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Trabalho e
pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
TEMPO DE QUARESMA!
Carmo Vasconcelos
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Das Cinzas salta o
tempo prá Quaresma,
rumo à glória da
Páscoa promissora,
a
elevar-nos, Divina
por si mesma,
aos cumes da Verdade
redentora.
Êxtase do Cristo em
ressurreição!
Alvorada que já se
faz sentir,
fazendo repensar
todo o pagão,
seus desmandos
ateus, que urge
remir!
E
a renascida flama de
Jesus,
virá trazer-lhes uma
nova luz,
seus ímpios corações
há-de tocar…
Pois todo o ser
humano é um altar
onde a fé, se ora em
cinzas, não reluz…
aos eflúvios da
Páscoa, há-de se
atear!
***
Lisboa/Portugal |
Páscoa (do latim pascha, de uma
palavra hebraica, que significa
passagem).
Festa
anual dos Judeus, em memória da
sua saída do Egipto. Festa da
Igreja cristã, em memória da
Ressurreição de Jesus Cristo.
Páscoa do Espírito Santo, a
festa do Pentecostes. A festa da
Páscoa foi estabelecida pelos
Judeus em memória da passagem do
Mar Vermelho e também da
passagem do anjo exterminador
que, na noite em que os Judeus
partiram do Egipto, matou todos
os primogénitos dos egípcios,
mas sem tocar nas casas dos
israelitas, marcadas com o
sangue do cordeiro. O dia de
Páscoa, celebra-se no primeiro
domingo depois da primeira lua
cheia, que se segue ao equinócio
da Primavera, e cai sempre entre
os dias 21 de Março a 26 de
Abril, podendo, pois, esta festa
variar de trinta e seis dias.
Dela dependem, para os
católicos, todas as festas
móveis:
A Septuagésima, 63 dias antes da
Páscoa
A Quinquagésima, 49 dias antes
A Paixão, 14 dias antes
Quasímodo, 07 dias depois da
Páscoa
A Ascenção, 40 depois da Páscoa
O Pentecostes, 10 dias depois da
Ascenção
A Santíssima Trindade, 07 dias
depois da Ascenção
O Corpo de Deus, na quinta-feira
seguinte.
O
tempo pascal compreende
cinquenta dias (em grego =
"Pentecostes"), vividos e
celebrados como um só dia: "os
cinquenta dias entre o domingo
da Ressurreição até o domingo de
Pentecostes devem ser celebrados
com alegria e júbilo, como se
tratasse de um só e único dia
festivo, como um grande domingo"
(Normas Universais do Ano
Litúrgico, n 22).
PÁSCOA
Humberto Rodrigues Neto
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É findo o carnaval,
festa do povo
que foi na
quarta-feira benzer
cinzas,
para rever, depois,
num ciclo novo,
da Sexta-feira Santa
os céus ranzinzas!
A quaresma se faz
recolhimento,
lembrando as dores
de Jesus no Horto,
ao qual voltamos
nosso pensamento
seguindo a procissão
do Senhor Morto!
Mas tudo passa, já
não mais revoltam
os crísticos
martírios da Paixão;
aos corações as
alegrias voltam
durante a Páscoa da
Ressurreição!
A Páscoa é chama de
sutil lampejo,
isenta de fagulha ou
soltas áscuas,
e é nessa luz de Paz
que eu vos desejo
a mais alegre e a
mais feliz das
Páscoas!
***
S.Paulo/Brasil |
O
tempo pascal é o mais forte de
todo o ano, inaugurado na
Vigília Pascal e celebrado
durante sete semanas até
Pentecostes. É a Páscoa
(passagem) de Cristo, do Senhor,
que passou da morte à vida, a
sua existência definitiva e
gloriosa. É a Páscoa também da
Igreja, seu Corpo, que é
introduzida na Vida Nova de seu
Senhor por meio do Espírito que
Cristo lhe deu no dia do
primeiro Pentecostes. A origem
desta cinquentena remonta-se às
origens do Ano Litúrgico.
Os judeus tinham já a "festa das
semanas" (ver Dt 16,9-10), festa
inicialmente agrícola e depois
comemorativa da Aliança no
Sinai, aos cinquenta dias da
Páscoa. Os cristãos organizaram
rapidamente sete semanas, mas
para prolongar a alegria da
Ressurreição e para celebrar ao
final dos cinquenta dias a festa
de Pentecostes: o dom do
Espírito Santo. Já no século II
temos o testemunho de Tertuliano
que fala que neste espaço de
tempo não se jejua, mas que se
vive uma prolongada alegria.
A liturgia insiste muito no
carácter unitário destas sete
semanas:
A primeira semana é a "oitava da
Páscoa', em que já por
irradiação os batizados na
Vigília Pascal, eram
introduzidos a uma mais profunda
sintonia com o Mistério de
Cristo que a liturgia celebra. A
"oitava da Páscoa" termina com o
domingo da oitava, chamado "in
albis", porque nesse dia os
recém batizados
disponham, noutros tempos, de
vestes brancas recebidas no dia
de seu Batismo.
Dentro da Cinquentena se celebra
a Ascensão do Senhor, agora não
necessariamente aos quarenta
dias da Páscoa, mas no domingo
sétimo de Páscoa, porque a
preocupação não é tanto
cronológica mas teológica, e a
Ascensão pertence simplesmente
ao mistério da Páscoa do Senhor.
E conclui tudo com a vinda do
Espírito em Pentecostes.
A unidade da Cinquentena é
também destacada pela presença
do Círio Pascal aceso em todas
as celebrações, até ao domingo
de Pentecostes. Os vários
domingos não se chamam, como
antes, por exemplo, "domingo III
depois da Páscoa", mas "domingo
III de Páscoa". As celebrações
liturgicas dessa Cinquentena
expressam e nos ajudam a viver o
mistério pascal comunicado aos
discípulos do Senhor Jesus.
As leituras da Palavra de Deus
dos oito domingos deste Tempo na
Santa Missa, estão organizadas
com essa intenção. A primeira
leitura é sempre dos Atos dos
Apóstolos, a história da igreja
primitiva, que em meio a suas
debilidades, viveu e difundiu a
Páscoa do Senhor Jesus. A
segunda leitura muda segundo os
ciclos: a primeira carta de São
Pedro, a primeira carta de São
João e o livro do Apocalipse.
A Páscoa é uma festa cristã que
celebra a ressurreição de Jesus
Cristo. Depois de morrer na
cruz, seu corpo foi colocado em
um sepulcro, onde ali
permaneceu, até sua
ressurreição, quando seu
espírito e seu corpo foram
reunificados. É o dia santo mais
importante da religião cristã,
quando as pessoas vão às igrejas
e participam de cerimonias
religiosas.
Muitos costumes ligados ao
período pascal originam-se dos
festivais pagãos da primavera.
