Gregorio Lopes - 1539-1541

PÁSCOA

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 

 

 

 TEMPO DE QUARESMA!
Carmo Vasconcelos

 

Das Cinzas salta o tempo prá Quaresma,

rumo à glória da Páscoa promissora,

a elevar-nos, Divina  por si mesma,

aos cumes da Verdade redentora.

 

Êxtase do Cristo em ressurreição!

Alvorada que já se faz sentir,

fazendo repensar todo o pagão,

seus desmandos ateus, que urge remir!

 

E a renascida flama de Jesus,

virá trazer-lhes uma nova luz,

seus ímpios corações há-de tocar…

 

Pois todo o ser humano é um altar

onde a fé, se ora em cinzas, não reluz…

aos eflúvios da Páscoa, há-de se atear!

*** 

Lisboa/Portugal

 

 

 

 

 

Páscoa (do latim pascha, de uma palavra hebraica, que significa passagem).

Festa anual dos Judeus, em memória da sua saída do Egipto. Festa da Igreja cristã, em memória da Ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa do Espírito Santo, a festa do Pentecostes. A festa da Páscoa foi estabelecida pelos Judeus em memória da passagem do Mar Vermelho e também da passagem do anjo exterminador que, na noite em que os Judeus partiram do Egipto, matou todos os primogénitos dos egípcios, mas sem tocar nas casas dos israelitas, marcadas com o sangue do cordeiro. O dia de Páscoa, celebra-se no primeiro domingo depois da primeira lua cheia, que se segue ao equinócio da Primavera, e cai sempre entre os dias 21 de Março a 26 de Abril, podendo, pois, esta festa variar de trinta e seis dias. Dela dependem, para os católicos, todas as festas móveis:
A Septuagésima, 63 dias antes da Páscoa
A Quinquagésima, 49 dias antes
A Paixão, 14 dias antes
Quasímodo, 07 dias depois da Páscoa
A Ascenção, 40 depois da Páscoa
O Pentecostes, 10 dias depois da Ascenção
A Santíssima Trindade, 07 dias depois da Ascenção
O Corpo de Deus, na quinta-feira seguinte.

O tempo pascal compreende cinquenta dias (em grego = "Pentecostes"), vividos e celebrados como um só dia: "os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande domingo" (Normas Universais do Ano Litúrgico, n 22).

 

 

 

 

 

PÁSCOA

 Humberto Rodrigues Neto

 

É findo o carnaval, festa do povo
que foi na quarta-feira benzer cinzas,
para rever, depois, num ciclo novo,
da Sexta-feira Santa os céus ranzinzas!

A quaresma se faz recolhimento,
lembrando as dores de Jesus no Horto,
ao qual voltamos nosso pensamento
seguindo a procissão do Senhor Morto!
 
Mas tudo passa, já não mais revoltam
os crísticos martírios da Paixão;
aos corações as alegrias voltam
durante a Páscoa da Ressurreição!
 
A Páscoa é chama de sutil lampejo,
isenta de fagulha ou soltas áscuas,
e é nessa luz de Paz que eu vos desejo
a mais alegre e a mais feliz das Páscoas!

 

***

S.Paulo/Brasil


 

 


O tempo pascal é o mais forte de todo o ano, inaugurado na Vigília Pascal e celebrado durante sete semanas até Pentecostes. É a Páscoa (passagem) de Cristo, do Senhor, que passou da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo, que é introduzida na Vida Nova de seu Senhor por meio do Espírito que Cristo lhe deu no dia do primeiro Pentecostes. A origem desta cinquentena remonta-se às origens do Ano Litúrgico.
Os judeus tinham já a "festa das semanas" (ver Dt 16,9-10), festa inicialmente agrícola e depois comemorativa da Aliança no Sinai, aos cinquenta dias da Páscoa. Os cristãos organizaram rapidamente sete semanas, mas para prolongar a alegria da Ressurreição e para celebrar ao final dos cinquenta dias a festa de Pentecostes: o dom do Espírito Santo. Já no século II temos o testemunho de Tertuliano que fala que neste espaço de tempo não se jejua, mas que se vive uma prolongada alegria.
A liturgia insiste muito no carácter unitário destas sete semanas:
A primeira semana é a "oitava da Páscoa', em que já por irradiação os batizados na Vigília Pascal, eram introduzidos a uma mais profunda sintonia com o Mistério de Cristo que a liturgia celebra. A "oitava da Páscoa" termina com o domingo da oitava, chamado "in albis", porque nesse dia os recém batizados disponham, noutros tempos, de vestes brancas recebidas no dia de seu Batismo.
Dentro da Cinquentena se celebra a Ascensão do Senhor, agora não necessariamente aos quarenta dias da Páscoa, mas no domingo sétimo de Páscoa, porque a preocupação não é tanto cronológica mas teológica, e a Ascensão pertence simplesmente ao mistério da Páscoa do Senhor. E conclui tudo com a vinda do Espírito em Pentecostes.
A unidade da Cinquentena é também destacada pela presença do Círio Pascal aceso em todas as celebrações, até ao domingo de Pentecostes. Os vários domingos não se chamam, como antes, por exemplo, "domingo III depois da Páscoa", mas "domingo III de Páscoa". As celebrações liturgicas dessa Cinquentena expressam e nos ajudam a viver o mistério pascal comunicado aos discípulos do Senhor Jesus.
As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa, estão organizadas com essa intenção. A primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, a história da igreja primitiva, que em meio a suas debilidades, viveu e difundiu a Páscoa do Senhor Jesus. A segunda leitura muda segundo os ciclos: a primeira carta de São Pedro, a primeira carta de São João e o livro do Apocalipse.
A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimonias religiosas.
Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egipto, durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade.
Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.
No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa é originária do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
Nossos amigos de Kidlink nos contaram como se escreve "Feliz Páscoa" em diferentes idiomas. Assim:
A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. A origem do símbolo do coelho vem do fato de que os coelhos são notáveis por sua capacidade de reprodução. Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor do que coelhos, para simbolizar a fertilidade!
E como surgiu o chocolate...
Quem sabe o que é "Theobroma"? Pois este é o nome dado pelos gregos ao "alimento dos deuses", o chocolate. "Theobroma cacao" é o nome científico dessa gostosura chamada chocolate. Quem o batizou assim foi o botânico sueco Linneu, em 1753.
Mas foi com os Maias e os Astecas que essa história toda começou. O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro.
Na Europa chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois junta com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma bebida.
Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados.
Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía.
Chega o século XX, e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro. É tradicionalmente um presente recheado de significados. E não é só gostoso, como altamente nutritivo, um rico complemento e repositor de energia. Não é aconselhável, porém, consumi-lo isoladamente. Mas é um rico complemento e repositor de energia.
E como surgiu o coelho?
A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa.
Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egipto, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antiguidade consideravam-no o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertilidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas!
Mas por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todo ano?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicéia em 325 depois de Cristo, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a "lua eclesiástica").
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronómico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de Março e no máximo em 24 de Abril, transformando a Páscoa numa festa "móvel". De fato, a sequência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.


