, Evangelii nuntiandi,
41; cf. Paulo VI, Insegnamenti,
XlI [1974] pp. 895-896). "As
palavras convencem, mas os
exemplos arrastam". O homem de
hoje desconfia das palavras;
quer factos. E é por isso que
observa com interesse, atenção e
até com admiração os que
testemunham.
A linguagem do testemunho é a
mais compreensível e convincente
para o homem do nosso tempo. Mas
tal testemunho exige fidelidade
absoluta aos valores humanos
profundamente enraizados no
tecido social e cultural do povo
português: exige o respeito do
ser humano, que vale pelo que é
e não pelo que tem; o respeito
da sua transcendente dignidade e
direitos fundamentais; a
rejeição do relativismo ético
que "tira à convivência civil
todo e qualquer ponto seguro de
referência e radicalmente a
priva do reconhecimento da
verdade"; exige a defesa da
família como sociedade natural
fundada no matrimónio; o
acolhimento e o respeito pela
vida desde a concepção até ao
seu termo natural. O cristão
está plenamente consciente de
que, à luz da fé, o "não da
Igreja ao aborto é um sim à
vida, um sim à bondade original
da criação, um sim à família,
primeira célula de esperança na
qual Deus se compraz,
convidando-a a tornar-se igreja
doméstica" (Synodus Episcoporum
Nuntius, 2001, pág. 43).
A força que o leva a ser
testemunha corajosa do Evangelho
e dos seus valores, o cristão
vai encontrá-la na vivência duma
profunda vida interior, no
intenso amor a Cristo a quem
deve abrir de par em par as
portas do coração, na graça
sacramental, especialmente na
graça da Reconciliação e da
Eucaristia e, finalmente, na
oração tão calorosamente
recomendada em Fátima, pelo Anjo
e por Nossa Senhora que na
quarta aparição pediu aos
videntes: "Rezai, rezai muito".

2. O segundo apelo de Nossa
Senhora é o apelo à
conversão, à penitência.
Logo na primeira aparição,
Ela pergunta aos três
pastorinhos se querem
oferecer-se e suportar todos
os sofrimentos que Deus lhes
mandar "como acto de
reparação pelos pecados com
que Ele é ofendido e de
súplica pela conversão dos
pecadores".
Converter-se a Deus é voltar
a Ele, aproximar-se da Sua
santidade, lançar-se de
novo, como o filho pródigo,
nos braços do Pai; é
reconquistar a alegria
perdida, a alegria de ser
salvos (Sl 51, 14), coisa
que muitos dos homens do
nosso tempo já não sabem
saborear.
Converter-se é manter com
Deus uma atitude de amorosa
escuta, como Samuel: "Falai,
Senhor, que o vosso servo
escuta" (1 Sm 3, 10 ).
E Deus não fala só através
da Bíblia e da Igreja, mas
também através da história,
por meio dos acontecimentos,
grandes ou pequenos, que
constituem o tecido da nossa
vida. Depende de nós,
reconhecer ou não em tudo
isso a voz do Senhor. É esta
a maneira de agir de Deus,
já no Antigo Testamento: Ele
revela-se e guia o Seu povo
por meio dos eventos
suscitados por Ele mesmo com
essa finalidade.
Mas não se pode ouvir Deus,
sem nele e à luz do
Evangelho, escutar a voz dos
irmãos, o grito dos pobres e
dos marginalizados, o gemido
dos oprimidos, o choro dos
doentes e desesperados, de
forma a encontrarem
ressonância no nosso coração
e respostas adequadas no
nosso agir. Significa ter em
relação a eles, sentimentos
de verdadeira solidariedade
e de participação nas suas
preocupações materiais e
espirituais.
Ninguém, por exemplo, pode
ficar indiferente ao drama
da fome e da pobreza extrema
de tantos milhões de homens,
numa época em que a
humanidade tem, como nunca,
nas suas mãos, os
instrumentos aptos para
operar uma justa partilha. É
inadmissível que, como
afirmam observadores
competentes da economia
mundial, 80% da população do
planeta viva com 20% apenas
dos seus recursos e que um
bilião e duzentos milhões de
pessoas sejam constrangidas
a "viver" com menos de um
euro por dia.
