GRANDES ENTREVISTAS

por

 

ENTREVISTADO

Henrique R. C. Lacerda Ramalho

 

 

Depois de uma longa e demorada viagem aérea Lisboa/Rio de Janeiro, passei quase 8 horas num aeroporto para apanhar um avião para Cuiabá MT, para entrevistar o nosso amigo Henrique Lacerda. Muito cansado mas sem sono, aproveitei para reler (várias vezes) os apontamentos que levava sobre Cuiabá.
“Fundada pelo bandeirante António Pires de Campos,

 

António Pires de Campos

 Cuiabá origina-se do nome "Ikuiapá", que significa "lugar de flecha-arpão". Acredita-se que o local era frequentado pelos índios Bororo que pescavam com flecha-arpão na foz do rio Ikuiébo, afluente do Rio Cuiabá. Batizada de Arraial de Bom Jesus de Cuiabá, a capital do Mato Grosso foi explorada por bandeirantes que desbravaram o cerrado em busca de ouro. A notícia da descoberta atraiu povoadores brasileiros e estrangeiros e contribuiu para a formação de um pequeno arraial hoje localizado na Avenida Tenente-coronel Duarte, conhecida como Prainha. Cuiabá, é capital de Mato Grosso (Brasil), cujo município ocupa uma superfície de 12.790 Km2. Cuiabá é um dos muitos núcleos urbanos surgidos no século XVII, como sequência do movimento bandeirante. Os primeiros povoadores vindos de São Paulo, eram chefiados por Pascoal Moreira Cabral e Miguel Subtil, que, em 1719 fundaram o arraial de Cuiabá.

 

Cuiabá

A farta produção de ouro começou a esgotar-se, pelo que a cidade entrou em decadência. A partir de 1750, porém, Cuiabá tornou-se entreposto comercial e centro de abastecimento das regiões de Rosário, Diamantino e Livramento. O rio Cuiabá assegurava o acesso ao pantanal dinamizando esta região de criação bovina. Foi promovida a município em 1818 e em 1825 tornou-se capital provincial. Região próspera, em 1979 o desmembramento do Estado de Mato Grosso retirou a Cuiabá o controlo sobre a região mais desenvolvida do Sul do Estado. Cuiabá é, atualmente, o principal centro regional de Mato Grosso. Nela predominam as atividades do sector primário. A vida urbana assenta no comércio.

Mato Grosso


Os primeiros indícios de bandeirantes paulistas na região onde hoje fica cidade, datam de entre 1673 e 1682, quando da passagem de Manuel de Campos Bicudo pela região. Ele fundou o primeiro povoado da região, onde o rio Coxipó desagua no Cuiabá, batizado de São Gonçalo. Em 1718, chega ao local, já abandonado, a bandeira do sorocabano Pascoal Moreira Cabral. Em busca de indígenas, Moreira Cabral sobe pelo Coxipó, onde trava uma batalha, perdida, com os índios coxiponés.

 

Pascoal Moreira Cabral

Com o ocorrido, voltam e, no caminho, encontram ouro. Deixam, então, a captura de índios para se dedicarem ao garimpo. Em 8 de abril de 1719, Pascoal assina a ata da fundação de Cuiabá no local conhecido como Forquilha, às margens do Coxipó, de forma a garantir os direitos pela descoberta à Capitania de São Paulo. A notícia da descoberta se espalha e a emigração para a região torna-se intensa. Em Outubro de 1722, índios escravos de Miguel Sutil, também bandeirante sorocabano, descobrem às margens do córrego da Prainha, grande quantidade de ouro, maior que a encontrada anteriormente na Forquilha. O afluxo de pessoas torna-se grande e até a população da Forquilha muda-se para perto desse novo achado. Em 1723, já está erguida a igreja matriz dedicada ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá, onde hoje é a Basílica. Já em 1726, chega o capitão-general governador da Capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes, como representante do Estado português na cobrança de imposto. Em 1º de Janeiro de 1727, Cuiabá é elevada à categoria de vila, com o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Tem-se muito confundido a fundação do arraial da Forquilha por questões ideológicas. Estudos historiográficos há muito já traçam a diferença entre uma e outra fundação, alegando-se que 1° de Janeiro seria a data de elevação do arraial da Forquilha à categoria de vila, o que é um dissenso, pois não se pode fundar um município num lugar que só viria a ser descoberto anos depois. Porém, a data de 8 de Abril se firmou enquanto data do município, desejosa de ser a primeira do oeste brasileiro. Logo, contudo, as lavras mostraram-se menores que o esperado, o que acarretou um abandono de parte da população.