 
Mas o que é a Páscoa?

 Fonte: Benito S. Pepe


Já há alguns milénios (3,5) os Judeus comemoravam a Páscoa. Mas como? Jesus Cristo não havia nem mesmo nascido! É verdade! No início, as comemorações da Páscoa já eram nesta época do ano: Março, Abril (primavera no hemisfério norte) eram para comemorar as colheitas. Era, portanto, a festa das colheitas. A alegria de festejar e "bebemorar" com o sucesso de um período trabalhado e seus frutos (na verdade a festa da colheita era 50 dias após a Páscoa).
Muito bem! Mas os nossos Pais religiosos, os Judeus, foram escravizados no Egipto (Império naquela época). Ficaram como escravos muitos anos... Até que, com a ajuda de Deus, conseguiram sair da escravidão e voltar à terra prometida e foi o que ocorreu por coincidência ou projeto Divino, também nesta mesma época da Páscoa e, assim, então, a comemoração dos Judeus passou a ser a da Passagem, do Êxodo, da libertação da terra do Egipto.
E agora onde está a Páscoa Cristã? A nossa Páscoa, que é, sem dúvida, a maior Festa e a maior comemoração de todas as festas cristãs, está exatamente neste mesmo período do ano, pois mais uma vez, por coincidência ou não, ocorre também nesta época.
O Verbo que era a palavra se fez carne e veio habitar entre nós e após um período aqui na terra nos mostrou que nós também somos eternos, pois o que vivemos é uma Páscoa, ou seja, em Hebreu Páscoa quer dizer PASSAGEM. Assim sendo, Jesus o Cristo, nos mostrou que aqui é apenas um local de passagem e acima de tudo de aprendizagem. Portanto, o mais importante não é o que construímos materialmente, mas sim, o que construímos espiritualmente.
Jesus, após ser crucificado e morto (na época da festa da Páscoa judaica, pois ele havia ido até Jerusalém para as comemorações - ele também era Judeu), ressuscita no 3º dia e aparece aos seus discípulos algumas vezes.
Portanto, os Cristãos comemoram esta época do ano como a maior de todas as festas, assim, ela é mais importante que o próprio Natal (Nascimento de Jesus). Apesar de o Calendário Gregoriano contar os anos do nascimento de Cristo, na verdade nós estamos há uns 1970 anos de comemorações de Páscoas Cristãs.
Nas vésperas da Páscoa do ano de 786 do antigo calendário romano, se é que é válida tal precisão de data, no mês de Nisã dos hebreus, ocorreu uma crucificação de três homens do lado de fora dos muros da cidade de Jerusalém. Dois deles eram ladrões, o outro tratava-se de um pregador, um rabi chamado Jesus, que se dizia um filho de Deus, alguém que viera anunciar o Reino dos Céus. O cenário daquela terrível execução de que ele foi vítima iria, bem depois ao longo da história, com o Ocidente inteiro convertido à  fé de Cristo, ser infinitas vezes reproduzido por seus seguidores, por todos os meios possíveis: em livros, telas, murais, vitrais, esculturas, autos teatrais, representações públicas de ruas e em filmes, fazendo com que a humanidade sofredora se identificasse com o martírio dele.