Como também ninguém pode
ficar indiferente ao grave
problema dos refugiados e
dos emigrantes que, por
causa das guerras, da
opressão política ou
discriminação económica, ou
por outro qualquer motivo,
são obrigados a abandonar a
própria terra e a própria
família para procurar
trabalho e tranquilidade (Syn.
Ep. Nuntius, 43). Ser
solidários com o sofrimento
destes nossos irmãos faz
também parte da conversão.

3. Não menos importante e nem menos actual é o apelo que a Virgem
faz à paz. Pede aos pastorinhos para que se reze "para obter a paz do mundo
e o fim da guerra" (a primeira guerra mundial então em curso) e promete-lhes
que, se for satisfeito este seu pedido, "haverá paz".
Também hoje, se respira uma crescente exigência de concórdia e de paz, num
mundo cada vez mais interdependente, com uma rede global de trocas e
comunicações mas em que, infelizmente, assistimos à exasperação de conflitos
crónicos como os da Terra Santa, do Médio Oriente e de outras regiões da
Terra. A tudo isto vem juntar-se o terrorismo internacional nas suas novas e
assustadoras dimensões (João Paulo II, Disc. ao Parl. ital., 15.11.2002).
A história ensina que na origem das guerras estão sempre situações
intoleráveis de injustiça e a negação de certos valores, sem os quais, como
diz o Papa João Paulo II "uma democracia facilmente se converte em
totalitarismo descarado ou dissimulado, como demonstra a história do século
XX apenas terminado" (Supl., 96; Disc. Parl. ital., l.c.). A justiça,
acompanhada da forma de amor que é o perdão, é o pilar insubstituível da
verdadeira paz. Sem ela, não pode haver paz, que é fruto e obra da justiça
opus justitiae pax como diz o profeta Isaías (cf. Is 32, 1.7).
Na senda da Encíclica Pacem in terris do Beato João XXIII, o Papa João Paulo
II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, apontou como condições
essenciais da paz quatro exigências concretas da alma humana: a verdade, a
justiça, o amor e a liberdade. Já na Mensagem do ano anterior, 2002, o mesmo
João Paulo II nos ensinava que "não há paz sem justiça e não há justiça sem
perdão".
Os conflitos que afligem o mundo de hoje e são fonte de indizíveis
sofrimentos para tantos nossos irmãos, exortam a consciência dos cristãos a
empenhar-se e a rezar pela paz. E rezar pela paz significa, como diz o Papa,
"abrir o coração humano à irrupção do poder renovador de Deus, pois só Ele
pode criar aberturas para a paz, lá onde parece haver só obstáculos e
oclusões; só Ele pode consolidar e alargar a solidariedade da família
humana, não obstante longas histórias de divisões e de lutas. Rezar pela paz
significa rezar pela justiça, por uma melhor distribuição dos bens da terra"
(João Paulo II, Mensagem da Paz de 2001, n. 18).
A oração mais eficaz para obter a paz é a do Rosário a que o Santo Padre
dedicou este ano. Nossa Senhora recomendou-o várias vezes nas aparições aqui
na Cova da Iria: "Rezai o Terço todos os dias para obter a paz para o
mundo", pediu Nossa Senhora aos pastorinhos. O Rosário é, de facto, "uma
oração orientada por sua natureza para a paz, porque consiste na
contemplação de Cristo, Príncipe da Paz e "nossa paz" (Ef 2,14). Ao mesmo
tempo que nos faz fixar os olhos em Cristo, a oração do Rosário torna-nos
construtores de paz no mundo" (RVM, 40).
Em boa hora se iniciou pois, a recitação diária do Terço a partir deste
Santuário e transmitido pela Rádio Renascença para todo o Portugal.

4. Finalmente a Mãe de Deus fez,
em Fátima, um apelo à esperança.
A sua mensagem de amor não podia
deixar de ser também uma
mensagem de esperança. E, de
facto, as suas palavras são um
vigoroso apelo àquela esperança
que é dom Pascal do Senhor (cf.
Syn. Ep. Nuntius), à esperança
que renova radicalmente a
história, dando-lhe um sabor e
uma beleza nova, cujo alicerce
inabalável é Cristo.
Apesar das muitas sombras que
pairam sobre o mundo, são também
muitos os sinais de esperança.
