JOÃO- FRANCISCO ROGOWSKI

 

 

Meu nome é JOÃO-FRANCISCO ROGOWSKI, sou brasileiro, nascido e criado na cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul.

A cidade de Porto Alegre foi chamada inicialmente “Porto dos Casais” e depois “Porto dos Açorianos”, pois foi para cá que vieram, por volta do ano de 1752, sessenta casais de colonizadores portugueses oriundos das ilhas dos Açores e Madeira.

Embora a capital do Estado tenha se originado pela chegada dos Açorianos, a influência espanhola ainda hoje é muito forte e se faz presente nos hábitos e costumes, na arte, na culinária, na indumentária, na música e nas danças folclóricas.

Por tal razão o individuo nascido aqui é chamado de “gaúcho” pelas semelhanças de costumes com o “gaucho” dos pampas Argentinos, herança da América Espanhola.

Por profissão, sou Advogado e Juiz Arbitral. Iniciei a carreira como Advogado em 1981 quando ainda imperava no Brasil a ditadura militar e me dediquei à defesa de perseguidos políticos atuando em vários processos judiciais, alguns dos quais tiveram grande repercussão na opinião pública, sendo o mais notório o episódio da tortura e morte brutal do Sargento do Exército Manoel  Raimundo Soares, militar dissidente e opositor ao regime ditatorial. O episódio comovente, dramático e que consternou a sociedade gaúcha ficou conhecido como o CASO DAS MÃOS AMARRADAS. Até hoje existem processos judiciais em tramitação, relacionados ao caso, que é matéria obrigatória de estudos na Escola Superior da Magistratura Federal pela qual passam os Magistrados novatos. Tem embasado teses de mestrado em história e segundo informações obtidas no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o processo principal foi tombado pela Organização das Nações Unidas como patrimônio histórico da humanidade e será traduzido em vários idiomas, digitalizado e disponibilizado nas mais importantes bibliotecas do mundo, especialmente nas universidades.

Comecei a escrever ainda muito jovem, na adolescência. Sou autodidata, me alfabetizei aos cinco anos de idade, praticamente sozinho e com alguma ajuda de meu Pai que, percebendo meu interesse, me ensinou as letras do alfabeto e partir daí ler e escrever foi algo natural e automático.

Adquiri o hábito da leitura regular aos onze anos de idade. Como lia muito e não tinha como custear a aquisição de tantos livros, associei-me a quatro bibliotecas, duas públicas: municipal e estadual, à biblioteca da FEU (Federação Espiritualista Universal) e à Biblioteca do IPASE que era uma entidade previdenciária e assistencial a qual meu Pai era vinculado por ser funcionário público federal e como seu dependente eu tinha acesso à biblioteca.

Por volta dos quinze anos de idade, incentivado por uma professora de português, passei a escrever peças teatrais, as quais foram encenadas na escola, e, sem falsa modéstia, fizeram sucesso entre os adolescentes pelo fato de serem interativas, cujo final eu deixava em aberto para ser decidido pela platéia. Suponho que na minha escola eu tenha sido o pioneiro na idéia de interatividade no teatro amador, pois já naquela época me angustiava a passividade servil da platéia. Eu entendia que o expectador tinha o direito de emitir sua opinião sobre o desfecho da trama.

Encorajado pela exitosa experiência das peças teatrais passei a escrever poemas, os quais depois de lapidados eram transcritos num espesso caderno com ilustrações de corações, flechas do cupido, flores e tudo o mais que, a meu pedido, as moçoilas desenhavam para mim. E, logicamente, o caderno era todo perfumado com talco e gotas de doce fragrância.