 

O suplício da cruz:


"Nenhuma culpa encontro nele. É costume entre vós que eu solte um preso, na Páscoa. Quereis que vos solte o rei dos judeus? Esse não, gritaram de novo, clamando: Esse não, mas Barrabás!" -- Pilatos ao povo (João 18).
Supõe-se que Jesus Cristo não tenha resistido muito tempo ao suplício da cruz, que Cícero definira como "a mais cruel e a mais terrível pena de morte". Estimou-se que um homem forte era capaz de suportá-lo por uns três dias no máximo. O nazareno entregou-se depois de três horas, ou pouco mais. E não poderia ser diferente para quem levara uma vida praticando jejuns, alimentando-se episodicamente e, ainda, antes de ser exposto, teve o corpo violentamente ofendido pelos açoites. Parece ter sido fantasia dos gravadores e pintores terem-no desenhado, pelos séculos seguintes, preso a uma cruz bem alta, como se seu corpo fosse uma bandeira ensanguentada hasteada nos altos de um mastro. Ao contrário, a vitima era esfaqueada pelos carrascos bem próxima do chão. Para que suas mãos presas com cravos não se rasgassem com o peso do corpo, fixavam uma corda que o enlaçava a partir do ilíaco ou apoiavam os seus pés num sedile, a pequena tábua afixada na parte baixa da cruz. A morte do condenado, como já se disse, era horrível, anunciando-se por gritos pavorosos de dor e gemidos lancinantes, entremeada de apelos desesperados para que o matassem de vez. Jesus fora pregado numa crux immissa (em forma de cruz) às 8 horas da manhã ou ao meio-dia de uma sexta-feira. Seja o que for, à tarde seguramente já estava morto. No alto da haste haviam colocado um cartaz: "Rei dos Judeus", escrito em três línguas (grego, latim e aramaico). Era uma ironia maldosa dos romanos, pois o executaram junto com dois delinquentes.


 

De Herodes a Pilatos:


Pensavam estar livrando-se de um problema, porque durante um bom tempo ninguém sabia o que fazer com aquele homem da Galileia. Os sacerdotes do templo de Jerusalém, como Caifás, consideravam-no um herético, alguém que estava jogando o povo local contra a tradição e o Sinédrio (o Grande Tribunal, autoridade máxima judicial com 70 membros). Os fariseus e os zelotes viam-no como um divisionista que, ao invés de somar-se a eles no repúdio aos romanos, minimizara a ocupação da Palestina com a promessa da chegada de um novo reino, o Reino dos Céus. Para o procurador (praefectus) Pôncio Pilatos, governador romano da região, o nazareno, em quem não via culpa alguma, era apenas uma dor de cabeça a mais no trato com aquele povo metido em confusões e querelas intermináveis. Enviara-o preso para Herodes Antipas, o tetrarca de Israel, um monarca colaboracionista, que o devolvera sem saber o que exatamente fazer com ele. Matá-lo por dizer-se o Messias?


 

A chegada de um Messias: 

 

Havia entre os judeus, povo quase sempre submetido às crueldades do destino, uma crença muito forte de que um dia lhes viria dos céus um Messias, um Salvador, para livrá-los das desgraças. Assim, não raro, aparecia alguém, um iluminado, dizendo-se ser um desses enviados de Deus. O próprio Jesus alertou o seu povo em razão da abundância desses falsos profetas e charlatães que se diziam os verdadeiros messias.
Quantos deles não apareciam pelas ruas de Jerusalém julgando-se isso? O único tumulto em que Jesus se envolvera dera-se quando ele, o mais pacífico dos homens, deixou-se assaltar pela fúria ao deparar-se com os "vendilhões do Templo", aquela massa de cambistas, ambulantes e vendedores de pombas, que ofertavam de tudo nas proximidades do edifício santo dos judeus. Nada mais impressionante do que isso.
Pôncio Pilatos, na época do processo contra Jesus, já estava na região há algum tempo, uns cinco ou seis anos (teria assumido no ano 26), mas continuava sem entender as intermináveis dissertações dos hebreus em torno da religião. As nuanças e subtilezas das discussões acaloradas dos rabinos e dos sumos-sacerdotes eram-lhe absolutamente estranhas. Quem o indicara para o cargo de procurador da Palestina fora Sejano, um favorito de Tibério. O Imperador, por sua vez, enojado das intrigas políticas de Roma, retira-se no ano de 27 para a maravilhosa ilha de Capri, nas proximidades de Nápoles, a fim de levar uma vida dos deuses, dado inteiramente aos prazeres.
Quem algum dia poderia supor que enquanto Tibério se banhava com seus garotos, que ele chamava de "meus peixinhos" , na imensa piscina tépida da sua mansão, o crime que cometiam em seu nome nas longínquas terras da Judeia contra um pregador desconhecido, iria um dia abalar o poder de Roma?


 

A sentença de Pilatos:


"Subirás à cruz" disse Pilatos a Jesus. Até hoje, lembra o historiador J.Gnilka, não se sabe se a sentença que condenou Jesus resultou dele ter cometido o "perduellio" (grave prejuízo cometido contra a pátria) ou o "crimen maiestatis populi romani imminutae" (ter provocado algum dano ao prestígio do povo romano). Seja o que for, Pilatos informou a todos que em vista do costume, estava disposto a dar-lhe a vénia, a suspensão da sentença, devido à aproximação da Páscoa. Quando a intenção dele chegou aos ouvidos da multidão que estava do lado de fora no paço do tribunal de justiça, as vozes em uníssono clamaram em favor de Barrabás, possivelmente um bandido, rejeitando a oferta do romano de indultar o nazareno. Pilatos então, lavando as mãos, deixou a sentença correr. E Jesus foi previamente submetido ao "horribile flagellum" (levar um incontável número de chibatadas nas costas).

 

 

 

 

PERDOAI-LHES SENHOR

Alfredo dos Santos Mendes
 

Foi preso por pregar humanidade.
Julgado e condenado sem pudor.
Seu crime, era ensinar e dar amor.
Espalhar ao seu redor, felicidade!
                                   