Com efeito, ao lado de tantas
tragédias e do egoísmo dos
projectos humanos sem
transcendência, por parte de
pessoas e grupos, nota-se hoje
um crescente desejo de
espiritualidade, de comunhão e
de colaboração; assiste-se a uma
séria procura do sentido e da
qualidade de vida a todos os
níveis, mesmo espiritual; e, não
obstante a progressiva
indiferença religiosa, "o mundo,
paradoxalmente, procura Deus
através de caminhos imprevistos
e sente necessidade dele" (Paulo
VI, Evangelii nuntiandi, 76).
Donde se conclui que o homem tem
saudade de Deus.
Pode, por vezes, parecer que
prevalecem as forças do mal, mas
o cristão, que lê os
acontecimentos à luz do mistério
Pascal, sabe que acabará por
triunfar a terna misericórdia de
Deus: "Onde abundou o pecado,
superabundou a graça" (Rm 5,
20); sabe que o mundo em que
vivemos será um dia, "realmente
transformado num mundo em que as
aspirações mais nobres do
coração humano poderão ser
satisfeitas" (João Paulo II,
Mensagem para o Dia Mundial da
Paz de 2001, n. 6), no mundo de
que fala a primeira Leitura da
Missa que estamos celebrando.
Todos nós somos chamados para a
"construção" deste novo mundo,
mais justo, mais humano e por
isso mesmo, mais cristão:
vivendo e anunciando com coragem
o Evangelho da esperança, que é
o Evangelho do Magnificat, o
Evangelho de Maria, o Evangelho
da Branca Senhora de Fátima,
spes nostra: a esperança nossa e
do mundo.

Jacinta Marto
O Segredo de
Jacinta, a admirável vidente
de Fátima
Jacinta era uma criança quando
Nossa Senhora apareceu. Entra na
História aos sete anos,
precisamente na idade que
habitualmente se costuma indicar
como a do começo da vida
consciente e da razão. Em que
medida uma criatura dessa idade
é capaz de praticar a virtude? E
de praticá-la de modo heróico?
A história da espiritualidade
católica tem exemplos
surpreendentes de santidade a
pouca idade: Santa Maria Goretti,
martirizada aos 11 anos com
plena consciência do que fazia;
São Domingos Sávio, que morreu
aos 15 anos.
Jacinta – e seu irmão Francisco
– depois de um rigoroso processo
em Roma, tiveram reconhecidas
suas virtudes heróicas, podendo
ser venerados privadamente como
santos. Qual o segredo da
santidade de Jacinta? O tema vem
ocupando actualmente a atenção
dos católicos e merece ser
conhecido por nossos leitores.
Atílio Faoro:
Jamais se vira, naquele lugar,
uma coisa igual: 70 mil pessoas,
vindas de todas as partes de
Portugal, estão reunidas, sob a
chuva, no local que se chama
Cova da Iria. O que aconteceu?
Estamos no dia 13 de Outubro de
1917. A duras penas, os três
pastorinhos tentam varar a
multidão rumo a suas pequenas
casas em Aljustrel. A menor das
crianças - nossa Jacinta - é
conduzida através de atalhos por
um soldado, que a protege das
manifestações de entusiasmo de
pessoas que desejam vê-la e
dirigir-lhe a palavra. Milhares
de perguntas, pedidos de oração
e intercessões. Conversões,
lágrimas de alegria...
As crianças – Lúcia, Francisco e
Jacinta - não prestam atenção na
multidão reunida, a qual
presenciara o milagre do sol ao
final da última aparição. Suas
mentes estão tomadas pela
sublimidade e pelo esplendor do
extraordinário fato sobrenatural
que há pouco acabam de
contemplar. A Senhora do Céu,
com quem haviam falado seis
vezes, acabava de realizar o
milagre prometido...
Desapego quanto a louvores dos
homens
Jacinta Marto, com apenas sete
anos de idade, é dotada de
seriedade marcante. A fronte
franzida indica profunda
preocupação. Os olhos, que ainda
reflectem maravilhosamente o
brilho do que haviam
contemplado, estão contraídos
mas calmos, indicando uma alma
inclinada ao recolhimento.
O que dizer desta fisionomia?
