HELENA BORGES

 
 

Distante

 

Sinto o vento da madrugada na janela...
O silêncio da noite... desejos desperta;
 
Sinto seu abraço invisível;
Na minha mente vejo seu sorriso;
Seu calor de homem menino;
Preenchendo o que está vazio;
 
Por que, por que?
Por que temos que estar separados, eu e você?
Se dia após dia aumenta esse querer?

Será que nos encontraremos na curva do amanhã?
Ou será que não estou mais sã?

Quando te vejo, parece que os sonhos são infinitos;
No Nirvana  passeia meu espírito...
 
Minha saudade é do tamanho dessa cidade...
E ficar longe...é crueldade;
Queria apenas te amar e viver essa felicidade;

O tempo passa rápido demais...
Nos  seus braços  queria encontrar minha paz;

Não consigo mais esconder tudo isso...
Hoje, você é meu amor, meu paraíso...
Atenuando toda tristeza que sinto;

Mas, tenho que estar distante...
Viver um sentimento que de dia...rapidamente se esconde;

E, estarei longe quando dobrar a esquina...
Penso que tanta paixão fora um presente da vida...
Mas...
Tudo é diferente e real quando amanhece o dia...
Você já tem sua vida...
(Helena Borges)

 

Meninas da China

 

Abandonadas sem dó nem piedade;
Sem terem nem o que por direito...
teria uma criança da sua idade;

Por nascerem meninas, parece que cometeram o pior
crime de suas vidas...
esse é o drama das meninas da China;
O olhar procurando desesperadamente um carinho...
um sorriso;

Um rosto conhecido;
Por suas mães são deixadas como lixo...
em orfanatos que mais parecem matadouros clandestinos;

Indefesas, pela maioria discriminadas...
mal cuidadas;
Vivem sem os cuidados necessários...
à deriva de maus tratos;

Abandonadas à própria sorte...
entregues à própria morte;
Continua sendo um problema, que ninguém resolve;

E nos seus últimos momentos, não conseguem nem
sussurrar um choro, um grito...
até a chegada do último suspiro;

Em que seu olhar parece dizer :
- Não sou menino, mas também sou um ser humano,
...eu existo!
(Helena Borges)

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