O seu corpo pregaram por maldade,
alheios ao sofrimento ao estertor.
Nem viam quanto mal, e quanta dor,
provocavam a sua frialdade!
                                   
Olhou Jesus o Céu que escurecia.
seu corpo que aos poucos fenecia,
ganhou algum alento e foi dizendo:
 
Tende por estes homens, piedade!
Perdoai-lhes meu Pai tanta maldade,
pois não sabem o mal que estão fazendo!

 

***

Lagos/Portugal

 

 


 

 

A morte de Jesus:


Provavelmente já passava das 3 horas da tarde daquele sexta-feira fatídica, quando um guarda enfiou a sua lança no abdómen de Jesus para ver se ele já havia morrido. O líquido que escorreu, um pouco de sangue e água, confirmou-lhe que o homem ali estendido já entregara a alma aos céus. José de Arimatéia (Ha-Ramathain), um respeitável homem de algumas posses, reclamou o corpo junto às autoridades e como já estavam em vésperas do shabbath, os romanos consentiram que ele desse o fim apropriado ao cadáver.
O local das execuções era tétrico, até o nome Gólgota (caveira em hebraico, calvarius em latim), que descrevia o especto descarnado do monte onde expunham os supliciados, contribuía para aumentar a desolação do quadro.

 

 

 

 

 

 

UNIDA À DOR DO CRISTO

 Carmo Vasconcelos

 

Só me restava, em lágrimas, orar...

Prostrada a um canto, ouvir o despudor

dos ímpios que, em sarcasmo, o Redentor

arrastavam, sem dó, a crucificar!

 

Eram tormentos meus o Seu martírio,

contra os algozes, minha vã revolta!

E, na vontade de os matar, à solta,

pecava também eu nesse delírio!

 

Da carne viva em chaga, era o meu sangue

que emergia; e aos do Cristo equalizados,

eram meus pés e mãos os perfurados!

 

Ante a Virgem que olhava o Filho exangue,

morrer com Ele, era a ânsia que eu sentia,

ignorando a ALELUIA que adviria!

 

***

Lisboa/Portugal

 

 

 


 

O sepulcro:


Arimateia, impedido pelo tempo de inumar adequadamente Jesus, foi auxiliado por Nicodemos. Ambos carregaram o pobre morto para um jardim próximo onde o colocaram num sepulcro. Um enterro decente só poderia ser-lhe providenciado no domingo, pois no sábado judaico nada se faz, em nada se mexe. Logo que o depositaram em lugar apropriado, protegeram o corpo de Jesus com um sudário e umas faixas de linho aromatizadas. Ao sair daquela tumba improvisada, bloquearam a entrada com uma enorme pedra e foram juntar-se aos seus para celebrar o shabbath.


 

Maria Madalena é surpreendida:


Na madrugada de domingo, no dia da Páscoa, querendo adiantar-se a todos, talvez com a intenção de renovar os aromas do morto, Maria Madalena, uma das suas seguidoras, ao chegar ao sepulcro encontrou a rocha afastada. Espantou-se. O interior estava vazio, sendo que as tiras e o sudário que o tinham envolvido estavam postas num canto. Quando estava em prantos, lamentando o desaparecido, imaginando que haviam roubado o corpo, uma voz se lhe apresentou: era Jesus! Disse-lhe que ainda não havia subido ao reino dos céus. À tarde, mostrando suas mãos perfuradas, ele apareceu pessoalmente aos discípulos. Ressuscitara (João, 20-21). Repetia-se na Palestina o assombroso destino de Osíris, o deus egípcio morto que retornara à vida. O nazareno, pensaram seus seguidores, negara-se a morrer, vencera a rotina imposta aos homens. Dali em diante estaria sempre com eles. Enquanto isso, em Capri, o imperador Tibério preparava-se para mais um banho, sem que ninguém o alertasse para o que ocorria naquela estranha e inusitada Páscoa. E assim teve início a poderosa lenda de Jesus Cristo.

 Os eventos do final da vida de Jesus são reais e históricos, tendo sido relatados pelos Evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João. Nos Evangelhos batizados com seus respectivos nomes, eles descrevem a vida de Jesus Cristo, desde o seu humilde nascimento até ao seu sofrimento injusto e sua morte, coroada por sua gloriosa ressurreição. Eles nos ensinam o verdadeiro significado da vida de Nosso Senhor - o sacrifício por todos os seres humanos de todos os tempos. Com sua morte, todos nós podemos ser perdoados e salvos. Sua ressurreição nos assegura a vitória sobre o pecado, a morte e o diabo.


 

Por que Jesus derramou Seu sangue na cruz?


"Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará a expiação (um sacrifício que paga a culpa) em virtude da vida" (Levítico 17.11).
"Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão perdão dos pecados" (em Hebreus 9.22).


 

Por que a crucificação foi tão traumática?


"Certamente, Ele (Jesus) tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões (pecados) e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Isaías 53.4-5).


 

De quem foram os pecados que pregaram Jesus na cruz?


"Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade [pecado] de nós todos" (Isaías 53.6).


 

A morte brutal de Cristo foi profetizada?


"Como pasmaram muitos à vista Dele (pois o seu especto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens, em Isaías 52.14).


 

Obediência:


Por que a crucificação de Cristo foi necessária?


"E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado (na cruz), para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" (João 3.14-15).


 

O que Jesus quis dizer ao clamar "Está consumado!"?


"Quando, porém, veio Cristo como sumo-sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo (templo), não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção" (Hebreus 9.11-12).