Outros vêm da celebração do
Pessach, ou Passover, a Páscoa
judaica. É uma das mais
importantes festas do calendário
judaico, que é celebrada por 8
dias e comemora o êxodo dos
israelitas do Egipto, durante o
reinado do faraó Ramsés II, da
escravidão para a liberdade.
Um ritual de passagem, assim
como a "passagem" de Cristo, da
morte para a vida.
No português, como em muitas
outras línguas, a palavra Páscoa
é originária do hebraico Pessach.
Os espanhóis chamam a festa de
Pascua, os italianos de Pasqua e
os franceses de Pâques.
Nossos amigos de Kidlink nos
contaram como se escreve "Feliz
Páscoa" em diferentes idiomas.
Assim:
A festa tradicional associa a
imagem do coelho, um símbolo
de fertilidade, e ovos pintados
com cores brilhantes,
representando a luz solar, dados
como presentes. A origem do
símbolo do coelho vem do fato de
que os coelhos são notáveis por
sua capacidade de reprodução.
Como a Páscoa é ressurreição, é
renascimento, nada melhor do que
coelhos, para simbolizar a
fertilidade!
E como surgiu o chocolate...
Quem sabe o que é "Theobroma"?
Pois este é o nome dado pelos
gregos ao "alimento dos deuses",
o chocolate. "Theobroma cacao" é
o nome científico dessa
gostosura chamada chocolate.
Quem o batizou assim foi o
botânico sueco Linneu, em 1753.
Mas foi com os Maias e os
Astecas que essa história toda
começou. O chocolate era
considerado sagrado por essas
duas civilizações, tal qual o
ouro.
Na Europa chegou por volta do
século XVI, tornando rapidamente
popular aquela mistura de
sementes de cacau torradas e
trituradas, depois junta com
água, mel e farinha. Vale
lembrar que o chocolate foi
consumido, em grande parte de
sua história, apenas como uma
bebida.
Em meados do século XVI,
acreditava-se que, além de
possuir poderes afrodisíacos, o
chocolate dava poder e vigor aos
que o bebiam. Por isso, era
reservado apenas aos governantes
e soldados.
Aliás, além de afrodisíaco, o
chocolate já foi considerado um
pecado, remédio, ora sagrado,
ora alimento profano. Os astecas
chegaram a usá-lo como moeda,
tal o valor que o alimento
possuía.
Chega o século XX, e os bombons
e os ovos de Páscoa são criados,
como mais uma forma de
estabelecer de vez o consumo do
chocolate no mundo inteiro. É
tradicionalmente um presente
recheado de significados. E não
é só gostoso, como altamente
nutritivo, um rico complemento e
repositor de energia. Não é
aconselhável, porém, consumi-lo
isoladamente. Mas é um rico
complemento e repositor de
energia.
E como surgiu o coelho?
A tradição do coelho da Páscoa
foi trazida à América por
imigrantes alemães em meados de
1700. O coelhinho visitava as
crianças, escondendo os ovos
coloridos que elas teriam de
encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma
mulher pobre coloriu alguns ovos
e os escondeu em um ninho para
dá-los a seus filhos como
presente de Páscoa.
Quando as crianças descobriram o
ninho, um grande coelho passou
correndo. Espalhou-se então a
história de que o coelho é que
trouxe os ovos. A mais pura
verdade, alguém duvida?
No antigo Egipto, o coelho
simbolizava o nascimento e a
nova vida. Alguns povos da
Antiguidade consideravam-no o
símbolo da Lua. É possível que
ele se tenha tornado símbolo
pascal devido ao fato de a Lua
determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem
da imagem do coelho na Páscoa
está na fertilidade que os
coelhos possuem. Geram grandes
ninhadas!
Mas por que a Páscoa nunca cai
no mesmo dia todo ano?
O dia da Páscoa é o primeiro
domingo depois da Lua Cheia que
ocorre no dia ou depois de 21
março (a data do equinócio).
Entretanto, a data da Lua Cheia
não é a real, mas a definida nas
Tabelas Eclesiásticas. (A
igreja, para obter consistência
na data da Páscoa decidiu, no
Conselho de Nicéia em 325 depois
de Cristo, definir a Páscoa
relacionada a uma Lua imaginária
- conhecida como a "lua
eclesiástica").
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre
46 dias antes da Páscoa, e
portanto a Terça-Feira de
Carnaval ocorre 47 dias antes da
Páscoa. Esse é o período da
quaresma, que começa na
quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da
Páscoa pode ser determinada sem
grande conhecimento astronómico.
Mas a sequência de datas varia
de ano para ano, sendo no mínimo
em 22 de Março e no máximo em 24
de Abril, transformando a Páscoa
numa festa "móvel". De fato, a
sequência exata de datas da
Páscoa repete-se aproximadamente
em 5.700.000 anos no nosso
calendário Gregoriano.
Mas o que é a Páscoa?
Fonte: Benito S. Pepe
Já há alguns milénios (3,5) os
Judeus comemoravam a Páscoa. Mas
como? Jesus Cristo não havia nem
mesmo nascido! É verdade! No
início, as comemorações da
Páscoa já eram nesta época do
ano: Março, Abril (primavera no
hemisfério norte) eram para
comemorar as colheitas. Era,
portanto, a festa das colheitas.
A alegria de festejar e "bebemorar"
com o sucesso de um período
trabalhado e seus frutos (na
verdade a festa da colheita era
50 dias após a Páscoa).
Muito bem! Mas os nossos Pais
religiosos, os Judeus, foram
escravizados no Egipto (Império
naquela época). Ficaram como
escravos muitos anos... Até que,
com a ajuda de Deus, conseguiram
sair da escravidão e voltar à
terra prometida e foi o que
ocorreu por coincidência ou
projeto Divino, também nesta
mesma época da Páscoa e, assim,
então, a comemoração dos Judeus
passou a ser a da Passagem, do
Êxodo, da libertação da terra do
Egipto.
E agora onde está a Páscoa
Cristã? A nossa Páscoa, que é,
sem dúvida, a maior Festa e a
maior comemoração de todas as
festas cristãs, está exatamente
neste mesmo período do ano, pois
mais uma vez, por coincidência
ou não, ocorre também nesta
época.
O Verbo que era a palavra se fez
carne e veio habitar entre nós e
após um período aqui na terra
nos mostrou que nós também somos
eternos, pois o que vivemos é
uma Páscoa, ou seja, em Hebreu
Páscoa quer dizer PASSAGEM.
Assim sendo, Jesus o Cristo, nos
mostrou que aqui é apenas um
local de passagem e acima de
tudo de aprendizagem. Portanto,
o mais importante não é o que
construímos materialmente, mas
sim, o que construímos
espiritualmente.
Jesus, após ser crucificado e
morto (na época da festa da
Páscoa judaica, pois ele havia
ido até Jerusalém para as
comemorações - ele também era
Judeu), ressuscita no 3º dia e
aparece aos seus discípulos
algumas vezes.
Portanto, os Cristãos comemoram
esta época do ano como a maior
de todas as festas, assim, ela é
mais importante que o próprio
Natal (Nascimento de Jesus).