 

tuiuiu

 Cuiabá foi elevada à condição de cidade em 17 de Setembro de 1818, tornando-se a capital da então província de Mato Grosso em 28 de Agosto de 1835 (antes a capital era Vila Bela da Santíssima Trindade). Mas, mesmo a mudança da capital para o município não é suficiente para impulsionar o desenvolvimento. Com a Guerra do Paraguai, Mato Grosso é invadido. Várias cidades são atacadas, mas as batalhas não chegam à capital. A maior baixa se dá com uma epidemia de varíola trazida pelos soldados que retomaram dos paraguaios o município de Corumbá. Entre 1864 e 1870, o Pantanal abrigou um dos principais conflitos da América do Sul: a Guerra do Paraguai.

 

Guerra do Paraguai

 

De um lado, a Tríplice Aliança, formada por Uruguai, Argentina e Brasil, além do apoio da Inglaterra. Do outro, o Paraguai, liderado por Solano Lopez. Seus soldados invadiram o Mato Grosso e conquistaram várias cidades como Corumbá e Cáceres, provocando o êxodo dos fazendeiros e da população urbana para Cuiabá. Mesmo assim o poderio da Tríplice Aliança foi vitorioso, mas pouco sobrou das cidades e fazendas pantaneiras. O gado sobrevivente tornou-se disperso e selvagem. Terminada a guerra, os antigos povoadores retornavam a Cuiabá. Houve um grande afluxo de capital estrangeiro, a redivisão das grandes propriedades rurais e a reabertura da navegação fluvial do rio Paraguai até ao estuário do Prata, entre Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai). Com a derrota do Paraguai, o Brasil ampliou seu território na região, incorporando cerca de 47.000km2 de terras pertencentes ao Paraguai. Parte dessa área conquistada integra o Pantanal mato-grossense. Metade dos cerca de 12 mil habitantes morre infetada. Somente após a Guerra do Paraguai e o retorno da navegação pelas bacias dos rios Paraguai, Cuiabá e Paraná é que o município se desenvolve economicamente. A economia esteve nesse período baseada na cana-de-açúcar e na extração de minério. Esse momento produtivo não duraria muito e o município volta a ficar estagnado, desta vez até 1930. A partir dessa data, o isolamento é quebrado com as ligações rodoviárias com Goiás e São Paulo e a aviação comercial. A explosão no crescimento se dá depois da década de 1950, com a transferência da Capital Federal e o programa de povoamento do interior do país. Nas décadas de 1970 e 1980, o município cresce muito, mas os serviços e a infra-estrutura não se expandem com a mesma rapidez.

 

Bandeira de Mato Grosso

Brasão de Mato Grosso

 

O agro negócio se expande pelo estado e o município começa a se modernizar e industrializar. Depois de 1990, a taxa de crescimento populacional diminui, e o turismo começa a ser visto como fonte de renda. Com quase 530 mil habitantes, o município convive com o trânsito tumultuado, a violência crescente, a falta de saneamento básico e a desigualdade social. Cuiabá faz limite com os municípios de Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Santo António do Leverger, Várzea Grande, Jangada e Acorizal. É um entroncamento rodoviário-aéreo-fluvial e o centro geodésico da América do Sul, nas coordenadas 15°35'56",80 de latitude sul e 56°06'05",55 de longitude oeste. Situado na atual praça Pascoal Moreira Cabral, foi determinado por Marechal Cândido Rondon, em 1909,

Marechal Cândido Rondon

(o correto ponto do centro geodésico já foi contestado, mas cálculos feitos pelo Exército Brasileiro confirmaram as coordenadas do marco calculadas por Rondon). O município é cercado por três grandes ecossistemas: a amazónia, o cerrado e o pantanal;

 

Amazonas

Pantanal Cerrado

 

 está próximo da Chapada dos Guimarães

 

