HEIDY KELLER

 

PRESA EM MINHA SOMBRA

 
Quando me guardei em minha sombra,
Privei-me de eu mesma  enxergar,
Deixei minha liberdade presa,
Tornei-me escura sem me achar.
Guerrilhei com os pensamentos,
Tentando me encontrar,
Mas os vultos eram tantos,
Estavam prontos a me exterminar.
Enquanto minha mão estendia,
A outra presa a me afundar,
Na escuridão do julgamento,
A decisão da sentença a pronunciar.
Defronta-te a resfolgar,
Resgate  as forças perdidas,
Não entregues se ao seu penar,
Terás que optar,
Entre a prisão de sua sombra,
Ou a arte de me amar.

 

HEIDY

 

TEMPESTADE

Era apenas uma ligeira chuva,
E se transformou em uma tempestade,
Os ventos me lançaram em um rodamoinho,
Me perdi na minha verdade.
Os raios atingiram meus pensamentos,
Com toda intensidade,
Queimaram os laços,
Por toda eternidade.
Muitas águas já molharam meu corpo,
Mas não com tanta maldade,
Destruiu a esperança,
Encharcou com crueldade.
Forte tempestade,
Me embebedarei de suas gotas,
Me transbordarei na lealdade,
Mesmo nessa infelicidade,
Tu me trarás a força,
Para viver com liberdade.
Terremotos me chacoalham a vida,
Para aceitar a realidade,
E quando o arco íris aparecer,
E o sol nascer,
Aquecerá minha alma,
então serei o verdadeiro ser,
deixarei fluir a calma,
E as tempestades passarão por mim,
E eu terei uma grande forma,
De uma arvore robusta,
Tão firme que nada a deforma,
Descansará em minha sombra,
Somente a quem me ama.
Forte tempestade,
Que logo se transforma.

HEIDY

 

 

O ENTERRO DA FLOR

Na relva brotou uma flor ,
Na solidão desabrochou,
Solitária sem seu amor,
Aos poucos desencantou.

A saudade o que lhe restou,
A brisa do vento frio,
Seu cheiro lhe ofertou,
Deixando-a somente no vazio.

O sonho não mais se revela,
Só vultos sem feições,
À luz fraca como de uma vela,
Imagens de imperfeições.

O sol escondeu-se para sempre,
Na saudade se escondeu,
Tristeza e dor evidente,
Sua pétala pouco a pouco perdeu.

Seu caule rígido tornou-se graveto,
Solitário com raízes apodrecidas,
Como objeto obsoleto,
Fragrâncias esquecidas.

O amor a saudade o sonho ,
Nada restou,
Foi o enterro ,
De uma linda flor.

HEIDY

 

NÃO MUDO E NEM TRANSFORMO AS PAISAGENS

Eu não quero pisar em brasa,
Sei que as cicatrizes ficariam expostas,
E meus pés não me levariam a estrada preciosa,
Não quero mais procurar respostas,
Meus passos estão mais lentos andadura silenciosa .

Não tenho pressa para solucionar as dúvidas,
Não tenho a pressa para antecipar as nuvens ,
Que se desmancham evitando a tempestade ,
Não mudo e nem transformo as paisagens.

Minha alma não se alimenta de excessos,
Ela percebe os verdadeiros carinhos ,palavras ,gestos,
Aceitando mesmo assim sentimentos desconexos,
Declaro-me livre e cautelosa aos manifestos.

Abraçando a vida no proeminente período matutino,
Até a escuridão da noite concernente ,
Mesmo dúbio o meu destino,
Minha vida não será nunca um tratado inconsciente ,
Será tudo sempre tão transitivo passageiro ,
Carismático sensitivo verdadeiro.

HEIDY

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