Apesar de o Calendário
Gregoriano contar os anos do
nascimento de Cristo, na verdade
nós estamos há uns 1970 anos de
comemorações de Páscoas Cristãs.
Nas vésperas da Páscoa do ano de
786 do antigo calendário romano,
se é que é válida tal precisão
de data, no mês de Nisã dos
hebreus, ocorreu uma
crucificação de três homens do
lado de fora dos muros da cidade
de Jerusalém. Dois deles eram
ladrões, o outro tratava-se de
um pregador, um rabi chamado
Jesus, que se dizia um filho de
Deus, alguém que viera anunciar
o Reino dos Céus. O cenário
daquela terrível execução de que
ele foi vítima iria, bem depois
ao longo da história, com o
Ocidente inteiro convertido à
fé de Cristo, ser infinitas
vezes reproduzido por seus
seguidores, por todos os meios
possíveis: em livros, telas,
murais, vitrais, esculturas,
autos teatrais, representações
públicas de ruas e em filmes,
fazendo com que a humanidade
sofredora se identificasse com o
martírio dele.
O
suplício da cruz:
"Nenhuma culpa encontro nele. É
costume entre vós que eu solte
um preso, na Páscoa. Quereis que
vos solte o rei dos judeus? Esse
não, gritaram de novo, clamando:
Esse não, mas Barrabás!" --
Pilatos ao povo (João 18).
Supõe-se que Jesus Cristo não
tenha resistido muito tempo ao
suplício da cruz, que Cícero
definira como "a mais cruel e a
mais terrível pena de morte".
Estimou-se que um homem forte
era capaz de suportá-lo por uns
três dias no máximo. O nazareno
entregou-se depois de três
horas, ou pouco mais. E não
poderia ser diferente para quem
levara uma vida praticando
jejuns, alimentando-se
episodicamente e, ainda, antes
de ser exposto, teve o corpo
violentamente ofendido pelos
açoites. Parece ter sido
fantasia dos gravadores e
pintores terem-no desenhado,
pelos séculos seguintes, preso a
uma cruz bem alta, como se seu
corpo fosse uma bandeira
ensanguentada hasteada nos altos
de um mastro. Ao contrário, a
vitima era esfaqueada pelos
carrascos bem próxima do chão.
Para que suas mãos presas com
cravos não se rasgassem com o
peso do corpo, fixavam uma corda
que o enlaçava a partir do
ilíaco ou apoiavam os seus pés
num sedile, a pequena tábua
afixada na parte baixa da cruz.
A morte do condenado, como já se
disse, era horrível,
anunciando-se por gritos
pavorosos de dor e gemidos
lancinantes, entremeada de
apelos desesperados para que o
matassem de vez. Jesus fora
pregado numa crux immissa (em
forma de cruz) às 8 horas da
manhã ou ao meio-dia de uma
sexta-feira. Seja o que for, à
tarde seguramente já estava
morto. No alto da haste haviam
colocado um cartaz: "Rei dos
Judeus", escrito em três línguas
(grego, latim e aramaico). Era
uma ironia maldosa dos romanos,
pois o executaram junto com dois
delinquentes.
De
Herodes a Pilatos:
Pensavam estar livrando-se de um
problema, porque durante um bom
tempo ninguém sabia o que fazer
com aquele homem da Galileia. Os
sacerdotes do templo de
Jerusalém, como Caifás,
consideravam-no um herético,
alguém que estava jogando o povo
local contra a tradição e o
Sinédrio (o Grande Tribunal,
autoridade máxima judicial com
70 membros). Os fariseus e os
zelotes viam-no como um
divisionista que, ao invés de
somar-se a eles no repúdio aos
romanos, minimizara a ocupação
da Palestina com a promessa da
chegada de um novo reino, o
Reino dos Céus. Para o
procurador (praefectus) Pôncio
Pilatos, governador romano da
região, o nazareno, em quem não
via culpa alguma, era apenas uma
dor de cabeça a mais no trato
com aquele povo metido em
confusões e querelas
intermináveis. Enviara-o preso
para Herodes Antipas, o tetrarca
de Israel, um monarca
colaboracionista, que o
devolvera sem saber o que
exatamente fazer com ele.
Matá-lo por dizer-se o Messias?
A
chegada de um Messias:
Havia
entre os judeus, povo quase
sempre submetido às crueldades
do destino, uma crença muito
forte de que um dia lhes viria
dos céus um Messias, um
Salvador, para livrá-los das
desgraças. Assim, não raro,
aparecia alguém, um iluminado,
dizendo-se ser um desses
enviados de Deus. O próprio
Jesus alertou o seu povo em
razão da abundância desses
falsos profetas e charlatães que
se diziam os verdadeiros
messias.
Quantos deles não apareciam
pelas ruas de Jerusalém
julgando-se isso? O único
tumulto em que Jesus se
envolvera dera-se quando ele, o
mais pacífico dos homens,
deixou-se assaltar pela fúria ao
deparar-se com os "vendilhões do
Templo", aquela massa de
cambistas, ambulantes e
vendedores de pombas, que
ofertavam de tudo nas
proximidades do edifício santo
dos judeus. Nada mais
impressionante do que isso.
Pôncio Pilatos, na época do
processo contra Jesus, já estava
na região há algum tempo, uns
cinco ou seis anos (teria
assumido no ano 26), mas
continuava sem entender as
intermináveis dissertações dos
hebreus em torno da religião. As
nuanças e subtilezas das
discussões acaloradas dos
rabinos e dos sumos-sacerdotes
eram-lhe absolutamente
estranhas. Quem o indicara para
o cargo de procurador da
Palestina fora Sejano, um
favorito de Tibério. O
Imperador, por sua vez, enojado
das intrigas políticas de Roma,
retira-se no ano de 27 para a
maravilhosa ilha de Capri, nas
proximidades de Nápoles, a fim
de levar uma vida dos deuses,
dado inteiramente aos prazeres.
Quem algum dia poderia supor que
enquanto Tibério se banhava com
seus garotos, que ele chamava de
"meus peixinhos" , na imensa
piscina tépida da sua mansão, o
crime que cometiam em seu nome
nas longínquas terras da Judeia
contra um pregador desconhecido,
iria um dia abalar o poder de
Roma?
A
sentença de Pilatos:
"Subirás à cruz" disse Pilatos a
Jesus. Até hoje, lembra o
historiador J.Gnilka, não se
sabe se a sentença que condenou
Jesus resultou dele ter cometido
o "perduellio" (grave prejuízo
cometido contra a pátria) ou o "crimen
maiestatis populi romani
imminutae" (ter provocado algum
dano ao prestígio do povo
romano). Seja o que for, Pilatos
informou a todos que em vista do
costume, estava disposto a
dar-lhe a vénia, a suspensão da
sentença, devido à aproximação
da Páscoa. Quando a intenção
dele chegou aos ouvidos da
multidão que estava do lado de
fora no paço do tribunal de
justiça, as vozes em uníssono
clamaram em favor de Barrabás,
possivelmente um bandido,
rejeitando a oferta do romano de
indultar o nazareno. Pilatos
então, lavando as mãos, deixou a
sentença correr. E Jesus foi
previamente submetido ao "horribile
flagellum" (levar um incontável
número de chibatadas nas
costas).
