|
|
BEIJOS, SEDAS E ESTRELAS
Nossos lençóis testemunhavam estrelas.
Muito mais do que sedas e ensejos, cobriram nossos
desejos...
A veia da flor batia num ritmo de coração
e eu quis que tu entendesses, o quanto além fora,
o nosso amor!
Além do leito, arfado peito...
Acariciei a estrela desenhada em tom furta-cor.
O olhar não conteve a saudade que chorou
E beijei a lembrança dos doces beijos
que por tanto tempo foram o enredo
e o cenário... do nosso amor.
Hoje, há um acalanto de alcova esmaescendo
O tremor de um corpo desolado...
O luzir de uma vela se esvaindo,
Apagando o tempo, lentamente.
Gotejando a música, nota a nota,
Como aquele aperto que a garganta transporta
Para além do além, numa agonia quase morta
De lembranças, apenas, e por tão bem querê-las e
reconhecê-las
Desenhadas de beijos, sedas e estrelas... |

|
Em Algum Lugar
Eu sinto o teu respirar ofegante,
e o teu cansaço iminente.
Quanto te dói andar errante,
Seguindo, apenas, o teu sonhar da mente.
Eu sinto o abatimento de teu semblante.
Teu peito que suspira angustiado
Dói me na alma as nuvens itinerantes
Que se apossam de teu olhar tão maltratado.
Por quê sentir o que nós dois sentimos?
Este louco desejo de nos encontrar...
Saber, no fundo, que nos iludimos
Sem saber, nunca, em que lugar estar.
Ó, mágoa ressentida de minha alma,
Ó calma bendita que me faz acreditar!
Fazendo-me adormecer, entre os relutantes sonhos
De acordar, contigo, amor...
Em Algum Lugar! |

|
O Mar e Eu
Gosto de olhar o mar e tentar entender
a sua linguagem.
Dispo-me de mim mesma e me entrego ao vai e vem
das ondas, entregues ao oceano que as rege.
E o meu oceano? Onde está?
Volto pro mar...
Ele vem e exibe o que tem.
Presenteia-me com fragmentos de vidas que se
foram...
mas que continuam lindas.
Tenho, incrustadas nas paredes do coração,
cicatrizes das feridas que não vieram de mim,
mas que morreram em mim... diferente do mar.
Quando o mar fica bravo... eu o observo urrar.
Talvez seja o grito das sereias no cio...
Fazendo amor com o mar.
E ele as cobre e protege e se levanta contra
tudo ou
quaisquer ameaças a esse amor, encantador!
Diferente do mar, sou eu...
Sozinha vago, sem ninguém prá me guardar.
De repente... o mar se acalma,
e eu mergulho.
Ele me abraça, toca todo meu corpo,
brinca de me jogar pra lá e pra cá...
Ha quanto tempo não ouvia o eco de um sorriso
meu.
E o gigante me arrebata, me esfrega,
me esfola me bate e quase me mata
Mas não doeu.
Volto à solidão de antes.
Sento-me desnuda, ainda, e numa oração
imploro...
Olhando o mar... confidencio-lhe meus anseios,
desejos, loucuras...
Será?
E ele, conivente com meu conflito,
Me olha.
E eu desaguo o meu olhar que chora
e o ofereço, num gesto de gratidão,
mergulho novamente e deixo uma lágrima quente,
mais que uma... muitas...
Tantas! E... sozinha,
Sinto um ímpeto de me entregar,
totalmente e para sempre
ao mar.
Mas tenho medo...
Ele não me contou segredos...
Ou não entendi seu falar.
Mas me deu de presente...
Um gole de lágrimas pra eu chorar.
Vou embora... E minha alma... mais uma vez,
vai desatando nó, por nó,
E me confrontando com mais outra imagem de
mim...
Sinto o peso nas costas
Sinto a solidão diária
E... de hora em hora...
Minha alma que é brava gente
Descobre, bem de repente
Que já não é mais sozinha,
Que tem um mar em si mesma,
Em todo e qualquer lugar.
Se sente vitoriosa.
Ergue a cabeça e caminha...
Que coisa mais linda, aconteceu...
Eu fui do mar...o mar foi meu
E hoje somos
|