Meu sonho era um dia poder publicar àquela obra, por isso, quase fui a óbito quando me furtaram ‘a jóia’ mais preciosa da minha vida naquela época, o repositório dos meus primeiros sonhos românticos, o altar das minhas primeiras musas inspiradoras.  Foi dilacerante o desespero que se abateu sobre mim, como se tivessem raptado um filho. Com o decorrer do tempo fui percebendo que, possivelmente, alguém que amava àquele “filho”, tanto quanto ou mais do que eu, é que o tivesse ‘seqüestrado’ num ato extremo de amor egoísta.  Percebi também que o ‘estrago’ causado pelo desaparecimento do meu ‘livro’ não teve a extensão que eu imaginei, pois para minha sorte não levaram a minha inspiração, e, de alguma maneira àqueles poemas continuavam em mim, dentro do meu coração, assim a minha alma ficou apaziguada e serena.

No decorrer do exercício profissional da advocacia, na medida em que as horas de trabalho foram aumentando, os poemas foram escasseando. O último escrito foi o poema denominado APOSTOLADO DA SERVIDÃO que escrevi quando nasceu meu filho Rael, hoje com vinte e dois anos, também Advogado e vive na Europa. Envio uma cópia em anexo.

Daí em diante, passei a ler e a escrever quase que unicamente temas jurídicos e artigos de opinião. Criei e coordenei uma página na web denominada “LETRAS JURÍDICAS” que está abandonada temporariamente por total falta de tempo, mas pretendo reestruturá-la futuramente. Colaborei com alguns jornais e programas radiofônicos da minha cidade, um apresentado pelo jornalista Wianey Carlet, na rádio Guaíba e outro apresentado pelo jornalista Lauro Quadros, na rádio Gaúcha, sempre ligado a temas jurídicos.

Recentemente fui convidado pelo jornalista Paulo Sérgio Pinto, vice-presidente da Rede Pampa de Comunicações, a participar de programa televisivo discutindo temas jurídicos polêmicos, mas não tive condições de aceitar o honroso convite.

Atualmente continuo muito envolvido com a atividade judicial e com pouca disponibilidade de tempo para outras atividades, mesmo assim sou colaborador da revista eletrônica chamada Canal Eletrônico (www.canaleletronico.net). Praticamente ocupo informalmente o cargo de Editor Chefe, trabalho que faço sem qualquer remuneração, apenas por amor às letras.

Ainda não tenho livros publicados. Comecei a escrever dois livros, porém, ainda não pude concluí-los. Um deles, denominado EU AMEI PENNY ROBINSON, trata de fatos verídicos da minha infância e adolescência, sendo Penny Robinson a personagem interpretada por Angela Cartwright, ainda menina, na série televisiva “Perdidos no Espaço” ("Lost in Space"). Eu me apaixonei por Penny (ou por Angela), sonhava com ela à noite, e foi a minha primeira musa. Meu sonho é poder lançar o livro com a presença da atriz Angela Cartwright e em sua homenagem.

O outro livro está praticamente pronto e como não poderia deixar de ser, é sobre o CASO DAS MÃOS AMARRADAS. Na verdade é mais um documentário. Começa com o nascimento do personagem principal, o sargento mártir, sua infância pobre o que não o impediu de, como autodidata, desenvolver bom nível cultural e até mesmo apurado gosto por música clássica, homem muito inteligente, líder nato e que exerceu importante papel na resistência ao regime de força que derrubou a ordem constituída no Brasil em 1964. O livro relata as circunstâncias de sua prisão, tortura e morte, os desdobramentos políticos e judiciais, as investigações pela comissão parlamentar de inquérito, o meu envolvimento como advogado, as pressões que eu e minha esposa sofremos, o quanto isso nos custou, ela grávida de gêmeos teve aborto espontâneo devido ao forte estresse emocional.

Quando digo que o livro não está concluído é pelo fato de eu dispor de ‘montanhas’ de documentos, alguns já tão raros que quase ninguém mais os possuiu, enfim, o acervo é imenso e sua publicação ensejaria vários volumes, portanto, inviável. O meu maior desafio é selecionar e organizar esse material e condensá-lo numa publicação.  O tema por ser árido e indigesto (tortura e morte) me causa enorme resistência psicológica, mas preciso levar a cabo esse trabalho, tenho um DEVER para com a sociedade e as gerações futuras de escrever essa derradeira reportagem. Tenho buscado ajuda de voluntários nas universidades, mas até o momento não obtive nenhuma. 