PERDOAI-LHES SENHOR
Alfredo dos Santos Mendes
|
Foi preso por pregar
humanidade.
Julgado e condenado
sem pudor.
Seu crime, era
ensinar e dar amor.
Espalhar ao seu
redor, felicidade!
O seu corpo pregaram
por maldade,
alheios ao
sofrimento ao
estertor.
Nem viam quanto mal,
e quanta dor,
provocavam a sua
frialdade!
Olhou Jesus o Céu
que escurecia.
seu corpo que aos
poucos fenecia,
ganhou algum alento
e foi dizendo:
Tende por estes
homens, piedade!
Perdoai-lhes meu Pai
tanta maldade,
pois não sabem o mal
que estão fazendo!
***
Lagos/Portugal |
A
morte de Jesus:
Provavelmente já passava das 3
horas da tarde daquele
sexta-feira fatídica, quando um
guarda enfiou a sua lança no
abdómen de Jesus para ver se ele
já havia morrido. O líquido que
escorreu, um pouco de sangue e
água, confirmou-lhe que o homem
ali estendido já entregara a
alma aos céus. José de Arimatéia
(Ha-Ramathain), um respeitável
homem de algumas posses,
reclamou o corpo junto às
autoridades e como já estavam em
vésperas do shabbath, os romanos
consentiram que ele desse o fim
apropriado ao cadáver.
O local das execuções era
tétrico, até o nome Gólgota
(caveira em hebraico, calvarius
em latim), que descrevia o
especto descarnado do monte onde
expunham os supliciados,
contribuía para aumentar a
desolação do quadro.
UNIDA
À DOR DO CRISTO
Carmo Vasconcelos
|
Só me restava, em
lágrimas, orar...
Prostrada a um
canto, ouvir o
despudor
dos ímpios que, em
sarcasmo, o Redentor
arrastavam, sem dó,
a crucificar!
Eram tormentos meus
o Seu martírio,
contra os algozes,
minha vã revolta!
E, na vontade de os
matar, à solta,
pecava também eu
nesse delírio!
Da carne viva em
chaga, era o meu
sangue
que emergia; e aos
do Cristo
equalizados,
eram meus pés e mãos
os perfurados!
Ante a Virgem que
olhava o Filho
exangue,
morrer com Ele, era
a ânsia que eu
sentia,
ignorando a ALELUIA
que adviria!
***
Lisboa/Portugal |
O
sepulcro:
Arimateia, impedido pelo tempo
de inumar adequadamente Jesus,
foi auxiliado por Nicodemos.
Ambos carregaram o pobre morto
para um jardim próximo onde o
colocaram num sepulcro. Um
enterro decente só poderia
ser-lhe providenciado no
domingo, pois no sábado judaico
nada se faz, em nada se mexe.
Logo que o depositaram em lugar
apropriado, protegeram o corpo
de Jesus com um sudário e umas
faixas de linho aromatizadas. Ao
sair daquela tumba improvisada,
bloquearam a entrada com uma
enorme pedra e foram juntar-se
aos seus para celebrar o
shabbath.
Maria
Madalena é surpreendida:
Na madrugada de domingo, no dia
da Páscoa, querendo adiantar-se
a todos, talvez com a intenção
de renovar os aromas do morto,
Maria Madalena, uma das suas
seguidoras, ao chegar ao
sepulcro encontrou a rocha
afastada. Espantou-se. O
interior estava vazio, sendo que
as tiras e o sudário que o
tinham envolvido estavam postas
num canto. Quando estava em
prantos, lamentando o
desaparecido, imaginando que
haviam roubado o corpo, uma voz
se lhe apresentou: era Jesus!
Disse-lhe que ainda não havia
subido ao reino dos céus. À
tarde, mostrando suas mãos
perfuradas, ele apareceu
pessoalmente aos discípulos.
Ressuscitara (João, 20-21).
Repetia-se na Palestina o
assombroso destino de Osíris, o
deus egípcio morto que retornara
à vida. O nazareno, pensaram
seus seguidores, negara-se a
morrer, vencera a rotina imposta
aos homens. Dali em diante
estaria sempre com eles.
Enquanto isso, em Capri, o
imperador Tibério preparava-se
para mais um banho, sem que
ninguém o alertasse para o que
ocorria naquela estranha e
inusitada Páscoa. E assim teve
início a poderosa lenda de Jesus
Cristo.
Os
eventos do final da vida de
Jesus são reais e históricos,
tendo sido relatados pelos
Evangelistas Mateus, Marcos,
Lucas e João. Nos Evangelhos
batizados com seus respectivos
nomes, eles descrevem a vida de
Jesus Cristo, desde o seu
humilde nascimento até ao seu
sofrimento injusto e sua morte,
coroada por sua gloriosa
ressurreição. Eles nos ensinam o
verdadeiro significado da vida
de Nosso Senhor - o sacrifício
por todos os seres humanos de
todos os tempos. Com sua morte,
todos nós podemos ser perdoados
e salvos. Sua ressurreição nos
assegura a vitória sobre o
pecado, a morte e o diabo.
Por
que Jesus derramou Seu sangue na
cruz?
"Porque a vida da carne está no
sangue. Eu vo-lo tenho dado
sobre o altar, para fazer
expiação pela vossa alma,
porquanto é o sangue que fará a
expiação (um sacrifício que paga
a culpa) em virtude da vida" (Levítico
17.11).
"Com efeito, quase todas as
coisas, segundo a lei, se
purificam com sangue; e, sem
derramamento de sangue, não há
remissão perdão dos pecados" (em
Hebreus 9.22).
Por
que a crucificação foi tão
traumática?
"Certamente, Ele (Jesus) tomou
sobre si as nossas enfermidades
e as nossas dores levou sobre
si; e nós o reputávamos por
aflito, ferido de Deus e
oprimido. Mas ele foi
traspassado pelas nossas
transgressões (pecados) e moído
pelas nossas iniquidades; o
castigo que nos traz a paz
estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados" (Isaías
53.4-5).
De
quem foram os pecados que
pregaram Jesus na cruz?
"Todos nós andávamos desgarrados
como ovelhas; cada um se
desviava pelo caminho, mas o
SENHOR fez cair sobre ele a
iniquidade [pecado] de nós
todos" (Isaías 53.6).
A
morte brutal de Cristo foi
profetizada?
"Como pasmaram muitos à vista
Dele (pois o seu especto estava
mui desfigurado, mais do que o
de outro qualquer, e a sua
aparência, mais do que a dos
outros filhos dos homens, em
Isaías 52.14).
