Jonas Rogerio Sanches

 

"Céu de Dezembro"


Contemplando o céu de Dezembro
Vejo Órion brilhando ao leste
A luz de Betelgeuse entorpece
É a mágica do caçador que nos estremece

A sua direita está Taurus
Exibindo suas Plêiades
Destaca-se Aldebaran
Com seu brilho incandescente

Deus desenhou no céu
Com as gotas de luz de seus olhos
Incomparável obra criada
Pintura de estrelas na madrugada

Incontáveis em quantidade
Insuperáveis em sua beleza
A distância inimaginável
De potência e luzes insuperáveis

Mas dentre todas elas
Admiro uma em especial
Essa é Vega na constelação de Lira
Conhecida como Estrela da Harpa ou Águia Caída

Mas no céu de dezembro
Dela nos resta o abandono
Retornando linda novamente
Somente no início do outono

Jonas Rogerio Sanches

"E se eu partir..."


E se eu partir cuide das minhas flores,
elas são tão belas e sensíveis
e suas cores refletem o divino.
Cuide-as e regue os jardins com meu sangue...

E se eu partir cante com meus pássaros,
eles vigiam minha janela na alvorada
e fazem seresta sempre em festa de alegria.
Cante com eles a marcha fúnebre do meu vazio...

E se eu partir guarde meus livros,
e as palavras ríspidas que proferi, tente perdoar
pois, na vida as vezes temos que ser duros.
Guarde minha poesia mais bela no seu coração...

E se eu partir, por favor, não chore
lembre do meu sorriso tímido e sincero
naqueles momentos que superamos o real.
Não derrame suas lágrimas por mim, somente me recorde...

E se eu partir espalhe minhas cinzas ao vento
regue as flores de inverno e alimente os pássaros;
transmita minhas poesias aos seus filhos e netos.
Pois se eu partir irei feliz e deixarei na escrivaninha meus costumes...

Somente não pranteie sobre os pergaminhos
onde gravei os sonhos em tinta nanquim...

Jonas Rogerio Sanches

"O Sal das Lágrimas"


Hoje eu vou viver todas as minhas mortes
pra depois morrer minha última vida
vou deixar a alma adormecer mil anos
vou deixar os cães lamberem as feridas.

Hoje vou calar todas as minhas vozes
pra depois gritar minha dor engolida
vou deixar os ventos retorcerem o tempo
vou deixar meus sonhos na próxima esquina.

Hoje vou chorar todas as minhas lágrimas
pra depois beber o sangue em despedida
vou deixar meus pés pisarem as brasas
deixar meus pecados ditarem a lida.

Hoje vou dormir o meu sono mais profundo
pra depois acordar em dimensão desconhecida
vou deixar a pena embebida em tinta
e na escrivaninha a última poesia.

Jonas Rogerio Sanches

"O Ancião dos Dias"


E o ancião dos dias seguiu
por entre as frestas do tempo
e fez cessar os ventos
para continuar pelas dimensões.

E ele carregava o livro dos dias
e escrevia com a pena de ouro
deixava as vozes falarem em sua mente
deixava os atos dizerem tesouros.

E o ancião dos dias seguiu
por entre as vias intergalácticas
com suas pálpebras pragmáticas
bebendo mundos e girassóis.

E ele carregava todas as vidas
todas as mortes e todas as flores
todas as dores e os amores
pela própria criação concebida.

E o ancião dos dias seguiu
contando os minutos do infinito
gritando verbos de sua vontade
bebendo os anos da sua idade.

E ele carregava os filhos dos filhos dos filhos
em seu ventre de universos infindáveis
e seu pensamento era de incógnitas
e seu amor era pela humanidade.

E o ancião dos dias dormiu
e se instalou o caos na terra
sede de sangue e calor de guerras
e até hoje se espera a cura dessa animalidade.

Jonas Rogerio Sanches

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