GRANDES ENTREVISTAS

por

 

ENTREVISTADO

Prof. Germano Dias Machado

 

 

Combinámos telefonicamente esta entrevista para o Farol da Barra (também conhecido por Santo António), em cujo forte alberga o Museu Náutico de Salvador, com interessante acervo de instrumentos náuticos e miniaturas (réplicas) de embarcações. O forte começou a ser construído em 1534 e o farol, que fica no meio do forte, entre 1839 e 1890.

 

Farol da Barra

-Pedro Ooka-
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Quando cheguei ao local, já o Prof. Germano me aguardava a alguns minutos, pois o taxista quis fazer um "tour turístico" à cidade. Pensava ele que eu não conhecia Salvador.
Depois dos habituais cumprimentos, sentámo-nos num banco no exterior do Forte, junto a uma bombarda (canhão) da época colonial - e começámos a entrevista.


Carlos: O Prof. mora nesta bela cidade, não é verdade?
Prof: Sim. Moro na cidade do Salvador, no bairro da Graça – essa rua fica para o lado da Barra e do próprio Farol, em poucos minutos. Salvador tem uma aparência ligeira com Lisboa, tem Cidade Baixa, Cidade Alta e vales. Há uma famosa Igreja chamada de Ouro, a Igreja de São Francisco, onde há uma estátua de São Pedro de Alcântara muito admirada pelos turistas ou os que a vêem.

 

bairro da Graça

Igreja de São Francisco

 O patrono religioso de Salvador, para a maioria seria Cristo ou o Senhor Bom Jesus do Bonfim, muito tradicional, com hino próprio muito belo, mas na verdade é São Francisco Xavier. O antigo palacete da Família Catharino, também no caminho da Graça, hoje transformado no Museu Rodin.

 

São Pedro de Alcântara

Museu Rodin

 

 São Francisco Xavier, no dia de sua festa litúrgica é homenageado com missa e pequena procissão por parte da Câmara de Vereadores. Já a Igreja do Bonfim é Tradicional, muitíssimo visitada, inclusive pelas mulheres e homens do Candomblé, às sextas-feiras. Em um dia próprio há a chamada caminhada para o Bonfim, que sai da Igreja da Conceição da Praia. São milhares de pessoas, políticos, gente do povo, as escadarias da Igreja são lavadas com água de cheiro pelas baianas do Candomblé. É uma cidade que embora tenha o nome de São Salvador da Bahia, ela própria é uma Baía geográfica, de grande beleza, cercada de várias ilhas.

 

Igreja do Bonfim

Igreja da Conceição da Praia

Candomblé

 Há, também, um local chamado Pelourinho, onde, em casas do tempo em que os portugueses mantinham a Colónia, é um local de festas, de brincadeiras, de danças, onde fica a Casa de Jorge Amado. É uma cidade múltipla, actualmente bastante mal conservada pela Prefeitura actual (afirmo tal fato sem nenhum apelo político, apenas como cidadão).

 