Obediência:
Por que a crucificação de Cristo
foi necessária?
"E do modo por que Moisés
levantou a serpente no deserto,
assim importa que o Filho do
Homem seja levantado (na cruz),
para que todo o que nele crê
tenha a vida eterna" (João
3.14-15).
O que
Jesus quis dizer ao clamar "Está
consumado!"?
"Quando, porém, veio Cristo como
sumo-sacerdote dos bens já
realizados, mediante o maior e
mais perfeito tabernáculo
(templo), não feito por mãos,
quer dizer, não desta criação,
não por meio de sangue de bodes
e de bezerros, mas pelo seu
próprio sangue, entrou no Santo
dos Santos, uma vez por todas,
tendo obtido eterna redenção"
(Hebreus 9.11-12).
Jesus
é o único caminho para Deus?
"Respondeu-lhe Jesus. Eu sou o
caminho, a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por
mim" (João 14.6).
O que
Deus pensou da crucificação do
Seu Filho?
"Todavia, ao SENHOR agradou
moê-lo, fazendo-o enfermar;
quando der ele a sua alma como
oferta pelo pecado, verá a sua
posteridade e prolongará os seus
dias; e a vontade do SENHOR
prosperará nas suas mãos"
(Isaías 53.10).
Perdão:
Qual
foi o resultado do derramamento
do sangue de Jesus?
"No qual (em Jesus) temos a
redenção (resgate da culpa do
pecado), pelo seu sangue, a
remissão dos pecados, segundo a
riqueza da sua graça" (Efésios
1.7).
Por
que a crucificação de Cristo é
importante?
"Pois também Cristo morreu, uma
única vez, pelos pecados, o
justo pelos injustos, para
conduzir-vos a Deus; morto, sim,
na carne, mas vivificado no
espírito" (1 Pedro 3.18).
O
sacrifício individual de Cristo
é suficiente?
"E ele (Jesus) é a propiciação
(satisfação da justiça de Deus)
pelos nossos pecados e não
somente pelos nossos próprios,
mas ainda pelos do mundo
inteiro" (1 João 2.2).
O
sacrifício de Cristo deve ser
repetido?
"Assim também Cristo, tendo-se
oferecido uma vez para sempre,
para tirar os pecados de muitos,
aparecerá segunda vez, sem
pecado, aos que o aguardam para
a salvação" (Hebreus 9.28).
Por
que a cruz provoca divisões?
"Certamente, a palavra da cruz é
loucura para os que se perdem,
mas para nós, que somos salvos,
poder de Deus" (1 Coríntios
1.18).
FELIZ
PÁSCOA! HOJE E SEMPRE!
Dermeval Neves
À luz
dos ensinamentos católicos, para
os cristãos a quaresma significa
tempo de conversão, abstinência
e verdadeira reflexão de como
estamos conduzindo nossas vidas
à luz da recordação dos fatos
acontecidos com Jesus nos seus
últimos dias na terra. Ao seu
final comemora-se a Semana Santa
que termina com a Celebração da
Páscoa.
A verdadeira Páscoa é reflexo e
comemoração do renascimento para
uma nova vida no Cristo
ressuscitado! É o renascer do
ser novo e livre das amarras
sutis das artimanhas mundanas
que enfrentamos a cada momento
de nossa vida. No exemplo de
doação total de Jesus Cristo
pela humanidade podemos
reconduzir nossos pensamentos e
ações na direção de um mundo
melhor e mais feliz.
O principal sentido da Páscoa é
manter viva em nossa mente a
certeza de que Cristo venceu a
morte e assim provou que através
de seu sacrifício o amor de Deus
por nós é inigualável em força e
intensidade. Alegremo-nos!
Aleluia!
Cristo Ressuscitou, Aleluia!
"Ressuscitei e estou com você...
Porque meu amor é para sempre"
(cf. Sl 136). Estas não são
simples palavras... São gestos
concretos da Páscoa de Jesus.
Tudo lhe aconteceu nesta terra:
perseguições, sofrimentos,
morte. Mas Nele venceu a
fidelidade, o amor, a vida. Sim,
a Vida teve a última palavra!
Com sua ressurreição, Jesus nos
fez renascer como "povo da
Páscoa". Povo que assume a causa
pela qual ele veio a este mundo:
"Que todos tenham vida..."
Aqueles que buscam paz,
dignidade humana, liberdade,
saúde, solidariedade e o amor,
em Cristo, têm a vida.
É Páscoa: tempo de esperança e
ação. Tempo para começar uma
vida nova, na certeza de que,
nas mãos de Deus, até a morte
pode transformar-se em vida.
Depois da ressurreição, a cruz
tornou-se testemunho de amor,
sinal de esperança. É o poder de
Deus que se manifesta na
humildade e no serviço dos que
creem.
Que a luz do Ressuscitado
ilumine seu caminho e lhe dê
forças para prosseguir. Com
certeza, todas as noites escuras
e traiçoeiras acabam tendo sua
aurora. Que a Páscoa aconteça em
sua vida! Creia e alegre-se: ela
já está acontecendo, pois Cristo
ressuscitou e está vivo entre
nós!
Uma Feliz Páscoa do Ressuscitado
e no Ressuscitado!
Obrigado, Jesus! Proteja esses
seus e meus amigos e amigas!
As
Relíquias da Paixão de Cristo
Como
sabem os católicos, assim como
todos aqueles interessados na
vida e obra de nosso Avatar
Jesus, existem um grande número
de relíquias relacionadas à
paixão de Cristo espalhadas pelo
mundo. Número este que chega à
casa do milhar.
Qualquer um que tenha uma noção
de Sua vida e da Sua Paixão,
pode intuir que este número é
tão absurdo quanto impossível.
Na Basílica de Saint-Denis, em
Argentenil - ao norte de Paris,
conserva-se por exemplo, uma
suposta "túnica sagrada". E
outro tanto ocorre na catedral
de Trévaux. Com o devido
respeito aos que creem em ambas
as túnicas, é pouco provável que
uma delas possa ser a que usou o
Mestre Jesus. Na primeira, não
obstante as dimensões serem
aceitáveis (1.45m de comprimento
por 1.15m de largura) e não
exibir costuras, o cânhamo nada
tem a ver com a natureza das
vestimentas usadas habitualmente
pelos hebreus à época - que
basicamente se utilizavam de
algodão, lã e linho. Quanto à
segunda, ainda é mais difícil de
identificar. Trata-se de uma
série de fragmentos de um tecido
muito fino e pardacento, envolto
e protegido das traças em dois
panos. Um destes é de seda
adamascada, fabricado
possivelmente no Oriente, entre
os séculos VI e IX.
Quanto aos cravos e à Cruz de
Cristo, ocorre algo ainda mais
berrante. Há uma tradição que
conta que a Imperatriz Santa
Helena desenterrou os cravos
utilizados para prender O Cristo
à Cruz no século IV. Segundo
esta lenda, a Imperatriz teria
mandado convencionar um freio
para o cavalo de seu filho com
um dos cravos (que se encontra
hoje em Carpentras).