 

Jesus é o único caminho para Deus?


"Respondeu-lhe Jesus. Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14.6).


 

O que Deus pensou da crucificação do Seu Filho?


"Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos" (Isaías 53.10).


 

Perdão:

 

Qual foi o resultado do derramamento do sangue de Jesus?


"No qual (em Jesus) temos a redenção (resgate da culpa do pecado), pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça" (Efésios 1.7).


 

Por que a crucificação de Cristo é importante?


"Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" (1 Pedro 3.18).


 

O sacrifício individual de Cristo é suficiente?


"E ele (Jesus) é a propiciação (satisfação da justiça de Deus) pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (1 João 2.2).


 

O sacrifício de Cristo deve ser repetido?


"Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hebreus 9.28).


 

Por que a cruz provoca divisões?


"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus" (1 Coríntios 1.18).

 

 

 

 

 

FELIZ PÁSCOA! HOJE E SEMPRE!

Dermeval Neves

 

 

À luz dos ensinamentos católicos, para os cristãos a quaresma significa tempo de conversão, abstinência e verdadeira reflexão de como estamos conduzindo nossas vidas à luz da recordação dos fatos acontecidos com Jesus nos seus últimos dias na terra. Ao seu final comemora-se a Semana Santa que termina com a Celebração da Páscoa.
A verdadeira Páscoa é reflexo e comemoração do renascimento para uma nova vida no Cristo ressuscitado! É o renascer do ser novo e livre das amarras sutis das artimanhas mundanas que enfrentamos a cada momento de nossa vida. No exemplo de doação total de Jesus Cristo pela humanidade podemos reconduzir nossos pensamentos e ações na direção de um mundo melhor e mais feliz.
O principal sentido da Páscoa é manter viva em nossa mente a certeza de que Cristo venceu a morte e assim provou que através de seu sacrifício o amor de Deus por nós é inigualável em força e intensidade. Alegremo-nos! Aleluia!
Cristo Ressuscitou, Aleluia!
"Ressuscitei e estou com você... Porque meu amor é para sempre" (cf. Sl 136). Estas não são simples palavras... São gestos concretos da Páscoa de Jesus. Tudo lhe aconteceu nesta terra: perseguições, sofrimentos, morte. Mas Nele venceu a fidelidade, o amor, a vida. Sim, a Vida teve a última palavra! Com sua ressurreição, Jesus nos fez renascer como "povo da Páscoa". Povo que assume a causa pela qual ele veio a este mundo: "Que todos tenham vida..." Aqueles que buscam paz, dignidade humana, liberdade, saúde, solidariedade e o amor, em Cristo, têm a vida.
É Páscoa: tempo de esperança e ação. Tempo para começar uma vida nova, na certeza de que, nas mãos de Deus, até a morte pode transformar-se em vida. Depois da ressurreição, a cruz tornou-se testemunho de amor, sinal de esperança. É o poder de Deus que se manifesta na humildade e no serviço dos que creem.
Que a luz do Ressuscitado ilumine seu caminho e lhe dê forças para prosseguir. Com certeza, todas as noites escuras e traiçoeiras acabam tendo sua aurora. Que a Páscoa aconteça em sua vida! Creia e alegre-se: ela já está acontecendo, pois Cristo ressuscitou e está vivo entre nós!
Uma Feliz Páscoa do Ressuscitado e no Ressuscitado!
Obrigado, Jesus! Proteja esses seus e meus amigos e amigas!

 

As Relíquias da Paixão de Cristo

 