Talvez Jacinta se esteja
lembrando dos penosos caminhos
percorridos anteriormente em
meio ao desprezo, aos
impropérios e até aos golpes
daqueles que agora estão no meio
da multidão. Não, a alegria do
momento não a impressiona, ela
conhece bem a inconstância do
espírito humano. Sua vontade
está posta em Deus, no
cumprimento de Sua vontade, de
tal modo que, depois das
aparições, levou verdadeiramente
a vida de uma grande santa. A
Congregação para a Causa dos
Santos constatou: sua vontade
era inteiramente submissa à de
Deus. Como seria útil,
principalmente para os nossos
dias, conhecer a vida desta
criança.
A caminho da santidade
No espaço de tempo que vai dos
sete aos dez anos, em que
suportou heroicamente o fardo da
doença que a levaria à morte,
Jacinta trilhou o caminho da
santidade. Já nessa tão precoce
idade conheceu profundamente a
realidade da vida. Sua
existência foi curta, porém
repleta de acontecimentos
extraordinários e até mesmo
fascinantes. A descrição deles
extrapolaria os limites deste
artigo. Temos que nos cingir aos
traços marcantes de sua alma, a
algumas cenas de sua vida e
mencionar alguns testemunhos.
O caminho da santidade, a que já
nos referimos, esta menina o
percorreu de tal maneira que
seus pais e parentes chegaram a
exclamar a respeito dela e dos
outros dois videntes: "É um
mistério que não dá para
compreender. São crianças como
outras quaisquer. No entanto,
percebe-se nelas qualquer coisa
de extraordinário!" Sim, o que
havia de extraordinário nessas
crianças que as pessoas (até
hoje!) não conseguem entender?
Quem foi Jacinta Marto? Última
de uma grande prole, nasceu em
11 de março de 1910. De natureza
meiga, era uma criança como as
outras. Brincava, cantava, tinha
seus defeitos maiores ou
menores, o seu temperamento e,
naturalmente, suas
preferências... até 13 de maio
de 1917.
Oração e sacrifícios resgatam
pecadores
Depois desse dia, empreendeu
Jacinta uma mudança interior
profunda, uma conversão de sua
vida como Nossa Senhora tinha
pedido. As palavras de Maria
Santíssima impregnaram de modo
indelével sua alma e passaram a
ser o conteúdo, o ideal de sua
vida. Mais ainda, colocou esse
ideal em prática.
"Fazei penitência pelos
pecadores! Muitos vão para o
inferno porque ninguém reza e se
sacrifica por eles." - Tais
palavras encontraram profunda
ressonância em Jacinta. E com
que inquebrantável vontade fazia
ela penitência! Aqui vão
mencionados alguns exemplos
desta jovem e já grande santa.
Ela não hesitava em
frequentemente jejuar um dia
inteiro, sem nada comer ou
beber, dando alegremente seu pão
às crianças pobres. Em outros
dias, comia justamente aquilo
que mais detestava. Trazia como
penitência uma corda em torno da
cintura. Nada, nenhum sacrifício
lhe parecia demasiado grande,
tratando-se da salvação das
almas!
O pecado e o Céu em sua
espiritualidade
De fato, pode-se dizer que a
espiritualidade de Jacinta
funda-se nos pedidos formulados
por Nossa Senhora. Ela contém
dois aspectos importantes: 1)
claro conceito do pecado; 2)
noção muito definida da beleza
sobrenatural do Céu. Exactamente
dois pontos em relação aos quais
nossa época está imensamente
distante.
Não se fala mais em pecado. Esta
palavra está sendo omitida na
catequese e banida do pensamento
das pessoas. Juntamente com
isso, vai sendo também eliminada
necessariamente a ideia do
próprio Deus! Pois, de que outra
coisa se trata senão da honra
divina que é ofendida pelo
pecado?
Estreitamente relacionado com
esse pensamento vem o segundo
ponto: a noção clara da beleza
sobrenatural do Céu. Quanto mais
intensamente uma alma tem essa
noção do sobrenatural celeste,
tanto mais fácil será sua
correspondência às solicitações
da Mãe de Deus. Jacinta é um
exemplo concreto arrebatador de
tal correspondência. A mensagem
de sua vida convida-nos a
reconhecer esses aspectos da
mensagem de Nossa Senhora e a
torná-los o eixo orientador de
nossas vidas.