Com outro fez um círculo para o
capacete de Constantino, e
diz-se que este círculo faz
parte hoje da coroa de ferro dos
reis lombardos, em Monza.
O terceiro cravo teria servido
para acalmar uma tempestade no
mar Adriático... O caso é que na
atualidade, em diversas igrejas
da Europa, se veneram supostos
cravos da Paixão de Cristo,
totalizando dez(!) destes.
Surpreendente, se partirmos do
suposto que eram quatro os
cravos para prender os
crucificados - um em cada pulso
e um em cada pé. Outros se
encontram em Veneza, Trévaux,
Florença, Sena, Paris e em
Arras.
O mesmo ocorre com respeito à
madeira da Cruz de Jesus.
Existem pedaços da Cruz de
praticamente todos os tamanhos.
Todas, é claro, extraídas da
verdadeira Cruz. Talvez o maior
fragmento seja o que se encontra
na Espanha - em São Toríbio de
Liébana, na província de
Santarém, ao norte. A tradição
afirma que este lignum crucis
foi levado de Jerusalém por São
Toríbio, bispo de Astorga, na
Espanha, e contemporâneo de São
Leão I, o Grande. Sua
autenticidade nunca foi
comprovada...
Se pararmos para pensar sobre
esta tradição, veremos que tende
ao absurdo imaginar que os
soldados perdessem seu tempo
enterrando os cravos e as cruzes
utilizados em cada execução,
como pretendem alguns exegetas
em defesa da história da
mencionada mãe do Imperador
Constantino. De fato, é mais
provável que as cruzes e os
próprios cravos fossem
reutilizados em diversas
execuções.
Particularmente, acho que isso é
"providencial". Tenho comigo o
sentimento que o Filho do Homem
não queria - nem gostaria - que
objetos Seus fossem venerados ao
longo dos tempos. Jesus veio à
Terra como um Mensageiro -
Mensageiro da Paz e do Amor - e
sofreu por nós. Infelizmente não
estávamos preparados para
receber e assimilar estas
mensagens à época (e a pergunta
fica: e se tudo acontecesse
agora, será que estaríamos
prontos?...).
Ao invés de ficarmos venerando
objetos materiais que podem ou
não ter pertencido a este
Espírito Iluminado, devíamos
única e exclusivamente nos
preocupar em praticar seus
ensinamentos.
Na Semana Santa celebram-se os
mistérios da salvação operada
por Jesus nos últimos anos da
sua vida na terra, desde a
entrada triunfal em Jerusalém,
até à sua sacratíssima Paixão e
gloriosa Ressurreição. A Semana
Santa contém os factos centrais
da vida de Jesus, aquilo que Ele
definiu como a “Sua Hora”.
A antiga liturgia de Milão
classificava esta Semana
Autêntica por ser a semana dos
verdadeiros “trabalhos de
Jesus”. O anterior Missal romano
chamava-lhe Semana Maior, não
pelo número de dias, mas pelo
conteúdo salvífico.
O conjunto das celebrações da
Semana Santa forma o Mistério
Pascal, revelador da plenitude
do amor de Deus ao mundo. As
cores liturgicas são a roxa, a
encarnada e a branca, cores do
amor e dor como o duplo sentido
da paixão.
A tarde de Sexta-feira Santa
apresenta o drama imenso da
morte de Cristo no Calvário. A
cruz erguida sobre o mundo segue
de pé como sinal de salvação e
de esperança. Com a Paixão de
Jesus segundo o Evangelho de
João contemplamos o mistério do
Crucificado, com o coração do
discípulo Amado, da Mãe, do
soldado que lhe traspassou o
lado.
São João, teólogo e cronista da
paixão nos leva a contemplar o
mistério da cruz de Cristo como
uma solene liturgia. Tudo é
digno, solene, simbólico em sua
narração: cada palavra, cada
gesto. A densidade de seu
Evangelho agora se faz mais
eloquente. E os títulos de Jesus
compõem uma formosa Cristologia.
Jesus é Rei. O diz o título da
cruz, e o patíbulo é o trono
onde ele reina. É a uma só vez,
sacerdote e templo, com a túnica
sem costura com que os soldados
tiram a sorte. É novo Adão junto
à Mãe, nova Eva, Filho de Maria
e Esposo da Igreja. É o sedento
de Deus, o executor do
testamento da Escritura. O
Doador do Espírito. É o Cordeiro
imaculado e imolado, o que não
lhe romperam os ossos. É o
Exaltado na cruz que tudo o
atrai a si, quando os homens
voltam a ele o olhar.
A Mãe estava ali, junto à Cruz.
Não chegou de repente no Gólgota,
desde que o discípulo amado a
recordou em Caná, sem ter
seguido passo a passo, com seu
coração de Mãe no caminho de
Jesus. E agora está ali como mãe
e discípula que seguiu em tudo a
sorte de seu Filho, sinal de
contradição como Ele, totalmente
ao seu lado. Mas solene e
majestosa como uma Mãe, a mãe de
todos, a nova Eva, a mãe dos
filhos dispersos que ela reúne
junto à cruz de seu Filho.
Maternidade do coração, que
infla com a espada de dor que a
fecunda.
A palavra de seu Filho que
prolonga sua maternidade até aos
confins infinitos de todos os
homens. Mãe dos discípulos, dos
irmãos de seu Filho. A
maternidade de Maria tem o mesmo
alcance da redenção de Jesus.
Maria contempla e vive o
mistério com a majestade de uma
Esposa, ainda que com a imensa
dor de uma Mãe. São João a
glorifica com a lembrança dessa
maternidade. Último testamento
de Jesus. Última dádiva.
Segurança de uma presença
materna em nossa vida, na de
todos. Porque Maria é fiel à
palavra: Eis aí o teu filho.
O soldado que traspassou o lado
de Cristo no lado do coração,
não se deu conta que cumpria uma
profecia, realizava um último,
estupendo gesto litúrgico. Do
coração de Cristo brota sangue e
água. O sangue da redenção, a
água da salvação. O sangue é
sinal daquele maior amor, a vida
entregue por nós, a água é sinal
do Espírito, a própria vida de
Jesus que agora, como em uma
nova criação derrama sobre nós.
A
SEMANA SANTA EM BRAGA
Braga
(Minho – Portugal) Santuário Bom
Jesus do Monte e Catedral:
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Santuário Bom Jesus
do Monte |
As cerimónias da Semana Santa,
em Braga, começam com a
tradicional Bênção dos Ramos e a
Procissão do Senhor dos Passos.
A cidade vive, sete dias de
intensa atividade religiosa, com
os tradicionais ritos e
procissões, que culminam no
Domingo de Páscoa, a atrair
muitos milhares de fiéis e de
turistas. Os visitantes são
sobretudo atraídos pelas grandes
procissões que registam a
participação de centenas de
figurantes vestidos a rigor para
simbolizar o calvário de Cristo.