Pelourinho

Casa de Jorge Amado


Carlos: Qual a característica que mais aprecia em si, e nos outros?
Prof.: O que mais aprecio em mim? Franqueza, sinceridade. Não guardar ódio ou ressentimento. Nos outros o mesmo.
Carlos: Qual a sua melhor qualidade?
Prof. : Minha melhor qualidade é ser aberto e sincero (sem cera)
Carlos: E o seu maior defeito?:
Prof.: O maior defeito, ser temperamental, o José, meu pai, o era ao contrário de minha mãe – doce e mansa.
Carlos: Seus passatempos preferidos?
Prof.: O CEPA, trabalho contínuo nele sem apelo financeiro, fujo de políticos; cinema bastante; um pouco de passeios em shoppings; ler e até baralhar leituras.
Carlos: Fale-nos do CEPA, fundado a 13 de Junho de ???? (Dia de Santo António)?
Prof.: O CEPA – Círculo de Estudo, Pensamento e Ação – nasceu entre 1949-1951, era um grupo de rapazes e moças, por mim imaginado, na Ação Católica, onde existiu as várias denominações desse movimento, e fomos despejados, devido a uma saleta onde colocávamos livros do filósofo polêmico na época, Jacques Maritain, livros e jornais, por parte do Monsenhor Aníbal Mata, que era franquista. Também apreciávamos Mounier. Então a conselho de um cepiano fundador, o hoje Professor. Dr. Ático Vilas Boas da Mota, Doutorado na Língua Romêna, autor de um livro sobre Romênia e Brasil, de mias de 800 páginas, com a Fundação Professor Mota em Macaúbas. Abrimos uma pensão para jovens do interior, sendo a parte do centro para as reuniões, debates, análises, já estudávamos filósofos e também política nacional e internacional. Éramos contra GetúlioVargas. A Sede do CEPA, no Barbalho, antigo local pertencente ao Centro Histórico, hoje degradado, infelizmente. A casa é alta, grande, sempre agradável, com lembranças e relembranças minhas e de outros. Nela, civilmente casei-me e nela residi de 1957 a 1993. Há nela um certo senso energético em quem dela se adentra. Hoje, é a sede administrativa do CEPA por bondade e plena permissão de quem a comprou, antiga cepiana, Graciela Santos Elgart, casada e residente em Nova Yorque, EUA. De 1993 até hoje resido em apartamento próprio, na Rua Manoel Barreto, 688, apartamento 102, Edifício Cidade de Laranjeiras (Laranjeiras é uma pequenina cidade do estado de Sergipe). Fica no bairro da Graça, chamado de “nobre” porém, nesta atual administração municipal, um tanto desfeita. Há o Shopping Barra em grande ampliação no momento. Na praia da Barra nota-se o Farol de nome igual também, mais abaixo o chamado Porto da Barra, com um mural português sobre a chegada dos nossos antepassados lusos. Esses locais unem graça e mar, prazerosa, e o pôr-do-sol faz-se esplêndido. O 13 de junho deve ser “enfeitiçamento” porque, tanto na fundação, em 49-51, quanto na reabertura, em 1981, coincidiu o dia do português Antônio. Não será afinidade, pois a maioria, eu também, descendemos particularmente de Portugal e das áfricas e dos indígenas. Antônio, Francisco Xavier, que é o padroeiro oficial da Cidade do Salvador, eclesialmente, o Colégio Antônio Vieira, denominado por Antônio Fernando Pessoa como Imperador da Língua Portuguesa, são coisas portuguesas no Brasil. Li Camões, mais os Sonetos, esses me plenificaram. Sua obra principal, Os Lusíadas, não me falou. Por outro lado, meu pai nasceu em Póvoa do Varzim, perto do Porto. Chamava-se José Dias Machado, jovenzito veio fazer Brasil, residiu no Rio de Janeiro e veio abrir uma grande loja de couros e peles na “Cidade da Bahia”, multiplicando-a em mais duas na Rua do Taboão, defronte do Charriot, e na Baixa dos Sapateiros. Minha mãe, Maria Philomena Gouveia Machado, nascida na cidade de Alagoinhas, tinha herança, como o grande poeta baiano e brasileiro Antônio de Castro Alves, descendência cigana, como eram os Viegas, de altíssima cultura, porém pobres. A parte do pai de minha mãe era dona da chamada Alagoinhas Velha, inclusive a igreja, hoje em ruínas. Não tenho explicações a dar, porém além dos Gouveias, havia os parentes Viegas, Rodrigues e até um ramo chamado Sapoti. Não tenho meios para, técnica e historicamente, dar explicações explícitas desses ramos de uma família. Restaram para a história só os Viegas, onde hoje, em Alagoinhas, há o Ginásio Brasilino Viegas e houve o Professor e Jornalista Viegas, mestre de Jorge Amado, homem bastante temperamental, cultíssimo. Os Rodrigues Jaqueiras, como amostra da miscigenação que ocorreu no Brasil, dividiram-se em brancos e negros, portanto mestíços. É um capítulo à parte. Deixemos por aqui.
Carlos: Falando do bairro do Barbalho?
