Por profissão, sou Advogado e Juiz Arbitral.
Iniciei a carreira como Advogado em 1981
quando ainda imperava no Brasil a ditadura
militar e me dediquei à defesa de
perseguidos políticos atuando em vários
processos judiciais, alguns dos quais
tiveram grande repercussão na opinião
pública, sendo o mais notório o episódio da
tortura e morte brutal do Sargento do
Exército Manoel Raimundo Soares, militar
dissidente e opositor ao regime ditatorial.
O episódio comovente, dramático e que
consternou a sociedade gaúcha ficou
conhecido como o CASO DAS MÃOS AMARRADAS.
Até hoje existem processos judiciais em
tramitação, relacionados ao caso, que é
matéria obrigatória de estudos na Escola
Superior da Magistratura Federal pela qual
passam os Magistrados novatos. Tem embasado
teses de mestrado em história e segundo
informações obtidas no Tribunal Regional
Federal da 4ª Região, o processo principal
foi tombado pela Organização das Nações
Unidas como patrimônio histórico da
humanidade e será traduzido em vários
idiomas, digitalizado e disponibilizado nas
mais importantes bibliotecas do mundo,
especialmente nas universidades.
Comecei a escrever ainda muito jovem, na
adolescência. Sou autodidata, me alfabetizei
aos cinco anos de idade, praticamente
sozinho e com alguma ajuda de meu Pai que,
percebendo meu interesse, me ensinou as
letras do alfabeto e partir daí ler e
escrever foi algo natural e automático.
Adquiri o hábito da leitura regular aos onze
anos de idade. Como lia muito e não tinha
como custear a aquisição de tantos livros,
associei-me a quatro bibliotecas, duas
públicas: municipal e estadual, à biblioteca
da FEU (Federação Espiritualista Universal)
e à Biblioteca do IPASE que era uma entidade
previdenciária e assistencial a qual meu Pai
era vinculado por ser funcionário público
federal e como seu dependente eu tinha
acesso à biblioteca.
Por volta dos quinze anos de idade,
incentivado por uma professora de português,
passei a escrever peças teatrais, as quais
foram encenadas na escola, e, sem falsa
modéstia, fizeram sucesso entre os
adolescentes pelo fato de serem interativas,
cujo final eu deixava em aberto para ser
decidido pela platéia. Suponho que na minha
escola eu tenha sido o pioneiro na idéia de
interatividade no teatro amador, pois já
naquela época me angustiava a passividade
servil da platéia. Eu entendia que o
expectador tinha o direito de emitir sua
opinião sobre o desfecho da trama.
Encorajado pela exitosa experiência das
peças teatrais passei a escrever poemas, os
quais depois de lapidados eram transcritos
num espesso caderno com ilustrações de
corações, flechas do cupido, flores e tudo o
mais que, a meu pedido, as moçoilas
desenhavam para mim. E, logicamente, o
caderno era todo perfumado com talco e gotas
de doce fragrância.
Meu sonho era um dia poder publicar àquela
obra, por isso, quase fui a óbito quando me
furtaram ‘a jóia’ mais preciosa da minha
vida naquela época, o repositório dos meus
primeiros sonhos românticos, o altar das
minhas primeiras musas inspiradoras. Foi
dilacerante o desespero que se abateu sobre
mim, como se tivessem raptado um filho. Com
o decorrer do tempo fui percebendo que,
possivelmente, alguém que amava àquele
“filho”, tanto quanto ou mais do que eu, é
que o tivesse ‘seqüestrado’ num ato extremo
de amor egoísta. Percebi também que o
‘estrago’ causado pelo desaparecimento do
meu ‘livro’ não teve a extensão que eu
imaginei, pois para minha sorte não levaram
a minha inspiração, e, de alguma maneira
àqueles poemas continuavam em mim, dentro do
meu coração, assim a minha alma ficou
apaziguada e serena.
No decorrer do exercício profissional da
advocacia, na medida em que as horas de
trabalho foram aumentando, os poemas foram
escasseando. O último escrito foi o poema
denominado APOSTOLADO DA SERVIDÃO que
escrevi quando nasceu meu filho Rael, hoje
com vinte e dois anos, também Advogado e
vive na Europa. Envio uma cópia em anexo.
Daí em diante, passei a ler e a escrever
quase que unicamente temas jurídicos e
artigos de opinião. Criei e coordenei uma
página na web denominada “LETRAS JURÍDICAS”
que está abandonada temporariamente por
total falta de tempo, mas pretendo
reestruturá-la futuramente. Colaborei com
alguns jornais e programas radiofônicos da
minha cidade, um apresentado pelo jornalista
Wianey Carlet, na rádio Guaíba e outro
apresentado pelo jornalista Lauro Quadros,
na rádio Gaúcha, sempre ligado a temas
jurídicos.
