LUIZ DA SILVA

 

 

Nome: Luiz da Silva

Profissão: Gestor de Políticas Públicas (Funcionário Público aposentado)

Fale-nos um pouco da terra onde mora?
Moro em Itajaí - lindíssima cidade de Santa Catarina, Brasil.
Cidade portuária (Um dos maiores portos do País).
Cidade turística e  pesqueira. Localiza-se no litoral  centro norte catarinense.
Turisticamente, faz parte do vale europeu, nas festividades regionais do Estado.
Foi colonizada por portugueses açorianos e tem  aproximadamente, 190.000 habitantes.
Tem boas universidades e é a segunda maior arrecadadora de ICMS do estado.
Possui ótimas praias e fica distante apenas, 10 quilômetros de Balneário Camboriú, a mais importante cidade balneária de Santa Catarina. 

Quando começou a escrever?
Desde pequeno, com 10 ou 12 anos, quando apaixonei-me pela primeira vez.
 
Teve a influência de alguém para começar a escrever?
Sim,  meu pai.  Ele fazia lindas poesias e versos, enquanto trabalhávamos na roça, mas não os escrevia. 
Fazia versinhos com rimas que eu achava lindo.
Nunca escreveu um poema.
Dizia que a poesia, é uma maneira momentânea do coração dizer como está e não vale para o dia seguinte.
Ele era professor, filho de portugueses e nascido no ano de 1900, no vele do Rio Tijucas.

Lembra-se do seu 1º trabalho literário?
Sim. Foi uma composição. Não a guardei.
Foi sobre o dia das mães e foi premiada na escola.

Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano)?
Não.

Projectos Literários para 2011 / 2012?
Sim, vou publicar minhas poesias.

Como vão ser editados?
Ainda não sei.

Tem livro(s) electrónico(s) (e-books)?
Não.

Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana?
Sou muito franco, romântico e vivo apaixonado.

Fale-nos um pouco de si, como Escritor(a)?
Não me considero escritor. Somente gosto de fazer poesias.
Acho que a poesia é a forma mais franca e espontânea de se expressar um sentimento.
Amor, amizade, liberdade, enfim, qualquer sentimento.
Não importa se faz rimas ou não, se é romântica, alegre ou se é triste. O que importa, na verdade, é o sentimento que ela expressa.
Gosto de projetar-me para o personagem que eu crio ou que imagino, para poder sentir o que lhe vai na alma, como se fosse comigo.
Não gosto de escrever tudo o que penso. Guardo coisas para mim mesmo.
Também gosto de escrever em vários estilos. Poesias, trovas textos e versos.
Faço parte da UBT (União Brasileira de Trovadores) seccional de Itajaí, da qual sou diretor.

Tem prémios literários?
Não.

Tem Home Page própria (não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus)?
Não.

Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter seus textos publicados e Livro (s) electrónicos, nos nossos sites?
Não.

Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever?
Seja sempre sincero, naturalmente romântico e franco.
Exprima o que você sente com toda pureza possível.
Não se importe em passar horas e horas jogando papéis amassados no lixo. Eu já tirei muitas poesias inacabadas do meu lixeiro, no dia seguinte e as  terminei.
Se for fazer poesia, esteja eternamente apaixonado.

Para finalizar, por favor, envie-nos dois textos de sua autoria.

Segue em anexo, duas poesias de épocas distintas de minha vida e um texto escrito na minha juventude.
Dois estilos diferentes.



TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

Luiz da Silva
 

Deusa... Teu beijo me enlouquece, extasia...
Faz meu corpo todo estremecer, marear.
Quando te beijo, te vejo, que fantasia...
por loucura talvez, feitiço ou magia...
Nua no meu convés, que alegria,
sob a luz da lua, a brilhar.

TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

Contigo à bordo, meu Deus que bom seria!
 Içar estas âncoras, ao mar me lançar.
No meu veleiro “CALMARIA”.
Zarpar, de vez desta baía...
Ver diminuir o mundo, na vigia.
E no mar azul navegar...

TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

Vou à deriva, ao por do sol com as velas soltas.
Que queira ou que não queira, o vento soprar...
Não importam os vagalhões, ondas revoltas!
Sem sextante nem bússola prá me guiar.
 Vão teus braços, pernas e mãos afoitas,
traçando meu rumo pelo mar.

TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

Sem
ancoras,
sem amarras,
sem poitas nem freios...
Com a quilha rasgando as ondas pelo mar à fora.
Sorvo gotas de orvalhos salgados,  em teus lábios.
Preso a teu corpo,
pensamento solto, devaneios...
Grito aos marujos,
“GAIVOTAS” vamos embora!
Leme a bombordo meu timão cheio de seios!

Deusa...
TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...
Quando eu te beijo, eu queria...


***

O VELHO PÉ DE CARVALHO

Luiz da Silva

Oh! meu velho pé de carvalho, pobre árvore,
 estás totalmente desfolhado pelos ventos,
através de longos e frios anos implacáveis.
Teus toscos ramos, tristes, esqueléticos,
 Arqueados e ressecados pelos sóis
de intermináveis verões,
perdem-se rendidos
 e prostrados
em direção
ao solo.

Já não tens
mais o vigor que tinhas outrora.
Os passarinhos não fazem mais seus ninhos
no aconchego das tuas graciosas ramadas.
Perdestes tua sombra frondosa, teu esplendor.
Tuas raízes agonizam lentamente agora,
expostas da terra fofa e quente
que em mais de um século,
fora o teu cobertor.

Hoje, os corações
sangrando, transpassados
por flechas, esculpidos em teu
tronco por jovens casais apaixonados,
já não pulsam mais. Doces juras de amor
eterno, que ressoavam como suaves melodias
a tua volta, são apenas, murmúrios, ecos dissonados
e distorcidos, espalhados pelos ventos do passado.
Resta-te tão somente, oh, velho carvalho amigo,
 uma última esperança. Que o lenhador que
logo chegará no outono para abater-te,
 tirar-te o último sopro de vida,
ferir-te o corpo com golpes
do aço frio do machado,
escolha teu cerne ocre,
forte, robusto e macio,
para ser o berço
que embalará
o rebento,
que lhe
 chegará
na
primavera.


***


O PALHAÇO E O POETA

Luiz da Silva

Você está mesmo enganada
Se pensa que sou um infeliz...
Meu coração dá até risada
Do que meu poema diz!

Que bom se fosse verdade.
Que já amei tanto assim...
Que é minha essa saudade,
Que brota dentro de mim.

Não sei, até se é merecido
Este dom que Deus me deu...
De me envolver enternecido,
Como se o amor fosse meu.

É claro, o poeta é um farsante.
Só vive falando em flores...
Transformando num instante
Dor e desencantos, em amores.

Quem sabe um dia, até talvez,
A falta de inspiração me faça.
Contar também para vocês
O que no meu coração passa.

Seria mesmo bem engraçado...
Falar do meu próprio amor.
Contar todo o meu passado
Sem censuras e sem pudor.

Nas poesias até se veria...
Tristeza e muita saudade,
E alguém se perguntaria...
Será mentira, será verdade?

Pois que, o poeta e o palhaço,
Vivem uma vida parecida...
Um faz da vida palhaçada,
O outro, palhaçadas da vida!


 

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