Prof.: Voltemos ao Barbalho. Souto Dalva, 98, onde estamos a conversar, bairro do Centro Histórico, definhando-se. De 2010 até hoje, estamos na Faculdade Dois de Julho, no Garcia, um bairro antigo, cuja maioria de casas pertenceu à família Catharino, português de altos bens que deixou que a maioria das casas ficasse para os que as ocupavam. No caso do CEPA na Faculdade 2 de Julho, devemos ao Pastor Presbiteriano e Professor, Dr. Josué da Silva Mello, muito ecumênico, como também o CEPA o é. Não fazemos distinções de espécie alguma. Embora tenha deixado a direção no início deste 2012, a nova direção nos mantém com muita elegância. Agora estamos aspirando reformular o CEPA, estatutos, nova direção e possivelmente o Ivan de Almeida será o Diretor Executivo.
Carlos: O Sr. Prof. Germano Machado, ainda tem grande actividade no CEPA?
Prof.: Tenho 86 anos (28 de maio de 1926), dois benditos enfartos ou infartes em 2000 e 2007. Sobrevivi, parece-me que sou razoavelmente sadio. Minha missão é o CEPA, com 61 anos de existência, alteando-se na geração de Glauber Rocha; depois a geração editorial com mais de 150 livros, entre 1981 e 1997, com dois concursos internacionais, em prosa e poesia nas línguas portuguêsa, espanhola e inglesa, que ecoou até a Bulgária com uma cepiana, Graciela Santos Elgart, e na segunda, com Roberto Leal Correia, chegando aos Estados Unidos. Entre altos e baixos, fundou-se a Revista CEPA Cultural, muito expressiva, e tiramos 31 números. Entre 2000 até 2012, tivemos saídas e problemáticas grupais, entretanto todos com espírito cepiano ainda hoje... Não paramos, apesar de até familiares e antigos amigos o quererem.
Carlos: Sempre com a inspiração da bela e histórica cidade de Salvador?
Prof.: Salvador como que está em torno da Baía de Todos os Santos, cercada de ilhas – Itaparica, Mar Grande, Ilha dos Frades... Paraíso no verão-inverno e inverno-verão. Atualmente, tende a ser, como em todo o mundo, cada vez mais violenta. O nome oficial de início, e até hoje eclesiasticamente, é São Salvador da Bahia. Até alguns anos atrás, dizia-se apenas Cidade da Bahia. Hoje Salvador. Portuguesa, negra, mestiça, católica e do candomblé, espírita, alargando-se em protestantismo, aqui chamado de evangélico, na minha infância, crentes. Costumo poetizar desta forma: ‘Salvador é uma terra negra, grega, de sol, sal, mar, ilhas...
Carlos: Mudando de tema: Quando era criança ...?
Prof.: Em criança, um tanto fraco, aos 17 tive uma pulmonite, mas sempre estudando. Passear à beira-mar, em Itapajipe, depois Barra e sobretudo Porto da Barra.
Carlos: E hoje como se autodefine?
Prof.: Defino-me: um procurante – Kazantzakis me perseguindo ou Herman Hess no seu A Viagem ao Oriente. Detalhe, tenho livros de editoras portuguesas, sobretudo Edições 70 (caros).
Carlos: Como vai de amores?
Prof.: Amores? Um amor sublimado a tudo e a todos. Espero, afinal, como Jorge Luís Borges, a Dama Oculta, citada essa frase em dois latino-americanos: Borges e Cortázar. Um copiou do outro, pois pois?
Carlos: Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje?
Prof.: O desafio só pessoalmente. Longo e frustrante acontecimento pessoal – profissional. Deixemo-lo.
Carlos: De que mais se orgulha?
Prof.: De manter meus ideais e não ser indigente diante de minha pessoa íntima. Nem ser sovina, absolutista por dinheiro.
Carlos: O arrependimento mata?
Prof.: O arrependimento, com filosofia digamos estóica – é vida.
Carlos: Qual a personagem que mais admira?
Prof.: Personalidade? Maneka Pedreira, se houver nova entrevista ou desdobramento ocorrendo, detalharei.
Carlos: Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro?
Prof.: A viagem em 77, que fiz à Europa, passei dois meses em Portugal. Estive no Porto, em Póvoa do Varzim, no Aveiro, em Lisboa. Esclarecimentos maiores adiante... pretendo voltar a Portugal com uma filha, mas o tal do CEPA nem férias me permite. Não sei como aguento... Não estou chorando.
Carlos: Que género de filme daria sua vida?
Prof.: O gênero de cinema seria épico, devido a história do CEPA. Pois só um louco carregaria esta missão sem $, sem apoio político e, tantas vezes, incompreensão até dos familiares...
Entretanto, tinha chegado a hora do almoço. Fomos almoçar ao restaurante Deli & Cia, na Avª Euclides Cunha (nome grande da literatura brasileira), no bairro da Graça. E foi aqui que completámos a entrevista.
Carlos: Qual o seu prato preferido?
Prof.: Prato? Bacalhau a Gomes de Sá. Meu pai cozinhava-o sempre pelo Natal e festas. Aquele portuga gostava de cozinha...
Carlos: E a bebida preferida?
Prof.: Bebo vinho tinto, pouco ou até de uva natural sem álcool. Meu pai tinha adega em casa e havia muitos garrafões do vinho marca “Gatão”.
Carlos: Já falámos do CEPA, mas ainda não da sua ocupação profissional?