Chapada dos Guimarães

e ainda é considerado a porta de entrada da floresta amazónica. A vegetação predominante no município é o cerrado, desde suas variantes mais arbustivas até às matas mais densas à beira dos cursos de água. Cuiabá é abastecida pelo rio Cuiabá, afluente do Rio Paraguai e limite entre a capital e Várzea Grande. O município encontra-se no divisor de águas das bacias Amazónica e Platina e é banhado também pelos rios Coxipó-Açu, Pari, Mutuca, Claro, Coxipó, Aricá, Manso, São Lourenço, das Mortes, Cumbuca, Suspiro, Coluene, Jangada, Casca, Cachoeirinha e Aricazinho, além de córregos e ribeirões. O clima é tropical quente e húmido. As chuvas concentram-se de Setembro a Abril, enquanto que no resto do ano as massas de ar seco sobre o centro do Brasil inibem as formações chuvosas. Nesses meses são comuns a chegada de frentes frias vindas do sul do país, deixando o clima frio e húmido. Quando essas frentes se dissipam, o calor, associado à fumaça produzida pelas constantes queimadas nessa época, faz a humidade relativa do ar cair a níveis baixos, às vezes abaixo dos 15%, aumentando os casos de doenças respiratórias. A precipitação média anual é de 1.469,4 mm, com intensidade máxima em Janeiro, Fevereiro e Março. A temperatura máxima média chega a 34,1ºC, mas as máximas absolutas chegam a mais de 40ºC. A mínima média em Julho, o mês mais frio, é de 16,0ºC. O quadro geomorfológico do município é, em grande parte, representado pelo Planalto da Casca e pela Depressão Cuiabana. Predominam os relevos de baixa amplitude com altitudes que variam de 146 a 250 metros na área da própria cidade”.

 

Véu da Noiva


Por fim, apanhei o avião para a capital do Estado de Mato Grosso ( abreviatura: MT ). Durante a viagem adormeci e só acordei quando uma simpática voz feminina me disse quase ao ouvido: “Sr. Passageiro, chegámos a Cuiabá, ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon”.
Depois de passar pela Alfândega, na saída, o simpático casal Elaine/Henrique me esperava, e este, como não é nada exagerado à guisa de saudação me disse: “Até que enfim que chegaste. Estamos aqui à tua espera há mais de 10 horas!”. Nem lhe respondi, com tanto sono que estava…
Só acordei junto ao carro deles e perguntei-lhes em que museu tinham alugado aquela preciosidade de Wolksvagem, do logo do após guerra. Ambos fizeram um sorriso “muito amarelo” (incrédulo). Entrei para o carro e logo notei que o mesmo tinha o tejadilho cheio de ferrugem e com muitos buracos.
Carlos: Henrique, pelo menos podias tapar os buracos do tejadilho…
Henrique: És maluco. Estamos numa região muito quente e esses buracos são o ar condicionado do carro! Toma mas é atenção onde colocas os pés pois a chapa está muito fraca e ainda pões os pés nalgum buraco! A Elaine vai conduzir (dirigir) pois eu tenho o pé muito pesado para a embraiagem.
Pensei logo: “ Pois, este cara só conduzia carros da tropa…”
Carlos: Henrique, vai falando um pouco da tua “aventurosa” vida. Se eu adormecer, tenho o gravador ligado…
Henrique: És um dorminhoco! Para ti ou para o gravador vou começar a falar e nunca mais me calo. “Nascido em Lisboa, Maternidade Alfredo da Costa, Meu primeiro lugar foi o Bairro da Madre Deus, depois Campolide e , daí em diante onde o Exército me colocou: Caldas da Rainha, Angola, Évora, Beja, S. Miguel/Açores, Abrantes; ao regressar, Campo de Ourique, Pontinha...
Atualmente, após Niterói e Rio de Janeiro, em Cuiabá, centro geodésico da América do Sul. Falar de Cuiabá? Cidade capital de Mato Grosso, Estado esse maior que a França e Itália juntos. O número de habitantes ultrapassa os 600.000. Foi a Cidade do garimpeiro de ouro e pedras semi-preciosas, em declínio até ao séc. XX. É desconhecida a origem do nome, entre "cuia" (vasilha de meia-concha), a fabricante de cuias, de cuia (farinha)+ abá (homem em tupi, lugar da ikuia (arpão), etc.) Fundada por bandeirantes de S. Paulo, chefiados por Manoel de Campos Bicudo nos anos entre 1670 e 1682. Foi em 8 de abril de 1719 que Pascoal Moreira, comandante da região e ex-bandeirante, assinou a ata de fundação da cidade, sendo nomeada oficialmente como cidade em 1818. Atualmente é o agro-negócio de gado de abate, soja , algodão, o grande impulsionador económico.

