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CONVERSANDO COM SEO
MÁRIO
Como
foi que Carlos Leite conheceu e se tornou conhecido na Internet?
Já conhecia a Internet por
intermédio de colegas e de amigos. Entrei no dia 16 de Julho de 1998. Para fazer ver a uma
amiga brasileira que nem todos os portugueses são "lanterneiros" pensei fazer um
Magazine (Cá Estamos Nós), dentro da minha filosofia "Actos e Factos e não só
Palavras".
Dei ao Magazine o nome do meu
último programa radiofónico que esteve no ar cerca de oito anos seguidos. Depois, por
arrasto, veio a divulgação directa de trabalhos de colaboradores (neste momento os envios
estão em 14.500 por cada trabalho).
No final do ano passado criei o
Criativo, que pretende ser "Uma ponte literária e de amizade entre Portugal e o
Brasil". As muitas dezenas de entrevistas que tenho feito a escritores poetas
jornalistas, me tornaram ainda mais conhecido.
O que há de positivo e
negativo na internet?
De positivo são as belas amizades que se consegue
(também neste aspecto é preciso ter sorte); de negativo,
são aquelas pessoas que pretendem mostrar aquilo que não
são capazes de fazerem e teimam, teimam ...
O livro está com os dias
contados?
De maneira nenhuma! Não estou a ver uma pessoa a ler um
jornal ou livro num jardim, numa transporte, numa praia,
etc, levando às costas um computador !
Repare, os escalões etários acima
dos 40 anos, em geral, não têm conhecimentos de informática (mesmo os básicos). A leitura
de um livro on-line é maçadora e fere os olhos. Nos jornais, dá para ler as letras maiores,
senão fica com enorme dor de cabeça. Agora, grande parte do povo devia ser ensinado a
compreender aquilo que lê (?). Mas este é um assunto para não ser discutido aqui.
O que o levou a se
interessar por arte?
É uma pergunta que, concretamente, não sei responder.
Seria por eu ter começado a trabalhar aos 14 anos, no
maior jornal de então "O Jornal do Comércio" e logo
responsabilizado pela coluna tri-semanal "Factos e
Figuras que deram seu nome às ruas de Lisboa", em que
tinha que fazer muitas pesquisas e fazer contactos com
muita gente ? É certo que me marcou, positivamente, para
a vida ...
Que autores influenciaram
a sua formação, a sua juventude?
A resposta poderá ser algo estranha ou fora dos
parâmetros normais, mas o caso é que passei a juventude
a pesquisar enciclopédias, livros de História de
Portugal e de Geografia. Repare, trabalhava de dia e
estudava à noite. Ainda praticava desporto (handebol e
judô) – além de gostar (e muito) de namorar.
Você é da ala dos
inspirados ou dos construtores? Como é seu processo de
criação?
Conforme os trabalhos: sou inspirado (só) para alguns.
Noutros em que tenha de fazer pesquisas, sou construtor
e inspirado. Sou não tenho musa porque não sou
(infelizmente) poeta.
Há poetas que dizem que a poesia é o nada. Como lhe
parece esta questão?
Se dizem isso, não será a poesia que é o nad, são eles
próprios. A falsa vaidade não interessa a ninguém,
melhor, ainda é pior do que a vaidade (não confundir com
brio naquilo que se faz ...).
Qual a importância da
Teoria?
A teoria é muito importante e terá de estar sempre
associada à prática. É um dos caminhos mais seguros para
o êxito. Exemplo: o que seria um médico só com teoria?
Qual o papel do escritor na sociedade?
É um papel muito importante, que, infelizmente, parece
estar a ser esquecido, principalmente pelos mais jovens.
E o problema não estará só nos pais e nos professores,
mas sim nos governadores, políticos, dirigentes, etc. A
leitura devia ser considerada por estes, uma escola de
virtudes. Um livro é um verdadeiro amigo, e quem escreve
os livros são os escritores, portanto, seu papel na
sociedade terá de ser forçosamente muito importante para
a formação e conhecimentos do povo.
- Entrevista concedida
a: PD-Literatura - O Cyberjornal de Literatura - Conversa aos Domingos
-
Repórter: Rodrigo de
Souza Leão
http://conversaaosdomingos.hpg.com.br/lero.htm
http://www.pdliteratura.hpg.com.br/index2.htm
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