Como sabem os católicos, assim como todos aqueles interessados na vida e obra de nosso Avatar Jesus, existem um grande número de relíquias relacionadas à paixão de Cristo espalhadas pelo mundo. Número este que chega à casa do milhar.
Qualquer um que tenha uma noção de Sua vida e da Sua Paixão, pode intuir que este número é tão absurdo quanto impossível.
Na Basílica de Saint-Denis, em Argentenil - ao norte de Paris, conserva-se por exemplo, uma suposta "túnica sagrada". E outro tanto ocorre na catedral de Trévaux. Com o devido respeito aos que creem em ambas as túnicas, é pouco provável que uma delas possa ser a que usou o Mestre Jesus. Na primeira, não obstante as dimensões serem aceitáveis (1.45m de comprimento por 1.15m de largura) e não exibir costuras, o cânhamo nada tem a ver com a natureza das vestimentas usadas habitualmente pelos hebreus à época - que basicamente se utilizavam de algodão, lã e linho. Quanto à segunda, ainda é mais difícil de identificar. Trata-se de uma série de fragmentos de um tecido muito fino e pardacento, envolto e protegido das traças em dois panos. Um destes é de seda adamascada, fabricado possivelmente no Oriente, entre os séculos VI e IX.
Quanto aos cravos e à Cruz de Cristo, ocorre algo ainda mais berrante. Há uma tradição que conta que a Imperatriz Santa Helena desenterrou os cravos utilizados para prender O Cristo à Cruz no século IV. Segundo esta lenda, a Imperatriz teria mandado convencionar um freio para o cavalo de seu filho com um dos cravos (que se encontra hoje em Carpentras).
Com outro fez um círculo para o capacete de Constantino, e diz-se que este círculo faz parte hoje da coroa de ferro dos reis lombardos, em Monza.
O terceiro cravo teria servido para acalmar uma tempestade no mar Adriático... O caso é que na atualidade, em diversas igrejas da Europa, se veneram supostos cravos da Paixão de Cristo, totalizando dez(!) destes. Surpreendente, se partirmos do suposto que eram quatro os cravos para prender os crucificados - um em cada pulso e um em cada pé. Outros se encontram em Veneza, Trévaux, Florença, Sena, Paris e em Arras.
O mesmo ocorre com respeito à madeira da Cruz de Jesus. Existem pedaços da Cruz de praticamente todos os tamanhos. Todas, é claro, extraídas da verdadeira Cruz. Talvez o maior fragmento seja o que se encontra na Espanha - em São Toríbio de Liébana, na província de Santarém, ao norte. A tradição afirma que este lignum crucis foi levado de Jerusalém por São Toríbio, bispo de Astorga, na Espanha, e contemporâneo de São Leão I, o Grande. Sua autenticidade nunca foi comprovada...
Se pararmos para pensar sobre esta tradição, veremos que tende ao absurdo imaginar que os soldados perdessem seu tempo enterrando os cravos e as cruzes utilizados em cada execução, como pretendem alguns exegetas em defesa da história da mencionada mãe do Imperador Constantino. De fato, é mais provável que as cruzes e os próprios cravos fossem reutilizados em diversas execuções.
Particularmente, acho que isso é "providencial". Tenho comigo o sentimento que o Filho do Homem não queria - nem gostaria - que objetos Seus fossem venerados ao longo dos tempos. Jesus veio à Terra como um Mensageiro - Mensageiro da Paz e do Amor - e sofreu por nós. Infelizmente não estávamos preparados para receber e assimilar estas mensagens à época (e a pergunta fica: e se tudo acontecesse agora, será que estaríamos prontos?...).
Ao invés de ficarmos venerando objetos materiais que podem ou não ter pertencido a este Espírito Iluminado, devíamos única e exclusivamente nos preocupar em praticar seus ensinamentos.
Na Semana Santa celebram-se os mistérios da salvação operada por Jesus nos últimos anos da sua vida na terra, desde a entrada triunfal em Jerusalém, até à sua sacratíssima Paixão e gloriosa Ressurreição. A Semana Santa contém os factos centrais da vida de Jesus, aquilo que Ele definiu como a “Sua Hora”.
A antiga liturgia de Milão classificava esta Semana Autêntica por ser a semana dos verdadeiros “trabalhos de Jesus”. O anterior Missal romano chamava-lhe Semana Maior, não pelo número de dias, mas pelo conteúdo salvífico.
O conjunto das celebrações da Semana Santa forma o Mistério Pascal, revelador da plenitude do amor de Deus ao mundo. As cores liturgicas são a roxa, a encarnada e a branca, cores do amor e dor como o duplo sentido da paixão.
A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.
São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.
A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.
Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.
A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até aos confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria contempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.
O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia, realizava um último, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

 

A SEMANA SANTA EM BRAGA

 

Braga (Minho – Portugal) Santuário Bom Jesus do Monte e Catedral:

 

Santuário Bom Jesus do Monte


As cerimónias da Semana Santa, em Braga, começam com a tradicional Bênção dos Ramos e a Procissão do Senhor dos Passos. A cidade vive, sete dias de intensa atividade religiosa, com os tradicionais ritos e procissões, que culminam no Domingo de Páscoa, a atrair muitos milhares de fiéis e de turistas. Os visitantes são sobretudo atraídos pelas grandes procissões que registam a participação de centenas de figurantes vestidos a rigor para simbolizar o calvário de Cristo. Será o caso, por exemplo, da tradicional procissão de Nossa Senhora da «burrinha», que incorpora cerca de setecentos figurantes. Na quinta-feira à noite, decorre a procissão de «Ecce Homo» e, na Sexta-feira Santa, a solene Procissão do Enterro do Senhor, talvez a mais aguardada pelos turistas. Já no Domingo de Páscoa, o tradicional compasso percorre as aldeias, vilas e cidades minhotas.
Com tradições que remontam aos primórdios do século, a Semana Santa em Braga é o expoente máximo das solenidades pascais do país e do norte da Península Ibérica. Durante uma semana, a cidade de Braga acolhe milhares de peregrinos oriundos de todo o país e da vizinha Galiza, para participar numa das manifestações que constitui um dos mais notáveis cartazes do turismo religioso. 
Os archotes, as velas e os milhares de pessoas que se dispõem ao longo das ruas para ver passar as procissões, em especial as do Senhor Ecce-Homo e do Enterro do Senhor, configuram um quadro ímpar das festividades e transmitem uma tradição enraizada num ritual dominado pelo conjunto de procissões noturnas envoltas numa forte intensidade dramática.
A procissão de Endoenças, também conhecida por procissão do Senhor da Cana Verde, ou mais popularmente conhecida como procissão do Senhor Ecce-Homo, tem lugar na noite de Quinta-Feira Santa. Com origens na visita que outrora se efetuava às sete igrejas, inspirada nas Sete Estações Romanas, que, como reza o Compromisso Cerimonial da Santa Casa da Misericórdia de Braga, refletia «a penitência aos fiéis cristãos que reconheceram seus pecados, e por eles quiseram fazer alguma satisfação penal nos dias em que o mesmo Filho de Deus quis pagar por nós derramando Seu precioso sangue».
Quem chamou a si a realização desta procissão foram, por isso, as Santas Casas da Misericórdia, instituídas em Portugal pela rainha D. Leonor, em 1498. Ainda hoje, é a estas instituições que cabe a tarefa de promover e organizar esta solenidade e por isso considerada a Festa da Irmandade, à qual todos os irmãos eram então obrigados a assistir. O papel desempenhado outrora pelos irmãos foi hoje parcialmente substituído pelos figurados que integram o cortejo religioso.
Na cidade de Braga, a procissão da noite de Quinta-Feira Santa tem como figura central a imagem do Senhor Jesus Cristo coroado de espinhos, com as mãos atadas, segurando um cetro, figurado numa cana verde.
Esta procissão, pelas suas características, é uma das solenidades da Semana Santa mais participada pelos bracarenses e por muitos milhares de fiéis de todo o país e da vizinha Galiza que nesta noite "invadem" a cidade de Braga para assistir. 
No dia seguinte, na Sexta-Feira Santa, é a vez de se realizar a procissão do Enterro do Senhor. Este cortejo religioso é o mais solene de todos os que na Semana Santa se organizam. Os mesários e irmãos da Misericórdia e Santa Cruz, encapuzados, as varas a rasto, os Reverendo Cónegos com os mantos e varas arrastados pelos lajedos, os figurados, também arrastando as cruzes, como os pendões, bandeiras das congregações, juízes com varas, provocam como que um gemido de consternação, tal é a impressão que o "surdo" arrastar das varas nos provoca. De longe a longe, este sussurro é quebrado pelo som entoado por uma personagem que segue o Esquife do Senhor: «Heu Heu Damine Heu Salvador noster! (Ai! Ai! Senhor Salvador Nosso!).
O rugir das matracas dos farricocos, o bater das varas dos irmãos da misericórdia que se ouvem na procissão da Quinta-Feira Santa, dão lugar a um silêncio avassalador na procissão do Enterro do Senhor. O cortejo religioso sai da Sé Catedral, a onde regressa depois de percorrer as principais artérias do centro da cidade.