 

gado de abate

soja

algodão

Geograficamente, Cuiabá é cercado por 3 ecossistemas: Amazónia a norte, Pantanal a sul e o Cerrado. É chamada a cidade 40º... tal a amplitude térmica, com ausência de ventos fortes e a baixa humidade atmosférica”.
Entretanto, chegámos à Avª. Historiador Rubens de Mendonça, ao Shopping Pantanal. Perante a minha surpresa, o Henrique foi-me dizendo que não íamos a casa dele, pois a mesma estava em obras e estava numa grande “confusão”. - “Para mais – concluiu – daqui a poucas horas tens de apanhar o avião para o Rio de Janeiro…”.
E foi assim que a entrevista começou a este cara de pau, perdão, Henrique Lacerda, numa esplanada do exterior do Shopping.
Carlos: Teus passatempos preferidos?
Henrique: O “Cá Estamos Nós”.. Penso ser, nas 12 a 14 horas diárias que lhe dedico. Mas a TV sempre me fascinou.
Carlos: Qual foi o maior desafio que aceitaste até hoje?
Henrique: Cada minuto é um desafio… mesmo este já é passado… Talvez o de sobreviver fisicamente e moralmente.
Carlos: De que mais te orgulhas?
Henrique: De ser Português.
Carlos: Qual a personagem que mais admiras?
Henrique: Nenhuma em especial, porque procurando há sempre um pormenor que mostra pés de barro.
Carlos: Uma imagem do passado que não queres esquecer no futuro?
Henrique: Nenhuma… renego para o subconsciente o que me marcou antes e olho para buscar o horizonte.
Carlos: Que vício gostarias de não ter?
Henrique: O único é o cigarro, já proibidíssimo… Mas se tem de morrer por alguma razão… Já ultrapassei o prazo de validade, o que vier é ganho.
Carlos: Para ti, qual o cúmulo da beleza?
Henrique: Um pôr ou nascer do sol nas planícies infinitas de África.
Carlos: E da fealdade?
Henrique: O morticínio, a guerra, a mentira.
Carlos: As piadas às louras são injustas?
Henrique: Piada como outra qualquer… Sobre alentejanos, gays, pretos, portugueses ou outras…
Carlos: O dia começa bem se...?
Henrique: Nunca começa. O começo real pessoalmente é a tarde.
Carlos: Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?
Henrique: Uma é varrer o quintal… o outro é flagelante.
Carlos: O arrependimento mata?
Henrique: Nunca me arrependi. Tomei sempre como ensinamento para o momento seguinte.
Carlos: Prato preferido, assim como a bebida?
Henrique: Bife com batata frita e ovo estrelado a cavalo. Sou viciado e admirador da água… Chego a guardar no frigo alguma que sobre no copo.
Entretanto, chegou a hora do almoço. Almoçámos carne que não sei se era assada, cozida ou grelhada, com feijão preto, vinagrete, arroz branco e farofinha. E a bebida foi água a pensar no bom vinho português. Enquanto esperávamos pela refeição, e durante esta, continuamos a entrevista.
Carlos: Tua melhor qualidade, e, teu maior defeito?
Henrique: Qualidade, a que meus Amigos conseguem encontrar. Defeito, como sou Taurino, a minha verdade é a absoluta...vencido, mas não convencido por vezes.
Carlos: Qual a característica que mais aprecias em ti, e, nos outros?
Henrique: Em mim, gostar de ter um hobby. Nos outros, a Verdade.
Carlos: O que é para ti o termo Esoterismo?
Henrique: Algo que nunca me debrucei a sério.
Carlos: Acreditas na reencarnação?
Henrique: Só apreciarei se o for…Neste momento não me preocupa ter sido ou venha a ser outrem.
Carlos: Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?
Henrique: Como S. Tomé (ver para crer), nunca confrontei nada disso.
Carlos: O Imaginário será um sonho da realidade?
Henrique: É um modo de evasão da realidade.
Carlos: Acreditas em histórias fantásticas?
Henrique: Vejo, leio, mas nada me diz por irrealismo.
Carlos: A cultura será uma botija de oxigénio?
Henrique: A cultura é o fulcro de toda a convivência e busca de ideais.
Carlos: Que livro andas a ler?
Henrique: Por acaso, neste momento, livros que estão no CEN… alguns autores me suscitam a curiosidade.
Carlos: Autores e livros preferidos?
Henrique: História e todos que passam ao alcance da mão, nem que seja de desenho animado. Nunca fotonovelas...
Carlos: Música e autores preferidos?
Henrique: Gosto muito sortido com maior incidência para os clássicos.
Carlos: Os filmes comerciais que mais gostaste?
Henrique: Só tenho mais de 6.000 filmes em dvds...
Carlos: Quando eras criança...?
Henrique: Todos os jogos da época: berlinde (bola de gude), carica (tampinha da cerveja), hóquei com pau e pedra...
Carlos: Como vais de amores?
Henrique: Amor é um estado de sublimação, de dádiva. Procuro o ser.
Carlos: Como te auto-defines?
Henrique: Um self-man em todas as vertentes.
Carlos: Que género de filme daria sua vida?
Henrique: Lawrence da Arábia talvez…
Carlos: Para terminar: Para ti, Deus existe?
Henrique: Deus é a justificação do que ainda não compreendemos, Deus é a quem recorrem alguns para que sejam socorridos, outros para agradecerem.

