Marcos Sergio T. Lopes

 

 

“A CRIANÇA RENASCIDA”

Marcos Sergio T. Lopes


Já tem os passos lentos
O olhar cansado.
Já tem tantos silêncios
Tantas perguntas que nasceram através do tempo.
Já não pode voltar
Nem consertar...
O tempo passou
E agora se faz tarde para chorar.
Queria uma nova chance
Para começar diferente.
Não adianta meu velho
A criança ficou lá atrás
Com todos os sonhos
Cheia de fantasias
Carregada de estripulias.
Nem parece que foi você, um dia!
Se pudesse jogar fora esse presente
Agarrar-se ao passado de shorts surrado...
Não teria nenhuma duvida
Faria feliz cada instante
Ah! Como faria...
Apenas miragem do vovô.
Ensina seu neto então
Para que ele seja criança
Até esgotar a infância e suas regalias.
Assim não terá o teu arrependimento
Nem precisará implorar o passado de volta
Como você faz agora.
Pega nas mãozinhas pequenas dele
Mostre a ele o que é voar de pés no chão
Lambuzar-se de sorvete
Brincar de faz de conta...
Coisa que você não fez
E agora é muito tarde
Já que passado não volta
Nem dá chance de resgatar infância.
Ensina a ele, vai
Tudo que você perdeu
Para que ele não perca nenhum dia.

Marcos Sergio T. Lopes – 09/10/2011

“A IRA DO UNIVERSO”

Marcos Sergio T. Lopes


E tudo se fez:
Do avesso...
Morreu o riso
Nasceu o grito
Rompeu a fera
Consumiu a esfera...
Deixando um gosto de nada
Num levante abusivo
Copulando o vazio
Num deboche incisivo.
Partiu-se então
Quando o certo virou errado
E a mordaça foi jogada.
Restou o dedo incisivo
O mundo rompendo o silêncio
Colocando ordem em tudo
Em extremo ímpeto e grande vertigem.
Essa gente indolente sentiu a força
Pediu a clemência...
Não houve o perdão
Apenas a molestação
Rasgando sua pele
Fazendo brechas e dor extrema
Trazendo a devassa
Enquanto o “basta” se arrastou por todo lado
Mostrando toda força
Fazendo o jugo final
Num único instante.

Marcos Sergio T. Lopes – 31/08/2011

“ADÚLTERA”

Marcos Sergio T. Lopes
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Não mediu as conseqüências
Percorreu por caminhos desvairados
Dilacerou corações.
Deixou que o desejo ditasse as regras
E mostrasse a direção.
Dirigiu na contra mão
Rendeu-se ao apelo da carne
Enganou...
Mentiu...
Corrompeu seu corpo
De maneira absurda e imunda.
Viajou por tantas camas
Mergulhou em muitos corpos
Sentiu uma imensidão de gostos
Em gemidos tantos
Que enlouqueceram tantos quartos
Molhou tantas camas
Em mentiras deslavadas
De um amor que nunca amou.
Vivia de enganos...
Enquanto achava que enganava
E isso tanto a excitava...
Ludibriava a si mesmo.
Até que foi desmascarada
Encontrada em lençóis suados
Prova latente da sua veleidade.
Aí se fez o martírio:
Escorraçada e expulsada
Perdeu tudo por conta de sua luxuria.
Ficou ao desdém
Sem teto e sem alento
Passando a vender seu corpo por alguns vinténs
Para não morrer de fome
E implorar nas noites um teto
Dando em troca desejos fingidos
Para não ficar ao relento.
E quando o dia chegava
Na rua era então jogada.
Não era mais dona de nada...
Nem de si mesma!
Foi assim que traçou o resto de seus dias
Com um cheiro de suor forte impregnado na sua pele
E um perfume forte exalado
Paga também de um instante de prazer
Dado a alguém.
Morreu num canto fétido
Barraco escondido num canto
Onde as doenças de amor lhe consumiu.

Marcos Sergio T. Lopes – 16/12/2008

$CLEPTOMANIA$

Marcos Sergio T. Lopes


Era maior que tudo
Ia além de todas as suas vontades
Corrompia sua alma
Lhe escravizava.
Era um ímpeto...
Um instinto funesto
Que lhe roubava as forças
Instigava ao delito
Ditava o ato.
Era prenuncio de perigo
Ousadia e vicio
Um querer sem poder
Um embate dividido
Que lhe tirava o tino
Na louca vontade de correr o risco.
Não era o valor que contava
Era o delírio a qualquer preço.
As mãos comichavam
O coração acelerava
Enquanto uma força estranha
Apoderava de sua cabeça
Galopava seu pensar
Instigava o intento.
Não precisava...
Assim como podia comprar de bom grado.
Era mais forte
Uma briga entre o medo e temor
Um afronta ao honesto
Um logro desnecessário.
E quando se apoderava do objeto
Uma sensação de euforia
Diante do desafio consumado.
Depois o arrependimento
A promessa de “nunca mais”
Até o próximo dia...
Onde tudo nascia outra vez:
O impulso,
O alvo,
O risco,
O tato,
O ato...
A satisfação doentia.

Marcos Sergio T. Lopes – 20/06/2012

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