Recentemente fui convidado pelo jornalista
Paulo Sérgio Pinto, vice-presidente da Rede
Pampa de Comunicações, a participar de
programa televisivo discutindo temas
jurídicos polêmicos, mas não tive condições
de aceitar o honroso convite.
Atualmente continuo muito envolvido com a
atividade judicial e com pouca
disponibilidade de tempo para outras
atividades, mesmo assim sou colaborador da
revista eletrônica chamada Canal Eletrônico
(www.canaleletronico.net). Praticamente
ocupo informalmente o cargo de Editor Chefe,
trabalho que faço sem qualquer remuneração,
apenas por amor às letras.
Ainda não tenho livros publicados. Comecei a
escrever dois livros, porém, ainda não pude
concluí-los. Um deles, denominado EU AMEI
PENNY ROBINSON, trata de fatos verídicos da
minha infância e adolescência, sendo Penny
Robinson a personagem interpretada por
Angela Cartwright, ainda menina, na série
televisiva “Perdidos no Espaço” ("Lost in
Space"). Eu me apaixonei por Penny (ou por
Angela), sonhava com ela à noite, e foi a
minha primeira musa. Meu sonho é poder
lançar o livro com a presença da atriz
Angela Cartwright e em sua homenagem.
O outro livro está praticamente pronto e
como não poderia deixar de ser, é sobre o
CASO DAS MÃOS AMARRADAS. Na verdade é mais
um documentário. Começa com o nascimento do
personagem principal, o sargento mártir, sua
infância pobre o que não o impediu de, como
autodidata, desenvolver bom nível cultural e
até mesmo apurado gosto por música clássica,
homem muito inteligente, líder nato e que
exerceu importante papel na resistência ao
regime de força que derrubou a ordem
constituída no Brasil em 1964. O livro
relata as circunstâncias de sua prisão,
tortura e morte, os desdobramentos políticos
e judiciais, as investigações pela comissão
parlamentar de inquérito, o meu envolvimento
como advogado, as pressões que eu e minha
esposa sofremos, o quanto isso nos custou,
ela grávida de gêmeos teve aborto espontâneo
devido ao forte estresse emocional.
Quando digo que o livro não está concluído é
pelo fato de eu dispor de ‘montanhas’ de
documentos, alguns já tão raros que quase
ninguém mais os possuiu, enfim, o acervo é
imenso e sua publicação ensejaria vários
volumes, portanto, inviável. O meu maior
desafio é selecionar e organizar esse
material e condensá-lo numa publicação. O
tema por ser árido e indigesto (tortura e
morte) me causa enorme resistência
psicológica, mas preciso levar a cabo esse
trabalho, tenho um DEVER para com a
sociedade e as gerações futuras de escrever
essa derradeira reportagem. Tenho buscado
ajuda de voluntários nas universidades, mas
até o momento não obtive nenhuma.
Tenho em gestação o embrião de outro livro
cujo titulo provisório é “QUER UM DOCE?”,
que surgiu de uma brincadeira que eu faço
com minha filha Raquel perguntando se ela
quer um doce. Quando ela responde que sim,
eu digo-lhe então que eu quero um beijo.
Trata-se das relações familiares, de amor,
carinho e troca entre pais e filhos. Creio
que seja uma defesa do meu inconsciente para
exorcizar a tristeza que traz em si o Caso
das Mãos Amarradas.
Nunca me dispus a concorrer a nenhum prêmio
literário já que não sou profissional do
ramo. Nem mesmo na minha profissão me
candidatei a nenhuma premiação, embora,
tenha sido agraciado com o troféu: “Os
Melhores da Advocacia”, em 1999.
Tenho Home Page própria (
www.rogowski.rg.com.br).
Que conselho eu daria a uma pessoa que
começasse a escrever agora?
É difícil dar conselhos, pois, cada
indivíduo é único e a experiência de cada um
é personalíssima. Mas, se considerarmos que
a literatura é uma expressão artística,
penso que se deve deixar a inspiração fluir
livremente e procurar ser fiel e
comprometido com a própria consciência, com
os próprios valores pessoais, comprometido
com a sua verdade interior, sem medo de
críticas e sem receios de qualquer espécie.
Escrever é desnudar-se. Para escrever é
preciso coragem.
Concluo falando um pouco de mim, enquanto
pessoa humana, como foi solicitado, embora,
me considerando suspeito. Em síntese, posso
dizer que sou um homem livre e de bons
costumes. Livre em todos os sentidos, sem
preconceitos, não dogmático.
Meus pais nos ensinaram a respeitar as
diferenças e diversidades humanas.
Aprendemos desde muito cedo que somente o
caráter da pessoa importa. Preocupa-me sobre
modo a destruição do planeta e o descaso de
muitos governos, até mesmo do Brasil, com
questões vitais para o ser humano, e, por
isso, coordeno o MOVIMENTO SOS VIDA que
defende a vida em todas as suas dimensões. O
MSV empreende ações concretas juntos aos
Tribunais na defesa dos direitos civis
indisponíveis das criaturas viventes.