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CONSTANTE E
DOCEMENTE ...
Maria Luiza Bonini
No silêncio desta paz, que hoje impera
E, em nós, permanece serena e complacente
Trazendo-nos a suave sensação de primavera
Ama-me, assim, constante e docemente...
Na quietude cúmplice de nossos segredos
Em que ouvimos os nossos sons, somente
Na harmonia d'um terno suspirar, sem medos
Ama-me, assim, constante e docemente ...
Naquela, por nós, tão esperada, madrugada
Quando tentamos parar o tempo, em nossas mentes
Suplicando ajuda aos céus, nas noites enluaradas
Ama-me, assim, constante e docemente ...
No dia em que o nosso vulto se refletirá em sombras
Pelo clarão da luz e no calor dos dias de sóis
ardentes
No refúgio de nosso lugar, ao repousarmos na
penumbra
Ama-me, assim, constante e docemente...
E, se algum dia, em nossas vidas, isso tudo se
perder
Peço-te:- Se irás chorar teu pranto, que seja
levemente...
Pois, na inevitável dor do sentir tudo o que é
nosso, fenecer
Continua a me amar, assim, constante e docemente...
Maria Luiza Bonini
São Paulo/Brasil
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A ENTREGA
Maria Luiza Bonini
Quando a um poema, minh' alma
entrego, por inteiro
Sinto o sabor de um mergulhar,
sem os meus medos
Como suaves ondas a acariciar
indiferentes rochedos
À espera de que sejam, de minha
ternura, mensageiras
Quando a um poema, minh' alma
entrego, por inteiro
Sinto-me penetrar em um infinito
que é só meu
Onde me torno, deliciosamente
alada, em apogeu
Como o alegre libertar de um
pássaro em cativeiro
Quando a um poema, minh' alma
entrego, por inteiro
Sinto-me a mais afortunada de
todas as criaturas
A desfrutar, de todas as
benesses, a mais pura
Quando a um poema, minh' alma
entrego, por inteiro
Recebo as vibrações d' uma rara
extasia, tão gratificante
Que a ele me consagro, com a
fieldade una, de mulher amante
Maria Luiza Bonini
São Paulo/Brasil
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MEU TEMA
Maria Luiza Bonini
Para dizer do amor, és tu, meu tema
Que meu ser invade, constantemente
Dominando meus sentidos, minha mente
Na expressão mais nobre de um poema
Para dizer da alegria, és tu, meu tema
Que me fazes sentir o que de melhor existe
Nos momentos em que tudo parece triste
Transportando-me à felicidade suprema
Para dizer da ausência, és tu, meu tema
Por me fazeres sentir mergulhada no vazio
Envolta, tão somente, por um doloroso frio
Para dizer de meus dias, és tu, meu tema
Por transforma-los plenos, com tua magia
Canto para o mundo minhas ternas poesias
Maria Luiza Bonini
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AH, QUEM DERA !
Maria Luiza Bonini
Ah, quem dera !
Que o desabrochar das lindas flores
Alentasse, do homem, as suas dores
Ao chegar da primavera
Ah, quem dera !
Que o seu aroma purificasse a Terra
Trazendo a paz e o fim das guerras
Ao chegar da primavera
Ah, quem dera !
Que o belo chilrear dos pássaros
Viesse estreitar, dos povos, os laços
Ao chegar da primavera
Ah, quem dera !
Que as borboletas retornassem aos jardins
A nos dizer que seu extermínio chegou ao fim
Ao chegar da primavera
Ah, quem dera !
Que os dias claros se perpetuassem
Para que toda escuridão, se dissipasse
E sempre fosse primavera ...
Maria Luiza Bonini
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