Prof.: Sou aposentado da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Católica do Salvador. Na primeira, UFBA, ensinei matéria obrigatória, na época do período militar: Estudo de Problemas Brasileiros. Na UCSAL ensinei Filosofia Cristã, Estética e, virtualmente participei de muitos debates, tanto na Faculdade de Direito, da mesma Universidade, Serviço Social e outras. Hoje também estou aposentado como assessor parlamentar da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia.
Carlos: Muito bem e continuando: O dia começa bem se...?
Prof.: O dia começa bem se estou tranquilo e esperançoso.
Carlos: Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?
Prof.: Queda de folha e a chegada do frio? Entro em mim mesmo e sinto alegria, feliz (entenda).
Carlos: Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?
Prof.: Fantasmas e almas de outro mundo? Somos nós...
Carlos: O que é para o Prof., o termo Esoterismo?
Prof.: Esoterismo? Leio e pondero. Não sou da família, mas vou a alguns almoços... Aprecio o Sufismo, de Gurdjieff e Ouspenski também.
Carlos: O Imaginário será um sonho da realidade?
Prof.: O imaginário é um sonho da realidade. Leu, por acaso, Sri Aurobindo e a mãe? Sou cristão católico. Influência desde menino e de minha mãe e de tia Cira Rodrigues Jaqueira (há muito, aqui, para falar, adiante talvez).
Carlos: Qual o cúmulo da beleza?
Prof.: Cúmulo de beleza? Nas estátuas gregas, no que se vê na Itália, Lisboa, o Castelo de São Jorge, a casinha de Santo Antônio. Adorei Lisboa, apesar de certa agressividade das pessoas que senti... desculpe-me! Também o Apolo, o Moisés de Michelangelo. O Vaticano, na Igreja de São Pedro, fulgurante; a Capela Sixtina não me agradou.
Carlos: Que vício gostaria de não ter?
Prof.: A velhice deve superar...
Carlos: Os filmes comerciais que mais gostou?
Prof.: Os de Greta Garbo, de Sophia Loren, mas sobretudo de Ingrid Bergman e do grande diretor sueco Ingmar Bergman. Porque não também E o vento levou? O nosso cinema está dando passos mais largos e teve com Glauber Rocha, que foi do CEPA, onde teve a vocação para o cinema, com prêmios internacionais.
Carlos: As piadas às louras são injustas?
Prof.: Sou “germânico”: só entendo piadas, quais forem, 24 horas depois.
Carlos: Música e autores preferidos?
Prof.: Pergunta-me o ilustre confrade sobre música: a brasileira em geral, até mesmo o samba e semelhantes, não me desagradam. Aprecio Chico Buarque, Caetano Veloso e sua irmã Maria Bethânia e Milton Nascimento. Clássicos brasileiros, o grandísimo – desculpe não exagero – Villa Lobos. Da altitude dos maiores de Europa. Já houve época em que os três famosos eram para mim Bach, Mozart e Beethoven. Até os meus 70 anos, embriagava-me fanaticamente com a música de Wagner. Totalmente.
Carlos: Que livro (s) anda a ler?
Prof.: Livros que leio agora? Vários e um de Jacques Kerouac. Os americanos: Borges e Cortázar. Um copiou do outro, pois, pois; e muitos não o olham bem. Eu, sim! Porque é coisa pessoal. Não há como clarear.
Carlos: Autores e livros preferidos?
Prof.: Huberto Rohden, Machado de Assis, louvores a Eça de Queirós. Eça e Machado sintetizam-se. Zorba, o grego, tanto o livro como o filme. E os textos extraordinariamente belos, fortes, falando dentro, de Kazantzakis. Há norte-americanos, Heminguay e Fitzgerald, a geração dos anos 20, e do pós-guerra. Saramago tem bossa, como dizemos. Um sobre, algo de convento, não me lembro o nome, achei excelente. O sobre Jesus, superficial e pernóstico – é melhor ser português verdadeiro do que sofrego. Mereceu o Prêmio Nobel de Literatura pela sua competência linguística e temática. Aqui um parêntese: a Academia sueca errou quando não fez Nobel ao argentino Jorge Luís Borges, original, de foco extra-hispanidade, de feitio mundial. Ficções é algo surpreendente. Li-o à noite nos anos 70 e senti-me abalado. Talvez falasse aos meus imponderáveis íntimos.
Carlos: E chegou a altura de falar na sua obra Literária?
Prof.: Minha obra literária, em resumo, começa desde a colaboração nos jornais e revistas de Salvador e do Rio de Janeiro. Obras: Os Dois Brasis: introdução ao pensamento de Euclides da Cunha; A Verdadeira Revolução; Cinco Solitários – contos – duas edições; Dimensões da Realidade Brasileira; Pensamento de Ruy Barbosa, lançado na Universidade Mackenzie – São Paulo, e também lá, o Credo, poesia em formato envelopado, maior do que livro; Tempo Decorrido – quatro edições, e a quinta, revista e ampliada, sob a orientação da Editora Cogito, do Ivan de Almeida. Dois livros me falam muito e, quando puder, reimprimirei: Da Física da Matéria à Metafísica do Espírito, prefácio do Professor Dr. Francisco Pinheiro Lima Junior, um dos maiores do país em Filosofia. Outro mais simpático à minha inteligência: Sintetismo, Filosofia da Síntese. Em dezembro de 2011, publiquei Da Filosofia e do filosofar: o sentido do viver humano.