Da especificidade da música sacra portuguesa nos séculos XVI e XVII (Excerto da Obra) - José Maria Pedrosa Cardoso (Universidade de Coimbra)
Música da Paixão. E vou aproveitar o mesmo documento de Mogi das Cruzes para introduzir uma nova temática, porventura o traço mais profundo na identidade de uma música sacra portuguesa no princípio da era moderna. Na realidade o achado de Jaelson Trindade, já estudado por Paulo Castagna, apresenta também um trecho de música da paixão, mais concretamente três espécimes com Turbas da Paixão segundo S. Mateus e segundo S. João. Este dado não tem nada de surpreendente, uma vez que se trata de uma prática universal, mas o reconhecimento nesta espécie polifónica do Cantus firmus tradicional português constitui, definitivamente, um documento a comprovar a dependência natural da música litúrgica brasileira da sua congénere portuguesa. (Efetivamente, na parte do Tiple das Turbas de Mt, aparece no meio das frases polifónicas a reprodução de duas frases gregorianas – os chamados ditos da ancilla: Et tu cum Jesu Nazareno eras e Et hic erat cum Jesu Nazareno - com a música rigorosamente igual à do modelo tradicional português. O mesmo vai acontecer na parte do Tiple das Turbas de Jo, com transcrição da frase novamente da ancilla Nunquid et tu ex discipulis es hominis istius? Independentemente do valor da composição em causa, da sua autoria, sabendo-se que se trata muito provavelmente de uma cópia setecentista de uma composição anterior, o importante é constatar que no Brasil colonial o modelo de cantochão utilizado para o canto da Paixão era o tradicional português.
Igualmente importante é a constatação de que, numa destas espécies de Turbas, se encontram algumas frases de Cristo musicadas a várias vozes (sendo o Ms incompleto, não foi possível, em primeira análise, deduzir a quantas vozes eram essas frases musicais). De qualquer forma, estamos diante de documentos que testemunham uma dependência natural da prática cultual brasileira dos modelos importados diretamente de Portugal, e não da Europa genericamente como é frequente afirmar-se.
Regressando, pois, a Portugal, sabe-se que a Semana Santa era o tempo privilegiado para todas as devoções. Entre o reportório próprio deste tempo, sobressai o canto do Ofício das Trevas, com os célebres responsórios e lamentações, os cânticos das procissões, com o impressionante Heu, heu Domine durante o enterro do Senhor, e o canto litúrgico da Paixão (entendendo-se, assim, o canto do texto canónico durante a celebração das missas de Domingo de Ramos, Terça e Quarta Feira Santas e na celebração litúrgica da Morte do Senhor, na Sexta Feira Santa). Não havia vilancicos, não se representavam dramas litúrgicos, que o drama da Paixão e Morte de Cristo era suficientemente galvanizador para reter os fiéis longas horas nas igrejas, embora de uma forma muitas vezes passiva: mais uma razão para o poder motivador de uma boa execução musical.
A este propósito, também vale a pena chamar a atenção para o impacto que a celebração da Paixão, sobretudo na Sexta-feira Santa, despertou nas primitivas comunidades cristãs brasílias. As cartas dos primeiros Jesuítas no Brasil são bom documento a este respeito. Apenas um exemplo:
«12. O ofício da Semana Santa se fez nesta nossa Casa com grande devação dos que a ele se acharão; foram cantados, os quais o Padre Brás Lourenço fez muito bem, tomando pera isso os moços da escola, que ensayou alguns dias antes, e outras pessoas devotas, que se lhe offerecerão pera isso.... Pregou-se a Paixão com muita devação e sentimento e lágrimas dos ouvintes, e certifico-lhes que nunqua vi tantas lágrimas em Paixão como vi nesta, porque des ho principio até ao cabo foi huma continua grita, e não avia quem pudesse ouvir o que o Padre dizia; e isto assim em homens como em molheres, e sairão algumas cinquo ou seis pessoas quasi mortas, as quaes por muito espaço não tornarão em sy e outras com medo do mesmo não aousarão de esperar toda a preguação, por mais que o Padre abreviava com ver estas cousas. ... A sexta-feria seguinte se fez o officio do desenterramento do Senhor com o mesmo sentimento, e devação, levando dous Padres vestidos com suas alvas e descalços ao Santissimo Sacramento em huma tumba toda cuberta de preto que pera isso era feita, indo diante as Tres Marias, cantando Heu, Heu, Salvator noster» (Porto Seguro 15 de Fevereiro de 1566, Carta do P. Antonio Gonçalves aos Padres e Irmãos de Portugal, in Serafim Leite, Monumenta Brasiliae. Roma: Monumenta Historica Societatis Jesu, 1956-1960, 4 vols, IV vol. (1563-1568), pp. 315-318).
A explicação histórica para tal entusiasmo na vivência do drama da Paixão, na Semana Santa, só pode estar numa espiritualidade da Cruz profundamente enraizada na sociedade portuguesa, o que pode derivar da presença qualificada das Ordens mendicantes, da propagação em Portugal da devotio moderna e da mentalidade dos Místicos do Norte, da divulgação da Via-sacra, etc. Consequência e estímulo para esta mesma espiritualidade é a proliferação por todas as igrejas e capelas portuguesas de grandes obras de arte - concretamente em quadros, pietás e calvários - e ainda a abundância de edições da Imitação de Cristo e de publicações sobre a vida de Cristo e concretamente sobre a Paixão do Senhor.