Enormes penitências salvaram
muitas almas
Profundamente impressionada pela
visão do inferno e pelo mistério
da eternidade, Jacinta não
poupou nenhum sacrifício visando
a conversão dos pecadores. Em
sua doença - uma tuberculose que
a levou à morte - oferecia
principalmente suas dores: "Sim,
eu sofro, porém ofereço tudo
pelos pecadores, para desagravar
o Imaculado Coração de Maria. Ó
Jesus, agora podeis salvar
muitos pecadores porque este
sacrifício é muito grande".
Todos os que conheciam Jacinta
sentiam certo respeito por ela.
Lúcia, sua prima, escreve:
"Jacinta era também aquela a
quem, me parece, a Santíssima
Virgem deu a maior plenitude de
graças, conhecimento de Deus e
da virtude. Ela parecia
reflectir em tudo a presença de
Deus."
Mesmo na sua dolorosa moléstia
mostrava-se sempre paciente, sem
reclamações, inteiramente
despretensiosa. Conduta que não
correspondia ao seu carácter
natural. O que possibilitava a
essa criança a prática de tal
fortaleza e manifestar
semelhante comportamento?
A própria Jacinta dá resposta a
essa pergunta em sua exclamação:
"Gosto tanto de Nosso Senhor e
de Nossa Senhora que nunca me
canso de dizer que Os amo.
Quando eu digo isso muitas
vezes, parece-me que tenho um
lume no peito, mas não me
queima!" O amor ardente a Jesus
e Maria! Este foi o amor que
transformou Jacinta e que fez
dela uma cópia fiel das virtudes
da Virgem Santíssima.
Último sacrifício: na morte,
isolamento
Tão heróica foi a morte quanto a
vida de Jacinta, num hospital de
Lisboa, inteiramente sozinha.
Este fato foi objecto de uma das
últimas previsões recebidas por
Jacinta, directamente de Nossa
Senhora. Com que coragem
conservou a menina este
pensamento! Deixemo-la narrar
esta profecia, por ela confiada
a Lúcia:
"Nossa Senhora disse-me que vou
para Lisboa, para outro
hospital; que não te torno a
ver, nem aos meus pais; que
depois de sofrer muito, morro
sozinha; mas que não tenha medo,
que me vai lá Ela me buscar para
o Céu."
Nossa Senhora anunciou também o
dia e a hora em que deveria
morrer. Quatro dias antes, a
Santíssima Virgem tirou-lhe
todas as dores. Como ninguém
esteve presente nesse grandioso
momento, podemos apenas imaginar
a cena. Como terá sido a
recepção deste pequeno lírio no
Céu? Diante de Nossa Senhora,
aquele rosto virginal não estará
mais contraído pelo sofrimento,
mas resplandecente em presença
d’Aquele que foi o Fundamento de
sua vida: "Se eu pudesse meter
no coração de toda a gente o
lume que tenho cá dentro do
peito e a fazer-me gostar tanto
do Coração de Jesus e do Coração
de Maria!"
De que maneira o conhecimento da
vida de Jacinta actua sobre as
almas, pode-se deduzir das
palavras do postulador das
Causas de Beatificação dela e de
seu irmão Francisco: "Nunca na
História da Igreja duas crianças
foram tão conhecidas e estimadas
quanto Francisco e Jacinta. Elas
têm trazido inúmeras almas para
o caminho da perfeição".
Desejamos que a vida de Jacinta
tenha no Brasil grande
divulgação para a salvação das
almas e o breve triunfo do
Imaculado Coração de Maria!
"Sua entrega à vontade de Deus
foi total"

Decreto da Santa Sé declara
as virtudes de Jacinta
A
13 de Maio de 1989, um
decreto da Congregação para
a Causa dos Santos, assinado
pelo Cardeal Angelo Felici,
declarou a heroicidade das
virtudes da Serva de Deus
Jacinta Martos.
O documento, lembrando as
palavras de Nosso Senhor "Se
não fizerdes como um destes
pequeninos não entrareis no
Reino dos Céus" (Mt 18,3),
afirma que Jacinta
"correspondendo sem reservas
à graça divina realizou
rapidamente uma grande
perfeição na imitação de
Cristo e voluntariamente
consumiu sua breve
existência pela glória de
Deus, cooperando na salvação
das almas mediante fervorosa
oração e assídua
penitência".
Depois de resumir sua vida,
o decreto declara que "sua
entrega à vontade de Deus
foi total", o esforço "para
corresponder ao amor e às
graças de Deus foi
constante", dando provas de
"possuir em alto grau as
virtudes teológicas e as
virtudes da prudência,
justiça, temperança,
humildade, sinceridade e
modéstia".