|
Margaridas
( dedicado à memória de minha filha-
Margaridas eram as flores que ela mais
amava)
Sol abrasador queimando-me os pés e eu
preciso ir...
Hoje, não!
Tempestade na estrada, raios, trovões
amedrontando-me a alma, ofuscando-me os
olhos, cansados de ver...
Hoje, não!
Frio na carne, frio na alma... Peito
tiritando... tiritando de dor,
poros vazando saudades de amor...
Hoje não!
Cortejo passando, enterro de filha?
Saudade estreando... um cativo lugar
Hoje não!
Cachorro molhado, flores tombadas,
cheiro de fezes do campo... exaladas,
Hoje não!
Mar agitado praia sem conchas, praia vazia
e,
o meu olhar perdido buscando o infinito...
também???
Hoje não!
Olhares tristonhos, pessoas correndo,
acorrentadas ,
de volta prá casa? De volta prá que? De
volta prá quem?...
Hoje não!
Praças vazias? Balanços estáticos! Cadê as
crianças,
as crianças... cadê?
Hoje não!
Sol se indo, lua saindo, lua minguante
minguando meu peito
minguado de amor...
Hoje não!
Noite chegando, céu sem estrelas??? Céu sem
luar???
Hoje não!
Queria...
Queria a brisa fresca, de um sol da manhã.
Os pingos da chuva , o cheiro... da terra,
da terra molhada,
Molhada de amor!
Queria a filha chegando da escola de braços
abertos,
querendo abraçar
Um cão passeando, uma casa sem muro, um
jardim
Decorado de verde, amarelo, vermelho ,
anil...
A tarde, calma e bucólica e o canto dos
pássaros
a reger-me os ouvidos, a levar-me os passos
a descobrir novos ritmos de caminhar.
O mar calmo, crianças correndo, correndo,
caindo,
e se levantando,
Correndo e caindo... falando, gritando.
Parece que a vida não vai esperar... a
infância passar!
Pessoas se amando no caminhar, pensando na
noite,
sonhando com a noite
Que está prá chegar,
No brinde dos copos, na luz das velas no
encontro dos
corpos na fusão dos corações
e das emoções.
Queria sorrisos em forma de flor, quem sabe
uma carta ,
quem sabe, uma declaração de amor!
Queria encontros , saudades contidas,
saudades explodidas ...
em braços libertos
Aconchegando a dor.
Queria num toque cerrar os meus olhos ,
Dormir e sonhar...dormir e sonhar.,
E um maço de margaridas hipnotizando
O meu olhar ... o meu olhar...o meu olhar...
Bem me quer... Bem me quer ...Bem me
quer....
Bem me quer...
Bem me quer...
Mal me quer...
Hoje, não! |

|
Posso Entrar?
Cida Valadares
Minha bagagem é leve pois que de nada preciso.
Vestem-me, no entanto, com cheiro de flor,
lembranças de amor.
Embalam-me com fitas,
entremeios de esperança...
E minha fotografia embora envelhecida
de tanta lembrança
traz em si, somente a alma de uma criança.
Posso entrar?
Hoje há alegria no ar,
E o dia despindo as flores ao vento
E respingando as gotas de emoção.
Um pensamento fustiga o coração.
Não há lamento,
não agora.
Quero a esperança
vestida à rigor
Trajando somente,
trajes de amor.
Ao longe percebo
Marulhos no mar,
O raiar de mais um dia...
E a sinfonia
Que conduz os meus passos
junto a poesia.
Posso entrar?
Prometo amar, honrar ,
agradecer.
Prometo participar,
Com todo meu ser.
Com meu coração
E esta ternura infinda
que faz a vida linda.
Esta esperança que exala floral
Que instilo, tão bem.
Estou aqui, neste Portal
Cá estamos nós
No Portal Cen.
Obrigada.
|

|
|