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REFLEXOS
Gleidston César Rodrigues Dias
O espelho espreita-me
É confuso o que vejo.
Não me desvendo,
Permaneço recluso.
Em mim, coabitam
Cidades desertas,
Praças e jardins
Solitários.
Diante do espelho, está
O reflexo. É incômodo.
Estou nu, sim! Nu. E essa
Nudez não é silenciosa.
Passos inquietos. Meu mundo
Está em guerra. Cada vez que
Me deparo com espelhos, a cidade
Fecha, agita e quer viver, mas
Não há forças.
O espelho e o reflexo
O reflexo e o meu mundo
E eu? Nu! Diante das cidades
Desabitadas.
Debruço-me sobre os fragmentos
Na esperança de juntá-los e
Devolver-me. Mas o reflexo do
Espelho se desfaz. Despido das
Máscaras encaro-me. Já não há nudez.
A serenidade que se avizinha fez as minhas
Lágrimas desaguarem no mar. Já não há medo,
Nem insegurança. Reencontro meu olhar
Sem máscaras: perdi o reflexo... Perdi o medo.
Gleidston César Rodrigues Dias
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