CIBELE CARVALHO TEIXEIRA

 

 

 

OUTONO

Uma paisagem de calma
invade a natureza;
a folhagem amarelada
veste as árvores de beleza.
As almas em recolhimento
despedem-se do calor,
e todo o movimento
gerado pelo verão
dá lugar a um sentimento
de calma e meditação.
Meu coração, ao contrário
do ciclo da natureza,
conserva-se vigoroso,
atento e amoroso.
O calor do verão permanece
e meu corpo todo se aquece
pela sua influência.
Eu não mudo de estação.
A força da minha paixão
garante-me a permanência
de um constante verão.

Cibele Carvalho

CRUCIFICADOS

Somos crucificados todos os dias
em que sonhamos sonhos mal sonhados,
quando nos deixamos ser levados
por delírios ou fantasias
que não podem ser concretizados.
Somos crucificados quando fechamos
os olhos para a crua realidade
não vã esperança de que nos enganando
teremos um pouco de felicidade.
Somos nossos algozes, somente nós...
porque traçamos rota mal traçada
e depois tropeçamos pela estrada,
sem avistar o ponto de chegada...
Quando o avistamos, já cansados,
morremos antes de chegar,
crucificados e coroados,
com a coroa trançada
com espinhos que por nós foram lançados!

Cibele Carvalho
RJ, 21/03/12

SE EU NÃO TE AMASSE

Se eu não te amasse, ah se eu não te amasse...
talvez um outro beijo me bastasse;
outro beijo que não fosse o teu.
Se eu não te amasse, ah se eu não te amasse...
poderia ser até que eu aceitasse
dar a qualquer um o beijo meu.
Se eu não te amasse, ah se eu não te amasse...
não haveria qualquer impasse:
toda vez que a saudade apertasse,
sairia buscando pela rua
outra boca que não fosse a tua.
Se eu não te amasse, ah se eu não te amasse...
jamais poderia ter conhecido
o som da tua voz no meu ouvido.
Se eu não te amasse... se...
Parei, pois constatei estarrecida
que para não sentir essa paixão,
teria de arrancar meu coração,
teria de perder a própria vida.

Cibele Carvalho
RJ, 21/03/12

 

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