Na mesma data, a Santa Sé
declarou as virtudes do
Servo de Deus Francisco
Marto, irmão de Jacinta.

A morte de Lúcia
Fevereiro 15, 2005
Irmã Lúcia,incorrupta...
projetocrescer.net
Grito
Desculpem-me
mas hoje eu tenho de fazer
este grito: FÁTIMA NÃO É UMA
HISTÓRIA DE TANGA!!
Faleceu a irmã Lúcia, e
muito se tem escrito sobre
ela e Fátima, e fico
abismado de ver tanta gente
a tecer as mais duras
críticas dizendo que não
passa de invenções, de
"tretas", que Fátima só foi
inventada para o negócio, ou
para efeitos políticos, que
Fátima apenas revela a nossa
fraca cultura.
Eu afirmo que Fátima não é
uma história inventada por 3
crianças. Apenas porque não
vi não posso acreditar? Só
acreditas naquilo que vês?
Amigos, acredito em Fátima
não estive lá mas o meu
bisavô esteve. Tenho relatos
escritos pelos filhos dele
(Manuel Vicente Marques)
contando o que aconteceu
naquela manhã onde o "sol
bailou". Digo-vos, o meu
bisavô não era mentiroso!
Acredito! Claro que existe
agora muito negócio, que a
história do segredo apenas
mantinha as pessoas no
"suspensa", etc... Mas a
mensagem da Nossa Senhora
aos pastorinhos é tão
simples: Arrependermo-nos
dos nossos pecados, rezar o
terço. É só isto, uma
mensagem simples para o bem.
Quem são eles?
JACINTA MARTO
Nasceu em Aljustrel, no dia 11
de Março de 1910. Morreu
santamente em 20 de Fevereiro de
1920, no Hospital de D.
Estefânia, em Lisboa, depois de
uma longa e dolorosa doença,
oferecendo todos os seus
sofrimentos pela conversão dos
pecadores, pela paz no mundo e
pelo Santo Padre.
Em 12 de Setembro de 1935 foi
solenemente trasladado o seu
cadáver do jazigo da família do
Barão de Alvaiázere, em Vila
Nova de Ourém, para o cemitério
de Fátima, e colocado junto dos
restos mortais do seu irmãozinho
Francisco.
No dia 1 de Maio de 1951,
efectuou-se, com a maior
simplicidade, a trasladação dos
restos mortais de Jacinta para o
novo sepulcro preparado na
Basílica da Cova da Iria, lado
poente.
FRANCISCO
MARTO
salesianity.blogspot.com
Nasceu
em 11 de Junho de 1908, em
Aljustrel. Faleceu
santamente no dia 4 de Abril
de 1919, na casa de seus
pais. Muito sensível e
contemplativo, orientou toda
a sua oração e penitência
para "consolar a Nosso
Senhor".
Os seus restos mortais
ficaram sepultados no
cemitério paroquial até ao
dia 13 de Março de 1952,
data em que foram
trasladados para a Basílica
da Cova da Iria, lado
nascente.

LÚCIA DE JESUS
A principal
protagonista das Aparições
nasceu em 22 de Março de
1907, em Aljustrel, paróquia
de Fátima. Em 17 de Junho de
1921, ingressou no Asilo de
Vilar (Porto), dirigido
pelas religiosas de Santa
Doroteia.
Depois foi para Tuy, onde
tomou o hábito, com o nome
de Maria Lúcia das Dores.
Fez a profissão religiosa de
votos temporários em 3 de
Outubro de 1928 e, em 3 de
Outubro de 1934, a de votos
perpétuos. No dia 25 de
Março de 1948, transferiu-se
para Coimbra, onde ingressou
no Carmelo de Santa Teresa,
tomando o nome de Irmã Maria
Lúcia de Jesus e do Coração
Imaculado. No dia 31 de Maio
de 1949, fez a sua profissão
de votos solenes.
A Irmã Lúcia veio a Fátima
várias vezes: em 22 de Maio
de 1946; em 13 de Maio de
1967; em 1981, para dirigir,
no Carmelo, um trabalho
pictórico sobre as
Aparições; em 13 de Maio de
1982 e 13 de Maio de 1991.
