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QUEM SOU?!
Jurema Ribeiro |
Tu queres saber
quem sou nessa história
de idas sem voltas
tu queres saber?
eu sou as aldeias
sou sangue nas veias
sou sombra sem sóis
sou vultos escuros
sou mantos ateus
sou mais que o compasso
possuo mil traços
e graus desconheço
sou lúdica
sou súdita
sou o esgoto das luas
sou tida absurda
sou miss languidez
provoco em tua tez
o espantoso desgosto
da porta que bate
ao vento mais brando
sou toda acalanto
sou toda encanto
do teu desencontro
sou bruxa, megera
sou fera
e domada te posso fazer
o meu caçador
sou presa da espera
de amar, quem talvez
me possa saber
sou triste
sou forte
e, quem sabe a morte
não alcance meu ser
porque meu sentido
me diz ao ouvido
que te ausentas de mim
que sou todo sente
no olhar que pressente
que vens de repente
saber quem sou eu
o que nem mesmo sei
se vou ou se fico
pousar de ultraleve
ou, se então notifico
meu corpo na espera
pra eu te dizer
quem sou vez por vez.Jurema
Ribeiro |

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O CENÁRIO
ANTROPOFÁGICO
Jurema Ribeiro |
Instala-se a perplexia
num cenário neo trágico
com personagens mirabolantes
sob a mira insaciável
de militantes caçadores de perdizes
no encalço de trilhas macabras
traçadas por habitantes da ira
para alcançar a consciência nativa
que repele toda a bio ideologia
malfadada a armar degustadores
prisioneiros da odisséia imperial
de oligárquicos dominadores
que expelem pela boca o pacto da otose
sobre a demência de fantoches
que panfleteiam uma cultura universal
de chulo discurso integracionista
introduzido no boqueirão da "massa"
sem um só grão de sal
para que possa efluir a essencialidade
da identidade consumida
pela famigerada ferida lesiva
que produz dor mendiga
saudosa da bela aliança
que notabilizou a terra-vida
hoje sendo engolida
pelos súditos do pecado;
o palato antropofágico
penúltima palavra
que vem programando o homem
fechando-o a recriação
para irradiar um canto
que torna sagrado o homem
para combater a última palavra
que foi feita com exatidão:
ela é a desintegração
a separatriz do ser
de seu elo primitivo
que o desloca na história
para vivificar o mundo.
Jurema Ribeiro |

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OLHOS
SÓLIDOS-CRISTALINOS
Jurema Ribeiro |
Olhos-luz que rodopiam
como rosários-de-ifá
aturdindo o cabível
instalado no olhar
que aceita tua presença
sem partir do absurdo
que te nega projetar
esta linguagem bem dita
que confronta a transparência
de tua basiofobia
eu bem sei...
isto é idiossincrasia
e o meu ser te admira
quando aceitas ou rejeitas
os raios de minhas íris
que hoje são o queremismo
de poder falar da vida
no esplendor de todo acme
quando cristaliza os corpos
que se deram num olhar
e pontificou o princípio
de toda recriação
mobilizando a plasticidade
materializada de cada membro
que se fazem movimento
quando sólidos, cristalinos
permitimos a linguagem
de uma luz peregrinante:
a síndrome do olhar.
Jurema Ribeiro |

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