Será o caso, por exemplo, da
tradicional procissão de Nossa
Senhora da «burrinha», que
incorpora cerca de setecentos
figurantes. Na quinta-feira à
noite, decorre a procissão de «Ecce
Homo» e, na Sexta-feira Santa, a
solene Procissão do Enterro do
Senhor, talvez a mais aguardada
pelos turistas. Já no Domingo de
Páscoa, o tradicional compasso
percorre as aldeias, vilas e
cidades minhotas.
Com tradições que remontam aos
primórdios do século, a Semana
Santa em Braga é o expoente
máximo das solenidades pascais
do país e do norte da Península
Ibérica. Durante uma semana, a
cidade de Braga acolhe milhares
de peregrinos oriundos de todo o
país e da vizinha Galiza, para
participar numa das
manifestações que constitui um
dos mais notáveis cartazes do
turismo religioso.
Os archotes, as velas e os
milhares de pessoas que se
dispõem ao longo das ruas para
ver passar as procissões, em
especial as do Senhor Ecce-Homo
e do Enterro do Senhor,
configuram um quadro ímpar das
festividades e transmitem uma
tradição enraizada num ritual
dominado pelo conjunto de
procissões noturnas envoltas
numa forte intensidade
dramática.
A procissão de Endoenças, também
conhecida por procissão do
Senhor da Cana Verde, ou mais
popularmente conhecida como
procissão do Senhor Ecce-Homo,
tem lugar na noite de
Quinta-Feira Santa. Com origens
na visita que outrora se
efetuava às sete igrejas,
inspirada nas Sete Estações
Romanas, que, como reza o
Compromisso Cerimonial da Santa
Casa da Misericórdia de Braga,
refletia «a penitência aos fiéis
cristãos que reconheceram seus
pecados, e por eles quiseram
fazer alguma satisfação penal
nos dias em que o mesmo Filho de
Deus quis pagar por nós
derramando Seu precioso sangue».
Quem chamou a si a realização
desta procissão foram, por isso,
as Santas Casas da Misericórdia,
instituídas em Portugal pela
rainha D. Leonor, em 1498. Ainda
hoje, é a estas instituições que
cabe a tarefa de promover e
organizar esta solenidade e por
isso considerada a Festa da
Irmandade, à qual todos os
irmãos eram então obrigados a
assistir. O papel desempenhado
outrora pelos irmãos foi hoje
parcialmente substituído pelos
figurados que integram o cortejo
religioso.
Na cidade de Braga, a procissão
da noite de Quinta-Feira Santa
tem como figura central a imagem
do Senhor Jesus Cristo coroado
de espinhos, com as mãos atadas,
segurando um cetro, figurado
numa cana verde.
Esta procissão, pelas suas
características, é uma das
solenidades da Semana Santa mais
participada pelos bracarenses e
por muitos milhares de fiéis de
todo o país e da vizinha Galiza
que nesta noite "invadem" a
cidade de Braga para assistir.
No dia seguinte, na Sexta-Feira
Santa, é a vez de se realizar a
procissão do Enterro do Senhor.
Este cortejo religioso é o mais
solene de todos os que na Semana
Santa se organizam. Os mesários
e irmãos da Misericórdia e Santa
Cruz, encapuzados, as varas a
rasto, os Reverendo Cónegos com
os mantos e varas arrastados
pelos lajedos, os figurados,
também arrastando as cruzes,
como os pendões, bandeiras das
congregações, juízes com varas,
provocam como que um gemido de
consternação, tal é a impressão
que o "surdo" arrastar das varas
nos provoca. De longe a longe,
este sussurro é quebrado pelo
som entoado por uma personagem
que segue o Esquife do Senhor: «Heu
Heu Damine Heu Salvador noster!
(Ai! Ai! Senhor Salvador
Nosso!).
O rugir das matracas dos
farricocos, o bater das varas
dos irmãos da misericórdia que
se ouvem na procissão da
Quinta-Feira Santa, dão lugar a
um silêncio avassalador na
procissão do Enterro do Senhor.
O cortejo religioso sai da Sé
Catedral, a onde regressa depois
de percorrer as principais
artérias do centro da cidade.
Da especificidade da música
sacra portuguesa nos séculos XVI
e XVII (Excerto da Obra) - José
Maria Pedrosa Cardoso
(Universidade de Coimbra)
Música da Paixão. E vou
aproveitar o mesmo documento de
Mogi das Cruzes para introduzir
uma nova temática, porventura o
traço mais profundo na
identidade de uma música sacra
portuguesa no princípio da era
moderna. Na realidade o achado
de Jaelson Trindade, já estudado
por Paulo Castagna, apresenta
também um trecho de música da
paixão, mais concretamente três
espécimes com Turbas da Paixão
segundo S. Mateus e segundo S.
João. Este dado não tem nada de
surpreendente, uma vez que se
trata de uma prática universal,
mas o reconhecimento nesta
espécie polifónica do Cantus
firmus tradicional português
constitui, definitivamente, um
documento a comprovar a
dependência natural da música
litúrgica brasileira da sua
congénere portuguesa.
(Efetivamente, na parte do Tiple
das Turbas de Mt, aparece no
meio das frases polifónicas a
reprodução de duas frases
gregorianas – os chamados ditos
da ancilla: Et tu cum Jesu
Nazareno eras e Et hic erat cum
Jesu Nazareno - com a música
rigorosamente igual à do modelo
tradicional português. O mesmo
vai acontecer na parte do Tiple
das Turbas de Jo, com
transcrição da frase novamente
da ancilla Nunquid et tu ex
discipulis es hominis istius?
Independentemente do valor da
composição em causa, da sua
autoria, sabendo-se que se trata
muito provavelmente de uma cópia
setecentista de uma composição
anterior, o importante é
constatar que no Brasil colonial
o modelo de cantochão utilizado
para o canto da Paixão era o
tradicional português.
Igualmente importante é a
constatação de que, numa destas
espécies de Turbas, se encontram
algumas frases de Cristo
musicadas a várias vozes (sendo
o Ms incompleto, não foi
possível, em primeira análise,
deduzir a quantas vozes eram
essas frases musicais). De
qualquer forma, estamos diante
de documentos que testemunham
uma dependência natural da
prática cultual brasileira dos
modelos importados diretamente
de Portugal, e não da Europa
genericamente como é frequente
afirmar-se.
Regressando, pois, a Portugal,
sabe-se que a Semana Santa era o
tempo privilegiado para todas as
devoções. Entre o reportório
próprio deste tempo, sobressai o
canto do Ofício das Trevas, com
os célebres responsórios e
lamentações, os cânticos das
procissões, com o impressionante
Heu, heu Domine durante o
enterro do Senhor, e o canto
litúrgico da Paixão
(entendendo-se, assim, o canto
do texto canónico durante a
celebração das missas de Domingo
de Ramos, Terça e Quarta Feira
Santas e na celebração litúrgica
da Morte do Senhor, na Sexta
Feira Santa). Não havia
vilancicos, não se representavam
dramas litúrgicos, que o drama
da Paixão e Morte de Cristo era
suficientemente galvanizador
para reter os fiéis longas horas
nas igrejas, embora de uma forma
muitas vezes passiva: mais uma
razão para o poder motivador de
uma boa execução musical.