Faleceu Domingo 13 de
Fevereiro de 2005.
A portuguesa mais importante
do século, Lúcia foi o
exemplo da simplicidade que
Nossa Senhora quis destacar
quando se revelou àquelas
crianças, pastoras, pobres e
analfabetas, insistindo na
vantagem da oração no século
da alienação material e dos
massacres.
Porque Fátima é isto:
Simplicidade, Oração,
Perdão.

Aparição
redemptionis-sacramentum.com
A história:
A 13 de Maio de 1917,
três crianças apascentavam
um pequeno rebanho na Cova
da Iria, freguesia de
Fátima, concelho de Vila
Nova de Ourém, hoje diocese
de Leiria-Fátima.
Chamavam-se Lúcia de Jesus,
de 10 anos, e Francisco e
Jacinta Marto, seus primos,
de 9 e 7 anos. Por volta do
meio dia, depois de rezarem
o terço, como habitualmente
faziam, entretinham-se a
construir uma pequena casa
de pedras soltas, no local
onde hoje se encontra a
Basílica. De repente, viram
uma luz brilhante; julgando
ser um relâmpago, decidiram
ir-se embora, mas, logo
abaixo, outro clarão
iluminou o espaço, e viram
em cima de uma pequena
azinheira (onde agora se
encontra a Capelinha das
Aparições), uma "Senhora
mais brilhante que o sol",
de cujas mãos pendia um
terço branco.
|
 |
|
terço
cantodafe.com.br |
A
Senhora disse aos três
pastorinhos que era
necessário rezar muito e
convidou-os a voltarem à
Cova da Iria durante mais
cinco meses consecutivos, no
dia 13 e àquela hora. As
crianças assim fizeram, e
nos dias 13 de Junho, Julho,
Setembro e Outubro, a
Senhora voltou a
aparecer-lhes e a
falar-lhes, na Cova da Iria.
A 19 de Agosto, a aparição
deu-se no sítio dos
Valinhos, a uns 500 metros
do lugar de Aljustrel,
porque, no dia 13, as
crianças tinham sido levadas
pelo Administrador do
Concelho, para Vila Nova de
Ourém. Na última aparição, a
13 de Outubro, estando
presentes cerca de 70.000
pessoas, a Senhora
disse-lhes que era a
"Senhora do Rosário" e que
fizessem ali uma capela em
Sua honra. Depois da
aparição, todos os presentes
observaram o milagre
prometido às três crianças
em Julho e Setembro: o sol,
assemelhando-se a um disco
de prata, podia fitar-se sem
dificuldade e girava sobre
si mesmo como uma roda de
fogo, parecendo
precipitar-se na terra.
Posteriormente, sendo Lúcia
religiosa de Santa Doroteia,
Nossa Senhora apareceu-lhe
novamente em Espanha (10 de
Dezembro de 1925 e 15 de
Fevereiro de 1926, no
Convento de Pontevedra, e na
noite de 13/14 de Junho de
1929, no Convento de Tuy),
pedindo a devoção dos cinco
primeiros sábados (rezar o
terço, meditar nos mistérios
do Rosário, confessar-se e
receber a Sagrada Comunhão,
em reparação dos pecados
cometidos contra o Imaculado
Coração de Maria) e a
Consagração da Rússia ao
mesmo Imaculado Coração.
Este pedido já Nossa Senhora
o anunciara em 13 de Julho
de 1917, na parte já
revelada do chamado "Segredo
de Fátima". Anos mais tarde,
a Ir. Lúcia conta ainda que,
entre Abril e Outubro de
1916, tinha aparecido um
Anjo aos três videntes, por
três vezes, duas na Loca do
Cabeço e outra junto ao poço
do quintal da casa de Lúcia,
convidando-os à oração e
penitência. Desde 1917, não
mais cessaram de ir à Cova
da Iria milhares e milhares
de peregrinos de todo o
mundo, primeiro nos dias 13
de cada mês, depois nos
meses de férias de Verão e
Inverno, e agora cada vez
mais nos fins de semana e no
dia-a-dia, num montante
anual de quatro milhões.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro -
Marinha Grande - Portugal

Clique na Capelinha de Nossa Senhora de Fátima
(espetacular!!!)ao vivo
http://www.fatima.pt/capelinha.html
Registre sua opinião no
Livro de Visitas:
|