 


O site do CEPA é www.cepabrasilba.org.br
e o meu e-mail é
germanomachado83@gmail.com.
Carlos: Para terminar, uma pergunta muito directa ao Prof. Germano: Deus existe?
Prof.: Deus existe. Se o nego, O afirmo matematicamente. Não existisse, não existiria por que perguntar sobre o não existente?... a entender. Gosto muito de ligar a ideia de Deus com alma, o inconsciente freudiano, que descobriu a alma e perdeu o bisturi. Quem está dentro do corpo, pois deve haver um fora e um dentro? Quem pensa quando eu penso? quem? Não nego a evolução, só que Deus a tem como processo. Agora é dizer: assim seja.



E assim, falamos de:
 

Prof. Germano Dias Machado


Nascido a 28 de Maio de 1926

TEXTO

de Germano Machado


Ao fim e ao cabo, como lá diz o português não somos nós que levamos a destinação e a vida. Vida e destinação nos levam. Livremente no-mais-ou-menos. Na contraposição hegeliana da consciência de si, o oposto e o contraditório nos levam à plenitude de ser cientes de nós mesmos, apesar de não o entendermos, sobretudo no instante, no agora. Desde essa entrevista com o português Carlos Leite Ribeiro se faz realidade ou se torna real que me sinto estar aos 86 anos, nem estou alegre com isso nem triste, ainda há o mar, a ventania, o sonho, o pesadelo, uma alegria toda tecida de um amor por dentro.
Nietzsche ficou a pouco e pouco doido, mas se tivesse de fato tanta loucura não sentiria, como eu agora, alegria e uma certa nostalgia (desculpe o hiato) e me pergunto com esse sentimento que me veio da entrevista, quem és, ancião? Eu sou a voz que clama no deserto, tantas vezes, com tantos, com os mais íntimos e com os que aparecem nas ruas e calçadas, nas reuniões e em tantos lugares. Infelizmente, a cabeça não está cortada, às vezes está sentida... Nietzsche equivocou-se no seu anti-Cristo, eu acredito no Cristo, entre sonhos felizes e cheios alguns de dúvidas. Diante da luminosidade de todo esse panorama íntimo, vejo apenas o nascer de um sol forte. E o sol a me esquentar, diz-me que não apodreci, não me vendi, nem fiquei no jogo sujo, mas joguei limpo com a vida e com a longa trajetória, de jovem imberbe e ancião bastante ansioso. Feliz, entretanto. E se assim é, toda esta visão está comigo, é minha. Entrevisto-me a mim mesmo e digo ao entrevistador: obrigado!


Um dia cinzento

 de Germano Machado


Neste dia, Senhor, que me amanheceu, externa e internamente, cinzento, apesar de tudo consigo suportá-lo e suportar-me, suportar todos. Graça inteiramente Tua, porque, de mim, eu por mim mesmo, olharia o mundo e os homens, os meus circunstantes com apatia, indiferença, algidez, frieza. Neste dia cinzento, não é que senti que, apesar dos meus humores, fui capaz, não sei como, venci o cinza, o dia cinzento. Verifico surpreso que às vezes o cinza tem qualquer coisa de brilho e de vida... Então me agradeço pelo meu dia que cinzento surgiu e agora clareia.

 

Imagens da internet


2012

LIVRO de VISITAS
 

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