A este propósito, também vale a
pena chamar a atenção para o
impacto que a celebração da
Paixão, sobretudo na Sexta-feira
Santa, despertou nas primitivas
comunidades cristãs brasílias.
As cartas dos primeiros Jesuítas
no Brasil são bom documento a
este respeito. Apenas um
exemplo:
«12. O ofício da Semana Santa se
fez nesta nossa Casa com grande
devação dos que a ele se
acharão; foram cantados, os
quais o Padre Brás Lourenço fez
muito bem, tomando pera isso os
moços da escola, que ensayou
alguns dias antes, e outras
pessoas devotas, que se lhe
offerecerão pera isso....
Pregou-se a Paixão com muita
devação e sentimento e lágrimas
dos ouvintes, e certifico-lhes
que nunqua vi tantas lágrimas em
Paixão como vi nesta, porque des
ho principio até ao cabo foi
huma continua grita, e não avia
quem pudesse ouvir o que o Padre
dizia; e isto assim em homens
como em molheres, e sairão
algumas cinquo ou seis pessoas
quasi mortas, as quaes por muito
espaço não tornarão em sy e
outras com medo do mesmo não
aousarão de esperar toda a
preguação, por mais que o Padre
abreviava com ver estas cousas.
... A sexta-feria seguinte se
fez o officio do desenterramento
do Senhor com o mesmo
sentimento, e devação, levando
dous Padres vestidos com suas
alvas e descalços ao Santissimo
Sacramento em huma tumba toda
cuberta de preto que pera isso
era feita, indo diante as Tres
Marias, cantando Heu, Heu,
Salvator noster» (Porto Seguro
15 de Fevereiro de 1566, Carta
do P. Antonio Gonçalves aos
Padres e Irmãos de Portugal, in
Serafim Leite, Monumenta
Brasiliae. Roma: Monumenta
Historica Societatis Jesu,
1956-1960, 4 vols, IV vol.
(1563-1568), pp. 315-318).
A explicação histórica para tal
entusiasmo na vivência do drama
da Paixão, na Semana Santa, só
pode estar numa espiritualidade
da Cruz profundamente enraizada
na sociedade portuguesa, o que
pode derivar da presença
qualificada das Ordens
mendicantes, da propagação em
Portugal da devotio moderna e da
mentalidade dos Místicos do
Norte, da divulgação da
Via-sacra, etc. Consequência e
estímulo para esta mesma
espiritualidade é a proliferação
por todas as igrejas e capelas
portuguesas de grandes obras de
arte - concretamente em quadros,
pietás e calvários - e ainda a
abundância de edições da
Imitação de Cristo e de
publicações sobre a vida de
Cristo e concretamente sobre a
Paixão do Senhor.
Feliz
Páscoa
Priscila de Loureiro
Coelho
Podemos encontrar diversas
tradições que são lembradas no
dia da Páscoa. Umas que se
perpetuam de geração em geração,
em determinados grupos
familiares; outras influenciadas
pela cultura, variando de acordo
com hábitos e crenças; algumas
quase folclóricas e outras que
foram nascendo da variação das
próprias tradições, através dos
tempos. Mas independente de como
se comemore, a Páscoa está
sempre ligada ao renascimento e
possibilidade de uma nova vida.
Embora haja diversas formas de
comemorá-la, é uma festa cristã,
onde se celebra a ressurreição
de Cristo, como exemplo para
humanidade.
É verdade que o mercado solapa
boa parte do crédito desta data,
que se apropria, indevidamente
dela, explorando-a de tal sorte
que a torna uma data com um
cunho eminentemente comercial.
Nenhum mal existe em que se
aproveite a data para aquecer a
economia, principalmente porque
a Páscoa é símbolo de renovação
e abundância. O que não se deve
esquecer é o sentido essencial,
o que a fundamenta e o que a
torna uma data tão especial.
O sentido último da Páscoa, como
já mencionamos, é a abundância,
o renascimento, a renovação.
Importante relacionarmos estas
questões com nosso cotidiano,
para que a data não se torne nem
uma comemoração superficial e
material, e tão pouco uma data
dogmática, que não tem ligação
alguma com a nossa vida do
dia-a-dia.
A Páscoa é o marco da renovação.
Como se a cada data que
vivêssemos, iniciasse um novo
ciclo em nossa existência, um
ciclo repleto de oportunidades,
e um convite irresistível ao
progresso interior. Uma
oportunidade de mudança, de se
passar a limpo alguns trechos de
nossa história, enquanto
continuamos a escreve-la.
Quando lembramos que ao morrer,
em suas limitações, em sua
pequenez de ser humano, Jesus
libertou-se de todas as amarras,
tornando-se o filho pródigo que
retorna a casa do pai, em busca
de apoio e paz.
Esta compreensão nos leva a
deduzirmos que nossa vida nada
mais é do que a peregrinação
através do deserto, onde nosso
caminhar é transformada em nosso
cotidiano e nossa evolução, na
capacidade que vamos
desenvolvendo ao lidar com esta
vida diária, que é a maior
aventura da qual participamos.
Assim, nesta Páscoa, desejo
partilhar com todos a alegria de
reconhecer as bênçãos de Deus; a
gratidão infinita por todas as
pessoas que encontro em meu
caminho; o carinho sem limite
que abrigo em meu coração por
todas as situações que vivo e
consigo me adaptar. Na verdade,
venho testemunhar, que a alegria
de viver é resultado desta busca
serena em viver de modo cristão.
Para todos desejo feliz páscoa,
que embora seja comemorada hoje,
representa em verdade, um ciclo
de um ano, na vida de cada um de
nós.
Muita paz, Alegria, sabedoria e
realizações.
Bibliografia consultada:
Crossan, John Dominic - El Jesus
historico: la vida de un
campesino judio del Mediterraneo
(Planeta, B.Aires, 1994)
Donini, Ambrosio - História do
Cristianismo (Edições 70,
Lisboa, 1980)
Gnilka, Joachim - Jesus de
Nazaré, mensagem e história
(Vozes, Petrópolis, 2000)
Jaspers, Karl - Los grandes
filósofos, I, los hombres
decisivos (Sur.B.Aires, 1971)
Renan, Ernest - Vida de Jesus (Lello,
Lisboa,1961)
Rops, H.Daniel- A Igreja dos
apóstolos e dos mártires
(Quadrante, S.Paulo, 1988)
Rops, H.Daniel - A vida
quotidiana na Palestina no tempo
de Jesus (Livros do Brasil,
Lisboa, s/d)
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro - Marinha
Grande - Portugal
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