Guida Linhares

 
 
 
NASCIMENTO DE JESUS
Guida Linhares

Premiada em 1º lugar no 3º Concurso de Trovas e Poesias, do NACLIP-Núcleo de Arte e Cultura do Litoral Paulista - 28/12/2008
 

Ao lombo de um burrinho,
a caminho de Belém,
Maria com carinho,
carregava o seu neném.

No ventre materno e santo,
aconchegado e quente,
o bebê pulava tanto,
que Maria logo sente

Que a hora bendita e santa,
logo, logo vai chegar.
A preocupação é tanta,
em podê-lo acomodar.

Ali perto os carneirinhos,
dormiam placidamente.
Ao longo do caminho,
um estábulo somente.

Logo Jesus nascia,
a estrela anunciava:
que o filho de Maria,
já na terra se encontrava.

INCONDICIONAL
Guida Linhares

 
Quando procuro a mim mesma
no redemoinho de sonhos
a que me entrego
vejo mil olhos que mostram beleza
mil dedos que buscam ilusões
em versos que tracejo
às vezes sem nenhuma razão que não seja
simplesmente o prazer de rebordar palavras
e transmitir sentimentos.

Quando desço aos meus porões
onde inconscientes dispersos se agitam
encontro mil demônios aflitos
pois anjos fiéis guardam as suas portas
e não há qualquer derrota
que não seja justa ou certa
ou qualquer sucesso que envaideça
tanto e nos afaste da meta.

Quando olho para os lados
vejo legiões de pessoas
que lutam em busca da felicidade
e às vezes sequer enxergam
que dentro delas há todo um território
desocupado, e que basta estender
um pouco a mão
e fazer valer a voz do coração.

Quando olho para a minha frente
vejo você que assim como eu
busca se autoconhecer melhor
para que possa abrir os caminhos
livrando-se dos espinhos
caminhando na direção do horizonte
buscando Deus na sua fonte incondicional

A SUSTENTÁVEL LEVEZA DO AMOR
Guida Linhares

 
O que é o amor senão um encantamento
que nos leva a transpor as bordas do tempo
e alça vôo rumo as estrelas passageiras
quando a lua desponta forte em seu clarão

O que é o amor senão um transbordamento
da alma que jazia adormecida e presa
vagando sozinha em cantos e becos vadios
a procura de sua outra parte perdida?

O que é o amor senão o acreditar que
na vida tudo pode acontecer sem que
nada se possa controlar ou ao menos
parar para dar à razão uma escolha?

O que é o amor senão uma sentinela
que nos carrega inteira ao vento
e nos sacode tal espiga de milho
e evoca toda a profundidade do ser?

O que seria de nós sem este amor
que nos tira do cotidiano concreto
e nos faz levitar na asa do sonho
plenos e encantados com a sua leveza.

A RICA FLOR DA HUMILDADE
Guida Linhares

 
Sabe-se que a cerejeira (sakura) é a flor símbolo do Japão, cultuada e respeitada tal qual a bandeira e quando florescem na primavera são reverenciadas pelo povo, em alegres festivais.
Fiquei imaginando a humildade como uma flor que mora no coração de cada um de nós e que pode florescer de diferentes maneiras, dependendo do contexto e circunstâncias da vida.
Em seu cultivo, a cerejeira segue religiosamente as quatro estações do ano, ou seja, no inverno ela dorme e seus galhos estão secos, depois de ter perdido as folhas amareladas do outono. Porém na primavera as flores estouram, mas por poucos dias, numa saudação exuberante porém de pouca duração.
Se pensarmos na humildade como uma flor de cerejeira em nós, poderíamos pensar que no moderado caminho do meio, a virtude se estabelece a partir do momento em que reconhecemos o nosso valor como ser vivente e atuante, porém igualmente os valores do próximo, pois todos estão em evolução contínua. Não olharíamos o próximo como sendo inferior ou superior, mas sim como um igual que tenta sobreviver, lutar, ter reconhecimento, ser bem sucedido e ser feliz, tal qual nossos melhores anseios.
Que possamos ter o discernimento suficiente para mostrar as nossas boas qualidades, fazendo uso do instrumento da comunicação que é o diálogo e não o monólogo, tendo como mediador o respeito pelo outro, pois no mundo em que se vive, o "marketing pessoal" se torna tão importante quanto à "rede de relacionamentos".
Tudo depende do contexto em que se está, para prevalecer um estado de humildade tal que não se fira nem humilhe o próximo, nunca jamais. E se reconhecermos em nós a excessiva vaidade ou arrogância, a crítica desenfreada ao próximo, o ciúme ou a inveja, que se utilize o eficaz instrumento da humildade, podando as ervas daninhas enraizadas em nosso coração.
Porém, havendo um motivo de peso para se autovangloriar, que seja com alguma finalidade positiva, como altruísmo ou valorização pessoal necessária para se chegar a algum objetivo de crescimento individual, altamente necessário para o cultivo de uma boa auto-estima.
Que a "sakura" que habita em nós, esteja sempre consoante e harmônica com os ritmos vitais, para que possamos sentir a alegria e a felicidade dos maiores festivais, em plena celebração de vida.

Santos/SP/Brasil
09/05/12

 
 
 
2012

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