E assim, falamos de:
 

Henrique Rosário Correia de Lacerda Ramalho


Nascido a 24 de Abril de 1945
Coronel de Infantaria (reformado) do Exército Português


 

Terreiro do Paço ( Lisboa - "minha paixão")



Difícil é começar…
Henrique Lacerda Ramalho


Difícil… Escrever é demonstrar sentimentos e sensações, algo reservado, algo intimo… Escrevo para mim mesmo, no silêncio e solidão da noite. Escrever é retirar as camadas de máscaras do dia passado ou para o dia seguinte. Escrever é acompanhar os velozes pensamentos na lerdeza da mão que segura a caneta. Escrever é muitas vezes rasgão do que se passou no passado, no que teima em vir à tona e que nos atormenta, tentando compreender perguntas de que não sabemos ou não satisfaz a resposta. Escrever é algo que desliza e imprime no papel, algo que no dia seguinte nos surpreende de como fomos capazes… Escrever é um acto que nunca nos satisfaz, que nunca se dá por concluído e sem emendas... Escrever é como dicotomia em que um escreve e o outro admira depois… Bom… são 7h00 horas da madrugada e ainda não dormi. Nada mais escrevo do que a palavra: fim.

...E na companhia de duas grandes e verdadeiras Amigas:

Rivkah Cohen   Henrique Ramalho   A PEDRA
Carmo Vasconcelos
A rocha onde estava,
de fogo se fez e olha eu,
sozinha, pela primeira vez!!
 
Por que
com aquela temperatura toda,
não me endureci?
Vi  e  vejo cada pessoa,
um tesouro sem fim!
 
Nem sei como contar!
Tudo o que estava junto de mim,
vi incandescer e se afastar
e quando procurei, cadê você?
E me vi chorar..
 
Vejo por diversos prismas,
quando o sol vem me iluminar
revolta,
alegria, 
sou tudo mais        
que alguém possa pensar.
 
Só extraia o medo,
pois desse,
nunca ouvi falar..
              
Dizem que desafio a vida,
mas é coisa
 de quem não tem o que pensar!
Acho-a extremamente linda,
amo viver e vivo a sonhar..
 
Como pedra bruta,
em infinitas tonalidades
posso me colorir,
me redesenhar,
mas quando a saudade
 a tudo se junta..
Ah, deixa pra lá!

Rivkah Cohen
 

 

Pedra bruta, pedra bruta
me diz o que tens para contar!
Tens musgo onde nem vento sopra,
tens estéril onde sol bate,
pedra bruta que me dizes?
Onde a raiz que te faz estalar?
Onde o fio d´água que te faz esfriar?
Pedra bruta te limpo e faceto,
faces planas a luz reberveras:
Azuis,vermelhos,amarelos,verdes
surgem faiscando de teus planos.
Quem diz que não serás cristalina,
Pura no diamante em brilhante,
esmeralda em cor profunda, rubi sanguíneo,
turquesa em marinha cor ou outras mais?
Procuro em ti, pedra bruta
o que outros olhos passam, nem notam!
ou até recolhem e chutam ! 
Procuro em ti a obra prima e única!
Procuro e certamente acharei
qual a maravilha escondida em teu ser.
mesmo que nenhuma beleza estranha encontre,
farás parte do muro que construo
ou ficarás na gaveta guardada
fruto de uma recordação...
do momento que te encontrei!
 
Henrique Ramalho

 

 
Todas as noites
há mãos que se entrelaçam
e dedos que se multiplicam
Bocas e hálitos e línguas de fogo
que se unem em labor de esquecimento
de passados e futuros.
 
E a pedra… É pedra!
 
Mas numa noite mágica…
Mãos e dedos
bocas e hálitos e línguas de fogo
unem-se
envolvidas com poemas
e cheiros de jardim.
 
E a pedra…
Solta os seus cabelos de prata
e mostra a pele de veludo.
 
Carmo Vasconcelos
(In E-Book Memorando de Fogo)

 

 

 

 


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