Tenho em gestação o embrião de outro livro cujo titulo provisório é “QUER UM DOCE?”, que surgiu de uma brincadeira que eu faço com minha filha Raquel perguntando se ela quer um doce. Quando ela responde que sim, eu digo-lhe então que eu quero um beijo. Trata-se das relações familiares, de amor, carinho e troca entre pais e filhos. Creio que seja uma defesa do meu inconsciente para exorcizar a tristeza que traz em si o Caso das Mãos Amarradas.

Nunca me dispus a concorrer a nenhum prêmio literário já que não sou profissional do ramo. Nem mesmo na minha profissão me candidatei a nenhuma premiação, embora, tenha sido agraciado com o troféu: “Os Melhores da Advocacia”, em 1999.
Tenho Home Page própria (www.rogowski.rg.com.br).

Que conselho eu daria a uma pessoa que começasse a escrever agora?
É difícil dar conselhos, pois, cada indivíduo é único e a experiência de cada um é personalíssima. Mas, se considerarmos que a literatura é uma expressão artística, penso que se deve deixar a inspiração fluir livremente e procurar ser fiel e comprometido com a própria consciência, com os próprios valores pessoais, comprometido com a sua verdade interior, sem medo de críticas e sem receios de qualquer espécie. Escrever é desnudar-se. Para escrever é preciso coragem.

Concluo falando um pouco de mim, enquanto pessoa humana, como foi solicitado, embora, me considerando suspeito. Em síntese, posso dizer que sou um homem livre e de bons costumes. Livre em todos os sentidos, sem preconceitos, não dogmático.

Meus pais nos ensinaram a respeitar as diferenças e diversidades humanas. Aprendemos desde muito cedo que somente o caráter da pessoa importa. Preocupa-me sobre modo a destruição do planeta e o descaso de muitos governos, até mesmo do Brasil, com questões vitais para o ser humano, e, por isso, coordeno o MOVIMENTO SOS VIDA que defende a vida em todas as suas dimensões. O MSV empreende ações concretas juntos aos Tribunais na defesa dos direitos civis indisponíveis das criaturas viventes.

 
 
 
Apostolado da Servidão
 
Se te perseguirem,
Serei o entrave na trilha dos perseguidores.
Se te ameaçarem,
Anularei os algozes
Se te molestarem,
Aniquilarei todas as armas.
Se te injustiçarem,
Farei descer sobre a cabeça do injusto,
                        [a espada da Justiça
 
Pois, outra não é a minha missão,
Se não, como guardião,
Proteger-te, até o dia que tu próprio
                        [possas fazê-lo,
Para que, também, tu, um dia, possas cumprir
                        [a tua missão,
 
Trazendo luz aos cegos,
Paz aos exaltados,
Consolo aos sofredores,
Amparo aos desvalidos...
 
É este o teu destino, que há muitas eras
                        [está traçado,
Assim como o meu, que é te servir...
E, diante deste sacerdócio jamais recuarei,
                        [jamais vacilarei!
Se, de mim duvidam os homens,
Que se atrevam e ousem perturbar-te
                        [na tua senda,
Daí, então, poderosas forças do universo
                        [surgirão em teu auxilio
E a Terra tremerá nos quatro cantos
                        [do mundo,
E a ousadia cederá lugar ao ranger de
                        [dentes e pavor,
 
Mas, se num último desafio lançarem o
                        [derradeiro cogumelo atômico,
Criarei asas, e como o mais veloz dos pássaros,
E o mais poderoso dos anjos,
Voarei contigo para uma estrela distante,
E de uma parte de teu corpo Deus há de fazer
                        [outro ser para tua completude,
E lá, a humanidade nascerá outra vez,
E te chamarão
ADÃO...

(JOÃO-FRANCISCO ROGOWSKI)

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