Edvaldo Rosa

 

Menina Marina...
Homenagem a neta de Luíza Moreira, Marina.



Linda! Como o mar, como a vida!
A menina Marina... A Marina menina!
Sopro de vida!
A menina Marina... A menina Marina...
É bem mais:
É sonho que se solidifica!
A menina Marina! A Marina menina!
É amor que se corporifica!
A menina Marina!
É chama que clama por iluminar...
A menina Marina...
Que ilumina, sem o saber...
Que acalora, enquanto sente-se acalorar!
A menina Marina! A Marina menina!
Pequeno fruto duma semente de amor,
Nascida, germinada, guardada, aguardada...
A menina Marina...
Marina, menina, tão amada!
Ainda pequena vaga...
Ainda um tiquinho d'água...
A menina Marina, a Marina menina,
Que traz em si o próprio mar!

Edvaldo Rosa

Destino...



Teu beijo ardendo me faz sangrar!
- Fina, fria lâmina, corta o meu ser...
Do meu todo cria partes;
Nacos, pedaços, que vivem para morrer!
- Sem germinar!
Meu coração ainda vibra em tuas mãos nuas,
Minha'lma já não toca a que habita em teu ser!

Destino?

Que amor é esse, que lutou tanto,
Entre alegrias e prantos,
Para no fim ser sem ser?
Nós, eu e você, homem e mulher,
Queremos apenas viver:
E a vida é como é!
Eu sou como sou!
Você é bem você!

Destino!

E nós?

Edvaldo Rosa

Olhos opacos...


Olho teus olhos um tanto opacos,
Com um brilho embaçado, quase um não brilho,
Um vislumbre de sombras, luscos-fuscas,
Uma nesga de nosso prazer e nossos pecados!
Olho teus olhos furtivos ao meu olhar,
E se sorrio ou se choro,
É por que não sei se me rebelo ou me conformo,
E deixo as águas da vida rolar!
Como meu olhar queria ser a luz de teus olhos!
- Cor, bela cor, aonde tua visão viesse pousar...
Como queria teu ser penetrar,
E nele ser, nele estar, nele habitar!
Fecham-se as janelas de tua alma,
Quão trancadas não estarão às portas?
Se a luz de minha vida não ultrapassa nenhuma fresta nela,
Como viveremos este amor,
Com ele morreremos, com ele a nos eternizar?


Edvaldo Rosa

MOMENTO CRESPÚSCULAR...


O dia enfadonho, num passar lento e monótono, finda enfim!
Apressado lanço mãos das minhas coisas espalhadas...
- A bolsa, o paletó, o note book, o celular! E pego estrada!
Vou em busca de teus olhos... De teus sorrisos...
Da maciéis de tua pele...
Das palavras sussuradas em meus ouvidos... – Quase segredos!
Dos teus braços feito laços, em abraços apertados,
Enlaçando meu corpo inteiro!
Vou á procura de teus lábios... De teus beijos...
Vou, como se nunca estivesse aqui,
Languidamente diante de ti!
Todo amor! Todo desejos!
Após o banho tomado, vendo-te diante do espelho,
Perfumando teu colo... Teus cabelos...
Espero ancioso, o fim do dia,- Vermelho ensangue!
E o começo da noite!
Em que vejo o ocaso da minha solidão...
O momento crepúscular de desejos insatisfeitos...
E estendendo-lhe as mãos,
Faço-lhe um convite mudo, para o amor...
E juntos fazemos a noite brilhar, no lusco fusco de nossa alcova...
Onde somente nós dois existimos,
E as coisas do mundo, não podem penetrar!

Edvaldo Rosa

 

 Índice de autores              Biografia           Publicações