 

 

 

 

 Feliz Páscoa

 Priscila de Loureiro Coelho

 

 

Podemos encontrar diversas tradições que são lembradas no dia da Páscoa. Umas que se perpetuam de geração em geração, em determinados grupos familiares; outras influenciadas pela cultura, variando de acordo com hábitos e crenças; algumas quase folclóricas e outras que foram nascendo da variação das próprias tradições, através dos tempos. Mas independente de como se comemore, a Páscoa está sempre ligada ao renascimento e possibilidade de uma nova vida. Embora haja diversas formas de comemorá-la, é uma festa cristã, onde se celebra a ressurreição de Cristo, como exemplo para humanidade.
É verdade que o mercado solapa boa parte do crédito desta data, que se apropria, indevidamente dela, explorando-a de tal sorte que a torna uma data com um cunho eminentemente comercial.
Nenhum mal existe em que se aproveite a data para aquecer a economia, principalmente porque a Páscoa é símbolo de renovação e abundância. O que não se deve esquecer é o sentido essencial, o que a fundamenta e o que a torna uma data tão especial.
O sentido último da Páscoa, como já mencionamos, é a abundância, o renascimento, a renovação.
Importante relacionarmos estas questões com nosso cotidiano, para que a data não se torne nem uma comemoração superficial e material, e tão pouco uma data dogmática, que não tem ligação alguma com a nossa vida do dia-a-dia.
A Páscoa é o marco da renovação. Como se a cada data que vivêssemos, iniciasse um novo ciclo em nossa existência, um ciclo repleto de oportunidades, e um convite irresistível ao progresso interior. Uma oportunidade de mudança, de se passar a limpo alguns trechos de nossa história, enquanto continuamos a escreve-la.
Quando lembramos que ao morrer, em suas limitações, em sua pequenez de ser humano, Jesus libertou-se de todas as amarras, tornando-se o filho pródigo que retorna a casa do pai, em busca de apoio e paz.
Esta compreensão nos leva a deduzirmos que nossa vida nada mais é do que a peregrinação através do deserto, onde nosso caminhar é transformada em nosso cotidiano e nossa evolução, na capacidade que vamos desenvolvendo ao lidar com esta vida diária, que é a maior aventura da qual participamos.
Assim, nesta Páscoa, desejo partilhar com todos a alegria de reconhecer as bênçãos de Deus; a gratidão infinita por todas as pessoas que encontro em meu caminho; o carinho sem limite que abrigo em meu coração por todas as situações que vivo e consigo me adaptar. Na verdade, venho testemunhar, que a alegria de viver é resultado desta busca serena em viver de modo cristão.
Para todos desejo feliz páscoa, que embora seja comemorada hoje, representa em verdade, um ciclo de um ano, na vida de cada um de nós.
Muita paz, Alegria, sabedoria e realizações.

 

Bibliografia consultada:
Crossan, John Dominic - El Jesus historico: la vida de un campesino judio del Mediterraneo (Planeta, B.Aires, 1994)
Donini, Ambrosio - História do Cristianismo (Edições 70, Lisboa, 1980)
Gnilka, Joachim - Jesus de Nazaré, mensagem e história (Vozes, Petrópolis, 2000)
Jaspers, Karl - Los grandes filósofos, I, los hombres decisivos (Sur.B.Aires, 1971)
Renan, Ernest - Vida de Jesus (Lello, Lisboa,1961)
Rops, H.Daniel- A Igreja dos apóstolos e dos mártires (Quadrante, S.Paulo, 1988)
Rops, H.Daniel - A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus (Livros do Brasil, Lisboa, s/d)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

 

 

 

Santo Sudário de Turim

 

 

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