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O LÍRIO
E A BORBOLETA
Branco, alvo e perfumado, vivia o lírio em
um maravilhoso jardim.
As rosas brancas e vermelhas, próximas a
ele, misturava a tonalidade encantando e
dando um aroma misto de amor e fantasia.
Era um jardim esplêndido: margaridas,
crisântemos, dálias, jasmins e várias
espécies de flores, ornavam aquele lugar!
O majestoso lírio era a flor que mais
sobressaia meio aquelas flores, devido seu
doce e encantador perfume e sua rara beleza.
Todas as flores eram apaixonadas por ele. As
rosas brancas e vermelhas, aproveitavam a
brisa leve que as tocavam, só para dobrar
seus galhos e tocar suavemente naquele que
era sem dúvida uma majestade.
Era primavera, manhã de setembro, quando uma
borboleta bem vermelhinha sobrevoava por
ali. Seus olhinhos brilharam de encantamento
quando mirou o majestoso lírio. Admirada ela
bateu suas asinhas e foi feliz sugar um
pouco do néctar daquela flor de rara beleza.
--Que doçura! Que suavidade! Nunca havia
provado um néctar assim!
Dizia a borboleta.
Ficou deslumbrada... Apaixonada...
O lírio por sua vez nada entendia do mundo
das borboletas e não percebeu aquele doce
toque de amor. Ele sonhava era tocar todas
aquelas flores que ele percebia ser
apaixonadas por ele.
A borboleta não desistia, ia e vinha sempre
aquele jardim e percebia a indiferença do
lírio, mas notava com muita tristeza o
interesse dele por todas as flores.
Ela também queria ser uma flor! Queria
exalar perfume para contagiar o seu grande
amor!
O tempo foi passando e ela só
entristecendo... Entristecendo...
Enfraquecendo... Até que não conseguiu mais
voar...
Desesperada e entre lágrimas, ela fez uma
súplica a Primavera:
_Oh! Linda estação das flores, não me deixe
morrer de amor! Permita que eu vá pertencer
ao mundo das flores e nasça naquele jardim,
bem pertinho daquele lírio tão alvo e
perfumado, por quem me apaixonei
perdidamente, só assim continuarei
vivendo...
Condoída, a primavera resolveu atender a
súplica da infeliz borboleta. Soprou ao
vento suas asinhas vermelhas, que foi parar
bem próximas ao lírio, junto às rosas
brancas e vermelhas.
Naquele momento, o lírio se encontrava
desesperado... Era tão lindo, majestoso, mas
inerte! De que adiantava tanta beleza, se
não podia roçar as lindas flores que não
cansavam de admirá-lo.
Então, para sorte do lírio pousou em sua
corola, a Rainha das Borboletas que tinha o
poder de ouvir as flores.
Ele não perdeu tempo e desesperado suplicou:
_Oh! Rainha das Borboletas, deixe eu ser do
mundo da fauna ,eu não sou feliz pertencendo
ao mundo da flora, eu queria tanto ser um
beija- flor!
_Está com sorte! A sua rainha, a Primavera
acaba de atender a um pedido de uma
borboleta que queria ser flor e em
agradecimento a ela vou transformá-lo em um
majestoso beija- flor da cauda branca, vai
beijar todas as flores e poder sugar o
néctar de cada uma delas.
A brisa soprava suave naquele instante de
transformações.
Duas asinhas vermelhas caiam bem próximas ao
lírio, desabrochando numa linda rosa
vermelha...
Um majestoso lírio se fechava, para se
transformar em um encantador beija-flor da
cauda branca e alva...
A rosa apaixonada olhou em direção ao lírio,
mas viu que ele se transformava em um
esplêndido beija–flor, que voou... Tocou
suas pétalas... Sugou o seu néctar... E foi
feliz beijar outras flores que ansiava
também ser sugada por tão majestoso beija –
flor...
A rosa olhou desesperada...
De suas pétalas rolaram lágrimas sofridas,
que descendo pelo caule se transformaram em
espinhos. Seu caule foi se tornando mais
forte e a sustentou, não deixando que
desfalecesse.
Olhou para os lados e viu tantas flores
maravilhosas... Percebeu que não estaria
sozinha para suportar aquele momento de
dor...
Maria Mendes Corrêa
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